A República de Sasuke ficava a poucas quadras da casa aonde estava acontecendo a festa e havia bastante movimento pelas ruas por causa desta, então os dois resolveram ir andando mesmo. Após uns 5 minutos em silêncio, Sasuke resolveu puxar um assunto, pois não sabia como seria se chegassem em casa nesse clima tão...estranho.

— A namorada da sua amiga é bem bonita.

— Hã?

— Shizune. A namorada dela é bonita. Eu vi as duas um pouco antes da gente sair de lá.

— Ah sim, Tsunade tá no último período de medicina. Ela era monitora de Shizune e não descansou até conseguir sair com ela. E o Deidara? Ele tá namorando o Utakata?

— Namorando? Tá aí uma coisa que nunca vi, Utakata namorando. Eles são da mesma turma, saem às vezes. Mas também tem o Sasori… Na verdade nunca tentei entender de fato aquele rolo ali.

— Eles são bem, hm, diferentes. Todo mundo no seu curso é assim?

— Olha, tem uma galera meio alternativa mesmo, eu acho. Mas nem todos. Tem muita gente talentosa, isso é um fato. Ainda nem acredito que fui aprovado. O Sasori mesmo, que é aquele ruivo que estava com o Deidara, tem hora que ele dá medo. E o Haku, um menino da minha turma, faz umas coisas impressionantes.

Seguiram conversando sobre as pessoas curiosas que tinham conhecido nessa nova fase de suas vidas. Em certo momento Naruto passou o braço pelos ombros de Sasuke, diminuindo o ritmo da caminhada. Enquanto o loiro pensava que não podia deixar mais de seguir seus instintos com Sasuke, o moreno se amaldiçoava em silêncio por corar como uma adolescente com a atitude do amigo. Principalmente porque não era algo tão incomum assim, então Sasuke tentava não ver coisa demais e seguir conversando normalmente.

Quando chegaram na casa de Sasuke gargalhavam abertamente, e entraram tentando se controlar para não incomodar ninguém com o barulho. Ainda beberam mais algumas cervejas na mesma varanda onde tinham conversado mais cedo. O clima que tinha se instaurado antes da festa, um flerte mútuo e confortável, estava de volta. O ar parecia leve e tudo parecia certo. A proximidade dos corpos enquanto conversavam sentados no mesmo banco trazia uma sensação boa; os sorrisos vinham fáceis e sem reservas. Logo, a mão esquerda de Naruto repousava displicentemente na perna direita de Sasuke e nenhum dos dois se sentia alarmado com os toques.

Até a hora que resolveram dormir. Sasuke e Naruto sempre haviam dividido a mesma cama sem problemas depois das festas. Com isso no fundo de suas mentes, não haviam pensado em como fariam os arranjos para dormir, ambos assumindo que chegariam tarde, bêbados e repetiriam a rotina de sempre. Não contavam com a situação constrangedora na festa, os sentimentos e dúvidas que causava em ambos, tampouco que viriam embora mais cedo e mais sóbrios que de costume e ainda teriam esse clima íntimo se instaurando sem suas permissões totalmente conscientes.

— Er... Sasuke, você tem um colchonete ou algo assim?

— Hm, não. O Kabuto até tem um, porque acampa pra fazer observações às vezes, mas eu nem pensei em pegar.

— Tudo bem, eu durmo nessa poltrona então.

— Fala sério, vai dormir sentado? Naruto, você não vai caber aí de jeito nenhum! Vai ficar todo torto se tentar relaxar, sem condições.

— Ah, eu dou um jeito. O chão então, sei lá.

— Naruto, relaxa. A gente pode fazer como sempre fez, ok? A não ser que seja um problema pra você.

— Pra mim? Não, problema nenhum! Você tem certeza?

— Anda logo, Dobe.

Sasuke parecia seguro e confiante mas na verdade suas mãos estavam suando. Dessa vez não trocaram de roupas no mesmo cômodo e quando se acomodaram na cama, automaticamente ficaram o mais longe possível, evitando tocar um no outro. Apesar disso ainda mantiveram uma conversa antes de Naruto adormecer e Sasuke também relaxar com o som da respiração pesada do loiro.

As ações eram praticamente as mesmas. Conversavam, bebericavam uma cerveja, riam. Mas a atmosfera era diferente. Algo nos olhares, na largura dos sorrisos, na linguagem corporal. Ficou mais claro quando Naruto chegou perto de Sasuke, que se apoiava na bancada de sua cozinha e o abraçou por trás, pousando a cabeça no ombro do moreno e sentindo seu cheiro. Parecia tão certo que se perguntou por que demorou tanto pra fazer isso. Então Sasuke se virou um pouco pro loiro e…

Naruto acordou.

Sasuke tinha acabado de acordar. E assim que percebeu que Naruto o abraçava por trás não sabia que se ria ou se mandava o universo ir tomar naquele lugar sem lubrificante. Não era possível contar quantas vezes ele e Naruto tinham partilhado uma cama desde que retomaram a amizade, seja depois de festas ou de noites de papo furado e vídeo games em casa. Mesmo depois de Sasuke se dar conta de que sentia algo pelo loiro isso continuava acontecendo de forma natural. Até mesmo no dia em que ficaram naquela festa foi assim. E nunca, em nenhuma dessas vezes, tinham acordado dessa maneira. Então só podia ser piada o fato de que justo agora, com tudo que tinha ficado no ar no dia anterior, eles acordassem nessa situação constrangedora.

O moreno podia sentir o peso do braço do amigo em sua cintura e o rosto dele encostado em sua nuca. Agradeceu por, pelo menos, os corpos não estarem colados. Se sentisse mais do corpo de Naruto em si não saberia como se controlar. Se remexeu tentando sair da posição e isso pareceu acordar o loiro, pois sentiu sua respiração mudar, quase como se ele estivesse o cheirando.

Ao recobrar a consciência Naruto ficou frustrado por um segundo pela constatação de ter sido apenas um sonho, mas logo a realidade o atingiu. De fato tinha seu braço em volta de outro corpo e sentia em seu nariz as pontas de um cabelo e um cheiro familiar. E pelo jeito o outro também estava consciente de que estava sendo abraçado. Ficou instantaneamente alerta e, parte de si pensava que o mais sensato seria soltar o amigo, quem sabe fingir que ainda estava dormindo e evitar o constrangimento.

Por outro lado, Naruto não queria mais se acovardar. Chega de ter medo. Não tem nada de errado nisso. Não quero andar pra trás! Assim, finalmente tomando sua decisão, o loiro inspirou mais profundamente o aroma da nuca de Sasuke e sussurrou, a voz rouca pelo recém despertar:

— Bom dia, Teme.

Sasuke não sabia bem como agir na situação em que estavam, então optou por tentar tornar o clima leve.

— Bom dia, Dobe abusado. Eu não sou travesseiro, sabia?

O moreno se remexeu, ameaçando sair do abraço do outro, mas Naruto o segurou mais forte.

— Naruto… - Sasuke suspirou. Seu coração batia acelerado e estando assim tão perto com certeza Naruto podia sentir. Mas a respiração dele também parecia um tanto descompassada quando falou:

— Sasuke. Olha pra mim.

A decisão na voz de Naruto era evidente e Sasuke sentiu seu estômago revirar, mas fez o que o loiro pediu. Quando se viu frente a frente com aqueles olhos azuis a milímetros de distância, não foi capaz de sustentar o olhar, transferindo-o para um ponto qualquer em volta de Naruto. Não se passou nem dois segundos até sentir a mão hesitante do loiro na lateral de seu rosto, chamando sua atenção para si novamente.

— Porra, Naruto, não brinca comigo.

— Olha pra mim, Sasuke. - Naruto repetiu. - Eu jamais faria isso.

Quando Sasuke enfim permitiu que os olhares se conectassem novamente, Naruto pôde ver todas as emoções que passavam pelos ônix naquele momento. Confusão. Esperança. Medo. Desejo. Nervosismo. Paixão. O loiro deixou que seus dedos fizessem uma carícia suave no rosto de Sasuke e viu ele se inclinar para seu toque, mas sem desviar o olhar do seu. Expectativa.

— Sasuke, me desculpa.

— Pelo quê? - Dúvida.

— Por toda a idiotice que eu fiz. Por ter demorado tanto pra perceber…

Naruto se calou. Como explicar o que estava sentindo? Não tinha um nome ainda para aquilo, sabia apenas que queria estar com Sasuke, queria isso há muito tempo e já tinha perdido tempo demais. Finalmente não tinha mais nenhum motivo, não, nenhuma desculpa absurda para negar esse desejo.

— Perceber?

Lembrando do conselho de Gaara havia lhe dado meses atrás, Naruto decidiu que agir era melhor do que tentar se explicar com palavras. Moveu o polegar até tocar no lábio inferior de Sasuke, que abriu um pouco a boca com a surpresa. Chegou apenas alguns centímetros mais perto do outro e parou, mantendo o olhar, como quem pede permissão. Ver os olhos negros se fecharem foi tudo o que precisou para encerrar a distância e iniciar o beijo.

Apenas um toque no início, até sentir Sasuke respirar fundo entre seus lábios e relaxar. A partir daí, levou a mão até a nuca do moreno, trazendo-o mais para perto e tornando o beijo mais profundo.Ah, sim. Isso é certo, a mente de Naruto repetia.

Ainda inseguro, Sasuke colocou a mão no braço de Naruto, apertando levemente. Não quebrou o beijo, não poderia. Sentia-se com a mente nublada, com o corpo mole a ponto de que, se não estivesse deitado, suas pernas poderiam falhar.E é só um beijo. Naruto, o que você faz comigo?

Quando se separaram os olhos procuraram um ao outro instantaneamente. Naruto sorria. Sasuke ainda estava receoso. O moreno se sentou na cama, dando as costas ao outro, mas sem se afastar.

— O que isso significa? - perguntou, muito baixo, passando as mãos pelos cabelos bagunçados pela noite de sono.

Naruto não hesitou em sentar-se também e abraçar as costas de Sasuke, apoiando o rosto na curva de seu pescoço e fazendo a cena que tinha visto em seu sonho acontecer. Ficou mais confiante quando Sasuke não recusou o contato, apesar de também não corresponder.

— Eu disse que jamais brincaria com você, Sasuke. Eu falei sério. Eu não tenho um nome pro que sinto ainda, admito. Mas não quero mais lutar contra essa minha vontade de estar com você. Isso, é claro, se você também quiser estar comigo.

Mais de um minuto se passou sem que Sasuke falasse qualquer coisa ou se movesse. Naruto já temia que de fato, tivesse se resolvido tarde demais e feito besteira agora em ser tão ousado, que fosse cedo para beijar Sasuke assim, quase sem explicação. Já se preparava para tentar explicar o que vinha sentindo, para deixar claro que não era um "fogo de palha" ou uma vontade inconsequente quando o Uchiha se virou, depositando um beijo no canto da boca do loiro antes de dizer:

— Eu deveria saber, você sempre foi lerdo mesmo.

O olhar de Sasuke agora transmitia uma alegria tão genuína que Naruto sentiu seu rosto esquentar. Dessa vez foi o moreno quem começou o beijo, segurando nos fios curtos do loiro.

— Você cortou mais o cabelo? - Sasuke perguntou, puxando Naruto para se deitar novamente consigo.

Ok. Então não vamos conversar agora. Tudo bem, nada mais justo do que eu respeitar o ritmo dele depois de tudo.Naruto pensou, se apoiando no peito de Sasuke ao responder:

— É, só um pouco mais curto que o normal. Só reparou agora, Teme?

— Você mesmo disse que a diferença nem é grande, reparei porque não deu pra segurar. Mas e então, o que quer fazer hoje?

Passaram pelo menos mais uma hora deitados entre conversas bobas, carinhos experimentais e beijos suaves. Ainda que tivessem muito o que conversar ainda, Sasuke preferia aproveitar esse momento para ter Naruto junto a si se inundando da sensação de que enfim as coisas estavam em seu devido lugar. Precisava de um tempo para digerir o que estava acontecendo e por que não dar esse tempo nos braços do loiro?

Quando Naruto levantou para ir até o banheiro, Sasuke pegou o celular e viu que tinha acabado de receber uma mensagem de Itachi. Seu aniki tinha adquirido a mania de mandar aquelas imagens bobas de "bom dia" nas últimas semanas e, por mais que reclamasse, isso sempre fazia Sasuke sorrir. Com tudo o que acontecera, Sasuke quis falar com o irmão. Itachi atendeu no terceiro toque.

— Sasuke. Tudo bem? Achei que ainda estaria dormindo… não foi ontem a tal festa?

— Bom dia, nii-san. Foi ontem sim, mas Naruto me acordou cedo.

— Ah, e como ele está?

— No banheiro. Ele está bem. E bi.

— O que?

— Ontem o Naruto me contou que é bissexual.

— Puta merda, eu sabia! Devia ter apostado dinheiro nisso! E aí?

— E aí o que? - Sasuke sabia que Itachi poderia perceber o riso em sua voz, não tinha feito nenhum esforço para disfarçar.

— Otouto! Me conta!

— Não que tenha muito o que contar ainda, mas amanhã vou pra casa e a gente conversa. - neste momento, Naruto voltou ao quarto. - Itachi está mandando um oi, Naruto.

— Oi, Itachi! - o loiro gritou, alegre.

— Ouviu? É, ok. A gente se fala depois. Manda um beijo pro Shisui. Tchau.

Sasuke finalmente levantou-se da cama, se espreguiçando e sentindo o olhar de Naruto sobre si, de maneira muito semelhante a que tinha acontecido no dia anterior, quando acordaram no meio da tarde. Semelhante, mas diferente.

Naruto piscou algumas vezes:

— E então, Teme. Vai me mostrar ou não o que tem de bom aqui em Oto? - Naruto perguntou com um sorriso radiante, enquanto vestia uma camiseta laranja.

Os dois foram para a cozinha. Por mais que não tivessem bebido tanto na noite anterior, um café forte cairia bem. Sasuke não se deu ao trabalho de vestir uma camisa, saindo pela casa apenas com uma bermuda larga, sendo seguido de perto por um Naruto muito falante.Só sendo ele mesmo pra não me deixar com vontade de estrangular por falar tanto a essa hora.Kabuto estava se servindo de café quando os dois entraram no cômodo.

— Dia, Kabuto. Cadê os outros?

— Já saíram. Sasuke, veste alguma coisa, Orochimaru-sama está aqui. Bom dia, Naruto.

— Hm.

Sasuke fez uma expressão contrariada. O orientador de Kabuto passava algumas noites na República com o platinado, teoricamente trabalhando na pesquisa que desenvolviam juntos. Sasuke não gostava da presença do homem e até teria reclamado, se não estivesse com seu próprio convidado no local. Mal tinha pensado que deveria mesmo voltar ao quarto e trocar de roupa quando o homem pálido, de longos cabelos escuros e olheiras arroxeadas que denunciavam a falta de sono entrou na cozinha.

— Kabuto, querido, o café está pronto? Oh, bom dia a todos! Como vai Sasuke-kun?

O homem olhava para Sasuke atentamente e com um sorriso pequeno nos lábios. Era desconfortável.

— Bom dia. - foi tudo o que o moreno respondeu antes de se virar e abrir a geladeira, fingindo procurar por alguma coisa.

— Oh, esse rapaz forte eu não conheço. Novo morador?

— Não, ele é Naruto, amigo do Sasuke. - foi Kabuto quem respondeu.

— Muito prazer, Naruto. - o homem mais velho estendeu a mão, a qual Naruto apertou de maneira estranha, respondendo ao cumprimento. Mesmo falando com todos o tal Orochimaru continuava a olhar para Sasuke, que ainda estava de costas.

Não gostando nada da situação, Naruto pegou as canecas, nas quais Kabuto já havia servido café, de cima do balcão, entregou uma a Sasuke e tocou levemente no fim das costas do moreno, conduzindo-o de volta ao quarto.

— Bom dia pra vocês! Sasuke, quero te mostrar uma coisa antes da gente sair…

Se tivessem olhado para trás teriam visto o sorriso irônico que o orientador de Kabuto deu antes de desviar a atenção dos dois. Mas não olharam. Naruto só deixou de tocar Sasuke ao entrarem no quarto novamente.

— Cara estranho.

— Nem me fale. O que quer me mostrar?

— Ah. Hm, não é nada. Eu só…

— Só? - Sasuke tinha uma expressão inocente no rosto, mas seus olhos brilhavam em divertimento.

— Só não gostei do jeito que aquele velho estava olhando pra você. - Naruto respondeu, emburrado e sem olhar para o moreno.

— Mas você está se mostrando alguém bem ciumento hein, Dobe. - Sasuke brincou.

— É o que, Teme?

— Ah pronto. Vai fazer a desentendida. - Sasuke se divertia, bebericando seu café. - Além dessa atitude agora, que agradeço porque aquele cara me dá nos nervos sempre que está aqui, teve toda sua cena com o Uta ontem, pensa que esqueci?

Naruto teve a dignidade de parecer um pouco constrangido e se sentou na cama.

— Acho que não dá pra negar, né?! Mas foi bom pra eu finalmente…

Naruto olhou para Sasuke, incerto se o moreno queria ou não entrar no assunto. Sasuke se sentou no meio da cama, as pernas cruzadas, e chamou Naruto para fazer o mesmo. Adiar conversas já tinha dado errado antes, era melhor jogar limpo antes e se ver perdido nos sentimentos novamente. Sentados um de frente pro outro, os joelhos se tocando, Sasuke iniciou a conversa.

— Naruto. Você sabe como eu me sentia… - Sasuke respirou fundo.Pra que negar?- Sinto, em relação à você. Claro que não é como se eu tivesse ficado chorando por aí, mas não foi a melhor coisa do mundo ser rejeitado ano passado. Eu tinha superado… e aí você vem com isso.

— Eu sei Sasuke. Eu sei. Eu estava tão confuso com o que você estava causando em mim. Eu não queria experimentar, tentar me entender com você sem me entender comigo mesmo. Porque vai que não fosse nada além de um impulso ou uma confusão? Ia acabar te magoando de novo e jamais ia me perdoar. Mas depois que eu consegui me conhecer melhor, ficou impossível negar que você mexe comigo.

Naruto viu o rosto de Sasuke corar, mas ele não mudou a expressão e nem desviou o olhar.

— Mas o que isso significa pra você, exatamente? Porque eu sinceramente não sei se sou capaz de que a gente se envolva e os sentimentos não entrem no meio. E, não sei, acho que não é mais a mesma coisa pra mim.

— Eu nunca me apaixonei de verdade, Sasuke. O que rolou com a Saky não conta, era infantil demais. Eu não sei reconhecer. E eu juro que vou entender se as coisas tiverem mudado e você não estiver disposto...

— Não é que tenham mudado completamente, mas. Não sei explicar, até porque eu também nunca tinha me apaixonado antes de…

Sasuke não completou a frase, não era preciso. Naruto segurou as mãos do moreno, acariciando-as de leve.

— Eu quero muito estar com você. Sentimentos envolvidos. O que você acha de descobrirmos juntos, aos poucos?

Sasuke não demorou mais que dois segundos para ter a decisão. Nunca achou que teria uma chance e, agora que a tinha, não queria desperdiçar. Sonhara tantas vezes com algo assim. Estava receoso, claro, tinha muita coisa em risco. Mas era Naruto ali. Com ele, poderia resolver o que quer que fosse. No mínimo a amizade seria pra sempre, sabia disso, podia sentir.

Sua resposta foi puxar Naruto para um beijo.Posso me viciar nisso tão fácil…Os lábios cheios de Naruto tinham o gosto do café. Sua língua ainda estava um pouco mais quente que o normal por causa da bebida. Sasuke sentiu o loiro escorregar mais para perto e lhe segurar o rosto com carinho. Antes que o beijo se tornasse exigente demais, separou os lábios com selinhos estalados e disse:

— Juntos, então.