Naquele dia Sasuke não foi à aula. Saiu com Naruto mostrando os locais que gostava de frequentar em Oto. A não ser pelo fato de terem conversado um pouco mais sobre os próprios sentimentos - Naruto enfim admitindo e explicando para Sasuke que ele havia sido decisivo para sua auto descoberta e Sasuke deixando claro que teriam que caminhar juntos no que quer que fosse o que estavam começando, pois também não tinha mais plena segurança em como se sentia - e pelos momentos em que acabavam se tocando com mais carinho e intimidade, era como se nada tivesse mudado entre os dois.

Depois de algumas horas, fizeram o trajeto de volta até a casa onde Sasuke morava caminhando lentamente, cientes de que se Naruto fosse seguir o plano de voltar para Suna antes de anoitecer, não poderia se demorar muito mais por ali. Tanto um quanto o outro sentiam como se precisassem estar próximos; como se tivessem perdido muito tempo e precisassem recuperar. Uma sensação parecida com aquela que sentiram quando Sasuke retornou a Konoha, porém mais forte e com mais desejos envolvidos.

Quando enfim chegaram à República, a casa estava completamente vazia. Foram até a cozinha beber alguma coisa, adiando o momento de Naruto recolher a mochila que tinha deixado no quarto de Sasuke e partir. Ficaram falando sobre as coisas mais bobas, torcendo para o relógio correr mais devagar, para os segundos se arrastarem. Desejo esse que era totalmente contrário àquele que teriam no instante em que se separassem.

— Então, - Sasuke iniciou um novo assunto quando sentiu que a conversa ia morrer. - eu vou pra Konoha amanhã à tarde. Itachi está pegando no meu pé porque faz mais de um mês que não vou pra casa. Você vai pra lá esse fim de semana?

— Bem que eu queria. Mas não vai dar. Além do trabalho, tenho uma pesquisa que deve ser entregue segunda feira pra terminar. E também, agora me lembrei que combinei com o Gaara de lanchar com ele no domingo, ele vai estar em Suna visitando o irmão.

O rosto de Sasuke assumiu uma expressão de desgosto. Foram apenas dois segundos antes do moreno retomar sua "cara-de-nada" oficial, mas não passou despercebido pelo loiro. Principalmente quando o moreno disse em seguida:

— Entendi. Acho que está ficando tarde. Se você demorar muito mais não vai conseguir chegar em Suna ainda com luz do dia. Vem, vamos pegar sua mochila.

Sasuke saiu andando na frente, em silêncio. Naruto tinha um bom palpite do que estava causando aquela reação, e sorria internamente. Porém, por fora, fazia uma expressão preocupada ao parar Sasuke no corredor e fazê-lo virar-se para si.

— Qual o problema, Teme? Por que está me expulsando de repente?

— Não tem nada de de repente. Você que disse que queria chegar cedo em Suna e…

— E você que disse que não via porquê. O que foi?

— Nada.

— Nada? - Naruto agora não podia conter o sorriso, se aproximando cada vez mais de Sasuke, tocando sua cintura. - Pois pra mim tá parecendo uma coisa…

— Que coisa, Usuratonkachi?

— Bom, você ficou assim depois que falei que ia ver o Gaara. Ha! Aí ó! Essa cara de novo.

— Que cara? Não tem cara nenhuma!

— Ah tem. Cara de quem tá com ciúmes.

— Ah Naruto, faça-me o f…

Sasuke foi interrompido pelo beijo exigente do loiro. A boca de Naruto explorava a sua sem a calma ou o receio de mais cedo, tomando o controle e todo o ar de Sasuke. O moreno não pôde controlar o gemido que subiu por sua garganta ao sentir o loiro chupar sua língua ao mesmo tempo em que apertava o abraço, colando os corpos.

Logo, Sasuke estava com as costas coladas à porta de seu quarto e Naruto lhe beijava o pescoço e arranhava a cintura, fazendo o Uchiha suspirar, passando as mãos pelos cabelos loiros e espetados do outro, que gostaria de poder segurar mas não conseguia por estarem curtos demais.

Naruto começou a sussurrar no ouvido do outro.

— Não fica com ciúmes, Sasuke. Você sabe que eu nunca vi ele assim. Além do mais, ele e o Lee estão namorando, sabia?

— Tsk. Eu não to nem aí pra isso, Dobe.

— Não? - Naruto mordeu o lóbulo de Sasuke e ficou satisfeito com o fato do moreno ter estremecido em seus braços. - Nem um pouco?

— Nem… hmmm.

Sasuke sentiu quando a porta foi aberta e passou a ser empurrado para dentro do quarto, a coxa musculosa de Naruto entre as suas, entrando em contato com a área mais sensível de seu corpo. Quando Sasuke caiu sentado na cama, Naruto não o acompanhou, parando de pé a centímetros de distância.

— Pensei que tínhamos concordado em sermos cem porcento sinceros um com o outro, Teme.

Sasuke esticou a mão para puxar Naruto para si de novo, mas o loiro se esquivou de seu toque.

— Então, nem um pouco?

— Droga, Naruto. Talvez. Um pouco. Mas foda-se aquele ruivo, vem aqui logo.

Dessa vez Naruto deixou que Sasuke o puxasse pelo cós da bermuda, caindo com o corpo sobre o outro e rindo gostosamente. Segurou o rosto de Sasuke entre suas mãos e disse, olhando firme nos olhos ônix que sempre pareciam lhe dizer tanto.

— Não tem motivo pra isso, Sas. Sabe por que? Porque eu quero você.

As palavras de Naruto fizeram cada pêlo fino do corpo do Uchiha se arrepiar e seu rosto corar.

— Céus, como é bom finalmente dizer isso! - Naruto completou ao ver a reação de Sasuke às suas palavras.

Sasuke puxou Naruto para outro beijo de tirar o fôlego, se remexendo por baixo dele, querendo sentir mais do loiro. Não demorou até Sasuke ter sua camisa levantada e a boca de Naruto passeando por seu tronco nu, a respiração ficando mais ofegante a cada segundo. Rapidamente pôde sentir seu membro se animar dentro das calças. O moreno cobriu o rosto com um dos braços, ficando cada vez mais quente e inquieto com os toques que recebia.

— Sasuke, tudo bem?

Naruto parecia preocupado, agora sentado entre as pernas do Uchiha, as mãos acariciando suas coxas com carinho.

— Tudo. Eu só não me preparei…

— Então a gente pode parar, se você acha que estamos indo rápido demais.

— Não, não é isso, Dobe. Eu não me preparei. Pra tudo... Entendeu?

Sasuke quase pôde ver a luz da compreensão se acender sobre a cabeça loira e achou fofo a maneira como o rosto de Naruto ruborizou com o que havia insinuado.

— Ah! Não, tudo bem, eu nem estava pensando tão longe, pra ser sincero. - Naruto foi abaixando o corpo até estar com os lábios a milímetros dos de Sasuke novamente. - Eu só quero… preciso… te tocar um pouco. Posso?

A resposta de Sasuke foi um gemido ao tomar os lábios carnudos mais uma vez. Suas mãos foram para os costas largas de Naruto, entrando por baixo da camiseta berrante e acariciando a coluna, desde o meio das costas até a curva da bunda do loiro. As mãos de Naruto passeavam pela lateral do seu corpo, ora suavemente ora com apertos firmes que faziam Sasuke se sobressaltar.

Quando os dedos compridos começaram a tatear o interior de sua coxa, Sasuke se viu impulsionando o quadril, querendo mais. Naruto atendeu. Logo levou a mão ao cós da bermuda que Sasuke usava, baixando-a junto com a boxer e tomando o membro rígido em sua mão. Não deixava de beijar Sasuke profundamente e por isso o gemido que ele soltou foi dentro da boca de Naruto.

Havia certa urgência no toque e Naruto não começou lento, ditou um ritmo forte na masturbação logo de cara. Sasuke jogava a cabeça para trás e suspirava alto, uma visão que nem em seus melhores sonhos Naruto poderia imaginar. O loiro sentiu seu próprio pênis endurecer mais, ao ponto de o aperto da bermuda se tornar insuportável. Baixou o quadril o suficiente para sua ereção tocar a perna de Sasuke, em busca de algum alívio. Então, sentiu Sasuke lhe empurrar o peito suavemente:

— Senta.

Naruto se sentou na cama, as pernas esticadas e observou quando Sasuke se livrou da própria bermuda antes de abrir a sua e liberar o membro pulsante do loiro. O Uchiha se posicionou no colo de Naruto, as pernas por cima do quadril deste, perto o suficiente para poder tocar as duas ereções juntas.

Quando o fez, Naruto mordeu seu ombro com força, lhe arrancando um ofego pela surpresa, e depois deixando um beijo na área mordida, como um pedido de desculpa. Sasuke movia a mão sobre os dois membros juntos, espalhando o calor e o pré-gozo de um para o outro.

Naruto gozou primeiro, com um grito grave e um aperto capaz de deixar uma marca na coxa pálida de Sasuke. O moreno veio logo depois, enquanto o loiro ainda tinha a mente e a visão anuviadas pelo orgasmo. Beijaram-se mais uma vez, lentamente, as respirações ainda ofegantes e sorriram um para o outro quando se separaram.

— Acho que precisamos de um banho.

Naruto tomou banho primeiro, enquanto Sasuke trocava o lençol da cama. Saiu só de camisa e cueca do banheiro, resmungando.

— Droga, Sasuke. Era minha única bermuda e agora tá toda suja de porra. Vou ter que pegar uma sua emprestada.

— Tá reclamando, Dobe? Não esqueça que foi você que começou.

— Eu? Quem me puxou pra cama foi você!

— Depois que você me atacou no corredor!

— Você tem ideia de como fica lindo com ciúmes, bastardo?

Sasuke sentiu o rosto esquentar e quando a risada de Naruto ecoou pelo cômodo, o Uchiha a calou jogando uma bermuda em cheio na cara do loiro e indo tomar seu próprio banho.

— Obrigado, Sasuke-teme. - ainda ouviu o outro gritar, ainda com a voz risonha, antes de ligar o chuveiro.

Não perderam muito tempo na pequena briga, pois assim que Sasuke saiu do banheiro Naruto tinha acabado de ajeitar suas coisas na mochila.

— Tenho que ir.

— Tudo bem, eu vou com você até o carro.

Foram até o lado de fora da casa abraçados, aproveitando os últimos minutos de contato. Ainda não sabiam exatamente quando poderiam se ver de novo e, considerando tudo o que tinha acontecido nesses dois dias e a promessa de tudo que ainda viria a acontecer, qualquer demora parecia tempo demais. Naruto se despediu com diversos selinhos estalados nos lábios de Sasuke, afirmando que sim, avisaria assim que chegasse.

Enquanto via o carro se afastar Sasuke sentia um misto de sentimentos. A felicidade, certamente, se sobrepunha aos demais.

Na sexta-feira, logo após sua aula de Artes Visuais, Sasuke foi direto para a rodoviária pegar o ônibus até Konoha. Em alguns momentos era um pouco incômodo não ter o próprio carro, mas dessa vez o moreno estava até achando bom, pois se tivesse que dirigir não poderia dormir no caminho. Tinha ficado acordado até bem tarde na noite anterior, conversando com Naruto. Assim que chegou, o loiro mandou uma mensagem avisando que, apesar de não ter alcançado Suna antes de escurecer, o atraso tinha valido muito a pena. A partir daí ficaram se provocando por mensagens durante horas.

Quando foi jantar, Sasuke mandou uma foto da comida bem feita para o outro, e recebeu a imagem de um cup ramen. "Eu deveria estar surpreso?" foi o que respondeu. Quando foi tomar banho antes de se deitar, Sasuke fez questão de dizer o que estava fazendo e mandar um áudio da água corrente, ao que Naruto respondeu "E agora, como eu durmo tendo a imagem mental de você no banho gravada na minha mente?". De fato o loiro não dormiu, pois quando saiu do banho Sasuke viu que tinha recebido mais de 10 fotos de Naruto: de suas pernas, metade de seu rosto, seu peitoral, selfies… "Pra que isso, Dobe?", "Pra você também ter uma imagem mental minha.", "Se eu não preciso imaginar não é imagem mental, idiota, é só imagem.". Mas Sasuke não pôde deixar de sorrir, mesmo achando a situação toda um tanto cafona.Céus, isso depois de um dia.

Talvez a dinâmica estivesse íntima demais pra algo que tinha acabado de começar e sequer tinha um nome. Mas por que precisariam de tempo? Já sabiam tudo o que havia para saber um sobre o outro. Não havia ninguém que conhecesse Sasuke melhor do que Naruto e vice-versa. Talvez Itachi, no caso do moreno. Mas só. Como sempre, não estavam forçando nada, estavam apenas seguindo seu próprio ritmo.É muito bom e muito assustador ao mesmo tempo.Quando finalmente se despediram Sasuke viu que teria menos de 4 horas de sono. Mesmo assim dormiu com um sorriso no rosto.

Assim, ao entrar no ônibus, mandou uma mensagem para Itachi avisando a hora prevista da chegada, colocou os fones de ouvido e relaxou, deixando o sono lhe abraçar. Quando chegou na rodoviária de Konoha, Shisui era que lhe esperava para lhe dar uma carona até em casa. Foram conversando sobre o curso de Sasuke e as experiências universitárias do recém-formado Shisui durante o caminho. Ao chegar em casa, Sasuke passou o resto da tarde apenas estudando um pouco em seu quarto, treinando algumas novas técnicas de desenho à lápis. Até Itachi surgir, silencioso como um fantasma, já espiando o que Sasuke desenhava.

— Hmmm. Os olhos me parecem iguais aos dele, mas talvez você tenha que ajeitar o nariz…

— Porra Itachi, quer me matar do coração? Não chega de fininho assim, cacete!

— Também senti saudade, Otouto.

— Hm. Mas é, vou refazer essa parte.

Itachi ainda ficou observando Sasuke trabalhar em seu desenho, até o mais novo se dar por satisfeito. Fosse em outra época Sasuke não deixaria que ninguém visse o que criava, muito menos o processo de criação.Você está mais maduro, Otouto;Itachi refletiu. Sasuke então foi até a cama e chamou pelo irmão mais velho.Mas ainda é só meu irmãozinho tolo;o de cabelos compridos pensou ao se sentar e deixar que Sasuke se deitasse com a cabeça apoiada em seu colo.

— Vai falando, Sasuke.

— Nossa, Itachi. Assim? No seco?

O mais velho apenas rolou os olhos e cutucou a testa do irmão.

— É, assim. Bora.

— Nós… vamos tentar. Alguma coisa.

— Aleluia! Até que enfim parou esse jogo de gato e rato! Detalhes. Quero detalhes, Sasuke.

— Eu não vou te dar detalhes, seu pervertido!

— Puta merda, Sasuke! Não esses detalhes. Embora, já teria esses detalhes também? Mas vocês não perdem tempo hein…

— Não! Sim. Um pouco. Aargh, não vou falar disso pra você. Vou pelo começo.

Então Sasuke contou para Itachi como tudo havia mudado entre si e Naruto num período de dois dias.

— E sabe, tudo acabou de acontecer, mal começou e eu nem processei direito ainda, mas… parece tão certo. Tão confortável, como se sempre tivesse sido assim.

— E não é boa? Essa sensação?

— É. Mas acho que me assusta.

Sasuke passou a mão nos cabelos, um gesto defensivo e automático, com o objetivo de esconder um pouco que fosse seu rosto. Odiava demonstrar suas fragilidades, e se o fazia nesse momento era porque não escondia nada de seu Aniki.

— É, se apaixonar pode ser assustador mesmo. E parece que não, mas ser correspondido só faz ficar ainda mais.

— Aí é que tá, eu não sei se é bem isso.

— Da parte dele?

— De nós dois.

— Ah vá, Sasuke. Não tenta se enganar pra se proteger. Nunca dá certo.

— Não Itachi, é sério. Eu tinha superado. Você deveria ter visto como eu agi super de boa quando ele contou que é bi. Claro que por um segundo pensei que as coisas poderiam ter sido diferentes, mas eu estava mesmo bem ok. Até vir o ciúmes.

— Exato. A gente não tem ciúmes de quem não gosta, Sasuke.

— Eu não disse que não gosto dele. Mas não é mais a mesma coisa que eu sentia.

— E nem vai ser. Ainda bem.

— Como assim?

— O que você sentia era platônico, era uma fantasia, um desejo distante. Uma idealização. E te frustrou e machucou por muito tempo. O que vocês vão construir agora é real, palpável. E apesar de dar um pouco de medo e de não ser tudo perfeito, é pra fazer bem pra pra vocês dois. É normal ser mais confuso, porque agora não são só os seus sentimentos, mas a interação dos sentimentos e ações de vocês dois. Em outras palavras, você não tem mais tudo nas suas mãos. E isso é o que torna tudo mais intimidante e mais certo ao mesmo tempo. Arrisco dizer, Otouto, que agora é que você vai mesmo entender o que é se apaixonar. Agora que vai descobrir o que é o amor de verdade.

— Wow! Amor? Melhor ir devagar com isso!

— Claro, melhor ir devagar. Boa sorte tentando controlar a intensidade de sentimentos.

— Nossa Itachi. - Pausa dramática. - A vida de casado te deixou tão brega.

A expressão de Itachi que antes era de carinho se contorceu em uma careta de indignação.

— Ah Sasuke, vai à merda, vai. Por que eu ainda gasto minha saliva falando com você?

— Porque você me ama. - Sasuke arrastou a voz e girou os olhos de maneira zombeteira.

Os dois irmãos riam quando escutaram Shisui chamar do andar de baixo, avisando que já estava de volta. Após deixar Sasuke em casa ele tinha saído para comprar algumas coisas para o jantar dos três. Itachi deu dois tapas suaves na cabeça de Sasuke, indicando que era para ele se levantar, e se encaminhou até a porta do quarto. Antes que o irmão saísse, porém, Sasuke o chamou:

— Valeu, Nii-san.

— Disponha. Estou na torcida por vocês. - O sorriso de Itachi era pequeno, porém transmitia conforto e sinceridade.

Sasuke voltou até sua mesa, onde estava o desenho que tinha acabado de fazer e se viu pensando. As palavras de Naruto "vamos descobrir juntos" e as de Itachi "descobrir o que é o amor de verdade" parecendo estranhamente complementares.Não vá com muita sede ao pote, Sasuke. Um passo de cada vez. Querer correr sem saber andar não dá certo.

Mas era um tanto difícil convencer seu coração sedento de que precisava ir devagar ao ver exatamente tudo aquilo de que sempre quis desfrutar tão maravilhosamente ao seu alcance.