Aqui está o terceiro capítulo, aproveitem a leitura!

Foi a melhor tarde que me lembrava de toda a minha vida, mais ainda, acho que nunca tive uma tarde como aquela, às vezes, ter tudo te faz acreditar que só ter dinheiro pode comprar qualquer coisa, mas não é verdade. Em Azkaban aprendi que as coisas materiais não tem importância, a menos que tenham algum tipo de valor sentimental.

Bom, também conta que sou um menino de onze anos, não é? Mas, pela primeira vez que tive essa idade, nunca me dei conta de que a vida é muito curta e que aproveitar nossos entes queridos a todo momento, porque nunca sabemos quando não vão mais estar com a gente.

Por isso, não deixei de segurar as mãos dos meus pais enquanto caminhávamos no Beco Diagonal de um lado para o outro. Vi a Potter algumas vezes com Hagrid, coisa que não tinha acontecido na primeira vez, mas, fiquei horas comprando roupa na vida anterior, e ele segurava uma linda coruja branca... Hedwig.

Mesmo que Potter não tivesse sabido nunca, eu adorava sua coruja, às vezes me esgueirava até o corujal só para vê-la, com o tempo ficamos amigos. Se Potter tivesse descoberto, com certeza a sacrificaria por ser uma traidora!

Às vezes, me perguntei em Azkaban o que tinha acontecido com ela. Parecia uma coruja um pouco fora do comum, parecia que entendia quando falava com ela. Senti sua falta no sétimo ano, claro que não tinha confessado para ninguém, mesmo que tivessem me torturado, diabos, era a coruja de Potter!

Sem me dar conta, sorri um pouco deslumbrado, pensando que poderia voltar a ficar amigo dela, teria um pouco de companhia, depois de tudo. Meu pai, que tinha seguido a direção do meu olhar, me sorriu com cumplicidade.

- Já que não posso te comprar a vassoura de corrida que queria, quer uma coruja como essa?

- Não, meu bufo é o suficiente, papai. - Não me lembro da última vez que tinha chamado Lucius de "papai". Talvez quando tinha seis anos, mas meus amigos já não faziam isso, todos chamavam seus pais de "senhor" e eu não quis ser menos que eles, que estúpido eu fui.

Levantei meu olhar para Lucius, para saber se tinha ficado irritado pelo "papai" que tinha escapado. Mas, ele só parecia surpreso, piscando rápido, e tinha o sorriso mais bonito que tinha visto na minha vida.

- Bem... - Pigarreou um pouco e eu soube em seguida que era para dissimular a forte emoção que tinha sentido e que não era digno de um Malfoy demonstrar. - Então, o que você quer?

- Querer? Então... - Nada, nesse momento, não queria nada mais que aproveitar todo o tempo que pudesse ter com eles. - Poderia deixar os negócios por esse último mês de férias?

- Acho que poderia ser feito. Para onde ir nas férias, meu pequeno?

- A lugar nenhum, papai. - Disse, já sabendo que Lucius gostava disso. - Quero passar esse tempo na mansão, brincar nos jardins.

Lucius não pôde evitar outro gesto de surpresa.

- De acordo. - Disse, sorrindo para mim de novo.

Uau, isso estava sendo maravilhoso. Já fazia um tempo, aos onze anos, que tinha parado de brincar com Lucius ou passar tempo com ele?

Quando terminamos de tomar nossos sorvetes, mamãe me levou para comprar um par de túnicas a mais e alguns livros que pedi. Não voltei a ver a Potter.

Chegar na mansão foi maravilhoso e triste ao mesmo tempo, só a lembrava nos últimos anos para pensar em como era grandiosa e alegre antes que o maldito com olhos de serpente a escolhesse como quartel general.

Tão cheia de luz e opulência, os jardins bem cuidados, os pavões albinos que meu pai tanto gostavam passeando, mais bonitos que nunca.

Nem bem chegamos e Dobby nos serviu um lanche, e quase na mesma hora me lembrei de que no ano seguinte já não estaria com a gente e sim com seu novo amo... Não, seu novo amigo, Harry Potter, tentei não ficar triste por isso, sabia que jamais tinha me comportado bem com o elfo e meu pai menos ainda, mas não havia saída, esse era seu destino.

Depois, papai pegou um livro na biblioteca, e sei que mostrei minha desilusão, mas ele só sorriu e me mostrou suas pernas para que eu me sentasse em seu colo, coisa que fiz sem titubear, e ele começou e ler para mim, como quando eu era pequeno. Era uma história de dragões e cavaleiros, de uma mesa redonda e do mago Merlin.

- Papai, Merlin era muggle? - Perguntei, não me lembrava de já ter escutado algo assim.

- Não. - Lucius riu. - Mas, se mostrou para eles e ajudou a um de seus reis.

- A Arthur Pendragon. - Eu repliquei.

- Sim, com to tempo, e como os muggles deixaram de saber da nossa existência, passou a ser uma lenda entre eles.

- Uau. - Eu disse.

Lucius me olhou durante um segundo, certamente surpreso pela expressão tão muggle que eu tinha soltado e que tinha aprendido em meus anos em Hogwarts.

- Mmm... - Ele pigarreou. - Se você gostou tanto do livro, pode ficar com ele, pequeno dragão, e descobrir por você mesmo o final da história. Só não deixe que ninguém mais o veja, certo? É um livro muggle.

- Vou escondê-lo no meu novo baú.

- Se lembra daquele feitiço simples que te ensinei para selá-lo, não é?

- Sim, papai.

- Não pode usar magia com a sua varinha até chegar em Hogwarts, não quero que tenhamos problemas se o Ministério resolve revisá-la antes.

- Não vou usar, papai.

- Já está muito tarde e deve estar cansado, é hora de dormir.

- Já sei. - Disse, saltando de seu colo.

Caminhei até chegar ao porta e logo me virei para ele devagar.

- Vai me dar um beijo de boa-noite? - Perguntei, e me lembrei de fazer um beicinho.

Lucius ficou boquiaberto... não, é verdade, literalmente, ficou de boca aberta me olhando com cuidado.

- Draco... você está bem?

Pobre Lucius, com certeza eu estava desconfigurando seu mundo e ele não podia mais que assimilar.

- Sim, papai. Você vai?

- Claro, pequeno.

Corri pelas escadas e entrei no meu quarto. Fiquei um momento parado na soleira da porta de pura emoção. Ali estava, ainda cheio de brinquedos e dos meus livros, das minhas roupas infantis e das minhas recordações.

Acariciei cada coisa com carinho, tinha sentido muita saudade delas naqueles anos.

Tomei um banho rápido e coloquei meu pijama, era de algodão com dragões desenhados, ainda estavam ali, prontos para serem jogados fora, porque naquele verão eu já tinha comprado pijamas novos de seda para a escola e para deixar em casa, mas agora desejava muito voltar a ser um menino outra vez. Deixar de lado minha vontade de ser grande e sofisticado como meu pai. Só voltar a infância e desfrutar dela como não me permiti antes.

Me deixei cair na cama, sentindo como era macia e confortável, cheirava bem e estava limpa. Suspirei de prazer e me enfiei debaixo dos lençóis com o livro nas mãos, disposto a terminar a história.

Mas, em seguida, meus olhos começaram a fechar pouco a pouco, estava muito cansado e sequer voltar a ter onze anos foi o suficiente para aplacar isso. Levava muito tempo sem poder dormir tranquilamente. Dormir em Azkaban era algo muito incomum, os dementadores não permitiam, porque os pesadelos ficavam muitos nítidos com a sua proximidade.

Estava a ponto de mergulhar no sono, quando escutei a porta se abrir e fechar devagar, uns passos cautelosos se dirigiram a cama e logo, uma carícia no cabelo, um beijo na testa e o perfume de Lucius invadiu minhas narinas.

- Papai?

- Sim, dragão? - Ele sussurrou. - Vim te dar o beijo de boa-noite, se lembra?

- Sim. - Respondi, meio dormindo.

- Pensei que você já não gostasse desses pijamas.

- Não, não gostava, mas agora já gosto de novo, diga aos elfos que ainda não os joguem fora.

- Certo... posso me deitar um pouquinho com você, pequeno?

Ainda tendo uma cama enorme, eu sempre dormia numa beirada, sorri e lhe dei espaço, ele escorregou para baixo dos lençóis, e soube que estava com seu pijama de seda, me envolveu em seus braços e recostou minha cabeça contra seu peito, e continuou acariciando meu cabelo.

- Doces sonhos, dragão.

Me apertei em seu abraço e me deixei levar pelo sono, foi a primeira noite em muitos anos que os pesadelos não me despertaram, porque Lucius dormiu sem querer ao meu lado. E foi dormindo abraçados que Narcissa nos encontrou aquela manhã.

- Ei, dorminhocos. - Abri meus olhos, perdido, ainda sem querer escapar esse sonho tão bonito que tinha.

- Mmm? - Senti a voz do meu pai e sua respiração em minha nuca.

- Vamos, Lucius, são quase dez horas da manhã. - Ainda que a voz da minha mãe não parecia nada brava, ao contrário, se escutava um tom cheio de alegria e ternura. - Você tem que ir para o escritório, se lembra? Paris, Lucius! Você tem uma reunião de neg...

- Envie uma coruja e diga que eles resolvam tudo, estamos de férias, não é, dragão?

- Definitivamente. - Eu respondi, sem querer me mexer, sem querer abrir os olhos.

- Ei, Narcissa, o que está fazendo? - Ouvi a voz chateada de Lucius e me sentei rapidamente na cama, e me virei para eles.

- Checando quanto você tem de febre, querido, está começando a delirar. - Seu rosto estava sério, mas em seus olhos havia uma chama de ironia e diversão, que há muito tempo não via neles, enquanto lançava vários feitiços em Lucius.

- Muito engraçada, Cyssa. - Levantei uma sobrancelha, tenho certeza, porque fazia muito tempo que Lucius não chamava minha mãe de Cyssa, e a vi se surpreender pelo apelido carinhoso e logo sorrir más amplamente.

De verdade não estava sonhando? Seria muito cruel acordar na cela de Azkaban, ou parado frente aos heróis com eles zombando de mim.

Levei minha mão a correntinha dissimuladamente, mas ainda estava ali, o que significava que estava acordado... ou que o sonho tinha se estendido, mas se fosse isso, era maravilhoso e não queria acordar jamais.

- Tomamos café da manhã e almoçamos na França, então? - Perguntou, com os olhos brilhantes de desejo.

- Faremos isso em setembro, Cyssa, prometo, e até te acompanharei nas compras. Mas, já tinha prometido ao pequeno dragão que passaríamos o resto das férias na mansão.

Não me lembro de outras férias tão maravilhosas como as desse sonho. Sonho, porque não podia ser verdade que meu pai passasse tanto tempo comigo, ignorando seus negócios, não ao menos quando eu tinha onze anos.

Mas estava vivendo isso, e era maravilhoso.

Passamos todas as tarde no jardim, voando nas vassouras, deitados na grama lendo com minha mãe bordando a nosso lado. Jogamos snack explosivo ou xadrez, nadando na piscina.

De noite, papai nunca se esqueceu de passar pelo meu quarto para me dar um beijo de boa noite, e algumas delas, ficava dormindo até o outro dia na minha cama, e mamãe tinha que vir nos acordar porque ficávamos horas conversando de nada e de tudo, ele não tinha mencionado nada sobre os sangue puro ou do Senhor das Trevas, e isso fez que as férias fossem quase perfeitas.

Quase, porque não podia evitar pensar em Potter, e em seus horríveis parentes muggles. Como estaria passando? Teria comido? Gostaria muito de Hogwarts?

Agosto passou muito rápido, já tinha que ir a escola, sentia uma mescla estranha de felicidad por voltar e de medo do que pudesse acontecer, não queria que se repetisse o de antes, mas já não tinha certeza de como conseguir.

Obrigada por ler, o que acharam? Não amam o Draquinho na nova versão? Ele vai ser cheio de surpresas, sério!