Obrigada a todos que estão lendo e comentando! Aproveitem as surpresas nesse capítulo! ;)

Mal escutei o que nos dizia McGonagall, estava mais interessado em analisar tudo ao meu redor, me enchendo de pequenos detalhes que já não me lembrava, respirei profundamente, de alguma maneira, tinha voltado para casa.

Até a chegada dos fantasmas me fez sorrir um pouco, sobretudo pelos nascidos muggles que tinham deixado escapar gritinhos de terror.

A professora McGonagall nos guiou por fim até o interior do Grande Salão, que estava tal e como eu me lembrava, ainda mais bonito e iluminado.

- É um feitiço que faz parecer como o céu lá fora, li isso em Hogwarts, uma história. - Escutei como sussurrava Granger... sempre tinha que saber tudo?

Observei com nervosismo como Minerva McGonagall colocava o banquinho de quatro pernas na nossa frente, e colocava o Chapéu Seletor sobre ele, senti como não podia respirar durante alguns segundos, e logo senti o descompassado batimento do meu coração na testa e nos ouvidos, tinha certeza que se os demais prestassem atenção poderiam escutar, mas todos pareciam tão nervosos quanto eu, mas tinha certeza que nunca tão desesperados.

Não prestei atenção na música do Chapéu, mesmo que quisesse fazê-lo, só podia pensar freneticamente que essa coisa ia me mandar direto para Slytherin e eu não queria, queria desaparecer, queria voltar para a segurança da minha cela, sentia pavor de voltar a viver tudo de novo.

O estalo dos aplausos me sobressaltou por um segundo, mas não pude escutar o que falavam os demais ao meu redor, voltei a levar a mão a correntinha com desespero.

- Não, outra vez não. - Murmurei.

Senti como começava a sufocar, e temi ter um ataque de pânico.

Estava a ponto de tentar fazer funcionar o gira-tempo quando escutei meu nome.

- Malfoy, Draco!

"Não posso fazer isso, não posso", me repetia, sem cessar.

"Só uma chance, Draco, só uma para mudar tudo..."

- Malfoy, Draco! - Escutei como McGonagall repetia, e avancei para ela, soltando a correntinha.

Malfoy avançou ao ouvir seu nome. Harry levantou o olhar até ele e o olhou com firmeza, enquanto via como o loiro caminhava lentamente até o banquinho, Draco se sentou e Minerva McGonagall colocou o chapéu em sua cabeça.

- Sly...!

Quase me distraí, tinha muitos olhares sobre mim, com certeza porque a maioria deles conheciam meu pai e seu participaão da primeira guerra.

"Gryffindor", pensei prontamente.

"Um Malfoy em Gryffindor? Vi muitas gerações de Malfoys em Hogwarts e nunca foram a outra casa que não fosse Slytherin"

"Por favor, Gryffindor", supliquei com força na minha mente.

"Gryffindor é para os valentes e..."

"Sou mais valente do que pode ler", disse-lhe outra vez.

"Há muita dor na sua mente, e ainda vai sofrer mais se não escolher o seu verdadeiro caminho".

"Não importa, Gryffindor, por favor".

"Se é esse o seu desejo..."

- Gryffindor!

Quase deixei sair um suspiro de alívio, mas imediatamente senti o silêncio no salão quando McGonaggal tirou o chapéu da minha cabeça. A casa dos leões estava subitamente silenciosa, e na de Slytherin começavam os murmúrios de incompreensão e alguns insultos.

Sabia que toda a casa estava esperando minha chegada, o filho do que tinha sido um tenente do grande Senhor das Trevas, o futuro príncipe de Slytherin, aquele que ia ser o melhor dos comensais depois do meu pai, claro que nenhum deles sabia disso nesse momento, menos que terminaria sendo a puta do Lorde... engoli saliva e me atrevi a levantar o olhar, todos estavam pendentes da minha reação.

- Vá para a sua mesa, Malfoy. - Me disse a professora de Transfiguração, me voltei para olhá-la e não vi o sorrido que havia dado aos outros, me levantei devagar, e sequer olhei para o resto dos alunos que esperavam a seleção.

Não me receberam como aos outros, então, só fui ao final da mesa e me sentei afastado dos demais, porque os poucos que me olharam, o fizeram com surpresa mesclada com rejeição. Cruzei os braços sobre a mesa e cravei meu olhar nela, tentando evitar as lágrimas e deixar de enrubescer como estava fazendo, maldição, tenho onze anos, as minhas reações começam a ser o que eram, não quero deixar de ser adulto no meu interior, porque vou acabar sofrendo, não foi isso que o chapéu tinha dito?

- Potter, Harry!

Isso me tirou dos meus pensamentos, os murmúrios se estenderam por todo o salão, apenas levantei um pouco a cabeça e me inclinei levemente para ver como Potter caminhava até o banquinho e ficava ali por vários minutos. Tinha sido tão demorada a minha própria seleção?

- Gryffindor"

A mesa inteira estourou em aplausos, enquanto sobressaiam os gritos dos gêmeos Weasley, que gritavam: "Temos a Potter, temos a Potter".

- Turpin, Lisa!

- Ravenclaw!

- Weasley, Ronald!

- Gryffindor!

Levantei o olhar por um segundo para ver como Potter aplaudia com entusiasmo, um segundo mais tarde, as esmeraldas em seus olhos se chocavam com o meu olhar, afastei o olhar quase em seguida, e voltei a fixar minha atenção na mesa, me pergunto se teria aplaudido minha chegada na mesa se tivesse sido selecionado antes que eu, sacudi a cabeça um pouco, não devia começar a me fazer essas perguntas, porque senão correria para a mesa de Slytherin como o menino assustado que me sinto.

Não voltei a me mover enquanto Dumbledore fazia seu tonto discurso, logo apareceram os pratos de comida, tomei o garfo e comecei a comer com vontade um pedaço de frango frito e um monte de purê de batatas, sentia que não tinha vontade de comer, mas meu corpo de um menino de onze anos em que habitava dizia o contrário a gritos, quase não tinha comido nada todo o dia, nervoso demais pela seleção.

Nem sequer olhei quando Sir Nicholas fez os novos verem o motivo de seu apelido.

Uma vez que todos comemos até nos fartarmos, os restos da comida desapareceram dos pratos, deixando-os tão limpos como antes. Um momento mais tarde apareceram as sobremesas.

Comi um par de bombas de chocolate, minhas preferidas e logo coloquei atenção no que conversavam, qualquer dado podia ser útil para conhecer melhor a Potter.

- Eu sou metade e metade. - Disse Seamus Finnigan. - Meu pai é muggle, minha mãe não disse que era uma bruxa até que se casaram. Foi uma surpresa desagradável para ele.

Escutei os risos de todos.

- E o que aconteceu com você, Neville?

- Bem, minha avó me criou e é uma bruxa. - Respondeu Neville. - Mas, minha família pensou que eu era um muggle durante anos. Meu tio-avô Algie tentava me pegar desprevenido para me forçar a soltar magia. Uma vez quase me afogou, me empurrando do porto de Blackpoll, mas não aconteceu nada até que fiz oito anos. O tio Albie tinha vindo tomar chá e estava me segurando pelos tornozelos por uma janela do segundo andar, quando a tia-avó Enid lhe ofereceu merengue e ele, acidentalmente me soltou, mas eu rebotei todo o caminho pelo jardim e a rua, estavam todos muito felizes. Minha avó estava tão feliz que chorava, tinham que ter visto suas caras quando vim para cá. Achavam que não ia ter magia o bastante para vir. Tio-avô Algie estava tão contente que me comprou meu sapo.

- E você, Malfoy? - Dean Thomas me perguntou, mas não consegui nem abri a boca,

- Oh, isso é fácil. - Disse, Oliver Wood. - Ele é um comensal em treinamento, não é verdade, loirinho? Um sangue puro seguidor Daquele-que-não-deve-ser-Nomeado.

O olhei fixamente durante alguns segundos e logo olhei os demais, que esperavam alguma resposta da minha parte, Potter entre eles. Encolhi os ombros, e voltei o olhar para o garfo que ainda segurava na minha mão, e que fiz girar nervosamente entre meus dedos.

- Não sei o que está fazendo na mesa dos leões. - Continuou impassível. - Se é uma suja serpente igual ao pai.

- Já chega, não continuem com isso ou vão nos tirar pontos. - Murmurou Percy Weasley.

Nesse momento me ocorreu pensar que meu brilhante plano teria uma tremenda falha que me traria feias consequências: meu pai. Tive que fazer uso do auto controle que ainda conservava dos meus anos de comensal e de puta na cama do Lorde para não começar a tremer e chorar como o estúpido menino que era.

Estava pensando como uma criança, em que momento tinha me esquecido do meu pai?

- O que seu asqueroso pai vai dizer quando souber que ficou em Gryffindor? - Me perguntou Wood, com tom mordaz.

- Disse que chega, Oliver.

- Não é assunto seu, estúpido cabeça-oca. - Respondi, irritado.

- Quem você pensa que é, pequeno idiota? - Wood gritou comigo, se levantou e caminhou até mim, me puxando pela túnica e me levantou, engoli saliva sem me dar conta, tinha esquecido como esse Gryffindor era alto e forte.

- Me solte! - Gritei, tentando que minha voz soasse firme.

- O que está acontecendo aqui? - Escutei a voz de McGonagall nas minhas costas.

- O pequeno comensal deveria estar com os da sua espécie.

- Solte-o, Wood. - Minerva disse, com um silvo. - Não vê que é muito mais novo que você, por acaso te provocou de alguma maneira?

- Não. - Reconheceu o garoto, e me soltou, arrumei minha túnica e voltei a me sentar.

- Não cause problemas, Malfoy. - Me virei para ela imediatamente com um olhar de reprovação, mas logo voltei a arrumar as costas, e voltei a cravar o olhar na mesa, retendo o suspiro de desamparo que estava me invadindo. Olhei de soslaio e o vi esperando a reação dos demais.

- Não pretendo causar problemas. - Disse, minha voz soou tremida, mesmo com todo o empenho que coloquei para que soasse firme. - Só quero estudar. - Terminei, murmurando.

- Bem, vocês não causem problemas ou eu mesma começarei a tirar pontos, me escutaram?

Os leões murmuraram um sim, e escutei os passos de McGonagall se afastando.

- Ai! - De repente escutei a queixa de Potter, e instintivamente levantei a cabeça, o vi massagear a cicatriz, e segui seu olhar.

Quirrell!

Instintivamente me estremeci de medo ao recordar que o Senhor Escuro estava debaixo daquele turbante fedido, voltei a olhar a Potter, e ele estava falando em sussurros com Percy Weasley.

Eu sabia o que ia acontecer, sabia quem estava debaixo do turbante, mas sabia que não tinha ido para ser herói. Tinha que seguir as regras do tempo, ou seja, permitir que as coisas acontecessem o mais parecidas possível como as que me lembrava, senão poderia ocasionar muito dano.

Mordi os lábios, maldito Potter, me mandou de volta, mas não me disse de que maneira tinha que fazê-lo, fechei os olhos um momento, recordando.

"Já pensou o que faria se tivesse uma segunda chance, Draco?

Uma segunda chance para mudar minha vida, só a minha, não a dos demais. Eu entendi. Não tinha que passar port tudo isso para que Potter me amasse, tinha que fazer por mim, para não terminar na cama do Lorde, nem em Azkaban, e talvez tentar que meus pais não tivessem o destino que tiveram... Para tentar que ao menos minha mãe estivesse viva ao finalizar com essa aventura que estava empreendendo, mesmo com pesar, sorri, tudo aquilo valeria a pena só por isso.

Quase não escutei o discurso de Dumbledore, estava imerso nos meus pensamentos, tampouco cantei a estúpida canção do colégio. Escutei a Percy Weasley chamando os de primeiro ano, com um suspiro, com um suspiro, me coloquei de pé e o segui com os demais, iam todos rindo com barulho, eu caminhava atrás deles, um pouco afastado, vendo como Potter sorria animadamente junto com Weasley.

Percy nos fez passar em duas oportunidades por portais ocultos atrás dos painéis corrediços e tapetes que estavam pendurados nas paredes. Subimos mais escadas, sentia que meu corpo ficava cada vez mais pesado e não podia evitar bocejar, estava realmente cansado, me perguntava quanto mais deveríamos seguir quando Weasley nos fez parar de improviso.

Um montão de bastões flutuavam no ar, em cima da gente, e quando Weasley se aproximou, começaram a atacá-lo. teria sido engraçado, se alguns não flutuassem sobre mim também.

- Peeves. - Percy sussurou aos do primeiro ano. - É um fantasma travesso e barulhento. - Levantou a voz. - Peeves, apareça.

A resposta foi um barulho alto e grosseiro, como se uma bexiga esvaziasse.

- Quer eu busque o Barão?

Quase estive a ponto de gritar que não, jamais tinha gostado do fantasma da minha antiga casa.

Escutei um silvo e Peeves apareceu na nossa frente como o recordava, um homenzinho com olhos escuros e malignos, e uma boca grande, que apareceu flutuando no ar com as pernas cruzadas, empunhando os bastões.

- Ohhh. - Disse, com um cacarejo maligno. - Os horríveis novatos. Que divertido!

De repente se lançou sobre nós e todos nos agachamos.

- Vá embora, Peeves, ou o Barão Sanguinário saberá disso. Estou falando sério! - Weasley gritou, irritado.

Peeves mostrou a língua e desapareceu, deixando cair os bastões na cabeça de Longbottom. O ouvimos se afastar com um zumbido, fazendo as armaduras ressoarem ao passar por elas.

- Vocês tem que tomar cuidado com Peeves. - Nos advertiu Weasley, enquanto seguíamos avançando. - O Barão Sanguinário é o único que pode controlá-lo, não escuta nem os prefeitos. Aqui, chegamos.

- Senha? - Perguntou.

- Morte aos dragões. - Alguns me olharam com sorrisinhos.

- Nem os quadros te querem aqui, Malfoy.

Não disse nada, apenas pisquei mais rápido um par de vezes.

O retrato se balançou para frente para revelar um orifício redondo na parede. Todos se amontoaram para passar, quando ficou mais livre, entrei atrás deles e me encontrei na sala comum de Gryffindor, uma sala redonda e acolhedora, cheia de poltronas confortáveis.

Weasley conduziu as meninas para seus quartos e logo nos levou por outra porta, onde encontramos seis camas, com as nossas coisas distribuídas a seus pés. Merlin, ia sentir falta da sala comunal de Slytherin, mas gostei das janelas amplas, depois de Azkaban, muito sol ia ser genial.

- Não vou dormir ao lado do comensal. - Longbottom cuspiu, afastei o olhar das janelas e vi a todos me olhando. - Pegue as suas coisas e procure onde dormir.

Não podia culpá-lo, seus pais tinham sido torturados pela minha tia Bellatrix até a loucura, demorei um pouco para reagir, mas me voltei ao meu baú, peguei um pijama e me tranquei no banheiro.

Abri a torneira de água quente e deixei correr enquanto tirava a roupa rapidamente, logo me meti debaixo da ducha e tentei conter a tristeza. Demorei a me secar e em me vestir, esperando que quando saísse eles estivessem dormindo, pegaria uma das mantas e dormiria em uma das poltronas da sala comunal, ainda que no dia seguinte tivesse que suportar as piadas de toda a casa.

Mas, ao sair vi que Potter terminava de acomodar suas coisas na cama de Longbottom, fui até minha cama e comecei a puxar uma das mantas.

- Não seja idiota, Malfoy. - Potter me sussurrou. - É só se deitar, não tem problema.

Não respondi, simplesmente me enfiei na minha cama e fechei as cortinas, procurei minha varinha e tentei usar um feitiço silenciador, mas não funcionou, me deitei furioso e enterrei o rosto no travesseiro, tentando afogar os soluços, sequer me importou que os demais escutassem. Estou fodido, pensei, meu corpo e minha mente estão me traindo e estou me sentindo de novo como um menininho de onze anos.

Não soube quando, nem como acabei dormindo.