Aqui está a continuação, obrigada aos que estão acompanhando e comentando!

Parei em frente a porta da sala de Poções e recompus meu rosto, respirei fundo um par de vezes, e dei umas batidinhas sutis na porta.

- Entre, senhor Malfoy. - Sabia que Severus nunca esqueceria minha forma de bater na sua porta, estivesse onde estivesse.

Lancei um olhar ao corredor e girei a maçaneta, colocando meio corpo na sala.

- Está ocupado, Severus?

- Isso depende, o que faz um doce leão na cova de uma serpente?

Bufei devagar, mas não suavemente o bastante para que ele não notasse.

- Voltarei em outro momento. - Eu disse, e fiz um gesto para ir embora.

- Não seja idiota, Draco, entra e feche bem a porta.

Fechei a porta e ele lançou os feitiços.

- Gryffindor, Draco?

- O chapéu...

- O chapéu coisa nenhuma, você sabe perfeitamente que tivemos essa conversa há seis meses atrás. - Ele disse, erguendo os olhos de seus papéis, finalmente. - Sabe que a única coisa que tinha que fazer era pensar "sou um Slytherin", e que o chapéu te enviaria direto para a minha casa, não é?

Retorci com nervosismo a alça da minha mochila, sem me atrever a olhar seus olhos de ônix, que haviam me roubado muitas noites de sono aos treze anos, quando tinha me apaixonado por ele.

- Eu sei.

- E então?

Suspirei, mais perdido ainda nas minhas recordações da época em que me apaixonei pela primeira vez, como qualquer estudante, de um amor impossível por muitas razões, mas era só um menino... e jamais me arrependi de todas as besteiras que fiz naquela idade por ele, desde escrever poemas até tentar beijá-lo. Sorri, ainda podia me lembrar a cara de espanto de Severus, a palidez extrema que banhou seu rosto, nem como gaguejou quando me rejeitou sutilmente.

- Posso saber o que é tão engraçado? - Me perguntou, com voz fria.

- Você se apaixonou aos treze anos, Severus?

Ele ficou boquiaberto por uns segundos, seguramente perdido pela minha inesperada pergunta, logo tomou uma respiração profunda e me contestou:

- Me apaixonei aos nove anos, Draco.

Arregalei os olhos, mas logo os revirei, de Lily Evans?

- De uma menina?

Severus estreitou os olhos perigosamente.

- Posso saber por que a pergunta?

Dei de ombros e Severus girou a pena que tinha entre os dedos nervosamente antes de começar a falar de novo.

- Alguma coisa que queira me contar?

Tinha um monte de coisas para contar, que colocariam Potter num torneio onde enfrentaria dragões, que nesse mesmo verão Voldemort me enfiaria na cama dele, roubando minha virgindade e a inocência, que mesmo depois de tudo, ainda conservava. Que Potter sozinho afugentaria a centenas de dementadores, que Black escaparia da prisão, que ele seria mordido por uma serpente e que eu não teria sequer a oportunidade de dar-lhe um beijo de despedida... Tomei um pouco de ar e evitei as lágrimas.

- Nada, curiosidade.

- De uma menina.

- Ah.

- Você gosta de alguém?

Neguei com a cabeça, e Severus revirou os olhos, suspirando.

- Notei como esteve olhando Potter. - Estremeci imperceptivelmente e coloquei cara de inocência para olhá-lo nos olhos, que sempre me roubaram o sono até que uns de cor esmeralda ocupassem seu lugar.

- Olhá-lo? Claro que sim, me dá curiosidade, como pôde matar ao Lorde das Trevas?

- Com sorte, pura e estúpida sorte. - Severus disse, suavizando o olhar. - Posso saber agora, por que Gryffindor?

- Mmm... aceitaria minha palavra que poderei te dizer no final do sétimo ano?

Severus revirou os olhos, e vi como sua pena corria o riso de terminar partida em duas sobre a mesa.

- Já pensou no que seu pai vai fazer?

- Com o gritador que me mandou, claro que sim, Severus, por isso tenho que te pedir para me castigar no natal. Vai fazer isso, não é?

- Mmm... saia daqui, Malfoy, te espero domingo nos meus quartos para discutir isso.

- Obrigado, Severus, te amo. - Disse, sorrindo.

- Vá embora, está desperdiçando meu tempo. - Disse, grunhindo amistosamente.

Sai dali um pouco mais contente, mas ainda com a oportunidade que Potter tinha me dado, mesmo com o estigma do meu sobrenome e com o passado do meu pai, mas me apegando ao propósito de não odiá-lo por isso, jamais tinha odiado e não ia começar agora.

X~x~X

Estávamos todos parados em frente ao anúncio do salão comunal, eu sabia o que era antes de vê-lo, mas tinha me esquecido desse detalhe. Imenso detalhe, o que ia fazer agora?

- Típico. - Potter disse, sombrio de repente. - Exatamente o que eu sempre quis. Fazer papel de tonto em uma vassoura na frente do Zabini.

As brigas enormes entre Potter e Zabini já eram de conhecimento de toda Hogwarts, certamente como as minhas e dele tinham sido antigamente.

- Não sabe se vai fazer feio. - Weasley disse, razoavelmente. - De todos os modos, sei que Zabini sempre fala como é bom em quadribol, mas aposto que é só conversa. Você o conhece de antes, Malfoy, como é? - Weasley me perguntou, e tratei de não mostrar minha surpresa, aquele leão nunca me dirigia a palavra nem por engano.

- É realmente bom, até onde sei. - Disse, e vi Potter franzir o cenho.

- Merlin, nuca voei numa vassoura. - Longbottom disse. - Minha avó nunca deixou, tinha medo que eu me machucasse, falava muito sobre isso. Realmente tem medo de altura.

- O que vou fazer? - Granger gemeu. - Sou filha de muggles, sequer sabia que teria que montar numa vassoura.

- Não é tão horrível. - Me escutei dizendo para tranquilizá-la. - Weasley deve saber, não é?

- É só uma coisa de prática. - O ruivo disse.

Descemos todos para o café da manhã em silêncio, os demais pelo nervosismo, eu pensando em como ia fazer para que Potter terminasse sendo o apanhador de Gryffindor, e o mais jovem de quase cem anos. Não podia tirar o lembrol de Longbottom e provocá-lo, todos os leões iriam para cima de mim, e já era suficiente que me isolassem e mal falassem comigo.

Sentei-me no meu lugar habitual, e abri o pacote de guloseimas que minha mãe sempre me mandava e o coloquei rapidamente na mochila, antes que os outros me provocassem, o pior é que nem sequer tinham me dado uma chance de dividir com eles... estúpidos leões, pensei com raiva.

Escutei como Longbottom estava feliz com o presente da avó, o maldito lembrol.

- É um lembrol. - Explicou aos demais. - Vovó sabe que eu sempre me esqueço das coisas, e isso te diz que tem alguma coisa que se esqueceu. Olhem, é só agarrar com força e se fica vermelha... Oh... - Ele se assustou, porque o lembrol ficou escarlate. - É porque se esqueceu de alguma coisa.

Vi Longbottom tentar se lembrar do que tinha esquecido, quando Zabini parou atrás de mim, não me lembrava que ele tinha me desfiado a irritar os leões na mesa deles, e o vi tirar o lembrol de Longbottom.

Vi Potter e Weasley saltando de seus lugares como se tivessem sido beliscados, tal e como o fizeram comigo naquela vez, mas a professora McGonagall chegou a tempo, como naquela vez também.

- O que está acontecendo?

- Zabini pegou meu lembrol, professora. - Longbottom se queixou.

Vi Zabini irritado, jogando o lembrol sobre a mesa, eu pelo menos tinha sido mais delicado.

- Só estava olhando. - Disse, e se afastou, seguido por Crabble e Goyle.

X~x~X

As três e meia estávamos todos descendo apressadamente as escadas dianteiras para ir até o campo para nossa primeira lição de voo.

Quando chegamos, os Slytherins já estavam ali e também as vinte vassouras, cuidadosamente alinhadas no solo. Logo atrás de nós, chegou a professora, Madame Hooch.

- Bom, o que estão esperando? - Ela gritou. - Cada um ao lado de uma vassoura. - Vamos, se apressem. Estendam a mão direita sobre a vassoura. - Ela gritou. E digam: suba!

- Suba! - Gritaram todos.

Minha vassoura saltou imediatamente a minha mão, igual que a de Potter, e isso me desconcertou durante alguns segundos, mas disse a mim mesmo que a razão mais provável era que agora estava me concentrando e não olhando como Potter estava indo. Ambos nos olhamos e sorrimos por um breve segundo, antes que ele desviasse o olhar para Weasley.

Madame Hooch nos mostrou como montar na vassoura sem escorregar para ponta e começou a andar pela fila corrigindo a maneira de segurar a vassoura, quando chegou até mim, corrigiu e tive que morder o lábio para não dizer que a minha maneira era mais cômoda, ela era a professora, e quando se afastou até a outra ponta, Zabini me olhou com mofa.

- Ah, a mocinha não sabe segurar a vassoura. - Se burlou.

- Cala a boca, idiota! - Sussurrei com rancor.

- Não vai vir seu herói para defender a mocinha em perigo?

- Cala a boca ou vou te calar com os punhos.

- Ser selecionado em gryffindor te caiu mal, Draco, virou uma mocinha e está ficando com costumes muggles. Por acaso não é um mago, se esqueceu que tem varinha?

- Com varinha não se consegue o som perfeito dos ossos do nariz se quebrando. - Soltei, humilhado, claro que haviam feitiços assim, mas Zabini nessa idade ainda não sabia.

- Silêncio! - Nos interrompeu a professora. - Nenhum de vocês deve se mover enquanto levo esse menino para a enfermaria. Deixem as vassouras onde estão ou sairão de Hogwarts mais rápido do que demorariam para dizer quadribol. Vamos, querido.

Blaise, Potter, Weasley e eu nos olhamos surpreendidos durante um segundo, ao que parece, estávamos tão centrados na briga que não vimos a espetacular queda de Longbottom.

- Viram a cara do estúpido? - Pansy perguntou, de repente, e pisquei, assustado. Eu não tinha dito algo parecido antes?

- Cala a boca, Parkinson! - Atacou Parvati Patil.

- Oh, está apaixonada pelo Longbottom? Nunca pensei que ia gostar de gordinhos chorões, Parvati.

- Olhem. - Blaise disse, se agachando e levantando algo da grama, e soube em seguida que era o lembrol de Longbottom. - É a coisa estúpida que mandaram pro gordinho.

- Me dê isso. - Gritei, ao mesmo tempo em que Potter dizia:

- Mande isso pra cá, Zabino.

Todos se voltaram para gente. Zabini nos olhou com diversão.

- Acho que a mocinha e o herói terão que ir buscar. - Disse, subindo na vassoura e voando com a graça e a habilidade que o maldito sempre teve. - Vamos, mocinha. - Me provocou, e eu revirei os olhos, senti a voz de Potter às minhas costas.

- Vá buscá-la, não vai deixar que te chame de mocinha, não é?

- Não! - Granger gritou, quando subi na vassoura. - Madame Hooch disse que não nos movêssemos, vai meter a todo mundo em problemas.

Subi voando tal e como tinha feito com Potter na primeira vez, sem prestar atenção nela, cego de raiva. Logo, senti alguém passar a toda velocidade do meu lado, e vi a Potter voando até Zabini. O grande desgraçado jogou o lembrol em direção a floresta proibida, enquanto eu colocava uma mecha do cabelo atrás da orelha e Potter, a pegou, fazendo um giro espetacular, enquanto Zabini descia a toda velocidade até a grama.

Potter mostrou o lembrol de maneira triunfante, e senti os gryffindor gritando de forma exultante, mas também ouvi as piadas dos slytherins.

- A mocinha não sabe voar, e Potter teve que salvá-la.

- Ei, menina bonita, não vai beijar seu herói?

Senti como o rubor se espalhava pelas minhas bochechas, sabendo que em parte isso era verdade, mais cedo ou mais tarde, meus hormônios iam pulular e morreria por beijar Potter, certamente.

- Ei, Malfoy. - Escutei a voz de Potter e levantei o olhar até ele, e vi que tinha o lembrol na mão. - Sabe pegar uma goles? - E sem aviso prévio, Potter jogou o lembrol até uma das torres, instintivamente, girei a vassoura, estiquei os braços e agarrei o lembrol e o lancei até os aros de gol do campo de quadribol, fazendo-o entrar perfeitamente pelo aro do meio, enquanto eu voava rapidamente atrás dele, o ultrapassava e o pegava do outro lado. Vi Potter se aproximando com o rosto sério.

- Você seria um excelente artilheiro, Malfoy.

- Harry Potter, Draco Malfoy! Desçam agora mesmo! - A voz da professora Mcgonagall fez com que eu me encolhesse na minha vassoura, maldição, a Potter ia perdoar, mas eu teria um grande castigo, demore um pouco para obedecer, assim que aterrissei um pouco depois de Potter, justamente quando Mcgonagall chegava correndo.

- Nunca em todo o meu tempo em Hogwarts...

Vi como seus olhos brilhavam de fúria e quis desaparecer, quando Severus soubesse, ia me matar.

- Como se atreveram? Podiam ter quebrado o pescoço;.

- Não foi culpa do Harry, professora. - Revirei os olhos para a menina.

- Silêncio, senhorita Patil.

- Mas Zabini...

- Já ouvi o bastante, senhor Weasley. Potter, Malfoy... sigam-me, agora.

Potter e eu vimos o sorriso triunfal do idiota do Blaise, e eu me chutava mentalmente por ter sido alguma vez seu amigo, ainda que no fundo estivesse preocupado. Harry seria o apanhador mais jovem dos últimos cem anos? Diabos, Mcgonagall se atreveria e me expulsar?