Subimos as escadas da frente, as de mármore, e a professora McGonagall continuava sem falar, não pude evitar me perguntar se Potter estava tão assustado quanto eu, mas não quis que ele visse isso no meu rosto, já tinha que suportar que me chamassem de mocinha na frente dele, não queria que pensasse que eu realmente era. Fomos atrás dela enquanto com calma, a mulher abria portas e andava pelos corredores, e nós a seguindo de forma patética.

Subitamente, a vi se deter em frente a uma sala de aula, sequer me dei conta de como chegamos na sala de Encantamentos. Ela abriu a porta e entrou.

- Me desculpe, professor Flitwick, posso falar com Wood por um momento?

- Claro que sim. - Ouvi como ele respondia.

Rapidamente, o gryffindor estava de frente conosco e me olhou com desprezo dos pés a cabeça.

- Sigam-me, os três. - Nos disse McGonagall, e a seguimos pelo corredor, Wood começou a olhar para nós com curiosidade, deixando o gesto de desprezo que fazia para mim. - Aqui. - A professora apontou uma sala vazia, exceto por Peeves, que estava ocupado escrevendo grosserias na lousa. - Fora Peeves. - Ordenou a professora, furiosa. Peeves jogou o giz e saiu xingando.

A professora McGonnagal se virou para nós para nos olhar.

- Potter, Malfoy, esse é Oliver Wood. Wood, te encontrei um apanhador.

A voz de Wood se converteu em deleite e insegurança enquanto nos olhava.

- Tem certeza, professora?

- Totalmente. - Respondeu ela com firmeza. - Esse menino tem um talento natural. - Disse, indicando Potter, eu dei um par de passos para trás, e olhei em volta da sala. - Essa foi sua primeira experiência numa vassoura, Potter?

Vi a Potter assentir silenciosamente, mas com segurança.

- Pegou essa coisa com a mão. - Disse, mostrando o lembrol que já tinha devolvido ao tamanho normal. - Depois de uma corrida de quinze metros. - Explicou, feliz para Wood, vi que Potter me lançava um olhar incômodo. - Nem se coçou para fazer, Charlie Weasley não teria feito melhor.

Wood parecia pensar que todos os seus sonhos foram feitos realidade.

- Alguma vez assistiu uma partida de quadribol, Potter? - Perguntou Wood, excitado.

- Wood é o capitão do time de quadribol, Potter. - McGonnagal esclareceu.

- E tem o corpo para ser apanhador. - Wood disse, andando ao redor de Potter, examinando-o demais, eu diria. - Leve, veloz, vamos ter que te dar uma vassoura decente, professora, uma Nimbus 2000 ou uma Cleans Weep 7.

- Vou falar com o professor Dumbledore para ver se podemos suspender a regra do primeiro ano. Os céus sabem que precisamos de um time melhor do que o do ano passado. Fomos esmagados por Slytherin na última partida. Não pude olhar na cara de Severus Snape em várias semanas.

- Mmm... professora?

- Sim?

- E o que Malfoy faz aqui?

Caramba, tinha que perguntar? Eu estava tentando desaparecer e o idiota chamava a atenção pra mim.

- É que também tem um novo artilheiro.

- Mas já temos artilheiros, ia tirar Alícia Spinett da reserva. - Wood disse, me olhando feio.

- E ela é muito boa, mas penso que Malfoy pode ser melhor. Recebeu a recordadora aumentada por Potter quando estava desprevenido e a passou pelo aro a quase vinte metros de distância, e ainda teve tempo de ir pegá-la do outro lado antes que começasse a cair.

- Impressionante. - Disse Wood, me dando outra olhada. - Mas não tem o físico.

- Vai crescer, Oliver, e o que falta de altura e músculos tem de sobra em rapidez e reflexos.

- Já jogou de artilheiro, Malfoy? - Wood me perguntou, neguei suavemente com a cabeça, meu sonho sempre tinha sido ser apanhador, mas sabia que nunca poderia ganhar de Potter, era muito bom. E se fosse, só seu sobrenome bastava para que minhas virtudes como apanhador ficassem sem importância, ele era o gryffindor ganhador e eu o slytherin trapaceiro, creio que franzi o cenho com os pensamentos.

- Malfoy?

- Eu treinava como apanhador. - Disse sem pensar muito. - Mas aco que não daria certo na posição. - Claro que não disse que era culpa da habilidade natural, o da boa sorte de Potter.

- Mas tem talento para artilheiro, o que me diz?

- Não sei. - Disse, desconcertado. - Jogar para gryffindor?

- Vocês seriam os jogadores mais jovens nos últimos cem anos. - Disse McGonagall entusiasmada. - E faz sete anos que gryffindor não ganha a copa das casas.

Yey, e claro, eu gostaria de ver a cara do meu pai quando soubesse que ajudei gryffindor a ganhar a copa das casas.

- Posso pensar sobre isso?

McGonagall levantou uma sobrancelha, meio irritada, mas deve ter percebido alguma coisa na minha cara, porque disse:

- Claro que sim, senhor Malfoy, mas pense rápido, senão Spinett ficará com o seu lugar.

- Só preciso de um par de dias. - Disse, com voz abafada.

- Então está combinado. - Se virou para Potter. - E você, o que me diz, Potter?

- Adoraria. - Disse, sorrindo encantadoramente. - Teremos castigo?

- Dessa vez não, Potter, mas não fique mal acostumado, certo?

A professora observou a Potter com severidade por cima dos óculos.

- Quero ouvir que você treina muito, Potter, o vou mudar de ideia sobre o castigo.

Logo, sorriu de repente.

- Seu pai ficaria orgulhoso. - Disse. - Era um excelente jogador de quadribol. E quanto a você, senhor Malfoy, si aceitar também tem que treinar muito.

E pela primeira vez, me sorriu.

X~x~X

- Você está brincando.

Era hora do jantar, tinha sentado perto do trio, ainda que fingisse não escutá-los, vi como Weasley se esquecia de comer, e isso por si só era surpreendente para mim, sério, realmente é surpreendente.

- Apanhador? - Parecia muito impressionado. - Mas os alunos de primeiro ano nunca... vai ser o jogador mais jovem em...

- Um século. Seríamos os jogadores mais jovens em um século.

- Seríamos? - Perguntou Weasley, perplexo. - Você e quem mais?

- Malfoy.

Weasley me lançou um olhar, parecia impressionado, mas notei um brilho de ciúmes.

- Malfoy?

- Sim, McGonagall quer que seja artilheiro. Tenho que começar a treinar a semana que vem. - Potter continuou. - Mas não diga pra ninguém, Wood quer manter segredo.

- E Malfoy?

- Bem... ele ainda não aceitou.

- Por que não? Seria a glória para qualquer um, não é?

- Como quer que eu saiba? É assunto dele. - Potter disse, colocando uma colher de comida na boca.

Nesse momento, os gêmeos Weasley apareceram no Grande Salão, e ao ver Potter, se aproximaram rapidamente dele.

- Bem feito. - George disse, em voz baixa, acho que era ele, ainda não posso diferenciar com certeza. - Wood nos contou, nós também estamos no time. Somo batedores.

- Te garanto, vamos ganhar a copa de quadribol esse ano. - Disse, com entusiasmo o outro gêmeo. - Não ganhamos desde que Charlie partiu, mas o time desse ano será muito bom. Tem que fazer direito, Harry. Wood estava dando pulinhos quando nos contou.

- E você, Malfoy, se aceitar tem que treinar duro também.

Ergui o olhar para eles e assenti, secamente.

- É sua oportunidade de mostrar que o chapéu não errou ao te mandar para Gryffindor. - Soltou Fred.

- Não tenho que mostrar nada a ninguém, se aceito jogar será porque quero, não pelo que pensem os demais. - Disse, sério, e voltei a olhar meu prato.

- Bem, temos que ir. Lee Jordan acha que descobriu uma nova passagem secreta fora do colégio.

- Certamente deve ser a que está atrás da estátua de Gregory Smarmy, que nós achamos na nossa primeira semana.

Os gêmeos Weasley acabavam de desaparecer quando apareceram meus ex-companheiros de casa, agora me pergunto se eu fui tão desagradável quanto eles, e ao procurar nas minhas recordações tive que admitir que sim, que era igual ou pior que eles.

- Comendo a última ceia, mocinha? Quando pega o trem para voltar para as saias de Lucius? Se é que ele vai te receber de volta. - Zabini me disse, tão perto do ouvido que um arrepio correu meu corpo.

- Está muito mais corajoso agora que está de volta em terra firme e tem seus amiguinhos. - Harry disse friamente. Claro que Crabble e Goyle não justificavam o diminutivo, mas como a mesa dos professores estava cheia, não podiam fazer nada mais que estalar os dedos e olhá-lo com o cenho franzido.

- Não me chame de mocinha de novo ou vou chutar sua bunda. - Disse, me virando para ele.

- Ui, a mocinha ficou brava. - Zabini voltou sua atenção para mim. - O que acha de um duelo de magos, mocinha? Essa noite, se quiser. Só varinhas, nada de contato. - Me sorriu, com burla. - Ou é muito covarde para isso, Malfoy? Onde deixou o orgulho da nossa raça?

- Aceito, Zabini. Que hora e onde? - Perguntei, sem tirar meu olhar do dele.

- A meia-noite, certo? Nos encontramos no salão de troféus, nunca está fechado com chave. Quem será seu segundo?

Meu segundo? De onde ia tirar um segundo? Maldição!

- Eu...

- Eu serei o segundo, qual será o seu Zabini?

Não me virei, mas a voz de Potter tinha soado claramente, tentei não fechar os olhos.

- Crabble. - Disse Zabini, depois de lançar um olhar aos meus antigos guarda-costas. - Sempre defendendo a donzela, não Potter?

- Não estou defendendo, só disse que seria seu segundo.

- Te verei essa noite Zabini, agora, desapareça. - Murmurei.

Saímos pelo quadro da Senhora Gorda, mas Granger nos seguiu. a Weasley. - E o que quer dizer que serei o segundo?

- Merlin, Potter! Por que se meteu se nem sabia? - Perguntei, de mau humor.

- Bem, um segundo é o que cuida das coisas, se matam a Malfoy. - Disse Ron sem dar importância para mim. Ao ver a expressão assustada de Potter, acrescentou rapidamente: - Mas, as pessoas só morrem em duelos reais, já sabe com magos verdadeiros. O máximo que Malfoy e Zabini podem fazer é lançar faíscas um no outro. Nenhum sabe o suficiente de magia para fazer dano de verdade. De todos os modos, seguramente ele esperava que recusasse. - Disse, se virando para mim.

Eu assenti um pouco secamente.

- E se Malfoy não pode se defender com a varinha? - Potter perguntou.

- Então, deixo a varinha e dou um soco. - Disse, encolhendo os ombros. - Não sou uma mocinha, sei me defender. - Disse de mau humor.

- Me desculpem.

Os três nos viramos para olhar a Granger.

- Não se pode comer em paz nesse lugar? - O ruivo murmurou, com malcriação, e me assombrei de que eles não fossem o trio inseparável de sempre.

Granger não lhe fez caso, e se voltou para falar comigo.

- Não pude deixar de ouvir o que você e Zabini estavam dizendo...

- Não esperava outra coisa. - Murmurou o ruivo, e lhe lancei um olhar de soslaio.

- ... e não deve andar pelo colégio de noite. Pense nos pontos que vai perder para Gryffindor se te pegam, e claro que pegarão. A verdade é que muito egoísta da sua parte.

- Ninguém me chama de mocinha e fica por isso mesmo, Granger. - Disse, com aparente indiferença.

- E a verdade é que não é da sua conta. - Potter agregou.

- Adeus. - Terminou o ruivo.

X~x~X

A verdade é que tinha sido um dia muito difícil, e a única coisa que eu queria fazer era me embrulhar nos lençóis e dormir, ou pensar. Pensar no que meu pai diria se eu aceitasse jogar pelos leões. Claro que não ia perguntar, mas também não me atrevia a aceitar sem mais nem menos. Não sabia como ele reagiria ao me ver jogando pelos leões e suspirei resignado. Agora tinha que saber se Zabini apareceria ou não. Eu não tinha feito isso, não por covardia, mas por sentido comum, não ia me arriscar a ser castigado, mas duvidava que os gryffindor desistissem, ou se Zabini seria idiota o bastante para aparecer.

- Onze e meia. - Murmurou finalmente o ruivo. - Melhor irmos agora.

Colocamos as roupas, pegamos as varinhas e fomos para a sala comum. Vi que a lareira ainda estava acesa, mas que eram só brasas. Me assustei ao ouvir uma voz nas nossas costas.

- Não posso acreditar que vai fazer isso, Harry.

Realmente, Granger era tão certinha? Não me lembro dela assim, e sim ajudando os dois em todas suas aventuras.

- Potter não vai fazer nada, Granger, sou eu.

- Mas vão pegar a todos. - Ela disse.

- Volte para a cama e nos deixe em paz. - Murmurou o ruivo.

- Estive a ponto de contar para o seu irmão. - Ela respondeu, irritada. - Percy é o prefeito e pode detê-los.

Senti um leve empurrão que me moveu para a porta, e logo a voz de Potter:

- Vamos

Saímos pelo quadro da Senhora Gorda, mas Granger nos seguiu.

- Não se importam com Gryffindor, não é? Só se importam com vocês mesmos. Eu não quero que Slytherin ganhe a copa das casas, e vocês vão perder todos os pontos que eu consegui com a professora McGonagall por saber os feitiços para mudanças.

- Vá embora.

- Está bem, mas os avisei. Lembrem-se de tudo que falei quando estiverem no trem voltando para a casa amanhã. São tão...

Mas ela não terminou de dizer o que queria, porque quando tentou voltar para a sala comum, a Senhora Gorda tinha desaparecido do quadro, e ela não podia entrar, xinguei em pensamentos porque essa menina nos atrasava.

- E agora, o que eu faço? - Perguntou, com voz aguda.

- É problema seu. - Respondeu o ruivo. - Nós temos que ir, ou vamos chegar tarde.

Não tínhamos chegado no final do corredor quando Granger nos alcançou novamente.

- Vou com vocês. - Disse.

- Não vai não.

- Não acham que vou ficar aqui, esperando que Filch me pegue, não é? Se encontrar a nós quatro, eu vou dizer a verdade, que estava tentando detê-los, e vocês vão me apoiar.

- Que cara de pau; - Ron disse, em voz alta.

- Calados, os dois. - Potter disse, com tom de voz cortante, eu em seguida me detive para observá-lo. - Eu ouvi alguma coisa.

Fiquei alerta para ver se eu também podia escutar o mesmo que Potter, e sim, era uma espécie de respiração.

- Graças a Merlin que vocês me encontraram! Faz horas que estou aqui. Não podia me lembrar a senha, e quero ir para a cama.

- Não fale tão alto, Neville. A senha é focinho de porco, mas agora não vai adiantar, porque a Senhora Gorda saiu do quadro.

- Como está o seu pulso? - Harry perguntou.

- Melhor. - Respondeu, mostrando. - Madame Pomfrey consertou em um minuto.

- Bom, olha, Neville, temos que ir a outro lugar. Nos vemos mais tarde...

- Não me deixem! - Longbottom disse, tropeçando. - Não quero ficar aqui sozinho, o Barão Sanguinário já passou duas vezes.

Olhei por todos os lados de forma apreensiva, sinceramente, o Barão me deixava nervoso.

- Temos que ir. - Sussurrei.

Vi Weasley lançar um olhar ao relógio e logo olhar de maneira assassina para Granger e Longbottom.

- Se nos pegarem por culpa de vocês, não vou descansar até aprender a maldição dos demônios de que Quirell nos falou, e vou usar em vocês.

- Vamos logo. - Cortei, antes que Granger pudesse dizer o que queria. E vi Potter nos fazer sinal para avançar.

Nos deslizamos pelos corredores escuros, iluminados apenas pela luz da lua. Nos detivemos em cada esquina para ter certeza que não seríamos descobertos. Subimos as escadas até o terceiro andar, e entramos silenciosamente no salão dos troféus.

Estava vazio. Como supus, Zabini não ia cometer o erro de ser descoberto, e o mais provável é que também tivesse avisado Filch, como eu fiz naquela vez.

- Temos que ir. É uma armadilha. - Sussurrei aos outros.

- Vamos esperar um pouco. - Potter pediu.

- Se está atrasado, ficou com medo.

- Ficou com medo merda nenhuma, é uma armadilha. - Voltei a dizer, irritado.

Então um barulho na sala ao lado nos fez pular. Potter já tinha sacado a varinha quando ouvimos algumas vozes. Não era Zabini, claro, mas Filch, é claro que eu conheço bem as serpentes. Ai, os chamei de serpentes de novo?

- Fareje por ai, tesouro. Podem estar escondidos em um canto.

Potter ficou desesperado e nos fez sinais com as mãos e a boca para que o seguíssemos. Sinceramente pensei que não era o mais adequado, ele não conhecia o colégio como eu, mas o segui como os outros, o que mais podia fazer?

- Tem que estar em algum lado. Provavelmente se esconderam. - Escutei, e vi o medo no rosto dos outros.

- Por aqui. - Potter sinalizou,e assustados, começamos a atravessar uma galeria, cheia de armaduras, eu também os segui. Podíamos ouvir os passos de Filch, chegando perto. De repente, Longbottom deixou escapar um gemido de medo e começou a correr, tropeçou, e segurou o pulso de Weasley, e os dois tropeçaram em uma armadura. Revirei os olhos, não podiam ser mais desastrados?

O barulho era suficiente para acordar todo o castelo.

- Corram! - Potter gritou, e os cinco nos lançamos pela galeria, sem olhar para ver se Filch nos seguia.

Seguimos a Potter por um corredor e outro, tenho certeza que nem ele sabia para onde ia, mas não podia fazer nada mais do que segui-lo, se me descobriam sozinho, o castigo seria muito pior do que se estivesse com o trio dourado e Longbottom.

Por fim, saímos no corredor da aula de Encantamentos, que estava muito, muito longe da sala de troféus.

- Acho que os despistamos. - Potter disse, se apoiando contra a parede fria e secando o suor da testa. Longbottom estava dobrado em dois, respirando com dificuldade, enquanto eu tentava apaziguar os batimentos loucos do meu coração.

- Eu... te... disse. - Granger acrescentou, apertando o peito. - Eu... avisei.

Estive a ponto de mandá-la se calar, mas Weasley se adiantou.

- Temos que voltar para a Torre, o mais rápido possível.

- Zabini te enganou. - Granger tinha se virado para mim. - Percebeu isso, não é? Ele não ia se encontrar com você. Filch sabia onde estávamos, Zabini deve tê-lo avisado.

- Eu sei, Granger. Acha que não me dei conta? Por Merlin, fui o primeiro a ver que era uma armadilha.

- Vamos. - Potter, cortou antes que ela pudesse responder. - Para a Torre, rápido.

Dizê-lo era simples, mas fazer era outra coisa. Não tínhamos nos dado mais de meia dúzia de passos quando algo se moveu na nossa frente e alguém saiu de uma das salas.

Era Peeves. Nos viu e deixou escapar um grito de alegria, maldito fantasma.

- Cale-se, Peeves, por favor, vai nos denunciar. - Granger sussurrou, com cara de susto.

Peeves se burlou, por acaso ela esperava que ele fosse fazer algo diferente?

- Vagabundeando a meia-noite, novatos? Não, não, não. Malvados, malvados, os pegarão pelo pescoço.

- Não, se não nos denunciar, não. Peeves, por favor. - Potter suplicou.

- Devo dizer a Filch, devo dizer. - Peeves disse, com voz de santo, mas seus olhos brilhavam com malícia, era um idiota. - Pelo bem de vocês, já sabem.

Sim, claro, nosso bem.

- Saia da frente. - Weasley ordenou, e deu um golpe em Peeves. Aquilo foi um grande erro, eu soube imediatamente e me preparei para correr de novo.

- Alunos fora da cama! - Peeves gritou. - Alunos fora da cama no corredor de encantamentos!

Passamos por baixo de Peeves e corremos como se nossas vidas dependessem disso, fomos reto até o final do corredor, onde paramos numa porta fechada.

- Estamos fritos! - Weasley gemeu, enquanto empurrávamos a porta inutilmente. - É o nosso fim.

Podíamos ouvir os passos de Filch correndo até onde ouvia os gritos de Peeves.

- Por Merlin, somos magos. - Disse, irritado. Peguei a minha varinha com força, golpeei o cadeado com precisão e sussurei: - Alohomora!

A fechadura fez um clic e a porta se abriu. Passamos todos, a fechamos rapidamente e ficamos escutando:

- Onde eles foram, Peeves? - Filch dizia. - Rápido, me diga.

- Diga "por favor".

- Não me irrite, Peeves. Diga-me onde eles foram.

- Não vou falar nada se me pedir por favor. - Peeves disse, com sua voz irritante, que estava me dando nos nervos, por causa da angústia que o estúpido nos delatasse.

- Muito bem... por favor.

- Nada! Rá! Rá! Te disse que não te diria se me pedisse por favor. - E escutamos a Peeves se afastando e Filch xingando, enfurecido.

- Ele acha que essa porta está trancada. - Potter nos sussurrou. - Acho que vamos escapar. Me solta, Neville! - Pediu, porque Longbottom puxava sua manga há um minuto, pelo menos que eu estivesse vendo. - O que foi? - Potter perguntou, de mau humor.

Me virei ao mesmo tempo em que Potter, e tive que me conter para não gritar de medo. Não estávamos em um quarto, mas no corredor proibido do terceiro andar, onde um enorme cachorro de três cabeças nos olhava com cara de que seríamos o jantar.

Estava quase imóvel, com os olhos fixos na gente, e certamente não tinha nos matado ainda porque o tínhamos surpreendido.

Potter abriu a porta. Estava claro para mim também, tinha que sair dali sem importar nada mais, sequer os castigos.

Saímos apressadamente, e Potter fechou a porta atrás de nós. E de novo começamos a correr, Filch não estava por ali. Corremos desesperados até chegar ao quadro da Dama Gorda.

- Onde estavam metidos? - Nos perguntou, olhando nossos rostos suados e vermelhos, e nossas túnicas desabotoadas, penduradas nos ombros. Tive que morder os lábios para não gritar-lhe um par de grosserias, menos mal que Potter se encarregou.

- Não importa. Focinho de porco, focinho de porco. - Potter resfolegou, e o quadro se moveu para nos deixar passar. Nos atropelamos para entrar na sala comum e nos deixamos cair nas poltronas sem elegância ou cuidado algum.

Passou um momento antes que ninguém falasse. Longbottom, por outro lado, parecia que nunca mais poderia dizer nenhuma palavra, me deu pena do coitado, sempre terminava em alguma confusão sem querer.

- O que eles querem com uma coisa assim no colégio? - Weasley finalmente disse. - Se algum cachorro precisa de exercício, é esse.

Granger tinha recuperado o fôlego e o mau humor, maldita sabe-tudo.

- É que não têm olhos na cara? - Nos disse, irritada. - Não viram o que tinha debaixo dele?

- O chão? - Sugeriu Potter. - Não olhei as patas, estava muito ocupado olhando as cabeças.

Eu assenti, em que momento olharíamos as patas com os dentões que tinha?

- Não, não é o chão. Era um alçapão. É claro que está vigiando alguma coisa.

Ela ficou de pé, nos olhando indignada.

- Espero que estejam satisfeitos. Podíamos ter morrido, ou pior, ser expulsos. Agora, se não se importam, vou para a cama.

Weasley e eu a olhamos boquiabertos, que vontade de dar um tapa nela.

- Não, não nos importamos. - Disse ele. - Não te arrastamos, não é?

- Não. - Me atrevi a confirmar, mas era certo que por nossa culpa tinha terminado no corredor com um cachorro endemoniado.

Logo olhei para Potter, que tinha ficado pensativo, muito pensativo, como se tivesse esquecido do que tinha acabado de acontecer. Seus olhos se viraram pra mim por um segundo, e logo para Weasley, terminou murmurando:

- Vamos para a cama, é tarde e temos aula cedo

Quando me deslizei entre os lençóis não pude evitar me perguntar se por minha culpa ele tinham terminado no mesmo corredor no passado. Não sabia se sorrir ou dar cabeçadas, que susto tinham passado e eu sem saber o que tinha provocado. Mas, não tive tempo de me questionar, porque dormi logo em seguida.