Obrigada a todos que estão lendo e acompanhando a fic, a autora adorou os comentários! 3

Quando começou novembro o frio ficou intenso e os raios de sol eram escassos, o que fazia que a minha tristeza fosse muito mais intensa que nos meses anteriores, o frio sempre me lembrava das noites frias em Azkaban.

O lago já estava congelado completamente, e eu escutava como Hagrid estava descongelando as vassouras no campo de quadribol e não quis olhar, porque só ia conseguir ficar mais nervoso do que já estava.

No sábado começaria a temporada de quadribol, e eu ia jogar minha primeira partida a favor da grifinória. Eu estava assustado, por que negá-lo? Em primeiro lugar, ainda era um segredo que jogaria pela casa dos leões, já que Wood tinha se empenhado em manter segredo.

Tinha feito o mesmo com Potter, mas isso já tinha vazado e pude contemplar com meus próprios olhos o nervosismo do herói cada vez que alguém lhe dizia que se sairia muito bem, ou que seria um completo desastre. Eu sabia que ia ser esplêndido, porque não podia esquecer que ganhou sua primeira partida, ainda que tivesse dado uma de sapo engolindo o pomo. Merda, ri sozinho e eles me olharam com estranheza.

Voltei o olhar para minha redação, tinha que me apressar ou ia terminar com umas notas desastrosas, o que só iria enfurecer ainda mais meu pai, se é que isso fosse possível. O sorriso que tinha invadido meu rosto sumiu, e me esqueci de novo da maldita redação.

Já tinham se passado algumas semanas de treinamento rígido, e além disso, tinha que cumprir com as minhas obrigações completamente sozinho, sei que vim mudar o que era, mas de verdade, não sabem a raiva que me dava que Granger ajudasse Potter com as tarefas. Bem, não porque o ajudasse, mas porque eu tinha que fazer tudo sozinho, e às vezes tinha que ficar até amanhecer para entregar tudo a tempo. E já tinha acontecido uma vez de não terminar a tempo, por sorte foi em Poções e Severus fez vista grossa quando viu o desastre, ainda que mais tarde ficou gritando comigo pela estupidez por duas horas completas.

Merlin, isso não estava bem. Me dei conta que tinha cometido o mesmo erro umas três vezes ao menos, gemi devagar e esfreguei meus olhos com força para tentar clarear a mente. Tinha que terminar a maldita redação ou McGonagall me reprovaria sem dó.

Não sei como, nem quando a sala comum desapareceu, e me vi caminhando por uns corredores sujos, subindo escadas velhas, me virei um segundo e reconheci o pai de Nott, que caminhava atrás de mim, junto com mais dois encapuzados, ainda estava com meu uniforme de Slytherin. Uniforme de Slytherin? Estou em Gryffindor, não é? Estava confuso, mas segui andando, até que reconheci a porta por onde me levavam, era o quarto do Lorde das Trevas.

Gemi com força quando a porta se abriu, e fui empurrado para dentro. Era um quarto cheio de espelhos com a lareira acesa com toda sua capacidade, o que a fazia ser bastante quente. A imagem do Lorde caminhando até mim fez com que me estremecesse enquanto escutava umas frases desconexas e ele me desnudava, dizia que tinha me escolhido por ser o mais bonito, e que daquele momento em diante compartilharia sua cama, me lembro que as lágrimas escorriam pela minha bochecha sem controle e como soluçava enquanto ele me empurrava para a cama, tirava sua túnica e as calças e me penetrava de uma só vez, me fazendo gritar de dor.

- Não!

A sala comunal de Gryffindor apareceu de repente ante meus olhos, estava sobre o tapete, de bruços e sem poder evitar, vomitei enquanto sentia como as lágrimas molhavam meu rosto.

- Malfoy! - A voz de Potter chegou até meus ouvidos muito distante, senti como me abraçava pelos ombros, tentando me levantar.

- Me solta! Não me toque!

- Shhh, já está tudo bem, senhor Malfoy. - Disse a voz de Minerva McGonagall em meu ouvido. - Já está tudo bem.

Solucei, mas deixei que me ajudasse a levantar, e logo a ouvi sussutar o feitiço de limpeza.

- Está com um pouco de febre, ao que parece.

- Não, foi um pesadelo. - Sussurei.

- Está bem, então. - Ela disse, e me puxou com delicadeza, me obrigando a subir as escadas.

- Tenho que terminar a redação. - Disse, tentando me soltar.

- O fará amanhã. - Disse ela, suavmente, e me obrigou a subir.

- Não posso, vai me reprovar e...

- Shhh, vai entregá-la no meu escritório depois de amanhã na primeira hora. - Disse. - Aconteceu algo que eu deveria saber?

Neguei com a cabeça e ela me fez sentar em uma das camas, foi quando me dei conta que Potter e Weasley estavam atrás dela.

- Esse pesadelo deve ter sido bem ruim ao que parece. - Ela disse, arrumando os óculos. - Seus colegas não podiam te acordar.

- Sinto muito. - Sussurrei.

- Não quero que se desculpe, só me faça saber se posso te ajudar em alguma coisa, certo?

Acariciou meu cabelo com doçura durante uns segundos, assenti e ela se moveu para a porta.

- Será melhor que descanse, vou te mandar algo para o jantar.

- Não estou com fome. - Murmurei.

- Está bem. - E a escutei sair.

Levantei-me da cama de Weasley e me dirigi ao meu baú, ignorando completamente a Potter, que tinha ficado mesmo que seu inseparável amigo já tivesse ido atrás de McGonagall e entrei no banho com meu pijama e uma toalha nas mãos.

Abri o chuveiro e logo me deixei cair no chão e cobri o rosto com as mãos e voltei a chorar, ainda sentia na pele as mãos do maldito viajando pelo meu corpo.

Voltei a sentir os braços de Potter ao redor dos meus ombros e inclinei um pouco o rosto para vê-lo.

- Me deixe em paz! - Pedi, com raiva, sentia que ele tinha culpa daquela recordação que eu tinha enterrado há muito tempo na minha mente, e que tinha aflorado de novo com total claridade no sonho.

- Shhh, já passou. - Me disse, sem me soltar. - É só um sonho.

- Te odeio.

- Eu sei - Ele sussurrou, mas ainda assim me atraiu para seu peito, me virei e o abracei e chorei até me cansar.

Quando meu choro passou, ele me soltou com suavidade.

- Tome um banho e vá dormir, está muito cansado.

Ele se levantou rapidamente e saiu dali.

Entrei no chuveiro e esfreguei meu corpo com força para limpar a sensação de sujeira que me invadia, me reprovando nem sequer ter disfrutado de estar entre os braços de Potter agora que finalmente tinha acontecido.

Devo estar perdendo o controle, porque sua proximidade só me deu consolo, mas não produziu cosquinhas, felicidade, nem nada. Estou retornando a ser uma criança tão rapidamente que me assusta, não quero perder a perspectiva nem o autocontrole que ainda tenho sobre minhas emoções.

Não quero voltar a ser criança e aproveitar muito para depois voltar a terminar na cama do Lorde para ele roubar minha inocência como a primeira vez, não suportaria porque agora me sinto ainda mais vulnerável que na primeira vez.

X~x~X

O sábado amanheceu muito frio, mas com boa visibilidade, isso seria bom para Potter. O cheiro de salsinhas e o resto dos deliciosos alimentos que estavam na mesa não faziam mais do que agitar meu estômago, era puro nervosismo, o mesmo que senti no estômago a primeira vez que joguei quadribol no meu segundo ano da Sonserina.

- Tem que comer alguma coisa no café da manhã. - Granger me sussurrou.

- Não quero nada, acho que vomitaria. - Disse de volta e ela só assentiu.

- Como foi com McGonagall?

- Bem, eu acho. Obrigada por corrigir. - Sussurrei de novo.

- Não é nada, se precisar de ajuda de novo não hesite em pedir, não é bom que exija tanto de si mesmo. - Ela disse, comendo uma torrada.

- Vou fazer isso, obrigada. - E peguei uma torrada e a mordisquei um pouco para deixá-la tranquila, porque ela continuava me olhando e a torrada alternadamente.

Virei-me um pouco para ver se Potter estava tão nervoso com eu, mas ele comia um grande prato de salsinhas e ovos, enquanto conversava animadamente com Weasley e os demais meninos do dormitório.

As onze da manhã, toda a escola parecia estar reunida ao redor do campo de quadribol. Muitos alunos tinham binóculos. Os assentos podiam se elevar, mas, inclusive assim, às vezes era difícil ver o que estava acontecendo, ele sabia, como também sabia que todos estariam observando-os.

Fechei a porta do vestiário e observei os garotos, todos estavam sorridentes e entusiasmados enquanto terminavam de colocar o equipamento de quadribol vermelho e dourado.

Voltei a abrir a porta e vi um enorme cartaz no meio da maré vermelho e dourada que formavam os garotos de Gryffindor. Foquei o olhar e pude ler: "Potter e Malfoy, avante!", a tinta mudava de cor, isso era o que Granger estava fazendo com os meninos do dormitório, e apesar de tudo, eu sorri, ao menos tinham me incluído.

- Bem, garotos. - A voz de Wood fez com que eu saísse dos meus pensamentos, entrei totalmente, fechei a porta e me virei para ele como todo mundo.

- E garotas. - Angelina Johnson adicionou, ela era a outra artilheira.

- E garotas. - Wood retificou, com exasperação em sua voz.

- O grande. - Disse um dos gêmeos.

- O que estávamos esperando. - O outro continuou, tentei manter meu rosto sério, enquanto via como o rosto de Wood ia ficando primeiro vermelho e depois aroxeado de raiva contida.

- Sabemos o discurso de Oliver de cor. - Fred Weasley disse a Potter, por fim via seu nome. - Estávamos no time ano passado.

- Calem-se, os dois. - Wood ordenou. - Este é o melhor time que Gryffindor teve em muitos anos e vamos ganhar.

Lançou um olhar que prometia tortura se não fosse assim.

- Bem, já é hora, boa sorte a todos.

Obriguei-me a andar atrás dos demais, e foi só colocar o é no campo e ele se encheu de gritos de apoio, é claro que Corvinal e Lufa-Lufa apoiavam a casa dos leões, quer dizer, nossa casa.

"Oh, merda, de verdade vou jogar pela casa dos leões."

Madame Hooch era a juíza. Estava no centro do campo esperando os dois times, com uma vassoura na mão.

- Bem, quero uma partida limpa e sem problemas, por parte de todos. - Disse, quando nos colocamos a seu redor.

Pareceu se dirigir especialmente a Marcus Flint, um garoto do quinto ano da Sonserina, e tinha razão, Flint era trapaceiro. Além disso, era parecido com um troll gigante, Flint repassou nosso time com o olhar e se deteve em mim, franzindo o cenho, tentei não engolir em seco quando me olhou dos pés a cabeça e esboçou um sorriso cruel.

- Olá, mocinha, jogando pelos leões? Isso é mau, mau. - Disse, quando Madame Hooch já estava se levantando no ar.

Ignorei-o e subi na minha Nimbus quase ao mesmo tempo em que Potter, e me elevei quando Madame Hooch deu um assovio longo com seu apito de prata.

- E a goles foi pega de imediato por Angelina Johnson da Griifinória. Uma excelente artilheira essa jovem, e muito bonita também.

- Jordan!

- Sinto muito, professora.

O amigo dos gêmeos Weasley, Lee Jordan, era o comentarista da partida, vigiado muito de perto pela professora Mcgonagall, e, apesar de tudo, deixei escapar um sorriso.

- E realmente rebate bem, um bom passe a Draco Malfoy, o grande descobrimento de Oliver Wood, ele e Potter se converteram nos jogadores mais jovens em cem anos.

- Jordan! - A voz da professora McGonagall soava levemente exasperada, mas Jordan a ignorou.

- Outra vez Johnson e... não, Sonserina roubou a goles, o capitão da Sonserina, Marcus Flint se apoderou da goles e lá vai ele... Flint voa como uma águia, está a ponto de... não, com uma excelente jogada o goleiro de Grifinória, Wood o detém... e Gryffindor tem a goles novamente, a artilheira da grifinória, Katie Bell está rondando Flit, que volta a se elevar no terreno e... Ai! Isso tem que ter doído, um golpe de balaço na nuca, a goles está em poder da Sonserina... Adrian Pucey pegou velocidade até os postes do gol, mas outro balaço o bloqueia enviado por Fred ou George Weasley, não sei qual dos dois... bonita jogada do batedor da Grifinória, e Johnson está outra vez em posse da goles, o campo livre e lá vai ela, realmente voa bem, evita um balaço, os postes do gol estão ali... vamos, agora Angelina... e o goleiro Bletchey se joga... não chega a tempo... Gol de Gryffindor!

Os gritos dos grifinórios encheram o ar frio, junto com os assovios e reclamações dos sonserinos.

- Derrubem a mocinha da vassoura! - Flint disse para seus batedores quando peguei a goles de novo, senti os balaços voando até mim, mas antes que chegassem perto, lançou a goles para Katie Bell, e os balaços passaram muito perto.

- Excelente jogada de Malfoy, que conserva a goles para Grifinória. Katie Bell faz uma finta, faz de conta que ia passar a bola para Angelina, mas a devolve para Malfoy que... não pode ser, vai lançar dessa distância. Não vai dar... oh, merda, gol da Grifinória, Malfoy marcou.

Senti o barulho ensudercedor dos grifinórios e a voz aborrecida de Mcgonagall.

- Controle o vocabulário, Jordan.

- Mas, professora, não viu a jogada do pequeno Malfoy?

- Sim, eu vi, agora continue narrando, sim?

- A Sonserina toma posse da bola. - Lee Jordan dizia. - O artilheiro Pucey esquiva dos balaços dos dois Weasley e elude a artilheira Bell, acelera... espera um momento, não é o pomo?

Quase cai da vassoura de tão rápido que me virei para ver onde estava o pomo e onde estava Potter, mas vi como Adrian Pucey soltava a goles para ver como o pomo passou roçando sua orelha esquerda, me lancei sem pensar e peguei a goles antes que caísse ao chão e me dirigi diretamente até os aros do gol da Sonserina, e a lancei pelo do meio, Bletchey nem viu.

- Malfoy volta a marcar para a Grifinória. - Disse Lee Jordan, se esquecendo do pomo e de Potter. - Blechley nem soube quando a "Fúria Loira" chegou até ele.

- Malfoy! - McGonagall gritou. - Nada de Fúria Loira, se chama Malfoy.

- Falta! - Os grifinórios gritaram.

Madame Hooch gritou com irritação para Flint, e logo ordenou tiro livre para a Grifinória, mas com toda a confusão o pomo dourado, como era de se esperar, voltou a desaparecer, parece que Flint tocou a vassoura de Potter ou algo assim.

- Deveriam mudar as regras. Flint poderia ter derrubado Harry no ar.

Para Lee Jordan era difícil ser imparcial.

- Então... depois dessa óbvia e asquerosa falta.

- Jorda, depois não diga que eu não te avisei!

- Ok, ok. Flint quase mata o apanhador da Grifinória, coisa que poderia acontecer a qualquer um, estou seguro, assim que foi pênalti para Grifinória. Malfoy vai cobrar, ele lança, gol da Grifinória, justiça, justiça através da Fúria Loira.

- Jordan!

Tive que sorrir, o que posso dizer? Eu gostava de ser a Fúria Loira, ainda que não fosse reconhecer nem em mil anos.

- Sonserina tem a posse de bola, Flint está com a goles, Malfoy o atravessa e a pega, passando a Bell... um balaço o acerta com força no rosto, espero que quebre o nariz (era uma piada, professora), Sonserina tem a goles de novo e marca, ah não...

Foi nesse momento que me fixei em Potter, e na vassoura que se sacudia violentamente, me obriguei a deixar minha atenção no campo de novo quando consegui ver que a Sonserina marcava de novo, e vi a goles voar até mim, lançada por Bell, a peguei e me lancei até o campo da Sonserina, perseguido de perto por Flint, que queria me fazer perder o equilíbrio batendo no cabo da minha vassoura com a dele.

Consegui lançar a goles, Bletchley, por mais que se estivou não conseguiu pegar.

- A Fúria Loira voltou a marcar, Merlin, Potter e Malfoy parecem ter perdido o controle das vassouras.

Flint tinha empurrado meu ombro, me desestabilizando totalmente e quase me jogou em um dos poster, mas consegui me firmar quando ouvi Potter gritando.

- Tenho o pomo! - Potter gritou, agitando-o sobre sua cabeça. A partida terminou com uma confusão total.

- Não é que a pegou, quase a engoliu. - Flint ainda gritava, vinte minutos mais tarde. - E Malfoy trapaceou no último lance.

- Olá, Fúria Loira.

Levantei o olhar e vi Hagrid, o semigigante, parado na minha frente.

- Boa tarde, senhor Hagrid. - Eu disse, fazendo uma pequena reverência com a minha cabeça.

- Excelente partida.

- Obrigada, senhor.

- Os meninos e eu vamos tomar um chá na minha cabana. Quer nos acompanhar?

Lancei um olhar na direção onde eles se encontravam, todos estavam celebrando a façanha de Potter, mas nenhum grifinório tinha se aproximado de mim para nada, então, encolhi os ombros.

- Não acho que seja uma boa ideia. - Disse, sem olhá-lo.

- Besteira, venha, os esperaremos com a chaleira fervendo, certo?

Assenti, me faria bem um chá quente antes de baixar até as masmorras e me enfrentar a Fúria Negra, que seria Severus nesses momentos, mesmo que eu gostasse quando Severus se enfurecia, seus olhos negros brilhavam espetacularmente. Sacudi a cabeça, o que tinha sido isso?