Ei, eu voltei, tentando colocar as coisas em dias nessa tradução que amo demais fazer! Boa leitura! 3
Quando o trio entrou, ficaram me olhando com assombro e parados na porta, sem saber se entravam ou iam embora, peguei minha vassoura, tentando não suspirar.
- Está bem, eu já estava indo. - Disse para eles. Obrigado, senhor Hagrid. - Disse para o semigigante.
- Mas eu ainda nem te servi o chá. Entrem, meninos, espero que não se incomodem por eu ter convidado a "Fúria loira" para tomar chá com a gente.
Vi Potter deixar escapar um risinho.
- Felicidades, você jogou muito bem, Malfoy. - Disse, sentando-se em frente a mim.
- Obrigada, você também foi bem, Potter.
Vi o semigigante servir o chá em umas xícaras enormes e colocar uma na frente de cada um. O chá era magnífico, mas os biscoitos eram duros como pedra, e apesar disso, tentei mordiscar um, e quando ele não estava olhando o coloquei no bolso da túnica.
- Viu o que aconteceu com a vassoura do Harry, Hagrid?
- Sim, ainda não entendi o que aconteceu.
- Era Snape. - Weasley explicou. - Hermione e eu vimos. Estava azarando a sua vassoura. Murmurava e não tirava os olhos de você.
- Besteira. - Hagrid disse, que não tinha ouvido uma palavra do que tinha acontecido. - Por que iria fazer algo assim?
Estúpidos leões, eu estava soltando fogo pelas ventas, tentando me conter e não gritar que tinha sido o estúpido Quirrel a lançar o feitiço em Potter. Potter, Weasley e Granger se olharam, se perguntando o que iam dizer. Potter decidiu contar a verdade, bem, a verdade que tinham inventado para eles mesmos.
- Descobrimos uma coisa sobre ele. - Disse a Hagrid. - Tentou passar pelo cachorro de três cabeças no Halloween. E o cachorro o mordeu. Nós pensamos que tentava roubar o que o cachorro está protegendo.
Hagrid deixou cair a chaleira, fazendo um barulho surdo, eu levantei o olhar até seu rosto, parecia surpreendido e com medo.
- O que sabem do Fofo? - Perguntou.
- Fofo?
- Sim, ele é meu. O comprei de um grego que conheci num bar o ano passado... e o emprestei para Dumbledore para proteger...
Devia ter sabido, evitei revirar os olhos. Quem mais além do estúpido Hagrid teria a ideia de criar um cão de três cabeças?
- Proteger... - Potter disse, com nervosismo, e eu soube que estava interessado no que estava guardado debaixo do alçapão.
- Bem, não me perguntem mais. - Hagrid disse com rudeza. - É um segredo.
- Mas, Snape tentou roubar isso.
- Besteiras. - Hagrid repetiu. - Snape é um professor de Hogwarts, nunca faria algo assim.
- Então, por que ele tentou matar o Harry? - Hermione gritou. - Eu conheço uma azaração quando vejo uma, Hagrid. Já li tudo sobre eles. Tem que manter o olhar fixo, e Snape nem piscava quando o vi.
- Não foi o professor Snape, ele seria incapaz de fazer algo assim! - Gritei, furioso. - Não azarou sua vassoura e não tentou roubar nada.
- E o que você sabe? Não estava ali. - Weasley gritou.
- Eu conheço o professor... - Me calei tarde demais, já tinha estragado tudo.
- Então vá ficar com ele e com os da sua laia, você pertence as serpentes, jamais vai ser um de nós. - Weasley me gritou com raiva.
- Talvez você tenha razão, Weasley. Não sei que merda estou fazendo aqui. - Peguei minha vassoura e sai batendo a porta.
X~x~X
Me encaminhei enfurecido até o castelo e não parei de correr até que fiquei frente a porta de Severus, tentei acalmar um pouco minha respiração antes de bater na porta de seu escritório. Prontamente senti sua voz aveludada do outro lado e isso conseguiu me tranquilizar quase por completo.
- Entre, Draco, está aberto.
Entrei e fechei a porta atrás de mim. Severus apenas viu minha cara e suspirou. Lançou alguns feitiços na porta e se deixou cair em uma poltrona, abrindo os braços para mim. Corri e me sentei no seu clolo, escondi o rosto em seu peito e o abracei, logo sentia a carícia de sua mão no meu cabelo.
Suspirei, Severus sempre tinha sabido me acalmar com essa simples carícia.
- O que aconteceu? Deveria estar contente, teve uma partida excelente.
- Quem dera tivesse perdido, malditos leões, como eu os odeio. - Soltei, sem mais nem menos.
Severus me afastou um pouco dele e segurou meu rosto entre suas mãos, buscando meus olhos e eu me afastei um pouco e voltei a enterrar o rosto em seu peito.
- O que aconteceu, meu anjo?
- Eles pensam que você azarou a vassoura do Potter e que está tentando roubar seja lá o que o maldito cachorro de três cabeças vigia no terceiro andar.
Senti como Severus ficava tenso e me dei um chute mental por ter dito isso. Era suposto que eu não devia interferir.
- Como sabe do cachorro de três cabeças?
- Fui investigar e ele quase me jantou. - Menti.
- Merlin, Draco. Como pensou nisso? E ainda diz que odeia os leões, está ficando igualmente impulsivo. Foi sozinho?
- Sim, sinto muito, mas estava curioso, vamos lá, não fique bravo. - Supliquei, abraçando-o com mais força.
- Não volte a fazer uma coisa assim, Draco.
- Está bem.
- E eles, como sabem?
- Não sei. - Voltei a mentir.
- Você brigou com eles?
- Não ia deixar que falassem como se você fosse um criminoso.
- Draco, eu sou um comensal, se lembra?
Um comensal meu nariz, tive vontade de gritar que sabia que tinha sido espião para a maldita Ordem, que ele morreia mordido pela estúpida serpente do Lorde, que meu pai seria beijado por um dementador e que minha mãe cortaria as veias, porque ninguém pensou em fazer-lhe um pouco de companhia enquanto seu marido e seu filho apodreciam em Azkaban.
- Pai também é, e dai? - Me afastei dele e me coloquei a andar pelo escritório, sem olhá-lo. Sentia o olhar de Severus fixo em mim, sabia que estava tentando usar legimência em mim. Não podia me ler como sempre tinha feito, estava agindo de forma errática e Severus não podia lidar com a surpresa e a frustração de que eu me escapasse de suas mãos.
- Uma vez comensal, se morre comensal, Draco, lembre-se disso sempre, sim, meu pequeno? Nunca mais seu pai ou eu poderemos tirar essa marca e quando ele voltar não teremos outra opção a não ser voltar para suas filas porque não existe outro caminho para nós. Ninguém nesse mundo está disposto a dar segundas chances.
"Só uma oportunidade, Draco, lembre-se, só uma..."
- Podem fingir que acreditam no seu pai porque precisam do dinheiro dele, mas ainda que Lucius tenha tentado limpar o caminho para você, sempre o tem tratado com dependência, mas friamente, para as pessoas continuará sendo um comensal e nada mais. E quando ele voltar será a única chance que ele verá para que você possa brilhar. Para que ninguém volte a se afastar por causa do seu nome.
- E se eu escolho ser um comensal como vocês?
- Eu respeitarei isso, Draco, mas de verdade já sabe que eu gostaria que não seguisse nossos passo, que tente sair limpo de toda a merda que vem por ai.
- Minha vida já é uma merda, Severus. - Murmurei, sem poder evitar.
Ele suspirou com força.
- Você é tão pequeno, ainda não sabe...
- Sei muito mais coisas do que pode imaginar, Severus. E nenhuma é linda e satisfatória, mas uma completa merda. - Agarrei minha vassoura e me virei, em dois passos Severus estava atrás de mim, e me abraçou pelas costas.
- Que diabos está acontecendo com você, Draco? Está tão diferente.
- Eu sei. - Medi o tom da minha voz para que não captasse toda a amargura que havia nela.
- Se tivesse algo para me dizer, sabe que pode confiar em mim, certo?
- Eu sei. - Sussurrei, mas isso não podia dizer. Como ia contar que ele mataria Albus Dumbledore que tinha sido como um pai para ele segundo me enterei em Azkaban, o que ele mesmo morreria? Não, não podia, isso só lhe causaria agonia desnecessária, esperando, sempre esperando... como eu, que me consumia cada dia esperando que o Lorde volte a colocar as mãos em cima de mim e me meta em sua cama. -Tenho que ir. - Sussurrei com a voz afogada.
Severus me soltou, me voltei e dei um rápido beijo em sua bochecha e escapei dali. Mas, antes que terminasse de fechar a porta pude ver como ele se emocionava ao tocar a bochecha. Fazia quanto tempo que não beijava o Severus?
X~x~X
Ia andando tão ensimesmado nos meus pensamentos que não notei que alguém me seguia até que esteve bem atrás de mim, girei o corpo e senti como me puxavam pelo pescoço da túnica e com um golpe seco me jogavam contra a parede.
- Olha quem encontramos por aqui. - Abri os olhos para me encontrar com o rosto de Flint muito perto do meu.
- Olá, mocinha. - Blaise Zabini sussurrou no meu ouvido. Tremi ao sentir seu hálito, mas tratei de me tranquilizar.
- Me solta. - Disse com a voz mais firme que consegui.
- Primeiro vamos te dar uma lição, mocinha, por ter jogado tão bem para os leões.
O primeiro golpe encaixou justo no meu estômago e me deixou sem respirar. Me dobrei no meio e foi quando senti o joelho de Zabini justo na minha face direita, tenho certeza que estuve a ponto de me quebrar o osso, maldição.
- Não volte a jogar contra Slytherin ou farei algo mais que te bater, me escutou? - Ameaçou Flint.
- Vá para o inferno, imbecil. - Gritei, ainda que por dentro estava morrendo de medo.
Um novo golpe na cara vindo de Blaise me deixou vendo estrelas.
- Tenha cuidado, mocinha. Agora não está seu herói para te defender.
Os senti sair andando para as masmorras, aperteu meu estômago com força tentando evitar a dor. Não tinha certeza se voltava para o escritório de Severus ou se ia para a torre de Gryffindor.
- Maldito chapéu idiota, tinha toda a razão. - Sussurei. Por fim decidi me encaminhar para a torre. Se voltava para Severus ele me arrancaria quem tinha me batido e não queria ficar de mocinha indefesa na frente do estúpido Zabini indo me queixar para o professor.
Entrei na sala comunal, ainda estavam celebrando o triunfo, me encaminhei rapidamente para as escadas, mas alguém me atravessou o caminho.
- O que aconteceu? - A voz alterada de Granger chamou a atenção dos demais para mim.
- Nada. - Respondi, e tentei rodeá-la, mas dessa vez foi Potter quem ficou no caminho, levantou uma mão para tocar meu rosto, mas antes que pudesse fazer isso eu me afastei.
- Quem te fez isso? - Perguntou-me, parecendo irritado.
- Ninguém, eu caí. - Respondi, com raiva e sem olhá-lo.
- Em cima de uns punhos? - Ele perguntou com irritação.
- Eu caí, isso é tudo. - O afastei rudemente do meu caminho.
- Foi Zabini?
- Não se meta nisso, Potter, estou cansado de ficar como uma mocinha por causa da sua estúpida vontade de ser herói.
Me virei para as escadas e me meti no quarto, tomei uma toalha y o creme contra contusões que minha mãe tinha enfiado no meu baú. Tomei uma ducha rápida e me apliquei a bendita pomada no rosto, no dia seguinte não haveria rastro dos golpes e Severus não teria que ficar sabendo.
Quando saí do banho os leões se preparavam para descer e almoçar. Peguei a roupa do meu baú e comecei a me vestir, sem me importar que estivessem ali.
- Vem almoçar, Malfoy? - Dean Thomas me perguntou.
- Não, tenho deveres para terminar. - Disse, sem olhá-lo, quando terminei de me vestir, peguei minha mochila e esparramei as coisas sobre a minha cama, fechando a cortina.
Pouco depois ouvi como saíam.
