Olá, pessoas, ainda estou viva e essa tradução vai continuar sim, não se preocupem. Esse capítulo é gigantesco e um dos meus favoritos porque tem muito da relação do Draco com o Severus. Perdoem erros de digitação ou ortografia, não deu tempo de revisar.
Obrigada por todos que comentam, presente na semana em que todos estamos preocupados com domingo.
Boa leitura.
O Natal se aproximava rapidamente. Uma manhã nos levantamos e vimos pela janela que tinha nevado e que havia quase dois metros de neve acumulados. O lago estava solidamente congelado e os gêmeos Weasley foram castigados por enfeitiçar várias bolas de neve para que seguissem Quirrell e o acertassem na parte de trás do turbante, quando vi isso me estremeci de terror, se eles soubessem.
As poucas corujas que tinham conseguido chegar através do céu tormentoso para deixar o correio tiveram que ficar ao cuidado de Hagrid até que se recuperassem, antes de voar outra vez de volta para suas casas.
Todos estavam impacientes pelas festas, certamente queriam ver suas famílias. Eu também desejava, mas ficaria em Hogwarts, não queria enfrentar meu pai ainda. Ele não tinha voltado a me mandar nenhum gritador, e em suas cartas se limitava a me felicitar pelas notas excelentes, mas não tinha feito nenhuma outra menção a minha atual casa ou ao fato de que eu estava jogando quadribol para os leões, às vezes, eu me pergunto se meu pai saberia que na Grifinória me chamam de "Fúria Loira" quando os encontro falando de mim.
Sua última carta era tinha sido para me dar uma bronca por ter entrado na Floresta Proibida e ter sido castigado no Natal, me mandava um grande abraço e nada mais. Mamãe era outra coisa, sempre estava me felicitando por ser tão bom jogador e pelas minhas notas, e me pedia que lhe contasse cada detalhe.
O castelo geralmente estava muito gelado, o vento entrava por cada rachadura, por sorte, mamãe tinha me enviado um casaco de pele de dragão e luvas do mesmo material. O pior eram as aulas de Severus nas masmorras. Antes podia levar tudo muito bem, o frio, quero dizer, mas agora tinha verdadeira repulsa dele. Todos tentavámos nos manter o mais próximo possível dos caldeirões.
- Me dá muita pena. - Blaise Zabini disse, naquela tarde na aula de Poções, eu o olhei de rabo de olho para ver com que ia sair agora. - Toda essa gente que vai ter que ficar o Natal em Hogwarts porque não os querem em suas casas.
Revirei os olhos com desaprovação, mas logo me lembrei que tínhamos planejado isso em uma tarde e que eu tinha sido o encarregado de dizer o mesmo para Potter.
Potter, que estava pesando pó de espinha de peixe leão não se deu por aludido.
Depois do jogo de quadribol, Zabini tinha ficado mais desagradável que nunca, exatamente como eu esse ano. Desgostoso com a derrota da Sonserina, tinha tentando fazer que todos rissem, dizendo que um sapo com uma boca grande poderia substituir a Potter como apanhador. Mas, se deu conta que ninguém achou graça, porque estavam muito impressionados pela forma com que Harry tinha se mantido na vassoura, coisa que não vi dessa vez, mas me lembrei quando os leões comentaram na cabana de Habrid. Assim que Zabini, ciumento e irritado como eu tinha estado naquela época, tinha voltado a implicar com Potter por não ter uma família apropriada.
Como Potter o ignorou, começou a me perseguir.
- E você, mocinha, soube que também vai ficar em Hogwarts. - Senti os olhares do trio sobre mim. Continuei mexendo meu caldeirão, tentando não enrusbecer. - Então, Lucius não quer o lixo em sua casa quando vai receber os amigos? Certamente que nesse natal nem presentes vão te mandar. Ou talvez sim, um vestido rosa ficaria muito bem, mocinha.
Não sei como o fiz, mas, em um abrir e fechar de olhos tinha saltado sobre as mesas e lançado Zabini com um golpe ao chão, ele tentou tirar-me a varinha, então me lancei sobre ele e comecei a lançar-lhe golpes a torto e a direito, sem me importar com os que estava recebendo, só sentia o coro de insultos que os leões e as serpentes lançavam entre si.
Subitamente senti como alguém me puxava bruscamente pela túnica, colocando-me de pé.
- Basta! - Severus gritou, e me detive, impressionado, nunca o tinha escutado gritar dessa maneira. - Basta vocês dois. - Disse, enquanto levantava bruscamente a Blaise pelo colarinho de sua túnica.
Lancei um olhar ao meu redor e pude ver os rostos surpreendidos de todos fixados em mim. Era a primeira vez que causava algum probema.
- O que aconteceu?
- Malfoy se jogou em cima de mim, não fiz nada.
O olhei, furioso.
- Senhor Malfoy?
- Nada, não aconteceu nada. - Disse, entredentes.
- Zabini o chamou de mocinha, Malfoy só se defendeu.
- Silêncio, Longbottom. - Voltou a gritar Severus, fervendo de raiva... e eu sabia o motivo. Se castigava as serpentes prejudicava sua própria casa, mas não se não me defendia... Severus nunca tinha ficado sem me defender. Nunca!
Me soltei bruscamente do aperto de Severus e arremeti de novo contra Zabini e consegui dar-lhe outro golpe antes que pudesse se cobrir. O maldito bastardo me pagaria se Severus me castigasse.
- Basta, os dois estão castigados. Zabini vai ficar com Filch essa tarde como castigo, e o senhor Malfoy, te espero no meu escritório as sete, entendido?
- Sim, professor Snape, entendi. - Disse, tentando esconder meu sorriso. Ia ter chá com bolo, o colo e os carinhos de Severus enquanto Zabini estaria com o retorcido Filch e sua gara horrível.
- Agora voltem todos a seus lugares. E limpe a bagunça que seu caldeirão fez no chão, senhor Zabini.
- Mas, mas... foi culpa de Malfoy, senhor.
- Te disse que limpasse. - Severus gritou, e eu voltei com um sorriso para meu lugar, enquanto limpava umas gotinhas de sangue que escapavam do canto dos meu lábios.
- Zabini não viu quando a Fúria Loira foi para cima dele. - Escutei Finigan zombando das serpentes que estavam mais perto dele.
- Zabini vai pegar a mocinha e vai fazê-lo comer poeira.
- Vá sonhando, Parkinson, por acaso você acha que vamos deixá-lo sozinho sabendo que vocês, arruaceiros, vão atrás dele em grupo?
- Vão proteger a mocinha de vocês? - Parkinson zombou, por sua vez.
- Vamos proteger a Fúria Loira que quebrou a cara da sua serpente morena. - Neville disse, rindo dela.
Parkinson ficou tão brava que jogou um ingrediente no caldeirão sem prestar atenção e o fez explodir. Os leões começaram a rir imediatamente, tinham que aproveitar, já que o explode caldeirões da nossa sala era Longbottom.
Levantei os olhos para ver Severus cobrindo o rosto com exasperação, e soube que uma de suas monumentais enxaquecas estavam vindo, e isso sempre era um mau sinal.
- Cinco pontos menos para a Sonserina. - Sussurrou, mas todos ficaram em silêncio diante disso. - E agora não quero nenhum murmúrio estúpido o os reprovarei a todos. - Disse, tirando uma garrafinha azul do bolso da túnica, bebendo tudo de um gole.
X~x~X
Quando saímos das masmorras ao final da aula de Poções, encontramos um grande pinheiro que ocupava o final do corredor. Dois pés enormes apareciam deibaixo da árvore e um grande suspiro nos indicou que Hagrid estava atrás dela.
- Olá, Hagrid. Precisa de ajuda? - Perguntou Ron, colocando a cabeça entre os ramos.
- Não, está tudo bem. Obrigado, Ron.
- Se importaria de sair do caminho? - A voz fria e furiosa de Zabini chegou de trás de nós. - Está tentando ganhar algum dinheiro extra, Weasley? Suponho que quer ser guarda caça quando sair de Hogwarts. Essa cabana de Hagrid deve parecer um palácio, comparada com a casa da sua família.
- Por que não volta para o seu covil, serpente asquerosa? - Disse, empurrando o moreno sonserino com ar de fúria, sem saber sequer porque queria tanto brigar com ele.
Blaise Zabini olhou surpreso para o loiro que tinha em frente e ia responder justo quando Snape aparecia no alto das escadas.
- Vocês dois!
- Ele foi provocado, professor Snape. - Hagrid disse, sua grande cabeça aparecendo por cima da árvore. - Zabini estava insultando a família de Ron.
- Seja o que for, mas brigar é contra as regras de Hogwarts, Hagrid. - Snape disse com voa amável, mas eu podia adivinhar a fúria dele. - Cinco pontos menos para a Grifinória, Malfoy e agradeça que não sejam mais. E agora, todos andando.
Zabini, Crabbe e Goyle passaram por eles sorrindo com presunção.
- Vou pegá-lo. - Ron disse, mostrando os dentes para as costas de Zabini. - Um dia desses o pegarei.
- Detesto os dois. - Harry adicionou. - Zabini e Snape.
- Você é um estúpido, Potter! - Soltei, irritado, e dei meia volta, afastando-me dali com passos largos.
X~x~X
Harry fez um gesto, e Dean Thomas e Seamus Finnigan seguiram o loiro de longe.
- Vamos, se anime, já é quase natal. - Hagrid disse. - Vou dizer o que faremos, venham comigo ao Grande Sação, está lindo.
Então, os três seguiram Hagrid e seu pinheiro até o Grande Salão, onde a professora McGonagall e o professor Flitwick estavam ocupados na decoração.
O salão estava espetacular. Guirlandas de visco e azevinho estavam pendurados nas paredes, e não menos que doze árvores de natal estavam distribuídas pelo lugar, algumas brilhando com pequenos pendentes, outras com centenas de velas.
- Quantos dias faltam para as férias? - Hagrid perguntou.
- Só um. - Hermione respondeu. - E isso me lembra... Harry, Ron, ainda temos meia hora para o almoço, deveríamos ir a biblioteca.
- Sim, claro, você tem razão. - Ron disse, se obrigando a tirar os olhos do professor Flitwick, que fazia bolhas douradas com sua varinha para colocá-las nos ramos da árvore nova.
- Na biblioteca? - Hadrid perguntou, acompanhando-os até a porta. - Logo antes dos feriados? Um pouco triste, não acham?
- Oh, não é uma tarefa. - Harry explicou alegremente. - Desde que você mencionou Nicolau Flamel, estamos tentando averiguar quem ele é.
- O quê? - Hagrid parecia impressionado. - Escutem, eu já disse... não se metam. Não tem nada a ver com vocês o que esse cachorro vigia.
- Nós queremos saber quem é Nicolau Flamel, isso é tudo. - Hermione disse.
- A menos que queira nos poupar o trabalho. - Harry acrescentou. - Já procuramo em milhares de livros e não encontramos nada. Se nos der uma pista, eu sei que li o nome dele em algum lugar.
- Não vou dizer nada. - Hagrid disse, com firmeza.
- Então, temos que descobrir nós mesmos. - Ron disse.
Deixaram Hagrid mau humorado e foram para a biblioteca.
X~x~X
Me encaminhei para os quartos de Severus, já não tinha mais aulas essa tarde, e queria descansar um pouco. Antes passei em um banheiro para ver se estava vestido corretamente, e suspirei quando tirei o lenço do bolso. Não podia fazer o maldito feitiço para restaurar a roupa para o tamanho normal, não sabia se minha magia estava falhando ou se tudo estava envolvido com aquele gira tempo estranho que o grifinório moreno tinha colocado no meu pescoço meses atrás.
Quando Severus me deixou entrar, me olhou irritado, tinha um pano úmido na cabeça, e estava recostado no pequeno sofá. Deixei a mochilha numa cadeira e caminhei até me sentar no tapete junto a ele.
- Sinto muito. - Murmurei, sem muita convicção.
- Não sei o que acontece com você, Draco. - Reclamou, enquanto com um floreio de varinha invocaba uma bandeja com bolinhos e chá, e a colocava na mesinha. Peguei uma xícara de chá e bebi um gole. - O que é isso de trocar socos como os trouxas?
- Ele começou, está me chamando de mocinha. - Murmurei de mau humor.
- E isso por quê?
- Insinuou que Lucius me compraria um vestido rosa. - O vi arquear una sobrancelha e tomar um gole de chá.
- E isso por quê? - Voltou a perguntar, implacável. - Eram bons amigos até onde me recordo.
- Sua mãe andava atrás de Lucius, e o pai tem negócios com o padastro dele, só era um futuro bom contato. - Repliquei. - Me divertia com ele, inclusive, até que tudo deixou de ter graça.
- E quando deixou de ter graça?
- Não sei. - Encolhi os ombros. - Suponho que quando caí na casa dos leões. - Repliquei, tentando desviar do tema.
- E pode-se saber por que na Sonerina te chamam de mocinha?
- Porque Blaise me provoca, e algumas vezes Potter me defendeu. - Não vi surpresa em seu rosto, então soube que ele já sabia, me alegrei em silência de não ter mentido.
- Está assim tão amigo de Potter? - Me perguntou, em um tom que não soube interpretar. Encolhi os ombros e agarrei um dos bolinhos fingindo estar prestando atenção nele.
- Nunca nos falamos, não somos amigos.- Disse, incômodo. O vi suspirar quase imperceptivelmente.
- E suas escapas noturnas?
Senti como fiquei tenso imediatamente, como diabos ele sabia das nossas escapadas noturnas?
- Só foram algumas vezes e não fomos sozinhos, era mais um assunto da grifinória, a honra e essas besteiras. Como soube disso?
- Dumbledore, o velhote sempre sabe tudo. Mas, acho que a última vez foi para visitar certa sala...
- Ah, mas me incluíram porque os descobri falando sobre isso, não significa que sejamos amigos, Severus. - Me agitei. - Vão nos castigar? Se fizerem isso vão pensar que fui eu que...
- Calma, Dragão, enquanto não os surpreendam em flagrante não poem fazer nada, e Minerva está se fazendo de surda e não os vigiou como eu esperaria.
- Ela me odeia. - Disse, com certo pesar em minha voz, que tentei dissimular arrastando as palavras. - Desde que entrei na Grifinória.
- Ela não te odeia. E é por isso que estamos falando sobre o tema. Quando o Chapéu Seletor te colocou na Grifinória, alarmes dispararam na cabeça do velho, pensou que Lucius tinha te mandado com algum plano especial para a escola.
- Lucius? Alguma coisa como matar a Potter? O precioso Menino-que-viveu? - Disse, furioso.
- Não se exalte, não acho que tenha pensando que ia precisamente matá-lo, mas sim espioná-lo e descobrir pontos fracos, vá-se saber. No banquete de boas-vindas, insistiu tanto que voltou Minerva contra você, mas ela mudou de opinião e até teve suas pequenas brigas com o velho.
- Sério? - O olhei, assombrado.
- Assim é, tanto que deixou de te vigiar e disse que você é um digno representante de sua casa e fez vista grossa com as duas escapadas que Dumbledore contou. Me atreveria a dizer que até começou a gostar de você.
- Não posso acreditar.
- Mas é verdade, e agora, te direi porque estou falando disso. - O olhei quando se levantou do sofá e deixou cair no tapete em frente a mim. - Acho, Dragão, que o melhor para todos é que não fique amigo de Potter.
Senti como meu coração batia furiosamente no meu peito, mas consegui dominar qualquer gesto que delatasse minha agitação.
- Não quero ser seu amigo. - Menti, descaradamente. - Mas, não entendo porque seria ruim que fosse. Por acaso, você também acredita que não sou digno dele? Que é superior a mim?
Severus me olhou atônito por um momento e logo, franziu o cenho.
- Não diga estupidezes, Draco Malfoy. - Me disse, com a voz rouca de raiva. - Se Potter tivesse a sorte de que você fosse seu amigo seria um homem afortunado e deveria estar agradecido por isso o resto da vida. O assunto não é tão simples, se Potter e você ficassem muito íntimos colocariam traria muita atenção para você.
Acho que entendi de imediato o ponto de Severus, então abaixei a cabeça e suspirei com desalento. Jamais deixariam que meu pai ou eu esquecessémos que ele foi um comensal, agora entendia melhor porque Lucius voltou imediatamente com o Lorde quando ele regressou. Severus não podia saber o que se passava pela minha cabeça, assim que continuou falando:
- Falamos disso o outro dia, se lembra? As pessoas não esquecem que Lucius foi um comensal e amais te escondemos que sabemos que um dia ele vai voltar. Seu nome sempre vai ser associado a isso, e muitos questionarão sua amizade, pensariam que se aproxima com segundas intenções. E, por outro lado, o Lorde e os demais esperariam te usar para chegar a Potter, e de verdade, não quero te ver metido nesse mundo, Draco. Não sabe as atrocidades que o Lorde pode fazer. - Segurou meu queixo e me fez olhá-lo. - Seu pai e eu estamos presos, e não queremos que você passe por coisas que te destruiriam.
Estretei os olhos por um momento, e me perguntei se Severus falava do mesmo que eu temia. Por acaso Severus tinha passado pelo mesmo que eu? Porque vi muito medo e dor no seu olhar.
- Que coisas, Sev? - Perguntou, com temor dissimulado de inocência.
- Você é muito pequeno para saber agora, Dragão. São coisas que não entenderia.
Me custou tragar o nó que se fez na minha garganta e a tremenda vontade de chorar que me tinham feito respirar agitadamente, então me abracei a ele com força, escondendo o rosto em seu peito.
- Te amo, Sev.
- Eu sei, pequeno. E quero que saiba que Lucius e eu estamos procurando uma forma de te manter a margem de tudo. Sei que isso é difícil de entender, mas Lucius já não acredita em todas as estupidezes dos comensais que ele tanto fala na frente dos outros sangue puro, mas não tem saída, porque os do lado da luz tão pouco o ajudariam.
Tive que me conter muito e ainda precisei de todo meu treinamento de comensal para não começar a chorar, era uma mistura estranha de medo e de pena por Severus e por mim, e de alegria por saber que Lucius tinha tentado me proteger sempre. Talvez nem sequer tivesse sabido do dia que iam me levar com o Lorde pela primeira vez.
- Seu pai pode parecer duro, Draco, mas te ama muito e não sei o que aconteceu, mas o noto diferente, até está vivo depois que contei que você jogaria pelos leões. - Tentou brincar, enquanto acariciava meu cabelo.
- Severus, o que tenho que fazer? - Perguntei, sem me afastar de seu peito.
- Ai, Dragão, isso é tão difícil, lamento que tenha que carregar um peso desses tão novo, mas a verdade é que eu prefiro que mantenha distância de Potter e seus amigos. - Logo bufou sonoramente. - Não posso fazer isso. - Disse, me afastando dele para me olhar nos olhos. - O velho quer que você se afaste de Potter para mantê-lo seguro, mas se isso for muito, só mande tudo a merda, você so tem onze anos e merece se divertir, não quero que se converta em mim, certo? Já terá tempo de sobra quando seja mais velho para fingir uma briga e se desligar dele fingindo que amadureceram. Paroveita, Dragão, não quero que você cresça com o coração cheio de rancor e tome más decisões no futuro.
- Potter, nunca demonstrou ter interesse em ser meu amigo, Severus - Disse, quase com desalento. - E se nos envolvemos em alguma travessura é só porque as circustâncias facilitaram, mas às vezes me divirto com eles.
- Então, siga fazendo isso. - Severus declarou. - Quero que você seja feliz aconteça o que acontecer.
Houve um longo momento de silêncio cômodo em que não fizeram falta mais palavras entre nós. Eu sabia que poderia contar com Severus fizesse o que fizesse, e me aliviava não ter que estar mentindo. Ao menos por um tempo viveria as coisas como acontecessem, depois teria tempo para solucionar tudo, quando o Lorde chegasse, por enquanto tinha três anos adiante para ser uma criança, ao menos na escola.
- Sev, tenho um segredo para compartilhar com você. - Disse, tirando o lenço com a roupa encolhida nele. O vi levantar una sobrancelha e me olhar, intrigado.
- O que é isso.
- Então... umas compras que fiz no Beco Diagonal, é roupa trouxa. - Sorri com inocência e com um olhar divertido, ele deixou de franzir o cenho.
- Merlin bendito, se Lucius fica sabendo disso. - Mas seus olhos brilhantes delatavam diversão. - Onde trancou meu afilhado, impostor? - Fingiu um tom de pânico, levando as mãos ao peito, e logo lançou o feitiço para voltar as roupas ao tamanho real. - Você comprou a loja toda?
O loiro riu.
X~x~X
Quando as férias começaram, vi como Weasley e Potter disfrutavam de seu tempo livre, uma ou outra vez me incluíam em uma conversa trivial, mas a maior parte do tempo, passava deitado no tapete, lendo os livros que mais tinha gostado da biblioteca.
Tenho que reconhecer que me sentia sozinho, sentia falta dos sonserinos em alguns momentos, ainda que agora os visse de maneira diferente, mas ao menos eles nunca me excluíram.
O que mais me divertia em segredo, mas que fingia muito bem não prestar atenção, era quando ficavam comendo tudo o que podiam espetar com o garfo, torradas, pães, donuts, marshmallows, e planejavam maneiras de fazer com que Zabini fosse expulso, muito divertidas, mas impossíveis de levar a cabo. Sempre me serviam da comida deles, mas poucas vezes me incluíam nesses planos.
Acho que o que colocava mais distância era Potter, ainda que não se comportasse de maneira fria ou desdenhosa. Simplesmente não me via, e ainda que isso doesse, devo reconhecer que o tempo de solidão me serviu para ser o melhor aluno da escola, inclusive superando a Granger, coisa que não parecia fazer-lhe muita graça, mas me deixava muito feliz, porque meu pai nunca enviou uma carta me ameçando com as penas do inferno, mas sim o contrário, dizendo como estava orgulhoso por minhas notas... ainda que não mencionasse nada do resto e isso me deixava nervoso.
Weasley também começou a ensinar a Potter como jogar xadrez mágico. Era igual aos dos trouxas, salvo que as peças estavam vivas, o que fazia com que fosse como dirigir um exército em uma batalha. O jogo de Weasley era muito antigo, e estava gasto. Como tudo o que ele tinha, já tinha sido de alguém de sua família, nesse caso, tinha sido de seu avô. No entanto, as peças de xadrez velhas não eram uma desvantagem, Ron as conhecia tão bem que nunca tinha problemas em fazê-las obedecer exatamente do jeito que queria.
Potter jogou com o xadrez com Seamus Finnegan tinha lhe emprestado, e as peças não confiavam nele. Ele ainda não era um bom jogador, e as peças davam conselhos diferentes e o confundiam, dizendo, por exemplo: "Não me mande. Não está vendo o cavalo? Mova a ele, podemos permitir essa perda".
Algumas vezes Weasley me convidou a jogar com ele, mas deixou de fazer quando viu que não podia me vencer, mas não me importou muito, o ruivo era excelente jogador e era o campeão dos leões, e simplesmente não lutei por ficar com o título, quanto menos chamasse a atenção, melhor.
X~x~X
Na véspera de Natal, me custou muito dormir, tinha muita vontade de estar em casa, se não fosse porque tinha medo de que meu pai me castigasse por estar na casa errada, e mais ainda fazendo-os ganhar pontos. Disse a mim mesmo que não deveria pensar nisso, mas descansar, amanhã passaria a tarde com Severus e ele nunca tinha gostado de me ver com olheiras.
Apenas senti que os leões dormiam, levitei do meu baú dois pacotes e os coloquei aos pés da cama de Weasley e Potter, não é que fossem grande coisa, sequer coloquei cartão, esperava que o de Granger chegasse também.
Me dei mais algumas voltas na cama, pensando que era um idiota, para os leões não significava nada, mas também me deu por pensar que sem Potter ou Granger não estaria ali, ao final, vencido pelo sono, dormi.
X~x~X
No dia seguinte, acordei com os gritos de Potter tentando acordar Weasley, parecendo surpreso por ter presentes.
- Feliz Natal! - O saudou, mei adormecido Wrasley, enquanto Potter saltava da cama e colocava o roupão.
- Para você também. - Harry respondeu. - Olhe isso! Me mandaram presentes.
- O que você esperava, nabos? - Weasley disse, virando-se para seus próprios pacotes, que eram mais numerosos que os de Potter. - Bom dia, Malfoy, feliz natal. - Disse, ao notar que eu tinha aberto as cortinas.
- Bom dia, Weasley, Potter, feliz natal. - Disse, enquanto me levantava e via o monte de pacotes que estava aos pés da minha cama e me senti envergonhado ao notar que eram muitos em comparação aos dos leões.
- Bom dia, Fúria loira. - Potter soltou, rindo e me indicando um pacote desastroso com um grande cartão que levava meu apelido escrito. - Feliz natal, e tenha cuidado com isso, com certeza é do Hagrid. - Soltou, virando-se outra vez para Weasley.
O bufido baixinho de Potter me chamou a atenção e o vi mover entre os dedos uma espécie de moeda.
- Que atencioso. - Comentou Potter, e pela forma sarcástica que disse, supus que era algo enviado pelos trouxas, e que não devia ter grande valor, sequer sentimental.
Weasley ao contrário, parecia fascinado com aquela coisa.
- Que estranho! - Disse. - Que formato! Isso é dinheiro?
- Pode ficar com ela. - Potter disse, rindo ante o prazer de Weasley e me confirmando que aquilo não era mais do que uma buginganga. - Hagrid, meus tios, quem me mandou esse? - Levantei a cabeça rápido, mas não era o meu.
- Acho que sei de quem é esse. - Ron disse, corado e apontando para o pacote disforme. - Minha mãe. Eu disse que você achava que ninguém ia te dar nada e... Oh, não. - Grunhiu. - Ela te fez um suéter Weasley... e acho que para você também, Malfoy.
Arregalei os olhos como pratos e me deslizei até os pés da cama, assombrado e pegando o pacote igual ao de Potter. O abri e me encontrei com um suéter azul cor do céu, com um dragão no peito. Pisquei emocionado, para meu pesar, não é que fosse o mais elegante do mundo, mas ela o tinha feito. Olhei para Potter, que abria o dele, enquanto Weasley dizia:
- Ai está o motivo de ter me perguntado a cor dos seus olhos, Malfoy. - Murmurou o ruivo, envergonhado.
- Eu gostei. - Disse, para logo em seguida vesti-lo em cima do pijama, vendo como Weasley corava ainda mais.
Potter abriu o pacote dele quando tirou os olhos do meu suéter, e encontrou um tecido a mão, grosso e de cor verde esmeralda, e com uma grande caixa de bolo de chocolate caseiro.
- Todo ano no faz un suéter. - Ron disse, abrindo seu pacote. - O meu sempre é vermelho escuro. - Disse, com pesar.
- É muito amável da parte da sua mãe. - Harry disse, experimentando o bolo, que era delicioso, me deixou um pedaço sobre minha mesinha de noite e o agradeci com um gesto.
O presente seguinte de Potter também era guloseimas, uma grande caixa de rãs de chocolate, da parte de Hermione, que me deu um livro sobre o uso de sangue de dragão, esperava que o presente dela também agradasse.
- Olhe, aqui tem um sem cartão. - O moreno disse, abrindo rapidamente o pacote e olhando o jeans e a camiseta com assombro. - Quem terá enviado? Você tem um igual, Ron.
O ruivo abriu apressamente também, e deixou sair uma exclamação de júbilo.
- Diabos, faz muito tempo que eu não tinha nada novo. - O ruivo disse, contemplando as duas peças, enquanto eu fingia mexer entre os meus presentes, tentando não corar, e foi quando achei uma caixinha pequena com um laço cinza formando uma rosa. A peguei entre minhas mãos e a abri com cuidado, pois não tinha cartão, era um anel de outro com a figura de uma fênix com as asas estendidas.
A princípio me deixou desconcertado, até que vi no fundo da caixinha duas letras entrelaçadas: HP. Ohei para o moreno que nesse momento abria o último de seus presentes, a mensagem era clara, só me perguntava onde ele estava agora. Levantei-me e fui até a janela e comtemplei os jardins tentando encontrar sua figura, mesmo sabendo que não o encontraria.
Comtemplei de novo o anel, se a minha interpretação estava correta, significava que eu estava renascendo das minhas cinzas, só era uma recordação para que continuasse fazendo isso. O coloquei em seguida no dedo, em contraste com o anel da minha família não parecia nada valioso, mas para mim significava muito, senti como as lágrimas escorriam pelas minhas bochechas, então peguei a caixa de chocolates, a coloquei no bolso e sai do quarto sem olhar para os dois leões.
Encaminhei-me até o coruja, correndo o mais rápido que podia, olhando por todos os lados, se só pudesse vê-lo uma vez e me colocar entre seus braços, sentiria que tudo estava bem, sequer me importaria que ele já tivesse vinte e três anos e eu só onze, mas, logicamente, não o vi. Jogar com o tempo era muito perigoso, sequer sei como tinham feito para que eu voltasse e não encontrasse a mim mesmo aqui, por isso estava seguro que Potter já tinha voltado a sua época.
Me deslizei até a janela do corujal respirando fundo para recuperar o fôlego, senti umas bicadas carinhosas na minha mão e vi a coruja de Potter, que me olhava como se perguntasse algo.
- Não tenho nada para te dar agora. - Ela voltou a me bicar e extendeu as asas. - Eu gostaria de vê-lo só mais uma vez, só uma, com esse sorriso que me deu na enfermaria de Azkaban. - Logo sorri. - Ainda pensa em mim.
X~x~X
Não voltei a ver os leões até a hora do almoço, me surpreendeu gratamente vê-los vestidos com a roupa que tinha dado e os sueteres Weasley, eu também usava o meu. Percy e os gêmeos me dera uma olhada e murmuraram entre eles, mas só Fred Weasley fez um comentário:
- São quentinhos, verdade?
- Com certeza, espero que nos os incomode que tenha mandado uma caixa de chocolate para sua mãe para agradecer. - Os ruivos se olharam uns aos outros assombrados durante um segundo, mas logo sorriram, Ron Weasley se virou para mim.
- Sinto muito, é culpa minha, quando escrevi para casa comentei o que Zabini tinha dito. Não pensei que ela levaria a sério, não tem que usá-lo, não é como os elegantes que você usa.
- Eu gosto. - Disse, e por sorte a comida apareceu na mesa e se esqueceram do tema.
Uma centena de perus assados, montanhas de batatas cozidas e assadas, ervilhas com manteiga, recipientes de prata com um molho delicioso e molho de amoras. Muitos ovos surpresas estavam distribuídos por todas as mesas. Esses ovos fantásticos não tinham nada a ver com os artigos que os trouxas compravam, nem com os brinquedos de plásticos e gorrinhos de papel. Potter jogou um no chão e não só estourrou com um "pum", mas também explodiu como uma bombinha e os envolveu numa nuvem azul, enquanto do interior saíam um quepe de almirante e vários ratos brancos vivos. Na mesa alta, Dumbledore tinha substituído seu chapéu de mago por um boné floreado e ria de uma piada do professor Flitwick.
Depois dos perus vieram os pudins de natal flamejantes. Percy Weasley quase quebrou um dente ao morder um sickle de prata que estava no pedaço que pegou. Potter observava Hagrid, que cada vez ficava mais vermelho e bebia mais vinho, até que finalmente beijou a professora McGonagall na bochecha, e para surpresa de todos, ela corou e riu, com o chapéu meio torto.
Quando finalmente nos levantamos da mesa, Potter estava cheio de coisas das surpresas de natal, que incluíam balões luminosos que não explodiam, um jogo de Faça Crescer Suas Próprias Verrugas e peças novas de xadrez. Draco sorriu discretamente e também levou suas coisas, seguindo para a sala comum.
Potter e os Weasley me convidaram e passamos uma noite divertida, com batalha de bolas de neve no parque. Mais tarde, úmidos, com frio e ofegantes, voltamos para a sala comum da Grifinória para nos sentar ao lado do fogo, e aproveitei para abrir meus outros presentes.
Ali, Potter estreiou seu novo xadrez e perdeu espetacularmente para Ron Weasley. Mas, suspeito que não teria perdido daquela maneira, se Percy não tivesse tentado ajudá-lo tanto. Depois de um chá com sanduíches de peru, pudim e bolo de natal, todos nos sentimos tão cheios e sonolentos que não pudemos fazer nada além de ir dormir, mas, permanecemos sentados olhando como Percy Weasley perseguia Fres y George por toda a torre porque eles tinham roubado seu distintivo de prefeito.
Ainda que eu sentisse muita saudades dos meus pais, disse a mim mesmo que tinha passado um dia mais do que feliz, dadas as circunstâncias. Brinquei com o anel por alguns minutos até que Potter e Weasley desviaram o olhar para mim.
- Esse anel é novo? - Perguntou o caçula dos ruivos e eu assenti. - Foram seus pais que te deram? Não parece tão valioso quanto o outro que usa.
- Pode ser. - Disse, sem olhá-los. - Mas, o valor das coisas vai além do preço que podem custar. - Me levantei sem olhar para Potter e fui para nosso quarto para um banho rápido antes, e antes de me dar conta, dormi, sonhando com uma fêniz voando para duas esmeraldas que me olhavam de longe.
- Você podia ter me acordado. - Weasley disse, mal humorado, então os olhei de soslaio e comecei a prestar atenção sobre o que falavam.
- Você pode vir hoje a noite. Eu vou voltar, quero te mostrar esse espelho.
Do que estavam falando? Esqueci-me de toda a prudência e me inclinei um pouco para eles, vi que Potter tinha se dado conta, mas seguiu falando.
- Eu gostaria de ver seu pai e sua mãe. - Disse o ruivo, com interesse.
- Eu eu quero ver toda a sua família, todos os Weasley. Vai poder me mostrar todos os outros irmãos e o resto da família.
- Vai poder vê-los o quanto quiser. - Weasley disse. - Venha a minha casa no verão, de todos os modos, talvez só mostre gente morta. Mas, que pena que não encontrou o Flamel. Não quer bacon ou outra coisa? Por que não está comendo nada?
- Não estou com fome. - Potter murmurou e me inclinei ainda mais até eles e perguntei num sussurro:
- De que espelho estão falando?
- Meta-se com seus assuntos. - O ruivo me disse, sobresaltado, mas Potter interveio antes que eu respondesse;
- Não posso te explicar agora, mas se vier essa noite, te mostrarei.
- Merlin, vou me meter em encrenca, não é?
Potter deu de ombros e ao final tomou um pouco de comida, ocupando a boca, não sei se me pareceu ou não, mas acho que o vi esboçar um sorriso.
X~x~X
Potter nos levou por um sem fim de corredores aquela noite, nos levava debaixo de uma capa de invisibilidade, que segundo me disse, tinha herdado de seu pai. Eu já tinha visto essa capa, mas não sabia que Potter a tinha tido desde o primeiro ano. Mas, o medo me invadia, se Severus nos pegasse fora da cama a essas horas seria o fim das tardes em seu escritório, e isso eu não queria nem pensar. De repente, escutei o ruivo exclamar:
- Estou congelado. - Queixou-se Weasley. - Vamos esquecer isso e voltar.
- Não! - Sussurrou Potter de volta. - Sei que está por aqui.
- Vamos ser castigados até nossa formatura. - Murmurei.
- Já quase chegamos, parem de reclamar. - Potter soltou, de mau humor.
X~x~X
Potter finalmente abriu uma porta. O menino deixou cair a capa de seus ombros e correu para o espelho.
- Estão vendo? - Murmurou Potter.
- Não posso ver nada.
- Olhe! Olhem todos eles, são muitos.
- Só posso ver você.
- Mas, olhe bem, vamos, aqui, fique onde estou.
Eu tinha ficado quase na porta, não sei o motivo, mas tinha um mau pressentimento, então caminhei até uma mesa e me sentei, dobrando a capa no meu colo, escutando atentamento os dois leões.
- Olhe para mim! - Weasley disse, e me perguntei o que estaria vendo, Potter tinha me explicado que via seus pais com ele, o que Weasley veria?
- Pode ver toda a sua família? - Potter perguntou.
- Não, só estou eu, mas diferente, mais velho... e sou prefeito!
- Tenho o distintivo como Bill e estou levantando a Taça das Copa de quadribol e a das Casas! E também sou capitão do time!
Weasley tirou os olhos daquela imagem que via nesse espelho estranho e se virou para Potter.
- Acha que esse espelho mostra o futuro?
- Como poderia ser? Se toda a minha família está morta. - Deixe-me olhar de novo.
- Você já olhou a noite toda, deixe-me um pouco mais.
- Mas se você está segurando a Taça de Quadribol, o que tem de interessante? Quero ver meus pais.
- Não me empurre.
Eu me divertia vendo como se empurravam um ao outro, ainda que Potter parecesse mais divertido que chateado, até que se voltou para mim e o ruivo também cravou o olhar em mim ao escutar o moreno:
- Vem, Malfoy, olhe no espelho e nos diga o que está vendo.
Assenti em silêncio e me aproximei do espelho, na parte de cima figuravam umas letras formando uma frase "Oesed lenoz aro cut edon isara cut se onots". Draco ficou olhando essa frase até entendeu o sentindo: "não mostro seu rosto, mas o desejo de seu coração", por fim, Draco se atreveu a olhar o espelho.
Draco se contemplou a si mesmo abraçado por Harry Potter, tal como o viu pela última vez na cela de Azkaban, e a seus pais de pé, um de cada lado deles, enquanto Lucius tinha uma mão em seu ombro e Narcissa sorria charmosamente de braços dados com o moreno.
Imediatamente Draco deu alguns passos para trás, impactado, e se desiquilibrou. Harry o ajudou a se segurar, enquanto perguntava baixinho:
- O que você viu, Malfoy?
Um súbito ruído no corredor salvou a Draco de dar explicações, se desvencilhou do agarre do moreno e empurrou a capa em seu peito de maneira um pouco rude.
- Rápido! - Potter disse, e os três meninos se meteram debaixo da capa justo quando os olhos luminosos da Senhora Norris apareceram na porta. Acreditei que era nosso fim, estaria castigado para sempre. Depois do que pareceu um eternidade, a gata deu meia volta e foi embora.
- Será que foi embora? - Perguntei o mais baixo que pude.
- Não estamos seguros, pode ter ido buscar Filch, certamente nos ouviu. Vamos.
Quando chegamos a sala comum, evitei as perguntas dos dois leões e me meti rapidamene na minha cama. Corri as cortinas e afoguei meu choro no travesseiro, o que tinha visto no espelho tinha me deixado muito triste. Não achava que estava nem perto de conseguir aquilo alguma vez, muito menos salvar os meu pais e estar com eles e Potter.
