Capítulo 6 – Os melhores planos

– Meu Lord – curvou-se Lucius – Notícias do herói Harry?

– Ainda não, Lucius.

A resposta do Lord era bem diferente do estado de espírito anterior. Com um ar relaxado e confiante, ele acariciava Nagini. A cobra se derretia, lânguida, sibilando suavemente.

– Se me permite, meu Lord, o garoto parece muito jovem. Ele talvez não consiga cumprir a missão. E quando ele descobrir que não há princesa?

– Eu quero Severus de volta, e o garoto vai me trazê-lo de volta. Se Severus quiser, eu até darei o rapaz de presente para ele.

– Mas meu Lord, por que essa obsessão com Severus? Devemos considerá-lo perdido! Ele daria a própria vida para servi-lo.

– Ele tem a missão de espionar Dumbledore para mim. Mas eu receio que, se não estiver a meu lado, Severus possa se impressionar com a mensagem de Dumbledore.

– Traidor? Severus? – Bellatrix estava escandalizada. – Meu Lord, ele o admira!

– Porque eu fiz com que ele só enxergue em mim uma fonte de aceitação. Mas Dumbledore é perigoso. Com essa mania de falar em amor e alegria, compaixão e altruísmo, esse velho decrépito pode fazer Severus criar ilusões de que poderá encontrar quem o ame, quem o queira.

Lucius, Bellatrix e o marido caíram na gargalhada. A idéia de Severus ter alguém que o amasse era tão ridícula que chegava a ser cômica.

– Por isso Severus não pode conhecer carinho a não ser pela minha mão. Não posso me arriscar a perder um servo tão leal.

– Mas meu Lord, por que deixou que Dumbledore o levasse? Poderíamos ter detido aqueles enviados ridículos dele. Eles tinham tanta luz que não conseguiam se esconder em qualquer lugar.

– Seu idiota! Homem de pouca fé! Crucio!

Os outros dois deram um passo atrás para Lucius cair desimpedido e tremer à vontade sob a maldição do Lord das Trevas.

– Eu tenho um plano, é claro...

– Um plano?

– Sim. Na melhor das hipóteses, o garoto mata Dumbledore e é morto. Severus escapa e o caminho está livre para a nossa ascensão. Outra hipótese é o garoto matar Dumbledore e escapar. Nesse caso, se Severus o quiser, ele pode ficar com ele. O mais provável, porém, é o garoto ser detido antes de matar Dumbledore. Em todos os casos, a confusão pode servir de distração para Severus escapar.

– E Weasley?

– Quem?

– O ruivo. E quanto a ele?

– A essa altura, eu ficaria espantado se ele ainda estivesse vivo.

O marido de Bellatrix, o grandalhão Rudolphus Lestrange, que sempre tinha sido um tanto lento para entender as coisas, indagou:

– Mas, Mestre, eu não entendo por que chamar Severus de Princesa Severina.

– Bom, eu precisava ludibriar o garoto, não é? E jovens heróis ingênuos em geral não ficam atraídos por Mestres de Poções balzaquianos. Além do mais, se o garoto pedir com jeitinho, Severus pode virar Severina para ele...

Os outros dois se riram a valer, mas Rudolphus não entendeu a piada. De qualquer forma, Rudolphus raramente entendia as coisas.

O que importava é que Lord Voldemort tinha tudo sob controle. Os planos do Lord estavam delineados, e ele achava que tinha tudo esquematizado.

Seria melhor, porém, que o Lord tivesse combinado seus planos com Harry e os demais. O dia estava amanhecendo e Ron e Severus, ainda escondidos nos jardins do palácio de Dumbledore, procuravam escapar. Harry, por sua vez, ainda meditava sobre verdade, lealdade, certo e errado. Meditar não era uma coisa à qual Harry estivesse acostumado, portanto ele logo se entediou com aquilo e desejou que Ron estivesse de volta.

Ele deixou o templo, frustrado, vendo o clarão do Sol começar a apagar as estrelas. Queria estar com Ron, mas talvez sozinho ele pensasse melhor, suspirou, melancólico, enfiando as mãos nos bolsos.

Lá ele encontrou a varinha e a gaita encantada. Harry já tinha se esquecido dos presentes do Lord Voldemort. Ele olhou a varinha, tentando imaginar que mágica ele poderia fazer para trazer Ron e a princesa. Sem tomar uma decisão sobre mágica, o jovem achou melhor usar a gaita encantada. Mesmo sem saber qual era o encanto do instrumento, Harry achou que essa era a melhor maneira de chamar Ron.

Sem pensar nas conseqüências do que fazia, Harry tocou a gaita de boca, o mais alto que podia.

Claro que ele não fazia idéia de que, se Ron podia ouvir o som, outras pessoas também podiam.

Próximo capítulo: Ron e Severus empreendem a fuga