Mais um capítulo e peço para vocês mais uma vez que deixem reviews, por favor, sou uma boa pessoa T.T snif bua. Preciso saber se minha história está sendo lida e se vocês estão gostando.

Eu também achava que deixar review fosse idiota, até começar a escrever ..huahua

Este capítulo possui muitas falas e partes do último capítulo do Deathly Hallows (Relíquias da Morte), por isso, qualquer coincidência já sabem porque, é coisa da tia J.K. :D


Capítulo 4- Descobertas


Hermione rumava para o Grande Salão, tentando retirar de sua mente os pensamentos que giravam em torno de Severus Snape. Seria errado estar feliz em meio à guerra? Seria errado estar feliz por quase ter traído Ron? Sim, era isso que ela havia feito. Ela esperou tanto tempo para que ele se apaixonasse por ela, esperou tanto para ter certeza e quando ele finalmente se apaixona por ela, numa grande ironia do destino, ela se vê tendo sentimentos pelo Mestre de Poções.

-Brilhante Mione, brilhante!—ela pensou—mas ninguém mandou o Ron ser tão lerdo.

-MIONE!! POR ONDE VOCÊ ANDOU??TE PROCUREI POR TODO CANTO!—era Rony, correndo em direção a ela

- RON!!—Hermione gritou feliz, agora se dando conta de que já havia chegado ao Salão Principal.

Rony a abraçou e por trás dele ela pôde ver todos os corpos que haviam sido juntados no Salão Principal. Ela sentiu seu estômago subir até a boca e voltar repetidamente.Ela podia ver Neville, Gina e Luna, vivos, mas tantos outros mortos. Ela enxergou um borrão de rosa-chiclete, os cabelos da Tonks, tanto ela quanto Lupin deitados inertes e não pôde conter suas lágrimas, nem quis tentar ver quem eram os outros. Já não bastava Fred, Moody...

- Onde está Harry???—perguntou ela se dando conta que ele não estava ali.-Por Merlin que ele não esteja entre aqueles corpos—ela pensou

- É isso que eu precisava te falar—disse Rony suspirando sério—eu fui atrás dele, mas acabei parando pra ajudar a retirar os corpos. Achei que ele fosse voltar, depois que visse as memórias do Snape, mas ele estava demorando e quando eu pude ir procurá-lo, ele já não estava mais na sala do Dumbledore, quer dizer do Snape, quer dizer, agora sei lá de quem que é a sala. Enfim, quando eu cheguei lá, vi que o Harry tinha deixado as memórias do Snape lá, do lado da penseira e... meio que resolvi dar uma olhada nelas, afinal, o homem está morto, acho que ele não iria ligar.

Com isso Hermione deu um sorrisinho sem-graça, mas algo dentro dela estava quase gritando e estapeando Rony, pra que ele falasse logo o que continha nas memórias.

-Mione, Snape é inocente—disse ele levemente arrependido

-Uhm—disse ela ansiosa gesticulando para ele continuar.

-Nossa, você poderia fingir que estava surpresa pelo menos, sabe, ele era apaixonado pela mãe do Harry, bem, pelo que parece, ele foi até a morte. Por isso que ele protegia Harry e por isso que ele mudou de lado. Ah, e a morte do Dumbledore foi planejada pelo próprio Dumbledore.—disse ele numa tentativa de impressioná-la

Foi como se o teto do Salão Principal houvesse desabado na cabeça de Hermione. Então era isso? Ele amava Lílian, sempre amou. Ela sempre se perguntou se havia algum motivo específico por Snape salvar a vida do Harry de novo e de novo sem nem ao menos gostar do garoto, mas agora estava tudo explicado. O caminho estava fechado para ela.

-Mione, você ta bem?Mas enfim, não é sobre isso que eu queria falar Mione. Nas memórias dele, também havia conversas entre ele e Dumbledore. Numa das últimas memórias, Dumbledore disse ao Snape que... que Harry... Harry era a última Horcrux.—disse ele engolindo seco.

- O QUÊ????!!!!—Hermione gritou—O QUE ISSO SIGNIFICA??—ela sabia a resposta

-Significa que Harry... teria de...—o rosto dele ficou sombrio—teria de se deixar ser mor...

- Não... não é possível!Não... Ron!!NÃO DIGA ISSO! Como você pode aceitar isso? Cadê o Harry? Cadê ele????— ela estava desesperada tentando avistar Harry em algum lugar no Salão.

- Mione, quando eu cheguei lá, o Harry já tinha ido—disse ele olhando pra baixo—eu acho que... eu... eu quero ter esperanças, eu te entendo Mione, mas... eu acho que... eu acho...

Ela se sentia desolada, em menos de 2 minutos havia recebido 2 notícias horríveis. Só poderia ter sido pior se Ron não estivesse lá. Ela podia não estar mais exatamente apaixonada por ele, mas não poderia negar que ele era um de seus melhores amigos. Então ela se lembrou, das palavras de seu ex-Mestre de Poções: "e a Srta poderá encontrar seus amiguinhos. Bem, quer dizer, um deles". Ela caiu de joelhos no chão, chorando e se abraçando como se estivesse com frio. Ele sabia, ele sabia e foi capaz de dizer aquilo. Não contou pra ela, não a deixou tentar impedir, ele mesmo não tentou impedir. Ela deu um soco no chão, enquanto Rony se abaixava para abraçá-la.

-Se ele protegia o Harry pela Lílian, porque ele não o protegeu agora?—disse ela chorando.

-Quem, Snape? Ele está morto Mione, por isso. Mas acho que mesmo que ele estivesse vivo, Dumbledore e ele tramaram tudo para que a guerra tivesse um fim.. e ... por mais que eu odeie dizer isso—disse ele entre lágrimas—acho que era o único meio...

-Isso significa... significa então que Voldemort agora pode ser morto? Se, SE Harry morreu... então agora falta pouco pra acabar né—constatou ela triste, mas Rony não teve tempo para responder, pois logo eles ouviram uma voz de cobra ecoar por todo o Castelo, como se estivesse bem ali ao lado deles.

-HARRY POTTER ESTÁ MORTO! MORREU ENQUANTO FUGIA, ENQUANTO VOCÊS APOSTAVAM SUA VIDA POR ELE. NÓS TROUXEMOS SEU CORPO COMO PROVA QUE SEU HERÓI SE FOI.

Todos estancaram dentro do Salão Principal. Hermione e Rony se entreolharam, ambos receosos, medindo o quanto daquela informação seria verídica. A voz de cobra voltou a soar.

- A BATALHA ESTÁ GANHA.VOCÊS PERDERAM METADE DE SEUS GUERREIROS. O NÚMERO DE MEUS COMENSAIS DA MORTE É MAIOR QUE O DE VOCÊS, E O GAROTO-QUE-SOBREVIVEU ESTÁ MORTO. NÃO HÁ MAIS GUERRA. AQUELE QUE TENTAR RESISTIR, HOMEM, MULHER OU CRIANÇA, SERÁ MASSACRADO ASSIM COMO OS MEMBROS DE SUA FAMÍLIA. SAIAM DO CASTELO, AJOELHEM-SE DIANTE DE MIM E VOCÊS SERÃO POUPADOS. SEUS PAIS E SEUS FILHOS VIVERÃO E SERÃO PERDOADOS E VOCÊ, SE UNIRÁ A MIM NESSE NOVO MUNDO QUE CONSTRUIREMOS JUNTOS.

Agora todos dentro do Castelo se entreolhavam decididos. Algo no discurso de Voldemort fez com que uma coragem sem igual nascesse em todos ali. Estavam preparados para o que quer que tivessem de enfrentar, estavam preparados para a morte se fosse preciso, mas algo na expressão dos que estavam ali dizia que ninguém dentro daquele Salão estaria se ajoelhando diante do Lorde das Trevas esta noite. Ninguém se atreveu a dar um pio, todos começaram a se retirar, um a um seguindo McGonagall, ninguém acreditava que Harry estaria morto, mas cada alma ali sabia que se fosse preciso morreriam lutando e não se humilhando, com ou sem a morte do menino-que-sobreviveu (ou não).

Um a um que ía aparecendo pela porta do saguão de entrada de Hogwarts colocava uma nova expressão no rosto ou soltava um novo grito de choque. Para o que quer que fosse que elesachavam que estavam preparados, com certeza não estavam preparados para isso. Harry, deitado imóvel nos braços de Hagrid, inerte, realmente MORTO.

-NÃO!!—gritou Minerva enquanto os últimos ainda saíam. Bellatrix Lestrange estava aparentemente muito contente com a dor dos que viam a imagem à frente, pois soltava a gargalhada de louca desvairada que todos conheciam. Mas os gritos que estavam por vir eram ainda piores, uma confusão de palavras gritadas por Hermione, Rony, Gina, Neville e Luna. E logo após por toda a multidão.

-NÃO!!!HARRY!!NÃO!NÃO É POSSÍVEL!!HARRYYYY!!!NÃÃÃÃOO!!!

Até que Voldemort com apenas uma palavra fez todos se calarem

-SILÊNCIO!

Hermione olhou em volta desesperada procurando por Snape, queria que ele a dissesse que estava tudo bem, que isso não estava acontecendo, que havia ainda a cartada final, até que num canto escuro do lado do Castelo onde havia a entrada secreta para a masmorra dele, ela o viu. Não houve reconforto de nenhum tipo, pois ele também parecia precisar disso. Ele acenou para ela com a cabeça, apontando alguma coisa... ela procurou o que era e entendimento passou pela sua face... Nagini. Nagini era a última Horcrux, depois disso, era só matar Voldemort e estaria tudo terminado, mas não por enquanto. Ela olhou para Rony, que também estava mirando a cobra com os olhos, ele também sabia o que deveria ser feito. Snape estava somente torcendo para que Hermione não fizesse nenhuma besteira agora, se ela tentasse atacar a cobra tão abertamente, ele seria obrigado a intervir para que Voldemort não a matasse. Se fosse qualquer um outro, ele assistiria e esperaria o melhor momento, mas se fosse ela... Então Voldemort voltou a falar.

-Vocês vêem?—enquanto andava para lá e para cá—Harry Potter está morto! Vocês entendem agora, seus iludidos? Ele não era nada além de um garoto que contava com os outros para sacrificar suas vidas por ele!

- Ele te superou!—gritou Rony, e o silêncio foi quebrado, e os defensores de Hogwarts estavam falando e gritando novamente até que um segundo depois, outra explosão mais forte extinguiu as vozes outra vez.

- Ele foi morto tentando sair dos terrenos do castelo—disse Voldemort, e havia um gosto de mentira em sua voz—morto tentando se salvar.

Então, Neville já ultrajado tentou atacar Voldemort e foi desarmado pelo mesmo. Bellatrix deu uma gargalhada e explicou que aquele era o filho dos aurores, o que estava dando trabalho aos Carrows. Voldemort tentou fazer com que Neville concordasse em se aliar a ele, não por misericórdia, mas porque ele não tinha nada a perder, no entanto a resposta do moço foi negativa, com apoio da aglomeração atrás dele.

Voldemort levantou a mão, chamando por um pássaro disforme, que vinha carregando o Chapéu Seletor. Ele apontou sua varinha para Neville, enquanto explicava que não haveria mais Seleção de Casas em Hogwarts porque agora todos fariam parte de Slytherin e que Longbottom seria o exemplo disso. Então o chapéu pousou na cabeça dele e começou a pegar fogo. Neville não conseguia se mexer e só podia gritar.

Antes que Hermione ou Rony pudessem pensar no que fazer, todos os Comensais da Morte já tinham suas varinhas apontadas para os defensores de Hogwarts, mas então, ouviram um estrondo, como se algo muito pesado estivesse se movendo em direção à eles, quando se viraram para ver o que era, era Grope.

-HAGGER!—o gigante gritou desesperado. Com isso todos os gigantes do lado de Voldemort se dirigiram em direção a ele.

Tudo aconteceu em um segundo, e quando Hermione se deu conta, Neville já tinha sido libertado do feitiço no meio da confusão de flechas de centauros sendo jogadas contra os Comensais. Ela observou Neville retirando de dentro do chapéu algo prata reluzente, a espada de Gryffindor!

Perfeito!A espada tem nela impregnada o veneno de basilisco—ela pensou, enquanto ía em direção a ele para pedir a espada emprestada. Mas não houve tempo, num momento ele estava retirando a espada do chapéu e no outro a cabeça de Nagini estava girando no ar, Voldemort estava gritando de raiva e o corpo da serpente estava no chão. Hermione não pôde deixar de sentir orgulho de Neville, mas então um grito sonoro de Hagrid a fez ter consciência de seu redor.

-HARRY!! HARRY! AONDE ESTÁ O HARRY?!

Hermione olhou e procurou por todos os lados, mas não achou o corpo de Harry, será que ele estava vivo?—ela pensou—Procurou também Snape, mas era impossível que ele ainda estivesse lá, ele seria visto com toda aquela confusão, e se alguém de qualquer dos lados o visse, o matariam. Agora várias criaturas estavam lutando, testrálios e Bicuço ajudavam Grope contra os gigantes, e os centauros avançavam nos Comensais da Morte cada vez mais enquanto os defensores de Hogwarts aproveitavam para lançarem maldições, no entanto, para não serem acertados por "fogo amigo" ou mesmo inimigo foram forçados a entrarem de novo no Castelo. Ao entrar, Hermione olhou cada canto escuro e atrás de um pilar, pôde ver Snape escondido. Ela sorriu para ele, esperando que ele lesse a mente dela naquela hora, para poder dizê-lo que a cobra havia sido morta. A julgar pelo rosto de contentamento dele e pela leve sensação de estar sendo violada, ele entendeu o que ela queria que ele fizesse e o fez.

Snape via Hermione lutando bravamente e não pôde deixar de sentir um pouco de inveja. Ele ficava de olho nela e quando via que alguém estava em perigo, mandava algum feitiço de escudo não-verbal em direção à pessoa ou então algo em direção ao seu agressor, mas não demorou muito para ele perceber que não estava sendo o único, tinha mais alguém oculto por ali, e esse alguém estava do lado deles. Potter—ele pensou, com até mesmo um pouco de esperança. Ele gostaria que ele estivesse vivo, se fosse para ela ficar feliz, ele gostaria. Hermione agora estava correndo para o Salão Principal, junto de Luna Lovegood e Ginevra Weasley, as três seguindo Bellatrix Lestrange... Para ele isso não parecia nada bom, duelar com Bella era algo que ele não desejaria para ninguém, muito menos septanistas e por isso seguiu elas.

Centauros invadiam o Hall de Entrada, várias pessoas de Hogsmeade estavam agora no Castelo, além das famílias e amigos de vários alunos. Até mesmo os elfos domésticos apareceram como uma manada saindo da cozinha. Não demorou muito para os Comensais estarem em minoria.

Snape agora observava as três moças batalhando contra Bellatrix estupefato. Quanta coragem.

-Você matou o Sirius!!—gritou Hermione

- Ora querida, Sirius era MEU primo, se alguém aqui deveria estar triste pela morte dele, esse alguém seria eu—disse ela cínica dando sua risada histérica

- ELE ERA PADRINHO DO HARRY!!—gritaram Hermione e Gina juntas enquanto lançavam uma Cruciatus. Luna ficou boquiaberta e seu olhar desfocado foi indo para o alto acompanhando a silhueta de Bellatrix.

Snape assistiu Bella se sacudir no ar pasma, gritando de dor, estava claro que ela não esperava por isso. Ele percebeu que Bellatrix estava se preparando para lançar uma imperdoável no momento em que ela chegou ao chão, ele sabia qual seria a imperdoável pelo olhar lunático no rosto dela. Rapidamente ele viu que o alvo seria a garota Weasley e num feitiço mudo a tirou do caminho com um leve empurrão. Hermione percebeu o leve movimento de varinha de Snape ao longe, oculto por um pilar e que Gina havia sido atingida por algo que não a maldição de Bellatrix, e se sentiu extremamente grata a ele. Ele a seguiu para dentro do Salão Principal, ele estava cuidando dela (e das pessoas importantes para ela), do jeito que ele disse que faria.

Para o alívio de Snape, Molly Weasley apareceu e se pôs à frente do duelo e mandou que as outras garotas ficassem de fora. As duas discutiram e lançaram maldições, até que Bella disse algo sobre Fred e Molly lançou um Avada Kedavra certeiro logo abaixo de seu braço levantado com a varinha.

Nesse momento, a fúria de Voldemort estava em seu auge e gritando, desferiu uma maldição, que fez McGonagall, Kingsley e Slughorn caírem ao chão. Voldemort levantou sua varinha para Molly Weasley e Snape estava quase intervindo quando um grito ecoou no Salão.

-PROTEGO!—gritou Harry—retirando de si a Capa de Invisibilidade.

Todos gritaram, de choque e de felicidade: "HARRY ESTÁ VIVO!". Aquele havia sido o melhor momento de todo o dia, de todo o ano, provavelmente de todas as suas vidas. O Menino-Que-Sobreviveu só podia ser imortal, mais uma vez havia sobrevivido a Voldemort.

Eu não quero que mais ninguém me ajude!—Harry disse em voz alta, e no silêncio total sua voz foi levada como o barulho de tambores. Snape revirou os olhos—Tem que ser desse jeito. Tem que ser eu—Voldemort assobiou.

—Potter não quer dizer isso—ele disse, seus olhos vermelhos bem abertos.—É assim que funciona, não é mesmo?Quem você vai usar como escudo hoje, Potter?

Os dois se circulavam e ninguém no Salão ousava respirar enquanto se seguia uma longa discussão.

--Fui eu que ordenei a morte de Dumbledore—exclamou Voldemort após um longe tempo de discussão.

—Isso é o que você pensa—disse Harry—mas você está enganado.

Pela primeira vez então a multidão se movimentou confusa e era possível ouvir murmúrios e cochichos. Snape agora estava tenso, ele sabia que logo o assunto seria ele.Maldito Potter—ele pensou—talvez eu mesmo deva matá-lo antes que ele abra mais a boca. Se ele estivesse morto, não haveria problema, ele até gostaria que todos soubessem a história dele, mas ele estava vivo, e seu segredo mais íntimo estava prestes a ser revelado a bruxos, bruxas, centauros, duendes, elfos, hipogrifos e quem quer que quisesse ouvir. Ele não sabia como conseguiria viver depois dessa.

--Dumbledore está morto!—Voldemort gritou

—Sim, ele está—disse Harry—mas Snape era a favor de Dumbledore desde o momento em que você começou a caçar minha mãe. E você nunca percebeu porque era algo que você não poderia entender. Você nunca viu Snape lançar um Patrono, viu Riddle?

Snape levou a mão à testa, estava se sentindo humilhado, tendo seus sentimentos expostos.

—O patrono de Snape era uma corça, o mesmo que o da minha mãe, porque ele a amou por praticamente toda a sua vida, desde que eles eram crianças. Você deveria ter percebido. Ele pediu para você poupar a vida dela, não pediu?

Hermione olhou em direção ao homem envergonhado que ninguém ainda havia dado atenção, ninguém havia percebido que ele era Snape, provavelmente por estar vestindo uma capa que cobria muito de seu rosto. Ela imaginava se depois de tudo isso, ele ainda seria capaz de se apaixonar por outra, ela mais precisamente. Ele arriscou uma olhada na direção dela, se perguntando se agora, o que quer que ela tivesse sentido por ele seria enterrado, se ela estava chocada em saber que ele fora apaixonado pela mãe de seu melhor amigo. Os olhos negros e cor-de-avelã se encontraram, um preocupado com o que o outro par estaria pensando mas, Snape pôde reparar que ela não parecia nem um pouco surpresa com a notícia que ele amava Lílian. Depois da cena dentro da sala de estoque dele, ele esperava pelo menos um pouquinho de ciúmes, mas pelo jeito então, ela não se importava nem um pouco com a "vida amorosa" dele.

—Ele a desejava, isso era tudo, mas quando ela se foi, ele concordou que haveria outra mulher, uma de Puro Sangue, digna para ele—disse Voldemort

— É claro que ele lhe disse isso, mas ele era espião de Dumbledore desde o momento que você a ameaçou, e vinha trabalhando CONTRA você desde então!Dumbledore já estava morrendo quando Snape o matou!

Snape estava constrangido, mas agora estava até gostando de ver Potter o "defendendo", mesmo que ele nunca fosse admitir. Ele observava a multidão exclamando, alguns contentes com a notícia, outros incrédulos. Hermione lançou um sorrisinho de "justiça" para ele e ele não pôde deixar de responder com outro à altura. Hermione se sentiu leve, feliz.

— Não importa se Snape era meu ou de Dumbledore, ou que obstáculos patéticos eles tentaram colocar no meu caminho! Eu os esmaguei como esmaguei sua mãe e o suposto grande amor de Snape! Ah, mas tudo faz sentido, Potter, de maneira que você não entenderia! Dumbledore estava mantendo a Varinha Mestra longe de mim! Ele pretendia que Snape fosse o verdadeiro mestre da varinha! Mas eu a consegui antes que você, a pequena Varinha Mestra, a Varinha da Morte, a Varinha do Destino é MINHA! O último plano de Dumbledore deu errado, Harry Potter!

— O último plano de Dumbledore não saiu pela culatra de jeito nenhum. Saiu pela culatra com você Riddle—disse Harry—A varinha não está funcionando direito para você porque você assassinou a pessoa errada. Severus Snape nunca foi o verdadeiro mestre da Varinha Mestra. Ele nunca derrotou Dumbledore.

—Ele matou—

— Você não estava ouvindo? Snape nunca derrotou Dumbledore! A morte de Dumbledore foi planejada entre eles! Dumbledore pretendia morrer vitorioso, como o último verdadeiro mestre da varinha! Se tudo tivesse saído como ele havia planejado, o poder da varinha teria morrido com ele. Porque ninguém nunca havia ganhado dele!

— Mas então Potter, Dumbledore era tão bom que me deu a varinha—a voz de Voldemort saiu com um quê de malícia— Eu roubei a varinha do túmulo do último mestre! Eu a removi contra o desejo de seu mestre. O Poder é meu!

—A Varinha Mestra reconheceu um novo mestre antes de Dumbledore morrer, alguém que nunca tocou nela. Um novo mestre removeu a varinha de Dumbledore contra seu desejo, não percebendo que o fez, neste mundo a mais perigosa varinha foi totalmente fiel a ele! O verdadeiro mestre da Varinha Mestra era Draco Malfoy!

Isso foi como um baque em Snape, e entendimento passou pela sua face. Hermione o observava e logo entendeu o que ele estava pensando. Dumbledore sabia que Voldemort estava atrás da Varinha Mestra, e sabia também que quando ele "descobrisse" que Snape era o mestre dela, iria matá-lo. Dumbledore o traíra em nome da guerra. Snape se sentia ultrajado, não pelo fato de Dumbledore tê-lo usado dessa maneira, pois ele foi usado na guerra inteira mas, pelo fato de Dumbledore não ter contado que planejava tirar sua vida, planejava que Voldemort o assassinasse e não se deu ao trabalho de esclarecer isso. Ele não se importava em morrer, Dumbledore mais que ninguém deveria saber, ele deixaria que Voldemort o matasse se fosse para o bem da guerra mas, Dumbledore não confiou nele o bastante.

—É tarde demais—continuou Harry—Eu derrotei Draco semanas atrás.

Agora todos estavam em expectativa ouvindo as últimas palavras de Harry e se enchendo de esperança. Hermione preocupada com Snape saiu de onde estava e foi caminhando até ele, rente à parede, quando de repente pôde-se ouvir

Avada Kedavra!

Expelliarmus!

Snape viu a garota e correu de encontro a ela a cobrindo com sua capa negra e a prensando na parede, ficando de costas para Harry e Voldemort numa tentativa de proteção. Hermione corou com o movimento repentino e se agarrou nas vestes dele para não cair com a virada brusca.

— Você ficou louca? Vir numa hora dessas? —ele perguntou aparentemente bravo mas na realidade preocupado. Hermione sorriu

— Desculpe, acho que fiquei com saudades—ela respondeu com ironia

— Garota tola—ele murmurou sorrindo

Os dois ficaram se olhando desta vez num momento mais íntimo que na sala de estoque, Snape com a mão direita entrelaçada nos cabelos de Hermione em sua nuca, que ele depositou lá para não machuca-la quando a prensou contra a parede e com a outra em seu ombro esquerdo. Hermione agarrava as vestes dele nas costas por debaixo da capa com uma mão e repousava sua outra mão no peito dele. Uma das pernas de Severus estava acidentalmente entre as pernas dela, levantando sua saia e tocando levemente sua calcinha, mas nenhum dos dois fez menção de se mover.

Enquanto todos receosos tentavam se proteger, assistiram quando a varinha de Voldemort girou no ar, cuspindo seu feitiço da morte e Harry a apanhou apontando para o Lorde das Trevas. Finalmente Voldemort caiu para trás, braços arqueados, as pupilas vermelhas rolaram para cima, seu corpo espalhado no chão, as mãos brancas vazias. Voldemort estava morto, morto por seu próprio ricochete de feitiço, e Harry ficou com as duas varinhas nas mãos, aonde abaixo jazia o corpo de seu inimigo.

Harry se lembrou da primeira reunião da Armada de Dumbledore, quando um dos alunos disse a ele que nunca iriam derrotar o Lorde das Trevas com um Expelliarmus e sorriu sozinho.

Houve alguns segundos de silêncio, ninguém ousava falar até ter certeza. Então viram que Aquele-Que-Não-Se-Deve-Ser-Nomeado não levantaria. Houve uma explosão de urros, gritos, aplausos e abraços. Todos correram para Harry Potter e ninguém notou quando Hermione se jogou nos braços de Severus. Ele ficou bobo com a demonstração pública de afeto.

—TERMINOU!!Terminou e agora todos sabem que você é inocente!!! —gritou ela contente enquanto o abraçava apertado— Vamos! Temos que mostrar que você está vivo!!!—disse ela o puxando pelo braço.

— Ah, eu não tenho tanta certeza quanto a isso Srta.Granger—disse ele num sorriso enigmático.

— Como assim? Você vai deixar que pensem que você está morto??—indagou ela

— Não. Só não vou deixar que saibam que estou vivo. Bem, pelo menos por enquanto—disse ele irônico—Vá com seus amigos, acredito que o momento agora é do Potter, não quero roubar a atenção.— e levantou a sobrancelha sarcasticamente ao que Hermione riu chacoalhando a cabeça negativamente.

— Posso contar ao Harry e ao Rony que o senhor está vivo?—perguntou ela mais pedindo do que indagando.

— Bem, que mal fará não?—disse ele aparentemente desinteressado depois de ponderar um pouco—É melhor que eles vão se preparando para a notícia oficial mesmo. É sempre um choque maior quando se vê a matéria na primeira folha jornal—disse ele fazendo carranca, já imaginando os dizeres do Profeta Diário e Rita Skeeter escrevendo coisas sem sentido sobre sua pessoa. Hermione riu.

— Eu o verei de novo ...Professor? Quer dizer, o senhor vai continuar sendo Professor né? Vai continuar nas masmorras? Posso visi—matracava ela

— Calma Srta. Granger, acredito que por enquanto só quero um pouco de paz e sossego.—interrompeu ele antes que ela pedisse justamente o que ele queria e fosse obrigado a recusar— Vou estar em minha casa, mas creio que sim, continuarei a lecionar. No momento certo, falarei com McGonagall. Acredito que por enquanto, todos têm muito a digerir... Até mais Srta.Granger.—disse ele se curvando levemente em direção a ela.

—Até, Professor... Nos vemos então. —disse ela enquanto ele se virava nos calcanhares, sua capa esvoaçando no melhor estilo morcegão das masmorras.

—Sim, nos veremos—disse ele com uma certeza na voz que encheu tanto Hermione quanto ele próprio de esperança.

Ele se esquivou pela porta do Salão Principal e sumiu, enquanto todos estavam comemorando e carregando Harry. Todos queriam uma casquinha do garoto-que-sobreviveu. Hermione sorria feliz olhando à sua volta, mas então notou que 3 pessoas isoladas da multidão olhavam dela para onde Snape havia acabado de passar. Era a família Malfoy, os três estavam abraçados um ao outro e tinham feições de quem havia acabado de ver um fantasma. Não era para menos, ela pensou, eles devem ter reconhecido o Snape. Ela também notou, que esta foi a primeira vez que Draco, ou até mesmo Lucius a olharam sem a indiferença e altivez de antes, mas como se ela fosse uma pessoa normal, tanto quanto eles.

Ela sorriu. Tudo estava certo no mundo.


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