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Capítulo 8: Na Casa de Snape
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-O que você veio fazer aqui?—ela perguntou.
- Achei que você saberia, você não é a sabe-tudo?—ele falou sarcástico—Ora, não é óbvio?Vim te buscar, a senhorita vai comigo.—ele mais ordenou que sugeriu.
-Vou... vou com você??—Hermione engasgou assustada—Para sua casa você quer dizer?
-Para onde mais?—Severus falou com uma expressão no rosto que não entregava nenhum tipo de pensamento ou sentimento. Hermione se sentiu desconfortável por um momento.
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-Você aparatou aqui, não?—ela perguntou.
-Sim.
- Por Merlin! E ninguém te viu??? EU não aparatei aqui para não fazer alarde, e você...
-E veja como deu certo—Snape interrompeu a indignação da garota, dirigindo seu olhar de desprezo às corujas e uma sobrancelha levantada a Hermione.
-Bom, isso não é culpa minha, eu lá ía adivinhar que tanta gente ía me escrever?
- Também não é minha culpa, você quem pediu, lembra?—disse ele irônico se divertindo—Hermione, você é uma bruxa, tem que aprender que onde quer que você vá, irá chamar a atenção. Nós não fazemos parte deste mundo, é mais que natural ser notado.
- Isso vindo do homem que aparece em público usando essas vestes.—ela respondeu apontando com os olhos as roupas negras do homem—É lógico que você chama atenção saindo com roupas bruxas por aí!
- Qual o problema com as minhas vestes?—ele falou cruzando os braços e franzindo a testa, observando suas roupas.—Eu acredito que elas são extremamente finas, se esses trouxas não sabem apreciar, então que se danem!—Severus falou revoltado. Hermione riu, ela nunca imaginou Severus Snape como alguém que se importasse com sua aparência ou com o que os outros pensassem, aliás, ela sempre imaginou o contrário disso. Agora, parando para analisar, ela notou que seu senso de estilo, apesar de ser monocromático, era muito elegante, o que indicava sim uma certa preocupação.
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Uma das corujas subiu no ombro de Hermione e bicou seus cabelos.
-Ai, acho melhor eu responder logo essas corujas, ei pára com isso— ela falou pegando mais papel de dentro de uma de suas bolsas e escrevendo uma mensagem.
"Harry, Rony e Molly,
Muito obrigada, mas eu tenho onde ficar, não há problema.Escreverei quando chegar em Sydney. Não precisam se preocupar, sério mesmo, mais uma vez obrigada.
Hermione"
Ela entregou a uma das corujas e despachou a outra dizendo que a amiga dela já estava levando a resposta. A segunda coruja pareceu ultrajada e foi embora esnobe.
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-Preparada senhorita Granger?—perguntou Snape—Venha, vamos para um local seguro—ele a direcionou para um lugar deserto nos arredores do aeroporto.—Segure-se em mim.
- Ok—ela segurou uma mão dele.
- Eu não vou te morder, agora venha mais perto, a não ser que queira que metade de você fique para trás—ele disse irritado a puxando num abraço e fechando os olhos. Hermione o imitou, sentindo o tecido aveludado de seu sobretudo.
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"CRACK"
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Hermione sentiu que estava no meio de um grande redemoinho, desaparatação conjunta parecia causar uma sensação bem pior que a normal. Quando ela sentiu seus pés tocarem o chão, não estava preparada pelo fato de que não era ela quem estava desaparatando e acabou se desequilibrando, soltando das vestes de Snape, totalmente alheia à sua volta e caiu. Caiu num lugar macio, largando suas malas no chão, e agora, recobrando consciência de que estava num lugar totalmente novo, a casa de Snape, passou a analisar o recinto.
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Ela estava em sua sala de estar, um lugar muito bonito e de bom gosto, ela reparou. Assim como sua sala nas masmorras, aquela era decorada em verde musgo. Haviam 2 poltronas e um sofá rodeando uma mesa de centro que agora estava à sua frente, logo atrás de Severus, uma lareira grande, estantes com vários objetos de decoração e alguns livros e um jogo de xadrez. Havia uma porta que estava aberta e mostrava parte de um escritório e uma escada para um segundo andar que provavelmente dava para o quarto, o quarto DELE, ela pensou animada. Logo ao lado da escada havia uma passagem que levava à sala de jantar e ao fundo era possível ver uma cozinha e duas orelhas de abano atrás do balcão. Hermione deteve seu olhar na criatura.
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-É a elfa da casa.—explicou Severus—Tilly!—ele chamou, ao que a elfa prontamente atendeu.
-Sim, mestre!—ela veio correndo e esbugalhou os olhos ao ver Hermione.
-Esta é Hermione Granger, uma amiga.—disse ele. Hermione sorriu bondosamente para a elfa.
-Óh, uma amiga mulher, definitivamente não vêem muitos amigos na casa de meu senhor—tagarelou a elfa desligada—ainda mais mulheres. Senhorita Barchet não vai ficar nada contente, ah, não mesmo, não mesmo.—ela olhava para baixo murmurando. Hermione franziu a testa numa expressão de indagação, mas antes que pudesse perguntar, foi interrompida pela voz de uma moça.
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-Ah, senhor Snape, o senhor chegou!—dizia uma mocinha de voz rouca natural enquanto descia a escada sem se dar conta que havia mais alguém presente—O senhor foi embora tão rápido sem nem dizer onde estava indo e...—ela estancou quando notou a presença de uma jovem ainda mais jovem que ela própria sentada no sofá, de costas para ela e de frente pra Severus.
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Hermione entendeu o silêncio da moça como um sinal de reconhecimento que havia mais alguém na sala e olhou para o rosto de Severus esperando alguma explicação de quem era aquelazinha. Ela mal tinha coragem de olhar para trás e descobrir que a outra era mais bonita, mais alta, menos dentuça, mais sexy... Ela nem sequer a conhecia, mas já a odiava completamente. A explicação que Mione esperava de Severus não veio, e ela sequer desejava que ele as apresentasse, pois não queria conhecer alguém tão desagradável. Sim, ela era desagradável, não só isso como inconveniente ao extremo, afinal, quem é que era ela para querer saber onde o Severus, o Severus dela tinha ido, aliás, alguém poderia responder quem era mesmo a moça?
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Hermione sentiu que o momento estava carregado, pois a mulher não falou uma palavra sequer. Será que ela não falou nada porque estava se sentindo traída? Será que ela achava que tinha algo com Severus? E mais importante, O QUE É que ele tinha feito para ela pensar isso? Ela se virou bruscamente empunhando um olhar de águia para a mulherzinha assanhada e não se surpreendeu ao encontrar um olhar de cadela raivosa em sua própria direção. Os piores temores de Hermione se confirmaram, a moça era bonita. O que era pior, ela tinha olhos verdes como Lily e era ruiva também como Lily, de cabelos lisos escorridos, possuía algumas sardas e um corpaço. Assim não dava pra competir.
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-Não sabia que o senhor traria companhia—comentou a pessoa que deveria ser a tal da senhorita Barchet. Hermione se levantou ultrajada. Severus observou a cena de braços cruzados e expressão indecifrável.
- Sim, ele trouxe. Severus—Hermione fez questão de sonorizar o nome do homem para ficar bem claro que seu nível de intimidade com ele era bem maior—é muito bom para mim.—ela arriscou uma olhada para o Professor—Precisava de um lugar para ficar e ele me ofereceu. Enfim, sou Hermione Granger—ela disse cinicamente estendendo sua mão à outra.
- Julianne Barchet.—ela respondeu a cumprimentando a contra-gosto, pensando já ter ouvido aquele nome antes.—Quantos anos a senhorita tem?—ela perguntou venenosamente notando o quanto a garota era nova.
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- Dezoito, quase dezenove.—respondeu Hermione firme.
- Qua.se. dezenove? Me parece menos—disse Julianne insinuante.
-E a senhorita?—perguntou Mione não se deixando abalar.
- Vinte e três.
-Me parece mais.—emendou Hermione finalizando assim o primeiro round. Snape interveio após deixar um sorrisinho de canto de boca escapar.
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-Senhorita Granger, a senhorita Barchet é aprendiz de medibruxa e trabalha aqui cuidando da senhora Snape.—explicou Severus.
-Senhora Snape??—e que diabos ele quis dizer com Senhorita Granger, ela continuou em mente. Porque ele não quer que essa Julianne saiba que somos mais íntimos que isso?
-Sim, minha mãe. Não fui amamentado por lobos.—respondeu Snape irônico. Hermione riu, ela estava finalmente começando a apreciar seu sarcasmo grosseiro. Julianne riu ainda mais alto.
-Ah, e onde está sua mãe?—perguntou Hermione ansiosa ignorando a infantilidade da ruiva.
-A senhora Snape está no quarto dela.—interrompeu Julianne—Ela está de cama, fico surpresa que com toda a intimidade entre vocês, o senhor Snape não tenha contado nada ainda.
-O assunto simplesmente não surgiu—Snape disse em sua controlada impaciência habitual.
- Eu posso conhecê-la?—perguntou Hermione se dirigindo ao homem a seu lado e ignorando a aprendiz de medibruxa.
-Não acho uma boa idéia, ela não gosta de desconhecidos—respondeu Julianne se intrometendo mais uma vez. Hermione foi falar alguma coisa não muito educada mas Snape finalizou o segundo round.
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- Sinto muito Hermione, mas temo que a senhorita Barchet esteja certa.—disse Snape declarando Julianne como vitoriosa e empatando o jogo. Hermione se sentiu quase pisada e Julianne mostrou seus dentes brancos num largo sorriso. Snape traidor.
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- Tilly, o almoço está pronto? Preciso alimentar a senhora Snape.—Julianne perguntou a elfa.
-Sim, mestra—respondeu a elfa bondosamente. Hermione se sentiu desmontar como vários pedacinhos de vidro quebrado. Mestra. Há quanto tempo aquela vadia morava ali?—Senhor, o almoço está servido, colocarei mais um prato para a senhorita Granger—a elfa fez reverencia e caminhou em direção à cozinha com Julianne atrás.
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- Desde quando essa...essa...essa... vaca mora aqui?!—perguntou Hermione num sussurro gritado.
- Bem, nunca reparei se ela dá leite, mas essa vaca tra.ba.lhaaqui há 3 anos. Morar vem com o pacote.—Snape a puxou para seu escritório e fechou a porta jogando um Muffliato.—Ela faz faculdade de Medibruxaria. Ela exige pouco, não dá trabalho e é extremamente paciente. Qual o problema?
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-Qual o problema???Que tal me tratar que nem lixo!—Hermione disse exaltada.
- Eu não vi você tentando fazer as pazes—disse ele levantando a sobrancelha.
-Ah, então agora a culpa é minha??!—ela perguntou brava.
-Não Hermione, esqueça. Escute, minha mãe está doente, eu precisava de alguém que pudesse me ajudar e encontrei ela. Ela vive aqui, faz seu trabalho e pronto! Enquanto eu me fingia de Comensal da Morte nos últimos anos, não havia muito tempo para vir para casa, ainda mais pelo fato de que o Lord das Trevas e os outros comensais não sabiam da existência DESTA minha casa, nem do fato de que uma parente minha ainda estava viva. Por isso, contratei Julianne para ajudar minha mãe, agora que a doença está piorando e eu não poderia ficar aqui.—Severus explicou.
-E que doença é essa?
-Acredito que os trouxas a conhecem por Mal de Alzheimer.
-Ah... mas então você tem outra casa? E Barchet sabe porque você não podia vir para cá? Sabe, sobre ser um espião..
-Não, de maneira alguma. Ela só sabia que eu era Professor em Hogwarts e não tinha muito tempo para voltar para casa ultimamente. Depois, logicamente, quando... Dumbledore morreu, ela soube que eu era um Comensal, assim como o resto do mundo, mas duvido que ela tenha ligado para isso, ela é de uma família puro-sangue, e agora, assim como o resto do mundo, ela sabe que eu era um espião. E sim, tenho outra casa, só para manter as aparências de que vivia sozinho.—ele respondeu.
-Mas porque... bom, ela não poderia ficar no St.Mungus? E se a senhorita Barchet era partidária de Voldemort, porque ela ainda trabalha para você?
- Se eu a internasse no St.Mungus seria um risco muito grande. Todos os Comensias teriam a seu alcance a informação de que Eileen Snape está viva, e com certeza contariam a Lorde Voldemort sobre minha pequena omissão antes mesmo que eu pudesse dizer "Obliviate".—comentou Snape.—E não disse que a senhorita Barchet era partidária de Voldemort, que eu saiba, ela não era a favor... mas também não era contra—O estômago de Hermione roncou. Ele levantou uma sobrancelha divertida em direção ao barulho.—Creio que devemos almoçar—ele disse destrancando e sinalizando para a porta.
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Os dois saíram em direção à cozinha, encontrando Tilly no caminho.
-Senhora Barchet está lá em cima alimentando senhora Snape.—a elfa avisou saindo do caminho.—Vou levar as malas da senhorita Granger para o quarto de hóspedes.
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Severus e Hermione tiveram um almoço agradável na medida do possível. Mione agradeceu pelo fato de que aquela Julianne não havia descido ainda, pois assim, ela não teria de suportá-la, mas ainda estava extremamente negativa e paranóica em relação a mulher. Era óbvio que ela nutria algum tipo de sentimento pelo Snape, pelo SEU Snape e ainda por cima se achava no direito de a menosprezar. E Snape, nem sequer a defendeu da descarada. Ela não sabia de quem deveria ter mais raiva.
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Hermione estava tão pensativa que mal podia dizer o que havia acabado de comer. Snape se levantou.
-Quer olhar seu quarto, Hermione?—ele perguntou em um tom cortês.
-Sim—ela respondeu ainda irritada.
Os dois subiram as escadas e toparam com Julianne, que vinha descendo. A aprendiz de medibruxa fez questão de passar encostando em Snape, que fez uma cara desagradável. Ela fingiu não notar e passou por Hermione como se ela não estivesse lá.
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- Sorte dela que meus feitiços não-verbais ainda não funcionam.—disse Hermione com os olhos faiscando um Avada.
-Tudo a seu tempo.—comentou Snape divertido com a reação da moça.
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Havia um corredor ao final da escada de madeira no canto da parede, deixando uma espécie de sacada com vista para a sala-de-estar antes de chegar ao corredor, ao redor da parede. Havia três portas ao longo do corredor, duas do lado direito e uma ao final do corredor, e uma porta de frente para a sacada. Snape abriu essa porta, sinalizando para Hermione entrar. O quarto era lindo, possuía um banheiro e um closet pequeno acoplado, uma cama de solteiro com aparência de sofá, criado-mudo, uma poltrona confortável e era inteiramente decorado de vermelho. Hermione sentia que poderia morar ali para sempre.
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-Uau, que lindo aqui—disse ela alternando seu olhar de um lugar para outro, até achar algo que a deixou curiosa—Espera... um interruptor???—Hermione perguntou assustada.
-Sim Hermione—Snape respondeu — Estamos num bairro trouxa e eu sou mestiço. Nós conhecemos interruptores.—ele apertou o botãozinho.
-Ah, desculpa, é que bruxos geralmente não sabem o que é isso—ela ria—Não imaginei que você fosse saber.—ele simplesmente a olhou de seu 1m e 85cm sem responder nada com um leve sorriso de canto.
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-Então, qual é seu quarto?—ela perguntou sem segundas intenções.
-É o primeiro do corredor.—ele respondeu.
-E qual é o da Julianne?
-O segundo.
-E da sua mãe?
- O último.
-Uhm. Certeza que a Julianne não dorme no seu? Afinal, alguma coisa a faz pensar que vocês têm algo, não?
- Hermione, pare com isso. Não que eu te deva satisfações quanto a isso, mas agora que a guerra acabou, não tenho a mínima intenção de fazer ela continuar trabalhando aqui. Eileen—ele chamou a própria mãe pelo nome, o que fez Hermione pensar que ele não era muito apegado à família-- terá um tratamento muito melhor em St.Mungus, e não há motivos para que a senhorita Barchet continue aqui. Só preciso comunicar a ela.
-E qual o problema nisso? Você nunca me pareceu o tipo de cara que tem problemas em decepcionar alguém.—ela falou grossa.
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-Não, não sou mesmo.
-A não ser que a pessoa seja importante...
-Hermione, pare!—ele levantou a voz. Ela engoliu seco e segurou uma lágrima. Os dois ficaram quietos.
-Eu vou... acho que vou tomar um banho.—ela quebrou o silêncio.
-Tudo bem, vou deixá-la com seus afazeres—ele se curvou levemente se sentindo culpado e saiu do quarto, fechando a porta. Hermione se jogou na cama e se pôs a chorar.
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Maldita Julianne, maldito Snape. Ele tinha que demitir logo aquela mulher. Ela não poderia ficar imaginando tudo o que aquela moça faria quando ela não estivesse por perto, ou então, por Merlin, não! Tudo o que ela já havia feito, tentado fazer ou ate conseguido enquanto ela não esteve por perto. Ela retirou sua toalha da mala e rumou para o banheiro. Lá ela se deparou com um chuveiro elétrico. Se sentiu feliz por estar mais uma vez no mundo dos trouxas. Ela considerava os bruxos meio ultrapassados, interessantes, mas ultrapassados, pois eles precisavam fazer tudo com magia e por isso, não inventavam coisas como chuveiros elétricos. Seus banhos eram sempre de banheira.
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Ela ligou o chuveiro e ficou lá por um tempo que ela não saberia dizer. Seus pensamentos iam de raiva para perdão, ansiosidade para aflição. Sua vida está uma bagunça, admita Hermione—ela pensava consigo mesma.
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Saiu do chuveiro bufando, desejando que não tivesse que topar com mais ninguém naquela casa, nem mesmo Severus. Ela abriu a porta de seu quarto tentando não fazer o mínimo barulho, mas ouviu alguma coisa e colocou a cabeça para fora para espiar. Ela observou porta do suposto quarto de Eileen entreaberta e os barulhos vinham de lá. Haviam três vozes distintas, uma de Severus, outra de Julianne e outra provavelmente de Eileen.
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Sua coragem grifinória misturada com sua curiosidade adquirida ao longo dos anos de convivência com Harry a fizeram colocar um pé à frente do outro, vagarosamente, até chegar à porta do quarto. Ela espiava por uma fresta os três conversarem.
- Quando é que vocês vão se casar?—perguntava uma senhora frágil e de nariz adunco.
- Mãe, já cansei de dizer que não somos namorados.—respondeu Snape, ao que recebeu um olhar de reprovação de Julianne.
-Ah, não se preocupe mamãe Snape, é que Severus ainda não percebeu que somos perfeitos um para o outro—especulou Julianne.
Mamãe Snape?Que atrevimento!—pensou Hermione horrorizada.—Diga que ela está errada Severus, diga que ela está errada ou você morre.
- Pare com essas besteiras, Julianne.—disse Snape impaciente.
-Mas ela é tão boa para você—"mamãe" Snape emendou, mas logo voltou seu olhar para a fresta na porta. Hermione se encolheu paralizada. Ela foi pega.—Quem é essa??!—ela perguntou assustada. Severus e Julianne se viraram rapidamente.
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- Hermione!—Severus falou sem jeito com Julianne dando um sorrisinho debochado. Ele abriu a porta e trouxe Hermione para dentro.—Esta é uma amiga, Hermione Granger.
-Prazer—Mione disse à senhora na cama.
-Não sabia que Severus tinha amigas tão bonitas—disse a senhora simpática. Julianne se roeu de raiva.
- Sim, ela é tão jovem não? Tem apenas 18 anos.—a moça mais velha se intrometeu.—O que a senhorita faz mesmo?—perguntou ela sugestivamente.
- Eu? Ah, nada demais. Estou fazendo o último ano em Hogwarts.—Snape fez uma cara de reprovação. Hermione se deu conta que havia acabado de contar indiretamente que era sua aluna. Julianne percebeu.
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-Então você é aluna do senhor Snape?—ela disse maliciosa.
-Sim, a melhor aluna da escola—respondeu Snape. Hermione se surpreendeu e corou feliz. Julianne não pareceu gostar muito.
- Mas espere, você me disse que tem quase 19 anos. E vai cursar o último ano de Hogwarts? Você é repetente?—disse ela já quase iluminando seu rosto sardento com um sorriso até a testa.
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- Sim, infelizmente não pude cursar o último ano. Estava muito ocupada auxiliando Harry Potter, meu melhor amigo, a acabar com Voldemort.—disse ela simplista estufando o peito, notando a aprendiz de medibruxa estremecer ao ouvir o nome e seus ombros murcharem. Hermione geralmente não era assim, mas em certos momentos, era necessário.
-Óh, aquele homem terrível, terrível. Sempre falo pro Severus não dar ouvidos àquele homem—comentou Eileen, mas seu comentário foi ignorado.
-Bem, acho melhor deixarmos a senhora descansar agora—disse Julianne, obviamente não querendo dar chances de Hermione a diminuir mais em frente à mulher.
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Os três saíram se despedindo e o clima continuou pesado mas, felizmente Hermione sabia como se defender. A noite chegou e Hermione esperou que Julianne se deitasse, para se despedir de Severus. Os dois andaram juntos até a porta de seu quarto.
- Boa noite Severus—Hermione depositou um beijo quente e demorado nele, como que para assegurar que ele dormisse pensando somente nela.
-Boa noite senhorita Granger—ele disse num tom quase safado, respondendo ao beijo de seu próprio modo.
- Então, quando aquela idiota prepotente vai sumir daqui?—comentou ela.
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- Preciso conversar com ela e com Eileen, afinal, você reparou o quanto minha mãe gosta dela. Para falar a verdade, ás vezes a senhorita Barchet é a única pessoa que ela consegue se lembrar.
-Ah—Hermione somente agora notara a gravidade e tristeza da situação, mas ela não poderia deixar de ser um pouco egoísta, não enquanto aquela moça continuasse a irritá-la.—Então, este é o único motivo pelo qual ela está aqui?—ela perguntou se lembrando do quanto as características da moça lembravam Lílian Potter.
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- Sim, que outro motivo teria?—Snape parecia não enxergar o mesmo que ela.
-Nenhum...—Mione respondeu depositando um beijo casto em seus lábios e Severus se retirou para seu próprio quarto.
Julianne espiava a cena pela fresta da porta de seu quarto fuzilando-os com o olhar. Isso não vai ficar assim—ela pensava.
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No outro dia de manhã Hermione acordou em "seu" quarto feliz , se relembrando de seu beijo com Snape. Parecia que aquele beijo havia feito tudo evaporar, toda sua raiva e confusão. Agora, ela só precisava esperar para que a competição fosse embora.
Ela levantou e caminhou para fora do quarto parando na sacada. Ela observou de cima, Snape sentado na sala, bebendo chá e ameaçou descer, mas ouviu a voz de Eileen de dentro do quarto ao final do corredor e resolveu verificar.
- Sev?? É você?—a mulher chamava. Hermione entrou no quarto preocupada.
-Óh, quem é você?—Eileen perguntou. Pelo pouco que Mione sabia da doença, havia dias em que a pessoa estava melhor e dias em que estava pior, pelo jeito hoje era um dia em que ela estava pior.
- Eu... eu... a senhora já me conhece...
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- Ah sim, você deve ser Lily— Hermione ficou claramente triste com a menção do nome—Sev sempre fala de você, mas nunca a trouxe para me visitar. Venha aqui, querida.—Hermione chegou mais perto.
- Ele disse que você tinha olhos lindos... tenho que concordar... Sabe, você faz muito bem a ele. Ele não é um menino muito sociável.—Hermione notou que Eileen claramente pensava que estavam no passado.
- Eu só quero o bem dele—Mione respondeu com um sorriso amarelo.
Julianne escancarou a porta do quarto.
-Imaginei mesmo ter ouvido vozes, vamos Lily, deixe a senhora Snape descansar.—ela disse amarga. Hermione se despediu da senhora bondosamente e saiu encarando a aprendiz de medibruxa.
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Após o café da tarde Snape chamou Julianne em seu escritório para uma conversa particular. Hermione sentou na sala esperando. Depois de alguns minutos Julianne saiu da sala irritada e dirigiu a ela um olhar de desprezo. Hermione sorriu triunfante e foi atrás de Snape.
-Você falou a ela sobre St. Mungus?—ela perguntou somente para confirmar, pois já sabia que sim.
- Sim, nota-se que ela não gostou muito, não?
-É, mas não tenho tanta certeza se isso tem algo a ver com perder o emprego, ou em ficar longe de você.
-Disse a ela que poderia visitar Eileen a hora que quisesse, mas por algum motivo ela não ficou muito feliz.—ele falou irônico cruzando os braços.— Cobra. —Hermione riu com o xingo.—Agora preciso falar com minha mãe.
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Snape foi ao quarto dela e após uma longa meia hora, Eileen pareceu concordar. Ele se vestiu e se dirigiu à lareira da sala, jogando pó de flú e chamando pelo Hospital St. Mungus. Hermione poderia relaxar, sabendo que aquela mulher agora, era só um fantasma em suas vidas. Após algumas horas de espera, a aprendiz de feiticeira desceu as escadas puxando algumas malas.
-Mas a senhorita já vai embora?—perguntou Hermione.
-Sim, não quero ficar onde não sou desejada—a palavra desejada saiu com duplo sentido.—Mesmo que Snape tenha me dado um tempo para ficar aqui, prefiro ir para a casa de meus pais. Sinto muito que a senhorita esteja na mesma situação.—disse Julianne insinuante.
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- Bem, não sinta. Eu QUERO ir para a casa de meus pais—Mione respondeu sem entender bem o que a outra queria dizer.
- Não estou falando sobre isso, senhorita Granger. Estou falando sobre não ser desejada aqui.—as feições de Hermione mudaram.
- Sugiro que a senhorita pare com esses joguinhos—ela falou se levantando do sofá e caminhando em direção a outra ameaçadoramente.—Não vai conseguir o que quer.
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- Se não acredita em mim, veja por si mesma.— ela deu uma pausa triunfante para analisar o impacto de suas palavras.—Olhe no quarto de Severus, no criado-mudo, e veja o que ele esconde. Talvez assim você entenda o que eu quero dizer. Ele não te ama garota tola—Hermione já tinha ouvido essas palavras antes, da boca do próprio homem em questão, mas elas não tinham má conotação daquela vez.
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Julianne Barchet se virou nos calcanhares, levando atrás de si suas malas e murmurando algo ininteligível. Hermione estancou ao chão da sala, como se tivesse criado raízes. Ela se perguntava se deveria ou não invadir a privacidade de Snape e o que era que havia na gaveta do criado-mudo. Ela CERTAMENTE, não queria, não poderia arriscar deixá-lo bravo com ela por algo assim. Ela se lembrava extremamente BEM de quando Harry a contou o episódio da penseira, no quinto ano, em que ele inadvertidamente invadiu os pensamentos de Snape na penseira de Dumbledore, e o homem quase o cortou em pedacinhos e utilizou seus restos mortais em alguma poção fedorenta. É, se ele a pegasse bisbilhotando, com certeza tudo entre eles estaria acabado, por isso era melhor... ela ir bisbilhotar rápido, antes que ele chegasse!
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Ela correu escada acima tentando fazer o mínimo de barulho possível, atravessando o corredor, vigiando a porta do quarto de Eileen para ter certeza que ela não a veria. Ela tentou abrir a porta do quarto, mas estava trancada. Com um simples Alorromora, Mione abriu caminho para um mundo ainda não conhecido. Agora, ela estava diante de toda intimidade do homem. Incrível como ele confiava tanto nela quanto em... Barchet... para deixar seu quarto sem proteção de magia negra com o tal de segredo dando sopa por lá...Por que é que ele confiava naquela vagabunda?
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Hermione se dirigiu à primeira gaveta e a abriu, não viu nada de suspeito, repetiu o mesmo procedimento na segunda e nada. Ao abrir a terceira e última gaveta, se deparou com o álbum de formandos do ano da turma de Snape. Havia algumas folhas entre o álbum, marcando algumas páginas. Ela traçou as páginas abrindo uma por uma. Todas as páginas marcadas continham fotos de Lílian Evans. Lílian Evans com um Snape extremamente criança mas nada infantil no primeiro ano, Lílian Evans perto do lago, Lílian Evans perto da Floresta Proibida, Lílian Evans com a turma da Grifinória, Lílian Evans com uma amiga. Em adição a isso, as folhas que marcavam as páginas também eram fotos de Lílian Evans, e em um caso, ela pôde notar, de Lílian Potter. Ela reconheceu esta como a parte que estava faltando da foto de Harry com seu pai, que Harry havia contado que Snape havia rasgado e levado do Largo Grimmauld. Em uma foto estavam ela e Severus em seu quarto ano, ambos aparentando estar muito felizes e até mesmo se olhavam como se fossem... Merlin, ela e RONY no quarto ano.
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Agora tudo fazia sentido. Lágrimas escorriam de seu rosto. Ele não a amava, ele amou e sempre amaria Lílian Evans, sempre. E sempre a guardaria em uma gaveta próxima, o mais próximo que poderia tê-la de si. Mesmo que ele pensasse que gostava de Hermione, o fantasma daquela mulher nunca estaria longe, nunca o deixaria. Por isso que ele mantinha Julianne Barchet por perto, pois apesar de saber que ela não prestava, as semelhanças físicas com Lily eram imensas e ele provavelmente morria de saudades dela. E o pior é que ela o admirava por isso, aquele era um amor tão bonito, o amor mais honesto que ela já vira, o amor que Dumbledore tanto falara e que poucos conheciam, o amor que vencia barreiras, o amor que foi responsável pela vitória deles na guerra. Quem era ela para se opor a esse amor tão verdadeiro? Quem era ela para exigir que aquele homem amasse ela e não Lily? Ela guardou as fotos carinhosamente exatamente como estavam, observando Sirius, Thiago, Lílian, Frank e tantos outros que tiveram suas vidas destruídas por Voldemort e seus seguidores, sentindo uma pena especialmente maior pelo garoto de aspecto doentio branquicelo e nariz adunco. Ela gostaria de poder fazê-lo feliz, mas isso somente uma certa ruiva poderia fazer, e ela também não gostaria de se deixar ser usada por ele, sem ele nem ao menos perceber. Hermione levantou decidida, sabendo o que deveria fazer quando o homem cruzasse a lareira da sala. Foi até seu quarto, pegou suas malas e as levou para baixo.
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Severus logo chegou pela lareira, amaldiçoando o hospital e sua burocracia.
- Eles aceitaram Eileen?—ela perguntou.
-Sim, já era a tempo. Estava até cogitando mostrar minha Marca Negra, estímulo visual é sempre útil.—disse ele sarcástico –Dois assistentes de medibruxos virão buscá-la em cerca de meia hora.
-Que bom...
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-Por que suas malas estão aqui embaixo, fiquei tanto tempo assim lá?
-Bem, não tanto assim, somente o suficiente para a senhorita Barchet ir embora—ela comentou esperando a reação dele.
-Uhm, não me surpreende que ela já tenha ido. A propósito Hermione, esqueci de lhe perguntar sobre Potter e Lovegood.—ele estreitou os olhos – Como eles sabem?
- Ah, agora é Hermione de novo? Me pergunto porque na frente de Julianne era senhorita Granger.—ela falou revoltada ao que Snape estreitou mais os olhos—Eles sabem porque contei a eles, mas não tinha outro jeito, Harry já tinha quase certeza.
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- O que exatamente a senhorita está querendo insinuar? —ele usou seu tom altivo usual, bufando logo em seguida – Como se Potter fosse difícil de enganar... e nem preciso comentar sobre a senhorita Lovegood.
- Bem, não precisa se preocupar Severus, estarei notificando-os o mais rápido possível de nossa atual situação.—ela comentou tentando ser fria
- Atual situação?—Severus levantou a sobrancelha interrogativamente.
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Agora era a hora, era tudo ou nada. Hermione não poderia dizer que era porque ele ainda amava Lily e ela não suportava essa idéia, seria muito egoísmo de sua parte. Ela precisava simplesmente acabar com isso, de modo que ele nunca mais a procurasse... que ele nunca mais a quisesse. O pensamento a fez querer vomitar.
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-Sim, você é meu professor e eu sou sua aluna, você é sonserino e eu sou grifinória, você é um ex-Comensal da Morte e eu sou nascida trouxa, você é velho—isso foi cruel, ela percebeu—e eu sou nova, além do"Potter" ser meu amigo. Não servimos um para o outro, isto foi um erro e você sabe melhor que ninguém.
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Snape nunca se sentiu tão humilhado em sua vida, nem mesmo quando era pendurado de cabeça para baixo e tinha suas calças abaixadas pelos "Marotos". Ele sentiu vontade de ralhar com a garota, tirar 100 pontos de sua casa pela impertinência, a estrangular e chacoalhar até que ela dissesse de onde diabos tirou isso. Ele caminhou ameaçadoramente em sua direção e a pegou pelo colarinho.
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-Saia daqui senhorita Granger.—ao contrário do que sua intenção mandava, sua voz não saiu raivosa, mas sim rouca... dolorida. Não havia ali o habitual tom de indiferença que ele já havia usado com ela nos anos anteriores, mas uma tristeza que também refletia em seus olhos negros...se ao menos ela estivesse olhando para eles.
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Hermione não esperaria mais nada vindo dele. Esse era Snape, ela sabia que ele pediria para que ela se retirasse, e assim o fez, levando suas malas e tentando ao máximo não deixá-lo ver que essa não era exatamente sua vontade. Ela estava fazendo um favor aos dois, mantendo sua dignidade e a dele. Seria ridículo se os dois descobrissem que o amor de Mione não era correspondido e depois que todos já desconfiassem, fossem obrigados a se separar. Era melhor assim.
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A porta se fechou às suas costas.
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