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Capítulo 20: Conclusões

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- Eu perguntei a ela se você pode me ajudar com minha pesquisa em poções...

- Hermione, você sabe que não está fazendo pesquisa nenhuma, não é?—ele perguntou irônico.

- Sim.—ela respondeu abrindo um sorriso safado, fazendo-o rir.

- E quando ela quiser ver o andamento dessa pesquisa?—ele questionou.

- Você finge que está mal humorado e eu me finjo de coitada. Funciona bem.—ela comentou divertida.

- Você está passando muito tempo com sonserinos.—Snape comentou. Ela suspirou.

- Eu sei que esse plano é falho e não vai dar pra sustentar por muito tempo, mas talvez possamos usar essa desculpa por algumas semanas. Depois eu falo que não tinha como trabalhar com você e que era uma péssima idéia e que você não me suporta mais.—ela explicou racional.

- E então arranjamos alguma outra desculpa...—ele deu uma pausa pensativo.—Interessante.

- Ao menos teremos algum tempo sem levantar suspeitas.—Hermione finalizou, provando que seu plano valia a pena.

- Realmente.—ele concordou se parabenizando internamente por ter finalmente achado alguém que não tinha somente minhocas na cabeça—Por falar nisso, o que exatamente o Potter sabe?—sua face se contorceu numa carranca.

- Ehr... ele desconfia... Só.—ela decidiu omitir a parte do Mapa dos Marotos.

- Sei.—Severus estreitou os olhos, mas realmente não se importava muito. Se Potter soubesse, teria mais chances de Weasley tomar conhecimento e sumir de vez. Snape a tomou pela cintura e a puxou para a cabeceira da cama.—Saiba que sua mentirinha me custou hoje um interrogatório na mesa dos professores.

- É, eu imaginei.—ela disse com uma cara de "desculpa".—A propósito, Dumbledore me olhou de um jeito esquisito quando eu estava na sala da Professora McGonagall...

- Provavelmente ele entendeu a história das poções. –ele a interrompeu – Minerva deve ter contado a ele e não duvido nada que o velho esteja nos ajudando a enrolá-la. Ele adora se aproveitar de sua credibilidade.—Hermione riu, se perguntando o quanto o quadro realmente sabia sobre ela e o professor.

- Agora me diga, senhorita Granger—ele imprimiu um tom cínico em sua voz—quantas outras infrações terei de castigá-la por cometer? Estou muito interessado em saber.—o mesmo sorriso maldoso de alguns minutos atrás voltou a seu rosto.

Suas mãos pousaram sobre a lingerie da moça. Hermione sentia que não deveria fazer isso de novo, senão seu corpo não agüentaria toda a intensidade, mas com tanto sangue circulando em sua cabeça ela nem ao menos conseguia raciocinar direito. Ele se posicionou por cima do corpo da grifinória e começou a beijá-la.

- Severus... Você acha que... Você está satisfeito?—sua voz era trêmula em parte por prazer em parte por receio. A cortina de cabelos negros oleosos parou de se mexer e o olhar que encontrou o da grifinória era de pura incredulidade.

"Satisfeito??"—uma voz indignada gritou no fundo de sua mente. "Do que diabos você está falando? Não pode ser o que estou pensando."

- Satisfeito?—ele ecoou seus pensamentos, no entanto mais sutilmente.

- Sim, quero dizer... Eu estou à altura de—ela inspirou ar fortemente—das outras?—o queixo de Severus quase foi ao chão.

- Altura das outras? Você quer dizer em comparação com outras?—ele perguntou quase rindo da cruel situação. Parecia estar tendo que lidar com uma criancinha insegura, no entanto, ele próprio se sentia inseguro em atestar o que a mulher à sua frente ignorava saber.

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Hermione se sentiu ridícula por ter perguntado. Agora era óbvio que ela era uma piada perto das "outras". Ah, Merlin, ela nunca havia parado para pensar nisso. Estava tão presa naquela neurose do amor dele pela Lily que nunca parou para se perguntar com quantas ele já teria feito "aquilo".

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- Hermione.—ele a chamou envolvendo seu rosto com as duas mãos e a retirando de seus devaneios – Mesmo sem não ter ninguém para comparar—seu tom de voz era desintencionadamente amargo, provavelmente por estar revelando algo extremamente pessoal—posso afirmar que você é a melhor.—Severus sentiu como se um peso saísse de suas costas após a revelação, apesar de se questionado acerca disso, nunca fosse admitir.

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- O quê?—ela arregalou os olhos.—Você está me dizendo que... Você...

-Sim. Não precisa repetir.—ele disse rolando os olhos de cara amarrada. Hermione não se conteve e gargalhadas audíveis irromperam do fundo de seu estômago numa vontade irrefreada. Ela ria de alívio e da expressão do homem, reação a qual Snape não pareceu responder muito bem.—Acredite senhorita Granger, quando eu acabar o que comecei, a senhorita não estará mais rindo.—ele ameaçou sensualmente, mandando arrepios pelo corpo da garota.

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Severus subiu por cima dela forçando-a a abrir as pernas para que ele pudesse se posicionar no meio e retirou o sutiã que havia sido colocado minutos atrás. Ele lambeu os seios empinados da garota, vendo-os ficarem entumescidos com grande satisfação. Tal satisfação mandou ondas de prazer para sua ereção nada contida.

Hermione vizualizou o pênis do homem que estava completamente duro, atestando sua virilidade e lambeu os lábios. Sua vontade transparecendo em seus reflexos. Percebendo o movimento de sua língua e olhos olhos desejosos, Severus se pôs mais à frente, no tronco da garota, deixando sua masculinidade a centímetros do rosto de Hermione, esperando para ver o que ela ía fazer. Ela tomou o membro rijo em uma das mãos e passou a sugá-lo avidamente, com uma lerdeza extrema, chegando a encostar a glande no fundo de sua garganta. Toda vez que ela fazia isso, Severus soltava gemidos surpresos.

Ele retirou o membro e olhando tentativamente para seus seios, posicionou-o entre o par. Com as próprias mãos apertou-os um contra o outro e esfregou seu pênis contra eles. O coração de Hermione disparou enquanto observava os movimentos do homem e sua excitação crescente. Ela mesma passou a fazer movimentos circulares com os seios, mas ele logo se retirou.

Severus abriu as pernas da grifinória e numa delicadeza quase selvagem enfiou a língua entre suas pernas, passeando pelo vão de sua intimidade. Ele percebeu satisfeito que a excitação era tamanha, que sua língua poderia se perder entre ela, tanto pelo líquido que lubrificava e facilitava seu desbravamento, quanto pelo inchaço dos lábios. Não demorou muito para que Hermione se contorcesse em gozo, então, Severus, tomando como um sinal positivo, segurou seus calcanhares no alto com uma mão e com a outra, guiou seu membro ereto para o interior da garota.

Ele queria gozar, queria se aliviar, mas também queria estar ali o máximo de tempo possível. Ah sim, uma doce tortura. Uma tortura que tinha nome e era Hermione.

- Como você é gostosa!—ele exclamou arrancando gritinhos abafados de prazer da grifinória.—Como sua buceta é gostosa!—Severus disse se enterrando no interior da garota, que ainda tinha os calcanhares no alto.

Em meio às estocadas descompassadas, Severus teve seu alívio, juntamente de Hermione.

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Era quinta de manhã e com a esperança de ver Severus Snape antes dos alunos irromperem na sala de aula de DCAT, Hermione se dirigiu à mesma. Deu-se por satisfeita quando se deparou com seu Professor sentado à frente do quadro negro com sua capa esvoaçando levemente no piso do chão. Ela se permitiu andar até o homem, em passos apressados, antes que alguém chegasse. Queria questioná-lo sobre que horas teriam seu próximo encontro, ou melhor dizendo, sua próxima pesquisa sobre poções, agora que Minerva já havia 'forçado' o Diretor Substituto a aceitar, mas Severus a encarou sem emoção alguma e quase imperceptivelmente movimentou a cabeça em uma negação. Severus dirigiu seu olhar à porta num recado mudo e Hermione o seguiu, encontrando Charmaine parada ao batente, observando-os.

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- Srta. DuBois. Vai entrar ou está esperando um convite oficial chegar por coruja?—Snape disse levantando a sobrancelha e Hermione se ateve a sentar numa carteira da primeira fileira, se desviando de seu verdadeiro destino.

- Sim, senhor.—Charmaine respondeu dirigindo um olhar de censura à Hermione e adentrando na sala.

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Não demorou muito para que todos os alunos estivessem presentes e a aula logo começou. Hermione notara com grande insatisfação Ron e Charmaine agirem como se estivessem noivados. Não era ciúme. Não, isso ela já se abstera há algum tempo atrás de sentir pelo ruivo. O real problema era o fato da garota de cabelos negros como o de Snape simplesmente não servir para o amigo. Ela devia estar o enganando. Além disso, sempre que a outra cismava em chegar perto do ruivo, dirigia olhares de "vitória" para Hermione, que conseguia enxergá-los agora mesmo quando estava de costas para o projétil-de-francesa. Após um tempo, isso estava realmente começando a irritá-la. Como se a companheira de classe estivesse a colocando em meio a uma disputa que não existia e pior, se julgasse melhor a ela.

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Talvez ela estivesse com mania de perseguição... Mas então, ela e Gina precisariam de sério tratamento, pois as duas tinham a mesma impressão, tanto com Ron, quanto com Harry, Neville, SEVERUS, ou qualquer outro homem que se aproximassem (ou não). Hermione bufou e dirigiu um olhar atravessado para a grifinória que ainda a encarava com olhar de censura.

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"O que você está olhando? A oferecida aqui é você, não eu!"—ela pensou querendo na realidade gritar as palavras em meio à aula para que a outra pudesse ouvir. Ela bem imaginava o porquê daquele olhar julgador e estava começando a se sentir mal. Charmaine suspeitava de algo entre Hermione e Snape. Ela só não ficou nervosa porque, bem... Pelo jeito aquela garota suspeitava de algo entre ela e a maldita Hogwarts in.tei.ri.nha. O que não a impediria de tomar cuidado dali em diante. Ainda dirigindo a melhor de suas carrancas ensaiadas ela se permitiu atacar mentalmente o objeto de sua raiva. "AH, por Merlin! Vá para um quarto logo, sua puta!". Enquanto esse pensamento se formava e Charmaine tinha uma mão posicionada na perna de Ron, disfarçadamente muito próxima a lugares inapropriados, Hermione sentiu um breve arrepio e a sensação de estar sendo invadida, a mesma sensação de quando Severus lia sua mente. Foi então que ela notou o quanto estava sendo descuidada. Charmaine já não ostentava a postura de convencida, mas uma expressão de... magoada, se é que a garota poderia sentir isso. Ela havia lido sua mente.

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Hermione se sentiu completamente sem chão. Se sentiu humilhada, SUPERADA. Como aquela garota poderia ser tão boa em legilimência a ponto de fazer o que fez em meio a todos? Ah, mas o melhor estava por vir. Hermione bem imaginou algum tipo de vingança pelas suas palavras nada 'bonitas' escolhidas, mas não imaginava nada tão infantil nem tão imediato. A garota puxou Ron para um beijo—de língua—em meio a todos, obviamente imaginando que causaria inveja nela, o que não aconteceu. Hermione até mesmo se sentiu levemente aliviada pois agora tinha certeza que sua raiva pela garota não tinha nada a ver com o amigo e que não estava imaginando coisas. Sua não-reação foi interrompida por uma voz sedosa às suas costas. O tiro saiu pela culatra.

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- A senhorita DuBois e o senhor Weasley gostariam que saíssemos para que fiquem a sós?—uma gentileza exagerada pairava nas palavras do professor, apesar de ele mesmo não entender que bicho havia mordido a garota para agir de tal forma em meio à aula. Severus bem viu quando ela puxou o grifinório, mas por prazer pessoal, decidiu omitir esse conhecimento e colocar a culpa em ambos. Ron e Charmaine pareciam ter esquecido a arte da expressão oral.—Então??—Snape questionou sugestivamente.—Vocês esqueceram qual o uso a.pro.pri.a.do de uma língua em sala de aula?—seu comentário fez os sonserinos irromperem em gargalhadas, mas Hermione riu mais deliciosamente. Por dentro, lógico.

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- Não, senhor.—Ron disse cabisbaixo e Hermione pôde notar seu rosto cheio de sardas pegando fogo. Ela sentiu pena do amigo, compadecendo de sua dor, apesar de concordar que ele merecia. Não pelo beijo, mas por deixar Charmaine agir tão indiscretamente com ele na aula de, pasmem, Snape.

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- 30 pontos a menos para a Grifinória.—Snape recitou como se lesse uma receita de bolo. Hermione sentiu uma pontada no coração enquanto os grifinórios lamentavam, mas um sentimento contraditório a fez esconder um sorriso. Danem-se os pontos, a expressão de Charmaine valia mais que isso.—De ca-da um.—ele finalizou parecendo um pouco mais interessado no assunto e Charmaine escancarou a boca, ao que Snape levantou uma sobrancelha—Certamente que a senhorita não acha isso demais para seu comportamento inaceitável em sala de aula?—ele perguntou dando ênfase na palavra 'inaceitável'.

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- Não, senhor.—ela respondeu a contragosto, submissa.

- Ótimo.—ele falou. Seus lábios tremendo num sorriso cínico involuntário.—Porque os senhores terão detenção hoje.—os ombros de Ronald caíram e ele pôde ver a garota cerrando os punhos—Se.pa.ra.dos.—Snape não soube de onde veio sua onda de boa vontade, mas decidiu que Weasley não merecia tanto assim.—A senhorita pode ir limpar troféis com Filch e o senhor deverá ajudar o Professor Hagrid.—'De nada.'—ele finalizou em pensamento.

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A aula logo continuou, mas Snape não pôde deixar de aproveitar o pouco tempo que restava para torturar o casal. Pouco porque qualquer tempo no MUNDO não seria suficiente para mexer com a cabeça de grifinórios. Ah sim, o privilégio de ser Professor. Ás vezes ele se esquecia de como era bom.

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Hermione tinha a varinha em punhos. Ela andava pelos corredores do sétimo andar, fazendo sua ronda habitual noturna, quando ouviu barulhos vindos de uma sala abandonada. Bem, era óbvio que a sala não estava abandonada no EXATO momento.

Sorrateiramente, ela abriu a porta, espiando com medo de achar algo indesejável. Haviam poucas opções e todas elas não pareciam nada atraentes para a grifinória, mas quando ela finalmente pôde depositar seu olhar sobre duas sombras que se movimentavam, ela se arrependeu por não ser alguma das outras opções. As sombras eram na realidade os corpos ardentes de Ronald Weasley e Charmaine DuBois... nos amassos.

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Hermione piscou três vezes, pela primeira vez em muito tempo sem ter o que falar. Ron parecia mais constrangido que ela, com vergonha de olhá-la diretamente nos olhos. Parecia até que quem tinha as calças desabotoadas era Hermione e não ele. Ela certamente se sentia assim. Merlin! Eles estavam QUASE fazendo AQUILO. E ELA os pegou.

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- Ron!—ela finalmente articulou.—O que você...—ela sabia o que ele estava fazendo, não precisava de explicações.—Ora, cubra isso!—falou sem jeito enquanto tampava o rosto, apontando displicentemente, quase em desespero para os seios à mostra da colega de sala.—Ron...—ela respirou constrangida—Você deveria estar fazendo sua ronda e não...— Hermione não pôde se forçar a continuar a linha de pensamento.

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- Você bem que iria querer não?—Charmaine disse amargurada enquanto se vestia.

- Como assim?—Hermione perguntou, claramente confusa.

- Mione... Desc...

- Bem que você iria querer que ele estivesse fazendo a ronda com você e não aqui comigo!—ela acusou interrompendo a fala de Ron.

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- Eu não chamaria ISSO exatamente de ronda.—Hermione rebateu sarcasticamente.—Só não vou tirar pontos de vocês porque acho que a Grifinória já perdeu demais por um só dia, mas isso é muita irresponsabilidade! Se eu ver os dois de novo, serei obrigada a mencionar ao Professor Chronos.

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- É, você parece ter intimidade com professores mesmo, não Granger?—o tom de Charmaine era insinuativo. Ron se absteve a arregalar os olhos para a namorada.

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- O que você está fazendo, ela já não ía tirar pontos.—ele sussurrou no ouvido da garota, que pareceu surda a qualquer comentário e a puxou para trás pelo braço.

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- Charmaine, deixe-me esclarecer algo para você. Eu. Não. Sou. Como. Você. Estamos entendidas? Eu não estou competindo com você em absolutamente NADA.—ela finalizou se virando nos calcanhares e lembrando de Snape ao fazer isso, olhando-a com desdém por cima do ombro.— Detenção no sábado, senhorita DuBois. Madame Pince está precisando de alguém para ajudá-la a organizar os livros da biblioteca.—Hermione sorriu e deixou a sala, ouvindo Ron tentando se desvencilhar da namorada, ao que ela protestava e logo depois passos apressados a alcançando.

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- Mione!—era a voz de Ron.

- Sim?—ela se virou parecendo desinteressada.

- Eu não queria que você soubesse dessa maneira.—o ruivo se desculpou se lembrando de seu namoro com Lilá e da reação de Hermione. Ele certamente não havia se esquecido da amiga de cabelos desgrenhados completamente e no fundo guardava alguma esperança de que ela ainda sentisse algo por ele.

- Tudo bem Ron. Eu só sinto muito que seja ela. Você é melhor que isso.—ela disse resignada, quebrando o amigo ao meio e se retirou fingindo que ía à Torre da Grifinória, mas logo mudando de direção para as masmorras.

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Durante todo o percurso para os braços de seu agora amado, e não odiado, Professor de DCAT, Hermione se perguntou se não estava sendo egoísta, se suas reações não haviam sido talvez exageradas e que de algum modo estivesse passando para Charmaine a impressão de que estava sim competindo. Afinal, ela podia não ter entrado nessa competição por livre arbítrio, no entanto, ela se conhecia bem o suficiente para saber que uma vez que estivava dentro, não sairia assim tão fácil. Hermione certamente não era alguém designada à derrota. Talvez ela estivesse realmente querendo enxergar somente o lado ruim da garota, talvez ela estivesse com ciúmes pelo amigo não estar mais apaixonado por ela, apesar de alguns dias atrás estar torcendo para que Ron a esquecesse. Ou talvez, ela sentisse que estava perdendo Ron. Não como pretendente, não. Desde o começo, ela e Ron sempre tiveram algo mais que amizade pairando entre eles, sempre houve um interesse mútuo, e agora que isso havia acabado, ela temia, apesar de ser num local restrito de sua mente, que os dois nunca mais voltassem a ser amigos, que tudo o que eles haviam tido até aquele ano, antes de Severus ou Charmaine, havia sido menos que uma amizade, uma ilusão de amizade, e na verdade só se mantinham juntos porque eram apaixonados um pelo outro. Agora que essa paixão havia acabado, poderiam continuar amigos ou escolheriam caminhos diferentes?

Ela não queria perder Ron.

Hermione fechou seus olhos suspirando pesadamente.

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Harry também era outro caso. O garoto, não... O homem, não... Ultimamente estava ficando difícil definir seus amigos. Harry nunca fora criança. Ele sempre foi obrigado a lidar com situações maiores que ele próprio, assim como ela e Ron, que por algum truque do destino acabaram embarcando no mesmo trem, literalmente também. Mas, ultimamente Harry parecia estar agindo infantilmente, preferindo a ignorar ao invés de discutir sobre seu "relacionamento" com Severus. Provavelmente o envergonhava o fato da amiga estar com o Morcegão das Masmorras.

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Hermione chegou à porta da masmorra de Severus. Eles já haviam combinado que Severus retiraria o feitiço de trava da porta da sala de aula no horário em que Hermione fosse encontrá-lo para que ela não precisasse bater e chamar atenção de alunos. Minerva também já havia ordenado que Snape auxiliasse a grifinória em suas pesquisas e tinha conhecimento de que Hermione ía às vezes de noite para lá. A diretora estava tão presa na inimizade dos dois que nem desconfiava de algo mais. Sem fazer barulho, Hermione alcançou a maçaneta da porta, somente para ouvir alguém se movimentando atrás de si. Ela agarrou sua varinha prontamente se virando para a origem do barulho.

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- Draco.—ela concluiu sem precisar estudar muito a figura.

- Sim. Esperava outra pessoa?—o sonserino questionou sem imprimir curiosidade em sua voz.

- Não esperava ninguém, na verdade.—Hermione respondeu um tanto amargurada.—'Droga, o que você quer justo agora, Malfoy?'

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- Você tem certeza que quer fazer isso, Granger?—ele perguntou cruzando os braços, como se soubesse de algo que ela não.

- Eu não estou fazendo nada e não acho que seja de seu interesse, Malfoy.—ela deu ênfase ao sobrenome do loiro, notando que ele havia se dirigido a ela por "Granger", como antigamente.

- Você não se importa que ele tenha sido um Comensal da Morte?—o loiro questionou, desta vez parecendo realmente curioso.

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- Você também foi e mesmo assim, estou eu aqui conversando com você, não é?—ela devolveu defensiva.

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- Hermione... Isso não se compara.—disse Draco mudando seu tom de voz, agora mais íntimo.—Snape foi um seguidor fiel até a Evans correr risco de morte. Antes disso, o que você acha que ele fez como tal? Eu estava sendo testado e além da—ele engoliu seco, visivelmente amargurado— da missão do diretor, não fui incumbido de mais nada. Não precisei participar dos ataques dos Comensais... Só assistir—ele completou.

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- E?—ela deu de ombros, sabendo onde ele queria chegar, mas se recusando a pensar sobre o assunto.

- E... Acontece que Snape foi Comensal fiel por 2 anos e fingiu ser um por mais 3. Quantas pessoas você acha que ele matou?—Draco perguntou estreitando os olhos. Houve uma grande pausa em que Hermione pareceu irritada, porém sem resposta.

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- O que você está tentando fazer, Draco... Não vai funcionar.— ela avisou.

- Vamos dizer, Granger, que num dos ataques dos Comensais, eles teriam de matar um bairro inteiro de trouxas e Snape estivesse lá. Agora, você sabe que o disfarce dele não poderia ser descoberto de maneira alguma. O que você acha que ele faria?—Draco especulou. Hermione não pôde deixar de imaginar. Ela se manteve quieta, mas sabia muito bem a resposta para isso.

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- Agora, vamos dizer que numa dessas invasões os Comensais tenham capturado uma trouxa ou bruxa nascida trouxa.—ele a olhou no fundo dos olhos como se dissesse que essa bruxa poderia ser ela—Então, eles a levaram para algum lugar, e Snape estava junto desse grupo de Comensais. –os olhos cinzentos estavam frios—Eles começam a rasgar as roupas dela em meio a gritos e a lançarem Crucios... Todos se aproveitam e fazem o que bem querem. Cada um vai onde bem entender, uns na boca, outros na vagina, outros no...

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- TÁ BOM! Pare!!—ela o interrompeu – Eu entendi onde você quer chegar!—um sorrisinho vitorioso brincou nos lábios do sonserino.

- Então, você tem certeza que ele é tão inocente assim?—Malfoy perguntou cínico.

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Hermione se ateve a lembrar do que Severus havia dito sobre relações sexuais. Ela procurou em sua mente a memória de alguns dias atrás em que o Professor dizia não ter com o que comparar. Ela pensou desolada que estupro poderia não ser considerado algo com o que comparar, afinal, obviamente as mulheres nem ao menos consentiram o ato. Talvez ele houvesse omitido isso, afinal, quem em sã consciência diria que não era virgem pois havia estuprado algumas "sangue-ruins" por aí?

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Ela quis vomitar. Talvez Malfoy estivesse certo. Quantas pessoas ele havia torturado e matado por livre e espontânea vontade e quantas ele havia sido obrigado? Talvez ele havia tentado avisá-la sobre isso, avisá-la que ele era mercadoria estragada e ela não dera ouvidos. Era ridículo, agora, precisar de um Malfoy para vê-la enxergar. O pior não era isso. O pior era saber que Severus convivia com seu passado negro todos os dias, e se ela o conhecia direito, isso deveria o corroer por dentro. Ela se sentiu culpada. Culpada por culpá-lo de algo que foi necessário e culpada por nunca ter enxergado a dura realidade da

vida dele.

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- Hermione?—Draco chamou estalando um dedo à sua frente.

- Com licença, Draco.—ela acordou para o mundo, se esforçando para agir normalmente.—Agora tenho uma pesquisa para verificar.—Hermione não queria dar o braço a torcer, não queria demonstrar ao loiro que nunca havia pensado direito sobre isso. A verdade é que ela nunca QUISERA duelar no assunto. Então, ela abriu a maçaneta da porta fazendo o mínimo de barulho possível e entrou na sala de DCAT.

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Ela esperou e esperou. Vários minutos se passaram em que absolutamente nada se passava em sua mente. Ela não queria imaginar. Hermione abriu a porta novamente, verificando se o sonserino já havia se retirado e saiu em direção à Torre da Grifinória. Ela simplesmente não estava pronta para ver Severus agora. Ela precisava pôr seus pensamentos no lugar.

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Oieee, pessoal. Desculpa por ter matado vocês com a demora...rs

Agradeço mais uma vez pelos comentários, aos velhos leitores, aos novos, aos anônimos.. enfim...hehehe

Brigada a todos. Bjão pra vcs, espero q gostem deste capítulo e até o 21.

A história já está chegando ao fim...

Buááá