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CAPÍTULO 21: Perdas
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Severus levantou na manhã de sexta-feira após uma longa noite sem sono. Ele não foi capaz de adormecer pois passou a madrugada se perguntando o que diabos havia acontecido com a grifinória. Ele se recusava a admitir, mas durante vários minutos seu coração entrou em estado de taquicardia, esperando pela mulher que nunca apareceu. Até chegou a se perguntar se estava ficando doente, pois em determinado momento ouviu a porta de sua sala abrindo. Como ele não queria se comportar como um adolescente com os hormônios fervendo para fora de si, não foi ao encontro dela quando a ouviu, ou ao menos, pensou ter ouvido. Mas ela não entrou em sua sala. Não fez como vinha fazendo há alguns dias, invadindo sua sala, invadindo seu quarto, invadindo seu banheiro, invadindo sua VIDA, e pior, fazendo-o GOSTAR disso. Toda vez que Hermione passava por aquela porta, parecia que a atmosfera do lugar mudava completamente. De repente, era um local totalmente diferente, um local onde ele não havia passado 20 anos de sua vida miserável mofando, mas sim um local onde ele esteve a esperando por 20 anos para finalmente ser feliz.
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E agora, ela não havia aparecido. Normalmente Severus imaginaria que houvesse ocorrido algum imprevisto, o que não a isentava da responsabilidade de o avisar de alguma maneira pelo seu não-comparecimento, no entanto, ele suspeitava de algo mais grave. Suspeitas estas que se confirmaram ao chegar no Salão Principal e se deparar com uma Hermione aparentemente transtornada. Severus pensou ter visto uma expressão de repulsa se sustentar na face da garota por poucos milésimos de segundos, que logo se tornou indecifrável e incomodada.
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Talvez ela tenha se dado conta do que andava fazendo nos últimos dias: se entregando a um homem como ele, o Morcegão Desprezível das Masmorras. Só poderia ser isso. 'É lógico'—ele pensou amargamente—'a garota finalmente percebeu a burrada que está cometendo... Agora é uma questão de tempo até que tudo acabe.'—ao finalizar sua linha de pensamento, uma dor imensa esmagou seu peito e Severus se assustou com o modo dramático que seu organismo estava reagindo. Ele não deveria se importar tanto assim, ou ao menos, não deveria aparentar que se importava tanto assim.
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Hermione não conseguia se forçar a olhar o homem. Ela sabia que o Professor havia notado algo de errado, mas simplesmente não conseguia demonstrar que tudo estava bem. Ela só queria esperar para que aquelas imagens horripilantes parassem de surgir em sua mente, para poder ter uma conversa apropriada com o homem. Ela queria se acostumar com a idéia antes, assim, não iria odiá-lo quando as teorias de Malfoy se confirmassem. Talvez ela só precisasse esclarecer a mente, como sempre fazia quando desabafava com Gina. Definitivamente, Hermione precisava ter uma conversinha com a ruiva.
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Seus pensamentos foram interrompidos com o sobrevôo das corujas que adentravam o Salão, jogando por cima das mesas pacotes com jornais, revistas e cartas. Duas corujas se direcionaram a ela. Hermione reconheceu uma como a linda coruja que havia providenciado a seus pais e a outra não fazia a mínima idéia. Quando a mesma depositou a carta sobre seu café-da-manhã, Hermione pôde ver a escrita "Ministério da Magia". Ela olhou em volta, percebendo que não fora a única a receber uma carta daquelas e a abriu.
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"Prezada Srta. Hermione Granger,
Venho por meio desta oferecer um estágio no Ministério da Magia da Grã-Bretanha, em Londres, a começar preferencialmente logo após a conclusão de seus estudos na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts. O estágio seria remunerado. Caso haja interesse, entre em contato. Não há pressa, a resposta definitiva pode ser dada até o final do ano letivo.
O Ministro da Magia, senhor Kingsley Shackelbolt agradece.
Ass: Elissa Pratchett."
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Hermione baixou o pergaminho com um grande sorriso no rosto, ouvindo seus amigos que comentavam sobre as próprias cartas.
- Me convidaram pra Academia de Aurores!—disse Harry de repente. Fazia tempo que ela não via o amigo assim feliz.
- Eu também!—emendou Ron.
- Me convidaram pra um estágio no Ministério.—comentou Gina—Mas não sei se é isso que quero.
- Eu também.—Neville falou—O que será que a da Luna dizia?—ele perguntou curioso, acenando para a garota loira na mesa da Corvinal.
- Eu também.—Hermione sorriu. A idéia parecia ser mais atraente que ensinar Poções. Se ela conseguisse "crescer" no Ministério, poderia realizar seu sonho de libertação dos elfos domésticos. Ela definitivamente guardaria aquela opção.
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Era hora do café da tarde, mas Hermione não se sentia disposta e resolveu pular a refeição e matar um pouco de seu tempo lendo um livro trouxa de romance. Ela optou pela Sala Comunal da Grifinória, com seu sofá de estofado vermelho e lareira convidativa ao invés da biblioteca decrépita. Provavelmente ambos os locais estariam vazios, mas a sala lhe parecia mais atraente no momento, no entanto ao entrar se deparou com Ron, que aparentemente havia pulado mais do que só uma refeição. O garoto estava pálido e tentava inutilmente retirar os traços de lágrimas de seu rosto. Hermione duelou com a vontade de abraçá-lo e a incerteza da fragilidade de sua amizade, mas ao ver que o ruivo segurava uma fotografia com Fred, em que este utilizava algumas das Gemialidades Weasley, ela se rendeu e sentou-se ao lado do garoto em silêncio compreensivo, posicionando uma mão em seu ombro.
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- Eu sinto falta dele.—Ron disse após longos segundos enquanto encarava a fotografia animada. Seu dedo pressionava a imagem com força.
- Eu também... Nós todos—Hermione sussurrou.
- Jorge então, nem se fala.—ele disse soltando uma espécie de riso com rosnado.
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Ele suspirou, desta vez direcionando seu olhar para a garota de cabelos desgrenhados controlados, se permitindo notar o quanto ela havia mudado. O quanto ele também havia mudado. Estavam ali, os dois, apesar de todos os apesares e namoros paralelos, ela estava ali para ele. Nesse momento, Hermione pôde enxergar nos olhos verdes do amigo todas as dúvidas e incertezas que também a possuíam se dissiparem. Sem palavras mais, eles sorriram genuinamente e se abraçaram. Lágrimas escorreram em ambas as bochechas. Eles eram Hermione e Ron, finalmente. Amigos.
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- A senhorita Granger e o senhor Weasley gostariam que eu saísse para que fiquem a sós?—disse uma Charmaine parada de frente para o sofá com uma expressão descontente, repetindo as palavras secas proferidas por Snape dias antes.
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Os dois dos três elos do Trio de Ouro não pareceram ligar. Foi então que Hermione percebeu porque os chamavam assim: Trio de Ouro.Não era somente por seu brilhantismo ou por andarem sempre juntos. Ultimamente eram raras as vezes em que ela, Ron e Harry se reuniam desse jeito. Chamavam eles assim porque eram como uma Trindade, inseparáveis mesmo em situações tortuosas.
- Calma, Maine. Já disse, nós somos amigos.—Ron explicou, mas a garota não parecia disposta a ouvir.
- Já cansei disso!—ela bufou enquanto se virava e deixava a Sala Comunal.
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- Harry quase não conversa comigo ultimamente...—Hermione comentava cabisbaixa para a amiga ruiva que se encontrava esparramada na cama. As estrelas brilhavam fortemente pela janela afora, uma tentando chamar mais atenção que a outra.
- Você sabe como ele é, Mione. Ele te vê como uma irmã...—a ruiva esclareceu—Lembra das implicâncias do Ron sobre eu e o Harry? É a mesma coisa.
- Mas então porque essa implicância só agora? Quando era Ron e eu, ele não parecia ligar muito.—ela devolveu, obviamente deixando implícito que o problema era Snape.
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- Você quem pensa. Ele queria que vocês fossem felizes, mas ao mesmo tempo se sentia desconfortável. Agora só agravou porque... Bem, ALÉM de ser o Snape, aconteceram coisas mais sérias que um simples beijo.—a voz de Gina era um mero sussurro ao chegar nas palavras finais.
- É... Tem razão... –Hermione se deu por vencida— A propósito... Onde está o Harry?
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- Não tenho a mínima idéia. Você sabe, ele está meio distante ultimamente. Como sempre, ele se culpa por tudo que aconteceu. Ás vezes ele vai no escritório da diretora ver o quadro, na cabana do Hagrid, ou então no túmulo do Dumbledore, do Lupin e da Tonks, do... – os olhos dela encheram de lágrimas e Hermione a abraçou, sinalizando que não era necessário continuar. Ela chorou silenciosamente até que finalmente se recompôs, enxugando o rosto.—Enfim, ainda não te dei minha opinião sobre o que o Draco falou...—Hermione encarou a amiga, incerta se não deveria insistir para que a amiga finalmente se permitisse desabafar. Gina vinha carregando isso há semanas, mas se recusava a falar sobre a morte do irmão, rindo quando na verdade deveria estar triste, talvez para não deixar Harry se sentir ainda mais culpado.
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Hermione suspirou pesadamente, deixando seus ombros caírem e se jogando na cama, ao lado da outra. Tudo a seu tempo. Era melhor mudar o rumo da conversa.
- Eu me sinto tão... Não sei. Me sinto suja.—Hermione articulou.
- Suja?—Gina não parecia ter a mínima idéia do que a outra queria dizer.
- Sim! Sabe, pra ter feito o que ele fez, só mesmo alguém MUITO corajoso e com um senso de honra extremo.—ela explicou.
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- Sim... O Harry já disse isso.—a ruiva comentou deixando Hermione de olhos arregalados em surpresa.—É, eu sei. Sabe, Harry o admira. Eu também...—as duas sorriram uma à outra.
- Você pode imaginar o quanto ele se arrepende de seus erros e pior, o que isso não fez com si mesmo? Como o destruiu por dentro?—Hermione retomou o tom grave da conversa.—Se ele foi forçado a fazer coisas horríveis, com o senso de honra e justiça que possui, imagine o quanto ele não é perturbado pelo seu passado.
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- É... Acho que nunca pensei por esse lado.—disse Gina parecendo pensativa – Mas então, porque você se sente suja??
- Porque não consigo olhá-lo nos olhos e prestar meu apoio, mesmo sabendo que talvez ele precise, e que talvez esse apoio nunca mais apareça de mais ninguém!—ela desabafou se sentindo uma pessoa terrível.
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- Calma, Mione.—Gina suspirou se virando para a amiga e posicionando uma mão sobre seu braço.—Não se sinta mal.
- Mas que amor é esse?—Hermione disse se levantando abruptamente—Não consigo nem perdoá-lo!—ela se deixou cair derrotada mais uma vez na cama.—Ele mesmo não deve se perdoar e estou eu aqui, presa em meu egoísmo.
- Mione, 5a tudo bem ser egoísta ás vezes, ok? –Gina a assegurou.—Só tenha certeza de que seu egoísmo não vai cegar sua percepção das coisas... Você deveria conversar com ele.—Hermione se virou para ela com um olhar de censura.—EU SEI, eu sei, você não consegue agora, e eu sei que não preciso te dizer que provavelmente ele já se sente um monstro sem precisar do seu julgamento—Hermione engoliu seco ao ouvir isso—mas dê um jeito de isso ir embora e vá falar com ele o mais rápido possível. Afinal, imagino que não é por suposições que você quer que o que vocês têm se perca, não?—a voz da ruiva se desprendia cheia de certeza.
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- Sabe... Você parece sua mãe.— Hermione comentou fazendo a amiga estreitar os olhos numa carranca.—Agora tá mais pra Snape.—as duas caíram em gargalhadas, mas logo ouviram um barulho à porta.
Gina se levantou prontamente, abrindo a porta e se deparando com uma terceiranista de rosto sardento visivelmente nervosa.
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-Ehr... Eu tenho um aviso para a Gran... Monitora-Chefe, senhorita Granger.—a menina anunciou pulando de um pé para o outro, fazendo Gina segurar um riso de deboche. Ela costumava ser assim.
- Sim, o que é?—Hermione perguntou aparecendo à porta e a menina limpou a garganta antes de continuar.
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- A diretora quer vê-la... Agora... Na sala dela. O Professor Whitford também estava junto... É... Parecia ser sério.— a terceiranista continuou incerta do que falar.
Hermione trocou olhares nervosos com Gina antes de tomar seu suéter e se dirigir para a sala da Diretora, agradecendo à menina sardenta.
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Uma batida surda ecoou na porta da masmorra de Snape.
-Entre.—ele ordenou sem alterar sua voz, mas por dentro seu estômago se revirava em ansiedade, esperando que fosse Hermione. No entanto, nada mais, nada menos que Harry-o-maldito-grifinório-imortal-Potter cruzou sua frente.
- Ah... Potter.—Snape disse entediado.—A que devo a honra dessa visita?—suas palavras eram articuladas de modo a parecer exatamente o contrário do que estava falando.
- Senhor, estou aqui para falar sobre o senhor e...—Harry olhou dos lados cuidadosamente antes de continuar e nesse meio tempo, Severus teve uma sensação de que não gostaria do assunto—Hermione.—Bingo.
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- E o que exatamente o Sr.Potter quer conversar?—Snape disse estreitando os olhos.
- Bem, posso me sentar antes?—Harry respondeu de modo casual, o que Snape interpretou como insolência e estreitou ainda mais o olhar.—Senhor.—ele finalizou se corrigindo e o Professor simplesmente arqueou uma sobrancelha para o garoto continuar.Ele limpou a garganta antes de prosseguir.—É sobre a pesquisa que o senhor e Hermione estão realizando.—Snape franziu o cenho.— Eu acho que seria melhor se isso parasse... Entende?—o tom de Harry era sugestivo.
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- E porque exatamente, sr. Potter?—Snape interrompeu em tom de ameaça e deboche.
- Bem... Eu sei o que é sentir culpa senhor, e acredito que o senhor sabe o quanto Hermione tem a perder se descobrirem sobre... isso.—Harry articulou. Snape quase não se conteve. Será que o grande Potter o estava chantageando emocionalmente para largar de sua amiga? Não, não poderia ser. Ele estava tentando o avisar sobre algo mais sério. Nisso pelo menos o garoto estava ficando mais sonserino.
- Continue.—Severus gesticulou intrigado.
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- Acho que há pessoas desconfiadas. O senhor provavelmente ficou sabendo que a Rita Skeeter fez uma visitinha rápida por aqui, ontem. Certo?—Harry questionou.
- Sim.—Severus assentiu.—Mas não a vi. Onde você quer chegar, Potter?—sua pergunta foi interrompida por outra batida, que desta vez vinha da janela.
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Uma coruja bicava o vidro mostrando um pergaminho que tinha pendurado em si. Severus abriu a janela e tomou o pedaço de papel, lendo-o rapidamente.
- Parece que seu medo se confirmou, senhor Potter.—ele disse sem emoção.—Estou sendo convocado na sala da Professora McGonagall.—ele finalizou fazendo Harry arregalar os olhos e indicou a porta para o aluno que saiu sem hesitar.
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Severus se pôs a andar, indo diretamente para a sala da Diretora. Naquele pedaço de pergaminho assinado pela própria, dizia para levar consigo Hermione Granger, caso estivesse lá com ele. A escolha das palavras indicava que não era um simples bate-papo sem intenções. Ela sabia. A velha fuxiqueira sabia.
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Agora o problema era identificar o culpado. A imagem de uma única pessoa veio a sua mente, mais precisamente um aluno sonserino loiro platinado e péssimo perdedor. Ele realmente contou. Aquele covarde trapaceiro finalmente resolveu contar. Apesar de sua ameaça promissora e nada a ganhar com isso, Draco resolveu "criar bolas" no momento mais inoportuno. Ele chegou ao corredor da gárgula quando suas suspeitas sobre que assunto Minerva desejava explorar se confirmaram. Hermione ía na mesma direção que ele.
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Hermione se deparou com o Professor que antes procurava evitar e resolveu dizer algo.
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- Professor.—ela chamou—Severus—ela sussurrou seu nome para que Snape entendesse que a conversa que ela gostaria de ter era mais íntima.—Eu preciso falar com o senhor...— Hermione voltou a usar sua voz normal, porém Snape levantou a mão para a silenciar no momento em que ambos pararam em frente à gárgula, e então, ela entendeu do que se tratava. Hermione abriu a boca em choque e levou uma mão ao peito, sentindo seu coração bater forte de nervosismo.
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- Draco.—Severus disse, dispensando explicações.
- Não... acredito.—ela respondeu ainda em choque, enquanto o homem dava a senha para a gárgula.
Ambos entraram na sala de Minerva juntos. O Professor Chronos sentava à frente da mesa da diretora com uma expressão de preocupado e a seu lado uma aluna parecendo extremamente transtornada roia as unhas. Charmaine.
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Hermione sentiu seu rosto fervendo em chamas e se um olhar pudesse matar, o dela estaria sendo indiciado por homicício doloso com requintes de crueldade. Snape se ateve a dirigir a Charmaine uma expressão de que a comeria no próximo café-da-manhã, e não no bom sentido. Charmaine se ateve a ignorar os olhares de ódio.
- Por favor, sentem-se.—pediu Minerva com um tom grave em sua voz.
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- Posso saber qual o motivo desta pequena reunião?—Severus questionou.
- ESTE é o motivo.—McGonagall jogou um Profeta Diário em frente ao homem. A manchete dizia "Granger, ex-caso do menino-que-sobreviveu sustenta caso com Professor herói-da-guerra desde seu 5º ano." Apesar da repulsa ao ler a manchete, Snape lutou contra todos os seus instintos e ligou o modo "Snape antigo" para falar.
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- Eu e a Sabe-Tudo?—seu tom debochado deixava transparecer um pouco de nojo. Hermione que só agora via a manchete, fingia ultraje.
- Todos sabemos que as matérias de Rita Skeeter contêm algumas verdades.—McGonagall falou com seu ar austero.—O quanto DISSO é verdade?—Snape se permitiu dar uma risada curta cínica, que reverborou pela sala.
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- Nada.—seu rosto logo fechou sem emoção.
- Isso é verdade, senhorita Granger?—Minerva devolveu— Não sei se os senhores notaram, mas este jornal tem a data de amanhã e a não ser que possam me provar que nada disso é verdade, não poderei ajudá-los. Normalmente, eu não teria tal poder, mas como podem imaginar, este assunto diz respeito a Hogwarts e uma vez que este artigo atingir o público, haverá uma grande repercussão... Tanto aqui dentro quanto lá fora.—seu olhar felino perfurava Hermione, buscando uma resposta.
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- A Skeeter só está tentando se vingar.— Hermione mentiu, porém numa explicação plausível.
- Gostaria que o caso fose assim tão simples, senhorita Granger.—o Professor Whitford finalmente resolveu se intrometer.—No entanto, ela andou entrevistando pessoas em Hogwarts e em Hogsmeade sobre o assunto. Madame Pomfrey contou sobre a poção anticoncepcional que te deu, Draco Malfoy, apesar de não ser uma fonte confiável, disse que vocês têm encontros noturnos sem relação com pesquisa de poções alguma, Madame Rosmerta disse que vocês pareciam estar tendo uma briga de casal em seu bar e que entraram juntos no banheiro, onde ficaram por um longo período de tempo e até mesmo os quadros do Castelo pareceram saber de algo!
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- Quando ela veio aqui?—Hermione questionou alarmada.
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- Esses dias, mas não importa. Além disso, temos aqui uma aluna que veio nos confidenciar sobre o assunto, antes mesmo de tomar conhecimento sobre a matéria do Profeta Diário.—McGonagall continuou. Nesse ponto, Hermione e Severus já começavam a mostrar sinais de nervosismo.—Fale o que nos contou senhorita DuBois.—Charmaine parecia ter esquecido de como falar.
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- Eu não vou ficar sentado aqui ouvindo essas baboseiras!—Snape finalmente perdeu a paciência. Provavelmente se fosse Dumbledore ali, ele já teria admitido há muito tempo atrás, no entanto era Minerva e ele não saberia o que esperar da bruxa. Teria que negar até a morte.
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- Não senhor, o senhor vai ficar aqui. Estou tentando ajudá-los!—a diretora disse.—Caso isso saia, não preciso dizer que serei obrigada a demiti-lo, não é? Além do mais, apesar de tecnicamente não ter feito nada errado, não quero que a senhorita passe por isso—ela disse se voltando a Hermione.—Você tem idéia de como seu nome poderá ficar manchado?—a grifinória ponderou sobre o que Minerva havia dito.
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- Por isso, queremos pedir para que vocês bebam Veritasserum.—Chronos interrompeu, ao que a expressão facial de Snape duelou entre ultraje e ódio.—Assim, poderemos ter certeza.
- Entendam que esta matéria me foi enviada com antecedência para que eu pudesse investigar a veracidade da mesma, e até mesmo impedir que fosse lançada, se possível, devido à marcação que agora o Ministério da Magia tem com a Skeeter—Minerva explicou.— No entanto, eticamente não posso impedir, caso seja verdade.
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- Ora sua velha senil! Realmente acredita que possa ser verdade?—Snape vociferou defensivo.
- Se não é, imagino que vocês poderiam mostrar como anda sua pesquisa.—McGonagall sugeriu, fazendo Hermione e Severus se entreolharem de modo cúmplice.—Bem, estou vendo que vocês não vão me ajudar aqui.—ela disse resignada, e após um longo suspiro em que pensou sobre o assunto, se permitiu continuar.— Quero deixar bem claro que farei de tudo a meu alcance para que esta matéria não seja impressa, pois não quero ver nenhuma vida arruinada, ainda mais de uma aluna tão brilhante. No entanto, com toda essa investigação da Skeeter, os alunos já estão comentando. É questão de dias até que todos saibam e quanto a isso, não posso ajudar. Infelizmente serei obrigada a retirar seu cargo de Vice-Diretor, Professor Snape.—Hermione arregalou os olhos, mas Snape teve uma reação completamente oposta.
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- Obrigado, Diretora.—ele soltou um sorriso de canto sarcástico enquanto se arqueava cinicamente numa reverência, com um leve movimento da mão direita no ar. Era tudo o que ele queria, se livrar das tarefas de Vice-Diretor.—Não queremos encorajar comportamentos errôneos.—Minerva juntou os dentes com tanta força que Hermione quase pôde ouvi-los rangendo.
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- Quanto à senhorita, não preciso dizer o quanto estou decepcionada. Mentir para mim...—Hermione enxergou verdadeira mágoa na fala da mulher e não foi capaz de mentir para se defender, preferindo se abster de comentários.—O cargo de monitora-chefe é para ser de alguém de confiança!—assim que as palavras saíram da boca da mulher, o sorriso de Snape desvaneceu e Hermione sentiu uma pontada no peito e lágrimas surgirem em seu rosto. Não, ela não poderia... Ela não iria.—Estou retirando-lhe o cargo de monitora-chefe. Parabéns senhorita DuBois, a senhorita provou ser digna de confiança, portanto ele é seu.—ela disse se voltando para Charmaine que tentava passar desapercebida na sala.—E espero não ficar sabendo sobre nenhum encontro entre Professor e aluna nesta escola.—ela finalizou encarando o casal.
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Hermione sentiu o mundo girar à sua volta pelo que pareceu uma eternidade e então ouviu no fundo de sua mente murmúrios e passos deixando a sala. Ela presumiu que deveria deixar também e se foi. Snape sabia o quanto aquilo era importante para ela. Então, era sobre isso que Potter estava tentando avisar. Belo timing. Mas agora não adiantava culpar o Testa-Rachada, aquilo era culpa dele próprio. Ele tentaria ir atrás da garota, se ao menos Potter não tivesse razão. O relacionamento entre os dois poderia causar muita polêmica e problemas, mais especificamente para ELA. Ele não queria prejudicá-la, ele a amava. Foi ao ter esse pensamento que ele viu a mulher de cabelos lanzudos andar apressada em direção a de cabelos negros.
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- SUA VAGABUNDA!—Hermione gritou puxando Charmaine pelos braços!—FOI VOCÊ NÃO FOI??—a francesa pareceu assustada—Você...—Hermione cuspia cada palavra carregada de ódio—Você fez a cabeça da McGonagall e VOCÊ deu idéias à Skeeter, não foi??
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- Idéias? Eu dei mais que idéias, dei verdades! Eu vi você saindo das masmorras do Snape e te segui até a enfermaria! E depois, para a minha surpresa você sai de lá com um frasco de poção anticoncepcional!—ela respondeu amargurada—Eu acho que a vagabunda aqui é você! É assim que você consegue suas notas altas, Granger?
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'PAF!!'—o som ensurdecedor de um tapa ecoou no corredor e Snape assistiu de longe enquanto o rosto outrora branquinho da senhorita DuBois se transformava em vermelho escarlate. Logo após ter feito o que fez e os olhos da garota encherem de lágrimas, Hermione não se sentiu uma pessoa melhor ou pior, até que uma reação inesperada a pegou desprevenida.
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- Desculpe...—Charmaine disse entre lágrimas e soluços, se virando imediatamente, com uma mão tampando o rosto inchado e andando para longe.
Snape se virou nos calcanhares antes que Hermione tomasse conta de sua presença e se dirigiu para sua masmorra solitária. Agora mais do que nunca.
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Aeeee
Oieeee pessoal espero q tenham gostado do rumo que está tomando.
Já pararam pra pensar em como a palavra "perdas" é esquisita?? huahua
Tem uma amiga minha, outra Rickmaníaca que está fazendo uma capa para a fic ficar mais chique..uahuhau.
Brigada pelos comentários, como sempre, brigada por não abandonarem minha primogênita e brigada por continuarem lendo!
BJUS!!
