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EPÍLOGO

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Aproximadamente dezenove anos depois

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Uma névoa fresca perlongava o trilho do Expresso que logo sairia dali em direção à Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts. A bruxa de cabelos revoltos inclinou a cabeça para trás, recostando-a no ombro do marido, que quando sentiu a aproximação, enlaçou as mãos na cintura da grifinória. Ela abriu os olhos, enxergando o homem de cabelos extremamente negros com brancos contrastando logo acima da fronte, e se permitiu reviver alguns minutos do passado, fechando os olhos para dar imagem ao homem de cabelos totalmente negros.

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Ela havia acabado de se formar e caminhava sobre um grande tapete vermelho escarlate que percorria todo o Salão Principal de Hogwarts. À sua frente estavam Gina e Luna, que conforme passavam balançando as lindas caudas de seus vestidos champagne, forravam o chão com pétalas de rosas brancas. Finos cristais de neve pareciam cair do teto enfeitiçado.

Após tomar o braço de seu pai, que tinha os olhos cor-de-mel aguados, Hermione passou a andar ao som da marcha nupcial. Todas as pessoas que a amavam estavam ali, e mais importante, todas as pessoas que ela amava estavam ali. Sua mãe e também madrinha estava orgulhosa ao lado esquerdo do altar, segurando sua irmãzinha Têmi em um braço e um lenço em outro, Harry, o padrinho que Snape, apesar de não admitir, havia aprendido a gostar, abria um grande sorriso a esperando, Rony e Neville sentavam juntos ao lado de Eilleen, que parecia estar mais consciente que nunca.

Antes que ela pudesse absorver mais o momento, estava mais próxima de seu destino que imaginava. O homem em vestes bruxas formais negras, cabelos sedosos presos para trás e um sorriso que poderia concorrer com o de Harry já estava à sua frente, tomando uma de suas mãos protegida por uma longa luva branca de seda. Ele depositou um beijo nela enquanto sua mãe retirava o buquê de rosas cor-de-pêssego de sua outra mão.

Severus observou o vestido que a noiva havia feito tanto suspense para não mostrar. Era de um branco puro e no busto tomara-que-caia havia brilhantes formando um caminho até a parte frontal da região da cintura. A parte de baixo abria numa saia de cetim, com algumas ondulações na traseira prolongada. Uma linda gargantilha fechava a volta de seu pescoço e um véu acoplado a uma tiara de brilhantes fechavam o conjunto.

- A senhorita está deixando esse vestido muito lindo.—ele disse se aproximando de seu ouvido, fazendo-a corar ainda mais.

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Aquele mesmo homem magnífico ainda não cansava de a impressionar. Ele beijou a base de seu pescoço e se afastou, tomando o segundo fruto do casamento dos dois nos braços.

- Já falei, Serpens. Daqui alguns anos você vai, não adianta insistir agora.—Snape disse rígido, no entanto com cuidado suficiente para não magoar o filho.

- Olhem! Acho que eles chegaram.—Hermione tentava enxergar dentro da névoa algumas figuras se aproximando.

- Oi Mione! Olá Severus!— disse o grupo que chegava.

- Tio Sev!!—gritou Alvo Severus, o menininho que se parecia demasiadamente com o pai e o único dos três que havia herdado os olhos da mãe, enquanto corria em direção a Snape.— Você é sonserino, não é??—ele perguntou esperançoso.

- Sim, sou.—ele afirmou.

- Pois então fale pro James que não tem nada de errado com isso!—ele apontou para o irmão mais velho.

- Pois EU não acho que tenha algo de errado.—disse em tom de voz um tanto arrogante uma cópia em miniatura quase exata de Hermione, mas com cabelos e olhos mais escuros.—Aliás, se eu entrar lá, ficarei muito feliz.—ela afirmou fazendo o pai quase chorar de orgulho.

- Alguém aí viu onde está a Victoire?—perguntou Jorge ao que todos balançaram a cabeça negativamente.—Fleur me pediu para entregá-la algo...

- Eu vou procurá...—Fred, o filho mais velho de Jorge com Angelina Johnson, começou a falar mas foi interrompido.

- Eu vou procurar.—disse James querendo se livrar das broncas do tio severo e da filha dele, a qual considerava muito bonita, mas infelizmente insuportável, mandona e sabe-tudo.

- Você vai mesmo deixar Eileen entrar pra Sonserina, Mione??—Ron perguntou assustado.

- Não vejo nenhum problema com isso—ela deu um sorriso cínico—Você vê?—E Severus aproveitou para encará-lo.

- Ah, não me façam essa cara, vocês dois!—ele reclamou como se fosse um garotinho e virou para os próprios filhos.— Hugo! Eu o deserdo se não for da Grifinória—ele falou—Mas nada de pressão!

Lily e Hugo riram, mas Alvo e Rose, irmã mais velha de Hugo, permaneceram sérios.

- Você não presta, Ron.—disse Penny, sua esposa jogadora profissional de quadribol, a qual ele conheceu através de Gina, quando esta ainda jogava. Ron já não estava mais prestando atenção.

- Draco e Charmaine estão aqui.—Luna sinalizou para o casal ao longe que Ron observava.

Draco Malfoy estava em pé, com sua mulher e filho, um casaco abotoado até o pescoço. Seu cabelo estava com uma entrada, de tal modo que acentuava seu queixo fino. O filho lembrava tanto Draco quanto Eileen lembrava Hermione. Draco e Charmaine perceberam que eram observados e contrariados acenaram brevemente.

- Então aquele é o Scorpius.—comentou Snape com uma sobrancelha arqueada, logo em seguida sorrindo para sua filha.— Não há desculpas, Leen. Eu sou um Mestre em Poções de renome e sua mãe a bruxa mais brilhante de sua época. Você tem que acabar com ele.—ele finalizou com a certeza de quem afirmava que o sol raiaria na manhã seguinte. A garota respondeu com um sorriso cúmplice.

- Pelo amor de Deus, Sev.—disse Hermione, um pouco nervosa, um pouco sorridente—Não os tente colocar um contra o outro antes mesmo de as aulas começarem.

- É, tem razão. Rivalidades não levam a nada.—ele comentou azedo—Veja a minha onde me colocou, no meio de um bando de grifinórios.—todos riram com o comentário amargo, afinal, já haviam passado tempo suficiente com o homem para não interpretar como ofensa. Quando ninguém olhava, Severus arriscou uma piscadela de confirmação para a filha.

-Ei!—James havia retornado. Tinha se livrado do carrinho, do malão e da coruja e agora parecia explodir com novidades.

- Teddy está lá atrás.—disse sem fôlego, apontando por sobre os ombros, para uma cortina de fumaça. –Acabei de vê-lo! E adivinha o que ele estava fazendo?? Beijando a Victoire!

Ele olhou para os adultos evidentemente desapontado pela falta de reação.

- Nosso Teddy!Teddy Lupin! Beijando a nossa Victoire! Nossa prima! E eu perguntei o que ele estava fazendo...

- Você os interrompeu?- quis saber Gina- Você é tão parecido com o Ron...!

-... e ele disse que estava aqui para vê-la partir! E daí ele me mandou embora. Ele a estava beijando!- completou James, achando que não havia sido claro o suficiente.

- Não seria lindo se eles se casassem. – murmurou Lily, extasiada – Daí sim o Teddy realmente faria parte da família.

- Ele já janta em casa umas quatro vezes na semana. – disse Harry – Por que não o convidamos para morar conosco e acabamos logo com isso?

- Boa! – disse James, entusiasmado – Eu não me importo em dividir o quarto com o Al... Teddy poderia ficar com o meu!

- Não. – disse Harry firmemente – Você só irá dividir um quarto com o Al quando eu decidir demolir a casa. - ele olhou para seu relógio- Nossa, já são quaze onze, é bom subirem a bordo;

Adentrando a névoa surgiu com seu namorado a garota Artêmis, que diferentemente da irmã, gostava de homens mais novos. Seu namorado mestiço era dois anos mais novo.

- Tia Têmi! Você veio.- Eileen disse contente.

- Lógico que vim, não iria perder seu primeiro dia de aula!- respondeu a bruxa que mais parecia irmã da garota do que tia.

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- Tchau, Alice.—Luna acariciou a bochecha sardenta da filha que, nas demais características, parecia muito com si mesma.—Dê um beijo no papai para mim quando chegar lá.

- Acho que Herbologia vai ser minha matéria favorita.—a garota respondeu abrindo um sorriso sonhador.

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- Até mais seu peste.- Eileen bagunçou o cabelo do irmãozinho – Vou sentir saudades.

- Tchau, Leen.- Hermione abaixou para abraçar a menina – Te amo.

- Tome, Leen.—Snape deu um saquinho com frascos na mão da garota.

- O que é isso?- ela estranhou.

- Poção para gripe, dor de cabeça...- ele gesticulou.

- Ah, pai. Dá licença, na escola não tem enfermaria?

- Claro que tem, mas eu não confio, não sou eu quem faço as poções.- ele fechou a cara – Nunca é demais prevenir.

- Mas, pai, não posso aceitar. É da sua loja, não é? Da Snake's Nest?- ela disse preocupada.

- Leen, o pai faz centenas de caldeirões por mês para o Saint Mungus e para a loja, não tem problema pegar um pouco.—Hermione disse. A garota olhou relutante para os frasquinhos e finalmente guardou-os na mala.

- O amarelo é Felix Felicis - Snape sussurrou no ouvido da filha – Use-o quando for muito necessário, especialmente se alguém decidir mexer com você. Um golinho já basta, ta bom?- ela assentiu de olhos arregalados.

As crianças ainda se despediam dos pais, mas Alvo continuava inseguro.

- Mas e se eu for para a Sonserina?- sussurrou somente para o pai. Harry agachou-se.

- Alvo Severus.- disse Harry baixinho, enquanto Gina acenava para Rose, que já havia embarcado. – Você tem o nome de dois diretores de Hogwarts. – a isso, Alvo arregalou os olhos – Um deles é Sonserino e provavelmente o homem mais corajoso que já conheci.

- Como assim?Tio Sev foi diretor de Hogwarts?!—o menino questionou impressionado –Quando??

- Ah... Essa é uma longa história.- Harry deu um largo sorriso –Enfim, se é tão importante para você, você pode escolher a Grifinória ao invés da Sonserina. O Chapéu Seletor considera sua escolha.

- Sério?

- Ele considerou a minha.- disse Harry.

Hermione ouviu a conversa sem querer e sorriu com os olhos para Harry, que após perceber, ficou extremamente constrangido. Ela já sabia que Harry gostava de Severus, apesar de não parecer, mas não imaginava que o amigo o admirasse tanto.

Os alunos restantes correram para seus vagões e debruçaram em suas janelas para se despedirem. Todos os rostos estavam voltados para os ex-integrantes da Ordem da Fênix.

- O que eles estão olhando? – quiseram saber as crianças, enquanto olhavam em volta para os outros estudantes.

- Não se preocupe. –disse Rony – É que eu sou muito famoso.

- Sim.—Severus concordou – Ele é procurado até hoje por ir voando com um carro trouxa até Hogwarts.— e abriu um sorriso ácido, fazendo Ron corar em desgosto e as crianças rirem.

O trem se pôs a andar e Hermione tomou a mão do filho, que observava triste a irmã sentada à janela. Severus enlaçou a cintura da mulher, mais satisfeito que nunca por ter tomado ao menos daquela vez a decisão certa em sua vida.

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- Leen, fiquei sabendo que seu pai foi diretor de Hogwarts!- Alvo comentou chocando os amigos no vagão.

- Como é que é??- Eileen perguntou – Quem te disse isso?

- Meu pai.

- O tio Harry??- ela pareceu mais chocada ao constatar que era verdade e pulou na janela, grudando o rosto no vidro para tentar perguntar algo. No entanto, o trem já estava longe demais e somente seu irmãozinho e tia puderam vê-la, pois seus pais tinham os lábios colados. Ela suspirou e sorriu internamente.

- Posso entrar?- um garotinho loiro platinado bateu à porta do vagão em que estavam.

- Está meio lotado, mas tudo bem.- Alice respondeu parecendo procurar por algo acima da cabeça do menino.

- Pode se sentar aqui.- Eileen sinalizou o espaço vago a seu lado com um sorriso um tanto traíra estampado.

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Hermione passou as mãos pelo vinco entre as sobrancelhas de Severus, sentindo as marcas de expressões do homem.

- O que foi, acha que estou muito velho?—ele comentou bem-humorado, enquanto soltou a mão do filho para deixá-lo falar com os "tios".

- Acho.- ela disse arrancando o sorrisinho cínico da boca do homem – E isso só me faz te amar mais.- ele piscou três vezes antes de levantar a sobrancelha ironicamente. – Sabe, estava me lembrando do dia de nosso casamento... Foi o dia mais feliz de minha vida... Tenho muito orgulho de você... E não me arrependo de nada.- ela disse afastando algumas mechas do cabelo do homem.

- Eu também não, senhorita Snape.- ele disse a puxando para perto e inalando a fragância de seus cabelos – Eu também não.

Dentre todas as escolhas que uma pessoa poderia fazer no mundo, há aproximadamente dezenove anos atrás ambos haviam feito a escolha certa.

O patrono de Severus ainda é a lontra prateada.

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FIM