Nota: Para não deixar dúvidas. Lycans são lobisomens. Acho que todo mundo sabe o que é um lobisomem, né. xD Na fic, há uma guerra entre vampiros e lobisomens pelo poder do 'submundo', ou seja, um mundo da qual não é do conhecimento dos humanos. :)


Olhou para o relógio preso na parede em que estava. Quatro e quarenta. Ainda restavam vinte minutos para acabar seu expediente, mas agradeceu mentalmente por aquela ter sido uma noite razoavelmente tranqüila. Nenhum caso muito grave. Salvo um paciente que fora perfurado no pulmão. Foi bom que não tivesse ocorrido nenhum imprevisto aquela noite, pois seu nível de concentração estava muito abaixo do normal, e seu mau-humor extremamente acima.

Estava juntando alguns bisturis para esterilizar quando o enfermeiro-chefe o chama.

- Camus, me acompanhe até a sala dos enfermeiros, por favor. – chamou o homem que não deveria ter mais do que trinta anos, com seus cabelos extremamente negros e os olhos castanho-esverdeados.

O francês nada disse, apenas o seguiu. E o silêncio prosseguiu até chegarem ao local. O moreno abriu a porta e deu espaço para que Camus entrasse. Este o fez e sentou-se em uma cadeira que ficava de frente a uma mesa em tons de marfim, que entrava em contraste com o local completamente em branco, que era quebrado apenas pela presença de objetos prateados e esperou pacientemente o outro começar a falar.

- Bom, é o seguinte. Amanhã haverá uma cirurgia um tanto quanto complicada. Você sabe que transplante de medula óssea não é algo que todos conseguiriam encarar. – encarou-o, sério - Enfim... Você e Milo serão os encarregados de comandar o resto da equipe de enfermagem durante a operação. – encarou o francês por trás de seus óculos de armação preta.

Camus se controlou para não revirar os olhos.

- Desculpe-me, Sr. David, mas, porque o enfermeiro Milo? Ele está aqui há apenas dois dias. – disse, tentando não deixar transparecer nenhuma emoção, feito que, definitivamente estava acostumado a fazer.

- Sim, eu sei disso, Camus. – David fez uma pausa e logo em seguida continuou - Mas, devido ao seu excelente currículo, acho que podemos confiar nele. Além do mais... Foi um pedido do próprio. – sorriu bondosamente para o outro.

Pensou em falar algo, mas preferiu não contestar. Não só por falta de paciência, mas também por estar sem vontade para argumentar ou discutir.

- Sim, senhor.

- É só isso. Você pode ir para casa agora. – encostou-se na cadeira em que estava sentando. Camus levantou-se e dirigiu-se para a porta.

- Com licença.

Arrastou-se para o vestiário. Comemorou por estar vazio. Retirou calmamente sua touca e o grampo que prendia seus cabelos, que logo ao serem soltos, formaram uma grande cascata em suas costas.

Retirou mais alguns pertences de seu armário e se dirigiu para a saída do hospital. Uma das coisas que menos gostava desde que fora encarregado de espionar os lycans era ter sido privado de seu carro. Andar do trabalho até a mansão dos vampiros era realmente algo que não o agradava nem um pouco.

Ainda estava escuro, podia-se notar que o dia amanheceria com uma densa neblina. A rua ainda não estava com um grande movimento. Demoraria pelo menos uma ou duas horas para realmente começar o aglomerado de pessoas. Já estava acostumado a morar em Londres, mas nunca gostou muito do excesso de gente.

Não estava nem um pouco ansioso pela cirurgia que ocorreria no dia seguinte. Talvez pelo fato de ter que estar no mesmo ambiente que Milo por muito tempo. Balançou a cabeça, tentando afastar tais pensamentos. Ele era extremamente irritante, pensou. Quase que instantaneamente, divagou que era simplesmente impossível que alguém fosse capaz de despertar sensações que, há muito tempo não sentia. Sugar sangue de humanos não era algo que fosse permitido, embora muitos não dessem a mínima para tal regra absurda; a maioria dos humanos morre após ser mordido por um imortal, caso não beba do liquido vermelho, de qualquer forma. Camus, todavia, não se importava em alimentar-se de sangue clonado, preparado por uma companhia que não fazia idéia de onde surgira. Porém, eu olfato apurado pôde sentir o quão doce era o sangue do grego, e sentia que se não o provasse, provavelmente iria surtar. Sua pele era extremamente macia, seus olhos azuis contrastavam perfeitamente com sua pele bronzeada, devido ao sol de seu país de origem, que segundo pôde ouvir de um dos enfermeiros, era a Grécia. Era um homem extremamente atraente, para um humano. Possuía a voz grave e extremamente gostosa de se ouvir, e seus dentes brancos eram algo de muito destaque quando sorria. Sentiu-se ridículo por um instante. Se nem o mais atraente dos humanos chegou a despertar algo em si, porque haveria de ser agora? Seria simplesmente inaceitável, afinal, nada se compara à beleza e ao poder de sedução dos vampiros. Resistir aos encantos de Saga, Aioria, Mu, entre outros, era impossível.

Virou uma esquina e entrou em uma rua que era completamente tomada pelo comércio. Não havia nenhuma casa ao redor e podia-se ver que todas as lojas ainda não estavam abertas. Ouviu passos de alguém que estava andando extremamente rápido. Ignorou, não tendo a mínima vontade de checar quem andava com tanta pressa. Até porque, não era de seu interesse. Parou ao sentir-se abraçado por trás.

- Aonde vai com a mente tão longe? – perguntou a já conhecida voz, sendo proferida em um tom suave.

- O que está fazendo aqui, Saga? – perguntou Camus, fechando os olhos, cansado e sem nenhuma vontade de falar com o grego.

- Ora, querido, estou fazendo o que me é encarregado. Procurar e matar. – sorriu e inclinou sua cabeça de modo em que seu queixo repousava nos ombros do menor.

Camus franziu as sobrancelhas.

- Bom, então, é suposto que você estivesse procurando lycans, e não me abraçando por trás.

- Eu não resisti à tentação. Allons, donnez-moi un baiser¹. – fez um bico extremamente sexy, em seguida virou Camus para a sua direção.

O menor deu uma leve risada.

- Saga, precisa treinar seu francês. – disse, enlaçando a cintura do grego.

- Mal agradecido. Eu me esforço tanto para te agradar e é assim que me trata? - disse Saga, colocando a mão no próprio peito, em um sinal de drama fingido.

- Oh, je suis désolé. Est-ce que je peux me racheter?²

- Ok, Camus, ok. Eu sei que depois de todos esses anos você não esqueceu o francês. Mas... Pode me traduzir? – perguntou o outro com uma voz ao mesmo tempo entediada e confusa.

- Acho que prefiro demonstrar. – sorriu malicioso. Era exatamente isto que precisava para evitar pensamentos indesejáveis no momento.

Colou os dois corpos e roçou levemente os lábios nos de Saga. Beijou rapidamente sua bochecha direita para logo em seguida contornar o desenho perfeito de sua boca. Não perdiam contato visual um minuto sequer. O grego passava as mãos fortes por toda à parte de trás do corpo de Camus, passando quase de raspão por toda sua espinha, causando um leve arrepio no francês, que estava decidido a finalmente acabar com a distância entre suas bocas quando ouve outra voz conhecida.

- Tudo bem, tudo bem, podem parar com isso. Saga, não esqueça do que viemos fazer aqui. – sentiu uma aproximação de mais e mais pessoas conhecidas. Desenlaçou-se de Saga, que respirou fortemente e virou-se em direção ao dono da voz grave.

- Por que ainda não voltou para casa? – disse o grego, aparentemente irritado por ter sido interrompido.

- "Olhem o Camus logo ali na frente. Me esperem que eu vou até ele". – disse o outro, imitando irritantemente a voz de Saga.

- Vai se foder, Aioria! – gritou.

- Ah, você não controla seus impulsos, quer fazer sexo com Camus no meio da rua e a culpa é minha?! – estreitou os olhos e cruzou os braços, encarando Saga, acusadoramente.

- QUEM DISSE QUE EU ÍA FAZER SEXO COM ELE NO MEIO DA RUA, SEU IDIOTA? – aumentou mais ainda seu tom de voz e deu um leve empurrão em Aioria.

- ATOS VALEM MAIS DO QUE PALAVRAS, NÃO PRECISA NEM FALAR PRA DEDUZIR ISSO! – gritou Aioria de volta.

- POIS EU ESPERO QUE VOCÊ FAÇA ALGUMAS AULAS DE DEDUÇÃO, SEU VAMPIRO DE MERDA, POIS ASSIM VAI ACABAR MORTO ANTES DO QUE CONSIGA DAR A BUNDA DE NOVO! – Saga berrou mais alto ainda.

Suas vozes faziam altos ecos pelas ruas, devido ao silêncio do local. Camus, Mu e Afrodite assistiam a cena, e todos tinham a mesma expressão: desaprovação e como se já estivessem acostumados com aquilo.

Era comum haverem brigas entre Saga e Aioria. Apesar de saberem que era proibido os vampiros matarem uns aos outros, eram constantes às vezes na qual eles haviam partido para a violência física. E sempre eram pelos motivos mais banais. Houve uma vez em que os dois quase foram mortos por Shion, por terem começado uma discussão que resultou na destruição de um hall inteiro da mansão em que moravam, ainda mais sendo que a discussão entre a dupla grega teria acontecido por um desacordo de idéias entre Saga, que afirmava que conflitos regionais de repercussão global são conseqüência de razões estratégicas, localização geográfica, de orientação política ou recursos naturais, que fazem com que certas regiões ou países sejam alvos de interesses, preocupações e intervenções sociais, já Aioria acreditava que tais conflitos eram gerados por diferenças étnicas, culturais, políticas ou religiosas, com raízes histórias, que resultam no preconceito, desrespeito, consequentemente repercutem em conflitos existentes entre diferentes nações.

Vez ou outra, o mais velho afirmava que o moreno era um péssimo vampiro. Aioria retrucava dizendo que quem era horrível era o outro, pois além de tudo, era invejoso. Provocavam-se e alfinetavam um ao outro todos os dias. Todos costumavam dizer que os dois só se entendiam na cama.

- SE UM IGNORANTE COMO VOCÊ AINDA ESTÁ VIVO, É IMPOSSÍVEL ALGUÉM MORRER! – apontou o dedo na direção de Saga.

Ouviu-se um disparo.

- CUIDADO!!

Todos estranharam o grito de Saga, que em seguida, jogou-se por cima de Aioria. Os dois caíram no chão e logo se levantaram. Olharam em direção da origem do tiro e pode-se ver um grupo com 10 pessoas. Lycans, eles pensaram. Todos correndo em suas direções.

Camus pegou sua arma, que estava em um dos bolsos e correu rapidamente para trás de um carro estacionado a poucos metros. Disparou em direção do grande homem que estava avançando na direção de Mu, que poucos segundos depois, estava caído já sem vida no chão. Olhou para seu lado direito e Saga estava travando uma luta corpo a corpo com um lycan negro com vestes totalmente em preto que daria, no mínimo, três do grego. "Saga é louco", pensou. O lobisomem afastou-se alguns passos do outro e arrancou sua camisa. Em seguida teve a atitude de alguém que estava forçando algo. Seu corpo foi ficando ainda maior, pêlos começaram a contornar todo seu corpo, os traços de seu rosto estavam mudando, junto com uma mudança em suas íris e córneas e o aparecimento de enormes dentes e garras. Estava se transformando. Saga, por sua vez, fechou os olhos, não demonstrando nenhum manifesto de medo. Quando os abriu, sua íris estava em branco, totalmente penetrante. Entreabriu os lábios e seus caninos ficaram a mostra. Correu na direção do lycan, que por várias vezes tentou atacá-lo inutilmente, já que Saga se esquivava de todos os seus golpes, e lançou duas shurikens de 8 pontas, que atravessaram perfeitamente o peito do homem-lobo, que urrou de dor, mas acertou uma forte patada no rosto bem desenhado do grego. O sangue começou a escorrer, o que serviu para o irritar mais ainda. Parecia até que os olhos de Saga estavam pegando fogo, tamanha sua ira. Pendurou-se nas costas do lycan, com a mão direita agarrou seu maxilar inferior e com a esquerda o superior e abriu-os. Atitude que teve como resultado a separação do corpo e da cabeça do outro, que caiu morto, com sangue escorrendo por seu pescoço. Saga sorriu, satisfeito.

- Aprenda uma coisa, cãozinho. Tamanho não é documento. – disse, e por um momento Camus o achou extremamente bobo por estar falando com um cadáver.

- Pare de se mostrar, Saga! – berrou Aioria. – Tome cuidado!

Aioria, um vampiro um tanto impulsivo, atirava para todos os lados sem se importar se algum humano poderia ser ferido, apesar de ser praticamente impossível, devido ao pouco movimento nas ruas e, as poucas pessoas que se atreviam a sair tão cedo, saíram rapidamente do local, amedrontadas pelos disparos. Ele era muito com uma arma na mão, apesar de ser igualmente talentoso em lutas corporais. Mu era calmo e de modo algum se apavorava. Procurava pensar muito antes de agir, consequentemente, nunca desperdiçava tempo ou balas. Afrodite, era um tanto quanto narcisista, evitava ao máximo um contato corporal durante as batalhas. Odiava se machucar e nada o irritava mais do que arranhões e ferimentos. Exatamente por isso era um dos que mais disparava sem um pingo de dó.

- Realmente, os boatos são verdadeiros. Todos os vampiros têm rostos bonitinhos e corpos que despertam o desejo de qualquer criatura! – disse um lycan com um tom extremamente sarcástico. – Ao invés de ficarem aqui no meio da rua brincando de lutinha, agindo como se estivessem abafando com essas armas que nem ao menos sabem segurar, deveriam estar fazendo o que devem saber de melhor, vender o corpo par...- Ouviu-se, no mínimo, 10 disparos, todos em sua direção. Olhou para o próprio corpo e viu uma série de balas de prata. Sua pele foi mudando de cor, como se estivesse apodrecendo e no instante seguinte, seu berro era agoniante, e Saga, mantinha um sorriso sádico em seu rosto, ao mesmo tempo em que caminhou em sua direção e pisou no rosto do lycan que já jazia sem nenhum sinal de vida.

- Pobres lycans. Inocentes a ponto de mandarem novatos para nos matar! – zombou. – Saiba que nunca se deve subestimar um rosto bonitinho, querido. – novamente, estava conversando com cadáveres, Camus pensou.

Aproveitando a rápida distração de todos, um lobisomem de cabelo branco, longos e cacheados, e olhos verdes, e realmente esguio disparou na direção do vampiro de cabelos marrom claro, que tinha o corpo definido e, diferente dos outros, que usavam sobre-tudo, estava com uma regata preta, na qual deixava a mostra o braço torneado. A bala atingiu seu peito direito e isso fez com que caísse no chão. Sentia seu corpo inteiro queimando, não fazia idéia do que havia dentro daquela munição, pois vampiros não se feriam ao receberem tiros com balas convencionais, mas doía como o inferno. Era incrível como as armas haviam evoluído no decorrer da guerra, pensava o francês. Contorcia-se e gemia descontroladamente. Quando ia receber um segundo disparo, Camus rapidamente sacou outra arma de sua mala e a mirou, junto com a outra que ainda estava em sua mão, na direção do lycan que ferira Aioria. Apertou o gatilho várias vezes e o sangue jorrou dos vários buracos de seu corpo. Ignorando seus gritos de dor, correu na direção de Aioria.

- Aioria, você está bem? – Camus ergueu sua cabeça e a descansou em seu colo.

- Eu... Eu não sei. – a voz do moreno estava rouca, sangue escorria pelo local perfurado. Notava-se um tipo de luz azul emanando de dentro de seu corpo. – Camus, eu...

- Não fale nada. Vai ser pior. Vamos te levar pra casa, Aioria, acalme-se.

Mu, que perdeu a concentração por um mísero segundo por ter ficado preocupado com Aioria, fora atingido por um lycan transformado; que emitiu um alto ruído, um tipo de rugido que quase deixou o tibetano surdo.

- Cale a boca! – ordenou Mu, que odiava barulho. Disparou contra sua cabeça, em seu peito e em seu pescoço, logo avançando na direção do outro.

Saga, que acabou com um último lobisomem, logo correu na direção de Aioria, que estava com os olhos fechados. Largou a arma no chão, abaixou-se para ficar mais próximo e pegou uma de suas mãos.

- Como se sente, Aioria? – Saga perguntou, tocando de leve seu rosto.

- Já estive melhor. – sorriu de leve

- Não é hora de fazer piadinhas, seu idiota. Venha, vamos embora daqui. – pegou-o no colo, enquanto Mu, Camus e Afrodite – que reclamou demais por ter que fazer tal ato – ficaram encarregados de dar um sumiço nos corpos dos lycans.

Caminharam aproximadamente 10 minutos até a entrada da mansão. Logo, Saga foi com Aioria para seu quarto, e Afrodite ficou encarregado de levar os materiais para os cuidados no ferimento do grego e um vampiro-médico, já que Camus afirmou que teria que fazer algo urgente.

Este estava com cara de poucos amigos, foi em direção à sala de criação. Lá eram desenvolvidos materiais contra lycans. A quantidade de armas que havia no local seria o suficiente para acabar com a CIA e com a Interpol em pouco tempo, além de haver, atrás do local uma outra grande sala para treinamentos, tanto corporal quanto com armas. Abriu a porta e olhou na direção do vampiro que estava sentado em frente a um computador, aparentando estar extremamente concentrado.

Sacou a arma que tinha sido usada por um dos lycans e jogou-a na mesa que estava perto do outro.

- Nós temos um sério problema, Aioros.

O moreno encarou o objeto a sua frente. Pegou-o com sua mão direita e examinou-a com cuidado. Retirou a munição e manteve a expressão impassível.

- Faz idéia do que seja isso? – perguntou Camus.

- Isso, provavelmente são balas com raios ultravioleta. – informou, largando a arma encima de uma mesa próxima, que estava repleta de coisas dos mais variados tipos.

- Você quer dizer, raios solares? – perguntou, incrédulo.

- Exatamente, Camus. Os lycans estão usando balas com luz do sol para nos atacar. – riu amargamente.

- Isso justifica a queimação de Aioria. – murmurou o francês, por um momento esquecendo da presença do outro no local.

- Quê?! – Aioros imediatamente levantou-se da cadeira onde estava sentado, ficando extremamente preocupado com o irmão.

- Acalme-se, por favor. Ele está bem. Saga, Afrodite e mais alguém estão cuidando dele.

Por um mísero segundo, o grego relaxou os ombros.

- Como isso aconteceu?

- Foi tudo muito rápido. Eu estava voltando pra cá quando aparecem Saga, Aioria, Mu e Afrodite. Pra variar um pouco, Aioria e Saga começam a brigar, e quando todos se deram conta, um grupo com 10 lycans aparece e nos ataca. – encarou seus olhos, que estavam impassíveis, sem um pingo de emoção.

- Entendo. Não quero ser chato, longe de mim julgar a capacidade de vocês, Camus, mas mesmo que estivessem em desvantagens numérica, não podemos arriscar a perder alguém! Você sabe a necessidade de acabar rapidamente com um lycan. A coisa não fica nada boa se eles se transformam. Vocês são matadores, não são? Ao menos você era um até virar espião. Sabe muito bem como eliminar aqueles protótipos de lobo!

- Aioros, aqueles malditos nos atacaram em um lugar público! No meio da rua, merda! O que eles tem na cabeça? Se algum humano visse, poderia por em xeque todo nosso esforço para ocultar a existência do submundo! – Camus queria gritar, sacudir Aioros, jogar tudo que via pela frente no chão. Seus pulsos estavam fechados e a respiração levemente alterada.

- Sim, Camus, eu sei. Acalme-se, por favor. Acho que, na visão deles, pouco importa o conhecimento dos humanos sobre nós ou sobre eles. De acordo com o pensamento deles, de qualquer forma, eles não poderão fazer nada para nos exterminar.

- Não importa, Aioros! É exatamente por isso que não podemos deixar uma espécie como a deles tomar controle de tudo! Imagina o caos que seria! – contestou-o.

- Você, melhor do que ninguém sabe que eles nunca vão desistir. Se pararmos para a analisar a situação, é até compreensível a sede de vingança e o desejo de tomar o nosso poder. Quando vivíamos pacificamente, eles eram apenas nossos guardas, apenas serviam para nos proteger quando o sol aparecia. Eram meros escravos.

- Essa não é a questão. Eles nos obedeciam e nunca reclamaram. Do dia para a noite eles resolvem se rebelar e achar que tem o direito de governar o submundo? Não me venha com essa. Eles podem ser tudo. Mas inteligência nunca foi o forte deles. Ao menos não para competir conosco.

- Camus, já chega. Desenterrar o passado é proibido, e você sabe muito bem. – disse e mordeu levemente o lábio inferior e desviando o olhar.

Camus sentou-se em uma cadeira que ficava próxima a mesa. Fechou os olhos e afundou seu rosto nas mãos. Era muito difícil o francês perder a calma. Só em situações extremas, nem lembrava a última vez que havia perdido a calma daquele jeito. Obviamente quando se tratava de Saga não contava, afinal, qualquer um perderia a paciência com o grego. Podia sentir seu ódio borbulhando em seu peito, era incrível o modo que um simples sentimento podia fazer com que se sentisse tão vivo. Malditos lycans, pensava. A única vontade que sentia era exterminá-los um a um. Sabia que isso não traria seus pais de volta. Sua vida não voltaria. Pouco importava.

Aioros veio caminhando em sua direção, e parou atrás da cadeira em que estava sentado, colocando suas duas mãos em seu ombro.

- Você está tenso, Camus. Há quanto tempo isso não acontece? – perguntou quase que paternalmente.

O outro ignorou a pergunta. Estava com um humor péssimo e se dissesse alguma coisa, provavelmente sairia alguma ofensa.

- Esqueça isso, querido. Eu vou te fazer uma massagem. – anunciou o grego.

Começou a apertar o local em ritmos constantes. Ora com mais força, para logo depois massagear levemente. Sentia os nervos tensos de Camus, que logo começaram relaxar. Pressionava suavemente seu pescoço, percorrendo a curva perfeita, logo se dirigindo para o rosto, onde passou a massagear as têmporas, a mandíbula, as bochechas.

Quando sentiu as mãos do outro se distanciarem da sua pele, emitiu um ruído em frustração.

- Oh, Aioros, não pare. – sussurrou, com os olhos fechados e fazendo leves movimentos circulares com a cabeça.

- Não vou parar. – foi apenas o que o grego disse, para logo dar a entender que queria que o francês retirasse a camisa que vestia. Logo, ergueu os dois braços, para em seguida, Aioros puxa-la para cima. Encarou a pele nua na sua frente. Branca como neve. A ausência de pelos era realmente fascinante e cada pedaço de seu tórax era perfeitamente desenhado.

Pressionou as mãos em seu ombro por várias vezes. O que arrancava vários gemidos roucos do francês. Sorriu para si mesmo. Passava a ponta dos dedos por toda as costas do outro, pressionando precisamente nos lugares em que mais precisavam de relaxamento. Podia sentir Camus consideravelmente menos tenso. Abaixou-se e roçou os lábios em seu pescoço, o que fez o francês se remexer. Assoprou levemente sua nuca e em seguida mordiscou sua orelha. O que, dessa vez, arrancou um gemido contido do outro.

- A-Aioros... O que está fazendo? – perguntou Camus. O outro sorriu.

- Não está claro, querido? Estou tentando te excitar. – explicou em um tom divertido.

Inquieto, o outro protestou.

- Percebe-se. Se você me deixar excitado, provavelmente nós iremos acabar sem roupas e transando loucamente, Aioros. Melhor parar enquanto há tempo. – alertou.

- Mas, é exatamente essa a intenção, Camus meu amor. – disse, enquanto passeava as mãos pelos dois braços do menor, passando, logo a percorrer seu peito, descendo para o tórax.

- Está jogando sujo. Eu com certeza não irei relaxar se fizermos. Pelo contrário.

O grego caminhou e parou a frente de Camus. Seus olhares se encontraram.

- Mas... Relaxar não é exatamente o que você quer no momento, não é mesmo? – disse sensualmente em seu ouvido.

- Aioros, seu maldito. – sorriu malicioso.

- Apenas jogue meu jogo. – continuou no mesmo tom que usava antes.

Camus arregalou levemente os olhos, ao notar que a menção dessa frase o fez lembrar de Milo. Se chutou mentalmente e também a Aioros por fazê-lo lembrar.

- Bem... Aioros, não me entenda mal, mas... Isso pode ficar para uma outra hora? Eu... Não estou me sentindo bem, e... – seu mau-humor voltando rapidamente ao se dar conta que não havia realmente um motivo para não se render ao grego e também por saber que, na verdade não estava se sentindo mal, salvo as náuseas que estavam vindo uma rapidez impressionante, apenas por se dar conta de que estava recusando um momento de luxúria com um vampiro sensual como Aioros por causa de um ser humano irritante, impulsivo e escandaloso.

O moreno sorriu de leve.

- Tudo bem, Camus. Eu entendo que você não queira transar comigo, afinal, isso está virando privilégio apenas de Saga, não é? Será que vocês dois virarão o novo Ikki e Shaka da mansão? – soltou uma risada gostosa e em seguida abaixou e entregou a camisa branca que estava no chão para Camus.

- Fique quieto. Não é por causa disso. Eu estou realmente me sentindo mal e se você não calar a boca nesse momento eu vou vomitar sangue na sua cara e na sua roupa. – respondeu o francês em um tom extremamente perigoso, ao mesmo tempo em que vestia sua camisa e colocava-se de pé.

- Haha, relaxe, Camus. Eu estava apenas brincando. Tudo bem que você não queira. Afinal, até eu tenho meus dias 'não-me-toques'. – comentou. O menor ignorou a ironia do outro e dirigiu-se para a porta.

- Estou indo, Aioros. Preciso dormir, o sol já apareceu e mais tarde tenho uma cirurgia para fazer.

- Ora, não seja bobo, querido. Você tira uma simples cirurgia de letra, poderia fazer até mesmo de olhos fechados. – sorriu para o francês.

Camus balançou a cabeça e bufou como um dragão. Deixou Aioros falando sozinho e subiu as aparentemente intermináveis escadas da mansão. Virou-se para a esquerda e entrou no penúltimo quarto do corredor que possuía as paredes pretas e as cortinas vermelhas. Entrou em seu quarto, rapidamente tomou um banho e entregou-se ao tão esperado sono.

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Nota da Autora: ¹"Allons, donnez-moi un baiser:" "Vamos, me dê um beijo."

²"Oh, je suis désolé. Est-ce que je peux me racheter?" "Oh, meu Deus, desculpe. Eu posso me redimir?", Ambos em francês, mas não garanto que a tradução esteja cem por cento correta. ;D

Continua...


Observação: Sim, o Aioria e o Saga tem problemas mentais. XD

Aí está o segundo capítulo. Postei pra caramba, mas eu não conseguia mais deixar isso aqui. Preciso de material novo. XD Eu espero que estejam gostando. Eu quero deixar claro que, a fic é Milo x Camus, SIM. Mas essa fic é meio grande, então é claro que ocorrerão outros fatos antes do esperado beijo. :D Não tenho muita coisa escrita quase nada, pra ser mais exata. xD, mas prometo postar o mais rapido possível. Estou sendo atacada por um momento de inspiração ultimamente! hahaha, yokatta!

Até o próximo capítulo. Bom feriado pra todos e bom show pro pessoal que vai pro show do Miyavi. T.T

See ya soon. Take care, minasan!

Uchiha Mika. o/