Capitulo 2 – Aquelas que guerreiam com alma
-A ordem da luta definiu este combate entre Fê de Dragão e Ka de Camaleão! – disse Miri, que seria juíza das lutas. – Que comece a luta!
Ka chibateou o seu chicote no chão e ele se enrolou em torno de seu corpo, enquanto Fê se arrumava em uma posição. Elas se encaravam e nenhuma se movia. Até a hora que Ka perdeu a paciência e saltou para um ataque com vários socos e chutes. Fê se desviava com cuidado, sabia que se ela realmente se defendesse seria uma complicação e tanto, já que Ka poderiam não saber sobre sua armadura...
-Chicote de Camaleão!
Ka atacou com o chicote e Fê apenas se curvou de modo que o escudo do Dragão no braço esquerdo a protegesse. Ka continuou o ataque em velocidade incrível e Fê só utilizava o escudo, com mesma velocidade.
Ka deu um salto para trás, tomando boa distância. Ela arregalou os olhos ao reparar que o escudo de Fê não tinha nenhum arranhão!
-Isso não é possível! O escudo não sofreu nada mesmo depois de centenas de ataques do meu Chicote de Camaleão!
-Esse é o escudo do Dragão, é mais resistente que tudo! Você não pode arranhar um tiquinho sequer, pois de duvidar sua resistência é superior ao diamante! – explicou Fê.
-Humpf, se escudo é tão bom assim, como é que ele perdeu para a Excalibur do meu mestre? – cochichou Nina para Leli.
Camaleão não acreditava no que ouvira! Ela partiu para o ataque de novo e Fê novamente usou o escudo. Um dos golpes do chicote não iria chegar a tempo no escudo e Fê apenas segurou o chicote e rapidamente desferiu um soco na arma. O chicote de Camaleão ficou bem rachado.
Ka ficou surpresa, mas apenas falou:
-Você só se defende! Quero ver seu ataque!
-Eu não desejo fazer isso... Se estamos só treinando não... – disse Fê, mas foi interrompida por Ka.
-Vamos! EU QUERO VER!!
Fê viu que não ia ter outra... Ela fechou os olhos e elevou seu cosmo, e ao abrir os olhos e veio correndo em direção de Ka. Antes que a amazona de Camaleão pudesse fazer algo ela foi atingida pelo:
-CÓLERA DO DRAGÃO!
Ka foi atingida em cheio pelo golpe e caiu no chão, ela se levantou, mas logo caiu de joelhos, respirando com certa dificuldade! O chão onde Ka caiu estava rachado, parecia até que uma bomba caíra ali.
Fê também respirava com dificuldade. Ela finalmente ficou completamente de pé, vitoriosa.
-Fê de Dragão ganha este combate! – e Miri correu até Ka, ajudando-a se levantar e a sentou num banco. – Você está bem?
-Sim... Fê não usou toda potencia de seu ataque!
Miri pediu que Leli a ajudasse. Se posicionou entre Yuki e Sarita para a próxima luta:
-Agora, as constelações que irão se confrontar são Andrômeda e Cisne! Que se inicie a luta!
Sarita fez com que um frio surgisse e Yuki se concentrou para que as suas correntes a envolvessem para uma perfeita proteção. Mas de repente, a corrente se aproximou mais e mais de Yuki, com o intuito de protege-la e procurar calor para se mover. O frio ficou tão intenso que uma neblina cobriu todo o local e ninguém mais viu nada. Só Miri, que já estava acostumada com isso pode ser capaz de ver toda a luta!
:U
Santuário, Atenas – Grécia
Uma moça alta, vestindo uma armadura dourada se aproximava da casa de Virgem. Tinha cabelos meio castanhos frisados, presos numa trança que se confundia com os nozinhos que nascia do elmo de sua armadura. Ela adentrou o local e viu no meio do salão um rapaz loiro, mas um pouquinho gordinho e grandalhão. Estava meditando, e falou:
-O que faz aqui em minha casa e a casa de meu mestre? Que falar comigo ou com Shaka, Dezi de Escorpião...?
Dezi se aproximou do rapaz e sentou na sua frente, de forma dissimulada, como se ele pudesse ver por debaixo de suas pálpebras.
-Trago um recado de Mister-Pum de Câncer e IBA de Peixes... Kurt de Virgem...
-O que eles querem?
-Que você nos ajude... – respondeu Dezi.
Kurt fez uma careta de não compreender a situação. Dezi o satisfez com uma resposta:
-Eles sempre desejaram destronar Miri e Leli, amazonas de ouro de Aquário e Leão, tidas como as mais importantes amazonas de ouro... Parece que Nina, mesmo desajeitada está também ganhando status nisso tudo...
-E vocês querem destruí-las? – indagou Kurt.
-Sim, queremos o poder do Santuário... Elas e outras amazonas não nos tolerarão, ora, vamos Kurt, se nos ajudar, terá muitos bens... – ela disse essa ultima frase de modo mimoso.
Kurt elevou o seu cosmo, como voltasse a meditar e no meio disso tudo ele respondeu:
-Pobre Miri e Leli, detestadas por serem fieis a Atena e por serem diferentes... Elas são pessoas legais e não desejo fazer mal algum contra elas...
Dezi fechou a cara, cheia de raiva. Ela elevou seu cosmo, pretendendo atacar Kurt, pois ele sabia de seu plano. Kurt interveio:
-Não irei fazer nada, somente observarei a situação se desenrolar... Ou está disposta a perder seus cinco sentidos, Dezi?
Dezi não sabia agora se atacava ou não. Por fim, baixou o seu cosmo ofensivo e murmurou entre os dentes:
-Se contar algo ao mestre...
-Mister-Pum e IBA são meus amigos, eu não costumo dedar meus amigos. Mentira tem perna curta, Dezi, cedo ou tarde, o mestre saberá – e ele abriu os olhos. – E então eu cumprirei definitivamente meu dever de cavaleiro, exterminando os maus no Santuário. Boa tarde... – Kurt se retirou para seus aposentos. Dezi o observava sair dali.
Ela então seguiu para a Casa de Câncer para relatar as novidades a Mister-Pum...
ÒÓ
-Sumiu tudo! Ta um frio danado de bravo! – exclamou Ka.
-Cadê todo mundo? Sarita e Yuki? – indagou Ci.
-Droga, assim não vamos ver nada! – reclamou Sté.
-Miri deve ver... Esse tipo de poder é de um guerreiro de gelo... – completou Fê.
Miri estava de pé, um pouco à frente da amigas, com seu cosmo ao máximo. Assim como Fê, Miri usava seu cosmo nas lutas para enxergar melhor e fora usava óculos. Miri usava o cosmo dourado e gelado de Aquário para ver a luta travada entre Yuki de Andrômeda e Sarita de Cisne...
-Minha corrente! – disse não crendo no que via Yuki.
Suas correntes regressavam com o frio. Yuki era o seu apelido, e por ironia significa "neve" em japonês, mas ela e sua corrente não gostavam do frio pelo jeito.
-E eu ainda nem ataquei, Yukizinha. – brincou Sarita.
-Chegando em casa eu ainda vou fazer montinho em você, ouviu? CORRENTE DE ANDRÔMEDA!!
A corrente se esticou para atingir Sarita, mas ela atacou com o Pó de Diamante, e a corrente parou de reagir com o frio e caiu no chão...
-Minha corrente... De novo não! DEFESA CIRCULAR!
A corrente com a ponta de bola a circundou e Yuki forçava a corrente a se esquentar e esquentar ela mesma.
"Eu não to a fim de perder! Tenho de pensar em algo, mas também não posso ir atacando a torto e direito." – pensou Yuki.
-PÓ DE DIAMANTE!
Yuki saltou e foi cair numa árvore. Sarita a perseguiu com vários Pós de Diamantes. E Yuki saltou para cima de Sarita, fechando a mão. Iria começar uma luta de corpo a corpo. Mas foi muito rápida e as duas se distanciaram novamente. Tudo dentro da neblina ainda.
-O que está acontecendo, Miri? – perguntou ansiosa Sté.
-Uma luta... – disse Miri, que não suportava o estilinho de Sté. Miri respondeu de modo grosseiro, bem ao estilo "estou de saco cheio".
-Ai, isso eu sei, "miga", quero detalhes!
Miri se virou para Sté e a agarrou pelo pedaço da blusa que aparecia no meio da armadura dizendo:
-Se você quer saber, vai lá, mané! Eu não tenho cara de narradora esportiva, falou?
Miri soltou Sté e passou a observar a luta novamente. Yuki iria usar o:
-CORRENTE NEBULOSA!
Em contra ataque a isso, Sarita estava usando o:
-TROVÃO AURORA, ATAQUE!
Ouve um choque de poderes grandiosos. Yuki sentiu suas costas doerem contra uma árvore e Sarita caiu sentada no chão. Sarita se levantou, com dificuldade e Yuki não conseguia sair sequer do lugar. Miri expandiu seu cosmo e fez a neblina se desfazer. Ci reclamava:
-Ora, se ela podia fazer isso, por que não fez?
-Sarita quis lutar desse modo e Miri soube respeitar... – respondeu Nina, que apesar da calma, estava ansiosa para saber do resultado.
-Sarita vence Yuki... – murmurou Miri, entediada. Fê foi socorrer Yuki, que agora estava melhor que na hora do impacto.
Mister-Pum desceu um soco na mesinha de mármore da Casa de Câncer. Dezi estava imóvel, com susto que levara.
-Aquele babaca do Kurt! Se fosse amigo mesmo nos ajudaria! – gritou Mister-Pum.
-Calma, ainda é só o começo... Ele ainda vai ser nosso aliado... – tentou acalmar Dezi.
Mister-Pum estava no auge da raiva e não ia escutar nada direito!
-Aquele filho da (censurado)! Só sabe imitar o mestre dele e ficar dormindo o dia inteiro!
-Não seria "meditar"? Seria bom você chegar a fazer isso...
Um raio de luz lilás cortou a casa, passando raspando por Dezi. Mister-Pum parecia um "Mar em Fúria" e não se controlou ao tentar atacar Dezi. Um perfume pairou no ar daquela casa zodiacal. E várias pétalas vermelhas invadiram o local.
-Ora, vamos com calma, hum?
IBA estava entrando, vestindo sua armadura de Peixes. Estava com uma de suas rosas na mão esquerda.
-Ao que tudo indica, Yu não pretende nos dedar... Então calma...
-E VOCÊ IBA, já falou com Clan de Sagitário?
IBA fez uma careta e depois balançou a cabeça em negativa dizendo:
-Ele não aceitou a parada.
Dezi completou:
-Line de Touro não adianta falar, afinal, ela e Miri são colegas de teatro. Edu de Áries também é amiga dela e Leli.
-Já pensou sobre Tata de Libra, Pedro de Gêmeos?
-Creio que não nos ajudariam também...
-E o Pequinês? Aquele assistente porcaria de Saori Kido? – gritou Mister-Pum
-Ele virá...
Um outro descendente de japonês entra na história. Vestia uma armadura preta, com asas de borboleta.
-O espectro da Estrela da Terra Encantada, Di de Borboleta...
Dezi agora estava em fúria! Ela partiu para cima de Mister-Pum, irritada:
-Agora vai meter espectros de Hades na história?
E os quatros ficaram gritando um com o outro. Kurt estava na entrada de Leão, observando a casa anterior.
"Vocês estão indo longe demais..." – pensou o cavaleiro.
O.o
-Agora, para dar um tempo para Fê e Sarita descansarem, que comece a luta entre Ci de Cobra e Sté de Vampiro!
As duas se encaravam, mas paciência não era o sobrenome delas e as duas partiram para o ataque ao mesmo tempo, com golpes sincronizados. E num ataque igualzinho, caíram no chão rapidinho...
Todas olhavam feito bobas as duas caídas no chão.
-Caracas, nem nas minhas coreografias eu ficava tão sincronizada com minhas colegas quanto elas ficaram agora! – murmurou Miri.
-Ass, tinha que ser a Miri para falar de dança... – comentou Leli, tentando dar um "pedala" na amiga. Mas Leli era mais baixa que Miri, e a amazona de Aquário é que deu um "pedala" em Leão.
-Pedaaaaaala, Ameba!
E Leli, coçando o local onde Miri bateu comentou:
-É, mas as amebas vão dominar o mundo!
-Aprendiz de bruxa!
-Bobona!
-Ah é? Então xinga o Dado!
-Bobo!
-AÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊ!!
Todas ali presentes fizeram um coro nesse "aê". Era umas das brincadeiras favoritas, "xingar o Dado".
Leli evitava realmente xingar o Dado, falando "bobo". Mas as outras ficavam radicais. Miri era tapadinha também e às vezes demoraaava para entender a situação. Por isso, perdeu chances maravilhosas de expandir seu "vocabulário" para o mundo.
-Ta, garota Ameba, ta na hora de você e Nina lutarem, ouviu?
Leli se dirigiu ao centro junto com Nina. Nina arrumava o braço na posição da Excalibur e Leli fechava a mão direita, com a esquerda em defesa.
-É melhor se afastarem. Eu conheço bem esses golpes delas. A Cápsula do Poder vai para tudo quanto é canto e Excalibur também vai longe! – disse Miri, fazendo sinal para as amigas se afastarem bem. – E vou ficar lá, para mim não há problema. E eu tenho que impedir uma possível batalha dos mil dias...
Miri se dirigiu para o local da luta. As outras amazonas murmuravam entre si:
-Mas que historia é essa de "batalha dos mil dias"?
-Quando cavaleiros de ouro, com seus cosmos em equivalência, não desempatam e lutam por mil dias ou somem na união de seus cosmos... – explicou Fê, preocupada com o que Miri dissera.
A outras arregalaram os olhos, preocupadíssimas...
-Tem algo estranho com a Dezi...
Camus tinha convidado Miro para um chá na Casa de Aquário.
-O que está tão estranho assim? – perguntou Camus.
-O cosmo dela perdeu a tranqüilidade que tinha. Parece um turbilhão de ambição... – respondeu Miro, tentando imaginar coisas nada agradáveis. – E ela está indo muito em visita a casa de Câncer e Peixes... Sabe bem a fama dos cavaleiros dessas casas.
-Que eu saiba, Afrodite e Máscara da Morte treinaram dois colegas de escola dela, o IBA e o Mister-Pum... Não há nada de mal nisso, mas... Essa história do cosmo ambicioso... De fato preocupa, Miro. – comentou Camus.
Camus se levantou e foi buscar a chaleira e os saquinhos de chá. Miro apontou para um de chá de laranja, seu favorito. Eles se serviram e enquanto Miro fazia "sanduichinhos" com o biscoito de maisena, fez uma pergunta.
-E a sua aprendiz, Miri?
Camus enrubesceu ao ouvir o nome da pupila.
-Bem... Ela vai bem. Conversamos hoje no MSN, disse que virá amanhã...
-Hã, Camus, posso te perguntar uma coisa?
-Vai... – respondeu Camus, comum tom de inicio de tédio.
-Você gosta de um outro jeito da Miri, não é?
Se Camus já estava com as bochechas coradas, agora ele estava um pimentão! Ele é uma pessoa fechada, e racional. Raramente demonstrava sentimentos, como agora. Miro percebeu que isso realmente podia ser verdade. Conhecia bem o amigo.
-Q-Que o-outro jeito?
Camus suava frio. Estava nervoso e tímido. Coração não era um tema que gostava de falar.
-Você A-MA ela?
-Não, c-claro que não! E-Ela é minha p-pupila! – gaguejou Camus, que tentava disfarçar seu embaraço.
-Vai dizer que não curte ela? Ta certo que não é uma modelo, ou se arruma às vezes, mas bem que aquela luzes douradas no cabelo escuro dela não contrastam com seu coração... – brincou Miro.
Camus não conseguia disfarçar mais, e respondeu sem jeito:
-Não sei, Miro... Não sei...
-Não sabe o que? Se contrasta ou se a ama? – ferroou Miro.
Camus respondeu, ainda com a voz mais falha de nervosismo.
-Aquelas luzes que ela passou no cabelo ficaram bem suaves, mas eu quis, eu quis dizer que... AAAAAAAAAAAAAAAAAAH, não sei dizer isso!
-Ah, tudo bem, já saquei! – completou Miro, mordendo um pedaço do biscoito. – Você gosta sim, dela. E quer ficar com ela, certo?
Camus se acalmou um pouco, e com a voz um pouco mais firme, mas ainda sim tímida respondeu:
-Ta, eu gosto dela Miro, mas não é bom que eu fique com ela... Já viu o que vão falar por aí...
-O amor supera tudo... Você mudou bastante quando ela apareceu... Camus, você me disse que quando você perdeu sua família, não tinha mais vontade de nada, só lutava por que tinha e tal... Mas isso mudou quando ela apareceu, certo? – disse Miro, em tom solene.
Camus ouvia o amigo. Ele aprendeu a escutar os outros, após muitas cabeçadas e gostava do que Miro falava.
-Mas ela também não gosta muito de viver em grupo. E não confia nas pessoas como antigamente... Muito menos no coração dela...
Miro fez uma careta ante aquela frase.
-Ela te curou e você irá curar ela com esse sentimento! Se ela conseguiu, você consegue! Não se importe com que os outros falarem de vocês, ou o que a sociedade acha! Se importe com ela e com você quanto a isso! Eu já dou meu apoio total nesta história! – Miro estendeu a mão. Camus o olhou sem jeito e por fim estendeu a mão e cumprimentou o amigo em agradecimento.
-Obrigado, Miro...
-Ei, mas agora deixa eu terminar meu chá, senão esfria... E EU TO MORRENDO DE FOME!
Camus riu da afobação do amigo ao comer. E enquanto apreciava seu chá, olhava a paisagem pela janela e se lembrou da pupila.
Continua...
