Capitulo 3 – A luz vermelha que corta a dourada

Capitulo 3 – A luz vermelha que corta a dourada

-Nina de Capricórnio vs. Leli de Leão!

Miri anunciara mais uma vez as guerreiras. Miri abaixou os olhos, essa era a luta que preocupava, uma luta entre amazonas de ouro.

"Pelo amor de Deus, não entrem numa Guerra de Mil Dias...!" – pensava a amazona de Aquário.

-Comece!

Nina veio com tudo e seu braço estava em posição da Excalibur. Leli se arrumava velozmente para se defender. Nina golpeou Leli e ela jogou o golpe de Nina para outro lugar, cortando um grosso galho da árvore como se fosse folha de papel crepom. As duas atacaram com soco e os dois golpes foram parar nas mãos esquerdas das duas douradas. Elas ficaram num chove não molha desses socos um bom tempo até que Leli saltou para trás e usou o:

-CÁPSULA DO PODER!

-Oou... vão para trás rápido! "Não vai dar tempo" Pó de Diamante! – pensou conflitante Miri, que congelou todos as luzes do golpe de Leli para proteger as demais. Eram socos na velocidade da luz e de tão rápidos, não davam para controla-los de forma certa e alguns escapavam do raio de luta.

Nina defendeu cada luz com a espada santa em seu braço, como os guerreiros defendem os golpes de espada do inimigo em filmes de guerras antigas.

-Você é boa Leli, mas você não vencerá minha Excalibur! – disse ofegante.

-Estou gostando da nossa luta, pena que meus relâmpagos te atravessarão... – responde Leli na mesma altura.

"A primeira que fizer qualquer dano à outra vencerá. Se for neste ritmo, Leli e Nina entrarão na batalha de mil dias..." – pensou Miri, já preocupada com os ataques verbais das companheiras.

-RELÂMPAGO DE PLASMAAAAA!!

-EXCALIBUUUUUR!!

Um choque de forças, uma explosão de poderes. Miri elevou seu cosmo mais uma vez e ficou de costas. Com seu corpo e armadura, seu cosmo gelado, defendeu de novo as amazonas menores. A maioria estava ferida ou desacordada, só havia umas duas em condições de defesa, mas mesmo assim, mesmo assim...

-Ah, Miri!

Miri caiu no chão após o termino da explosão. Estava acordada, só um pouco tonteada. Fê correu até a amiga.

-Estou bem... – respondeu Aquário, com um largo sorriso no rosto. Ela então se levantou e foi verificar a luta. Nina e Leli estavam de pé como se nada acontecesse. Então a ombreira da armadura de Capricórnio tinha um rachadinho pequeno.

-Ok, chega! A vitória é de Leli. Vamos embora, a explosão deve ter chamado a atenção dos vizinhos! Outro dia eu decido com Leli a nossa luta.

Todas concordaram e foram embora para a casa de Fê, já sem suas armaduras. Chegando lá, cuidaram dos arranhões e lancharam algo. Miri sentou num canto do chão da sala. Estava quieta.

-Está bem mesmo? – se aproximou de Fê.

-Estou igual a Nina e Leli.

Miri abaixou a cabeça e fechou os olhos.

-Fê, o que está pensando sobre mim? Tem algo diferente nos seus olhos com relação a mim...

-Nada.

Fê disfarçava a teoria que tinha sobre o relacionamento entre Miri e Camus. A amiga tinha reparado nisso?

-Fale a verdade! Você acha algo não acha?

-Por acaso gosta do seu mestre de outra forma? – perguntou Fê, entregando a resposta junto.

Miri enrubesceu. Fingiu ficar estressada.

-Pirou? Ele é MEU MESTRE, não dá certo! Não dá! E eu não tenho interesse algum!

-Então por que está vermelha?

Miri fechou ainda mais a cara. Ficou de costas para a amiga, emburrada, e encostou-se na parede, olhando a dobra da mesma. Fê entendeu e saiu dali, deixando Miri a sós com seu coração.

"Camus..." – pensou Miri.

:)

-Dezi, onde estava?

-Estou indo embora para casa, tchau!

Miro de Escorpião puxou sua aprendiz pelo braço. Dezi fechou a cara, não gostando.

-O que está tramando? – perguntou o cavaleiro.

-Nada. Aliás, tenho que te dar satisfação de tudo? – retrucou a garota, se desvencilhando da apertada que levou de seu mestre. – Eu tenho tarefa, tchau!

-Tchau nada! Você anda muito estranha ultimamente, menina!

-Eu já disse, não lhe devo satisfação!

-Deve a partir do momento que se tornou minha pupila! – gritou Miro, já a ponto de explodir. Seu temperamento era típico assim.

Dezi empurrou seu mestre e atravessou o espelho que usava para pular do Brasil para a Grécia. Aliás, na verdade, os cavaleiros raramente usam aviões ou coisa parecida. Com seus cosmos num espelho, eles usam como portal.

Assim que Dezi sumiu, Miri apareceu, com a caixa dourada da armadura nas costas. As luzes douradas no cabelo negro, proeza de uma amiga da mãe, contrastavam no sol da Grécia de forma tão bela. "Talvez foi isso que enfeitiçou meu amigo", pensou Miro.

-Oi, senhor Miro! Como vai você? – perguntou educadamente e com um imenso sorriso.

-Bem, veio visitar Camus?

Miri respondeu sim com a cabeça e alguém tropeçou e caiu em cima dela. Ou melhor, "alguens" tropeçaram...

-AAAAAAAH, MENINAAAAAS!

-Desculpinha, Mi... – disse num tom bobinho a amazona de Leão.

-Nhoca... – comentou Fê de Dragão.

-Foi culpa da balofa da Leli! – reclamou Sarita.

-Balofa? Não seria melhor da "Barrichelo"? – brincou Yuki. – Ué, assim que a Miri chama a Leli, não?

Miri estava irritada. Depois da curta (e grossa) conversa com Fê sobre seu coraçãozinho apertadinho, Aquário estava voltando ao comum: alegre e infantil. Mas tinha que chegar algumas pessoas para lhe atrapalharem...

-Miro, você esqueceu o seu "Código da Vinci"... Ah!

Camus estava chegando ao local, na entrada (para ele, mas na realidade a saída...) de Escorpião.

-Miri... Você não ia...?

Camus estava vermelho e Miri estava para ficar do mesmo modo. Ela sorriu e apenas respondeu, sorrindo ela disfarçaria qualquer coisa...

-Ah, quis vir hoje... Não foi legal?

-Foi... – respondeu Camus, sorrindo tímido, um sorriso que nem o próprio Miro tinha visto.

-E o que fazem aqui, meninas? – perguntou Miri se virando para as amigas, que ouviam e viam com olhos e orelhas deste tamanho!

-Vim visitar meu mestre e meu colega! – respondeu Fê.

-Viemos acompanhar a Leli na visita a Aiolia! – responderam em coro Yuki e Sarita.

-Ah, pode contando tudo, Miri-chan! TCHURURUUUU! – brincou Leli.

-FECHA A MATRACA, LELI! – gritaram as amazonas.

Miri se aproximou das amigas, com os cabelos negro-dourados sobre a face. E num único chute as mandou rolarem escada abaixo.

-Enxeridas! – resmungou fungando a pobre irritada da vez.

Miri pegou sua bolsa e começou a subir, batendo os pés. Camus olhou para Miro que disfarçadamente deu de ombros. Camus revirou os olhos, não crendo que aturaria Miri daquele jeito. Miri podia ser um doce, mas quando ficava nervosa, tinha de esperar a boiada passar, pois Miri ficava pior que o Katrina.

Coitadinhas da amazonas Leli, Fê e Yuki. Yuki começou a gritar com Leli:

-Que que tu tinha que abrir a boca!? Olha a cagada que fez!

-Foi sem querer...

-Nem eu tenho 100 de certeza dos sentimentos dela. – murmurou Fê.

-Sentimento de quem?

Shiryu estava fora da casa de Libra. Tinha ido fazer uma das visitas a seu mestre, que também era mestre de Fê.

-Ah, oi...

-Sua listinha também aumenta, Fê? – murmurou Leli.

Fê é que não gostou do comentário, e resolveu meter "pequeninos" socos tãããão de "levinho" na cabeça de Leli, bem igual ao que o Inu-Yasha faz.

-Desculpa, é que estamos investigando se uma amiga nossa está gostando de uma pessoa... – respondeu Fê, disfarçando seu ato recente. Leli estava com os olhinhos negros em caracóis.

-Ah, eu to indo com a Leli para Leão. E tu Sarita, vai ver se o Hyoga ta lá em Aquário ou vai ficar ou vai descer? – perguntou Yuki.

-Subir e enfrentar a terrível fera do gelo, Miri-Chan? Não mesmo...

-Ronin da Terra... Instável como tal... – sussurrou pensativa Fê.

Shiryu fez um careta ante as palavras sem sentido da companheira. Fê sorriu, disfarçando outra vez.

E antes que Leli fizesse algum comentário, Yuki e Sarita a puxaram, tapando a boca.

Mas vinha alguém se aproximando. Kurt de Virgem, com Lu de Águia...

:8)

-Está agitado aqui, não é, minha prima? – murmurou Kurt para Lu. – Aqui no Santuário eu tenho que ficar de olhos fechados...

-Nem para uma simples conversa?

Kurt fez sinal de "sim" com a cabeça. Ele entrou dentro da casa de Virgem e sentou-se no chão, convidando a prima para sentar-se ao seu lado, mas ela se recusou e sentou numa coluna caída no chão.

-Miri está estranha... – comentou Lu, preocupada com a amiga.

-Miri? Mesmo que ela esteja... Peço que tome conta dela e das outras...

Lu arregalou os olhos. Proteger elas... Kurt percebeu a emudecida voz de Lu e revelou o que queria:

-Existe pessoas no Santuário querendo acabar com Miri, Leli, Nina... As temem tanto que desejam com todo clamor essas ações malignas...

-Quem?

-Dezi, Mister-Pum... E temo que metam ainda, Dudu de Pégaso...

Lu deu uma risada ao ouvir o último nome:

-Dudu? Aquela besta imprestável? Não sei como minha mestra o deu direito de ser cavaleiro.

-Mas senti cosmo diferente em Câncer. – completou Kurt.

-Ah, esquece, nada vai acontecer...

:-

-Vão bolar uma festa a fantasia no Santuário... – falou Camus. Ele tinha acabado de entrar na sua casa, seguido por Miri.

-Para Saga fazer isso... Deve estar entediado de ficar sem fazer nada, he!

Camus se aproximou de Miri e tocou-lhe o seu rosto.

-Teria tanta coisa para falar... Mas não posso, não consigo...

Miri empurrou de leve a mão do cavaleiro e fechou a cara:

-Odeio que toquem em mim! E também quero ficar longe dos sentimentos, cada vez mais...

-Miri, por que se fecha tanto? Ta tudo bem, não sou o exemplo disso, não posso falar muito... Mas você, você tem uma vida, menina.

Miri deixou a caixa do lado e sentou na cadeira. Ainda tinha água quente e uns saquinhos de chá. Camus ainda não guardara nada do chá com Miro. Então Miri se serviu e fazendo sanduíchinho de biscoito maisena, começou a comer.

-Foram os meus mais puros e sinceros sentimentos... Que mataram, sufocaram o meu coração... O que era confiança, virou rancor; o que era amor agora é ódio. – respondeu Miri, depois de engolir o pedacinho do "sanduíche" de biscoito.

Camus a olhou sem entender. Sabia que ela não contaria rapidamente, Miri de alguma forma, perdeu a confiança na maior parte da humanidade. Camus sentiu o coração acelerar mais e mais e tentou se aproximar de novo. Ah, que vontade de dizer o que sente!

-Camus, tu irá nessa festa do Saga?

Miri falou de sopetão. E com isso interrompeu a segunda tentativa de aproximação de Camus. – Se tu for, eu vou.

-Eu não tenho fantasia. – respondeu Camus desanimado.

-Faça uma costumização de alguma roupa sua... Pega uma roupa velha e modifique para algo que possa servir de fantasia. – explicou Miri, se levantando após terminar o lanche.

Camus pensou no assunto. Miri foi saindo da Mansão de Aquário e seguiu em direção a Libra, para chamar Fê e depois em Leão, para uma pequena vingancinha para Leli. Camus tentou parar e chamar Miri, mas esta já se encontrava longe de sua voz, de suas mãos...

Miri estava entre Sagitário e Escorpião. Clan de Sagitário a acompanhou até a saída de sua morada. Ele substituía Aiolos há poucos meses e era também um antigo colega de sala de Miri e continua... Clan era pequeno e até mesmo por isso, era considerado por todos como meiguinho... Era gentil também, ao contrário de várias criaturas da sala. Então, ele se retirou para dentro do Templo de Sagitário, e Miri ficou um pouco ali, descansando da descida cansativa.

De repente, uma luz vermelha e finíssima cortou o ar, passando de raspão por Miri, que se desviou com dificuldade.

"Mas esse ataque... É a Agulha Escarlate de Miro... Mas por que ele está me atacado??" – pensou Miri, enquanto pousava do salto que dera.

-Realmente, és bem ágil para se desvencilhar. É mesmo uma digna amazona de ouro, mas não te suporto. – disse uma voz escondida entre as várias pilastras ali. – Para ter o controle do Santuário...

-Essa voz... DEZI!!

Dezi saiu de seu esconderijo. Um sorriso maléfico enfeitava os seus lábios, enquanto caminhava em direção a Miri, vestindo sua sagrada armadura. Miri se levantava e a encarava com a frieza comum entre os guerreiros de gelo.

-Dezi, você está traindo ao Santuário...?

Dezi se ofendeu, e irritada retrucou:

-Traindo não, querendo melhorar! Saga não passa de um idiota e todos os outros cavaleiros! – e se aproximando um pouco mais de Miri completou descaradamente. – E há muito vejo escrito sobre você e Leli... Imensos poderes que me atrapalhariam... Antes que as estrelas os despertem, eu vou acabar com as amazonas mais fiéis!

Terminando a sentença começou a atacar Miri sem dó. Aquário desviava com dificuldade... Sua Agulha Escarlate era fantasticamente veloz para uma amazona de ouro sem a sua proteção.

"Dezi, a 'leitora' das estrelas... Passado, presente, futuro você vê, mesmo que não os entenda direito..." – pensou Miri, enquanto se desviava – "Você viu... Aquilo que quero esquecer do meu passado também?"

Miri se esconde por detrás de uma pilastra e viu que sua mão direita brilhava, e um emblema em forma de losango dourado-acobreado. Ela arregalou os olhos, assustada.

"Não! De novo não, isso não podia voltar!" – pensava desesperada a pobre menina. – Mas isso me deu uma idéia...

Miri posicionou a mão direita aberta e o emblema brilhou ainda mais na sua palma. Direcionou o feixe luminoso contra Dezi, que a procurava inutilmente, já que Miri desfez a presença de seu cosmo. Então ela gritou:

-ENERGIA DO ELEMENTO TERRA!!

E o brilho dourado atingiu Dezi em cheio, destruindo uma das pontas da ombreira. Escorpião caiu com tudo no chão e Miri saiu do seu esconderijo.

Quando Dezi se levantou e viu Miri, não a reconheceu: Uma estranha aura mista de dourada com cobre a envolvia, os olhos arregalados como a de um caçador preste a matar a presa, olhos com uma cor dourada na íris. O cabelo esvoaçava raivosamente e a mão direita brilhava a ponto de ofuscar a vista da amazona de Escorpião.

Miri levantou seu outro braço e os dois fizeram o movimento de erguer apenas a palma das mãos para o céu. Dezi sentiu uma força diferente em volta dela, mas não via nada. E dirigindo a palma de novo na direção de Dezi, fechou a mão com tudo.

Dezi sentiu ser espremida por uma força invisível e desmaiou. A mesma força a elevou um grande pedaço de mármore e fez com que ela se erguesse e voasse longe. Miri desmaiou após esse misterioso uso de força, que a desgastou em demasia. Caiu com a palma da mão direita a vista e o losango brilhoso virou um losango de tatuagem de henna.

Fê, que tinha tido uma intuição a respeito da amiga, subia as escadarias correndo, acompanhada por Leli, Yuki, Sarita, Aiolia, Shiryu e Dohko. Eles encontraram a amazona desmaiada e quando Fê se aproximou e viu a marca na mão da menina, sentiu seu sangue congelar e um arrepio correr na espinha. Sua face preocupada agora exprimia mais que isso: um susto, um pavor imenso...

-Não... Mas pensei que tudo tinha... tinha... – balbuciou a menina. Depois verificou sua mão direita nada aparecia, mas de repente, uma manchinha queria surgir ali, estava ainda num tom leve cinza. Ao terminar de ver, esta também desmaiou. Sarita e as outras acharam estranho tudo aquilo, mas não repararam nas marcas. E socorreram, levando Miri para Aquário e Fê para Libra. No quarto de Miri, encontraram escritas gregas antigas, talhadas misteriosamente por alguma entidade, talvez. Elas diziam:

"Salvem o Santuário, um dos traidores se revelou e vai destruir o Santuário..."

Aquilo tudo preocupou os cavaleiros ali presentes no quarto da menina...

Continua...