Capitulo 6 – Destinos entrelaçados

Capitulo 6 – Destinos entrelaçados

-Vou lhe contar... O porquê da sua ligação com Miri, Camus Baudelaire... – continuou a Sacerdotisa.

-O... Porquê...?

Todos ali observavam aquela mulher com intensa curiosidade. E também a Camus, já que muitos do que estavam ali imaginavam a tal "ligação", principalmente Miro, Saga, Shaka, Kanon, Mu, e Aldebaran...

-Kasumi e Miaka eram irmãs gêmeas, como você bem sabe. Porém, antes de tudo, eram gêmeas até na alma...

-Almas Gêmeas? – indagou Leli, sendo prontamente respondida pela Sacerdotisa.

-Mas, geralmente, as almas se dividem em pares, no caso das irmãs... Para elas havia mais uma alma. Essa terceira pessoa era Ryutarou, vizinho da família delas. É óbvio que as duas o amavam.

"Quando Miaka foi escolhida como Ronin da Terra, seus parentes a consideravam como uma sacerdotisa, portanto, não podia se casar e deram Kasumi por noiva a Ryutarou, mas ele gostava mais de Miaka.

"Mas Kasumi preferia o poder de sua irmã, além de Ryutarou. Essa inveja e vontade absurda juntou uma tremenda energia negativa e a transformou numa ronin também. A Ronin das Trevas..."

-Quer dizer, que, além de nós seis, existe mais uma ronin? – indagou Yuki, com os pequeninos olhinhos arregalados. – Como não poderíamos saber disso?

-Ela não é uma ronin oficial, apesar de existirem muito mais ronins... Esse é o grupo de vocês, entenderam? – respondeu a Sacerdotisa, que logo após, continuou. – Miaka mesmo amando Ryutarou, não queria tê-lo e aceitava seu destino. Mas tudo mudou, num dia em que Kasumi atacou todo o vilarejo...

:-P

(flashback)

-KASUMI!!

Miaka vê sua irmã toda tomada de várias sombras e uma arma, uma espécie de ceifa. Imediatamente ela se transforma. Ryutarou estava atrás dela, lhe perguntou, preocupado:

-O que está havendo, Miaka-sama?

-Um ataque provocado por Kasumi. Fique aqui, é perigoso! – respondeu Miaka, o empurrando para trás.

-Dê-me seu poder eu pararei de destruir, minha irmã...

-Nunca!

Miaka partiu para o ataque, usando uma espada de samurai, que logo é destruída pela ceifa de Kasumi. Ryutarou saiu de sua casa e correu até o campo de batalha, gritando para Kasumi:

-POR QUE ESTÁ FAZENDO TUDO ISSO? VOCÊ IA SE CASAR COMIGO, NÃO IA. PARE DE FAZER ESSAS MALDADES!!

-Está protegendo minha irmã, Ryutarou? – perguntou a malvada, com um olhar frio, maldoso e penetrante.

Um silêncio povoa os lábios de Ryutarou. Ele não sabia ao certo que responder... Esse silêncio, esse silêncio...

-Seu silêncio prova que sim... – concluiu Kasumi.

-Kasumi! Me escute...!

Mas nem terminou de falar o que tinha de falar. Um golpe da ceifa mortal de Kasumi o acertou e abriu um ferimento tão grande. Ryutarou caiu no chão, sangrando...

-KASUMI!! – gritou irritada, envolta por uma fúria fora do comum, Miaka.

.

Na hora em que a narrativa tinha ido para a morte de Ryutarou, Camus sentia perna bambear e caiu para trás. Sua expressão era de sofrimento e suas mãos pareciam tentar conter algo que viesse a sair desde seu peito até o ombro...

-Camus! Você está bem? – perguntou Shura, que estava no seu lado naquela hora.

-Senti... Como se uma faca me tivesse cortado... Senti o corte de uma lâmina em mim... – respondeu o confuso cavaleiro de ouro de Aquário.

-Miaka se enfureceu tanto e se tornou cheia de ódio com a morte de Ryutarou. Então Miaka, com o intuito de acabar com a alma de Kasumi, a retirou do seu corpo, fingindo querer purifica-la... Mas, a magia deu errada, e alma de Kasumi ficou aprisionada na alma de Miaka... – continuou a Sacerdotisa.

-E o que é que Camus tem haver com essa história para boi dormir? – perguntou bem mal-educado e estressado o cavaleiro de Câncer.

-Nada de trocadilhos, seu "sopa de frutos do mar"... – brigou Aldebaran, que havia interpretado a fala de Máscara como provocação.

Máscara da Morte fez "fusquinha" com a frase lançada por Touro e os dois ficaram se encarando.

-Meninos, calma, deixa a moça ali terminar... – disse Afrodite, apartando uma provável briga. – Continua...

-Camus, nesta vida... Você é o Ryutarou...

Como se um raio tivesse caído em cada um ali presente. Um choque. Pelo menos, explicaria porque Camus caíra quando se falou de como Ryutarou faleceu, aquela dor de um corte de lâmina e a sensação de o sangue sair do corpo por aquele corte.

-Isso quer dizer o que, senhora? – perguntou Camus, que se levantava devagar, com auxílio de Capricórnio.

-Só você pode salvar e proteger a Miri.

"O amor de Camus Baudelaire... Protegerá Miri Castilho..."

Camus ficava vermelho feito pimentão, enquanto os colegas já reparavam no enrubescer de nosso amigo. Fê ria, uma gargalhada gostosa ante o quase desespero do cavaleiro de Aquário.

-Eu já imaginava... Essa história só me fez concluir minha teoria... – riu Fê.

-Teoria? – perguntou todos num coro.

-Eu já sabia que a Miri gostava do Camus e já imaginava que ele a amava... Agora ta confirmado... – respondeu a amazona de Dragão e Ronin do Ar.

-Não parecia... Miri é tão irritada e turrona... – disse Aiolos, pensando alto.

Aiolia dava um "pedala" no irmão, seguido de um "êêêêrr" dos cavaleiros e amazonas.

-Claro que Fê iria descobrir... – falou Dohko. – Já reparei que as duas vivem de tititi... Além de que ela é bem observadora. Tinha que ser uma pupila minha...

Shaka e Saga cochichavam enquanto Dohko estufava o peito de orgulho:

-O que que deu nele?

-Sei lá, isso está me cheirando outra coisa...

-Gente, nós viemos falar sobre o nosso passado e não do coração do Camus ou da Miri, lembram? – gritou Sarita, um pouco irritada.

-Acho que já falamos tudo o que tinha pra ser falado, Sarita... – comentou baixinho Lu, enquanto uma gotona escorria do rosto de Sarita.

-Ôôu... – murmurou Sarita.

Todos riram da cara da amazona de Cisne. Inclusive Camus, que com a palhaçada, tinha esquecido até mesmo a conversa... e sua amada Miri...

ÒoÓ

-Em algum lugar-

-Dezi... Já estou entediado, quando vamos atacar o Santuário?

IBA reclamava, enquanto se abanava com um leque de promoção litorânea, e ele estava deitado num sofá rasgado. Dezi encostada numa parede, o olhou, fulminante, com que quer dizer um "cale a boca" bem irritado. Mister-Pum estava sentado no chão no lado oposto, jogando truco com Dudu, Di e Pequinês, um auxiliar (ou melhor, ex) da Saori.

-TRUCOOOOOOOO! – gritou Di, um espectro de Hades, que havia desistido de seu senhor para ser um novo deus sobre os homens. Enquanto dizia gritava feliz, viu seu mundo desabar, quando Pequinês lhe mostrou uma carta que fez com que ele ganhasse o jogo.

"E vocês querem conquistar o Santuário?... Lamentável..."

Uma voz ecoou naquele lugar. Ninguém sabia de quem era e ficaram atentos, se preparando para o ataque.

"Huh, estou querendo ajudar, afinal, eu sou a verdadeira líder de vocês..."

-Eu sou a líder aqui, falou? – gritou Dezi, olhando em todos os cantos para ver se achava alguém.

"Certeza?" – e dizendo isso, uma força se voltou contra todos ali, que foram contra a parede.

-Onde está, sua maldita? – gritou Mister-Pum, preparando o ataque do Sekishiki.

"No espelho..."

Todos olham para a estrutura prateada, refletora de imagens e vêem uma jovem com quimono negro como sua armadura ao estilo samurai, cabelos longos e dourados e olhos castanhos.

-Quem é você? – indagou Dudu de Pégaso.

Algo saiu do espelho. Uma espécie de medalhão com vários desenhos entalhados.

"Peguem isso e suguem a minha alma verdadeira que está presa no corpo de Miri de Aquário. Assim vocês a derrotaram, por que ela morrerá..."

-Você ainda não respondeu a nossa pergunta.

A imagem riu, maléfico.

"Meu nome é... Kasumi... E com esse medalhão, iram conseguir fazer algo impossível nas doze casas: se teleportar entre elas..."

-Teleportar...? Nem Mu, nem Mila e nem Edu conseguem fazer isso, os mestres dos poderes da mente... – murmurou Dezi.

(:-)

Miri, sem saber de tudo isso, pegava sua mochila ferozmente para ir embora. Pensava em sumir por uns tempos do Santuário. Camus assistia a cena, entristecido. Não sabia o que fazer com o que a Sacerdotisa lhe contara. Então, já quase sem paciência (mas com um rosto sereno), tocou no ombro de Miri. Ela o encarou.

-Calma... Ninguém aqui está contra vocês, antigas ronins...

-Eu quero dar um tempo disso tudo para pensar melhor. – respondeu rispidamente a amazona.

-Miri, por favor...

Ela começou a caminhar com passos duros, mas Camus a puxou de volta, de modo que eles se encaravam. As batidas dos corações pareciam superar uma banda de centenas e centenas de tambores, os rostos tão vermelhos, que facilmente poderiam ser confundidos com rubis. Os olhos de Miri tremiam ao ritmo de seu coração. E os de Camus pareciam estrelas, que brilhavam sem parar. Camus começou a aproximar de leve, devagar, o seu rosto ao de Miri e a menina sabia que não teria volta e aceitava fechando os olhos.

-CLAAAANCT!

Um barulho tirou-os desse sonho. Ao olharem, eram Dezi de Escorpião e Mister-Pum de Câncer.

-Ah, mas que meiguinho. Que casalzinho fofo... Eu atrapalhei a despedida dos dois? – ironizou a amazona do mal.

-Despedida? A ÚNICA PESSOA A SE DESPEDIR DE ALGO AQUI É VOCÊ DEZI! – gritou Miri.

-Todo mundo me exclui... – murmurou baixinho o cavaleiro malvado discretamente.

-Veremos isso! AGULHA ESCARLATE!

-Eu vou lhe comprovar! PÓ DE DIAMANTE!

O choque do dois poderes fez um barulho que tremeu a duas casas vizinhas. Nina e Shura estavam comentando sobre o ocorrido do dia quando viram a casa de Aquário envolvida por cosmos ferozes. Afrodite estava arrumando suas unhas quando também reparou.

-Mas esses cosmos... Miri e Dezi!

Mister-Pum começou a atacar Camus, que desviava dos golpes do garoto. Miri e Camus ficaram num canto e foi quando reparam que tinha algo errado. Miri viu as almas dos dois e reparou em seus olhos foscos e controlados. Alguém os dominava a ponto de conter até suas lágrimas de desespero.

-Não podemos mata-los, Camus... – murmurou Miri.

-Hã?

-Eles estão sendo controlados por alguém, desde o começo.

-Mas se for no ritmo que está...

-JÁ SE DESPEDIRAM? – gritou Dezi. – ENTÃO AQUI VOU EU!

Dezi atirou novamente a Agulha Escarlate, com mais fúria que antes. Um pegou de raspão em Miri e a desconcertou. Então, a amazona de Escorpião sacou o medalhão que Kasumi havia lhe dado. Os olhos de Miri se arregalaram.

-Mas isso... é... – murmurou Miri.

-Kekkai! – gritou Dezi, invocando os poderes do medalhão.

Grades de luz envolveram Miri. Ela não conseguia se mexer e olhava tudo com extremo pavor. Camus tentou ajudar Miri, mas Mister-Pum deu um soco que fez com que o cavaleiro de Aquário caísse por chão.

Uma luz começou a sair do corpo da Ronin da Terra. E voou até o medalhão e instantaneamente se desfez a grade.

-Já vim pegar o que queria...

E Dezi e Mister-Pum sumiram, sem deixar rastro, com um teletransporte. Camus se levantou rapidamente e foi ao auxilio de sua pupila. Miri estava de pé, imóvel.

-C-Ca... mus...

Ela começou a cair para trás e desmaiou. Mas o coração não tinha o mesmo som de minutos antes. Era inaudível. O ar quente que Camus sentira naquele momento... era inexistente.

-Miri?

Ela não respondia.

-Não você... você...

Camus começou a chorar, a cada segundo que percebia que sua amada não mais vivia.

-Camus?

Shura e Nina acabavam de chegar a décima primeira casa. E Afrodite também. O burburinho logo fez aparecer mais gente, de todas as doze casas. Camus estava segurando Miri em seus braços, e segurando sua mão. Miro se aproximou do amigo. Nunca o vira chorar. Escorpião apoiou sua mão no ombro do amigo.

-O que houve aqui? – indagou o cavaleiro.

-Dezi... Lutou contra Miri e roubou uma espécie de luz, roubou uma parte da alma dela... Eu acho. – explicou Camus.

-Não foi parte da alma dela. – explicou Fê, que acabara de chegar. – Foi a de Kasumi.

-Como assim, porque ela iria... – Camus ficara triste ao tentar dizer aquela palavra. – se era a de Kasumi e não a dela?

-Por que o corpo está acostumado com as duas almas... É como se ela estivesse sem nenhuma...

-Não...

Camus não se conformava. Não aceitava o fato e num ato de desespero:

-MIRIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII!!

o

Um espaço escuro e frio. Como o coração de um computador parado e esfriando. Uma mulher caminha nesse local. Mechas longas e prateadas. Dona de maravilhosos olhos azuis. Um quimono branco com as "calças" azuis. Uma espada samurai na cintura. Aproximava-se de um corpo, que flutuava no ar. Ao se aproximar, fios negros e finíssimos.

-O Fios das Parcas...

Era Miri que flutuava. Os olhos vidrados, foscos sem vida. A mulher sacou sua espada e cortou os fios que envolviam a menina.

Miri caia no chão. E acordava. Seus olhos continuavam foscos, mas, já estava "bem".

-Você vai aceitar isso na boa...? – indagou a mulher.

-Se esse for meu destino... – respondeu Miri.

-E aquele homem que chora por você? Foi ele que me chamou. O homem chamado Camus.

Miri ficou muda.

-Se você o ama acorde, logo, anda. – falou a mulher, a empurrando pelas costas. Ela deu um sorriso.

-Miaka... Você...

-Só tenho um único pedido: salve aqueles meninos que são dominados por Kasumi... E... salve minha irmã. Estou arrependida do que fiz...

-Miaka...

E fechando um pouco a cara, Miaka gritou:

-ANDA LOGO!

"Meu cosmo... por favor queime e ilumine tudo de novo..."

Miri começava a ficar envolta pelo seu cosmo dourado.

"CAMUS!!"

--'

Camus continuava a chorar. E nem reparou que Miri fechava os olhos com mais força, que o coração dela voltava a bater. Ela abriu os olhos devagar e viu Camus chorar. Ela reparou que os outros reparam que ela tinha voltado ao normal., mas a menina fez sinal para que eles nada falassem ou fizessem. Então, Miri tocou a face dele, lhe enxugando as lágrimas.

Ele abriu os olhos, assustado. Miri apenas sorriu e se soltando dele, levantou e ficou frente à porta.

-Vamos logo...

-Para onde?

-Salvar o mundo... De novo.

As amazonas-ronins invocaram suas armaduras. E vestindo, Miri criou um pendulo de energia. Logo ele "voou" até uma direção.

-É por ali!

E os cavaleiros e amazonas foram naquela direção. Alguns ficaram para proteger o Santuário. Então, Miri, Fê, Leli, Yuki, Lu, Sarita, Camus, Miro, Shura, Dohko foram para o esconderijo de Kasumi.

Continua...