Capitulo 7 – Que se inicie a batalha!
"Miri... Miri... Miri...?"
"Quem é voz me fala...?"
Miri parecia acordar de um mundo de pensamentos... Enquanto corria, teve a impressão de escutar uma voz falar na sua mente. Ela olhou Sarita, seu reflexo refletia na sua armadura dourada.
"Você me perdoa? Será que a Sarita também?"
A voz falara. Miri sentiu conhecer a voz, seu som estava tão guardado no fundo da memória... Ou será, esquecida? A voz de um garoto. Miri desistira de tentar saber se era verdade ou mentira. Apenas se concentrou no caminho. Uma montanha.
"Coloquem o medalhão no meu corpo, que vocês retiraram da montanha."
Kasumi dava a ordem a seus queridos soldados. Soldados sem vontade própria. Dezi deixava no pescoço de sua senhora e o corpo logo começou a se mexer.
-Preparem-se. Parece que os cavaleiros querem vingança pela ida de Miri, Ronin da Terra... – falou Kasumi.
-Vingança por aquela "coisinha"? – disse Di com desdém sobre o poder da amazona de Aquário. – Ela não pôde nem com um medalhão idiota...
-Huh, mas eles são cuidadosos, alguns ficaram lá no Santuário, caso um ataque aconteça... – completou Kasumi.
-Iremos nos posicionarmos, mestra... – falou Dezi.
E com essa frase, os cavaleiros do mal saíram do salão. Kasumi fitou o teto, com um grande mal-estar.
"Estou com um mau pressentimento... Será que você ainda não morreu, Miaka, minha irmã?" – pensou a vilã.
?o?
-Chegamos então... – murmurou Miri. – Em quantos nós estamos?
-Bom, seis ronins com quatro cavaleiros de ouro... Somam 10, não? – brincou Miro.
-Acho melhor nos dividirmos em duplas... – falou Fê, mais séria que o normal.
-Certo. Quem vai com quem? – perguntou Leli.
Miri fez um unitunitê. E a primeira dupla que saiu foi curiosamente por destino, ela e Camus. A segunda foi Dohko e Fê. A terceira foi Miro e Yuki. A quarta foi Shura e Sarita. E conseqüentemente, Leli e Lu fizeram a última dupla.
-Então vamos!
Entraram em cada um dos cinco túneis de entrada. Miri e Camus entraram pelo do meio. Mas vamos começar pelo primeiro da esquerda para a direita.
-Está incrivelmente escuro aqui...
Fê murmurava. Mas não podia simplesmente ascender o cosmo, já que avisariam o inimigo. Todo e qualquer ruído ou cosmo era um cartão visitas. E não queriam dar.
-Tem alguém vindo... – murmurou Dohko.
Eles continuaram caminhando, mas cautelosos. Finalmente viram uma luz e foram até lá.
Quando chegaram no fim do túnel viram rochedos e outras coisas. Vários mortos andavam por ali.
-Yomotsu...
-Então... Esse é o Monte Yomotsu...? – disse Fê.
-Todo cuidado é pouco. Se um de nós cairmos num desses poços, jamais voltaremos.
Fê balançou concordando com seu mestre. Mas mal terminou de assentir e veio um ataque muito rápido. Ela quase caiu num dos buracos, se Dohko não a tivesse segurado ao mesmo tempo em que defendia o golpe.
-Mister-Pum de Câncer!
-Ora se não é minha colega de classe e o mestrinho dela... Háhá, vieram vingar a chata da Miri?
-E se for? Você acha que seus golpes funcionarão?
-Contra uma amazona de bronze sim... E num velhote que se faz de jovem também...
Fê e Dohko ficavam nervosos, mas não mostravam isso. Apenas encaravam o inimigo.
-SEKISHIKI MEKAI HA!!
Mister-Pum vinha com tudo para cima de Fê. Ela deu um salto e começou a voar, com uma velocidade maior do que a comum. O cavaleiro do mal arregalava os olhos de susto. Não imaginava que ela era tão rápida.
Fê apontou o dedo indicador, como se segurasse uma arma, pronta para atirar. Eu uma ventania correu por cada canto daquele asqueroso lugar. Uma pequena massa de ar se concentrou na ponta do dedo da amazona.
-VENTOS DE FURACÃO!
Ela disparou o ataque, que se tornou imenso. Mister-Pum escapou por pouco e logo já atacou. Fê levantou vôo novamente. A poeira que levantou com seu ataque e seu vôo, confundiu Mister-Pum e sem saber ia à direção de uma parede rochosa. Fê levantou seu mestre no ar, com o seu controle do ar. Estavam num lugar onde podiam ver Mister-Pum, mas ele não os veriam. Então eles desceram no chão e sincronizadamente golpearam Mister-Pum, que caiu desmaiado. A ilusão do Monte Yomotsu sumiu. Foi então que Fê reparou num emblema piscando na testa do pobre garoto.
-Afinal o que é isso aqui? – indagou Dohko.
-É o símbolo de Kasumi: trevas... – Fê tocou no lugar com o dedo indicador e médio e com seus poderes de ronin o livrou daquele símbolo e do controle de Kasumi.
-Então era verdade o que Miri tinha dito. Eles não estão agindo por conta própria... – terminou Dohko, e logo depois eles seguiram pelo túnel.
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No segundo túnel...
Sarita e Shura estavam andando e olhando por todos os lados.
-É estranho. Não tem cosmo algum aqui... – disse Shura.
-Sim, é mesmo... Muito estranho. – concordou Sarita.
Um suave cheiro de flores pairava no ar. Shura deu sinal para Sarita ir com calma.
-Cheiro de flores... Não é bom...
-Flores? – indagou Sarita.
Shura olhou para a amazona como que perguntasse se ela já imaginava quem era. Sarita arregalou um pouco o olhar.
-IBA...
-Lembro-me que Afrodite saiu chorando quando soube da traição de seu pupilo... – comentou Shura.
-Então ele chorou?
Uma voz vinha do escuro. Shura e Sarita se viram cheios de pétalas de rosas vermelhas e miraram-se para onde a voz vinha. Era ele...
-IBA de Peixes... – murmurou Sarita, desanimada.
-Não consigo entender como fui um idiota em topar ser treinado por um maricas... Puff... – sorriu malicioso o rapaz.
-Aaaaaah – disse Sarita debochando – Idiota você é mesmo...!
Shura e Sarita se preparavam, assim como IBA. Ele riu, maldoso:
-Eu manipulo melhor essas rosas do que meu mestre... E não espalhei pétalas à toa por todo o espaço deste salão... Imagino que saibam o que as rosas vermelhas são?
Shura abriu caminho em meio aos tantos de pétalas que aumentava. Mas a cada golpe, o cheiro das flores se tornava mais forte. Sarita pensou em queimar logo as pétalas, mas sabiamente não o fez, temendo fazer daqueles pontos vermelhos esvoaçantes em verdadeiros incensos.
-Shura... Para de usar a Excalibur... Está espalhando mais o cheiro mortal dessas flores. – parou para tossir e Sarita continuou. – Use na hora correta.
-O que pretende, amazona?
-As técnicas do gelo não são para destruir e sim, eternizar... – murmurou Sarita com um sorriso singelo, mas para hora um tanto louco.
Ela aumentava seu cosmo e aos poucos as pétalas vermelhas das Rosas Venenosas de IBA viram belíssimos cubos no tom escarlate. Peixes pisou para trás, cerrando os dentes e sacando outra dúzia de rosas, desta vez negras, como os olhos de Shura.
-Segurem essa: ROSAS PIRANHAS!
-Lembre-se: essas coisas comeram a corrente do Shun, Shura, tome cuidado.
-E acha que não sei? EXCALIBUR!
Shura cortou um grande punhado de rosas que corria atrás dele. Sarita saltava para trás, no lado oposto a de Capricórnio e lançava vários Pós de Diamantes com os dois punhos. Terminado sua parte, ela foi surpreendida por IBA na frente dela e lhe lanço uma rosa branca. Shura estava tão "entretido" com as rosas piranhas que não chegou a tempo de salvar Sarita.
A rosa branca quase chegou perto do coração de Sarita. A armadura de Cisne a protegera, mas, em compensação... A parte que mais deveria ser protegida estava vulnerável. Shura, nervoso, lançou uma Excalibur que destruiu boa parte da armadura de IBA. De repente uma parede de chamas envolveu IBA, que tremia de medo. Em meio às chamas, viu um vulto humano e ele gritou, apavorado.
-"Quem é maricas agora?" – indagou a voz que vinha da misteriosa sombra. Ela levantou o braço e pareceu apontar para a testa de IBA, que suava frio. Um raio de fogo atingiu o meio da testa e ele caiu desmaiado. A parede se formou num turbilhão de chamas e envolvia a sombra. E em seguida sumiu, revelando Sarita.
-Ele está livre agora... Vai voltar a ser o mesmo babacão, mas bom, IBA... – murmurou Sarita, com um sorriso de satisfação.
-Então, ele fazia tudo contra a vontade... Senti um frio na espinha com o efeito das labaredas antes de sumir. Realmente, você é uma mestra das chamas... – riu Shura.
E seguiram em frente, deixando para trás o pobre rapaz pisciniano.
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Miro e Yuki olhavam as inúmeras borboletas no teto.
-Me parecem... as Fadas do outro mundo... – murmurou Miro.
-Será que por um acaso é Mister-Pum? Afinal ele e o Máscara da Morte são os chamados cavaleiros médiuns... – pensou alto a amazona de Andrômeda.
-Há, há, há... Tolos, tolos. Pensem que todos que servem a senhora Kasumi eram simples cavaleiros de Atena?
-Eu conheço essa voz! – gritou Yuki, aflita.
-Claro que conhece, Yuki Mizuta... Afinal... – finalmente a pessoa se mostrou. – sou seu colega de classe!
-Di!!
Yuki estava incrédula. Di, era colega de classe de Yuki e fora outras muitas vezes dela e Miri. Era um rapaz também de origem oriental, briguento, cabulador de aulas e sempre tirava as notas mais baixas e vivia ficando com um monte de garotas. Mas, seguramente, Yuki não pertencia a esse número.
-Di de Borboleta, Espectro, a seu serviço. – se "reapresentou" num tom de deboche.
-Um Espectro? Hades está metido nisso? – indagou o assustado cavaleiro de Escorpião.
-Humpf. Não seja idiota. Hades foi derrotado por vocês. Desde aqueles tempos eu já o servia, mas ficava jogado num canto, como brinquedo velho sem uso. – respondeu Di. Suas frases misturavam deboche, zoação e raiva.
-Miro... – murmurou Yuki. – distraia ele. Finja que você não quer que eu lute e parta pra cima dele. Mesmo sendo um espectro e inimigo, ele está sendo controlado por Kasumi. Vou usar minha Água da Cura.
Di nem reparou no cochicho. Se dava ao trabalho naquela hora de rir um riso louco e ridículo. Yuki andou alguns passos à frente e conforme o plano, Miro a empurrou para trás dando a entender que não permitiria uma mulher lutar. Di observava a cena com gosto e sem tirar o sorrisinho maléfico falou:
-Pode vir, o bicho do rabo pontudo, inseto de oito patas! Mas ela não estará totalmente segura... He, he, he!
-AGULHA ESCARLATE!! – Miro lançou umas três agulhadas, apenas para desnortear um pouco e fazer Yuki ganhar tempo.
As Fadas da Morte vinham ataca-las e ela posicionou suas corrente de bronze dispostas em uma teia de aranha, prendendo a todas as borboletinhas do mal. Após destruí-las, passou por trás de Di o mais rápido que podia. O espectro nem percebeu, pois estava desnorteado com o veneno do Escorpião e também estava se sentindo no calor de uma batalha. A amazona deu uma piscadela para o cavaleiro, avisando para dar só uma agulhada para faze-lo desmaiar.
-Ah, só uma coisa: ESCORPIÕES SÃO ARTRÓPODES, IGUAIS AS ARANHAS!! AGULHA ESCARLATE!! – gritou Miro enfurecido por ter sido xingado de "bicho de rabo pontudo".
-ÁGUA DE CURA, LIBERTE O DI DO ENCANTO DE KASUMI!!
Di caiu no chão todo ensopado e sua sápuris cheia de furinhos.
-Um a menos.
-Vamos, temos de seguir em frente! – incentivou Yuki.
E os dois seguiram para o fim do túnel.
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Leli e Lu caminhavam calmamente, quando luzes azuladas, bolotas de luzes azuladas vinham para cima delas. As duas saltaram e desviaram com uma rapidez ainda maior do que as do golpe.
-Ô, Leli, segue em frente, vai... Já sei quem é e to mais do que a fim de descer paulada no mane que atirou esses meteoros...
-Ei, mas sou uma amazona de ouro, detono com a criatura rapidinho. – disse batendo o pé a leonina.
-Isso se você não detonar o local inteiro antes da hora...
Lu olhou a amazona dourada de um jeito pavoroso. Ela entendeu e ao sair deu de cara com Dudu, o cavaleiro de bronze de Pégaso.
-Ah, agora entendi o por quê de querer descer umas nele. – e empurrando Dudu com desprezo. – È todo seu Lu-chan!
-Ei, ei! Volta aqui, METEORO DE PÉGASO!! – gritou e desferindo ataques todo atrapalhado Dudu.
Leli de uma paradinha e fechando os olhos se virou e lançou a Cápsula do Poder sem atingir Pégaso apenas para assustar. Dudu pulou para trás e resolveu enfrentar apenas Lu.
-Me diz aí, ô Lu, por que você quis me enfrentar sozinha, hein?
-Uma ronin e amazona já basta e outra: NÃO ENTENDO O POR QUÊ DE NOSSA MESTRA MARIN TER DEIXANDO UM IDOTA E BABACA SE TORNAR CAVALEIRO!
-Oras, por que eu sou MUITO bom! – respondeu debochando o cavaleiro.
-METEOROS! – Lu disparou vários meteoros.
-COMETA DE PÉGASO!
Ouve um grande choque e Lu continuou com os meteoros, mas com algo a mais: Pequenas adaguinhas pontiagudas e ferozes vinham com tudo. Algumas delas pegaram Dudu de jeito e o prenderam na parede.
-C-como fez isso? – indagou assustado Dudu.
-Simples, além de ser amazona de Águia, queridinho – ela disse esse "queridinho" em enorme tom de deboche – sou a ronin dos metais. Crio e controlo os metais. Mas para sua sorte, o metal de que é feitas as armaduras dos guardiões dos deuses, como as nossas, as escamas e companhia, não consegui controlar até agora.
-E como é que você sabe tudo isso? – perguntou Dudu, agora com uma gigantesca gota.
-Tentei mudar o desenho da minha armadura. Sem mais delongas! – e bateu na cabeça de Dudu. Desacordado, Lu tirou o encantamento dele da mesma forma que Fê.
Assim, Lu retirou as adagas que voltaram para dentro de sua pele sem sequer arranhar e seguiu caminho, deixando Dudu caído no chão.
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-Sinto que os outros já conseguiram...
Miri falou do nada, fechando os olhos e sorrindo com satisfação. Camus a olhara de forma estranha com relação ao jeito de sua pupila ter reagido a sensação. Seu rosto enrubescia ao lembrar de que estivera com seu rosto tão próximo ao dela, poucas horas antes e de seu desespero com a eminência da morte de sua amada.
"Aquele desespero..." – pensou ele. – "Só senti naquele dia há doze anos..."
Camus abaixou a cabeça, desanimado. Tinha as esperanças de ter simplesmente "deletado" aquelas lembranças perturbadoras. Pra ele, naquele dia acabou sua infância.
-Camus, o que foi? Está tão quieto... – perguntou Miri, apoiando sua mão no ombro de seu mestre.
-Eu sempre sou quieto...
-Não dessa forma. É como se a sinfonia de alegria em seu coração tivesse parado de tocar as músicas.
Ele a olhara assustado. Sentia o rosto formigar de tanto ficar vermelho. Será que ela desconfiava daquilo que ele mais queria esquecer.
-"O futuro já começou!" As coisas do passado podem nos flagelar como chicotes, mas devemos enfrentar e caminhar para o futuro, vivendo o presente... Não achas? – disse Miri num tom infantil, mas ao mesmo tempo em que palavras tão adultas saiam de seus lábios. Lábios que Camus quase os tocara.
-Ah, é tão fácil dizer... – murmurou o cavaleiro.
-Sim, mas eu quero tentar, para não me consumir em ódio, para não entristecer e enlouquecer... – disse Miri. Apesar de um sorriso cativante, seus olhos castanhos nada diziam além de que ela também se lembrara de sua mágoa. – Vamos, sorria, não quero te ver triste!
Camus tomou uma das mãos de Miri e com sua mão direita segurou o queixo da menina, fazendo-a erguer a cabeça. Ele apertava fortemente a mão da amazona-ronin e ele aproximava o seu rosto, para mais uma tentativa de selar o seu grande amor por aquela jovem brasileira, guerreira... e com um coração tão dilacerado e triste como o dele. Camus sempre demonstrou frieza para esconder aquilo que sentia. Miri ora mostrava uma irritação, ora sorria e dançava para esconder aquilo que a sufocava.
-Que belo momento. A garota-fantasma e seu mestre que logo virará o mais novo defunto de Atena!
Eles olhavam no fundo do túnel. Dezi com sua dourada e reluzente armadura de Escorpião vinha, jogando veneno.
-Hum... Podem se beijar, eu deixo... Afinal nunca mais terão outra chance... Hi.
Miri fez uma barreira com seu controle sobre o elemento terra e outra com seus golpes de ronin. Enquanto Dezi tentaria se matar de tanto golpear a barreira, Miri falou seriamente com Camus:
-Ela não age por vontade própria. Kurt parou a mim e as outras ronins avisando isso. Não a fira gravemente, está bem?
-Está, não sou louco de fazer isso e arranjar encrenca com Miro...
Camus puxou Miri pela cintura e finalmente a beijou. E depois sorridente disse:
-Caso as agulhadas dela acabem comigo...
-Camus...
Miri explodiu a parede de terra e encarando Dezi friamente cerrou os punhos.
-Tá na hora... de botar para quebrar!
Dezi sorriu, maligno. E preparou sua Agulha Escarlate. Miri não se moveu mais, até o início da luta. E os três cosmos se batiam ferozmente. Mais uma batalha iria começar.
Continua...
