Capitulo 8 – Uma dança e um retorno

Capitulo 8 – Uma dança e um retorno...

-Vai, comece, artrópode ridícula, com trança desgranhenta. Morra de inveja de mim, ta, queridinha, por que meu cabelo é lisinho e sem chapinha... O seu, bicho do rabo torto, é todo desarrumado.

Miri tentava provocar. Dezi deu apenas uma risada abafada.

-Estou nem aí para você... Mas já que quer logo lutar! – Dezi provocou, e seu dedo indicador ficou brilhando vermelho. A Agulha Escarlate estava pronta!

Os cabelos alaranjados na trança da amazona de Escorpião contrastavam com o cosmo dela.

-AGULHA ESCARLATE!

Miri se desviava como se dançasse. Ballet, Jazz, Sapateado. Tudo se misturava e Dezi se irritava a cada golpe que Miri se desviava.

Quando parou a sessão de golpes, Miri deu uma risada:

-Ha, ha... Um bom tempo que não dançava com tanta empolgação. – e dando uma piscadela malvada, continuou. – "Muchas gracias!"

-ORA, SUA METIDINHA A TODA PODEROSA! AGULHA ESCARLATE!!

Camus observava as duas. Estava com os olhos arregalados, e uma tremenda gota escorria da sua cabeça.

"Ai, mulheres quando querem sair no tapa..." – pensou Camus, com uma cara de desânimo.

-Ah, mas que saudade de dançar tão alegre! – gritava ironicamente a amazona de Aquário. – Sabia que já participei de dois festivais premiados e um só de abertura. Nos dois primeiros ganhei terceiro e segundo lugar... Nada mal para os dois primeiros festivais!!

Dezi se irritava a cada palavra da garota. E cada vez mais forte e veloz saiam as agulhadas.

-Opa, vou lhe mostrar um 'time step', quer ver? – ironizou outra vez a ronin da terra.

-O que eu quero ver é você caída nesse chão, sangrando e mortinha!

E antes que Dezi pudesse perceber, um soco de Miri vinha e acertou seu rosto em cheio. Miri deu uma piscadela para Camus e ela usarem uma técnica que somente pode ser realizada com dois guerreiros de gelo.

Eles ficaram de costas um para o outro. Miri ergueu sua mão esquerda e Camus a direita. Os dois cosmos brilharam com toda a força. Cristais de gelos surgiram; um em cima de Dezi e outro próximo aos pés.

-CÍRCULOS POLARES!

E formou-se um globo de gelo. Esse golpe não permitia a pessoa se mexer, mas permitia que estivesse em consciência.

-ME TIREM DAQUIIIIIIII! – gritava freneticamente Dezi. – SEUS IDIOTAS, ME SOLTEM, OU...

-Ou o quê? Caso não tenha percebido, você foi paralisada... – falou Camus, num tom sereno e frio. – Mas já vamos liberta-la.

Miri se aproximou e apontou seu dedo indicador direito em direção a testa de Dezi. E um raio luminoso e acobreado atingiu o local e Dezi adormeceu, livre do encanto de Kasumi. Camus e Miri a liberaram e seguiram em frente.

Uma luz ao final do túnel os envolveu e...

OoO

-MIRI!

As palavras ecoavam no longe na cabeça da garota. Tão longe que nem reconhecia a voz que lhe falava.

-Miri...

Ela acordava lentamente e reconheceu enfim a voz. Era Fê, e estava ao lado do seu mestre, Dohko de Libra.

-O que ouve com a Miri? – indagou Dohko, justo na hora em que ela finalmente abrira os olhos.

Dohko a olhava estranhamente, como se não a tivesse visto na vida. Foi então que ela reparou no seu reflexo na armadura dele. Estava menorzinha, uma blusa laranja, com os ombros a mostra, um shortinho jeans, cabelos presos num rabo de cavalo apertado.

-AAAAAAH!! O que faço com essa aparência? – gritou Miri apavorada.

-Miri, se acalme. Não sabemos, a encontramos assim, desmaiada. Mas lembro-me dessa sua aparência! Você mostrou uma foto de você assim... – disse Fê, calmamente.

-Era a foto "de família"... Eu entregando uma rosa meio branca e meio roseada a minha bisa...

Silêncio. Fê sabia que a bisa dela tinha morrido quando ela tinha 4 anos, mas mesmo após tanto tempo, um forte laço as unia, independente da morte e da vida. Mas mesmo sabendo disso, Miri se entristecia por não lembrar de sua querida bisavó, a imagem ou a voz. Eram flashs e mesmo assim cortados justo na parte sobre a sua parenta mais importante aparecia.

-Cadê Camus? – indagou Miri, olhando todos os lados.

-Os outros foram procura-lo... – respondeu Dohko.

Miri se levantou num salto e correu até onde sentia a presença dos outros. Viu o resto do grupo numa rodinha, ajoelhados no chão.

O espaço era branco e iluminava. Era quase impossível não sentir tontura por não saber se flutuava ou andava normalmente... Fê e Dohko corriam atrás da menininha apressada.

A garota abriu caminho, sem ao menos pedir licença e viu Camus, desmaiado. E para o azar dele também, parecia ele tinha encolhido como ela. Ele vestia um casaco de lã meio acinzentado, uma blusa vermelha por baixo e uma calça marrom escura. Ela balançou Camus, gritando por seu nome. Aos poucos, ele começava a fazer caretas, como quem estivesse acordando. E então, finalmente abriu os olhos.

A primeira coisa que Camus fez foi se assustar com Miri. Não a reconhecera. E até mesmo se assustou de tal maneira que acabou gritando.

-Calma sou eu, Miri... Fomos transformados em criança de alguma forma... Menos eles.

Camus olhou a roupa que vestia. Seu olhar era de quem se lembrava das vestes, mas algo também o fez se desesperar de novo. Um desespero mudo, que só a sua alma ouvia.

-Essa aparência de que estou foi quando eu tirei uma foto aos quatro anos, com a parenta minha que se foi e ainda sinto muita falta... – murmurou Miri, abaixando os olhos tristemente.

Camus a olhou, sentindo como se tivesse a magoado. Mas Miri fez uma careta brava e arrancou as sandálias de dedo com grosseria.

-Odeio essas sandálias... Odeio... – e olhou Camus como se ele tivesse de falar agora com que aparência estava.

-Oito anos... As mesmas roupas que... – ele se interrompeu, deprimido.

-Que foi? – indagou Miri, com uma meiguice única que ela tinha com qualquer ser que estivesse magoado. Miro se aproximou dos dois e olhando Camus o indagou:

-É por acaso algo que não sei, é?

Camus emudeceu. Nunca tivera coragem para dizer o que sempre lhe magoou e ferira seu coração por doze anos.

-Eu usava essa roupa... Quando vi meus pais... S-serem...

-Meu Deus! – exclamou Leli, colocando a mão na boca, adivinhando o que era...

-Dois tiros... e eu... Não consegui ver o rosto do assassino... Para denunciá-lo!

Ele socou o chão com raiva. Miro sabia que Camus vinha de uma família muito rica e isso já era o bastante para ser fechado, já que não confiaria nas pessoas... Agora entendia o por que de ter uma alma tão quieta e triste... e sem confiança...

-Camus... Por que nunca me disse? Sabe dos meus problemas e você tem problemas ainda maiores...! – disse Miri, que em seguida abraçou Camus com uma doçura tão grande. – Eu não podia imaginar! Eu sempre via tristeza em você e eu sou muito egoísta...!

-Miri, você não é egoísta, você não podia saber se eu não lhe falasse, né? Não se culpe, por favor... – respondeu Camus, um pouco atrapalhado e corado. Um fiozinho de lágrima escorreu dos olhos de Miri. Ele enxugou com o dedo e acariciou o rosto da menina. Ele sorriu... mas triste.

-Temos que ir em frente, não?

De repente algo saltou na frente de Camus e companhia e com uma espada defendeu um ataque de luz.

-Vocês estão bem?

-Essa voz...! – murmurou Miri e Sarita.

Ele mostrou seu rosto. Um rapaz de uns dezesseis anos, cabelos castanhos médios, com a franja repicada. Vestia roupas meio futuristas, meio medievais. Tinha faiscantes olhos azuis.

-Não... – falou o grupo todo das ronins, assustadas e desanimadas com se tivessem falhado...

ÇÇ

-Miaka... Miaka...

Kasumi falava sem parar aquele nome. Estava se sentindo mal ao extremo.

-Seria uma impressão ou senti sua presença?

Ela ouviu um estouro em seu ouvido. Sabia que tinha perdido controle dos outros um bom tempo e lançara o ataque. Mas que ousara ricochetear seu golpe?

-O quer, irmã? Eu já te derrotei, não viu? Aquela pirralha que você se tornou, Miri, morreu!!

Ela gargalhou.

-Morreu por que estou viva agora! Ela morreu! Espere outra vida para me enfrentar! Há,há, há, há, há!!

Kasumi pegou uma espada de samurai, colocada sobre um altar japonês e desembainhou a espada, erguendo-a e raios caíram junto com suas gargalhadas!

-Ronins e cavaleiros de Atena! Vocês perderam!!

Ela embainhou e saiu da saleta onde estava.

"Kasumi!"

A sacerdotisa ouviu a voz ecoando na cabeça. O suor escorreu do rosto.

"Não quero te enfrentar... Por favor, pare com tudo isso, volte a ser a irmã boa que foi no passado...!"

-Miaka... Então ainda não caiu? – murmurou Kasumi com um sorriso malvado.

"Kasumi, me escute!"

-Cale-se! Você sempre desejou minha morte desde que o idiota do Ryutarou faleceu com um golpe meu!

Kasumi golpeou o ar em vão. Ela trincou os dentes de raiva e murmurou:

-Miaka, se você não morreu naquela hora... Você morrerá agora!

:8)

-LOUIE!!

Foi o nome que as Ronins conseguiram pronunciar em meio ao susto. Louie se voltou para todos, com uma expressão imparcial. Miri e Sarita se precipitaram e começaram a golpear em vão, golpes errantes.

-Miri, você ainda não respondeu a minha pergunta... – disse Louie.

-FECHA ESSA MATRACA! – gritou Miri, irritada.

-TRAIRÃO, AGORA VOCÊ NÃO ESCAPA! – ajuntou Sarita, ateando fogo na capa de Louie.

Ele simplesmente arrancou a capa, que se consumiu rapidinho em uma grande fogueira.

-Será que vocês poderiam sossegar e me escutar? – pediu Louie com educação.

-Quem é ele? – perguntou Shura para Leli, que se via com a cara mais atrapalhada possível.

-Um antigo inimigo nosso da época das Ronins... È o príncipe daquele planeta que fomos visitar a Sacerdotisa e comandante das tropas locais. – ela parou para suspirar e continuou – Ele quis dominar a Terra, para variar, mas se apaixonou pela Sarita sem saber quem era e vice-versa.

-Miri tem um passado sem amizade e por isso quer sempre nos proteger.. – disse Fê, parecendo triste – E quando descobrimos quem Louie era, ela se encheu de raiva dele assim como Sarita...

-Nós o derrotamos, pensávamos que tínhamos morrido e agora ele está aqui... – completou Yuki, com aparente calma.

-Ei, vocês quatro! – gritou Louie para o restante das ronins presentes – Dá para vocês controlarem essas duas aqui?

Fê varreu o ar, impedindo que Miri e Sarita provocassem outro ataque!

-Quando vocês me derrotaram a senhora Sacerdotisa me salvou. Simplesmente por que tinha me arrependido do que fiz... E por que eu queria reaver a confiança da Sarita... Agora estou do lado de vocês, servindo a Sacerdotisa.

-Ah, claaro... – disse Miri num tom irônico, com a voz ainda infantil por causa da magia daquele lugar estranho – respondendo a sua pergunta se eu e a Sarita te perdoaríamos... NÃO!

Fê teve que reforçar a parede de ventos, por que Miri quase a rachou. Leli gritou:

-Olha aqui, não nos ensina que Deus sempre perdoa aqueles que se arrependem e que devemos seguir o exemplo dele?

Miri a olhou de lado, altiva. Por fim suspirou e elevando o cosmo e a força ronin, destruiu a ilusão, voltando a usar sua armadura de Aquário e na idade de 15 anos.

Camus também reparou que ele voltara ao normal. Eles viram uma sombra no final do salão.

-Não pense que fiz isso para dizer "eu te perdôo, ta, Louie"... Vejam ali no fundo.

A sombra caminhava em direção à eles. Quando entrou um pouco de luz, viu-se a figura de Kasumi.

Ela sorria maldosamente, os cabelos tom de ouro balançavam com o caminhar em seu quimono escuro e com o tronco coberto com uma armadura negra, parecida com as dos samurais. A bainha presa à cintura reluzia um brilho escuro como a alma e o cosmo daquela mulher que queria mais era destruir a felicidade de Miri... e de todos. Os olhos avermelhados dela focaram as ronins discutindo com Louie. Ela sorriu novamente.

-Ela é a tal de Kasumi, irmã da antiga ronin Miaka...? – indagou Louie sem olhar em outra coisa senão a figura em sua frente.

-Príncipe Louie... Fez um péssimo trabalho... Se tivesse dominado o mundo só precisaria acabar com você... Mais uma prova que sentimentos não valem nada... – disse ela, ironicamente.

-Desculpa, aê... Mas os sentimentos valem, e MUITO! Sem eles não teria visto a bondade e o amor que os humanos terrestres têm... – respondeu Louie. – E esse amor que possuiu me salvou das garras da morte.

-Que coisinha mais meiga... O vilão apaixonado que se arrepende para ficar ao lado da amada. – disse Kasumi, provocando Louie. Ambos sacaram suas espadas

-Sai da frente.

Sarita se pôs à frente de Louie. E as amigas se ajuntaram a ela.

-Isso é coisa nossa. Vocês todos, voltem e levem embora os outros! – gritou Lu.

-Agradecemos o que fizeram por nós, mas Kasumi é um assunto Ronin, ainda que ela seja prejudicial ao mundo todo... – completou Yuki.

-Miri, não...! – gritou Camus, preocupado.

Dohko pousou sua mão no ombro de Camus, fazendo-o perceber que era para irem embora. Seria pior se ficassem, pois Miri iria expulsa-los a força. Camus o olhou, tristemente. Queria dizer com seu olhar que não podia deixa-la, não podia deixar as outras também.

-Camus, não há nada que possamos fazer agora. É melhor que voltemos com Dezi e os outros para o Santuário. Eles estão debilitados...

Camus teve que aceitar, e junto com Louie, os cavaleiros de ouro foram saindo do salão, confiando as ronins o destino da humanidade... E do coração daquela mulher desamparada de amor.

-NÃO IRÃO EMBORA! – gritou Kasumi, sendo impedida pela barreira de energia terrestre de Miri.

As duas se encararam. E quando eles estavam fora do alcance de Kasumi, os seis cosmos do bem brilharam e cada uma se pôs em posição de combate.

-Essas armaduras não são de nada perto da Espada da Morte da ronin das Trevas...

-EXECUÇÃO AURORA!!

-PÓ DE DIAMANTE!!

-CÓLERA DO DRAGÃO!!

-CORRENTE NEBULOSA!!

-METEOROS!!

-CAPSULA DO PODER!!

Kasumi defendeu cada golpe brandindo sua espada. E por fim ela deu um corte no ar, e tudo parecia normal. Mas de repente as ronins sentiram suas costas contra a parede e viam suas armaduras sendo destruídas.

-Não...

E elas caíram no chão, se levantaram devagar com dificuldade.

-As armaduras... – murmurou Yuki extremamente desacreditada.

-Até as de ouro! – espantou-se Leli.

-Ainda podemos lutar, gente... – reforçou Fê, tentando animar as amigas. – Temos o poder ronin em nós!

Elas abriram as suas mãos direitas que se iluminaram e o local se inundou das luzes simbólicas de cada uma e quando se apagaram, surgiram transformadas em suas roupas especiais. E sacaram cada uma a sua arma. Miri com uma espécie de martelo, Fê com uma espada, nas mãos de Lu surgiram várias adagas, Leli posicionava o seu arco-e-flecha no peito de Kasumi, Yuki e Sarita cruzavam em "X" seus bastões.

-Desistam! – disse novamente golpeando o ar, mas Miri fez a tempo sua barreira.

Fê saiu voando, para tentar cravar a Espada do Vento em Kasumi, mas a vilã tinha um reflexo ótimo e parou a espada de Fê com a sua e a fez voar para trás. Leli fez surgir várias flechas de luz e as atirou. Kasumi as impediu juntamente com as adagas de Lu dando saltos mortais para trás.

-ONDA TROVÃO!

-DRAGÃO DE FOGO!

O ataque em conjunto com objetivo de destruir e causar um choque térmico em Kasumi de Sarita e Yuki desfeito com outra passada de espada da sacerdotisa do mal.

Miri surgiu debaixo da terra como se fosse um fantasma e quase acertou Kasumi pelas costas mas foi golpeada e caiu.

Ela se levantou e se juntou as amigas.

-Desculpe... – disse Miri para si mesma – desculpe, Miaka, mas teremos de usar aquele golpe...

-Já acabaram de se despedir? – indagou ironicamente Kasumi.

-Quem irá se despedir da vida é você, Kasumi! – bradou Lu.

E elas se encaravam de novo. Kasumi se curvou para começar a correr novamente um jogo de luzes envolveu as ronins. E mesmo assim, Kasumi correu para cima delas. A luz invadiu todo o local, engolindo as sete garotas... Acompanhado de um estrondo.

Continua...