Capitulo 9 – As armaduras divinas das Ronins

Capitulo 9 – As armaduras divinas das Ronins

-MIRIIII!

Por fora se ouvia um estrondo. Camus olhava para trás, ao mesmo tempo em que acontecia um tremor de terra. Ele queria voltar, mas Dohko o parou de novo.

-Camus, me escute, essa luta não é nossa! É assunto delas.

-Não, Dohko, essa tal de Kasumi é assunto meu também! – Aquário se desvencilhou do aperto de Dohko e mais calmo completou. – Você se esqueceu do que a Sacerdotisa me falou?

Miro e os outros iam se lembrando das palavras da guia das Ronins. Camus era Ryutarou, um rapaz que fora morto por Kasumi e sempre amara a Miaka.

-Vai logo, Camus... – disse Shura. – Quando você era o tal do Ryutarou, você não podia fazer nada, mas agora...

-SHURA! – repreendeu Miro. – Não é certo! Agora o grupo se dividiu verdadeiramente em "Ronins" e "Cavaleiros"

Mas independente do sermão de Escorpião, Camus já saíra em disparada.

-Mestre Ancião! Mas você... – reclamou Miro.

-Eu não posso conter o coração de Camus...

"Se ele quer seguir o destino dele, que é estar perto da ronin Miaka, nada posso fazer..."

-Camus de Aquário é a atual forma do Ryutarou? – indagou Louie. – Eu ouvi dizer que ele era um ótimo espadachim, mas jamais teve a coragem de enfrentar cara a cara Kasumi.

TT

As luzes se desfizeram. Quando as ronins voltaram estavam em círculo, prendendo Kasumi por "fios" que saiam da pedra de suas luvas na mão esquerda. Suas roupas eram diferentes:

Sarita vestia-se de uma roupa quase que de princesa, vermelho e rubi; Yuki vestia-se de um colan azulado semelhante às roupas de Kaleido Star; Miri vestia um vestido mais longo chinês, rosa-bebê com detalhes dourados; Fê usava um vestido branco, com uma calça clara e uma espécie de colar dourado; Leli vestia um vestido grego, porém mais curto que o original e Lu vestia algo que lembrava uma roupa de RPG medieval. Todas tinham asas: Sarita uma asa flamejante, Yuki uma asa de libélula, Miri uma asa de borboleta, Fê tinha um conjunto de dois pares de asas brancas ao estilo "Sakura", Leli usava asas brancas, angelicais e Lu asas mecânicas prateadas semelhante as das WITCH.

-Ugh! Soltem-me! – bradou Kasumi.

-Desta vez você vai ser destruída! – gritou Sarita.

-Vocês nunca conseguiram me ferrar com esse golpe mesmo... – sorriu a vilã.

-Por que EU não estava aqui. – respondeu Miri.

-GOLPE DA SINFONIA ETERNA! – disseram as ronins em grupo.

Feixes de luzes nos tons de marca das ronins viajaram o espaço até Kasumi. O corpo inerte da vilã caia no chão.

-Acabou... – murmurou Miri para as outras, enquanto virava-se para sair. Mas Kasumi se levantou rapidamente e golpeou o ar. Um grande corte se fez nas costas de Miri.

-Idiotas! Se esse golpe nunca funcionou, não era agora que funcionaria!

-Ah, não! Estamos perdidas! – desesperou-se Lu.

-Nem a Sinfonia completa deu certo! – ajuntou Leli.

Mas um vento gélido soprou pelo salão e atingiu a Kasumi, que apesar de ter se levantado, estava cambaleante.

Miri foi pega por alguém, enquanto descrevia um arco no ar, diante do golpe de sua antiga irmã. Camus segurava a pupila amada em seus braços.

-C-Camus... O... O que está fazendo aqui? – balbuciava a ronin da terra.

-Eu falei que te protegeria com minha vida assim como protejo Atena... Qualquer um que mexer com você... Também mexe comigo! – respondeu Camus com doçura no olhar. Um olhar exclusivamente dirigido à a amazona de Aquário.

-Ryutarou... – murmurava raivosamente Kasumi. Ela se irritava só com a presença de Miri e as demais ronins, mas com Camus, parecia um leão cheio de sede, prestes a explodir de raiva.

E Camus, segurando com força sua protegida, ergueu sua palma da mão direita aos céus e um círculo de gelo se formou. Kasumi vinha com toda força, criando uma espada negra de magia com as mãos. Com os olhos cerrados de raiva por ela ter ferido sua amada, Camus desferiu outro golpe de ar gélido, freando pouco a pouco a velocidade da semi-ronin. Kasumi se recuperou e saltou, rindo loucamente, preste a fatiar Camus e sua rival.

Mas Miri conseguiu fazer uma barreira tão forte. Unindo seu cosmo, seu grande amor e seu poder ronin. E mesmo sendo só uma "barreira", a força de proteção lançou Kasumi dez metros longe.

Um brilho envolvia o corpo de Miri e quando o brilho se desfez, via-se Miri com uma armadura dourada-acobreada, lembrava vagamente a armadura de Aquário. O saiote mais longo como a armadura de Atena, asas de borboleta recheadas de desenhos e pedras. A ronin se desvencilha dos braços amados e se ergue, frente e frente a sua inimiga. O olhar da menina era injugálvel. Não expressava amor ou ódio, tampouco o bem e o mal. Era apenas um olhar sem poesia a ser escrita.

-Agora eu sei, por que após lutarmos contra você na primeira vez, cada uma de nós fomos cair numa extensão do Santuário de Atena. Sei por que, cada uma de nós encontrou mestres para nos treinar. Por que viramos amazonas de Atena... – disse Miri, num tom imparcial.

Seguindo o exemplo da colega, as demais brilharam feito braseiro e ao voltarem, trajavam armadura reluzentes, com traços e pedras mágicas. Ambas as armaduras lembravam seus trajes ronins com sua armadura originais. As asas de cada armadura refletiam claramente as asas de suas segundas vestes ronins.

-Miaka sabia que somente as nossas roupas de anjos não a venceriam. Precisariam de proteções mais avançadas. Por isso, nos fez virar amazonas e conseguir uma proteção ideal...

"Mas, é claro, ela sabia também que as armaduras de Atena não eram fortes o suficiente para deter-lhe. E por isso procurou por Ryutarou, que acabara, nessa vida, de perder pessoas amadas, guiando-lhe para um local onde entraria em contato com o Santuário, tornando-se assim forte para proteger e dedicar seu destino a ronin do elemento terra.

"Tendo em mãos, o homem que poderia proteger o coração de Miaka, ela se tornou eu, e me guiando até Camus, me tornou uma amazona. E me fez enfrentar desafios tal que eu desistisse do amor, para que quando viesse a ver Camus, o amor fosse forte o suficiente para unir o cosmo e as ronins para todo sempre..."

Kasumi suava frio ante as palavras da amazona de Aquário. Ela cerrava os dentes e os pequeninos olhos castanhos e quase pisava em suas vestes negras.

-Está dizendo que minha irmã continua agindo? Mesmo morta?! Aquela vagabunda que morreu cheia de ódio por mim e por eu ter matado seu próprio protegido? – gritou meio irritada, meio triunfante a mulher de cabelos dourados.

-Miaka nunca te odiou. Simplesmente se arrependeu da raiva que sentiu sua... por que o sangue falou mais alto. – respondeu Miri. – "O amor de Camus Baudelaire protegerá Miri Castilho..." As palavras da Sacerdotisa se cumpriram mais uma vez, desenhando o destino das irmãs Miaka e Kasumi.

-Ora, SUA FEDELHAAAAA!

Kasumi vinha atacar furiosamente Miri, que se mostrava imparcial novamente. O olhar altivo da ronin ante os ataques perdidos de Kasumi, que atingiam insignificantemente a armadura que ela trajava. Kasumi saltou para trás, esperando ver fissuras no traje.

Mas, ao contrário, os seus golpes furiosos não fizeram sequer um arranhão que fosse. Ela se sentiu congelar de pavor e surpresa, enquanto suava frio.

-As ronins ganharam armaduras, cada qual numa classe. Mas independente de qual ela pertencia, seu tornaram iguais. Tornaram-se as "Armaduras Divinas dos Elementos"! – disse Yuki, sorrindo.

Fê ergueu sua espada até onde podia e uma massa visível de ar envolveu toda a arma. Sarita e Yuki fizeram o mesmo com seus bastões mágicos, cada qual com seu poder respectivo do fogo e da água. Leli erguia seu arco como se fosse atirar para cima e ali se formou uma flecha de luz. Lu trançava suas adagas de modo a parecia uma espada. E assim ocorreu a Miri e seu martelo místico, envolvido pela energia de seu elemento.

Todas abaixaram ao mesmo tempo suas armas e lançaram seus poderes para Kasumi, aflita e desesperada sem qualquer ação. Uma explosão sucedeu junto ao encontro dos poderes. E ao voltar ao normal após uma inundação luminosa, Kasumi estava ao chão, tentando levantar-se com dificuldade. Como se cada parte de seu ser parasse de funcionar.

-Kasumi... eu continuo a ter o coração da Miaka junto ao meu. Os dois batem no peito como um só... – disse Miri, calmamente e iniciando um sorriso.

-Eu... não... preciso de... sua pied... dade... – disse ofegante e grosseiramente a vilã.

Miri desfez sua armadura junto com sua transformação, que unidas foram ao símbolo da mão direita da jovem. Kasumi estava de joelhos, impossibilitada de qualquer outro movimento. A ronin se aproximava, erguendo suavemente seu braço esquerdo, dirigindo sua mão a sua antiga irmã. Os olhos da menina fecharam assim que segurava com força e delicadeza as mãos de Kasumi. As duas desmaiavam ante os olhos dos espectadores da cena, que se desesperavam.

-MIRI!

Ó

O espaço branco-luminoso. Seria o paraíso? Ou era outro lugar não reconhecível?

Kasumi procurava em vão a saída, enquanto Miri caminhava em sua direção. Kasumi fitou o rosto da inimiga e bradou energicamente:

-Liberte-me daqui, sua pirralha!

A jovem apenas fechou os olhos tristemente e respondeu:

-Não sou eu quem te prendeu aqui...

A imagem de Miri se transformava pouco a pouco em Miaka.

A cabeleira prateada e longa até os pés dançava num ar em movimento, num ritmo suave e gracioso. Seu antigo quimono branco de longas mangas roçava o corpo delicado da sacerdotisa. Ela erguia a cabeça, abrindo delicadamente as safiras ópticas em seguida.

-Minha irmã... – murmurou Miaka, num tom de eco. Era uma voz que ressoava na mente de Kasumi em meio às boas lembranças. Mas a vilã não queria deixar-se levar pelo bom passado ao lado da irmã.

Elas se encaravam. Miaka com um delicado e pacifico olhar. Kasumi com energia e ódio que refletiam o maculado coração.

-O que quer agora, hein, sua maldita?!

As palavras secas, cheias de emoção negativas, saiam da boca de Kasumi, mergulhada em recordações.

-Há muito queria falar com você... – respondeu suavemente a moça dos cabelos prateados. – Pare com tudo isso, por que tanto ódio...? Tanto rancor...

-Você sempre teve tudo! Eu nada! – bradou a vilã.

-Não... Eu nunca tive tudo... Ninguém tem tudo o que quer. O destino nos proporciona uma quantidade de bens para cada pessoa. Mas o pouco que ele nos presenteia, dá para vivermos. – disse Miaka, expressando-se dolorosamente.

-Você tinha poder, você tinha status, você tinha o amor do Ryutarou!

-Eu nunca quis aquele poder, minha irmã.

Aquilo caiu como um raio no coração de Kasumi. Um poder nunca desejado?

-Como assim?

-Eu só não lhe dei, pois estava tomada por uma louca ambição. Quando maior o status, quanto maior seus poder, maior a responsabilidade e os perigos enfrentados. Maior é os enganos e as dores. – respondeu Miaka, caindo de joelhos, começando a chorar. Após muitos séculos, Kasumi sentia-se culpada. Sentia o coração chorar com os outros, sentiu-se compadecer da dor de Miaka. Mas ainda sim, lutava contra tudo aquilo e não demonstrava o afeto contido.

-Você tinha o amor do Ryutarou! Ele sempre me detestou! SEMPRE! – gritou Kasumi, ainda louca de raiva com esse detalhe do passado.

-Ele a amava.

Novamente o choque congelava Kasumi. Seu rosto contorcido de raiva agora era espanto. Ela caminhava em passos curtos até a irmã caída de dor.

-Ryutarou? Ele... me amava? – balbuciava a mulher de roupas negras.

-Sim... Da mesma forma que ele sempre me amou... – respondeu Miaka. – Ele estava magoado com você, Kasumi, por todas as maldades que fazia por sua ambição. Ele estava realmente disposto a casar-se contigo, mas você feria-o duramente. E por fim o golpeou daquele jeito. Você não se lembra de quando brincávamos, de como sorriamos?

As imagens de sua infância. O sorriso belo de Ryutarou. Os pais amados. O vilarejo querido. A irmã preciosa...

-Você buscou aquilo tudo que tinha e nunca enxergara... Irmãzinha. – falou Miaka, levantando os olhos para Kasumi, agora ajoelhada ao seu lado. – O amor de todos e o respeito deles.

-E eu... perdi? – murmurou Kasumi, de um jeito infantil e dolorido.

-Eu nunca deixei de te amar, mana... Mesmo Ryutarou agonizando ainda te amava... Sabe por que?

Um silêncio tomou a alma de Kasumi.

-Por que acreditávamos que você nunca morrera por dentro...

Kasumi agora se derramava em lágrimas, abraçando a irmã. Ela soluçava ao abraço quente e tão desejado de Miaka.

-Me perdoe, Miaka, me perdoe...

Miaka respondia o abraço, esperado por tantos séculos...

-

Miri se mexia preguiçosamente e devagar se levantava. Ela não sabia quando segundos ou minutos passara. Apenas sabia que o fim da luta chegara. Kasumi ainda não se movia. Ela olhava o corpo da garota cheio de ferimentos e o quimono rasgado com os vários golpes.

Camus aproximara-se Miri, abraçando por de trás e pousando seu queixo tristemente no ombro da amazona. Ele, assim como Miri e as demais garotas, observava o corpo de Kasumi.

Ela começou a se mexer e se levantar, trêmula. Kasumi erguia-se devagar. Os olhos mareados, formaram dois riozinhos cada. Ela sorria bondosamente e fixava o olhar em Miri. E então ela falou:

-Me desculpe, Miri... Adeus, minha irmãzinha...

Os olhos de Miri se minimizaram ante a fala de sua agora, antiga inimiga. A primeira vista não entendera o que ela falara. Mas o desespero tornou-se real ao ver a alma da garota escapulir do peito e voar em direção ao teto.

-KASUMIIIIIIIIIIIIIIIIIIII!!

O corpo de Kasumi caia inerte no chão. Miri se desvencilhou do abraço de Camus e saiu correndo como se quisesse resgatar em vão a menina. Em lágrimas, ela abraçava a moribunda garota.

-Kasumi acorda!

Sem resposta.

-Não era isso que eu queria! Era para nós todos viver felizes...! – respondeu Miri.

-Miri, ela se foi...

-NÃO! Não...não...

Ela escondia o rosto no peito de Kasumi, enquanto o corpo, criando por um feitiço se desfazia nos olhos de todos. Os gritos desesperados de Miri chamaram a atenção dos demais cavaleiros do lado de fora e dos recém-despertos cavaleiros e amazonas que foram controlados por Kasumi, junto com Loiue.

-O que foi?

Perguntou Dohko, preocupado para sua pupila. Fê apenas o olhou tristemente. O olhar do cavaleiro de Libra se dirigiu para Miri abraçando Camus, desesperadamente triste. Muito sábio, o cavaleiro já matara a charada do que acontecera.

Demorou muito tempo até Camus conseguir convencer Miri a desistir de ficar lá e ir com os outros, para o Santuário.

- -

Já havia se passado uma semana desde que Kasumi fora derrotada. Miri já estava bem, porém, ainda estava um tanto abalada. Ela subia as escadarias rumo à casa de Aquário.

-Olá, Miri-chan! – disse Miro, sorridente.

-Miro... – respondeu um pouco desanimada a garota. – Já se resolveu com a confusão da Dezi?

-Hã... tipo, ela não quer mais saber do Santuário... – respondeu desconcertado o cavaleiro. – Resolveu se entregar de corpo e alma aos estudos e abandonar o posto de amazona de Escorpião...

-Você gostava muito dela, não é? – perguntou Miri, uma pouco mais sorridente.

-Sim, era uma boa garota... Acho que se tivesse convivido um pouco mais com ela com toda certeza estaria apaixonado... – riu Miro. Ele fitou a amiga. – E você e Camus?

-Nós nos gostamos, mas eu prefiro me ligar mais nos estudos... Com toda essa confusão me perdi demais...

Ela passou a mão nos longos cabelos negros, de forma envergonhada. E por fim olhou para Miro:

-Obrigada, Miro.

-Obrigado? Por que? – indagou o cavaleiro, confuso.

-Você ajudou a Camus criar coragem e abrir o coração... Serviu de guardião dos nossos sentimentos... – concluiu a menina, com um largo sorriso.

Miro riu, envergonhado, mas muito contente. Ele a guiou até a copa e perguntou:

-Quer água ou suco?

-Tem de caju? – respondeu Miri com outra pergunta.

-Caju? Não, acho que não...

-Água, então.

Ela começou a sorver um gole da água. Camus chegou até a entrada. Observava o amigo e a jovem pupila. Sorrira.

Novamente o shopping. As meninas se encontram novamente, tomando o caminho do cinema, mas antes param para comprar doces. Estava sorridentes, toda vida.

Elas tinham... vida nova...