Cap 4: A Iniciativa das Mães
2 Semanas depois, Salão de Eventos da Companhia de Vassouras Firebolt
A
apresentação do novo modelo fora prefeita. O comercial não era lá
muito inovador, mas exibia as qualidades da vassoura e era isso que
importava. Mostrava manobras incríveis realizadas por um homem e uma
mulher. Eles estavam em lugares diferentes e atravessavam povoados,
desviavam de dragões, cruzavam bosques. No fim, eles estavam voando
tão desesperadamente apenas para chegar na hora marcada pr'um
encontro.
A
idéia fora de Pansy, mais uma vez comprovando o fato de que ela
sempre acabava salvando sua pele. Na mesma noite em que ela o
ajudara, contara que tinha conhecido um tal Harry e que não
conseguia parar de pensar nele. A morena chorara muito, dizendo que
não era certo gostar de outro, estando noiva, mas Draco a
tranqüilizara, garantindo que iriam desfazer o compromisso o quanto
antes. A amizade de ambos era mesmo muito grande, eles sabiam que não
seriam felizes juntos, então estavam dispostos a apoiar o outro se
este se apaixonasse.
Após
a apresentação do comercial, Draco recebeu os agradecimentos e
dirigiu-os à Pansy, dizendo que ela era a dona da idéia. Os
repórteres pediram que ela subisse ao palco e a moça não teve como
recusar. Quase cometera um erro terrível, pois ao agradecer, dissera
apenas que a idéia viera de uma grande amiga. Houve uma certa
comoção na audiência e o louro chegou a ver os olhos de seus pais
e seus "sogros" se estreitarem. Rapidamente acrescentou "Noiva",
abraçando a moça e beijando seu rosto. Foi o bastante para que os
ânimos se acalmassem.
Ela
não se sentia muito disposta a ficar na festa, ainda mais depois do
agradecimento.
-Draco,
posso ir embora?
-Agüenta
só mais um pouco, tá? Não vai demorar muito mais.
-Tá
bom. Vou dar uma circulada. – a morena se afastou um pouco, mas ele
a puxou de volta e lhe deu um abraço apertado.
-Se
você quiser se esconder da sua mãe, - disse em seu ouvido – pode
ficar na minha sala.
-Obrigada.
– Pansy gostou do abraço, lhe transmitia força e amizade. Sorriu
pra ele, agradecida e saiu.
-Qual
o problema da Pans? – perguntou Blaise, preocupado com a amiga –
O noivado?
-É...
mas não só isso. Ela me disse que conheceu um cara. Blaise, nunca
vi os olhos dela brilharem tanto, nem quando a gente namorava de
verdade.
-Eu
sempre tive medo disso nessa história enrolada de vocês. Nada nunca
impediu que seus coraçõezinhos livres, leves e soltos resolvessem
se apaixonar. Quero ver vocês saírem dessa.
-Ah,
não enche, Blaise! – mas o pior era que o amigo estava certo. Ele
próprio já pensava na Weasley com mais freqüência do que seria
saudável – Nós temos que fazer o que é melhor pra ela.
-E
o que seria?
-Se
você tivesse visto o jeito que ela falou do tal cara, concordaria
comigo que o melhor pra ela é ficar com ele.
-E
se vocês fossem um casal normal, eu diria que nada poderia
impedi-la, já que o noivo está de acordo. Mas nós sabemos que a
opinião de vocês é a que menos importa nesse
relacionamento.
A
morena decidiu não ir pra sala de Draco, não queria ficar em um
lugar fechado. O que queria mesmo era fugir daquele lugar. Sua mãe
estava particularmente insuportável naquela semana, falando sobre o
casamento sem parar. E isso era a última coisa que lhe passava pela
cabeça. Há tempos, o casamento não era prioridade, mas desde que
conhecera Harry, ela sequer se importava com o sacramento.
Finalmente
chegara ao jardim. Sentou numa área junto a um canteiro de
margaridas e se distraiu com a beleza das flores. A aproximação de
alguém lhe chamou a atenção. Ergueu a cabeça e se deparou com
ninguém menos que o seu Harry.
-Você?
– ela abriu um largo sorriso e se levantou. Tentou abraçá-lo, mas
ele se afastou.
-É
verdade o que o Malfoy disse? Você é noiva dele? – havia rancor
na voz dele e incredulidade em seus olhos.
-Sou.
– ele deu um sorriso sarcástico que a arrepiou – Mas é uma
história complicada...
-Pelo
contrário, tudo me parece muito simples. Você resolveu sair,
encontrou um cara e quis brincar com ele.
-Não
é nada disso!
-E
o que é então, Pansy Parkinson, futura senhora Malfoy? – o tom
dele era carregado de desdém, o que trouxe lágrimas aos olhos
dela.
-Eu
não quis brincar com você! Não saí pra conhecer ninguém naquela
noite, o que aconteceu foi... acaso!
-Antes
você se contentava em ofender as pessoas, mas eu vejo que seu
sadismo subiu de nível. Não sei como não te reconheci.
-Você
nunca iria esperar encontrar Pansy Parkinson numa boate trouxa. Nem
você, nem a imprensa e muito menos, os meus pais. Por isso fui pra
lá! Só queria dar um tempo da minha própria vida! – desabafou
ela, em voz alta. Havia muito desespero em seus olhos, o que fez
Harry pensar se não estava sendo injusto.
-O
que tem de tão errado na sua vida?
Ela
mostrou a mão direita, cujo dedo anelar estava adornado por uma bela
aliança.
-Meu
noivado.
-E
porque você não termina?
-Se
fosse tão fácil... Acha que eu nunca tentei? Sempre que eu levanto
o assunto, alguma coisa mais importante acontece. Isso sempre fica
pra segundo plano. Sem falar que me ver casada com o Draco é o maior
sonho dos meus pais.
-Eles
não percebem que você não quer?
-Acho
que não ligam... Ou então não percebem, não moro com eles. –
ela o encarou – A questão é que eu nunca traí o Draco. Não o
amo dessa forma há muito tempo.
-E
quanto a mim? O que sente?
-Acho
que eu te amo...
Seja
o que for que esperava ouvir dela, com certeza não era isso. Ergueu
tanto as sobrancelhas que elas quase sumiram junto aos seus cabelos.
Ela sorriu brevemente.
-Eu
não sei o que dizer.
Ela
soluçou e mais lágrimas correram por seu rosto alvo.
-Só
não diga adeus...
Ao
vê-la tão frágil e depois de ter passado tanto tempo pensando
nela, Harry se arrependeu de estar tendo aquela conversa. E daí que
ela era noiva? Ele só precisava olhá-la nos olhos pra saber que ela
era sua. Assim como tinha certeza que nenhuma outra mulher o faria se
sentir da forma que ela fazia. Ainda lembrava das sensações que o
beijo dela lhe despertara.
-Nunca.
Não vou me afastar de você... – ele se adiantou e a abraçou com
força. Pansy apoiou o rosto na curva de seu pescoço, aspirando o
perfume – Não vai se livrar de mim tão facilmente. –
brincou.
Ela
ergueu o rosto e o beijou. Aquele beijo maravilhoso que os tirava do
planeta. Quando se afastaram, Harry encostou a testa na dela e
disse:
-Te
achei.
-Não
me perca, tá?
-Nunca!
-Me
tira daqui, por favor.
-Pra
onde você quer ir?
-Pra
um lugar seguro.
Ele
a ergueu nos braços e desaparatou dali. Do canto do jardim, um par
de olhos azuis acompanhava toda a ação. Sorriu ao ver a amiga
beijando o Cabeça-Estragada. Achou uma grande ironia que o tal Harry
que ela conhecera numa boate trouxa fosse Harry Potter. Mas ela
estava feliz e isso era o mais importante.
Tomou
o caminho de volta para o interior do Salão de eventos e se deparou
com ninguém menos que Lucius Malfoy ladeado por Henry Parkinson, seu
'sogro'. Apesar de ser da mesma altura deles, Draco sempre
sentia-se como uma criança quando os dois apareciam assim, de
surpresa.
-Draco,
onde está minha filha?
-Foi
pra casa. – respondeu, rezando para que seu pai não resolvesse dar
uma de Legilimente, ou a amiga teria problemas sérios.
-Sozinha?
Draco, porque não a levou?
-Ela
insistiu que eu deveria ficar, afinal a Firebolt pertence à Malfoy
Inc. Eu disse que não haveria problemas em acompanhá-la
rapidamente, mas ela se preocupa muito com meu trabalho.
-É,
a minha Pansy é uma moça muito ajuizada. – comentou Henry, com um
largo sorriso – Será uma excelente esposa... – ele passou o
braço sobre os ombros de Draco e começou a caminhar, praticamente
arrastando o louro – Minha menina é muito especial, não merece
ser tratada com descaso...
Draco
viu logo onde ele queria chegar com aquela conversa mole. Mais uma
vez, ia cobrar que eles marcassem a data. Felizmente, já era
vacinado quanto àquilo. Tinha todas as desculpas na ponta da língua.
Só não gostava quando Henry o "abraçava" daquele jeito, o
homem era forte e tinha um jeito de general do exército que
assustava às vezes.
-Mas
eu sei que você nunca faria isso à minha princesa, não? – ele
apertou o abraço, quase quebrando os ossos de Draco.
-Claro
que não, Henry. Meu filho jamais aprontaria uma dessas. – Lucius
cumprimentou o filho com um tapinha nas costas que ecoou em sua
cavidade torácica. Em seguida, voltou pra festa acompanhado do
amigo. O louro respirou fundo devagar, queria ter certeza que não
sofrera nenhuma fratura.
-Esses
dois estão estranhos. Tem alguma coisa acontecendo e eu tenho
certeza de que não vou gostar... Bom, de qualquer forma, Pansy, você
me deve uma. – lembrou de Gina e do beijo que tinha dado nela – E
eu já sei como cobrar...
Harry
chegou a uma sala bem arrumada, decorada em tons de cinza e
azul-marinho.
-Bem
vinda à minha casa. O lugar mais seguro que eu pude
pensar.
-Obrigada.
Ele
a pôs no chão e os dois ficaram se encarando.
-Ah,
não pense que eu te trouxe aqui com segundas intenções, tá? –
ele deu um passo pra trás – É que você disse que queria sair de
lá e... – calou-se ao sentir os dedos dela sobre seus
lábios.
-Tudo
bem. Não estou pensando mal de você.
-Mesmo?
– ela confirmou com a cabeça – E o que pensaria se eu te
beijasse?
-Vem
descobrir.
Beijaram-se
ansiosamente, esquecendo-se dos problemas e das complicações.
Manhã seguinte, Mansão Malfoy
-Olá,
Narcisa. Como está?
-Muito
bem. E os preparativos?
-Vão
maravilhosamente bem. As flores chegarão amanhã, o vestido já
ficou pronto, a igreja está sendo decorada.
-Ótimo.
Desse final de semana, esse casamento não passa. Mas o mais
importante é que as crianças não podem sequer suspeitar de que
estamos organizando as coisas.
-Quanto
a isso fique tranqüila. Nós sempre vamos ao campo nos fins de
semana. A Pansy não vai perceber que dessa vez algo será diferente.
Mas o Draco não vai achar estranho se o convidarmos?
-É
aí que está. Nós vamos com o propósito de conhecer a nova casa de
campo. Ele só vai descobrir quando for tarde demais. Não haverá
nenhuma desculpa dessa vez!
-Ai,
imagino minha filhinha com aquele vestido... Ela vai ficar tão
feliz!
-O
Draco também. Eles vão nos agradecer muito por ter organizado tudo.
Do jeito que trabalham, não tem tempo pra nada,
pobrezinhos.
-Finalmente
veremos nossos filhos casados, Narcisa! Ainda não consigo
acreditar...
-Nem
eu. Mal posso esperar pra entrar com Draco na igreja... Acho que não
vou agüentar de emoção.
