Cap 5 bônus: Amores, amores
Ateliê da Diamond, 3ª feira, 10 da manhã
Pansy
trabalhava no vestido encomendado pela primeira dama, Ângela
Scrimgeour. Aquela estava sendo uma semana maravilhosa. O ritmo de
trabalho aumentara com o pedido de peças exclusivas. O lançamento
da coleção fora fantástico. Sua idéia de diversificar e colocar
na passarela não apenas modelos agradara a todos. O resultado se
mostrara nas vendas: as roupas da Diamond estavam sempre sumindo das
prateleiras tamanha a procura pelas peças.
No
campo pessoal, tudo ia às mil maravilhas. Se acertara com Harry na
noite do lançamento da Firebolt Thunder. Conversavam por telefone
todos os dias. Tudo bem que o lançamento fora na sexta feira, e que
aquele pseudo-namoro não tinha sequer uma semana, mas ela estava tão
feliz que não se importava de fantasiar que duraria pra sempre.
Sua
concentração foi desviada quando ouviu o toque do telefone. Era
Draco, novamente.
-Oi
Draco.
-Oi.
Posso dar uma passada aí?
-Claro.
Só me adianta o motivo.
-Você
sabe o motivo...
-Querido,
sabe que eu não posso te dar o telefone e, muito menos, o endereço
da Gina. Isso seria ilegal. E antiético.
-Pans,
eu não vou fazer mal à ela! Eu só quero conversar, trocar umas
idéias.
-Idéias...?
Draco, você quer seduzir a moça!
-E
isso é crime?
-Seu
descarado! – respondeu Pansy, rindo – Eu não vou colocar minha
modelo mais promissora nas suas mãos, não!
-Poxa,
te dei cobertura na festa. Devia ter contado pro seu pai que você
foi dormir na casa do Cabeção... -
resmungou o louro, como uma criança fazendo chantagem.
-Olha,
o máximo que eu posso fazer é juntar vocês casualmente. Que
tal?
-E
como seria isso?
-Posso
convidar a Gina pra almoçar. Invento que vamos falar dos próximos
desfiles e você aparece, assim, coincidentemente.
-É,
isso pode funcionar... E o melhor é que ela não desconfiaria de
nada, pois tem a melhor patroa do mundo!
-Não
precisa me bajular, bobo. Então, tá combinado. Quando eu marcar com
a Gina, eu te aviso.
-Não
dá pra ser hoje?
-Hoje?!
Mas e se ela já tiver algum compromisso?
-Tem
que ser essa semana ainda, Pans! -
disse Draco, em tom meio urgente.
-Por
que?
-Meu
pai decidiu me arrastar pra casa do interior no fim de semana. E na
próxima segunda, eu vou pra Barcelona.
-Ah
é. Bom, então vou tentar marcar pra essa semana.
-Pra
hoje!!
-Ai,
tá bom, seu chato! Mas não tô prometendo nada.
Desligou
o telefone após as despedidas, divertindo-se com o interesse do
amigo na ruiva. "E pensar que eram inimigos na escola... Como o
mundo dá voltas...". Ela mesma não estava apaixonada por um
antigo desafeto? E aparentemente, Malfoy também se rendera aos
encantos dos grifinórios. Rindo da grande ironia da vida, apanhou o
telefone e ligou pra Gina.
-Então,
Harry, como anda seu relacionamento com a minha chefe?
-Melhor
impossível! Gina, aquela é a mulher da minha vida!
-Não
acha que é melhor se resguardar um pouco? Vocês estão juntos não
faz uma semana.
-Quem
te viu e quem te vê... Vivia dizendo que a vida é uma só, que não
devemos deixar as oportunidades passarem. Agora, fica aí, toda
prudente.
-Bom,
você é quem sabe. Apenas tenha consciência de que está se
arriscando.
-Gina,
o que é a vida sem riscos?
Algumas
horas mais tarde, Pansy e Gina se sentavam a uma mesa num requintado
restaurante de Hogsmeade, o tipo de lugar onde os alunos de Hogwarts
não costumam ir em suas visitas ao vilarejo. Tinham acabado de
sentar e receber o menu quando uma voz masculina se fez ouvir,
próxima a elas.
-Que
coincidência encontrá-las aqui. Como vão, srtas?
-Coincidência
demais, Malfoy... Dá até pra desconfiar. – respondeu Gina,
olhando de esguelha pra Pansy, que, lia o cardápio com tal atenção
que era como se tentasse descobrir alguma mensagem oculta ali.
-Desconfiar
de quê? Acha que eu a segui até aqui?
Um
toque de telefone interrompeu a conversa. Pansy tirou o aparelhinho
da bolsa, pediu licença e levantou da mesa.
-Você
pediu a ela pra armar isso. – disse Gina, indicando a chefe com a
cabeça.
-Claro
que não.
-Não
foi uma pergunta.
-Você
é petulante, hein, Ruiva? – ele se sentou, sem ser convidado.
-E
você é um dissimulado. – ela não podia evitar aquele quase
sorriso que teimava em surgir em seus lábios – Pra que apareceu
aqui?
-Queria
te ver outra vez, mas a Pans não quis me dar seu telefone. Disse que
seria antiético.
-Seria
mesmo.
Pansy
voltou à mesa, apanhou a bolsa e guardou o celular.
-Gina,
me perdoe, mas vou ter que cancelar o almoço. Eu tenho que voltar
pro ateliê agora.
-Tudo
bem, não era realmente um almoço de negócios, não é?
A
morena fez uma ligeira careta.
-Ai,
me perdoe por isso também... Eu disse a ele que era uma idéia
idiota.
-Não
disse, não.
-Bom,
devia ter dito. Tchau, Gina. E você, Draco Malfoy, - ela se abaixou
e cochichou em seu ouvido, de modo que ninguém, além de Gina,
ouvisse – comporte-se! Lembre-se que está num lugar público e
teoricamente, é meu noivo.
Ela
saiu logo em seguida, deixando pra trás uma ruiva muito
intrigada.
-Desculpe-me,
Malfoy, mas não pude deixar de ouvir o que a Pansy disse.
-Que
parte?
-'Teoricamente,
é meu noivo'.
-Nossa,
logo essa parte! Ela não costuma fazer esse tipo de coisa, acho que
queria que você ouvisse.
-Sinceramente,
sobre vocês eu já vi e ouvi muita coisa. Não sei exatamente no que
acreditar. Pansy parece uma boa pessoa e, no entanto...
-O
que?
-Ela
está saindo com... outra pessoa. – Gina resolveu não dizer quem
era. Pra começo de conversa, nem devia ter contado aquilo ao Malfoy,
mas saíra antes que ela se desse conta.
-Com
o Potter, eu sei. – ele moveu discretamente a varinha, por baixo da
mesa, isolando aquele espaço de ouvidos curiosos.
-E
isso não incomoda você?
-Pansy
e eu somos noivos apenas na aparência. Não sentimos nada pelo
outro, além de uma profunda amizade. Mas nossos pais não sabem
disso. E não vão gostar nem um pouco quando souberem. Um amigo em
comum nos alertou que isso podia ocorrer.
-O
que?
-Que
acabaríamos nos apaixonando por outras pessoas. – a resposta
escapou antes que Draco pudesse avaliar o que ia dizer. A expressão
de Gina se descontraiu um pouco, mas ela não chegou a sorrir. O
louro por sua vez, tinha vontade de se esconder sobre a mesa. Sabia
que tinha que dizer alguma coisa, pra tentar consertar o
mau-entendido, mas nada tornaria a situação melhor.
-Agora
você me deixou sem palavras.
-Eu
não... quis dizer que eu...
entende? É que...
-Não
gagueje, Draco.
-Me
chamando pelo primeiro nome, agora?
-É
um problema?
-De
forma alguma. Então, Ginevra, posso levá-la pra jantar? – ele
caprichou no tom de voz, baixo, meio rouco, daqueles que arrepiam os
cabelos da nuca.
-Eu
não sei. – ela parecia sincera – Talvez seja melhor que você me
esqueça.
-Impossível.
– Draco não se deu conta do que ia falar até que falou. E só
percebeu a dimensão de suas palavras quando a viu erguer as
sobrancelhas e um quase sorriso surgir em seus lábios.
-Me
acha inesquecível, Draco? – era impressionante como seu nome
parecia mais bonito quando saía daqueles lábios, constatou o louro,
desviando o olhar. Ela continuou falando, seu tom deixava
transparecer como estava satisfeita – Interessante. Devia ter dito
isso antes de armar toda essa situação.
-Teria
feito diferença?
-Muita.
-Detecto
um certo interesse de sua parte? – os olhos de alguém nunca
expressaram tanta malícia quanto os olhos de Draco naquele
momento.
-Bom,
seria até uma grosseria não demonstrar interesse depois de saber
que me acha inesquecível...
-Não
fosse por essa mesa entre nós dois, eu a beijaria.
A
resposta da ruiva não poderia ser mais ousada:
-Não
tem muitas mesas no meu apartamento...
10 minutos depois
Draco
e Gina se agarravam alucinadamente na sala de estar do apartamento
dela. Depois da resposta cheia de segundas intenções da moça, os
dois saíram do restaurante. Separados, mas ela tomara o cuidado de
lhe dar seu endereço. Chegaram ao local com segundos de diferença.
Não trocaram uma só palavra, isso não parecia necessário.
O
louro mergulhou as mãos naqueles cabelos, sentindo a maciez dos
fios. Desceu lentamente, puxando-a pra mais perto pela cintura.
Sentiu as delicadas mãos procurando os botões de sua camisa e se
afastou um pouco, apenas para lhe dar algum espaço.
Logo,
seu paletó e sua camisa jaziam sobre o sofá, enquanto os dois se
dirigiam, aos tropeços, para o quarto de Gina.
Dia seguinte
Draco
acordou lentamente, estranhando o ambiente. Aos poucos, as lembranças
da tarde e da noite anterior lhe vieram à mente, fazendo-o desejar
repetir tudo outra vez. A ruiva dormia a seu lado, os cabelos
espalhados pelo travesseiro, a mão delicada sobre seu peito. Um
sorriso lento curvou seus lábios. E pensar que aquele anjo tinha lhe
despertado tanta paixão... Afastou uma mecha dos cabelos ruivos que
lhe caía sobre o rosto apenas para observá-la melhor. Os cabelos
brilhavam quando o sol batia neles.
"Brilha
como um rubi... Mas o sol não devia estar tão forte pela manhã.",
pensava, enquanto se virava pra consultar o relógio sobre o
criado-mudo: 13:42.
-Quê?!
Não pode ser tão tarde assim!
-O
que? – perguntou a ruiva sonolenta, a seu lado – Que horas
são?
-Quase
duas da tarde. – "Mas e daí?", pensou. Isso não parecia tão
importante, afinal Gina estava acordando e piscava aqueles olhos
preguiçosamente.
-QUÊ?!
Meu Deus, o que eu tinha pra fazer hoje? – ela tentava
desesperadamente se lembrar de seus compromissos profissionais.
-Bom,
felizmente eu tenho uma maneira muito simples de saber dos meus
compromissos. – ele pegou o celular e o ligou. Alguns segundos
depois, chegaram nada menos que 7 mensagens de texto e um símbolo no
visor indicava que tinha recados na caixa postal.
-Parece
que alguém é bem requisitado...
-Minha
secretária tá me procurando. – ele não tinha checado todas as
mensagens quando o telefone começou a tocar – Alô?
-Sr.
Malfoy, enfim o encontrei! Seu pai está na empresa desde cedo e quer
saber onde o senhor está!
-Meu
pai tá aí? O que ele foi fazer?
-Com
todo respeito, senhor, mas seu pai veio aqui para aterrorizar os
funcionários! Ele está percorrendo todos os departamentos da
empresa, distribuindo broncas e soltando farpas!
-Ele
perguntou por mim? – perguntou o outro, já sabendo a
resposta.
-Lógico!
Faz isso a cada 30 minutos desde que chegou. Eu posso localizá-lo
rapidamente e...
-Não!
Nem pensar, Beatrice! Avise a ele que eu vou passar o dia com a minha
garota. – disse, encarando Gina, que sorriu.
-Tem
certeza, senhor?
-Tenho.
Não volto pra empresa hoje, remarque meus compromissos, por favor.
-Está
bem, senhor. -
"Ele tá aprontando alguma... É melhor avisar logo ao senhor
Lucius Malfoy que o filho dele não vem trabalhar hoje."
Mal
desligou o telefone, Draco sentiu as mãos de Gina lhe abraçando
pela cintura e virou o rosto na direção dela.
-Está
com problemas? – perguntou a ruiva, preocupada.
-Não,
só meu pai me vigiando como sempre. Não se preocupe com isso.
-Tem
certeza de que não é nada sério?
-Tenho.
– ele virou-se na direção dela e acariciou seu rosto – O que
quer fazer hoje? Estou à sua inteira disposição.
-E
não é que, assim, de repente, o imponente Draco Malfoy sucumbe aos
encantos de uma Weasley... – disse Gina, levantando da cama vestida
com seu robe de seda. A moça piscou pra ele, marota, e entrou no
banheiro. Draco se jogou de costas na cama, absolutamente relaxado.
Tinha um sorriso nos lábios e os olhos estavam num tom mais claro
daquele azul-acinzentado que a natureza criara especialmente pra ele.
Havia quem achasse que a cor se alterava de acordo com seu humor, mas
pra ele isso era bobagem.
Bom,
se ele tivesse visto a cor de seus olhos naquele momento, perceberia
que havia um fundo de verdade naquela história...
Noite de 5ª feira, apto de Harry Potter
-Tá
sabendo da novidade? – perguntou Pansy, aconchegando-se mais no
namorado.
-Qual?
Draco e Gina?
-É.
Esquisito, né?
-Tanto
quanto "Harry e Pansy". – ele arrumou melhor os cobertores
sobre os dois. Estavam na sala do apartamento dele, assistindo
televisão – Mas ninguém pode dizer que não dará certo.
-Eu
não sei, Draco tem o gênio forte e acho que a Gina também... eles
podem viver brigando.
-Você
fala como se fosse a ganhadora do Nobel da paz...
-O
que você quer dizer com isso?! – perguntou a morena, já alteando
a voz e virando pra ele.
-Que
você também é uma esquentadinha! – ele a puxou pra mais perto e
lhe deu um beijinho na ponta do nariz. Ela fez um muxoxo.
-Ah,
não enche!
-Resmungona!
– ela lhe mostrou a língua em resposta, fazendo-o rir – Vai
dormir aqui hoje?
-Pode
ser...
-E
amanhã? – ele lhe beijou o pescoço.
-Não
posso. Vou pro interior com meus pais.
-Parece
aborrecida.
-Passar
o fim de semana inteiro enfurnada na casa de campo, sem nada pra
fazer... E minha mãe tem andado muito estranha ultimamente, acho que
tá armando alguma coisa.
-Tipo
um casamento surpresa? – brincou o moreno.
-Ela
não seria tão maluca! – ela ficou séria – Eu vou falar com
eles, Harry. Nesse fim-de-semana. Vou acabar com esse noivado falso
de uma vez! Segunda vou estar oficialmente solteira! Prometo! – ela
cruzou dois dedos em frente aos lábios, selando a promessa como uma
criança.
-Tá,
aí você vai ter bastante tempo pra planejar seu casamento
comigo.
-Que
horror, estamos juntos não faz uma semana...
-Eu
não tenho nada contra casamentos. Eu quero te ver linda, vestida de
noiva, entrando pela nave de braço dado com seu pai. Só que serei
eu que vou estar te esperando no altar.
-Não
leve a mal, mas estou noiva há tempo demais. Quero um pouco de
solteirice pra variar. Uns 5 ou 6 anos só de diversão. Aí, posso
começar a pensar em casamento.
-Sei,
vai ficar me enrolando por anos, né? Essas mulheres sem coração...
– brincou ele, como se fosse uma noiva abandonada.
-Pára
de falar besteira, Harry.
-E
se eu não parar?
-Te
calo à força. – disse a morena, roubando um apaixonado beijo.
