"Sei que sou capaz de resistir a você. Mas nunca ao seu doce olhar, que tantas vezes me enfeitiçou... Há tanto de ti em mim que, muitas vezes, me afogo naquilo que somos e me deixo levar pela corrente. Digo o que não quero nem penso, assim, da boca para fora, mas acabo sempre por voltar. Há muito de ti que não descobri... muito de ti que quero conservar..."
(Autor desconhecido)
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Capítulo 2 – "EU A PERDI" (Atos e Conseqüências)
Lá estava ela. Mais uma vez...
Como se isso fosse de alguma maneira possível, estava ainda mais bela que na noite anterior.
Seria porque a luz do sol, vinda daquela manhã quente de primavera, fazia seus cabelos parecerem ainda mais vibrantes e reluzentes, de um vermelho-fogo-vivo?
Ah, aqueles cabelos...
Aquela cascata-de-fogo que despencava com força e graça sobre suas costas, contrastando o seu rubor à palidez da pele alva da menina. Alva como a lua, que derramara sobre ela sua luz leitosa, na madrugada passada.
Num rompante, à sua mente inquieta, impôs-se a figura da menina banhada pela lua, cercada pela escuridão. Aquela imagem que o atormentara durante sua noite mal-dormida.
Um certo estranhamento invadiu seus sentidos. Aquela ruiva, sentada na grande mesa da Grifinória, no salão principal, tomando o desjejum e conversando animadamente com outras garotas, não parecia a mesma menina da noite anterior.
Não sabia se isso devia-se ao fato da luz do sol incidir sobre ela, fazendo-na irradiar uma vivacidade que parecia opaca na noite passada.
Ou seria talvez porque o sorriso que brincava em seus lábios cor de cereja e o brilho lúcido de seus olhos amêndoas suavizassem sua face, encobrindo-na com uma fisionomia semelhante à de uma jovem adolescente que troca confidências com suas melhores amigas, em contraste com a expressão séria e distante que sua face transparecera outrora.
Ou ainda, quem sabe, seria seu jeito descontraído e leve de agir, falando animadamente, rindo com freqüência, gesticulando com movimentos que eram ao mesmo tempo suaves e vivos.
Harry não saberia dizer exatamente o porquê, mas aquela imagem que tinha agora da garota parecia totalmente difusa da que guardava em sua mente, registrada na noite anterior.
Que contraste! Essa era certamente umas das coisas que mais o impressionava e encantava em Ginny... Como ela conseguia ser tão contrastante, misteriosa?
Imprevisível.
Ah, Merlin, um mistério que eu daria a vida para desvendar...
Agora já não importava se era por causa da luz do sol que refletia sobre seus cabelos, por causa do sorriso iluminado em sua face, pelo brilho sonhador do seu olhar ou pelo seu jeito alegre e radiante. O fato era que ele chegará a conclusão que realmente, naquela manhã, ela estava mais linda do que jamais a vira.
Porém, para ele, essa era apenas uma percepção momentânea e relativa, já que tinha a mais absoluta certeza de que quando viesse a vê-la novamente, em algum momento de um futuro próximo, ela conseguirá, uma vez mais, a proeza de estar ainda mais linda que no instante anterior. E mais uma vez...E mais...
Ela será sempre mais bela, a cada dia mais perfeita, a cada instante que passa mais deslumbrante. Para ele será sempre assim.
E essa era mais uma constatação...
Essa constatação levou seus pensamentos imediatamente à madrugada passada, em que uma outra constatação, um pouco mais chocante, se apossara de sua mente. E juntando-as, constatou: ela parecerá, para mim, sempre mais linda com o passar do tempo, pois com o passar do tempo, meu amor por ela, proporcionalmente, também aumentará.
(...)
Caminhou lentamente até a mesa, indo ocupar seu lugar costumeiro. Sim, até aquele instante encontrava-se parado, em pé, ao lado a imensa porta do salão principal, totalmente absorto pela imagem que se impingia a seus olhos. Agora, estava um pouco distante da garota, sentado a uns quatro ou cinco acentos adiante, do lado oposto da mesa. Porém, não pode deixar de embriagar-se com o perfume de flores do campo que invadiu-lhe as narinas, com uma força abrupta, repentina.
Estando ali, voltou ao seu estado de letargia, o estado em que sempre ficava ao ter sob sua visão a figura da ruiva. Retornou a sua condição de mero, mas não menos atento, espectador.
Fitou-a com mais atenção, se isso fora assim possível.
Ao fazê-lo, mais uma vez, como aconteceu na noite passada, algo lhe ocorreu. Um pensamento súbito. Na verdade nem um pensamento, era apenas uma impressão... A impressão de que algo não estava certo. A impressão de que ela não estava realmente bem...
Ela ria abertamente, fazia piadas e graças, parecia extremamente animada e radiante.
E, sem saber ao certo o porquê, isso o incomodou profundamente. Não que ele preferisse vê-la introspectiva e infeliz, tal como vira na madrugada anterior. Longe disso. A coisa que ele mais desejaria nesse mundo era ver um sorriso largo nos lábios dela. Contanto que fosse um sorriso verdadeiro, um sorriso da alma, e não apenas uma expressão da face.
De certo ela sorria abertamente, chegava a quase gargalhar em alguns instantes, mas isso não estava parecendo nada convincente para o observador atento no qual ele tinha se transformado ao se ver apaixonado por aquela garota. Reparando com alguma atenção extra, pode perceber que o sorriso era largo, porém não tão largo para chegar aos seus olhos. E isso, para ele, fazia toda a diferença.
Aquele sorriso, em contraste com a rispidez de sua expressão, que ele vira na noite anterior, confundiu-o. Como há tempos atrás, na verdade, poucas horas, ela parecia estar se afogando em um mar revolto de tristezas e agonias e, agora, mostrava-se aparentemente eufórica, brincando, fazendo mil graças com as amigas, como se sua mente fosse livre de qualquer aflição, de qualquer problema?
Para ele parecia que, mais uma vez, ela se fechava em seu mundo, de forma diferente agora. Colocando aquela máscara que era muito conveniente para todos que a rodeavam.
Ela queria convencer a todos que era aquela menina extrovertida, alegre, sempre com uma "tirada" na ponta da língua. Convencer de que tudo estava sempre bem, de que suas preocupações não ultrapassavam as de qualquer adolescente (lê-se: notas, garotos, moda, escola).
Mas a pergunta que teimava em vir à mente do rapaz, ao vê-la assim sorrindo, um sorriso que não chega aos olhos, muito menos a alma, era se ela mesma conseguia se convencer dessa auto-imagem distorcida, dessa farsa que ela buscava desesperadamente manter.
Não. Nem ela mesma acredita nessa farsa. Por que eu deveria assim o crer? - respondeu a si mesmo, o moreno.
Nesse instante, outra pergunta atordoou-lhe os sentidos:
Se nem mesmo ela crê, por que ela precisa que os outros acreditem?
E essa pergunta ficou sem resposta.
xXx
Com todas as garotas a sua volta, ele só via a ela.
Seus olhos estavam presos nela, como se atraídos por algum tipo poderoso de imã. Ou um feitiço desconhecido. Quem saberia dizer?
Afinal, o que prendia sua atenção de forma tão imperiosa a figura da jovem? Alguma força oculta, misteriosa.
Ou seria só o amor? Seria o amor que o fazia admirá-la a cada instante, e querer assim o fazer, no instante seguinte, e mais uma vez, sucessivamente, num infinito sem fim (com o perdão da redundância)?
Ele sentia que se pudesse ficar ali, parado, a admirá-la, eternamente, então eternamente seria feliz.
Seria o amor que faria com que o mundo a sua volta sumisse? Oras, o mundo não poderia sumir... E isso simplesmente porque para ele, sem a presença daquela garota, o mundo parecia nunca sequer haver existido.
Ao vê-la, era assim que sentia-se: Como se o mundo simplesmente não existisse. Ela era a única forma, era o poder e a criação, era o tudo, na sua forma mais abrangente. Além dela, nada havia. Simplesmente não fazia sentido que existisse. Ela completava seu mundo, preenchia todos os seus espaços, não deixava brecha para qualquer outra existência. Ele não precisava de mais nada, de mais ninguém. Só por ela existia, só em volta dela seu mundo girava, só por ela respirava, só dela seu mundo se mantinha. Tudo era repleto, tudo era perfeito, tudo era completo, só e tão somente porque Ginny Weasley existia.
E talvez fosse por isso que, se perguntassem a ele, sobre quem a rodeava, sobre quais garotas estavam à volta da garota, ali, naquele momento, ele simplesmente não saberia responder. Não saberia porquê não vira ninguém, como não estava vendo a algum tempo, desde que seus sentimentos se manifestaram com mais força a respeito da ruiva. Era uma cegueira seletiva. Optara, embora inconscientemente, por não ver nada, nem ninguém, além dela.
Também não escutava nada além do doce som da voz dela, bem como não sentia nenhum cheiro, senão o doce perfume floral que emanava do seu corpo.
Assim, naquele momento, prestava atenção na conversa que a garota mantinha com suas colegas, ainda que só parte dela fosse por si absorvida. Aquilo estava prejudicando de fato sua compreensão. Então, fazendo um esforço sobre-humano, buscou sair daquele transe em que mergulhara e, realmente, ouvir a conversa, em seu todo.
E o que ouviu, definitivamente, não o agradou...
O assunto da conversa girava em torno do assunto do momento: o baile. Agora ele descobrira.
Mas porque aquilo não o agradava? Ele não saberia dizer. Mais não tinha um pressentimento muito bom a respeito do que viria a seguir. Algo lhe dizia que o que ouviria o feriria profundamente, lhe cortaria alma e faria seu coração sangrar, partido em mil pedaços.
Bobagens... Desde quando acreditara em tais idiotices? Pressentimentos... Hunf – bufou, balançando vigorosamente a cabeça, como que buscando afastar aqueles maus pensamentos.
Porém, o que veio a seguir, pareceu mudar repentinamente sua idéia sobre o fato de pressentimentos serem "bobagens, idiotices".
Seus medos pareceram tomar forma, cor, nome, sobrenome, ao escutar a pergunta que uma das garotas dirigia a Ginny, mais precisamente ao escutar a resposta a essa pergunta, que saia dos lábios vermelhos da ruiva.
A dramática pergunta foi:
-Gin, e você? Com que você vai ao baile?
E a não menos dramática resposta, porém bem mais dolorosa aos ouvidos de Harry, foi:
- Com...
Ele não queria escutar, não iria escutar. Se recusava terminantemente a escutar algo do gênero. Não podia ser verdade. Não era justo, não era certo, não era lógico.
E desde quando a vida é justa, certa e lógica?
Esse pensamento invadiu com força sua mente, roubando todo o ar que se encontrava a caminho de seus pulmões. Algo bem semelhante à sensação de um soco na boca do estômago.
Ele não queria escutar... Mas escutara... Escutara o que mais temia, escutara o que não admitia ser possível, nem em seus mais temidos pesadelos. Ele escutara a boca da menina que ele amava pronunciar, em alto e bom tom, o nome e o sobrenome de outro rapaz.
Certo, ele estava sendo um tanto quanto dramático, mas o que fazer, se sentia que o chão fugira de seus pés e que agora ele se encontrava, caindo em um precipício sem fim.
Mas, de fato, isso não era o que mais lhe doía. Longe disso...
O que mais lhe doía era o sorriso que ela cravou em seus lábios, após a fatídica pronúncia.
Ela estava feliz... Ela estava feliz!
Ela estava feliz?
Rapidamente, a constatação transformou-se numa certeza. E mais rapidamente ainda, transformou-se em uma dúvida.
Estaria ela, realmente, feliz?
Ora, seu cretino, é claro que ela esta feliz. Não vê como ela está radiante? Pare de tentar se enganar, convencendo-se de verdades que só existem pra você. – sua mente gritou – Tarde demais. Você a perdeu. Perdeu qualquer chance de ir com ela no baile. E, se não agir rapidamente, perderá qualquer outra coisa que almeje ter para com ela.
E por mais que esse pensamento parecesse lógico o bastante para que ele acreditasse em tal, ele simplesmente não conseguia.
Um cretino. Sua mente tinha razão ao denominá-lo como tal. Afinal a palavra cretino, na sua etiologia, significa alguém que crê em tudo. E era isso que ele se transformara. Num estúpido que crê em tudo. Mais que isso... Um covarde que não tem coragem de encarar a verdade, que agora estava diante de seu nariz.
Mais, por mais que assim julgasse-se, ainda conseguia ver alguma lógica maluca nas suas idéias absurdas. Afinal, desde quando Ginny era assim, sorridente, expansiva, eufórica? Havia algo que não estava se encaixando, algo que não estava batendo...
Provavelmente sua cabeça que não estava batendo bem, isso sim... – Pensou, sarcástico.
Oras, afinal porque tanto espanto? Isso já devia ser algo que ele, de certa maneira esperasse. Algo para que ele estivesse preparado.
Mas ele não estava. Definitivamente, nunca esteve e, possivelmente, nunca estaria...
Não que ele pensasse que ela iria ao baile com ele, afinal, para isso, ele precisaria, primeiramente, convidá-la. Algo que ele passara longe de ter feito.
Então, afinal, o que ele pensara? O que havia passado pela sua mente atordoada e apaixonada?
Que ela iria sozinha? Que não iria?
Bah, quanta bobagem. Bobagem atrás de bobagem – suspirou alto, inadvertidamente, pouco se importando com o que as pessoas a redor pensariam a seu respeito.
Se pensassem que ele era louco, não passaria muito longe da verdade, afinal.
Inconformado, remexeu-se na cadeira, que pareceu estranhamente desconfortável.
Agora chegara a conclusão que, afinal de contas, não havia pensado em simplesmente nada. Na sua mente não vagou, nem da forma mais remota possível, que outro poderia convidá-la. E que ela poderia aceitar.
Na verdade, nos últimos dias, seus pensamentos estavam um emaranhado de idéias difusas. Sem lógica alguma. Sentido, coerência? Nem pensar... Coitado de quem tentasse utilizar legilimência nele. Se a pessoa buscasse entender o que se passava em sua mente, certamente, a única coisa que descobriria era que ele era mais confuso que aparentava ser.
A verdade, nua e crua, era que ele não pensara. Ele não agira. Ele sequer respirara direito. A única coisa que tinha feito de forma razoável nos últimos dias, na verdade, melhor dizendo, com todo seu afinco e toda a concentração possível, era observá-la, era decorar cada pequeno gesto da moça, era ouvir qualquer mínimo ruído que saia de sua boca, era sentir seu perfume embriagante.
E quando assim não estava fazendo, era apenas por impossibilidade física, pela impossibilidade de seu corpo encontrar-se no mesmo espaço físico da garota, pela distância que a tirava impiedosamente do seu campo visual. Mas mesmo longe de seus olhos, ela não se afastara um instante sequer de sua mente, através de seus pensamentos, que invariavelmente levavam-lhe até a ruiva, aonde quer que ela estivesse. Nem à noite, durante o sono, sua mente tomara outro rumo. Seus sonhos eram com ela, todos com ela, só com ela.
Seria uma grande mentira dizer que afastara-se dela em algum momento. Ela estava sempre presente, na sua alma, através de seus pensamentos e, atrevo-me a dizer, mais ainda no seu coração, através dos seus sentimentos.
E aquela sua incapacidade de pensar logicamente o tinha levado até aquela situação. Grande ironia, afinal... Pensara nela demais, porém não pensara o suficiente para impedir-se de presenciar aquela cena.
Ele precisava pensar. E rápido. Pensar... e agir.
Não que fosse fácil para ele pensar, pelo menos não naquele momento. Porém, infinitamente pior parecia ser agir.
Medo. Logo ele, que todos julgavam ser tão corajoso, tão destemido. E o que sentia quando pensava que teria que agir, se não a perderia, e talvez para sempre, era pura e simplesmente medo. Na sua forma mais primitiva, e por isso mesmo, mais devastadora.
Porém, havia algo que conseguia superar o medo de ter que agir...
Era o medo de perdê-la.
Mas, afinal, como posso perdê-la, se nem por um instante a tive?
Esse último pensamento doeu. Doeu fundo. Doeu mais que uma navalha cortando a carne. Doeu mais por que era mais real que qualquer um dos seus medos. E doeu mais, por que não era uma dor física. Pelo menos, não somente física. Era uma dor na alma. No coração.
De qualquer forma, essa constatação mostrou-se positiva, caro leitor.
Como?
Bem, só assim ele pode perceber que preferia mil vezes enfrentar o medo de perdê-la e dez mil vezes, o medo de agir, do que ter que conviver com a dor e a certeza de nunca tê-la tido, pois nunca tivera coragem de tentar.
Certo, sua decisão estava tomada. Agora só faltava um pequenino detalhe. A coragem para agir. Bem, mas isso ele veria depois, quando chegasse o momento. O momento certo.
Devaneios a parte, voltou a atenção a conversa que se desenrolava a poucos metros de onde ele encontrava-se sentado. Precisava estar atento, atento a todos os mínimos detalhes. Qualquer pequena deixa poderia ser utilizada a seu favor, quando chegasse o momento de se declarar para ela.
Porém, algo fez mudar qualquer plano que houvesse feito, qualquer decisão previamente tomada.
Ginny encontrava-se com seu sorriso radiante no rosto e agora planejava com qual vestido iria ao baile, que penteado usaria, qual adereço combinaria mais com seu vestido...
Como ele fora estúpido... Como ele era um completo otário!
Ele planejando um jeito de se declarar para ela, planejando o que falar, como falar, aonde falar...
E ela planejando que vestido usaria para sair com outro... Para ficar mais bela para outro... Para satisfazer os caprichos de outro.
Ela estava feliz.
Não havia mais dúvidas para si.
O que ele ainda estava fazendo ali?
Levantou-se, num rompante, esbarrando bruscamente com uma menina, que passava ao lado da mesa. Sem pensar em nada, sem saber por que estava agindo assim, sem saber nem sequer quem era aquela garota, ele disse, quase gritou:
- Você aceitaria ir ao baile comigo?
Tentou olhar a garota, ver de quem se tratava, mais sua vista estava turva, embaçada demais para fazê-lo. Só se concentrava nos sons.
Notou que o burburinho animado de Ginny e suas amigas, estranhamente, desaparecera.
Respirando fundo, virou em direção para onde a ruiva estava sentada. Mirou-a bem nos olhos.
Nada o prepararia para o que viu no olhar dela.
Ele não saberia explicar, porém algo era bem claro, até mesmo para sua mente confusa. A alegria e a excitação de momentos atrás simplesmente havia se evaporado. Desaparecera completamente de seu olhar. E no lugar ficou algo parecido com uma dor intensa, com uma mágoa, com decepção... Um olhar triste, que ao mesmo tempo deixava transparecer tantas emoções; era vazio, sem brilho, sem vida...
Foi ela quem escolheu... Podia ter sido tão diferente... Bem-feito.
Não queria pensar assim. Não era certo regozijar-se com tanta dor, principalmente se essa dor viesse da pessoa a quem mais se ama nesse mundo. Mas, ao invés de reprimir esse pensamento, ele agiu.
Mais uma vez, sem saber ao certo o porquê. Sem saber direito o que aquilo significava. Sem nem por um segundo pensar no que aquilo acarretaria, ele simplesmente olhou para a garota que estava a sua frente, paralisada, e disse:
- Se ainda não se decidiu, ajudarei-a.
E beijou-a.
QUANDO ELE É FALSO, NENHUMA PALAVRA CONVENCE...
Quando digo "beijou-a", refiro-me apenas e tão somente ao ato físico. Ao ato de sua boca encostar-se na da menina. Era seu corpo que agia. Sua mente já não estava mais ali. Já estava muito longe, provavelmente no fundo de um abismo escuro. Ou talvez em algum túnel sem saída...
Seu coração ou o que restava dele já não batia. Não havia razões para continuar batendo. Sentia a vida sendo sugada, enquanto seus lábios prendiam-se aos da garota desconhecida.
Quando terminou, quando se afastou dela, obrigou-se a sorrir. Um sorriso gelado, um sorriso tão falso, que ele julgava nunca ser capaz de ostentar. Mas assim o fez. E com maestria.
Tanto que a garota pendurou-se ao seu pescoço e murmurou algo ao seu ouvido. Algo como:
- Esse é o dia mais feliz da minha vida...
E esse e o dia mais infeliz da minha existência. – Não pode evitar pensar.
Virou o rosto, procurando afastar-se do abraço. Seu olhar foi então, parar sobre um ponto, um ponto vermelho que transpassava o salão principal, em alta velocidade, em direção à porta. Ao chegar diante da mesma, a figura parou um instante, e Harry pode ver de quem se tratava, embora já desconfiasse. Mesmo de longe, pode ver seus olhos, marejados, voltarem-se sobre sua figura.
E o que viu, tirou-lhe completamente a esperança mínima que restava em seu ser, a esperança de um dia a ter em seus braços, podendo beijá-la verdadeiramente, de corpo e alma, um beijo bem diferente daquele pseudo-beijo de instantes atrás. A esperança de ouvi-la sussurrar em seus ouvidos:
- Esse é o dia mais feliz da minha vida...
Ele viu um desprezo tão grande na face da sua garota. Viu repúdio, viu decepção...
Era o que ele mais temia, era o que mais lhe doía. Ele a tinha perdido. E dessa vez para sempre...
Perdido-a sem nunca realmente tê-la tido.
N/A:
Bom, caros leitores, aqui vai o segundo capítulo. Espero que estejam gostando da fic.
Acho que não tenho muito o que falar sobre esse capítulo. Acredito que, como diz o título do mesmo, os atos e suas respectivas conseqüências falam por si.
Gostaria de agradecer muitíssimo a minha beta (que chique, agora eu tenho uma beta!!!!), Lady Malfoy, pela ajuda valiosíssima. Valeu, de coração.
Agradeço também os comentários.
Fico aguardando ansiosamente por reviews.
Super beijokas
MaRaiSa
