Without you

By: Cupcake \o/


Capitulo Oito – Don't know why...
Suas malas estavam prontas, e ela também. Estava realmente pronta para começar tudo de novo, pronta para recomeçar. Teria o bebê, cuidaria dele como ninguém havia cuidado dela. Provavelmente seria uma criança mimada, mas ela não ligava. O sorriso estava estampado em seu rosto, não demonstrando a profundidade de seus olhos. Tristes.

Era ainda muito difícil de desapegar de sua vida, daquela cidade, daqueles sentimentos. Mas estava disposta a vencer este desafio. Subiu no carro de Miroku, que havia lhe emprestado o veiculo, e deu uma ultima olhada no prédio dele, percebendo que ele saia, sendo esmagado por repórteres.

Ligou o carro e partiu, sem olhar para trás. Sua casa já estava pronta, completamente arrumada e também já havia conseguido um emprego. Cantora de um bar. Por mais que não gostasse de admitir, sua voz era bela e ela tinha uma grande inclinação para a música. Sabia tocar alguns instrumentos.

A viagem seria um pouco longa, mas ela havia se preparado para este momento de solidão, pedira pra Miroku lhe gravar um CD de MP3, com inúmeras músicas para se passar o tempo. Sua viagem prosseguia animada, com ela cantando algumas músicas e batucando no volante, até que escutou uma música. Não a conhecia, mas conhecia a voz do cantor.

Era ele.

Sentiu um aperto no peito, ouvir a voz dele, e não só isso, aquelas palavras. Parecia que ele falava com ela, de forma triste, mas ainda assim apaixonada. Talvez fosse tudo de sua cabeça, todo aquele sentimento de proximidade com ele, como se ela fosse especial.

Manteve uma mão no volante e com a outra ela abriu o porta-luvas, tirou de lá a capa de um CD. Era realmente ele, sorriu e trocou o CD, colocando a da banda dele. O escutou, se sentindo relacionada com aquelas músicas. Riu de suas tolices, de seus devaneios, afinal, decidiu deixar tudo aquilo para trás.

Mas ele falava com ela, de como tudo poderia ser simples. Mas não era simples. Ela estava grávida e ele possivelmente noivo.

- Você realmente é patética. Como pode pensar que uma pessoa como ele poderia se interessar por você?

Falava consigo mesma, brigava consigo mesma. Balançou a cabeça negativamente, trocando novamente de CD, aquilo já havia se tornado tortura.

Chegou a uma cidade do interior. Estacionou em frente a um bar no centro da cidade, colocou os óculos escuros sobre o cabelo, e, ajeitando a jaqueta preta, entrou. Um rapaz limpava o balcão e uma moça varria o chão.

- Rin?!

- Kouga-kun! Ayame-chan!

Ambos pararam seus serviços e se aproximaram da moça, a abraçando. Ela sorria contente, mais relaxada. As coisas eram reais agora.

- Fiquei surpresa quando ligou, Rin...

- Imagino... mas eu precisava fugir um pouco da cidade grande, e também precisava de um trabalho...

Sentou-se em um banco em frente ao balcão, com Ayame ao seu lado, e Kouga atrás do balcão.

- Não sei por que você prefere trabalhar... tem uma herança... se eu tivesse tanto dinheiro quanto você eu iria viver viajando...

A jovem ruiva falava com voz sonhadora.

- Trabalhar é bom também, hein, princesa. É melhor do que ficar sem ter o que fazer o dia inteiro...

- Me desculpe Aya-chan, mas eu devo concordar com o Kouga-kun... adoro trabalhar... O trabalho faz com que eu me sinta útil...

- Já entendi, vocês dois. Enfim, Rin, por que não vai pra casa descansar da viagem e volta aqui às 19h. A gente geralmente abre às 17h, mas começa a encher no horário que você chegar.

- O que você quiser, princesa.

Rin respondeu brincalhona. Se levantou e acenou para os dois, e antes de sair do bar, sussurrou um "até logo". Agora teria que enfrentar tudo do que fora privada. De todos os benefícios.

Dirigiu para a área nobre da cidade, entrou em um condomínio, e teve a ajuda de um dos porteiros para encontrar a casa. Era grande e mais bonita do que esperava. Ao descer do carro, andou até a porta, com seus dedos tocando a parede. A tinta já estava descascando, fazia muitos anos que ninguém entrava na casa, ou se preocupava com os mínimos cuidados.

Abriu a porta vagarosamente, como se esperasse ser impedida, esperava que alguém a tirasse dali e a privasse de ver tudo o que lhe foi tirado. Mas isso não aconteceu, e ela pode observar uma sala ricamente mobiliada. Alguns quadros com retratos de seus possíveis pais. As lágrimas estavam sufocadas.

Tirou o celular da bolsa e saiu da casa, sentou-se na varanda e discou um número da memória rápida.

- Sangô? Olha, eu sei que você ta ocupada trabalhando e tal, mas eu acho que não vou conseguir.

- Calma. Respira fundo e me conta tudo, não estou muito ocupada agora...

- Eu estou na casa, mas não consigo entrar, eu não consigo encarar tudo isso... não agora.

- Minha querida... você sabe que consegue. Você quer que essa criança tenha tudo o que você não teve, certo? Pra isso, a senhorita vai ter que encarar seus medos...

- Ta até parecendo uma psicóloga... enfim, vá trabalhar. Mais tarde nós nos falamos..

- Até, Rin-chan.

Desligou o celular, mas ainda não sabia se teria forças para encarar tudo aquilo. Estava cansada, devastada. Talvez por isso, entrou na casa finalmente, mal ligando para o local, apenas se importando com uma crescente dor de cabeça.

Dormiu até as 18h da tarde, levantou-se meio sonolenta, mas passou a se trocar rapidamente. Queria sair dali. Aquele ambiente a sufocava, sentia-se presa.

Colocou uma calça jeans escura, uma camiseta sem mangas brancas. Bota e jaqueta preta. E sentindo-se confortável, saiu.

Parou próxima a um parque e, andando até a margem do lago, passou a mão sobre o ventre. Olhava sonhadoramente para a paisagem.

- Sabe Shippou, quando você nascer, nós vamos vir aqui todas as tardes...

Por mais que a certeza de ter um filho (ou filha) ou de morar ali não surgia, não lhe faria mal sonhar. Sorriu carinhosamente. Sonhava em um futuro não tão distante, mesmo sentindo medo do mesmo.

Voltou-se para si mesma, analisando seu comportamento de fuga, seria o certo? Pois sabia que fugia dele, daquele sorriso. Balançou a cabeça negativamente decidida a esquecer tudo aquilo.

O tempo no bar passou rapidamente. Era um local aconchegante e a jovem fazia uma das coisas que mais amava: cantava. A quanto tempo não cantava para um público? Desde que saira de lá, talvez.

Tudo lá a acalmava. O cheiro embriagante, o calor, os sorrisos admirados. Será que era assim que uma pessoa famosa se sentia?

Era um local agradável, fazendo com que as pessoas que o freqüentavam fossem velhos amigos, boêmios dos dias de hoje. Ela abriu espaço para as pessoas cantarem também, lessem alguma coisa, logo o bar descontraído se tornou um sarau com poesia e músicas.

Mas o cheiro do cigarro a incomodava, e a vontade de beber também. Porem, toda aquela energia a fez sentir-se bem. Saiu de lá mais leve. Completa e feliz.

No carro, não ligou rádio, fora cantando músicas de um musical norte americano. Não viu o caminhão.

Tudo era escuridão.


Não se sabia quantas horas haviam passado, mas ela não conseguia abrir os olhos, mover seu corpo, entreabrir os olhos. Aquilo era agonizante. Porém, não havia dor, apenas uma vaga lembrança do que havia ocorrido.

Seu carro fora acertado... por duas luzes muito brilhantes, que a deixaram ligeiramente cega. O carro havia virado... e havia muito vidro quebrado, provavelmente das janelas.. mas tudo continuava embaçado. Talvez fosse sonho, e estivesse cansada demais para acordar. Seria melhor se acostumar com aquele pensamento.

Ouviu vozes, distantes, mas ainda assim... não estava sozinha naquele obscuro sonho.

- Por quanto tempo ela ficará assim, doutor?

Era a voz de Ayame, chorosa?

- Não se sabe, tempos que esperar o corpo se recuperar das fraturas, e, quem sabe, esperar a mente dela se organizar. Não existem muitos estudos sobre o que acontece com a pessoa em coma, mas apenas podemos esperar por uma resposta dela.

Ouvia soluços, tecidos friccionados. E uma nova mais aquele quadro macabro.

- Vamos Ayame, temos que ligar para Sangô.

Kouga... por que todos estavam lá e não falavam com ela? Por que não a acordavam? Mas havia ouvido sobre o coma, seria verdade? Não... era apenas uma brincadeira de mau-gosto, só podia ser.

Sentiu uma sonolência se apoderando de seu frágil corpo. Dormiu de verdade.

Longas horas se passaram no mundo da realidade, horas desesperadoras para as pessoas fora de um certo quarto. Esperavam a chegada de Sangô e Miroku, amigos da jovem, aparentemente o atraso era devido a um terceiro. Porém, tudo era ignorado no profundo sono de Rin.

Quando estava realmente inconsciente, sem a percepção do mundo fora de seu coma, tinha sonhos abstratos, escuros, que a enchiam de medo.

Escutava vozes lhe apontando acusadoramente as faltas que fizera em sua vida, o erro cometido com o ser em seu útero. Culpava-se, humilhava-se, rebaixava-se. Era torturante os sentimentos que lhe possuíam em frente a essas imagens e sons desconexos.

Mas despertou com uma voz. Masculina. Chamando-a.

- Rin... Rin!

- Pare Sesshoumaru, ela não vai responder...

Sesshoumaru estava ali? Mas nem se conheciam... mal haviam conversado. Sentia-se inquieta, presa sem poder abrir os olhos e ver a face quase desconfigurada de pavor do cantor. E a voz de Sangô... sempre dona de si, acalmando os outros, mesmo quando não estava calma.

Sentiu um liquido quente fazendo um delicado percurso em sua face. Seriam suas lágrimas? Ou as lágrimas dele? Seria poético demais pensar que eram as lágrimas de ambos se confundindo?

Era estranho pensar que o único cara que não tivera intenção de conhecer, a fizesse se sentir confortável. Os barulhos foram ficando mais distante, como se ela se afastasse de tudo. E além daquela escuridão, viu o rosto de sua tutora. Da mulher que havia lhe criado juntamente com Sangô.

- O que ainda esta fazendo aqui?

Ela perguntou calmamente para Rin.

- Ahm... - Sentindo-se embaraçada, respondeu. - Não tenho para onde ir...

- Claro que tem... sempre teve. Tem muitas pessoas esperando você acordar, sabia? Pessoas que realmente gostam de você e esperam que você acorde...

- Eu sei... eu quero acordar mas não consigo!

- Só não consegue por que tem medo de estabelecer o que realmente quer... Se perder mais tempo, você ira acabar ficando apenas comigo...

- Mas isso não é uma coisa ruim, certo?

- Tudo depende do seu ponto de vista, Rin-chan.

Ouvir a voz de sua tutora a acalmou. A faria analisar tudo de um melhor ponto de vista, mesmo sendo na escuridão.


Demorei... mas ta aqui! O ultimo capitulo eu vou escrever mais rápido, prometo... mas eu não vou colocar um Preview aqui... seria meio chato e ia acabar com o suspense.... xD

Então... tuuuudo acalmou... passei no meu exame final, agendei as aulas teóricas de direção e... passei na PUC e no Mackenzie aqui de São Paulo!! Vou fazer psicologia no Mackenzie que é o meu sonho de consumo... então eu vou terminar essa fic antes de começar as aulas, se não vira correria e não sai bem feito. xD

Espero que não me odeiem muito por esse capitulo... mas foi necessário... xD

Beijos e até o próximo!