Capítulo 5: A nova Aliada

Keiko Haruno Uchiha, recado pra vc no final! Vai lá e boa leitura! (pra vc e pra todas!)

Mas as explicações não podiam ser dadas ali, então saí arrastando Sakura escadaria acima, assim como Naruto fizera comigo dias antes, para o quarto de Kakashi. Logo ela estaria na mesma situação que eu estive, mas também logo ela entenderia as mesmas coisas que entendi e falaria a todos o segredo conhecido somente por nós dois. Mesmo que ela não saiba que eu sei.

Subimos as escadas rapidamente, minha mão ainda na de Sakura, e chegamos ao sexto andar mais rápido do que eu esperava. Queria resolver isso logo, queria que todos entendessem o que eu havia entendido, queria compartilhar minha surpresa. Mas definitivamente não queria machucar Sakura, e esperava que meus amigos e Kakashi me ajudassem a protegê-la depois que a verdade viesse à tona.

Ela parecia perturbada e surpresa. Perturbada por provavelmente ter ouvido os gritos que vinham da sala de Yakushi, e surpresa por estar no andar dos professores, parada em frente à porta de Kakashi. Mas Sakura ainda não abrira a boca para contestar, o que era um milagre. A surpresa dela deveria ser realmente muito grande para ela não ter dito nada ainda. Então, me aproveitando do silêncio dela, bati na porta e aguardei.

Foi Neji quem abriu a janela do olho mágico. Sakura soltou uma exclamação muda a meu lado e só então notei que ainda segurava a mão dela. Soltei-a discretamente, mas acho que poderia ter arrancado um braço dela e Sakura não perceberia. Olhei-a de esguelha: sua surpresa agora se transformara em confusão. Ou em desconfiança.

Neji pediu identificação e falei meu nome e o de Sakura. Era de praxe pedir para quem batesse na porta se identificar, principalmente se por trás de tal porta estivesse um grupo de adolescentes e um professor investigando um mistério. Neji, então, pediu que entrássemos e a porta foi aberta não por ele, mas pelo dono do quarto. Kakashi sorriu jovialmente para Sakura, cuja expressão estava congelada. Naruto cumprimentou-a, mas ela não respondeu, provavelmente porque viu os ocupantes do quarto e se perguntou, como eu fiz dias atrás, o que estariam fazendo ali.

Procurei não pensar na discussão que acabara de ter com meu pai, afinal, o que Sakura estava prestes a contar era mais importante do que qualquer coisa. Mas eu sabia que teria que me esforçar muito para esquecer a briga, já que a conseqüência dela estava na minha mão, enfaixada por uma garota gentil e neste momento assustada.

- Certamente você não faz idéia do porque está aqui? – Kakashi perguntou a ela gentilmente após fechar a porta e me concentrei na conversa. Sakura balançou a cabeça bobamente, concordando com o professor. Shikamaru quebrou os poucos segundos de silêncio que se fizeram:

- Podemos explicar professor? – ele perguntou

- À vontade Shikamaru... – disse Kakashi

- Ok... – disse Shikamaru, e virou-se para Sakura – certamente, Sakura, você está ciente do que aconteceu com Kiba.

- Estou – ela respondeu, Bom sinal: já havia recuperado a fala...

- E deve ter percebido que há algo de muito estranho nisso tudo – Neji completou

- Acontece, Sakura, que nós descobrimos informações que estão sendo ignoradas a todos os alunos do Konoha. Provavelmente você não sabe que a escola controla os note books – disse Shikamaru

- Controla? – ela perguntou, mais surpresa do que eu fiquei quando Kakashi me disse isso

- Sim, Kakashi nos informou isso recentemente devido às descobertas. Depois do assalto à joalheria dos pais do Kiba, outros roubos aconteceram, e a escola tem bloqueado os sites de notícia. Você acessou algum depois do acontecido? – Shikamaru perguntou

- Não... – Sakura respondeu, pensativa

- É por isso que você não sabe então... Mas o que está acontecendo é que esses assaltos têm alguma ligação com alguns alunos do Konoha, especialmente os do Ensino Médio, assim como o caso do Kiba. – prosseguiu Shikamaru. Precisávamos explicar todos os detalhes para convencê-la a falar o que sabia. Era esse nosso combinado.

- Eu tenho verificado cuidadosamente a lista dos nomes dos alunos de cada série e encontrei vários sobrenomes coincidentes com os das lojas roubadas. Mas o que mais me intriga são que esses garotos e garotas têm uma ótima aparência física e são muito inteligentes e sadios e nessa semana estiveram dormindo durante as aulas. Descobri isso conversando com os outros professores. – disse Kakashi

- Ok... – disse Sakura. Parecia pensar rapidamente – e onde exatamente eu entro nessa história? – ela perguntou

- Sakura – Naruto falou gentilmente, mesmo que seu cumprimento tivesse sido ignorado por Sakura – nós precisamos saber exatamente o que aconteceu com Kiba.

- Para poder ligar aos fatos e descobrir se os alunos têm alguma ligação com os assaltos – completou Gaara. Ele segurava a câmera que havia sido instalada no quarto de Kiba. Resolvemos tirá-la, já que havíamos descoberto o suficiente sobre a enfermeira. E agora os outros iam saber o que Sakura tinha a dizer...

- Foi por isso que pedi que você falasse com o Shikamaru – observei – e você não falou, então decidimos trazê-la aqui – Sim, para meu desgosto, já que teria sido muito mais fácil se ela tivesse falado com Shikamaru.

- Eu ia falar hoje! – Sakura exclamou – juro! – e era difícil não acreditar nela. Provavelmente ela ia mesmo falar, mas viu minha briga com meu pai e eu acabei trazendo-a aqui. No fim, a estupidez foi toda minha, como sempre...

- Tudo bem Sakura... – disse Kakashi – apenas nos conte o que você sabe. Acreditamos que sua história é verdadeira – essa era uma meia verdade. Eles só sabiam da parte que eu havia contado sobre os sussurros de Sakura na aula, mas Kakashi é um mestre dos blefes; logo ele ia fazer Sakura falar.

- Se vocês sabem minha história, por que querem ouvi-la? – ela perguntou, desconfiada. Ok, Kakashi podia ser um gênio, mas Sakura era mesmo muito esperta. Agora que o susto já passara e ela estava mais ciente do motivo da nossa reunião, estava recuperando a auto-confiança.

- Sakura é muito esperta professor... – Shikamaru disse, expressando meus pensamentos em voz alta

- Acho melhor contar a ela sua versão, Kakashi – disse Neji. É, ele estava certo. Era óbvio, pela expressão no rosto de Sakura, que ela não falaria nada até contarmos tudo o que sabíamos. Talvez não fosse ser tão rápido como imaginei. Todos concordaram com a idéia de Neji, inclusive o próprio Kakashi. Ele encarou Sakura com seriedade, para provar que falava a verdade, e narrou a ela a mesma história que contou a mim e a meus amigos em nossa primeira reunião.

O olhar vidrado de Kiba, a escuta atrás da porta, os comandos de Yakushi e nossas suspeitas a respeito dele, nada foi poupado de Sakura. Kakashi contou tudo, e pelas expressões feitas por ela ao longo do relato, tive certeza de que assim como eu, meus amigos notaram que Sakura reconhecera os sintomas da possível droga que Kiba havia tomado. O professor parou de falar e esperamos pacientemente até Sakura processar as informações.

- Nossa... – ela finalmente disse, bem devagar – então vocês suspeitam do senhor Yakushi?

- Pode parecer marcação, mas começamos a investigar a ficha do sujeito. Gaara e eu só encontramos umas poucas informações sobre ele – Kakashi disse e virou-se para o Sabaku - Gaara?

- Descobrimos que ele trabalhou em diversos países, e que no último, Hong Kong, ocupou vários consultórios em várias cidades em apenas um ano – Gaara começou a revelar as informações que havíamos descoberto até então – Mas a bomba vem agora: em nenhum deles como psicólogo!

- Como o quê então? – Sakura perguntou, obviamente surpresa

- Várias profissões – continuou Gaara – e sei que ganhou muito dinheiro roubando dos clientes, e quando estes lhe enviavam uma intimação, já era tarde: ele já havia mudado de nome e de cidade, e agora, de país.

- Qual foi a última profissão dele? – ela tornou a perguntar

- Químico, em uma universidade de Hong Kong, e na ficha que encontrei parece que Química é o que realmente sabe. As autoridades estão atrás dele, mas com um nome falso: Professor Tobaku, e se verificarmos as letras, veremos que forma um anagrama de Kabuto, o verdadeiro nome dele. – concluiu Gaara

- E vocês já contataram a polícia? – Sakura perguntou de novo, mal disfarçando sua curiosidade. Parecia cada vez mais querer fazer parte daquilo tudo, como eu quis.

- E quem confiaria em um bando de alunos de 17 anos e em um professor de Filosofia com umas poucas provas da Internet? – perguntou Kakashi

- Foi por isso que Kakashi nos chamou – Shikamaru explicou

- Para ajudarmos a reunir provas contra o senhor Yakushi – disse Naruto

- O problema é que não sabemos contra O QUÊ acusá-lo no Konoha – disse Neji – Não temos como alegar que ele fez algo de grave com o Kiba e os outros em apenas uma semana – isso era totalmente verdade. Como Kakashi dissera, só tínhamos umas poucas provas de internet...

- Foi por isso que colocamos esta câmera – disse Gaara indicando a câmera em sua mão – na entrada do quarto de Kiba, na esperança de flagrar o senhor Yakushi. Mas o que descobrimos é que vai sempre uma enfermeira baixinha visitá-lo, e claro, você.

- As suas visitas eram quase tão freqüentes quanto as da enfermeira, então decidimos investigar as duas – explicou Kakashi – Sasuke foi verificar você enquanto eu cuidei da enfermeira e descobri que não é enfermeira coisa nenhuma. Ela é assistente do senhor Yakushi e já foi acusada de homicídio em Hong Kong. E sexta-feira eu a flagrei colocando algo no soro de Kiba, que descobri ser sedativo para mantê-lo desacordado. Pelo menos ela não me viu – o professor concluiu

- E eu descobri que você sabe de toda a história, por isso te trouxe aqui. – falei, tentando parecer indiferente

- Agora pode nos contar, Sakura? – Naruto falou gentilmente de novo. Sakura nos olhou, um por um, e reconheci aquele olhar. Era o mesmo que ela me lançara no dia em que a flagrei chorando e sugeri que falasse com Shikamaru; era o olhar de quem especula para saber se pode confiar ou não. E eu temia o que Sakura poderia concluir.

Mas desta vez foi diferente, talvez porque ela estivesse suficientemente envolvida e já sabia demais, ou porque achava que não pararíamos de persegui-la até nos contar o que sabia. A questão é que Sakura resolveu finalmente falar seu segredo, o mesmo segredo que eu não conseguia mais esconder.

A surpresa de meus amigos e de Kakashi foi tão grande quanto ou talvez maior que a minha ao ouvir Sakura dizer que Karin havia colocado a droga no suco de Kiba. O professor e Naruto pareciam os mais chocados. Tentei parecer surpreso também, mas com alguma dificuldade; ouvir da boca de Sakura era diferente de ler, e agora parecia até óbvio Karin ser a oferecedora da tal droga. Quando Sakura terminou seu relato, as informações ficaram pairando no ar, meus amigos chocados demais para falar. Shikamaru parecia pensar furiosamente, e tive a impressão de que havia descoberto algo.

- Sakura, seja sincera, você contou isso pra mais alguém do colégio? – Kakashi perguntou, quebrando o silêncio e tirando todos de seus devaneios. Mas Shikamaru continuava pensativo.

- Contei professor, primeiro às minhas amigas, que consideraram essa possibilidade impossível e coisa da minha imaginação, e depois pra diretora, mas ela foi a mais descrente de todas – Sakura respondeu

- Ela gritou com você? – perguntou Kakashi

- Sim – Sakura disse – Como sabe?

- Olha Sakura, não é que Tsunade não tenha acreditado em você... – Kakashi explicou. Ia dizer à Sakura outra coisa que também havia dito a nós – Ela é uma boa mulher e ótima diretora e confia plenamente nos seus alunos, mas a situação é muito delicada. Ela simplesmente NÃO PODE acreditar nisso tudo, e quanto mais abafado for o caso, melhor. Por isso os note books bloqueados. Além disso, o que você faria se soubesse que há drogas circulando pela própria escola? – o professor finalizou e Sakura não respondeu.

Mais silêncio, e desta vez foi incômodo. Eu queria saber o que Shikamaru havia concluído, mas foi Sakura quem falou primeiro:

- Então, vocês acreditam em mim? – ela perguntou. Pelas nossas expressões, era óbvio que acreditávamos, principalmente eu, depois de tomar consciência da mesma informação duas vezes. Mas parecia que Sakura queria averiguar se confiávamos nela como ela havia confiado em nós.

- Claro que sim! – Naruto apressou-se em dizer

- Sua versão explica muitas coisas... – Gaara refletiu. Incrível como esse mistério estava fazendo o Sabaku falar.

- É surpreendente! – exclamou Neji, mal escondendo sua excitação – Mas algo não está certo: por que Karin está drogando os alunos pro senhor Yakushi? Será que eles já se conheciam? E por que a nossa escola é a escolhida? Por que obrigar os próprios alunos a roubar estabelecimentos da própria família sob o efeito de uma suposta droga? – e essas eram, resumidamente, as dúvidas mais urgentes que nenhum de nós sabia responder

- Tudo isso parece sem explicação... – disse Naruto revelando em voz alta a frustração de todos. Mas eu captei um movimento: Shikamaru ia falar.

- Mas não é... – disse ele, finalmente, e todos o encararam, surpresos. Exceto eu, é claro. Conhecia o Nara o suficiente para saber quando algo importante ia ser revelado.

- Descobriu alguma coisa, Shikamaru? – perguntou Kakashi, provavelmente entendendo os instantes de silêncio de Shikamaru

- Bem, apenas juntei os fatos... – disse ele – Sakura, você e Kakashi disseram que o olhar de Kiba estava vidrado e ele não tinha ciência do que estava fazendo, certo?

- Sim... – Sakura confirmou

- Ok... – Shikamaru ficou em silêncio por um tempo e concluiu – então já entendi quase tudo. Yakushi era químico antes de se passar por psicólogo certo? Então ele desenvolveu essa "droga da obediência" em Hong Kong, e foi convidado a vir para o Japão sob o disfarce de psicólogo, e assim testar a droga nos alunos do Konoha... – isso eu também já havia concluído, mas Shikamaru gostava de fazer suspense, deixar suas palavras fazerem efeito antes de revelar a grande descoberta.

- Tem sentido... – começou Kakashi – mas quem contratou o senhor Yakushi foi Tsunade, e tenho certeza que ela...

- Ela nunca colocaria os alunos em risco – completou Shikamaru, de forma óbvia. Eu também já sabia disso – e concordo, mas ela contratou o cara por causa da indicação de uma pessoa... – e então a lembrança veio como num passe de mágica. O primeiro dia de aula. O atraso de um certo alguém... Na verdade, um professor que havia ido buscar o psicólogo... Sim, fazia sentido... Ele era bem capaz de trazer Yakushi, de saber da verdade, de participar do esquema...

- Quem? – perguntou Naruto olhando para Shikamaru

- Orochimaru – acabei respondendo, apenas para experimentar a sensação de saber que aquele ser desprezível estava envolvido nisso tudo

- Exato! – disse Shikamaru se animando, provavelmente porque alguém mais havia entendido o mesmo que ele – e é aí que entra o principal mistério: por que um professor do Konoha contrataria um cara de Hong Kong, com uma bela ficha criminal, pra testar sua droga em alunos sadios e obrigá-los a roubar dos próprios parentes?

- Não faço idéia... – disse Neji

- Nem eu... – concordou Naruto

- Shikamaru – Sakura chamou-o, com cautela – o que você está falando faz muito sentido, mas realmente acha que Orochimaru está envolvido nessa? – o que ela estava fazendo? Sakura estava defendendo Orochimaru?

- Qual é Haruno? – acabei perguntando, revelando minha dúvida em voz alta – vai defender aquele idiota agora? – acabei falando com mais raiva do que o necessário, talvez por ter descoberto que no fim das contas Orochimaru era realmente um sádico...

- Não! Só que... Não parece certo... – Sakura explicou-se

- Eu te entendo Sakura... – disse Naruto e Sakura sorriu para ele – mas, Shikamaru, e onde entra a Karin nessa história?

- Simples... Ela é extremamente fofoqueira e desrespeita as regras, então devia estar andando pelo sexto andar quando ouviu a conversa entre o Yakushi e o Orochimala e eles a descobriram, ameaçaram a dondoca e a forçaram a drogar os colegas. E como a Karin já é perversa de natureza, ela deve ter recebido uma oferta de pagamento e ter aceitado fazer o trabalho numa boa – Shikamaru respondeu. O que ele falara fazia muito sentido, e apesar de serem apenas especulações, serviu para nos animar

- Mas porque obrigar os alunos a roubarem as próprias famílias? – insistiu Neji

- Por dinheiro claro... – o Nara disse de forma óbvia – Isso também não fica muito evidente, mas só pode ser por dinheiro. Estão procurando alunos sadios e obrigando-os a assaltarem as próprias famílias porque quem mais conheceria como a palma da mão o sistema de segurança? Um técnico, talvez, mas isso seria mais fácil de provar... E a diretora está abafando o caso, então está tudo perfeito pra eles.

- Shikamaru, você é O gênio! – disse Kakashi, expressando a animação que todos sentíamos

- Que isso, professor, só faço meu trabalho – respondeu ele tentando parecer modesto

- Ok... Avançamos bastante por hoje, mas precisamos de um plano. – Neji declarou o óbvio. Simplesmente não podíamos ficar parados depois de tantas deduções e peças encaixadas...

- Concordo – disse Gaara – e alguém precisa ficar na cola da Karin, pra evitar mais vítimas. Depois de quarta-feira ela atacou bem mais rápido e fez muitas novas vítimas.

- Além disso – acrescentou Kakashi – temos que reunir o maior número de provas possíveis e montar um dossiê, mas o que seria essencial era ter alguém que provou a droga, mesmo inconsciente, para nos ajudar. Mas isso é impossível, já que os garotos drogados ficam apagados durante as aulas e provavelmente recebem uma nova dose da droga antes de obedecerem, porque o efeito é passageiro, não é?

- É sim – disse Neji – você tem razão Kakashi, mas como poderíamos conseguir falar com as vítimas? Seguindo-as?

- Isso seria muito arriscado – falei – Provavelmente elas são vigiadas pra saber se chegam ao "destino" em segurança.

- E o único que resistiu até agora foi o Kiba, porque devem ter exagerado na dose dele, por isso o desmaio – disse Naruto – mas ele tá apagado lá na enfermaria. Estamos cercados.

- Não estamos – falou Shikamaru, e percebi na hora que ele tinha um plano. Incrível como ele consegue pensar tão rápido...

- Você tem um plano? – Sakura perguntou, e acho que ela percebeu o mesmo que eu

- Pensem bem... – Shikamaru começou, endireitando-se – O que Kiba disse antes de desmaiar? "Não pode me obrigar!", não foi? Então ele sabe quem o drogou! Ele VIU a pessoa! Por isso estão mantendo ele desacordado! Seria ótimo termos ele com a gente!

- Nós sabemos Shikamaru – disse Gaara – mas precisamos de um plano! Como vamos trazer o Kiba pra cá?

- Simples – disse Shikamaru com um sorriso misterioso, mas eu consegui ler através dele. E Shikamaru só podia estar louco... – vamos seqüestrá-lo.

- QUÊ??? – os outros perguntaram, em uníssono. Era loucura demais...

- Calma gente... – Shikamaru falou, tentando tranqüilizar a todos – Tenho tudo planejado... Não vamos pedir resgate nem nada. Vamos mantê-lo aqui, seguro, e assim que ele recobrar os sentidos, saberemos se o professor Orochimaru está envolvido ou não – assim que ele terminou de falar, pude perceber várias falhas nessa idéia maluca

- Mas Shikamaru, como vamos explicar esse seqüestro pra diretora? – perguntou Naruto, ilustrando a falha mais óbvia

- Vamos pegá-lo na sexta-feira, quando o colégio estiver praticamente vazio porque a maioria dos alunos vai viajar pro fim de semana. Professor – disse Shikamaru se virando pra Kakashi – o senhor joga seu charme pra cima da enfermeira enquanto Naruto e Gaara vigiam do lado de fora do quarto do Kiba. Sasuke, você fica aqui em cima aguardando nossa chegada. Neji e eu vamos trazer Kiba – é, o plano era bom, mas ainda tinha falhas.

- Essa foi rápida! – disse Kakashi. Era incrível como ele parecia aceitar numa boa uma idéia tão arriscada.

- E eu? – Sakura perguntou de repente. Parecia indignada por não estar incluída no plano depois de nos dar informações tão importantes. Torci para que Shikamaru dissesse que infelizmente ela não poderia participar, que era muito arriscado, mas percebi que ele não diria nada disso.

- Sakura – ele disse, encarando-a – você sabe falsificar letras? – Falsificar letras? Por que isso? Por essa eu não esperava!

- Eu? – Sakura perguntou, mais surpresa que eu – Mais ou menos... Por quê?

- Porque isso vai ser essencial pro plano dar certo – Shikamaru explicou – Vamos precisar que os pais de Kiba "supostamente" venham à escola buscar o filho para levá-lo pra casa e mantê-lo lá, e para isso deixarão um bilhete dizendo que ajeitaram todos os detalhes com o professor Kakashi. E é essa a história que você vai contar pra enfermeira, professor: os pais de Kiba vão vir buscá-lo e você já deu autorização.

- Ok... – disse Neji – mas que história nós vamos contar para os pais do Kiba? – essa era outra falha

- Ele vai ficar na minha casa no fim de semana e está se sentindo muito melhor, e por via das dúvidas, quando Kiba tiver acordado, pediremos para ele falar com os pais por telefone. – concluiu Shikamaru

- Você é genial! – disse Naruto, mas ainda tinha outra falha. Será que ninguém percebia?

- Ok... Então, Sakura, acha que consegue falsificar a letra? – perguntou Shikamaru. Até que não era uma tarefa arriscada...

- Olha... Posso tentar, mas em que vou me basear? – Sakura perguntou

- Posso dar um jeito – disse Kakashi – a mãe do Kiba fez a matrícula dele. Vou pegar a ficha na diretoria e passo pra você antes de sexta-feira, Sakura.

- E a Karin? – perguntou Gaara

- Essa é uma tarefa para todos nós – respondeu Shikamaru – se a vermos conversando com alguém e ela colocar algo suspeito na bebida ou comida, devemos interromper imediatamente, entendido?

- Meus parabéns, Shikamaru – disse Kakashi – você é realmente um gênio.

- É meio problemático pensar nessas coisas, mas é pro bem de todos, professor – Shikamaru disse – Então, nos reuniremos outras vezes esta semana para relembrar os detalhes do plano. Conto com todos vocês. De acordo?

- Sim! – disse Naruto

- Ok cara... – disse Neji

- Uhum... – Sakura concordou

- Está ótimo, Shikamaru! – disse Kakashi

- Eu concordo – disse Gaara, e depois de tanta concordância, tive que me expressar. Ainda havia aquela falha que ninguém notara.

- Eu também – falei – mas, Shikamaru, percebi uma falha no seu plano. Quanto tempo você acha que as mentiras contadas pra enfermeira e pros pais do Kiba vão durar? – Não era uma falha óbvia?

- Bem... – e pela primeira vez Shikamaru assumiu uma expressão preocupada – espero que o tempo suficiente para revertermos a situação... Agora é melhor irmos embora. Amanhã temos aula e precisamos de uma boa noite de sono. Vamos sair um por um.

- Concordo plenamente – disse Kakashi, dirigindo-se à porta – Hoje progredimos muito graças à Sakura e Shikamaru, e o plano que temos em mãos é muito delicado. É melhor que cada um reflita sozinho, na segurança de suas camas, o que nos aguarda em menos de uma semana. Mais uma vez eu agradeço a vocês, rapazes, e especialmente a você, Sakura.

E Kakashi sorriu para ela. Sakura sorriu brevemente em resposta, e, para meu desgosto, parecia não querer ir embora. Isso era até compreensível, se a situação não fosse terrivelmente perigosa: Sakura gostara de encontrar aliados, obviamente, depois de suas amigas e a diretora não terem acreditado nela; mas com o plano do seqüestro, estávamos nos arriscando muito mais do que poderíamos, e quanto menos Sakura estivesse envolvida, melhor.

Felizmente Shikamaru dera a ela a tarefa mais fácil: falsificar letras. E Sakura nem precisaria se arriscar para obter o modelo da letra que teria que imitar, afinal, Kakashi faria isso por ela. E no dia do seqüestro eu inventaria qualquer desculpa para segurá-la no quarto de Kakashi comigo.

Percebi que ainda estava no quarto de Kakashi quando o próprio professor me cutucou, despertando-me de meus devaneios. Era o único aluno ali; os outros já haviam saído, inclusive Sakura. Como eu também não tinha mais nada para fazer ali, me despedi de Kakashi e fui rápida e cuidadosamente até meu dormitório. Antes de abrir a porta, consultei meu relógio: era quase hora do toque de recolher.

Acabei olhando, inconscientemente, para minha mão enfaixada. Suspirei. Nem parecia que tudo havia acontecido no mesmo dia: a briga com meu pai, Sakura cuidando de mim, a reunião dos Aliados, a adesão de uma nova componente e um plano de seqüestro. Oh, e eu não almocei. Mas também não estava com fome; era impossível para mim sentir qualquer coisa a não ser ansiedade e preocupação com os acontecimentos futuros.

Entrei no quarto, e, como eu já esperava, meus amigos estavam conversando. Eles silenciaram ao ouvirem a porta abrir, mas quando viram que era eu, voltaram a falar. A palavra estava com Neji.

- Estávamos discutindo sobre o que Sakura contou... – disse ele – Essa história da Karin, sabe... Achamos que deve haver um motivo a mais para ela ajudar Yakushi e Orochimaru.

- Cara... O Orochimaru é um professor... Como pode estar envolvido? – Naruto perguntou, perplexo

- Não estou nem um pouco surpreso com o envolvimento dele – falei. E era mesmo verdade. Eu sabia que a maldade de Orochimaru não poderia se resumir a seu comportamento na sala de aula. Ele era mais que um professor do mal. Era um criminoso...

- É problemático... – Shikamaru comentou – Mas faz total sentido Orochimaru participar disso...

- Concordo – disse Neji – E também estávamos repassando o plano, Sasuke, para ver se encontrávamos mais falhas como a que você notou.

- Só notei porque era muito grande – justifiquei – e óbvia. Acho que agora está bom.

- Eu disse que não tem mais falhas – disse Shikamaru, revirando os olhos – O plano só é arriscado.

- Excessivamente arriscado – lembrou Gaara, e eu concordei com ele

- Tem razão – falei – mas acho que conseguimos dar conta. A escola estará quase vazia, como Shikamaru calculou, e Kakashi é um professor, portanto pode nos acobertar caso algo dê errado.

- Isso – disse Naruto – É... Nós vamos dar conta.

- Essa não! – Neji exclamou, ficando muito branco de repente

- Que foi, Neji? – Naruto perguntou, levantando-se rapidamente de sua cama e indo até Neji

- Esqueci completamente que falta menos de uma semana para meu encontro com a Tenten!!! – o Hyuuga berrou, e olhamos incrédulos para ele. Shikamaru ilustrou nossa frustração atirando um travesseiro em Neji.

- Seu débil! – disse o Nara – Como você pode pensar em encontros numa situação dessas?!

- Ora, Shikamaru, nem tudo gira em torno desse mistério! – defendeu-se Neji – Agora vamos ter que parar de viver por causa disso tudo?

A pergunta ficou vários segundos no ar, e ninguém respondeu. Porque ninguém sabia a resposta. Só sabíamos que de uma forma ou de outra, Neji tinha razão. Era confuso...

- Quando é seu encontro? – Naruto perguntou para Neji, quebrando o silêncio

- Sábado – o Hyuuga respondeu – Para mim vai ser como um prêmio caso o seqüestro dê certo. Estou ansiando por isso... Mas por que você quer saber?

- Am... – Naruto começou a dizer, encabulado – É que... Eu estava pensando em chamar... Sua prima, sabe... A Hinata...

- Eu sei que a Hinata é minha prima, Naruto – Neji cortou secamente e estreitou seu olhar – Vá direto ao ponto.

- Tá certo... – o loiro respondeu – A questão é que... Eu queria chamá-la para sair! Pronto! É isso! E achei uma boa idéia contar pra você pra provar que eu sou um cara legal, tenho bom caráter e caso ainda assim você não esteja convencido de que mereço sair com sua prima, podemos ir com você e Tenten, assim você pode nos vigiar!

Olhamos para Naruto, surpresos. Era incrível o rumo que a conversa tomara. Primeiro, falávamos de um seqüestro, e agora... Falávamos de encontros! Isso era muito esquisito... E ficou mais esquisito ainda quando Neji começou a rir loucamente da cara de Naruto. Shikamaru, Gaara e eu trocamos olhares confusos e me perguntei se eu estaria sonhando.

- Do que está rindo? – Naruto perguntou com cautela

- Você está me pedindo permissão para sair com a Hinata? – Neji conseguiu perguntar depois de alguns engasgos com suas risadas

- E-Estou... – Naruto respondeu – Tem algum problema nisso? Fiz algo de errado?

- Claro que não! Hahaha!!! – Neji disse

- Então por que está rindo? – o loiro tornou a perguntar, quase à beira do desespero

- Você não precisa pedir permissão, Naruto! – Neji respondeu, controlando-se – Cara, pode sair com a Hinata sem problemas... Eu confio em você, pô...

- Mas você foi sempre tão linha dura... – Naruto argumentou, confuso

- Era só brincadeira – disse Neji – Vá em frente... Pode sair com Hinata.

- Sério?

- Sim.

- Valeu primo! - Naruto berrou dando um soco de comemoração no ar

- Só não a magoe, ou vai se arrepender eternamente! – Neji ameaçou – e não me chame de primo!

- Tá, cara! Valeu mesmo! Yes! – Naruto comemorou, dançando e pulando na cama, e sorri por ele. Talvez o lance entre ele e Hinata pudesse ficar concreto agora

- Cara... Vocês são inacreditáveis! – disse Shikamaru, bocejando – Todos problemáticos, isso sim...

- Escutem – Gaara disse de repente, e foi a vez dele de receber nossos olhares; Naruto parou de dançar para ouvir – Vocês acham que se eu chamasse Ino Yamanaka para sair, ela aceitaria?

Ok. Agora foi demais para mim. Só podia ser um sonho... Depois da seqüência de fatos sem sentido pela qual eu havia passado, ouvir Gaara perguntar se uma garota, ou melhor, se Ino Yamanaka sairia com ele fez parecer meu dia cada vez mais surreal e pertencente ao mundo dos sonhos.

A perplexidade estava estampada no rosto de cada amigo meu, exceto o do próprio Gaara, é claro. Ninguém parecia acreditar no que havia acabado de ouvir. Todos estavam abobados demais, principalmente porque Gaara ainda esperava uma resposta. E, acho que mais por educação do que por outra coisa, Naruto conseguiu sair do transe e dizer:

- Ah cara... Você é... Um cara bacana... Am... Ino pode... Ela pode aceitar, sim!

- Certo... – Gaara disse, analisando a resposta de Naruto – Certo. Então quando você for chamar a prima do Neji para sair, vou junto com você e chamo Ino para sair também. Vou dormir. Boa noite – sentenciou ele, por fim

Observamos cada movimento de Gaara se preparando para dormir, ainda perplexos demais para falar. Parecíamos débeis mentais, olhando nosso amigo deitar em sua cama como se ela estivesse coberta de lâminas afiadas. Então senti uma dor aguda na nuca, não tão forte como a bolada que Sakura me dera. Mas o gesto me levou à recordação daquele dia. Parecia também tão distante...

Me virei e vi que a fonte da minha dor era a mão de : ele me dera um tapa pra chamar minha atenção. Olhei em volta e percebi que tanto Neji quanto Shikamaru alisavam a nuca, parecendo despertar, assim como eu. Naruto também batera neles...

- Deixa o cara... – disse Naruto, rindo e indicando Gaara com a cabeça – ele também pode se apaixonar, não pode? Vão dormir seus mexeriqueiros!

- Depois eu que sou a mãe... – Neji rebateu, mas ele também ria

Era certo que ainda estava cedo, mas não tínhamos mais nada a fazer a não ser dormir. Então logo depois de Neji e Naruto, Shikamaru e eu também nos recolhemos. Eu duvidava que algum deles fosse conseguir descansar, até porque o dia tivera emoções demais, descobertas demais. E pensamos demais também.

Essa história de encontros não passava, na minha opinião, de uma fuga do verdadeiro mistério. E eu sabia, de alguma forma, que Shikamaru também pensava assim. Me revirei várias vezes na cama pensando no plano do seqüestro e em como esse mistério estava alterando nossas vidas e nossos comportamentos.

Gaara estava falando com as pessoas e querendo chamar a garota mais popular do Konoha para sair; Naruto e Neji pareciam ter invertido suas personalidades; Shikamaru passara a dar importância aos acontecimentos a seu redor. E eu... Bom, eu só me importava com uma coisa. Ou melhor, com alguém. Só me importava com Sakura e a segurança dela, desde o início... É... Eu estava preocupado com uma garota e pensando em métodos de mantê-la a salvo. Totalmente diferente do que o Sasuke Uchiha de uma semana atrás faria...

E se fosse para olhar por um ângulo otimista nessa história toda, talvez, mas de uma forma bem remota, eu aprendesse a ser gente com Sakura e conseguisse conquistá-la pessoalmente, e não por um computador. E no fim, como nos filmes de conspiração, eu não passaria de mais um mocinho com sua garota amada.

AAALELUIA!

OLÁ! Aqui estou eu, com outro cap, duas semanas depois, como o prometido! Tenho muito a agradecer às pessoas que mandaram reviews no cap anterior, que leram e não deixaram de acompanhar. Obrigada pelos elogios, pela força, pelas sugestões e pela paciência!

Sweet Girl ou Shinigami Agatha: sim, eu já li A Marca de uma lágrima, e também achei perfeito! Que bom q vc gostou de A droga da obediência!

Keiko Haruno Uchiha: eu gosto de reviews grandes! (vc me perguntou uma vez e eu ñ respondi... n.n'') E na sua última review o seu e-mail ñ apareceu. Se vc quiser, me add: debby31br (arroba Hot mail ponto com) Vc tem escrever seu e-mail dessa forma pra aparecer no FF. E q legal q vc decidiu escrever a fic com a história do filme "E se fosse verdade" (é esse o nome neh?)

Eu gostaria sinceramente de responder a todas as reviews, mas esse recado ficaria muito grande e maçante, portanto, sintam-se todas devidamente agradecidas! E não se esqueçam que amo vocês e valorizo mt o carinho q vcs me passam através das reviews!

Não tenho previsão para o lançamento do próximo cap... Posso prometer uma ou mais duas semanas... Vocês sabem, por causa do terceiro ano... Tentarei aproveitar a semana do carnaval e peço encarecidamente que não deixem de acompanhar, please!

E só pra ñ ficar mt chato da minha parte, obrigada à Dani Pj, Belle Sharingan, Naat Uchiha, Maria Lua, e tantas outras que nunca deixam de mandar reviews!

Obrigada mais uma vez!!! Ótimo carnaval!!!

Beijos!

Debby Uchiha

n.n