Capítulo 6: O seqüestro
A semana do seqüestro passou mais rápido do que qualquer outra. Acho que a ansiedade que todos nós sentíamos para que a sexta-feira chegasse logo acelerou o tempo. Daríamos um passo muito importante seqüestrando Kiba. Seria muita loucura, é verdade, mas estaríamos livrando o Inuzuka dos sedativos e levando-o para um lugar seguro. Além disso, ele tinha informações cruciais e quase todas as peças restantes do nosso complexo quebra-cabeça. Sem falar que o depoimento de Kiba era mais do que essencial para o dossiê que Kakashi estava montando ser levado a sério.
Como eu já disse, esse mistério estava mudando todos nós. A começar por Shikamaru: durante toda a semana ele ficou repetindo o plano para si mesmo, feito um louco. A preocupação em seu rosto sempre tão tranqüilo deixava-o meio desfigurado. É sério! Neji até alertou-o para não acabar murmurando o plano em público! Afinal, quem conhece Shikamaru sabe que ele é o maior preguiçoso e nunca se preocupa com nada, apesar de ser um gênio. Mas só nós, dos Aliados, sabíamos porque nosso amigo estava agindo assim. Ele é quem havia elaborado o plano do seqüestro, e já estava sentindo o peso sob suas costas caso a idéia fracassasse. O único tranqüilizante de Shikamaru era sua namorada, a Temari.
Gaara havia voltado a seu antigo silêncio, mas quando o assunto era o mistério, não hesitava em abrir a boca. E eu já o ouvira conversando com Naruto sobre quando ele iria chamar Hinata para sair para que o ruivo pudesse chamar Ino. De todos nós, Gaara parecia o mais tranqüilo e era o que menos repetia o plano para si mesmo. Até Kakashi estava meio ansioso e se embolava com as palavras em suas aulas!
Mas os piores eram, sem sombra de dúvidas, Naruto e Neji. Além de repetirem o plano para si mesmos inúmeras vezes, porém com mais discrição que Shikamaru, ficavam mudando de assunto de uma hora para outra. Explicando melhor: ora murmuravam o plano, ora ensaiavam frases para dizer à Tenten e Hinata. E no caso de Naruto era pior ainda, afinal ele ainda não havia convidado a garota para sair, diferente de Neji. Mas o Hyuuga perdera totalmente a noção, porque ficava horas (sim, horas!) no banheiro ensaiando caras e bocas para agradar Tenten.
O encontro seria somente no sábado, portanto imaginem como foi infernal agüentar uma semana inteira com esses dois! Como se não bastasse a pressão do seqüestro que estávamos prestes a fazer!
Quanto a mim, é lógico que eu também estava muito ansioso, mas não ficava murmurando o plano para mim mesmo o tempo todo, afinal, minha tarefa era a mais fácil de todas: ficar aguardando no quarto. Além disso, nos reunimos todas as noites antes de sexta para fazermos sabem o quê? Relembrar o plano, é claro. Então vocês podem imaginar como é chato ficar ouvindo toda hora "e Sasuke, você fica aqui em cima aguardando nossa chegada com Kiba". Como se fosse muito fácil de esquecer...
Mas pelo menos consegui tirar proveito da situação. Na reunião de quarta-feira, convenci Kakashi a pedir para Sakura aguardar no quarto, comigo. Afinal, seria muito mais seguro para ela. Kakashi concordou prontamente e disse que comunicaria essa decisão à Sakura depois que ela entregasse a carta com a letra da mãe de Kiba, na reunião de quinta-feira. Ela estava ansiosa, como todos nós, mas eu podia sentir uma inquietude vinda dela, um desejo de participar da ação, e não gostei disso. Felizmente, Kakashi concordou em mantê-la segura comigo.
E por falar em Sakura, era inegável que estávamos muito mais próximos. Não que ela não estivesse dos outros garotos também. Para ter uma idéia, Naruto ficava mandando mensagens para o celular dela na hora da aula (relembrando a porcaria do plano), Gaara enviava informações para o note book de Sakura sobre Yakushi e eu via Neji interceptá-la sempre que podia para dizer que a letra na carta da mãe de Kiba deveria ficar perfeita.
Mas comigo, eu sentia que era diferente. Quer dizer... Deveria ser, não é? Afinal, em uma semana nos odiávamos e na outra ela estava me ajudando nas aulas de Química (leia-se, cada vez mais insuportáveis)! Tudo bem que ela havia me ajudado com o lance do meu pai cuidando da minha mão. Significou muito para mim, apesar de eu ter desfeito o curativo no dia seguinte ao ocorrido.
Tudo bem também que eu ficava sussurrando feito um demente tentando resolver os exercícios do Orochimongol, e talvez Sakura me ajudasse apenas para me calar. Ah! Mas ainda tinha os olhares furtivos que as amigas dela lançavam para nós dois quando juntávamos as cabeças sob nossas folhas de exercícios! Sim, com certeza Sakura e eu passamos a agir normalmente um com o outro, pelo menos por enquanto.
E, por incrível que pareça, as conversas do bate-papo, que sempre foram tão melhores que pessoalmente, estavam ficando monótonas. Primeiro, porque Shadow e Sweet Girl se falaram pouco, afinal, Sasuke e Sakura agora se falavam mais e estavam ocupados com um plano de seqüestro. E segundo, porque nas raras vezes que nos falamos, ela permanecia no mesmo assunto, assim como meus amigos insistiam irritantemente em relembrar o plano. Sakura, ou Sweet Girl, como preferirem, só falava na minha identidade. E tediosamente eu desconversava, mas me perguntava quanto tempo mais poderia agüentar sem Sakura descobrir ou eu mesmo me revelar (apesar dessa última hipótese ser mais hipotética).
Resolvi comentar essa história de identidade com Naruto. Depois do fim das aulas de quinta-feira, véspera do seqüestro, fui atrás do meu amigo loiro após ver Sakura passar por mim apressadamente. Ela devia estar indo verificar sua correspondência, pois Kakashi mandaria para ela a matrícula na qual constava a letra da mãe de Kiba.
Encontrei Naruto andando lentamente em direção à cantina. Devia estar indo almoçar, e quando senti meu estômago roncar, vi que um almoço não seria má idéia. Quando me aproximei de Naruto, notei que ele murmurava algo para si mesmo. Revirei os olhos ao constatar que era o plano...
- E eu fico lá embaixo, junto com o Gaara, vigiando a porta... É, é só vigiar a porta – ele ia andando e dizendo – Ai meu Buda, mas como eu vou fazer para chamar a Hinata para sair? Nem acredito que o besta do Neji deixou, mas eu nem sei como convidá-la! Você é uma anta Naruto...
- É, você é uma anta, Naruto – falei sorrindo enquanto me postava do lado dele
- Legal, Sasuke... – disse ele, ironicamente – Bom ver que concorda comigo...
- Só repeti o que você disse – me justifiquei – Onde estão os outros?
- Decidiram almoçar no quarto – Naruto respondeu maquinalmente. A essa altura já havíamos chegado à cantina. Escolhemos uma mesa e pelo canto do olho vi Sakura tomar o caminho pelo qual havíamos acabado de passar. Agora sim ela devia estar indo ao dormitório...
- Então... – falei, voltando minha atenção para Naruto – Você ainda está repetindo o plano? Cara, como você consegue?
- Estou com medo de não dar certo – Naruto confessou, e eu revirei os olhos
- Mas não é repetindo o plano toda hora que você vai garantir que ele dê certo – declarei o óbvio
- Uh... Cara... Tem razão! – disse Naruto batendo na própria testa. Dã... – Ah, mas eu ainda tenho outro dilema, Sasuke...
- Deixe-me adivinhar... – falei – Você não sabe como fazer para chamar a Hinata para sair, acertei?
- Cara... Você é um gênio... Como sabe?
- Você não parou de repetir isso a semana inteira, Naruto!
- Uh... É mesmo... Foi mal... – disse ele colocando uma mão atrás da nuca – Mas enfim, eu preciso da sua ajuda. Você é o ídolo das garotas, me diga como fazer!
- Posso ser o ídolo delas, mas não sou especialista – disse – Você já pensou em simplesmente ir até ela e chamá-la?
- Já, mas não tenho coragem – Naruto respondeu, e nesse momento uma garçonete chegou para anotar nossos pedidos. Depois disso, continuamos a conversar
- Tá, então porque você não... Sei lá... Escreve um convite? – sugeri, e Naruto pareceu considerar essa opção por alguns segundos
- Acha que pode dar certo? – perguntou ele
- Desde que chegue até as mãos dela, sim – respondi – Aí, meu amigo, só tem duas opções: ou ela aceita ou rejeita.
- É, você tem razão... Escrever é uma boa idéia... Acho que vou fazer isso no sábado, aí ela não vai ter muito tempo para pensar! Sabe... Ela pode me rejeitar... E aí as amigas dela vão incentivá-la a ir! O que acha?
- Concordo, exceto na parte em que Hinata poderia te rejeitar. Acho pouco provável – falei, e era verdade mesmo
- Buda te ouça, meu amigo! Ah, obrigado mesmo, Sasuke! Tirou dois pesos das minhas costas! – Naruto comemorou – E onde está a garçonete com nossos almoços? Não sabia que resolver problemas despertava o apetite! Haha!
- Naruto – chamei, me lembrando do motivo que me fizera procurar Naruto – Preciso da sua opinião para uma coisa.
- Já sei... É sobre a Sakura, né? – perguntou ele com um sorriso malicioso
- É – respondi – Pessoalmente estamos muito bem, quero dizer, já um grande começo, comparando com o fato de que semana passada... Ah, deixa pra lá! A questão é que no bate-papo ela não pára de insistir no assunto "identidade do Shadow". Não sei se vou conseguir suportar...
- Cara, ela ainda não descobriu?
- Não! E eu já dei algumas dicas! Disse que estudava em colégio interno, disse, como Sasuke mesmo, que fiquei até tarde esperando uma pessoa na internet e no dia seguinte, como Shadow, falei a mesma coisa!
- Mas você especificou o colégio interno? Disse o nome?
- Pior é que eu disse – falei, e Naruto soltou um assobio baixo – Como ela não percebeu?
- Ah, Sasuke... Talvez ela seja meio lentinha para essas coisas... Tipo eu, entende? Mas se quer saber, acho que devia dar a ela o que quer...
- Você quer que eu me revele? – perguntei
- Não... Não por enquanto. Mas, se ela quer saber quem o Shadow é, dê mais dicas, sacou? Dicas mais óbvias... Assim ela descobre sozinha e você não precisa se revelar!
- É... – falei, analisando a idéia de Naruto; não era ruim – É, posso tentar...
- Posso te fazer uma pergunta? – Naruto falou e eu concordei com a cabeça – Você... Você gosta dela? Quero dizer... Está apaixonado por ela, pela Sakura?
- Am... – é, por essa eu não esperava, mas depois de tanto contar com a ajuda de Naruto, não fazia sentido mentir para ele – Estou. É... Diferente. Nunca aconteceu antes... Com nenhuma garota. É simplesmente diferente... Não dá pra explicar...
- Cara – disse Naruto fazendo uma cara engraçada – Acredite ou não, mas você acabou de explicar tudo... Eu me sinto exatamente assim em relação à Hinata! É diferente mesmo... Esse negócio de amor mexe com a gente, mano... Nossa. É por isso que tenho medo que a Hinata me rejeite. É a primeira vez que gosto de alguém assim, e se ela não me aceitar...
- Melhor não pensar nisso – completei, falando tanto por mim quanto por Naruto
- Isso aí – disse ele. Então a garçonete chegou com nossos pedidos. Naruto comemorou e devorou o seu em cinco minutos.
Quando terminei também, ficamos conversando mais um tempo na cantina, apenas para fazer hora. Depois, fomos ao nosso dormitório. Nossa reunião com Kakashi, diferente dos outros dias, seria à tarde, e faltavam poucos minutos para começar. Quando chegamos ao quarto andar, só Shikamaru estava ali.
- Ah, estava me perguntando onde vocês estavam – disse ele – Neji e Gaara subiram faz dez minutos. Acho que agora podemos ir.
E com o máximo de cuidado, pois o toque de recolher ainda não havia soado, fomos até o sexto andar. Provavelmente Sakura já estaria na reunião, pois tinha uma carta a mostrar. E vi que não estava enganado quando adentramos o quarto de Kakashi. Neji acabara de ler a carta e elogiava Sakura pelo bom trabalho. Esbaforido, Naruto tomou o papel das mãos de Neji para ler enquanto Kakashi repetia mais uma vez o plano.
Shikamaru também leu a carta e depois foi minha vez. Sakura me estendeu o envelope de matrícula de Kiba para que eu pudesse comparar a letra da senhora Inuzuka com a imitada por Sakura. É, ela fizera mesmo um bom trabalho. Ficara praticamente idêntica, e serviria perfeitamente para convencer Tsunade e quantas pessoas fossem necessárias. O texto era simples e direto:
Caríssima diretora,
Devido ao desmaio ainda mal justificado de meu filho, Kiba Inuzuka, meu marido e eu resolvemos buscá-lo sexta-feira, à noite, para que não houvesse tumulto ou explicações em excesso. Portanto, venho por meio desta me esclarecer e pedir desculpas pelo ato repentino.
Kiba permanecerá em casa por alguns dias e então retornará à escola. Até lá permaneceremos incomunicáveis devido ao infeliz incidente em nossa joalheria. Expliquei a situação a um de seus professores, Kakashi Hatake, e fico muito feliz em informar que ele é um senhor muito amável e foi bastante prestativo. Não brigue com ele por ter ajudados pais preocupados.
Grata pela atenção,
Senhora Inuzuka.
E como notaram, bem convincente. Depois de aprovar a carta, devolvi o envelope à Sakura, que o passou para Kakashi. A carta também foi entregue ao professor. O plano já havia sido repassado (pela milésima vez), alguns detalhes para o dia seguinte estavam devidamente combinados, e então o silêncio tomou conta de nós. Talvez a carta que Sakura escrevera fez todos perceberem como estávamos tão próximos de realizar uma grande loucura, mas que tinha grandes chances de dar certo.
E Naruto estava avisado que, caso não desse, eu o mataria, afinal, tive que ouvi-lo repetir o plano infinitas vezes. O mesmo se aplicava a Neji e Shikamaru. Achando melhor encerrar a reunião, Kakashi quebrou o silêncio relembrando que deveríamos estar em seu quarto às onze, uma hora antes do seqüestro. Depois, nos dispensou. Sugeriu que fôssemos dormir cedo, afinal teríamos um longo dia de sexta-feira.
Já estava me perguntando se ele se esquecera de nosso combinado quando chamou por Sakura:
- Sim? – disse ela virando-se para Kakashi, quase saindo do quarto
- Temos uma nova incumbência para você – disse ele de forma gentil e calculada, e Sakura aparentou grande interesse – Achamos que você deve ficar aguardando com Sasuke, aqui no quarto, a nossa chegada, afinal você foi de muita ajuda até agora. Poderíamos colocá-la na ação, mas quanto menos pessoas rodando pela escola à meia noite, melhor. Posso contar com você?
- Pode, professor – Sakura respondeu num dar de ombros, mas não sem antes me lançar um olhar rápido. Ela saiu do aposento e instantes depois Naruto e eu fizemos o mesmo.
Estranhei o fato de Naruto não ter perguntado por que eu estava sorrindo, mas acho que ele sabia perfeitamente o motivo.
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A sexta-feira passou tão rápido que pareceu não existir. Foi tudo muito... Automático. Podia perceber todos os meus amigos muito mais tensos, e Sakura também. Na aula de Kakashi fizemos meditação. Ele disse que era uma técnica antiga para acalmar a mente, e nós precisaríamos muito disso em ano de vestibular. Mas tanto Sakura, Naruto, Neji, Shikamaru e Gaara quanto eu sabíamos que não era esse o verdadeiro motivo da meditação.
Depois do término das aulas, meus amigos e eu almoçamos juntos e ficamos a tarde toda no quarto, cada um absorto em seus próprios pensamentos. De vez em quando Naruto resmungava e amassava um papel. Quando nossa lixeira entupiu, Neji resolveu perguntar o que o loiro tanto escrevia e rabiscava.
- Dever de redação – Naruto mentiu tolamente, afinal, até uma lhama saberia que Naruto não faz dever de redação, principalmente numa tarde de sexta-feira e às vésperas de um seqüestro. Mas Neji nem quis insistir, tão ansioso que estava. Ah sim, pelo seqüestro e pelo seu encontro do dia seguinte.
Ali, só eu sabia o que Naruto escrevia. Era o bilhete para convidar Hinata. Só podia ser, afinal o encontro não estava longe e o convite escrito era a única e última saída do loiro para garantir um sábado em boa companhia. Mas provavelmente a tensão pré-sequestro estava bloqueando ainda mais as idéias boas dele.
Deitado em minha cama e vendo a tarde passar, pensei muito em Sakura. Eu queria acessar o bate-papo, mas não o fiz. Porque sabia o que iríamos conversar e sabia que ela ia estar tensa demais. E ainda tinha o que Naruto havia me sugerido. O lance das dicas... Estava disposto a fazer isso, mas não sabia como começar. E decidi calcular com cuidado quais dicas dar e a melhor forma de escrevê-las, sem me entregar de cara. Mas só faria isso depois do seqüestro, quando tudo estivesse certo e nenhuma tensão pairando entre nós.
Mas pensei mesmo em como seria ficar na companhia dela enquanto os outros salvavam Kiba. O que poderia acontecer? Quero dizer, não que eu esperasse que acontecesse alguma coisa, mas, nunca se sabe, não é? Será que ficaríamos o tempo todo em silêncio ou conseguiríamos conversar civilizadamente, da mesma forma que resolvíamos exercícios de química? Eu não queria voltar a ser rude com Sakura. Estávamos quase virando amigos! Ok... Não é pra tanto, mas já sabemos agir como pessoas normais um com o outro. Digamos que deixamos as diferenças de lado momentaneamente. E isso é legal, é um ponto positivo para mim, e não posso perdê-lo.
E todas as conhecidas dúvidas ficaram me rondando, me impedindo de fazer meu dever de casa. Não que eu estivesse afim. Eu realmente só queria saber se Sakura me aceitaria ou não quando descobrisse que Shadow era eu. E assim a tarde se foi. Num momento eu estava deitado em minha cama e no outro estava saindo dela para participar de um seqüestro.
Meus amigos e eu só nos falamos para avisar quando o chuveiro já estava liberado. Fui o último a tomar banho e depois de engolir (mas sem sentir o gosto) um sanduíche natural e uma boa dose de suco de laranja, consultei o relógio. Já eram dez para as onze. Já repararam como se fica desnorteado depois de ficar tanto tempo sem consultar o relógio e quando o faz constata que é tão tarde? É algo curioso...
Então, um a um e com cautela para dar e vender, começamos a sair do quarto e seguir para o sexto andar. Naruto foi primeiro, seguido por Shikamaru, depois Neji, depois Gaara e por fim, eu. A escola estava num breu só e, felizmente, totalmente deserta. Tudo bem que eram quase onze horas da noite, mas nunca se sabe quando um casal empolgado vai querer quebrar as regras, não é mesmo?
Meu Buda... Saca só o tipo de coisas que estou pensando! Procurei me concentrar quando cheguei ao sexto andar. Todos os meus amigos já estavam seguros no quarto de Kakashi, e quando o professor abriu a porta para mim, reparei numa mudança na decoração do quarto dele.
Além da fraca iluminação (vinda somente de um pequeno abajur) a cama havia sido trocada de lugar, de modo que quem abrisse a porta não poderia vê-la, a não ser que entrasse totalmente no quarto. Acima da cama havia um soro pendurado, então foi fácil entender que seria ali que Kiba ficaria. Kakashi nos explicou que pegara o soro quando foi visitar Kiba depois do almoço. Ele aproveitou para aprofundar os "laços de amizade" com a enfermeira terrorista, já que teria que voltar a falar com ela enquanto Shikamaru e Neji seqüestravam Kiba.
Foi então que dei por falta de Sakura. Consultei novamente o relógio. Já eram onze e dez e ela ainda não havia aparecido. Estava prestes a perguntar por ela quando Naruto foi mais rápido e falou primeiro:
- Professor, onde está Sakura?
- Não sei, Naruto... – Kakashi respondeu, e notei uma pontada de preocupação em sua voz – Deve ter tido algum imprevisto com as amigas, afinal, amanhã é sábado.
- E Tenten e eu temos um encontro – Neji fez o favor de lembrar – Quero dizer... Elas devem estar falando sobre isso.
- Entendo... – disse Kakashi num tom agora divertido – Mas acho melhor alguém procurar por ela. Está muito escuro lá fora.
- Eu vou – acabei falando mais rápido do que gostaria. Meus amigos e Kakashi me encararam por alguns instantes, e fiz o possível para manter minha expressão indiferente. O professor, então, concordou e eu saí do quarto, não sem antes notar um riso discreto vindo de Naruto.
Fechei a porta com cuidado e saí andando vagarosamente pelo corredor, meus olhos já acostumados à escuridão. Decidi que seria melhor esperar Sakura na virada do corredor, pois assim caso alguém passasse por ali não me veria, e caso me visse eu teria tempo para me esconder. Mas nem foi preciso esperar muito.
Assim que cheguei ao início do corredor, vi um vulto passar por mim. Definitivamente era Sakura, pois o vulto era muito baixo para ser um dos professores e magro demais para ser um homem. Ela andava lentamente, se apoiando nas paredes. Parecia com muito medo. Fiquei observando-a enquanto ela caminhava, se aproximando cada vez mais da porta de Kakashi. Mas então Sakura parou subitamente. E pior: bem em frente à porta de Yakushi! Será que ela errara de porta?
E antes que eu mesmo respondesse a essa pergunta, me aproximei rapidamente dela, fazendo de tudo para abafar o som de meus passos. Vi Sakura enrijecer. Ela notara minha presença. Meus instintos me alertaram quando ela foi se virando lentamente: Sakura ia gritar. E esquecendo totalmente a cautela, abracei-a pelas costas e cobri a boca dela da forma menos rude que consegui fazer. Antes que ela me mordesse ou coisa assim aproximei meu rosto do ouvido dela (sem segundas intenções) e sussurrei:
- Está atrasada – e senti Sakura estremecer sob meu abraço. Ela fez menção de se virar e eu a soltei. Quando Sakura ficou de frente para mim, notei que estávamos mais próximos do que já estivemos. O espaço entre nós era mísero, e tive que me controlar.
- Por que fez isso? – ela sussurrou de forma enraivecida
- Quando deram onze horas todos já estavam aqui, menos você – expliquei, tentando parecer indiferente – Kakashi mandou procurá-la e eu achei melhor te esperar. Por que se atrasou?
Ela ficou em silêncio. Percebi, então, que ela também notara como estávamos próximos, e nossas respirações ecoavam rápidas pelo corredor. Mesmo sendo uns bons centímetros mais alto que Sakura, a situação era constrangedora e muito embaraçosa. Ah, e estava bem escuro. E, ah de novo, um psicopata morava bem ao lado de onde estávamos.
- M-Minhas amigas estavam demorando para dormir e tive que esperar... – Sakura respondeu, por fim. Ela parecia incomodada com a repentina proximidade, e eu simplesmente não conseguia me afastar - Qual é? Você não ia querer que eu saísse a essa hora com todas elas acordadas, iria? – ela completou, parecendo menos perturbada
- Certo... – falei, para encerrar a conversa naquele corredor. Vi a oportunidade perfeita me afastar, e assim eu o fiz, discretamente – vamos entrar – concluí.
Deixei que Sakura fosse na frente e depois de entrarmos do quarto, Sakura justificar seu atraso e notar a mudança na decoração, Kakashi tomou a palavra. Para relembrar o plano. Dessa vez eu deixei passar, afinal, estávamos a poucos minutos do seqüestro e caso alguém tivesse esquecido sua participação no plano, ali estava ele sendo mais uma vez relembrado.
Podia ver claramente o nervosismo nas feições de todos. Até eu estava nervoso, mesmo com a tarefa mais simples em minhas mãos. Tive vontade de abraçar Sakura, ou segurar-lhe as mãos, pois ela parecia muito preocupada, mas não podia fazer nada disso. Portanto, contentei-me em simplesmente olhá-la, enquanto ela fazia o mesmo com meus amigos. Então, Kakashi levantou-se do sofá no qual estivera sentado o tempo todo e se endireitou.
Consultou o relógio. Faltava meia hora para a meia noite. O professor anunciou que estava de partida. Hora do plano começar. Ele iria na frente para distrair a maluca terrorista disfarçada de enfermeira e dez minutos depois de sua saída, Naruto, Neji, Gaara e Shikamaru deveriam sair também e fazer o que tinha de ser feito. Desejamos boa sorte a Kakashi e depois de um último sorriso jovial, ele saiu porta afora. Pude jurar que vi os olhos de Sakura se enxerem de lágrimas.
Engraçado como os dez minutos que se seguiram passaram tão devagar, diferente do resto da semana e da própria sexta-feira. Mas o importante é que passaram, mesmo que num intenso silêncio, e quando Shikamaru chamou meus amigos para descerem, Sakura foi até eles e revelou toda sua preocupação e medo ao abraçar cada um e lhes desejar boa sorte. Não sei se foi pecado sentir ciúmes diante da situação, mas a questão é que senti. Eu também queria um abraço daqueles, mas sabia que não o receberia, pois Sakura ficaria esperando junto comigo quanto tempo fosse necessário.
E então, estávamos sozinhos. Sakura foi até o sofá em que Kakashi estivera instantes antes e se sentou. Pensei no professor. Esperava que ele tivesse conseguido. Pensei em meus amigos. Cruzei os dedos dentro do bolso e pedi a Buda que os protegesse. Incrível como o plano parecia mil vezes mais perigoso quando estava sendo concretizado. Comecei a sentir pânico: eu não ia agüentar esperar, porque de repente me lembrei que odiava esperar. Eu queria mesmo era participar da ação.
Então alguma coisa em minha mente me fez lembrar o motivo maior para eu estar ali, esperando. Sakura. Sim, eu estava esperando, e odiava esperar, mas fazia isso por Sakura. Para protegê-la. Para poupá-la do perigo. Ela estava ali, segura, não estava? É, estava! Instintivamente, olhei para ela sentada no sofá do outro lado do quarto. Sim, Sakura estava ali, bem segura. Comigo.
Mas estava tão cabisbaixa... Decidi reparar melhor. Ela parecia... Esconder o rosto? Será que ela estava chorando? Droga, odiava vê-la chorando... Lembrei-me de como foi ruim vê-la mal após a conversa por telefone com sua mãe, e naquela situação ainda agíamos feito idiotas um com o outro. Agora não. Agora era diferente. Me aproximei devagar e a vi se encolher. Ela parecia mesmo querer esconder o choro. Sentei-me a seu lado e falei como se nunca tivesse sido idiota com ela algum dia:
- O que foi? – perguntei
- Nada... – ela respondeu, enxugando as lágrimas
- Nada? Já me disseram que as garotas choram à toa, mas nunca pensei que você fizesse isso... – falei gentilmente. Acho que surpreendi Sakura. Ela me olhou como se não parecesse que aquelas palavras haviam saído da minha boca.
- Hum... Obrigada... – ela disse, baixinho
- Não esquenta – respondi, e então lembrei-me de que havia trazido comigo um lenço. É um costume que minha mãe me ensinou: carregar um lenço no bolso caso um dia alguma donzela em apuros precisasse de um cavalheiro amigo e gentil. Eu e Itachi ríamos, na época, mas naquele momento com Sakura ri internamente ao constatar como minha mãe estava certa... Peguei o lenço e o estendi à Sakura. Ela me olhou como se estivesse oferecendo um lagarto, e não um lenço, mas acabou aceitando.
- Acha que vai dar certo? – ela perguntou enquanto levava o lenço aos olhos
- Espero que sim... – respondi tentando tranqüilizá-la
- E se não der? – ela insistiu. Respirei fundo e encarei-a:
- Se não der eu te respondo... – falei. Sakura desviou o rosto, mas eu continuei observando-a. Depois olhei para minhas mãos e percebi subitamente que ainda não havia agradecido o que ela fizera por mim após o "agradável" encontro com meu pai.
Vi minha oportunidade ali e acabei quebrando o silêncio:
- Obrigado... – falei, ainda olhando para minhas mãos, lembrando-me do curativo feito por Sakura
- Pelo quê? – ela perguntou, erguendo as sobrancelhas
- Pelo que você fez domingo... Sobre o lance do meu pai... – respondi, agora olhando para ela – Não queria que você tivesse visto... – acrescentei sinceramente
- Sinceramente, nem eu... – Sakura respondeu – mas eu apenas quis te ajudar... Não gosto de ver pessoas sofrendo... – Então a resposta dela fez surgir uma dúvida em mim:
- Mas por que você me ajudou? – acabei perguntando, afinal, para todos os efeitos Sakura ainda me odiava no domingo – Foi a segunda vez que você fez isso! Em uma, você me livrou de um castigo do Orochidiota, e na outra, você me confortou... Por quê?
- Bom... Eu... – começou ela; parecia não saber o que responder e eu estranhei isso: Sakura sempre tinha todas as respostas – na primeira vez foi porque não suporto injustiças... Eu já te disse isso, e na segunda vez foi porque meus pais também me decepcionaram... E eu também já te disse isso... – ela acabou dizendo
- É mesmo... – concordei, pensativo. Realmente ela já havia respondido a essas perguntas anteriormente, mas a simples idéia de que Sakura poderia... Poderia gostar de mim me fez viajar – Mas por que você me ajuda na aula de Química? – acabei perguntando de novo
- Porque seus sussurros me incomodam! – ela disparou, me pegando de surpresa. Mas não parecia estar falando sério – brincadeira... – desmentiu, para meu alívio – É porque gosto de ajudar meus colegas... Só isso...
- Ah tá... – falei. Ela fora bem direta nas respostas, de uma forma geral, e me parecera muito convincente também. Comecei a ficar ligeiramente decepcionado quando Sakura falou:
- Engraçado...
- O quê? – eu quis saber; conversar com ela me distraía da situação tensa do seqüestro e eu queria saber o que ela achava engraçado diante do momento em que estávamos...
- No primeiro dia de aula você me achou irritante por te fazer tantas perguntas... Agora olha só quem está me enchendo delas... – Sakura respondeu, e acabei sorrindo sem graça. É, era mesmo engraçado... Ah, se ela soubesse dos meus motivos para agir de forma tão idiota...
- Me desculpe por ter te chamado de irritante... – pedi, e vi como era bom ser sincero com ela. Além disso, aquele era o momento para consertar, ou pelo menos tentar, algumas das idiotices que eu havia cometido – É que eu achei que você fosse mais uma daquelas garotas idiotas que só falam coisas fúteis... – consegui inventar – Como...
- A Karin? – ela completou por mim, deixando evidente seu desapego por Karin. Fiquei com vontade de rir, mas acabei baixando os olhos
- É... – respondi
- E eu não sou? – ela perguntou, para a minha surpresa. Nossas conversas nunca chegaram a esse ponto.
- Decididamente não – respondi novamente com sinceridade e encarei Sakura, talvez como nunca fizera até então. E então ela me olhou... Diferente. Mas não foi aquele olhar analisador e estranho da aula de Educação Física. Nem o olhar especulador. Parecia que Sakura estava, de fato, me enxergando. Vendo além da minha arrogância e perguntando a si mesma se era o Sasuke Uchiha quem estava realmente ali. Ela pareceu convencida de que sim, era mesmo Sasuke Uchiha quem estava ali, pois corou levemente. E eu gostei.
- Me desculpe também! – ela disse de repente, quase gritando. Parecia... Desconcertada. Seria por minha causa?
- Pelo quê? – perguntei, querendo saber o motivo do pedido de desculpas
- Pela bolada... – Sakura justificou-se
- Ah sim... Você tem força hein? – comentei, sorrindo, e sentindo-me totalmente à vontade
- Obrigada... – ela agradeceu meio constrangida
Vocês devem ter imaginado que depois dessa troca de agradecimentos, pedidos de desculpas e elogios nossa conversa continuou animadoramente. Mas se enganaram. Um constrangedor silêncio se instalou entre nós. Tanto Sakura como eu estávamos inseguros demais para puxar algum assunto, no meu caso porque eu não tinha assunto, e no caso de Sakura porque talvez ela não quisesse construir vínculos comigo, já que gostava do Shadow. Mas essa lógica não tem sentido porque eu sou o Shadow. Mas Sakura não sabe disso e... Ok.
No fim das contas a ausência de ruídos fez cair sobre nós a realidade. Kakashi e os outros ainda não haviam voltado. Consultei o relógio e vi que meia hora já havia se passado. Será que algo dera errado? Por que estavam demorando tanto? Foram pegos? Essas e tantas outras perguntas passaram a me ocupar que demorei mais um bom par de minutos para notar que Sakura havia adormecido.
Procurei me concentrar nela para não pensar nas possíveis desgraças que poderiam ter acontecido com Kakashi e meus amigos. Sakura se deitara de lado no sofá e respirava profundamente. Talvez a pressão, o choro e a nossa conversa tivessem causado o sono. Ela parecia cansada e por isso não quis incomodá-la. Além disso, eu poderia observá-la o quanto quisesse, sem ser cauteloso. Ela era tão linda... Sua beleza acentuava-se ainda mais dormindo. Acho que vocês já notaram que penso demais e falo de menos, e a maioria das coisas que penso são coisas que não tenho coragem de dizer em voz alta. Pura precaução, eu acho... Cada doido com sua mania.
A verdade é que não sei quanto tempo mais fiquei ali, olhando Sakura, querendo abraçá-la, querendo dizer a ela o que sinto. Mas uma decisão eu havia tomado. Agora era oficial: daria as dicas a Sakura para saber que Shadow sou eu. Mais dicas, quero dizer. Dicas mais... Óbvias, como Naruto sugerira. E ainda faria de tudo para deixá-la mais perto de mim, segura. E vi que minha decisão havia sido a mais correta quando ouvi movimento no corredor.
Encostei o ouvido à porta. Eram passos abafados. Inicialmente pareciam ser de uma só pessoa, mas depois percebi que pareciam vários pares de pés. Só podiam ser eles. Finalmente. Consultei o relógio: eram quase duas da manhã. Sakura havia dormido por uma hora. Achei melhor acordá-la e por isso aproximei-me devagar. Dei uma última contemplada naquela bela visão e balancei-a levemente pelo braço.
Sakura sentou-se, sobressaltada e me encarou, confusa:
- Quanto tempo eu dormi? – ela perguntou, passando a mãos pelos cabelos
- Uma hora... – respondi, olhando para a porta
- E por que me acordou só agora?
- Porque eles estão chegando... – falei, indicando a porta com a cabeça
Logo em seguida houve uma batida. Fui até a porta, abri o olho mágico, pedi identificação e não pude deixar de suspirar aliviado ao ouvir a voz de Shikamaru. Abri a porta para que eles entrassem. Shikamaru andava de costas, segurando Kiba pelas pernas. Neji vinha segurando a cabeça do Inuzuka, seguido por Kakashi, mais branco que o comum, olhando em volta. Fiquei esperando Gaara e Naruto entrarem, mas o professor fechou a porta rapidamente ao passar. Foi então que percebi; alguma coisa deu mesmo errado.
Fiquei me perguntando o que seria enquanto via meus amigos e Kakashi colocarem Kiba na cama preparada para ele. Sakura ofereceu-se para colocar o soro no braço do Inuzuka, alegando que já havia feito um curso de primeiros socorros e pretendia fazer medicina. Foi somente quando os últimos retoques em Kiba foram concluídos que Sakura também pareceu notar a ausência de dois Aliados.
- Onde estão Gaara e Naruto? – ela perguntou, assustada
- Tiveram um imprevisto... – respondeu Shikamaru
- Foram pegos? – acabei perguntando junto com Sakura
- Não... – explicou Neji – é que... – mas ele foi interrompido por uma batida na porta
- Identifique-se! – Kakashi pediu do lado da cama de Kiba, sem se mexer
- Naruto Uzumaki e Gaara – ouvi Naruto dizer e então o professor moveu-se para abrir a porta. Naruto entrou e ao seu lado estava Gaara, um tanto pálido. Mas pareciam inteiros...
- O que aconteceu? – Sakura perguntou imediatamente
- Você precisava ver!!! – disse Naruto, para minha surpresa, sorrindo – Gaara foi incrível!
- Como assim? – Sakura tornou a perguntar por mim, e Naruto desandou a falar, mal parando para respirar:
- Tinha um enfermeiro do colégio fazendo a ronda noturna, e ele nos flagrou na frente do quarto de Kiba, então na hora Gaara fingiu um desmaio muito bem fingido e o enfermeiro acreditou! Que idiota! Então disfarçadamente eu dei três batidinhas na porta, indicando que algo estava errado do lado de fora. O enfermeiro pegou Gaara e o levou à recepção, onde o professor tava conversando com aquela enfermeira velha e feia. Eu vi que ele estava entregando a carta que a Sakura escreveu quando a velha notou Gaara e eu lá. Eu me justifiquei dizendo que Gaara estava passando meio mal e por isso o levei até ali. Então ela notou Gaara desmaiado e disse para o enfermeiro dar um soro estimulante para acordá-lo. Então tivemos que sair de cena! Mas eu vi "umas sombras" saindo do quarto do Kiba... Deu certo? – perguntou Naruto, por fim
- Diga que deu... – disse Gaara, fazendo uma careta – diga que não tomei uma injeção à toa...
Então Shikamaru e Neji saíram da frente da cama de Kakashi e revelaram Kiba. Gaara sentou no sofá onde Sakura estivera instantes antes, exausto e aliviado, e Naruto soltou uma exclamação de felicidade. Kakashi tomou a palavra; parecia extremamente feliz, mas ainda assim um tanto apreensivo.
- Vocês todos desempenharam um papel muito bom esta noite... Arriscaram suas vidas para fazer a coisa certa. Agora peço que sigam para seus quartos e tentem descansar. Estou muito orgulhoso de todos vocês e por isso vou cuidar de Kiba. Nos encontraremos aqui à uma da tarde, entendido? Parabéns, pessoal, parabéns mesmo! Agora vão descansar.
E depois de receber um abraço de Kakashi, como se fôssemos todos seus filhos, demos uma última olhada em Kiba e fomos para nossos quartos, um por um. Mas ao chegar ao quarto andar logo depois de Naruto vi que todos estavam no patamar principal. Sakura parabenizou a todos os meninos, sem abraços dessa vez, e seguiu para seu dormitório após sorrir lindamente para nós.
Ao entrarmos em nosso próprio dormitório, Naruto jogou-se em sua cama e exclamou:
- Shikamaru, você é o cara! Tô certo! Você e o Gaara! Que gênio! Que coragem!
- Todos nós desempenhamos um papel muito importante, Naruto – disse Gaara, alisando o lugar da injeção em seu braço – E felizmente o plano deu certo. Agora precisamos que Kiba acorde. Só assim poderemos comemorar de verdade.
- Gaara tem razão – disse Neji, colocando o pijama – Mas o sucesso do seqüestro foi um grande passo dado. Mais um pouco e vamos pegar esses bandidos!
- Espero mesmo que sim, Neji – Shikamaru falou enquanto se deitava – Agora boa noite para todos vocês, problemáticos, e obrigado por confiarem em mim.
- De nada, cara – Naruto respondeu por nós e depois de me despedir de todos, trocar de roupa e escovar os dentes, deitei em minha cama implorando por uma boa noite de sono. Só então constatei que Sakura havia ficado com meu lenço, mas acabei sorrindo. Seria um ótimo motivo para falar com ela novamente...
Mas percebi que demoraria um pouquinho para ter sossego:
- Ei, psiu! Sasuke! – ouvi uma voz familiar me chamar
- O que você quer, Naruto? – perguntei ainda de olhos abertos; Naruto havia acendido um abajur e a luz estava me incomodando. Os suspiros no quarto me informaram que meus amigos já haviam dormido. O que Naruto ainda fazia acordado?
- Pode ler isso pra mim? – ele perguntou, sussurrando, e me estendendo um papel laranja
- Que isso? – perguntei
- Leia! – Naruto pediu e eu obedeci. O papel era um bilhete, na verdade, e dizia:
Querida Hinata...
Acho que você sabe que Neji e Tenten vão sair hoje... Então eu pensei: você quer sair comigo? Que acha de irmos com eles?
Desculpe dizer isso por bilhete, mas se você aceitar eu posso recompensar hoje a noite pessoalmente...
Beijos...
Naruto
- O que achou? – Naruto perguntou quando acabei de ler
- Ficou... Original – respondi devolvendo o papel a ele
- Vou entregar amanhã de manhã. Acha que Hinata vai aceitar?
- Vai – falei, sem rodeios e doido pra dormir, apagando a luz do abajur – E não se esqueça de avisar Gaara. Ele tem que chamar a Ino, lembra?
- Uh, é mesmo... Valeu cara – Naruto agradeceu – e boa noite.
- Pra você também.
E essas foram minhas últimas palavras naquele dia. Se bem que eram duas da manhã, portanto já era Sábado, e eu não ia ficar o dia inteiro calado e... Ok. Acho que não sonhei, mesmo tendo todos os motivos para tê-lo feito. Estava feliz pelo sucesso do seqüestro, pela conversa com Sakura e por meus amigos, que poderiam curtir seu encontro da noite. Mas nada era mais forte que meu alívio. Pelo menos por enquanto.
E meu último pensamento antes de apagar totalmente foi: por hora, missão cumprida.
Oiiiiii!!!
Tudo bem minhas amadas leitoras?
Espero q sim! Como estão na escola? A minha está uma loucura, mas não vamos falar disso, não é mesmo? E aí, gostaram do cap? Esse ficou bem melhor que o anterior né?!
Ó, caprichem nas reviews, como sempre! Agradeço mais do q nunca vcs q lêem sempre e nunca deixam de comentar! De coração, muito obrigada! E se vcs puderem divulgar a fic, eu agradeço mais ainda! É pq o numero de reviews tem decrescido por capítulos e eu não sei o q está acontecendo... Tem muita gente favoritando, mas poucas comentando, e vcs sabem como adoro saber a opinião de vcs, certo?
Então, mesmo q a review seja uma linha, uma palavra, I don't care! O que vale para mim é a opinião de vcs! Obrigada pela compreensão, paciência e carinho! Não percam o próximo cap! É o do encontro, lembram? "Candelabro em boa companhia" sai em duas semanas! Aguardem!
Bjos e td de bom pra vcs! Tenham uma ótima semana!
Dêem GO, viu?
Debby Uchiha
n.n
