Capítulo 7: Candelabro em boa companhia
Praticamente consegui cumprir o ciclo do sono normalmente. Dormi muito bem e não sonhei, como geralmente acontece, mas digo "praticamente" porque não despertei por causas naturais, mas sim por causas NARUTAIS. Explicando o neologismo: Naruto me acordou. Havia me esquecido de três coisas. Primeira: havíamos seqüestrado um aluno. Segunda: Neji tinha um encontro hoje. Terceira: Naruto também.
E pela forma como ele entrou berrando no quarto, Hinata aceitou seu convite.
- Macho, macho, macho maaaan!!! Yeaaaah! Eu sou o caraaaa! Sasuuukeee! Neeeejiii! Shikamaruuu! Acordem todas vocês, moçaaas! Macho, macho, macho maaaan! Ah, moleeequeeee!
- Puta merda, Naruto! – falei, tentando acertá-lo com um travesseiro
- Cara, só porque você acordou cedo, não precisa acordar a galera toda! – disse Shikamaru
- Foi mal, gente! Mas a Hinata aceitou sair comiiiigoo! Ha, ha! Eu sou f...
- Tá bom, pô! Chega né? – Neji resmungou, levantando-se visivelmente mal humorado – E acho bom você tratar minha prima muito bem, pra compensar essa palhaçada toda. Macho man, Naruto?
- Foi mal cara... Minha alegria foi ao extremo.
- Nós percebemos – falei, levantando-me também. Infelizmente Neji chegou primeiro ao banheiro e lá se trancou. Virei-me para Naruto – E então, como foi?
- Simples... Passei o bilhete por baixo da porta e saí de fininho.
- Tá, e você levou o Gaara junto? – perguntei
- Aham – Naruto respondeu – Ele ficou aguardando comigo na entrada do nosso corredor. Por sorte ou puro destino, encontramos Sakura e Ino logo depois de eu ter colocado o bilhete por baixo da porta.
- Foi assim que você soube que Hinata havia aceitado? – tornei a perguntar pra não tentar imaginar Sakura de pijama
- Foi sim... Ah, cara... Elas me disseram que Hinata havia tido um colapso e estavam indo buscar água com açúcar para ela. Fiquei preocupado. Vai que eu tinha matado a menina de susto, né?
- Se Hinata tivesse morrido elas teriam ido buscar um caixão, e não um copo d'água – Shikamaru comentou sombriamente, de lá da cama dele
- Ah, na hora nem pensei nisso – Naruto explicou
- E cadê o Gaara? – perguntei
- Vocês nem acreditam! – Naruto respondeu, um grande sorriso se estampando em seu rosto – Provavelmente ele ainda está no maior amasso com a Yamanaka!
- O quê? – Shikamaru e eu perguntamos em uníssono
- Na moral! Sakura e eu vimos tudo! Podem perguntar a ela! Eu achei que o Gaara ia amarelar na hora de convidar a Ino. Sabe... Ela tava completando as frases por ele, toda dona de si. Aí o cara mostrou que é macho e deu o maior pega nela! Foi irado!
- E depois? – Shikamaru perguntou, agora totalmente acordado
- Depois Sakura e eu fomos buscar a água pra Hinata. Eu não ia ficar vendo, né gente?
- Huhu... Esse encontro promete! – disse Shikamaru, levantando-se também
- Você também vai? – perguntei, sem na verdade estar interessado
- Sim. Neji sugeriu que eu e Temari fôssemos, e quando comentei com ela foi difícil escapar de um "sim". Discutir é problemático. Cara, o Neji se perdeu no banheiro ou o quê?
- Neji, dá pra sair daí logo?! – pedi, batendo na porta. Neji gritou de lá de dentro que já estava saindo.
- E você, Sasuke? Não vai sair com a gente? – Shikamaru perguntou. Decidi ser bem direto:
- Não gosto de segurar vela.
- Eu também não. É problemático. Ah, aleluia! – disse Shikamaru assim que Neji saiu do banheiro. Ele passou na minha frente e antes que pudesse protestar, bateu a porta na minha cara. Preguiçoso imbecil!
- Cara, o Gaara realmente agarrou a Ino? – Neji perguntou
- Aham! – Naruto respondeu animadamente, mas então virou-se subitamente para mim – Sasuke, acho que você deveria ir nesse encontro.
- Ah, é? E por quê? – perguntei, imaginando os possíveis motivos que me fariam ir. Só havia um: Sakura.
- Porque... Bem, porque enquanto íamos buscar água para a Hinata... Disse à Sakura que você ia.
- Você o quê? – perguntei, uma repentina vontade de matar Naruto crescendo dentro de mim
- Ih... Já vi que vai dar porrada – Neji comentou – Oh, tô na lanchonete. Tenho que tomar café cedo para treinar o que dizer à noite. E temos que visitar Kiba. Fui! – e saiu
- Acho que é uma ótima idéia tomar café! – Naruto disse, mas eu o segurei pela gola da camisa antes que se mexesse
- Nada disso! – falei – Por que disse à Sakura que vou nesse encontro? Sabe em que situação constrangedora me colocou?
- Calma, cara!
- Calma? Naruto! Sakura e eu estamos começando a construir uma relação de amizade decente e você vem apressar as coisas sugerindo que eu vá a um encontro com ela?
- Dá pra me ouvir? Eu posso explicar! – disse Naruto desvencilhando-se do meu aperto em sua gola – Eu disse a ela para ir não para ficar com você, seu demente. Disse a ela para ir para conversar com você. Ela me pareceu muito triste vendo todas as amigas saindo com a gente e ela ficando sozinha aqui na escola. Mas nós dois sabemos que ela poderia muito bem ter com quem sair se um certo alguém resolvesse se revelar...
- Agora a culpa é minha se Sakura está infeliz? – perguntei já adivinhando a resposta
- De certa forma, sim – Naruto respondeu com simplicidade – Eu entendo seus motivos, Sasuke. Entendo mesmo. Mas já você já reparou que não está pensando muito em Sakura?
- Como assim? – perguntei, confuso – Penso nela mais do que qualquer outra coisa.
- Isso é lindo, Sasuke, mas não me refiro a esse tipo de pensamento.
- Quer explicar logo?
- Quero dizer que você está se preocupando demais com esse negócio de identidade. Está pensando muito em como ela vai agir quando descobrir. Mas você está esquecendo que Sakura quer isso mais do que tudo, e em respeito ao Shadow deixa de fazer coisas que faria se não gostasse dele.
- Mas eu sou o Shadow – comentei tolamente
- Mas Sakura não sabe disso – Naruto retrucou, revirando os olhos – Me diz que empecilhos Sakura teria para ficar com você, Sasuke? Vocês não estão virando amigos? Mas ela prefere não ir ao encontro para não arriscar, porque ela gosta do Shadow.
- Entendi – falei, sentindo-me muito culpado
- E?
- E o quê? – perguntei, abobado. O que estava acontecendo comigo?
- Vai fazer o quê? – Naruto perguntou de volta
- O que eu posso fazer?
- Ir ao encontro já ajuda.
- Meu pai cancelou minha permissão para sair – falei, lembrando-me de repente desse fato. Havia uma correspondência para mim com esse aviso ontem à noite, mas estava não ansioso por causa do seqüestro que até me esqueci de mencioná-la.
- Quem se importa? – Naruto perguntou, estressado – Você nunca obedece a seu pai! E acho que você deveria convencer Sakura a ir. Como Shadow, quero dizer.
- Não ficaria meio suspeito demais? Como o Shadow saberia do encontro?
- Sasuke, você está emburrecendo? Sakura deve estar puta com o Shadow! Ela vai te tratar mal, e aí você pergunta o que aconteceu e ela te conta tudo! Então, você a induz a ir ao encontro! Dã!
- Com você falando parece muito fácil. Existem muitos "se" nisso tudo, Naruto – comentei
- Faz o que você achar melhor – disse Naruto dando de ombros – Mas acho que seria uma boa oportunidade pra você conversar mais com a Sakura e do Shadow dar dicas a ela.
- Acha que daria certo eu convencê-la oferecendo dicas sobre a identidade do Shadow? – perguntei, a idéia surgindo de repente em minha cabeça
- Acho uma boa opção! – Naruto respondeu, sorrindo satisfeito. Shikamaru saiu do banheiro e eu me apressei para que Naruto também não passasse na minha frente.
- Obrigado, Naruto – falei, antes de fechar a porta. Talvez ir ao encontro fosse mesmo uma boa opção. Talvez Naruto estivesse certo... Mesmo que eu não tenha permissão paterna para isso. Mas é como meu amigo dissera: quem se importa?
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Depois do almoço, fomos visitar Kiba. Não tivemos problemas para subir até o sexto andar, pois o Konoha estava vazio por causa do fim de semana. Subimos nós cinco, juntos. Parecia tão surreal, pelo menos para mim, que havíamos mesmo seqüestrado Kiba, que só fui acreditar quando o vi deitado na cama de Kakashi, exatamente como o deixamos algumas horas antes.
Kakashi estava satisfeito. Ele nos contou que a carta de Sakura funcionara perfeitamente e que Tsunade acreditara em cada palavra. Nem ao menos a enfermeira ficou desconfiada, e isso era muito bom, já que ela faz parte do lado dos bandidos. Mas quando Neji perguntou sobre o estado de Kiba, as notícias não foram tão boas.
É verdade que ele estava menos pálido do que quando foi seqüestrado, mas não havia apresentado ainda nem um mísero sinal de consciência. Kakashi disse que precisávamos ter paciência e esperar. Legal. Adoro esperar. Mas como o despertar de Kiba dependia unicamente dele, então acho mesmo que não teria outra saída.
O professor saiu, dizendo que precisava almoçar. Kakashi apenas pediu que pelo menos um de nós ficasse ali com Kiba. Gaara foi logo depois dele, alegando sono. Nenhum de nós havia dito sequer uma palavra sobre o que Naruto nos contara, mas todos sabíamos que Gaara sabia que nós sabíamos do amasso dele com a Yamanaka. Ufa... Ele deve ter ficado constrangido, afinal, não é de seu feitio sair agarrando as garotas populares da escola.
Shikamaru e Neji também não demoraram muito tempo ali. O Nara disse que precisava falar sei lá o que com Temari, mas que logo estaria de volta. E Neji, bom, adivinhem o que ele ia fazer? Ensaiar suas falas. Francamente, uma pessoa tão segura como Neji precisa mesmo treinar discursos para garotas? Se bem que se Tenten mexe com ele como Sakura mexe comigo, a repentina insegurança do meu amigo é até compreensível...
Naruto ficou um tempo conversando comigo antes de sair também. Discutimos o que Kiba falaria ao acordar, como seria sentir os efeitos da droga, até que o loiro anunciou que ia descer, mas voltaria mais tarde. Acho que o ambiente repentinamente hostil do quarto de Kakashi dava uma sensação ruim aos meus amigos, principalmente porque eles estavam alegres demais por causa do encontro da noite. E foi justamente esse o último assunto que discuti com Naruto antes dele descer. Ele insistiu que eu, como Shadow, deveria convencer Sakura, e depois de me ouvir prometer pensar no assunto, Naruto finalmente se foi.
Fiquei sozinho, pensativo, encarando Kiba desacordado sem realmente vê-lo. A curiosidade sobre o que aquele garoto poderia contar ao despertar foi substituída pela dúvida de ir ou não ao encontro. Tive que rir. Tanto alarde por causa de um simples encontro. Naruto tem razão: eu me preocupo demais. Talvez deva mesmo deixar as coisas rolarem, sem ficar criando dificuldades. Tá aí. Eu decidi ir a esse encontro.
Que problema teria? Eu estaria totalmente descompromissado, porque afinal Sakura é só uma quase-amiga. Por enquanto. Mas se eu estava esperando oportunidades de poder conversar melhor com ela e fazer gostar do Sasuke que eu realmente sou, esta era uma chance imperdível. Agora sim eu estava raciocinando direito!
E como se o destino ou sei lá quem tivesse duvidado da minha decisão, houve uma batida na porta de Kakashi. E era Sakura. Tive que conter um pouco para não rir da ironia da minha situação, mas se o destino achou que eu estava brincando ao dizer que ia ao encontro, errou feio. Como prova de que estava falando sério, resolvi perguntar à Sakura se ela ia sair com os outros.
Mas nem cheguei a falar, pois percebi que ela olhava desoladamente para o quarto, como se estivesse procurando pelos outros. Como se estivesse incomodada de ficar sozinha. Comigo.
- Neji saiu faz uns dez minutos... – resolvi falar, quebrando o silêncio – Disse que tinha que treinar o que vai falar pra Tenten no encontro. Naruto vai vir mais tarde e Kakashi está almoçando. Shikamaru está vindo e Gaara está dormindo... Acho que se recuperando do beijo que deu na Ino... – e ri de leve ao me lembrar da situação do meu amigo ruivo – Você vai nesse encontro? – acabei perguntando, sem rodeios e sem me incomodar com a brusca mudança de assunto
- Não... – ela respondeu com uma insatisfação mal disfarçada
- Por quê? – perguntei, e me senti idiota. Como se eu não soubesse o motivo...
- Porque não tenho com quem ir... – ela respondeu, para minha total surpresa. Esperava de tudo, menos a verdade! Senti uma culpa tão grande ao captar um quê de decepção na voz de Sakura que fiquei aliviado ao ouvir outra batida na porta. Dessa vez era Shikamaru.
- Oi, Sakura... – cumprimentou ele depois de entrar
- Oi! – ela respondeu mais animadamente que o comum, também parecendo aliviada. Mas nesse caso era porque ia evitar falar do assunto "encontros".
Sakura e Shikamaru começaram uma discussão semelhante à minha com Naruto: o que Kiba falaria ao acordar e etc. Cansado de ouvir hipóteses, mal prestei atenção e fiquei grato por eles dirigirem a palavra a mim pouquíssima vezes. Enquanto eu fingia prestar atenção, pelo menos podia olhar para Sakura à vontade. Parecendo um menino apaixonado de doze anos, imaginei nós dois de mãos dadas entrando num cinema. Acho que corei e fiz de tudo para disfarçar. Muito problemático, como Shikamaru diria.
Mas uma coisa nessa minha fantasia estava certa: o que eu sentia por Sakura. Então, sim, eu iria ao encontro. Sim, eu convenceria Sakura a ir também. E mais uma vez, sim, eu daria uma dica caso ela fosse. Tudo isso porque gostava dela de verdade. E cedo ou tarde Sakura teria que saber disso.
Acho que só não me pus a fantasiar os acontecimentos da noite porque Kakashi e os outros voltaram. Consultei o relógio e vi que já eram quase três horas. Lá pelas quatro, depois de mais uma longa seção de hipóteses sobre Kiba e seu aguardado despertar, Sakura disse que ia descer para ajudar as amigas a se prepararem para o encontro. Notei, antes dela sair, a expressão de decepção voltar a seu rosto. Senti outra pontada de culpa.
Dez minutos depois após a saída de Sakura, resolvi descer também. Nem me preocupei em me justificar, mas eu sabia que Naruto havia entendido a minha pressa repentina. Desci as escadas de dois em dois degraus, torcendo para que a sorte fosse generosa comigo e que Sakura estivesse online no bate-papo. Senão... Seria muito difícil.
Entrei tropeçando no quarto e quase derrubei meu note book no chão ao tentar abri-lo. Quando consegui me comportar novamente como ser racional, acessei o bate papo e minha culpa foi substituída por alívio. Não hesitei em clicar no nome da Sweet Girl, tudo o que eu tinha que falar repentinamente calculado em minha mente e pronto para ser digitado.
Shadow diz: oi!
Sweet Girl diz: oi... – ih, pelas reticências percebi imediatamente que não ia ser fácil...
Shadow diz: então, conseguiu fazer aquilo q vc tava nervosa pra fazer? – perguntei, referindo-me ao seqüestro
Sweet Girl diz: consegui sim, obrigada... – humpf... Não falei?
Shadow diz: vc tah estranha... q aconteceu? - sondei
Sweet Girl diz: nada
Shadow diz: ora vamos... te conheço muito bem... q está acontecendo? - insisti
Sweet Girl diz: pq vc ñ me responde? – ai... Show Time.
Shadow diz: eu?
Sweet Girl diz: ñ... meu clone... claro q eh vc!!! – au! Ela está mesmo muito irada...
Shadow diz: o q eu fiz? – resolvi dar uma de idiota, esperando a chance de digitar o que tinha calculado
Sweet Girl diz: o fato de vc me ignorar sempre q eu te pergunto quem vc eh te convence?
Shadow diz: jah te disse q eh pro seu bem...
Sweet Girl diz: e eh pro meu bem tb as minhas amigas terem um encontro com os garotos q elas gostam e eu ñ? – fiquei uns bons cinco minutos absorvendo as palavras que eu merecia ouvir, no caso, ler. Até que respondi:
Shadow diz: me desculpe... mas eu ñ posso falar...
Sweet Girl diz: vc tem noção de como eu tô agora? Praticamente chorando! – golpe baixo!
Shadow diz: + pq vc ñ vai nesse encontro? – disparei, antes que me sentisse culpado demais a ponto de me revelar naquele instante
Sweet Girl diz: pq ñ tenho par!!! E eu soh queria ir com vc!!! – cara... Naruto tinha mesmo razão... Ele está quebrando recordes...
Shadow diz: mas talvez seja bom pra vc ir... talvez vc encontre alguém melhor... – provoquei
Sweet Girl diz: será q vc ñ entende? Eu gosto de vc! Pq vc ñ fala quem eh?
Shadow diz: eu... – sou um imbecil e não sei o que dizer. Ela disse mesmo que gosta de mim?
Sweet Girl diz: olha... eu ñ queria ir... sinceramente ñ...
Shadow diz: tenho uma idéia... quero que vc me prometa uma coisa... – hora de colocar minha idéia em prática
Sweet Girl diz: o quê?
Shadow diz: q vai descobrir por si própria quem eu sou... assim eu me alivio da culpa de ser quem eu sou...
Sweet Girl diz: eh tão ruim assim ser vc?
Shadow diz: alivia qnd estou com vc... então, promete?
Sweet Girl diz: prometo...
Shadow diz: e se vc for nesse encontro, que acho que vai te fazer muito bem, dou mais uma pista de quem sou eu... – coloquei todas as cartas de uma vez na mesa, esperando que meus argumentos persuasivos convencessem Sakura. Cruzei os dedos.
Sweet Girl diz: jura?
Shadow diz: juro...
Sweet Girl diz: me desculpe... – rá! Acho que deu certo!
Shadow diz: td bem... mas agora vc tem q ir... afinal, tem um encontro... n.n – escrevi, só pra me certificar
Sweet Girl diz: obrigada Shadow... – é, deu certo. Mas o que Sakura dissera, que ela gosta de mim, não passou despercebido, e acho que foi por isso que acabei sendo mais sincero do que havia sido até então ao escrever:
Shadow diz: um dia vamos nos ver... ate lá, queria q soubesse: - hesitei um pouco, mas acabou saindo - eu te amo... – e fiquei aguardando a resposta dela, mesmo sabendo da forma mais convencida qual seria
Sweet Girl diz: eu tb... – e eu sorri de satisfação ao ler as palavras de Sakura - até mais…
Shadow diz: Até... E bom encontro.
E foi sorrindo mais tolamente ainda que desliguei o note book e fui separar uma roupa para o encontro. Estava feito. Que se dane o que pensar meu pai. Isso se ele ficar sabendo que saí. Sakura e eu iríamos ao encontro. E seguraríamos vela juntos. E na mais otimista das hipóteses, também nos divertiríamos.
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Já estávamos à meia hora esperando pelas garotas quando elas finalmente apareceram. Tive que ouvir repetidas vezes Neji e Naruto dizendo que elas tinham desistido, que não iriam mais. Eles só se calaram quando Gaara os ameaçou de morte. É claro que ele estava brincando, mas a hipótese era tentadora. Shikamaru ajudou a melhorar a situação dizendo que as mulheres sempre se atrasam. Segundo ele, elas demoram tanto apenas para procurar uma roupa que deixe o parceiro maluco.
E assim que as garotas apareceram no saguão de entrada no Konoha, vi que Shikamaru tinha toda a razão. Todas estavam muito bonitas, e posso garantir que nunca vi meus amigos com expressões tão abobadas no rosto. Acabei rindo, mas logo em seguida fiquei sério. Porque foi a minha vez de fazer cara de abobado. Sakura era a mais bonita de todas. Estava... Como minha mãe costumava dizer? Deslumbrante. Não dá pra explicar... Ela usou algum artifício feminino para realçar seus olhos incrivelmente verdes. E os cabelos estavam diferentes também. Sem dúvidas era a mais linda...
Depois de todos os casais se cumprimentarem à sua maneira (eu apenas dei um sorriso discreto à Sakura), saímos do colégio. Iríamos de táxi até um cinema muito famoso na cidade (eu costumava ir com minha mãe e Itachi). Depois comeríamos alguma coisa. Porém, como já eram sete e meia, duvidava que ainda conseguiríamos pegar a sessão das sete. Pensei em comunicar o fato a Neji, mas não consegui por dois motivos.
Primeiro: ele olhava exageradamente para Tenten. Segundo: eu olhava exageradamente para Sakura. E não conseguia sequer pronunciar uma mísera palavra que fosse. E o pior: ela parecia perceber meus olhares nada discretos e ficava visivelmente constrangida. Mas ela estava tão bonita que... Eu não conseguia me controlar!
Fiquei muito feliz quando chegamos ao cinema, mas foi por pouco tempo. Como eu previra, a sessão das sete já estava fechada. Dã. E para completar, Tenten sugeriu que tirássemos algumas fotos, sugestão muitíssimo bem aceita pelas amigas dela e pelo pateta do meu amigo Neji. Gaara e eu estávamos visivelmente insatisfeitos com a sugestão, mas acabamos saindo em algumas fotos, apesar de termos tirado a maioria. Então Neji, que parecia mais mandão que o comum (e sem sombra de dúvidas só para impressionar Tenten), sentenciou que seria melhor irmos para uma lanchonete. Comeríamos primeiro e depois voltaríamos para pegar a sessão das nove.
A lanchonete era perto do cinema, por isso fomos à pé. Cada casal estava abraçado, exceto eu e Sakura. Naruto conversava animadamente com todos e evitava que o silêncio se estabelecesse, mas quando chegamos à lanchonete (de nome Edd's) os casais começaram a se dividir, cada um pegando uma mesa mais afastada. As mesas eram apenas para dois lugares, e no fim, só sobraram as do meio. Sakura parecia ter percebido o mesmo, pois depois de dar uma olhada desanimada pelo lugar, puxou uma cadeira de má vontade e se sentou nela. Estava estampado em seu rosto que ela não queria ter vindo. Mas eu a convencera, então era melhor fazer alguma coisa logo para diverti-la, senão a noite se resumiria a silêncio e mais silêncio.
Mas como sou um ser humano muito expressivo, não conseguia pensar em nada para dizer. Nem mesmo algo idiota. Só ficava olhando abobadamente para Sakura enquanto ela mirava tristemente as amigas felizes ficando com meus amigos. Me senti culpado, mas Sakura estava tão linda que não consegui tirar os olhos dela nem para olhar para o chão. Sasuke, seu imbecil.
Então, Sakura resolveu olhar para mim. Nós dois fomos pegos de surpresa. Ela, talvez porque meu olhar era intenso demais, como nunca havia feito antes. Eu, porque Sakura corou sob meu olhar. E copiosa e estupidamente, fiquei vermelho também. E isso raramente acontece. Mas acho que sentir aquela pequena queimação no rosto serviu para me despertar, e eu consegui dizer alguma coisa, mesmo que tenha sido muito idiota.
- Eles parecem estar se divertindo, não é? – perguntei, indicando meus amigos com a cabeça. Quase me dei um soco ali mesmo, mas pelo menos consegui voltar a falar.
- É sim... – Sakura respondeu, e percebi que ela fez um esforço enorme para não revirar os olhos. Pensei em algo para tentar compensar a burrice que falei para quebrar o silêncio e disse a primeira coisa que me veio à cabeça, mas que por algum motivo me fez pensar que daria uma boa conversa...
- Você não queria vir né? – perguntei
- Sinceramente... Não... – ela disse sem nem pensar, mas não me desanimei; pelo menos Sakura respondeu... – eu não tenho vocação pra ser candelabro...
- Candelabro? – perguntei de novo, dessa vez rindo diante da palavra
- É... – ela explicou, parecendo se animar um pouco – segurar várias velas ao mesmo tempo...
- Muito boa essa! – falei, rindo de novo. Só Sakura mesmo... – Nunca tinha ouvido falar... Gostei...
- Obrigada! – ela respondeu, agora visivelmente animada. Sorri mais uma vez para ela, e Sakura me olhou como se... Não fosse eu que estivesse ali.
- Quer comer alguma coisa? – ofereci, tentando ser educado
- Pra ser sincera eu tô com fome... – Sakura disse, sorrindo como quem se desculpa. Imediatamente, chamei o garçom. Pedi um X-bacon para mim e Sakura pediu um X-burguer. É legal ver que ela não é do tipo de garota que tem mil e uma frescuras na hora de escolher o que comer. Tipo aquelas garotas que só comem alface e bebem água. Não, Sakura não era assim. Por fim, pedi um refrigerante para dividirmos.
Enquanto esperávamos o lanche chegar, ficamos novamente em silêncio. Mas desta vez eu estava inspirado; havíamos começado uma conversa boa, então puxei assunto de novo.
- Escuta... Se você não queria vir, por que veio? – instiguei. Como se eu não fosse o responsável por ela estar ali. Só que Sakura não sabia disso, e eu queria ouvir a resposta dela.
- Você é mestre em ser direto hein! – ela comentou, rindo, e tive que rir junto.
- Só quero saber... – falei de brincadeira, na defensiva
- Ok... – ela respondeu, fazendo cara de pensativa – vim porque quero desencalhar... Quer ser o sortudo? – Sakura perguntou séria, e eu quase acreditei.
- Tá falando sério? – perguntei erguendo as sobrancelhas e entrando na brincadeira
- Acha que sou doida? Claro que não! – disse ela, agora rindo – Se tivesse vindo pra desencalhar eu não te diria! Não diria a ninguém!
- Ah tá... Ok... – falei. Sakura dera uma saída de mestre, mas eu não ia desistir até que ela dissesse um motivo que me convencesse. Queria ver até onde ela saberia mentir – Mas, falando sério agora... Por que você veio? - insisti
- Ah... Eu queria ver minhas amigas felizes sabe... – ela respondeu, e agora me pareceu sincera – E também porque uma certa pessoa me convenceu – Ok, por essa eu não esperava.
- Seu namorado? – especulei, me divertindo por dentro. Ah vai, não é maldade. É só... Interessante... Sakura é muito boa com respostas.
- Não! Nem tenho namorado – ela respondeu rapidamente, e pareceu arrepender-se disso - E você, por que veio? – Sakura perguntou visivelmente tentando mudar de assunto
- Pra me distrair... E desobedecer ao meu pai – respondi com dois terços da verdade. O outro motivo, lógico, era a própria Sakura. Mas ela não precisava saber disso.
- Como assim? – ela perguntou
- Eu não tinha permissão pra sair... – expliquei – Ele cancelou a minha. Mas mesmo assim eu quis vir. Quem ele pensa que é pra me prender? – acrescentei, ficando um pouco nervoso
- Mas por que ele tirou sua permissão? – ela insistiu. Bem feito pra mim. Minha vez de responder as perguntas indesejáveis.
- Porque cheguei atrasado na aula e porque ele disse que só vou sair quando tiver uma namorada... – falei rapidamente, me lembrando do que estava escrito na carta de meu pai
- E você não tem? – ela insistiu de novo, e desta vez fiquei surpreso. Por que seria interessante para Sakura saber se tenho ou não namorada? Se bem que ela poderia ser minha garota se eu tivesse um eufemismo para dizer que sou o Shadow dela... Mas, caramba, Sakura nem sonha com isso!
- Não... – respondi sorrindo como quem pede desculpas
- Mas você poderia ter a garota que quisesse! – ela exclamou e tive que arregalar os olhos. Ela estava bem?
- Você também poderia ter o garoto que quisesse... – devolvi na mesma hora, olhando para o lado. Sim, ela poderia ter quem quisesse quando cansasse de Shadow... A idéia me aterrorizou.
- Eu... Por que você disse isso? – Sakura perguntou, constrangida
- Talvez pelo mesmo motivo que você me disse... – respondi misteriosamente. Sorrimos juntos. Ela olhou para os lados e eu fiz o mesmo. Nossos amigos não estavam perdendo tempo!
- Então... Somos candelabros né? – perguntei rindo, fazendo uso da palavra de Sakura
- É somos... – ela respondeu, pensativa – Mas eu estou feliz por eles... – acrescentou.
- Você é diferente das outras garotas... – observei
- Como assim?
- Qualquer garota em seu lugar estaria morrendo de ódio, e teria vindo só pra praguejar contra as amigas... – expliquei, e Sakura sorriu. Senti inveja dela: às vezes eu queria ser menos individualista.
- É eu realmente não sou assim... – ela disse – E você também está me surpreendendo!
- Eu? – perguntei erguendo as sobrancelhas de novo
- É... Eu achava você um grande idiota... – Sakura explicou, e fiquei interessado, uma felicidade inexplicável invadindo meu peito – mas desde ontem a minha opinião começou a mudar...
- Você muda de opinião rápido - brinquei
- Não... – ela corrigiu, séria – Foi a sua atitude que me fez pensar diferente... – Sakura acrescentou, referindo-se ao que fiz para acalmá-la enquanto ela estava chorando, preocupada com o seqüestro. Uau... Não sabia que minha atitude tinha significado tanto... –Obrigada. Se fosse outro garoto em seu lugar teria se aproveitado da minha fragilidade pra tentar alguma coisa...
- Tipo o quê? – perguntei, interessado no rumo que a conversa estava tomando
- Tipo... – ela ia responder. Ia dizer "beijo". Pude ver a palavra saindo dos lábios perfeitos dela. Mas então nossos pedidos chegaram e o garçom estragou tudo. Sakura sorriu e fez um gesto para que nos servíssemos.
Suspirando, peguei meu X-bacon, mas antes da primeira mordida, vi que Sakura estava rasgando um pedaço de guardanapo e fazendo bolinhas. Então, uma a uma, ela começou a atirá-las nas amigas, acertando com perfeição, e fazendo-as se engasgarem no meio do beijo que trocavam com meus amigos. Foi um tanto mau, mas eu gostei. Sorri para a garota linda e travessa à minha frente e comecei a comer meu sanduíche.
Enquanto ia devorando meu lanche, minha cabeça trabalhava sem parar. É, eu estava mesmo no encontro, com Sakura. E tudo estava dando certo até agora. Estávamos conversando assuntos normais, fora da Química, como Naruto dissera que seria. Incrível como ele acertou. E Sakura estava começando a enxergar qualidades em mim! Isso era realmente motivador! Ela me agradeceu por ter sido gentil com ela ontem, por não ter me "aproveitado de sua situação frágil". Ela valorizou algo que eu fiz.
Instintivamente, olhei para ela. Estranhei. Sakura mal havia tocado no lanche enquanto eu estava quase terminando o meu. No que ela estaria pensando a ponto de não fazê-la comer? Seria sobre nossa conversa? Ela, afinal, estaria gostando da minha companhia, como eu estava gostando da dela?
- Não vai comer? – perguntei, preocupado, mas tentando parecer indiferente. O olhar fora de foco dela voltara ao normal, mas Sakura não me respondeu. Olhou em volta novamente para analisar nossos amigos e pelo canto do olho eu fiz o mesmo. Já haviam terminado de comer e estavam se agarrando. Francamente, será que eles pensam que o mundo vai acabar hoje e que todos os beijos têm que ser dados imediatamente? Voltei a olhar para Sakura. Parecia confusa.
- Vou sim... – ela enfim respondeu à minha pergunta – Eu me distraí...
- Com o quê? – perguntei sem hesitar
- Com meus pensamentos... – Sakura respondeu rapidamente e se concentrou em seu sanduíche. Eu havia acabado o meu, portanto me pus a observar Sakura, sendo cauteloso para não constrangê-la.
Eram oito e meia quando Neji achou interessante parar de beijar Tenten. Disse que era hora de voltarmos para o cinema, se não também perderíamos a sessão das nove. Interpretei isso como uma desculpa para Neji não dizer que cansara de se agarrar com Tenten no claro; o escurinho do cinema deve ser mais reconfortante.
Vi Naruto pagar a conta para ele e Hinata. Neji, Shikamaru e Gaara fizeram o mesmo com Tenten, Temari e Ino, respectivamente. Olhei para Sakura. Ela também percebera a atitude de meus amigos. Rapidamente, levei a mão ao bolso e falei:
- Deixa que eu pago...
- Nada disso... Vamos dividir – ela disse o que eu já esperava. Sakura também colocou a mão no bolso, mas encontrou alguma coisa lá que a distraiu. Aproveitando o momento, mas sem perder a curiosidade sobre o que Sakura poderia ter achado no bolso, chamei o garçom e paguei a conta. Ela nem percebeu, e alguns instantes depois ergueu os olhos para mim e me estendeu o objeto que a distraíra. Reconheci meu lenço imediatamente.
- Me desculpe... Esqueci que ele estava comigo...
- Tudo bem... – falei, pegando o lenço. Percebi que ela havia lavado – não precisava ter lavado... - comentei
- Ah! Fala sério! Você não ia querer de volta um lenço todo molhado de lágrimas, ia? – Sakura perguntou, mas eu não respondi – quanto à conta, vamos dividir...
- Talvez numa próxima ocasião... – falei, ainda pensando no lenço e no gesto de Sakura
- Como assim? – ela perguntou, surpresa, e só então percebi que o que falei havia soado como uma indireta. Droga...
- Eu já paguei – desconversei e torci para que ela não insistisse no assunto
- Como?
- Quando você se distraiu eu aproveitei e paguei tudo – expliquei
- Ai Sasuke! Não precisava!
- Precisava sim... – falei, mas por algum motivo meu cérebro me incitou a dizer mais, a dizer a verdade – Na verdade foi como forma de agradecimento por você estar fazendo minha noite menos desagradável... Eu vim mais pra desobedecer meu pai – ok, nessa parte eu menti um pouco, mas por motivos óbvios – e achei que ia ser um saco... Todos os meus amigos saindo com garotas legais e eu igual a um bocó...
- No início eu pensei a mesma coisa... – Sakura confessou
- Eu sei – deixei escapar, mas logo consertei – Mas quando você disse que se importava com suas amigas e estava feliz por elas, mesmo estando sozinha, eu pensei melhor e vi como eu sou individualista... – ela fez menção de responder, mas mais uma vez foi interrompida, desta vez por Neji:
- Vamos pessoal! – disse ele – A sessão é daqui a pouco e não estou afim de enfrentar fila!
Sei. Eu nasci ontem e meu pai é o melhor político do mundo. Não sabia que "se agarrar no escuro" mudou de nome. Aff, que maldade. Não disse que às vezes queria ser menos individualista?
Novamente divididos em casais, seguimos de volta para o cinema. Dessa vez não havia conversa em voz alta. Cada casal trocava suas próprias frases felizes em voz baixa. Porém, agora estava menos constrangedor, apesar de Sakura estar muito pensativa. E antes que eu me perguntasse pela centésima vez o que poderia estar se passando pela cabeça dela, Sakura me chamou:
- Sasuke...
- Hum... – respondi, tentando parecer indiferente. A essa altura já havíamos chegado ao cinema e a fila estava curta. Que bom para o Neji...
- Não estou sozinha... – ouvi Sakura dizer e olhei para ela – Afinal, você está comigo... – tive medo de que ela pudesse escutar a batida intensa que meu coração deu ao ouvir o que ela disse. Achei melhor responder logo, antes que as muitas sensações estranhas que nasciam dentro de mim se manifestassem, afinal, havia muito tempo que não me sentia assim. Ou talvez eu nunca me senti assim?
- Por acaso a pessoa que te convenceu disse que esse encontro te faria bem? – perguntei olhando para cima, com medo de que meus olhos me entregassem.
- Disse... – Sakura respondeu vagarosamente, provavelmente pensando como eu sabia o que Shadow havia dito para convencê-la.
- Então ela acertou, só que acho que não fazia idéia de que eu ia me divertir também... – disfarcei, voltando a encarar Sakura
- E você está mesmo se divertindo? – ela quis saber
- Estou, porque você está comigo, Sakura... – garanti, fazendo uso das palavras dela, e acho que soou forte demais, porque Sakura corou mais do que das outras vezes. E eu gostei mais ainda.
Ela pareceu perturbada enquanto entrávamos no cinema. Os garotos e eu fomos comprar pipoca e refri enquanto as garotas procuravam lugares. Naruto não perdeu a oportunidade de me perguntar como eu estava me saindo. Eu disse que estava tudo bem e o agradecei, mas para meu azar Neji escutou e aproveitou para me zoar.
- Ah, Sasuke – disse ele – Não vai rolar nem um amasso?
- Vai sim – respondi, de mau humor – e vai ser na sua cara se você não calar a boca.
Depois dessa Neji não me dirigiu mais a palavra. Pode ser que eu tenha exagerado, mas acho que Neji estava vendo de forma muito superficial minha relação com Sakura. Ou começo de relação. Diferente dele e de Tenten, nós não nos demos bem desde o início. Éramos inimigos mortais, mas agora como seres civilizados estávamos começando a nos entender. E amassos, na minha concepção, não fazem parte disso.
Voltamos para a sala de cinema e tomamos nossos lugares. Sentei-me ao lado de Sakura, e do meu outro lado ficaram Naruto e Hinata. Do outro lado dela estavam Neji e Tenten e à nossa frente ficaram Shikamaru, Temari, Gaara e Ino. Neji anunciou que o filme era de romance, e percebi que Sakura soltou uma exclamação de desprazer. Será que ela não gosta de filmes românticos? Não que eu goste! Na verdade eu detesto. Tem todos o mesmo fim meloso. Mas a maioria das mulheres gosta... Ou será que é a situação de candelabro que impede Sakura de gostar do filme?
Decidi ser gentil e perguntei a ela se preferia ir para outro lugar. Ela me garantiu que estava bem, e não trocamos mais nenhuma palavra até o filme começar. Cada amigo meu passou o braço em volta de sua namorada, mas é claro que eu não fiz o mesmo. Por motivos que nem precisam ser justificados.
Prevendo tédio por duas longas horas, me concentrei em minha pipoca até ela acabar. Não havia escutado uma mísera fala do filme e não estava nem um pouco afim de prestar atenção. E os outros também não, mas por outros motivos. Pelo canto do olho, vi que Sakura parecia bem infeliz e que seus olhos brilhavam de um jeito estranho. Com certeza não era por causa da luz da grande tela do cinema...
- Tem certeza que não quer sair? – ofereci de novo, cutucando o braço dela de leve
- Mas e o filme? – ela perguntou
- Você está gostando? – sussurrei
- Não...
- Nem eu – respondi sorrindo e fiz um gesto com a cabeça em direção à saída, sugerindo o óbvio. Nossos amigos obviamente não notaram nossa saída e ignorando os casais chatos e melosos que reclamaram, conseguimos sair do cinema.
Assim que chegamos à calçada, não perdi tempo e perguntei:
- Que quer fazer agora? – mas Sakura não me respondeu. Ela ficou muito branca de repente e seus olhos se arregalaram.
- Sai! – gritou ela, e fiquei extremamente confuso. Sair? Pra onde? Por quê?
- O quê? Que foi que eu fiz? – perguntei, assustado
- Não é você! – explicou Sakura, frenética – É o cretino que quer se casar comigo!!! Está bem ali com uma vadia!!! – Demorei vários segundos para entender. Somente quando processei bem o verbo "casar" é que me lembrei do motivo pelo qual Sakura fora parar no Konoha e mudar minha vida. Pra não se casar! Ela me contara no dia da briga com meu pai! Como pude ser tão idiota a ponto de esquecer um detalhe desses! Eu tinha um concorrente!
- Onde? – perguntei, olhando para os lados e procurando o tal Sai
- Ali! – Sakura apontou desesperadamente para a direita. Então, de um modo muito inesperado, ela saiu correndo até onde o fulano estava. Ele entrava num Lamborgini preto acompanhado de uma moça... Suspeita. Parecia não ter visto Sakura. Ela gritava o nome dele e o xingava de várias coisas, e meu instinto me avisou que eu precisava ajudar.
Mas não fui atrás da Sakura desesperada. Fiquei tentado a ir, é verdade, quando a vi tirar o sapato. Porém o único movimento que fiz foi o de colocar a mão no bolso e tirar de lá meu celular. Caso Sakura fosse se queixar de seu suposto noivo, nada melhor do que provas bem verdadeiras para convencer a quem quer que fosse. Tirei o maior número de fotos que consegui do cara com a garota, tentando controlar o tremor de ódio em minhas mãos.
Depois de guardar o celular, vi que aquele sim era o momento de socorrer Sakura. O sapato que ela tirara do pé estava na rua. Pude ver o farol traseiro do Lamborgini que se afastava quebrado e muitos cacos de vidro no chão. Sakura tremia descontroladamente e chorava muito. Muitas pessoas assistiam a cena, mas eu as ignorei. Rapidamente, recolhi o sapato caído, passei o braço em volta de Sakura e a levei até a lanchonete por onde o tal de Sai saíra.
Sentei-a com cuidado em uma cadeira e instintivamente estendi meu lenço para ela. Sakura aceitou sem discutir e naquele momento um garçom veio até nós.
- Você tem alguma bebida para acalmá-la? – perguntei rapidamente enquanto também me sentava e ignorava a cara curiosa do atendente
- Temos flamejante, aguardente brasileira...
- Sem álcool! – exclamei, revirando os olhos
- Temos suco de maracujá – respondeu o garçom, de má vontade
- Serve – retruquei – suco de maracujá está ótimo – E assim que o garçom saiu, me dirigi à Sakura – O que aconteceu?
- Aquele desgraçado que você viu é o tal cara que meus pais querem que se case comigo! – ela gritou, ainda chorando, e as pessoas em volta nos olharam com curiosidade e despeito. Danem-se. Sakura precisava daquele desabafo. Esperei que ela dissesse mais alguma coisa, mas como ela não falou nada, eu me manifestei:
- Então você ficou indignada e lançou seu sapato atrás do carro?
- Claro! E o pior! Se tivéssemos esperado os outros talvez eu pegasse a máquina da Tenten e flagrasse aquele desgraçado com aquela vadia!
- Se tivéssemos esperado os outros talvez você não tivesse visto o tal do Sai... – comentei
- Tem razão... – Sakura concordou – Mas que droga! É pra não me casar com essa peste que fui praquele colégio interno e agora estou passando por tudo isso! Minha vida estava boa demais pra ser verdade! Agora estou fazendo você ouvir minhas lamúrias, perdi um sapato e ainda por cima não tenho como provar que aquele idiota me trai, indiretamente...!
- Eu tenho a solução pra cada um desses problemas... – falei
- Tem? – ela me olhou como se eu tivesse falado que tenho um olho na testa
- Tenho... – respondi – Primeiro: não me importo em ouvir suas lamúrias, porque você é uma garota diferente que está passando por uma fase difícil; segundo: seu sapato está bem aqui – e estendi a ela o sapato – Terceiro: quem disse que você não tem como provar? – e lhe entreguei meu celular
- O que...? – Sakura começou a dizer, esbaforida, mas à medida que ia vendo as fotos parecia se acalmar. Quando olhou para mim de novo, eu a aguardava com um sorriso.
Ela ficou me olhando sem piscar por algum tempo. Senti que algo diferente se estabelecera naquele momento entre nós. A gratidão transbordava dos olhos de Sakura, e nosso contato visual foi quebrado quando ela levantou a mesa e parou na minha frente. Pegou meu rosto delicadamente as mãos e depositou um beijo em minha bochecha. Agradeci muito por Sakura ter me abraçado logo em seguida, pois não queria que ela visse o quanto fiquei vermelho. Tive uma imensa vontade de virar o rosto para que os lábios dela atingissem outro lugar... Mas me controlei. Estava fazendo tudo certo até agora e não podia estragar.
Ficamos abraçados por alguns instantes muito bons, até que Sakura se afastou e, totalmente mais calma, olhou-me intensamente nos olhos e disse:
- Obrigada por tudo...
- Eu é que agradeço – respondi, sorrindo e sendo mais sincero do que ela poderia imaginar. Realmente falei a verdade à Shikamaru quando disse que não gostava de segurar vela. Mas hoje à noite pude fazer uma exceção. Segurei várias velas, é verdade. Ou um candelabro, como Sakura diria. Mas foi em boa companhia. E isso bastou.
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Fomos de táxi até uma praça no centro de Tóquio. Decidimos que seria melhor voltarmos para o colégio sem nossos amigos. Tínhamos certeza de que eles não se importariam... Já estávamos há algum tempo em silêncio quando falei:
- Essa foi a primeira vez em que nos tratamos pelo primeiro nome...
- Tem razão... – Sakura respondeu, rindo
- Estamos ficando amigos? – acabei perguntando, só para ter certeza. Era estranho, afinal. Eu havia me declarado para Sakura como uma pessoa, pelo msn, e agora, como eu mesmo, no mesmo dia, estava virando amigo dela. Tudo errado. Mas era um errado muito bom.
- Acho que sim... – ela respondeu, pensativa
- Então acho que posso dizer uma coisa... – falei, misteriosamente. Como Sakura não disse nada, falei o que tive vontade de dizer a noite inteira, para fechar com chave de ouro.
Olhei-a bem fundo nos olhos, sorri e disse:
– Você está muito bonita... – e sem aguardar qualquer reação dela, pois Sakura já havia feito mais do que poderia imaginar, levantei-me para chamar outro táxi para nós.
Quando abri a porta do carro para ela, Sakura sorriu. Mas foi um sorriso diferente. Um sorriso que marcava ali o início da nossa amizade. E como se estivesse esperando, Sakura só entrou no táxi depois que sorri de volta. Pedi ao motorista que seguisse para o Konoha School, enquanto aproveitava os últimos instantes da melhor noite da minha vida.
Oi galeriinha!
Ta aí o cap mais aguardado até agora por vocês! Espero que tenham gostado viu? Como sempre foi feito com mt carinho e está cheio de cenas extras e engraçadas! Obrigada pelas reviews do cap anterior, pela paciência e pelo carinho de vcs!
Caprichem nas reviews! Falem bastante desse cap hein! No próximo vcs já sabem, as coisas começam a esquentar... E os Aliados ganham uma nova integrante! Então até daqui a duas semanas!
Dêem GO e tenham ótimos dias até nosso reencontro!
AMO VOCÊS!
Debby Uchiha!
n.n
