3. EPÍLOGO

- E agora? – pensava Neville, mirando o próprio reflexo na janela da enfermaria de Hogwarts. Lentamente, ele tentava se lembrar dos acontecimentos, se situar no tempo e entender tudo que estava acontecendo após seu duelo com Belatriz. Ele ainda estava perdido em seus pensamentos quando Hermione entrou no aposento. A garota parecia machucada, mas sorria de uma maneira tão bonita e sincera que o garoto sabia que ela estava bem.

- Neville!!! – ela exclamou contente quando viu que ele estava sentado na cama – que bom ver você acordado! – ela completou se sentando ao lado dele

- Nossa, eu fiquei desmaiado tanto tempo assim? – Perguntou sorrindo

- É que bem, não deu para perceber qual foi feitiço que a Belatriz lançou em você, então não sabíamos o que podia acontecer... – dizia a garota – mas, a Madame Pomfrey insistia em dizer que de qualquer jeito ela estava fraca demais para causar algum dano permanente

- E o Harry? E o Rony? Eu não vi eles voltando...

- Não, não – respondeu a garota entendendo a preocupação do garoto – estamos todos bem, mas o Harry fraturou a perna, então o Rony estava ajudando ele a caminhar, e eu fui na frente para chamar a Ordem

- Entendo...

Neville respirou fundo, minutos atrás ele tinha decidido que era hora de contar a verdade, toda a verdade:

- Hermione... Mione... a verdade é que.. é que, eu gosto de você. É.. é isso – disse o garoto, com uma velocidade muito maior do que ele imaginava

- Ah Neville... mas eu.. quero dizer, eu e o Rony estamos, você sabe, e... – começou a garota levemente embaraçada

- Eu sei – disse o garoto olhando no fundo dos olhos dela – mas eu precisava falar entende?

- Eu sei exatamente como é, ate mais do que você pode imaginar – disse a garota – mas espero que ainda possamos ser amigos? – concluiu ela, um pouco hesitante e estendendo a mão

- Claro, afinal de contas, o ano acabou, mas vamos ter que fazer os N.I.E.M. do mesmo jeito, e eu realmente vou precisar de ajuda! – respondeu o garoto devolvendo o aperto. Hermione sorriu

Seguiu-se de um silêncio levemente incômodo...

- O que aconteceu com ele? Ele, – Neville respirou fundo – o Lorde Voldemort, morreu?

Hermione ficou ligeiramente surpresa quando ouviu o garoto falar esse nome.

- Ele deve ter morrido sim, eu, Harry e Rony conseguimos destruir todos os pedaços da alma dele que estavam espalhados por ai, então sim, ele morreu

- E.. e... a Belatriz? Eu por um acaso...

- Não... você não a matou Neville.. – disse garota entendo o medo do garoto - Ela estava visivelmente abalada, parecia ainda mais louca que o normal, mas sobreviveu a sua maldição, só que.. - a garota hesitava um pouco agora - só que quando os aurores chegaram ela.. Ela, pegou uma varinha e disse: "Eu sou a mais fiel dos comensais da morte! Eu não irei viver em um mundo onde os ideais de pureza que meu mestre tanto lutou para colocar na cabeça obtusa de vocês serão considerados obras de um maníaco! Eu vou seguir me lorde, até o fim!" – e ela... bem, ela se matou

Neville, simplesmente, não sabia o que dizer ou pensar sobre isso. No fundo do seu coração, ele sentia que deveria agrader a garota:

- Obrigado Hermione, por tudo e principalmente, você sabe, por evitar que eu tivesse matado a Belatriz ou... – ele tentava dizer

Hermione apenas sorriu de volta para o garoto, e antes que ele pudesse terminar e o interrompeu dizendo:

- "Existe todo tipo de coragem. É preciso muita audácia para enfrentarmos nossos inimigos, mas igual audácia para defendermos nossos amigos..." – ela começou

- Alvo Dumbledore – completou o garoto

Pouco tempo depois os jardins de Hogwarts foram arrumados para realizar uma cerimônia em homenagem aos garotos. Num palanque, Rufo Scrimengour falava sobre a coragem e a importância dos jovens nesse novo mundo que estava surgindo, longe da sombra de Voldemort, e outras coisas em que Neville não prestava muita atenção.

Na platéia, ele via olhos de sua avó, mareados de orgulho e admiração, um orgulho que ele lutou a vida inteira para conseguir, mas que agora que havia conseguido parecia tão distante e sem importância... ele também via Rony e Hermione de mãos dadas, algo que lhe causava um aperto no coração, embora doesse um pouco menos agora.

Após todos festejos, o garoto estava mais uma vez sozinho, caminhando a beira do lago e imaginando o que fazer no futuro, já que agora ele havia praticamente terminado a escola e era mundialmente famoso como parte do "grupo de jovens que acabou com Você-Sabe-Quem!"

- É difícil acreditar que tudo acabou não é? – Perguntou Harry, que vinha um pouco mais atrás, andando com dificuldades por causa das muletas

- Sim... sei lá, parece simplesmente que é bom demais para ser verdade...

- Mas e aí? O que vai fazer da vida agora? – disse Harry, sorrindo abertamente

- Não sei bem. Acho que o primeiro passo é alugar um quarto no caldeirão furado, me estabelecer e arranjar um emprego lá perto, juntar uma boa grana. E depois quem sabe? O mundo é um lugar grande... e ainda existem muitas plantas e objetos mágicas para se descobrir...

- Alugar um quarto? Correr o mundo atrás de aventuras e novas descobertas no mundo mágico? – exclamou Harry levemente surpreso

- É claro – disse o garoto rindo – ou você acha que eu quero passar o resto da minha vida morando com a minha avó?

FIM