Título: En Rouge
Ship: Harry X OC | Harry X Cedric
Rating: M
Capa: link no profile
Nada me pertence. Só a cor dos cabelos do Harry. Hehe.
Os avisos do capítulo 1 continuam valendo.
Primeiro, agradecer PACAS a quem deixou review e me deu um voto de confiança! Vocês são lindos!
Gente, deixa só eu lembrar vocês que a Lily era ruiva. Tipos que o James ainda é o pai do Harry, só que em vez de ser uma cópia dele, oh, well, leiam o capítulo e vocês vão descobrir! XD
Capitulinho dedicado a Fla, linda, que gosta de coisas alegres. Beijos, linda!
En Rouge
As Cartas do Mal
Quase dez anos se passaram do dia em que Harry Potter fora encontrado na porta da casa dos tios e Harry achava que simplesmente não tinha nada do que reclamar.
Ele nunca ganhou tantos presentes quanto Duddley, nem tampouco fora tão mimado, mas isso era bom para ele, porque até mesmo Vernon acabava por elogiar seu comportamento em frente das visitas.
Com quase onze anos, Harry era baixo para sua idade e suas feições e estrutura pequena, combinados com os traços do seu rosto e os cabelos longos, o faziam parecer uma menina, ou era isso que seu primo dizia quando queria ofendê-lo.
Harry, no entanto, não se importava com isso, porque sua tia sempre dissera que ele se parecia com a mãe. Tinha os mesmos traços de rosto, a mesma cor de cabelo – que não eram lisos com os de sua mãe, no entanto, o que era a razão para mantê-los compridos: ele podia controlá-los dessa forma -, a mesma estrutura, os mesmos olhos vibrantes e a qualidade que sua tia mais falava: seu sorriso.
Ele crescera ouvindo histórias de sua mãe e sua tia quando elas eram pequenas, e seu tio às vezes reclamava que ele realmente parecia uma menininha com a maneira como ainda pedia para que Petunia lhe contasse histórias, mas mesmo esses comentários não tinham maldade, eram apenas implicância amigável.
Duddley e Harry não eram exatamente amigos, mas o primo maior e um pouco mais velho gostava de defender Harry de quem o incomodasse. Seu primo não tinha permissão para maltratá-lo, e na única vez que Duddley batera nele, fora também a única em que Duddley fora para a cama sem jantar. Ele era pequeno demais para brigar, dizia sua tia. Seu tio dizia que ele nunca seria um homem grande como Duddley e que por isso Duddley tinha que tomar conta do primo, não brigar com ele, mas a voz não tinha veneno, era mais uma constatação.
Harry sabia que sua tia e sua mãe passaram anos sem conversar e sua tia havia dado a carta que viera com ele, no dia em que fora deixado na porta deles, quando ele tinha oito anos.
Ele era uma criança que confiava em todos e mesmo quando tinha que ficar em casa para ajudar sua tia em vez de ir brincar na rua, ele não conseguia achar ruim. Mas Harry, por algum motivo, não gostava do que estava escrito naquela carta.
E Harry, quase como sua tia, não confiava em mágica.
Ele não tinha, na verdade, razão para confiar. Algumas vezes, quando ele era pequeno, uma ou duas coisas haviam acontecido, mas aquilo deixava sua tia tão nervosa e, pelo que Harry sentia, tão triste, que ele controlava para que nada mais acontecesse. Magia, do tipo que Harry e seus pais tinham, não da que ele assistia na TV, causava tristeza à sua tia e havia causado a morte de seus pais.
Por que ele confiaria em magia?
Era por isso que naquela manhã de verão, Harry estava, com sua tia e primo, comprando os uniformes de suas novas escolas. Duddley iria para Smeltings, a antiga escola de Vernon, e Harry, de certa forma, sempre pensou que também iria para lá, mas depois de uma longa conversa entre sua tia e seu tio, foi decidido que ele não tinha o temperamento certo para o lugar. Harry, então, iria para uma escola particular e pequena, onde o currículo intenso prometia extrair o melhor de cada aluno. A escola fora indicada por uma das professoras de Harry, que notara o quanto o menino gostava de estudar, e tinha aulas desde música até matemática avançada, em que o aluno poderia se especializar, para facilitar a entrada na universidade de sua escolha, mais tarde.
Harry estava, na verdade, absolutamente orgulhoso consigo mesmo. Era uma das melhores escolas do país e seu tio anunciara, com um certo orgulho, que ele pagaria pela escola, por Harry decidir tomar o caminho 'certo'. Seus uniformes e seus materiais, no entanto, foram pagos pela sua tia, como um presente.
Já em casa, ele olhava seu novo uniforme em cima da cama e sorria. Não era como se ele realmente amasse estudar tanto assim, mas desde cedo ele notara que inteligência nunca fora o forte de Duddley, mas que seus tios não parecia achar isso um problema. Duddley era grande e intimidador e seu tio sempre tivera orgulho dele por isso. Sendo como era, Harry sabia que nunca ia ser como o primo – que sempre fora quem tomara a frente nas poucas brigas em que Harry havia se metido -, mas ele também queria que seus tios tivessem um motivo para se orgulhar dele, e se estudar lhe desse esse motivo, era o que ele faria.
O dia corria sem incidentes, e Harry foi dormir com um sorriso no rosto.
No dia seguinte era o seu aniversário e ele estava ansioso para que chegasse.
~*~
O cheiro do café da manhã invadiu o quarto de Harry segundos antes de sua tia abrir a porta e acordá-lo com um carinho em seus cabelos e um sorriso.
"Feliz aniversário.", ela disse, abrindo a janela e puxando as cobertas do garoto sorridente, "O café está pronto, vista-se e desça, seu tio e Duddley estão esperando por você."
Harry aprontou-se rápido, descendo os degraus de dois em dois, abrindo um grande sorriso ao ver os cinco pacotes de presentes sobre a mesa do café da manhã. Não era nada como os trinta e sete que Duddley havia ganhado, mas ele não se importava, porque sempre gostava das coisas que recebia, diferente de Duddley que parecia se aborrecer com cada presente em, no máximo, meia hora. Da sua tia ele ganhara algumas roupas e tênis novos, que ele agradeceu com um sorriso e um abraço. Duddley comprara um tabuleiro de xadrez portátil, que ele entregou com um tapinha nas costas do garoto menor e um comentário sobre nerds gostarem de jogos como aquele. De seu tio, ele ganhou um relógio esportivo, que ele agradeceu com um abraço - Vernon nunca fora uma pessoa muito afetiva em se tratando de Duddley, sempre tapas nas costas, ou bagunçar seu cabelo, mas Harry sempre tivera um jeito de fazer o homem sorrir e seus raros abraços faziam até mesmo Petunia ficar feliz.
O café da manhã transcorreu como sempre, Duddley e Vernon consumindo quantidades enormes de comida em um espaço de tempo obscenamente curto, Harry e Petunia comendo menos e com muito mais educação. Depois de terminada a refeição, ao invés de ajudar com a louça como sempre fazia, Harry foi mandado para a sala brincar, já que havia começado a chover. Uma vez lá, o ruivo decidiu tentar ensinar Duddley a jogar xadrez, e Harry podia jurar que viu o garoto sorrir ao vê-lo empolgado com o jogo.
Vernon tinha o dia de folga, e Petunia, depois de terminar de arrumar a cozinha, sentou-se na sala com suas agulhas de tricô, Vernon acompanhando o jornal na televisão, enquanto os meninos jogavam no chão da sala.
E foi nesse ambiente calmo e familiar que tudo o que Harry mais temia no mundo aconteceu: uma coruja de penas molhadas e arrepiadas entrou pela fresta da janela da cozinha e largou uma grande e pesada carta de pergaminho em seu colo.
Os olhos de Harry arregalaram-se e ele olhou fixamente para a carta por longos segundos antes de prontamente desmaiar.
Petunia correu a ajudar o sobrinho, enquanto Vernon pegava a carta com uma expressão entre o temor e o nojo, e a colocava sobre a mesa de jantar.
"Duddley, traga água para seu primo.", Petunia pediu em um tom urgente, e Duddley se apressou para cumprir a tarefa, Harry abrindo os olhos temerosos e sentando no chão assim que ele chegara com o copo de água na mão.
O olhar do garoto mais novo fixou-se sobre a mesa onde a carta aparentemente inocente estava, e ele começou a tremer apesar do clima abafado do dia.
"Eu não quero ir. Tia Petunia, eu não quero ir, eles não podem me fazer ir, eu não quero ir!", o tom assustado dele foi o suficiente para fazer Petunia abraçá-lo e puxá-lo para sentar ao lado dela no sofá, acariciando os cabelos longos do menino, que agora chorava.
"Não se preocupe, Harry, nós não vamos deixar que você vá. Nós somos seus guardiões, lembra? Você não pode ir a lugar algum sem a nossa permissão, e nós não vamos dar permissão para você ir a nenhum lugar perigoso como aquela... escola.", a última palavra fora falada como se 'escola' fosse o pior palavrão da face da terra.
Enquanto a mulher tentava acalmar o menino, Vernon abrira a carta e estava lendo o seu conteúdo com toda a intenção de descobrir como fazer para que ele não fosse ara aquele lugar. O garoto queria ser bom e normal, e nada no universo iria impedi-lo de fazer exatamente o que ele queria.
"Eles pedem uma resposta. Nós vamos escrever que você não quer ir, Harry, e você não vai. Simples assim. Nós já temos a sua matrícula pronta na sua nova escola, e é para lá que você vai."
"Promete, tio Vernon? Promete que eu não vou precisar ir... pra lá?", grandes olhos verdes marejados de lágrimas em um rosto pálido e delicado imploravam por confirmação e Vernon acenou afirmativamente com a cabeça, aprumando a peito.
"Eu prometo, Harry."
Em um gesto rápido, Harry atirou-se ao homem, abraçando-o da melhor forma possível já que seus braços finos não conseguiam fechar ao redor dele, nem ele conseguia alcançar o pescoço quase inexistente do tio.
"Obrigado, tio Vernon."
"Ora, ora, não foi nada.", ele respondeu sem jeito, dando leves tapinhas no topo da cabeça do menino.
Logo, Harry escrevia cuidadosamente uma resposta no pedaço de pergaminho, e a coruja, que até então passara despercebida, pegara a carta em seu bico e saíra pela janela.
Depois daquilo, a família decidiu sair pelo dia, querendo esquecer que o incidente jamais acontecera.
Eram simplesmente uma família normal, no fim das contas.
~*~
Minerva McGonagall era uma mulher reservada, extremamente rígida e responsável. Foram seus admiráveis atributos e sua inequívoca competência que a trouxeram a seu cargo de Vice-Diretora da Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts. Com tal cargo vinha a incumbência de enviar e receber as respostas de cada um dos novos alunos da instituição. O trabalho trazia grande responsabilidade, mas não era exatamente desafiador. As cartas eram endereçadas magicamente, e enviadas através das corujas da escola. Assim que retornavam, com as respostas prontas, elas se autodividiam nas pilhas de recusas e aceitações. As aceitações então passavam para o livro-registro da escola e as recusas eram examinadas caso a caso. Tais recusas, no entanto, eram raras, e tratavam-se principalmente de pais trouxas – em cujos casos, as cartas nem mesmo eram respondidas – ou alunos cujos pais já haviam decidido por outra instituição.
Durante a execução desta tarefa aquele ano, Minerva McGonagall recebeu um susto.
Segurando a carta fortemente entre as mãos, a mulher seguiu até o escritório do diretor da escola. Lá, depois de ser admitida, tal diretor ficou intrigado pela palidez da professora com quem trabalhava há anos.
"Minerva, o que a traz aqui? Algum problema?"
Ao invés de responder, a professora apenas colocou o pedaço de pergaminho sobre a mesa do diretor, que o apanhou e ergueu à altura dos olhos. Lá, em letra firme e cuidadosa, mas ainda com um toque infantil, estava a recusa mais inesperada de todos os anos em que ele fora diretor daquela escola.
"Muito obrigado pela oferta, mas eu não pretendo estudar Bruxaria.
Grato pela compreensão,
H. J. Potter."
"Parece que temos um sério problema, cara Minerva."
~*~
Depois do 'episódio da carta' houve uma certa mudança na dinâmica da residência dos Dursley. Duddley sentiu, pela primeira vez, que seu primo, com quem havia crescido desde que conseguia se lembrar, podia simplesmente ter sumido da sua casa e isso o trouxa à conclusão de que ele não queria que Harry fosse embora. Ele não era muito divertido, nem a melhor companhia do mundo para brincar ou sair, mas tinha senso de humor e era inteligente, o que fazia Duddley se sentir um pouco mais inteligente também.
Ao invés de ignorar o primo como sempre havia feito, Duddley começou a chamar Harry para ir brincar com ele e seus amigos, e prometeu que defenderia Harry se os outros garotos decidissem implicar com ele. Tendo a aprovação da tia, Harry saía com Duddley quase todos os dias, e Petunia simplesmente decidiu que meninos de onze anos não deviam ficar em casa fazendo tarefas: a perspectiva de perder seu sobrinho para aquele mundo como havia perdido a sua irmã lhe dera a súbita vontade de mimar Harry até que ele dissesse chega.
Vernon, que sempre tivera um fraco pelo menino, não podia deixar de sentir orgulho do pequeno ruivinho. Ele decidira ser normal como eles, ficar com a sua família e não com aqueles esquisitos e ele trazia presentes freqüentes para Harry agora – quase tantos quanto trazia para Duddley, apesar de diferentes em sua natureza: Harry ganhava livros e jogos de raciocínio, Duddley ganhava luvas de boxe e jogos de computador, mas Harry estava feliz mesmo assim.
De uma maneira geral, a tal carta acabara por ser algo bom: ele se sentia mais e mais família na sua casa.
Fora em uma noite como todas as outras que as coisas começaram a sair mal para a família Dursley.
Os meninos jogavam um jogo no videogame, sentados no chão, em frente à tv, enquanto Vernon lia o jornal e prestava meia atenção às notícias que Petunia contava da vizinhança enquanto tricotava após o jantar.
A campainha soou e Vernon levantou-se para atender, perguntando-se quem poderia ser à uma hora daquelas, já se passavam das nove horas da noite de domingo, no fim das contas.
Abrindo a porta, Vernon deparou-se com um homem de barba longa e um terno verde-ácido com uma gravata rosa-elétrico, e uma mulher vestida com uma saia simples e uma blusa combinando. Arqueando as sobrancelhas, Vernon não teve a chance de falar, quando o homem de terno estranho oferecera a mão para cumprimentá-lo.
"Ah, caro Sr Dursley, Albus Dumbledore.", Vernon cumprimentou o homem, desconfiado, "Podemos entrar, por favor? Temos um assunto importantíssimo a discutir."
"Você sabe que horas são?", perguntou Vernon em voz irritada, mas o homem sorriu e forçou sua entrada na casa, sendo seguido pela mulher que olhava em volta em desgosto.
"Sim, sim, por isso acho prudente entrarmos para discutirmos nosso assunto, não é mesmo?"
Vernon, ainda desconfiado, levou os dois até a sala e ia perguntar quem era a mulher, quando Petunia levantou-se de um salto, voz aguda e alta, um dedo acusador em direção aos recém chegados, enquanto a outra mão fazia sinal para que os meninos fossem para trás dela.
"Vocês!", ela gritou e Harry soube: eram os bruxos e eles haviam vindo para pegá-lo.
~*~
Minerva olhava para a casinha de classe média-alta com um certo desgosto. O filho de dois dos seus alunos favoritos sendo criado num ambiente estéril como aquele! Era um absurdo.
Assim que entraram na sala e a mulher que mais parecia um cavalo gritara, Minerva viu, pela primeira vez desde que ele era um bebezinho, o filho de James e Lily e conteve uma exclamação de surpresa. O menino se escondia atrás do primo, que, por impulso, tinha pegado uma das mãos do garoto menor na sua. Era ruivo, do mesmo tom de vermelho escuro dos cabelos de Lily. Os olhos verdes, naquele momento assustados, a fizeram lembrar imediatamente da menina curiosa e de temperamento curto. Os cabelos longos, presos de maneira frouxa, com mechas onduladas caindo ao redor do rosto, os traços quase delicados, a estrutura pequena... ele era todo Lily. Dos olhos ao cabelo, passando pelo tom pálido de pele e a postura.
O par de olhos verdes ainda olhava para os recém-chegados, grandes de medo puro e ansiedade, e Minerva tentou dissipar o mal-estar presente na sala.
"Olá, Harry.", o olhar que ia da tia para Albus e então de volta para a tia parou no rosto dela e Minerva sorriu, mesmo que de maneira formal. O menino não fez nenhum movimento no sentido de responder ao seu cumprimento, no entanto, apenas se encolheu ainda mais atrás do primo, que por sua vez, se encolheu ainda mais atrás dos pais, uma barreira de Dursleys na frente do menino tão diferente deles.
Bom, pensou Minerva, isso certamente era inesperado. Ela jamais imaginou que os trouxas fossem gostar de Harry, muito menos protegê-lo como estavam fazendo naquele momento.
"Harry, nós viemos até aqui para levar você para a escola.", ela disse, em uma tentativa quase bem sucedida de soar suave.
"Ele não vai pra sua escola perigosa!", berrou Vernon, sua voz sacudindo os pequenos enfeites de cristal das prateleiras atrás dele e Minerva teve que encarar o homem e considerar o que ele estava dizendo.
Ele não os estava acusando de serem anormais, como Lily com tanta freqüência dizia que sua irma a chamava, nem os mandando embora, nem tentando mandar Harry com eles.
Eles os estavam chamando de perigosos. Eles estavam escondendo Harry.
Eles se importavam.
Isso por si só lançou uma nova luz sobre os trouxas que fez Minerva reconsiderar tudo que havia pensado sobre eles antes.
Infelizmente sua opinião não parecia ser compartilhada por Dumbledore, que tinha o rosto sério e encarava Vernon como se ele fosse uma ameaça.
"Senhor Dursley, seja razoável. Harry será bem tratado na escola, e vocês não terão que se preocupar com ele..."
"Se preocupar com ele?!", repetiu a mulher magra e Minerva teve que se conter para não se encolher com o tom de voz dela, "E o que você acha que meu sobrinho é para que nós não nos preocupemos com ele? Ele não vai para aquele lugar impossível, com gente maluca andando por lá!"
"Senhora Dursley, vocês não podem privar Harry de uma educação que ele merece ter!"
"Mas eu posso e vou protegê-lo dos perigos que essa educação traz e ele não vai!"
"Senhora...", mas antes que Albus pudesse continuar falando, a menor pessoa da sala deu um passo para o lado, de maneira a ficar visível e cruzou os braços na altura do peito, olhando feio para os dois bruxos mais velhos da sala.
"Eu não-quero-ir!"
"Harry...", Dumbledore começou lentamente, sorrindo para o garotinho, "Você não imagina o que você pode aprender! Magia é uma parte do que você é, você tem de aprender a controlá-la! Além disso, seus pais..."
"Foram assassinados por um bruxo maluco que vocês não sabem se morreu ou não. Eu não sei quem o senhor é, nem muito menos porque decidiu só aparecer aqui depois de dez anos se queria tanto que eu soubesse sobre magia, mas eu não quero ir para essa escola. E vocês não podem me obrigar!"
Os dois bruxos foram silenciados com as palavras do menino que parecia ter superado seu momento de coragem e se escondia atrás do tio, novamente.
Em uma cena quase irreal, o homem enorme colocou uma das mãos em volta dos ombros do garoto de maneira protetora e seu primo tomou a mão dele novamente, Petunia olhando feio para os dois bruxos.
"Acho que essa foi a palavra final dele. Harry foi aceito em uma das escolas mais seletivas do país, nós já temos tudo preparado para ele lá. Ele quer e vai ir para a escola que ele mesmo escolheu. E essa é nossa palavra final."
Dumbledore apenas olhava para a família à sua frente e Minerva podia quase ver as engrenagens do cérebro do seu antigo amigo e diretor funcionando. Isso não iria acabar bem.
"Eu vejo que se importam com Harry. Eu realmente esperava que vocês o acolhessem como um segundo filho, e vejo agora que meus mais sinceros desejos se tornaram realidade. Mas negar a uma criança a educação necessária para controlar sua magia é um crime contra as leis bruxas. Se esse caso for levado a público, principalmente com o status de Harry, ele muito provavelmente será tirado dos seus cuidados. Harry atender a Hogwarts não é uma simples questão de desejo. É uma necessidade."
Minerva sentiu seu próprio coração apertar quando viu as primeiras lágrimas caírem dos olhos verdes do menino que correu para a tia e jogou-se nos braços dela, chorando.
"Eu não quero ir, tio Vernon prometeu, tia Petunia, eu não quero ir, eu não quero deixar vocês, eu não quero ir!"
Se olhares matassem, Albus Dumbledore seria um cadáver com os olhares que os três Dursley lançavam a ele.
"Eu sinto muito, Harry, mas é como as coisas são.", Albus complementou e Minerva podia ver que nem ele esperava uma reação tão forte do menino ou dos familiares dele.
"Vamos, Harry,", disse Minerva, tentando alegrar o menino, "Você não tem curiosidade de conhecer a escola dos seus pais?"
O menino balançou a cabeça em negação, enterrando ainda mais a cabeça ruiva no ombro da tia, que estava sentada no sofá com a criança no colo, os ombros pequenos sacudindo com soluços.
"Bom, nós vamos deixar uma nova carta para você, Harry, com sua lista de materiais e as instruções de como obtê-los, e a chave do seu cofre, com o dinheiro que seus pais deixaram para você. Vemos você dia primeiro de Setembro.", Albus terminou com um sorriso, dando as costas para sair, quando a voz aguda de Petunia o fez parar.
"Ele pode ter que estudar Magia, mas para aquela escola ele não vai."
Albus virou-se lentamente e Minerva teve de conter um sorriso.
Ela definitivamente simpatizava com Petunia Dursley.
"Petunia...", ele começou, mas a mulher apenas balançou a cabeça em negação.
"Não, Senhor Dumbledore, não interessa o que diga, para a sua escola ele não vai. Se ainda há perigos para ele, como o senhor deixou claro na carta que deixou para nós, na Inglaterra – principalmente a sua escola - é o lugar menos seguro para Harry. Lily me falou de outras escolas. Acredito que uma delas na França...", ela meio afirmou, meio questionou, e Minerva concordou com a cabeça quando viu o olhar da mulher, e Petunia prosseguiu, "Harry é fluente em francês. Quando ele saiu do curso de Artes Marciais porque não gostou, nós o colocamos em aulas particulares. Ele ainda vai estudar magia e não há nada que vocês possam fazer para impedi-lo. Para a sua escola ele não vai.", a mulher repetiu, e Minerva podia ver Albus abrindo a boca para contestar, mas uma cotovelada dela o fez calar-se.
"Albus, uma palavra, por favor.", ela disse seriamente, pegando o homem mais alto pelo braço e levando-o até o hall da casa.
"Minerva, você não pode seriamente..."
"Você que não pode seriamente pensar que algum dia vai ter a confiança daquele garoto se você tirá-lo da família, Albus, e essa é a única maneira de Harry ir para Hogwarts."
"Certamente Petunia vai acabar cedendo..."
"Não, Albus, ela não vai. É uma mãe protegendo seu filho. Até mesmo o menino Dursley parece protetor em relação a Harry. Fale com Maxime. Com o passar dos anos talvez nós possamos persuadir Harry a voltar para a Inglaterra, mas agora é a nossa única escolha se quisermos algum dia ter Harry do nosso lado."
O velho bruxo ficou em silêncio longos minutos, até dar um suspiro derrotado e concordar com um aceno de cabeça, voltando à sala.
A cena lá fez Minerva sorrir, mesmo sem querer. Harry ainda estava no colo da tia, um copo de água nas mãos, o rosto manchado de vermelho do choro, a cabeça descansando no ombro da mulher, que acariciava os cabelos vermelhos do menino. Seu primo voltara a segurar sua mão, e seu tio estava parado protetoramente em frente aos três, de pé na frente do sofá.
Eram uma família estranha, mas eram uma família.
"Você está disposto a ir para uma escola na França, Harry?", Dumbledore questionou, e o menino olhou primeiro para a tia e então para o tio, recebendo acenos de confirmação dos dois, e então ele mesmo acenou afirmativamente para Dumbledore que suspirou.
"Muito bem, então. Eu entrarei em contato com a diretora da escola e Minerva deve retornar ainda esta semana para ajudá-los. Tenham uma boa noite.", o bruxo disse, saindo, enquanto Minerva sorria para o menino mais uma vez.
"Você parece muito com sua mãe.", ela disse e recebeu o primeiro sorriso de Harry como recompensa.
"Obrigado.", ela sorriu mais uma vez e saiu.
Certamente não era o começo que ela esperava, mas era um começo.
"OMG, mas teu Harry está um ABSURDO de tão OOC!"
É, está, eu sei. XD
Espero que vocês ainda estejam curtindo a minha fic maluca, sejam amores e POR FAVOR
R E V I E W !
