Título: En Rouge

Ship: Harry X OC | Harry X Cedric

Rating: M

Capa: link no profile

Nada me pertence. Só a cor dos cabelos do Harry. Hehe.

Os avisos do capítulo 1 continuam valendo.


En Rouge

O Novo Velho Mundo

Minerva retornou aquela semana com a carta de admissão de Harry para a Académie de Magie Beauxbâtons. O menino, embora ainda não muito feliz com a perspectiva de ter de aprender magia, estava visivelmente empolgado com o fato de que sua nova escola era fora do país. Apesar disso, Minerva teve de reafirmar várias vezes que ele teria Chaves do Portal para vir para casa no Natal, Páscoa e férias de Verão, a menos que ele escolhesse ficar na Escola.

O que era simplesmente óbvio que ele não faria, pela maneira como ele parecia grudar-se ao lado de Petunia a cada segundo que tinha a chance. Ele era uma criança de onze anos indo viver sem supervisão dos adultos que conhecia pela primeira vez. Medo e excitação eram tudo que ele conseguia sentir.

Minerva trouxe a carta de Harry e teve o prazer de levar – a ele, Duddley e Petunia – até o beco Diagonal, onde Harry comprou os suprimentos necessários para seu primeiro trimestre de escola. A lista, Minerva notou, era praticamente a mesma de Hogwarts, as principais diferenças sendo a língua dos livros – obviamente franceses – e algumas matérias que eram diferentes. Harry teria, durante os dois primeiros anos de escola, História das Artes das Trevas para só então começar a aprender a sua Defesa, e além das disciplinas base (Feitiços, Poções, História da Magia, História das Artes das Trevas, Transfiguração, Herbologia), os alunos tinham de escolher três matérias suplementares, entre esportes e atividades, das quais Harry escolheu música (momento no qual os olhos de Petunia pareciam saltar das órbitas de orgulho, e ela insistiu em comprar um violino – instrumento de escolha de Harry), literatura bruxa e equitação.

As compras transcorreram sem maiores problemas, a não ser o pequeno incidente na loja de Varinhas, em que Harry se recusou a comprar a varinha que 'o havia escolhido', conforme dissera Olivander, por ter o mesmo cerne da varinha do Lorde das Trevas, o que levou o homem a encará-lo seriamente por um longo minuto, até rir levemente e mandar que Harry voltasse dali a três dias – Olivander teria que fazer uma varinha sob medida para o garoto.

Três dias depois, Minerva, Harry, Petunia e Duddley voltaram ao Beco Diagonal a tempo de apanhar as novas vestes de escola de Harry – túnicas imaculadamente brancas, echarpes cinza gelo, iguais às calças, e uma capa azul claro, de tecido muito leve, todas as peças com o brasão da escola (duas varinhas cruzadas com três estrelas em cada ponta) bordado em fio prata - e, finalmente, a varinha do menino, feita sob medida, uma peça de 29 centímetros de Aveleira cinza pálido, quase branco, e uma rara combinação de pêlo de unicórnio embebido no veneno de um animal chamado Basilisco.

Compras feitas, cartas enviadas e um método de comunicação com sua família estabelecido, Harry deitou-se na sua última noite antes de ir para a escola, sentindo como se milhares de borboletas morassem em seu estômago. Seus olhos corriam da varinha, que repousava na mesinha de cabeceira, a seu malão, pousado nos pés da cama, ambos do mesmo tom de cinza pálido, embora o malão reluzisse com a fraca luz da lua, seus fechos de prata e iniciais gravadas refletindo a luz.

Ele jamais imaginara que tinha tanto dinheiro à sua disposição e tentara seriamente pagar pelos seus materiais e suprimentos – afinal, seus tios já haviam pagado pelos seus suprimentos uma vez, para a escola que ele não iria - mas Vernon aparentemente tomava como questão de orgulho pagar pela educação do sobrinho. Harry sorrira e não reclamara, seu tio dissera que ele devia guardar aquele dinheiro para quando fosse um adulto e tivesse que decidir como viver sua vida. Mas não era a quantidade ou sua forma curiosa de moedas de ouro que o mantinha acordado. Era o fato de que aquilo tudo um dia pertencera a seus pais. Exatamente como a magia que ele tinha era legado deles dois, um pedacinho deles deixado para trás, ainda mais parecido com sua mãe do que apenas cabelos, pele e olhar. Sua tia parecia absolutamente em paz com o fato de que ele iria estudar magia, e Harry pensava que era mais uma maneira da mulher se desculpar com sua irmã: sua aceitação incondicional do sobrinho o maior pedido de perdão que ela poderia fazer.

Mas ele ainda tinha medo. Medo da história de seus pais estar tão arraigada a sua pele que ele teria o mesmo fim deles, morto em guerra contra um mal que não era dele para lutar. E por isso recusara a varinha que o esquisito homem da loja de varinhas queria que ele levasse - ele não se importava em levar a varinha-irmã da varinha que lhe dera a sua estranha cicatriz: ele se importava em levar com ele a irmã da varinha que matara seus pais.

Era o seu primeiro passo para a diferença entre ele e seus pais. Eles três eram mágicos, eles três foram um dia uma família, mas eles dois já não estavam aqui. Mas Harry estaria.

Porque se recusava a se deixar cair.

~*~

Harry acordara saltitando na manhã seguinte e já estava de pé mal o sol havia raiado. McGonagall estaria na casa dos Dursley por volta das quatro da tarde com a chave do portal que levaria Harry até Beauxbatons, mas mesmo sabendo que não sairia de casa por outras quase doze horas, Harry não conseguia mais dormir.

França! Magia! E sem ninguém que ele conhecesse! Esses eram basicamente os únicos três pensamentos que passavam pela cabeça do menino, que procedeu então a enlouquecer os outros habitantes da casa, variando entre crises de choro consoladas por Petunia ou Duddley – que chegou a oferecer seus próprios doces para que o primo parasse de chorar – ou crises intermináveis de riso nervoso que Vernon tentou aplacar com olhares severos que não surtiram muito efeito quando ele acabava rindo junto.

Café da manhã e almoço foram experiências absurdas, quando Harry, em sua excitação, acabou por deixar sua magia reagir e pratos e copos flutuavam a alguns centímetros da mesa durante toda a refeição. Duddley não apreciara muito ter que caçar sua comida, mas não conseguia ficar bravo com o primo. A única reação de Petunia fora fechar as cortinas da cozinha para que os vizinhos não vissem o que acontecia dentro da sua casa.

Nada conseguia capturar a atenção do menino por mais de cinco minutos. Nem televisão, jogos, ou o computador que dividia com o primo. Quando o garotinho perguntou pela quarta vez em três minutos que horas eram, porque seu relógio digital parara de funcionar repentinamente durante o café da manhã, Vernon decidiu se ocupar com algo e sumiu da casa por duas horas e voltou trazendo relógios novos para os meninos – analógicos desta vez. Harry se distraiu durante um total de dois minutos vendo os ponteiros andando e então teve mais uma crise de choro. Ele não queria ficar longe dos tios. Com este objetivo claro, o ruivo se trancou no armário embaixo das escadas e decidiu – anunciando sei intento a altos brados - que não sairia de casa. E então Vernon teve de lembrá-lo de que ele estaria indo para uma outra escola, mesmo que não fosse estudar magia, e que ir para a França com magia era ainda mais rápido do que ir para sua escola não-mágica de carro.

Com isso, Harry saiu do armário saltitando mais uma vez.

Levando tudo em consideração fora, sem dúvida alguma, o dia mais longo da vida de Petunia e Vernon.

Eram exatamente três e meia quando Minerva bateu na porta dos Dursley, que foi aberta por uma criaturinha saltitante que tinha os cabelos praticamente vibrando de excitação. Minerva parou chocada durante um minuto e então entrou, cumprimentando calmamente Petunia e Vernon que pareciam exaustos.

"Como vai, Harry?"

O menino sorriu amplamente, mas de maneira nervosa.

"Bem. Nervoso. Dói para ir de um lugar a outro de chave do portal? E se eu me perder no caminho, o que acontece? Quantos adultos vão estar esperando por mim, e quanto tempo eu devo ficar esperando se ninguém estiver lá? Vai estar frio? Eu coloco meu uniforme, ou vou com minhas roupas normais? Tia Petunia colocou comida para mim, na minha mala, mas vai ter comida lá, não é mesmo? Eles vão mesmo aceitar aquelas moedas enormes que eu estou levando?"

Minerva deixou as perguntas passarem por ela, sem conseguir registrar muita coisa. Com exceção da pequena discussão com Olivander, Harry sempre estivera calmo e silencioso. Olhando para a tia do garoto, Petunia deu de ombros.

"Ele está acordado desde as cinco da manhã."

Contendo o riso, Minerva olhou para o menino mais uma vez.

"Muito bem, Harry, por que não se senta e eu explico o que vai acontecer? Eu vim mais cedo só para isso.", ela terminou sorrindo gentilmente. O garoto sentou ao lado do primo no chão, descansando a cabeça nos joelhos da tia. Mesmo sentado, ainda havia uma leve vibração das pernas e mãos, como se fosse impossível ficar parado.

"A Chave do Portal vai levar você diretamente para o Saguão de Entrada da estação de trem próxima à escola. Neste Saguão vai haver alguns monitores e pelo menos um professor responsável esperando pelos alunos estrangeiros que eles recebem por Chave do Portal todos os anos. Dali, eles vão encaminhá-lo até a escola. Então não se preocupe e apenas siga as instruções que receber, está bem?"

O garoto acenou afirmativamente com a cabeça.

"Ótimo. Quanto às suas roupas, eu aconselharia que já fosse para a escola com o seu uniforme. Todos os alunos já estarão uniformizados na chegada. Os galões, nuques e sickles serão aceitos na França, são moedas internacionais. A escola também vai prover sua alimentação, não há razão para se preocupar. Mais alguma pergunta?"

Só mais duas ou trezentas e sete, pensou Harry, mas balançou a cabeça negativamente. Guardaria suas perguntas para quando chegasse à escola.

Suspirando, o garoto levantou e abriu seu malão, tirando um dos conjuntos de uniforme e indo até o quarto para trocar de roupa. Quando ele voltou à sala, Minerva teve que conter uma exclamação de espanto, enquanto Petunia perdia toda noção de dignidade e punha-se a exclamar o quão bonito e crescido Harryzinho estava.

Os tons claros do uniforme complementavam as feições de Harry, dando-lhe um ar etéreo, como os elfos ou fadas de filmes trouxas. As calças justas e cinza-gelo estavam parcialmente escondidas de vista pelas botas claras de cano alto, que quase encontravam a barra da túnica branca que passava um pouco dos joelhos. A echarpe colocada de maneira displicente em volta do pescoço caía suavemente sobre a capa longa azul claro, finíssima, que parecia flutuar em volta do menino, terminando a poucos centímetros do chão. Os cabelos vermelhos estavam presos por uma tira cinza, mas os fios rebeldes escapavam aqui e ali emoldurando o rosto sorridente, os olhos esmeralda brilhando.

Minerva percebeu naquele minuto o quanto Harry era uma criança feliz. O tamanho da aceitação que aquela família tinha quanto a ele, a emoção de Petunia tirando fotos do menino, e Vernon arrumando a capa nos ombros do sobrinho, enquanto Duddley brincava que ele parecia o Pequeno Príncipe de algum livro que eles haviam lido na escola.

Minerva percebeu que queria que Harry continuasse sendo feliz, e desde que toda a confusão começara, ela percebeu que era melhor que Harry realmente fosse para outro lugar que não Hogwarts.

Seria melhor para ele.

Depois de uma despedida de muitas lágrimas e recomendações, Minerva tirou da bolsa uma pequena colher de prata, que estendeu para Harry.

"É a Chave do Portal. Tudo que você precisa é tocá-la, e então você vai sumir aqui e reaparecer no Saguão da Estação de trem. Não tenha medo e siga com o impulso da chave, está bem? Nada de ruim vai acontecer, é um dos métodos de transporte mais seguros do mundo bruxo."

O menino acenou com a cabeça, sério, e com mais um abraço longo nos tios e no primo, ele pegou a colher. Com um sorriso para Minerva, o garoto ruivo desaparecera.

Para não ser mais visto por nenhum bruxo da Inglaterra por mais três anos.

~*~

Harry aterrissou no Saguão de uma estação de trem clara, com chão de mármore, mas não foi isso que o menino registrou e sim o fato de que Chaves do Portal eram coisinhas malignas. Levantando-se ainda um pouco tonto, o rapazinho viu um homem loiro de cabelos longos amarrados na altura da nuca sorrir para ele.

"Harry Potter?", ele indagou, arrastando os erres do nome e Harry apenas confirmou, em silêncio, "Eu sou professor Jean Boncroi.", o homem disse, em francês, "Só precisamos esperar mais alguns minutos pelo outro aluno que chegará de Chave, e então pegamos as carruagens para a escola, oui?", Harry concordou em silêncio mais uma vez. O homem falava em francês tão rápido que Harry mal conseguia acompanhar, mas mesmo assim, Harry se sentia um pouquinho mais seguro do que estivera antes.

Pelo menos agora ele sabia o que ia acontecer.

Alguns minutos depois, uma menina mais velha apareceu no ponto onde Harry caíra antes e o professor os guiou até a frente da estação, onde carruagens brancas com cavalos também brancos aguardavam os alunos para levarem-nos até a escola. Harry admirou as belas carruagens e a uniformidade das roupas dos alunos lhe deu uma sensação de calma. O professor mostrou as carruagens e o levou até uma onde outros três alunos novos já estavam confortavelmente instalados, seus malões no espaço de bagagem exterior, onde o professor colocou também a de Harry e despediu-se com um sorriso e o aviso para deixarem sua bagagem na carruagem quando chegassem ao castelo. As quatro crianças ficaram em um silêncio constrangido, cada uma olhando pela sua janela durante o percurso.

As carruagens os levaram por um caminho arborizado e estreito, de estrada de chão, até um grande portão reluzente e prateado, guardado por dois unicórnios esculpidos em mármore, um de cada lado do portão. Dali, o caminho tornava-se mais amplo, sendo marcado por pedras claras, até uma estrutura que tirou o fôlego de Harry.

Um grande arco marcava a entrada de um pátio de pedras, circundando um extenso gramado e jardins, que tinham uma fonte de água cristalina em seu centro, com bancos de pedra a sua volta. De cada lado do pátio, portas enormes, de madeira clara, se abriam, mostrando a estrutura a que davam passagem, diversos andares de pedras também claras de cada lado, janelas visíveis ao entardecer. Deslumbrado com o lugar onde estudaria pelos próximos sete anos, Harry quase perdeu a entrada da diretora de sua escola, não fosse o fato de que ela deveria ter pelo menos quatro metros de altura e um sorriso tão aberto em seu rosto que a tornava quase bonita. Elegantes passos a levaram até a frente dos alunos recém chegados que Harry percebeu, olhando em volta, eram apenas os novos alunos, os antigos tendo já entrado na ala à direita.

"Bem vindos à Beauxbatons.", a mulher sorriu e Harry não pôde deixar de sorrir de volta, tão contagiante era a alegria dela, "Vocês têm a honra de estudar em uma das escolas mais prestigiadas da Europa, e a mais seletiva, certamente. A nossa escola se orgulha da sua perfeita mistura entre tradição e modernidade, e nós prezamos cada aluno por tudo que ele pode oferecer, independentemente de sangue, origens, poder ou habilidades. Ao longo dos seus anos aqui, nós iremos transformá-los na elite européia em termos de bruxos e seres humanos. Para nossos alunos nascidos-trouxas, ou que habitaram o mundo trouxa antes do mágico, nossos monitores e professores estarão mais do que à vontade para esclarecer quaisquer dúvidas que tiverem. Durante suas primeiras semanas, é comum que vocês se sintam oprimidos pelas aulas e novas noções que estudar magia traz. Se sentirem a necessidade, não hesitem em conversar com o professor responsável pela sua ala. Com vocês verão a seguir, seus dormitórios estão divididos em quatro alas diferentes, duas masculinas e duas femininas. Essas divisões não significam nada além da localização dos seus dormitórios, no entanto. A entrada para seus aposentos é à direta.", ela acenou com a varinha em direção às portas abertas, "O professor responsável pela sua ala irá guiá-los até suas respectivas alas e então seus aposentos. Cada dois alunos ocupam um quarto, divididos por ordem alfabética. Qualquer problema com seu colega de quarto deve ser reportado ao professor responsável pela sua ala. Cada ala tem uma Sala Comunal, e no centro da ala dos dormitórios, vocês encontrarão uma outra área comum para todas as quatro alas. Nós, de Beauxbatons, queremos que vocês sintam-se em casa.", ela sorriu benignamente para os alunos, "Os professores Boncroi – que ensina História das Artes das Trevas e Defesa Contra as Artes das Trevas – e Lamince – Mestre em Poções – estão passando entre vocês a ala a que vocês pertencerão. Cada pedaço de pergaminho tem uma cor, que corresponde à sua ala. Azuis, por favor, sigam o professor Boncroi; Pratas, o professor Lamince; Brancos, professora Rougen; Cinzas, professora Dupré.", ela disse, indicando cada professor com um aceno de varinha em sua direção.

Recebendo um papel azul, Harry seguiu o professor que o havia apanhado na estação. O homem deu um pequeno tour dos dormitórios, mostrando a área comum das quatro alas, que tomava boa parte do primeiro andar, onde diversos alunos antigos estavam conversando, e a área comum de sua própria ala, no segundo andar. Os quartos seguiam corredores simples, e os aposentos de Harry ficavam no quarto andar. O professor se despediu de Harry dizendo que havia um mapa da escola sobre a sua cama, e que seus pertences já estavam no quarto.

Harry não estava exatamente feliz com a perspectiva de ter que dividir o quarto, já que nunca dividira muita coisa com ninguém. Duddley era extremamente possessivo com suas coisas, e Petunia ou Vernon acabavam por dar dois de tudo para os meninos para prevenir ataques de choro. O único item dividido entre eles era o computador e mesmo nisso Harry não passava muito tempo. Entrando no aposento, no entanto, Harry não conseguiu pensar em uma única reclamação. Em paredes opostas do quarto, estavam duas camas de dossel de madeira clara, com cortinas leves, azuis claras em volta do corpo alto da cama, coberta por uma colcha de azul royal, com o símbolo da escola sobre ela. Na parede em frente aos pés da cama, uma escrivaninha da mesma madeira aguardava para ser usada. Na parede ao fundo, um extenso guarda roupa de seis portas repousava, claramente esperando ser dividido pelos habitantes do quarto. Uma porta ao canto mais próximo da cama que tinha um malão que não era o seu a seus pés dava passagem a um banheiro claro, de mármore branco.

A cama de Harry era ao lado da ampla janela ladeada por cortinas do mesmo material das que estavam nas camas, mostrando o entardecer no sul da França – que era onde Harry imaginava que estava, ele não fazia idéia da sua localização geográfica além de 'França'.

Sobre a cama, Harry encontrou dois pedaços de pergaminho claro. Um deles um mapa da escola, marcando o Salão Principal, Biblioteca, salas da aula, escritórios dos professores e dormitórios, assim como delineando o pátio. Atrás do mapa, as regras da escola estavam escritas em letras miudinhas que Harry decidiu ler mais tarde. O segundo pedaço de pergaminho tinha suas aulas listadas com os horários e nomes dos professores ao lado. O horário de café da manhã, almoço, lanche da tarde e jantar estavam listados no topo da página, com um aviso de que o jantar do primeiro dia do ano letivo era obrigatório.

O garoto notou que ainda tinha mais de uma hora até a hora que deveria estar no Salão, então decidiu começar a organizar sua parte do quarto. Já havia terminado de arrumar suas roupas e uniformes, e começava a arrumar os novos livros sobre a sua escrivaninha quando seu colega de quarto apareceu. O menino era mais alto que Harry, e também mais velho, pelo que o ruivo percebeu. Cabelos loiros compridos estavam amarrados na nuca, em uma maneira muito parecida com a do professor Boncroi, e Harry não pôde deixar de pensar que o seu colega de quarto admirava o professor responsável pela sua ala. Olhos castanhos claros impassíveis ao ver Harry ali.

O recém-chegado pareceu avaliar seu novo companheiro até ir até o menino e estender a mão, polidamente.

"Jacques Pierpont."

Harry aceitou a mão oferecida, balançando-a brevemente.

"Harry Potter."

O menino mais velho arqueou uma sobrancelha, e falou em francês lento, como se com medo que Harry não entendesse o que ele estava falando.

"Eu pensei que você fosse inglês?", ele meio afirmou, meio questionou, e Harry deu uma risada leve de volta.

"Eu sou.", Harry respondeu, seu francês marcado pelo pesado sotaque britânico, mas compreensível, "Minha família achou melhor que eu viesse para cá."

Jacques concordou com um aceno de cabeça.

"Faz sentido. Na Inglaterra eles devem ter um certo nível de idolatria, não?"

Harry deu de ombros.

"Eu não saberia dizer, eu fui criado por não-mágicos.", Jacques abriu um sorriso ao saber disso.

"Minha mãe era não-mágica. Nós moramos algum tempo fora do mundo bruxo, mas quando ela faleceu, meu pai decidiu voltar para a comunidade mágica."

"Eu sinto muito pela sua mãe.", Harry respondeu, e Jacques sorriu levemente para ele.

"Faz parte da vida."

Os dois ficaram em um silêncio estranho alguns minutos, até Jacques rompê-lo.

"Vamos para o Salão? Madame Maxime não gosta de atrasos e você não vai querer irritá-la logo no dia da sua chegada."

Harry riu e concordou, e os meninos deixaram o quarto, fechando a porta atrás de si.

Harry havia oficialmente feito seu primeiro amigo no mundo mágico.


Por algum obscuro motivo, o uniforme do Harry de Beauxbatons foi inteiramente inspirado nas roupas dos elfos de Rivendel, do Senhor dos Anéis, e na roupinha do Pequeno Príncipe. Oh, well. He. Preciso dizer que minha parte mais favorita deste capítulo é o Harry surtando. Eu me diverti tanto escrevendo aquilo que não é nem saudável xD.

R E V I E W !