Título: EnRouge
Ship: Harry X OC | Harry X Cedric
Rating: M
Capa: link no profile
Nada me pertence. Só a cor dos cabelos do Harry. Hehe.
Os avisos do capítulo 1 continuam valendo.
Ahn... Canon? Que Canon? Nem sei o que é isso. O.o
Capítulo para minha twinzinha, para ele se alegrar! ;***
En Rouge
Olá, meu nome é Sirius
Se alguém dissesse que não houve um dia sequer em que Albus Dumbledore não pensasse em Harry Potter, esta pessoa estaria redondamente enganada.
Embora quisesse – muito, quase desesperadamente – que o garoto estivesse em Hogwarts, houve dias em que Harry simplesmente lhe sumia dos pensamentos.
O dia em que professor Snape descobriu que Quirrel estava atrás da Pedra Filosofal e ele teve de parar seu próprio professor de Defesa Contra as Artes das Trevas de cometer um crime e então descobri-lo morto na manhã seguinte foi um dia em que Albus não pensou em Harry Potter. Talvez ele tenha, sim, pensado que toda a agitação daquele ano teria sido um bom treinamento para o garoto, mas tudo em consideração, Harry tinha onze anos. Um roubo era assunto de adultos.
O dia em que Hermione Granger foi encontrada petrificada perto do banheiro do segundo andar foi outro dia que Harry Potter não passou nem mesmo perto da mente do diretor. O dia em que Ginevra Weasley desapareceu da escola e ele teve de usar Magia que beirava Magia negra para convocar o corpo já sem vida da menina para que seus pais pudessem enterrá-la depois de sua morte de causas desconhecidas foi um dia em que ele definitivamente pensou em Harry Potter, no entanto.
E de certa forma agradeceu por Harry não estar na escola.
Mas mesmo com essas pequenas exceções, trazer Harry para Hogwarts – onde ele seria devidamente treinado e protegido, na medida certa – ocupava, sim, uma boa parte do tempo e pensamento do Diretor de Hogwarts.
O verão entre o primeiro e segundo ano de Harry na escola fora um verão em que Albus tentara de todas as maneiras possíveis encontrar-se com o menino – sem sucesso.
Quando ele transformara Petunia e Vernon Dursley em guardiões de Harry, ele perdera qualquer autoridade sobre o menino e a menos que eles se recusassem a permitir que Harry tivesse uma educação mágica – o que eles não estavam fazendo – não havia nada que ele pudesse fazer para entrar em contato com o menino se seus parentes mais próximos não deixassem. E eles não deixavam nem mesmo que ele chegasse perto da casa ou bairro em que eles viviam, com a ameaça de sumir do país ele nunca mais ouvir falar em Harry Potter.
E pelo brilho maníaco no homem sem pescoço que se dizia tio de Harry, Albus não duvidava que eles o fizessem.
Assim, Harry fizera doze anos e Albus não sabia nem mesmo como o menino estava se saindo na escola, já que Madame Maxime recusara-se educadamente a responder suas perguntas sutis. Às vezes, um homem tem que saber quando retirar seu exército de batalha e foi o que Albus fez.
Por enquanto.
O segundo ano de escola do menino passou de maneira fria e quase assustadora para o diretor. A petrificação de estudantes culminando na morte da mais nova dos Weasley foi um golpe sério na Inglaterra bruxa, que se orgulhava da sua escola, e também na fama de infalível do diretor, que permitira que tal tragédia acontecesse sob suas barbas – mas tais reclamações acalmaram quando fora lembrado nos jornais que Albus Dumbledore havia sido removido de seu cargo quando a menina sumiu.
Se ele estivesse lá, talvez ela ainda estivesse viva. E assim, a popularidade de Albus cresceu mais uma vez, e mais uma vez as pessoas se perguntavam onde estava Harry Potter.
E mais uma vez souberam apenas que ele estava sendo adequadamente educado no Mundo Mágico.
Naquele verão, Albus teve muitas dores de cabeça, e lidar com pais preocupados manifestando seu medo de deixar seus filhos voltarem à escola para o próximo ano não era nem mesmo a maior delas.
Ele não tinha um professor de Defesa e um dos seus maiores apoiadores e um homem que o diretor respeitava muito – Arthur Weasley – estava absolutamente arrasado, exatamente como seus filhos. Molly parecia quase inconsolável pela perda de sua única filha e Albus não conseguia achar palavras para melhorar sua situação.
O mundo, num geral, parecia um lugar muito, muito sombrio para Albus Dumbledore. Uma de suas alunas havia morrido, seus apoiadores começavam a se desesperar e ele mesmo tinha medo das verdadeiras ocorrências na Câmara Secreta.
Mas foi ironicamente durante o enterro de Ginny Weasley que um pouco de luz se fez no caminho do diretor.
Remus Lupin sempre fora uma pessoa querida a Albus, mesmo que o homem tivesse se deixado abater de maneira tão forte com a morte de seus amigos mais próximos e a traição e prisão de seu... amigo íntimo.
Depois de ver e rever currículos, o diretor estava chegando ao fim de suas forças e já começava a considerar ensinar Defesa ele mesmo, quando, no enterro da pequena Ginny, uma figura de roupas desbotadas e um ar cansado observava à distância. Aproximando-se, Albus viu que se tratava de Remus, que conversava quietamente com Bill Weasley, que havia iniciado Hogwarts no último ano de Remus.
Ele estava mais velho, mais cansado, mas ainda tinha o mesmo ar bondoso e presença calmante da época de escola. Sorrindo, o diretor se aproximou e, com uma conversa leve, ainda que triste, convenceu Remus a ir até Hogwarts com ele para tomarem chá – ou teriam ido, se o rato do pequeno Ron Weasley não tivesse fugido quando Remus passava ao seu lado, fazendo o lobisomem pegá-lo pela cauda e, para espanto de todos, gritar de surpresa.
O que se seguiu não foi calmo, tranqüilo ou agradável.
Descobrir que o suposto amigo morto era na verdade um traidor e que o amigo 'bom' estava preso por quase treze anos era, para usar um eufemismo, muito desagradável.
Para ser honesto era ridiculamente vergonhoso e injusto.
Mas ninguém ia dizer isso em voz alta para o homem que chorava como uma criança e olhava com nojo para o homenzinho que parecia realmente o rato em que se transformava com tanta freqüência.
O resto do verão foi tenso.
O Ministro Fudge parecia incrédulo a princípio, mas então decidiu desfazer o "Maior Erro da História da Justiça Bruxa", corrigindo apressadamente os passos de seu predecessor.
Sirius Black foi, no início do mês de agosto, solto de Azkaban e livrado de todas as acusações, recebendo uma grande indenização pela pena sofrida e injustiça cometida.
De Azkaban, Sirius foi imediatamente levado para St Mungus, onde passou duas semanas em um coma induzido por magia para curar quaisquer problemas mentais que pudessem ter sido acarretados pela sua estadia em Azkaban. Surpreendendo a todos, ele estava incrivelmente lúcido, apesar de debilitado.
E mesmo com o fato de que Remus não fizera nada para tentar provar que ele era inocente, Sirius foi rápido em perdoá-lo: se ele mesmo não tivesse desconfiado de Remus, nada daquilo teria acontecido. Suas culpas se anulavam e mesmo que parte de sua intimidade tivesse se perdido em tristeza e escuridão, sua amizade estava restabelecida.
A recuperação física de Sirius não foi rápida. Remus estava ao lado do homem a cada passo do caminho (recusando a posição de professor em Hogwarts, que foi então ocupada por cinco aurores diferentes que se revesavam para ensinar), chegando a passar dias dormindo em cadeiras de hospital, até que, em outubro, Sirius estava em condições de ir embora.
Não havia passado um dia em que Sirius não perguntasse de Harry, e Remus também estava curioso para ver o filho dos seus grandes amigos, mesmo que não fosse padrinho do menino.
Enquanto ele estava no hospital, no entanto, Albus dava uma desculpa ou outra, sempre adiando o momento das grandes explicações, tendo que sair urgentemente para resolver problemas na escola sempre que a conversa começava a tomar o rumo-Harry.
Mas saudável, restabelecido, com dinheiro para gastar (a fortuna Black e a indenização do Ministério somadas serviriam para várias gerações), Sirius queria seu afilhado de volta.
E aí Albus teve problemas.
Foi difícil explicar para Sirius que Harry gostava dos seus tios e primo. Que a tia idolatrava o chão que o menino pisava e que o tio fazia todas as vontades do garoto. Que o primo não deixava nem sequer que olhassem para Harry do jeito errado sem ter uma vingança.
Que Harry era, em resumo, feliz com os trouxas.
Sirius não conseguia decidir se estava feliz que seu sobrinho fora bem tratado, pois ele lembrava das histórias que Lily contava sobre sua irmã; ou triste que seria tão difícil para o menino morar com ele, pelo menos no começo.
Porque não havia dúvidas para Sirius, Harry iria morar com ele. Era o certo. Era o que James queria.
Certamente Harry iria querer seguir as pegadas, ou melhor, os passos de James, certo?
Errado.
Uma pena que Sirius demorou tanto tempo para perceber.
~*~
Outubro tornou-se novembro e dezembro não demorou a chegar. Nas férias de Natal daquele ano, Sirius comprou uma casa de campo relativamente perto da casa dos Weasleys, mas muito mais próxima do termo 'Mansão' do que propriamente 'casa'. A propriedade tinha muitos jardins e um bosque se expandia ao redor de todo o fundo do terreno. Havia um lago onde era possível nadar, um gramado grande o suficiente para que se fizesse um campo de quadribol, estábulos que estavam temporariamente desocupados e jardins que deixariam Petunia verde de inveja e tudo isso sem mencionar a 'casa'.
A 'casa' consistia em treze quartos (sendo quatro deles suítes), dezesseis banheiros, duas bibliotecas, quatro salas de estar (uma em cada andar), uma espaçosa cozinha, um escritório, uma sala de jantar e um ou dois estúdios, além da garagem adaptada onde Sirius colocara um carro trouxa último modelo e sua moto, recém-saída da restauração.
Uma das suítes, decorada em azul escuro e dourado, era sua. Em frente a ela, a suíte de Moony – a quem ele conseguira convencer a vir morar com ele (e Harry, logo, Sirius esperava) -, inteiramente decorada em marrons e beges, e então a suíte de hóspedes, feita em brancos e pratas. Finalmente, a suíte de Harry, exatamente ao lado da sua, estava inteira 'em branco', sem nenhuma decoração.
Sirius queria decorá-la em vermelho grifinório e dourado, mas Remus o controlara dizendo que Harry tinha quase catorze anos e iria gostar de decorar seu próprio quarto.
Com um endereço estabelecido (e alguns elfos domésticos para mantê-la limpa e conservada), uma conta bancária invejável, uma ficha médica limpa e sua inocência na mão (e a injustiça gigantesca cometida contra ele na manga), Sirius entrou com o pedido de transferência de guarda no final de janeiro.
Sirius não estava feliz com a demora do processo, mas Dumbledore explicara a necessidade dela.
Primeiramente, o diretor teve de explicar porque, exatamente, Harry fora mandado viver com os trouxas. Uma vez explicada as proteções de sangue que envolviam Harry e Petunia, Sirius se acalmou, mas então lembrou ao diretor que ele poderia ter o mesmo tipo de proteção com Harry, por ser padrinho do menino, nomeado magicamente.¹
Quando as proteções já estavam certas em volta da casa, o diretor explicou que Harry estava indo para Beauxbatons, já que Petunia se recusara a deixar o garoto freqüentar Hogwarts – e teve também de explicar que Harry nem ao menos queria estudar mágica a princípio – e também que não via o menino há quase três anos.
Com várias discussões, foi acertado que Sirius poderia clamar a guarda de Harry quando o ano letivo terminasse, a tempo da Copa Mundial de Quadribol. Que garoto de catorze anos não gostaria de ir até a Copa Mundial de Quadribol?
Um garoto que não gostasse de Quadribol, evidentemente.
Não era mesmo uma vergonha que Sirius nem mesmo concebesse que existisse tal noção?
Bom, talvez fosse, mas o caso era que Sirius estava orgulhosamente parado na frente de Privet Drive, número 4, nos primeiros dias de julho.
Ele tinha os advogados, ele tinha os pergaminhos, ele tinha Remus à sua direita e McGonagall e Dumbledore à sua esquerda.
E logo, logo, teria Harry ao seu lado também.
Confiante como só um homem que sobrevivera sem nenhuma cicatriz (visível) a doze anos de prisão, Sirius tocou a campainha com seu melhor sorriso.
Pobre Sirius.
~*~
Harry estava entediado.
Ele sempre ficava entediado nas férias, mas aquelas férias em particular estavam sendo uma surpresa.
Desagradável, mas uma surpresa. Ele estava em casa há menos de 24 horas e ele... bem, ele sentia falta de Jacques. Desesperadamente.
Era por isso que, mal o almoço havia acabado naquela agradável tarde de sábado, Harry teve que usar seu melhor olhar de cachorro abandonado para que seu tio deixasse que ele telefonasse para Jacques de seu novíssimo e ultra moderno telefone celular.
Vinte e quatro horas é um tempo muito longo quando se é jovem e se ama.
Usando seu 'presente – de – boas – vindas – para – as – férias – de - verão', Harry sentou-se no jardim dos fundos para uma longa e interessante conversa com seu namorado.
Nem mesmo ouviu a campainha tocar.
~*~
Duddley abriu a porta de mau humor. Estava de regime, estava comendo frutas há dois meses na escola, sua mãe concordava com a enfermeira e não havia escapatória. Duddley estava com fome, estava entediado, e estava com um leve ciúme do primo, que deveria prestar atenção nele e não em algum francês sem graça.
Com seu melhor olhar ameaçador, o garoto abriu a porta e deu de cara com dois esquisitos conhecidos e mais dois homens que jamais havia visto.
"Olá, meu nome é Sirius, e eu sou padrinho de Harry, ele está?"
Confuso, Duddley encarou o homem à sua frente.
"Padrinho?"
Harry não tinha padrinhos. Ele não tinha padrinhos. Eles dois tinham uma mãe e um pai e uma tia. Só. Padrinhos eram carga extra, não-necessária.
Sirius apenas balançou a cabeça alegremente.
"Exatamente, ele está?"
Antes que o menino pudesse responder, no entanto, Petunia apareceu na porta.
"O que querem aqui?", ela indagou, em um tom azedo.
E, bom, dali para frente a conversa não foi nada agradável. Sendo convidados para entrar apenas porque ela não queria que os vizinhos vissem um homem com um terno abóbora e gravata verde-grama na porta da sua casa, ela ouviu notícias que nunca esperara ouvir.
Eles iam tirar seu bebê dela.
Mas mesmo enquanto Vernon tentava consolar a mulher, Duddley tentava entender o que estava acontecendo e Petunia chorava, Sirius e Remus não estavam prestando atenção.
Porque pela janela da sala, entre as cortinas cheias de laço, eles podiam ver o jardim. E no jardim, sentado na grama, sorrindo muito enquanto falava em um aparelho trouxa, estava uma cópia praticamente perfeita de Lily.
"Merlin!", disse Remus, o que era muito, muito mais do que Sirius poderia dizer. Ele lembrava de Harry-bebê, ele lembrava dos grandes tufos de cabelos vermelho e olhos verdes, mas não esperava que Harry fosse ter herdado do pai somente os cabelos rebeldes, que nem mesmo tão rebeldes estavam, caindo em volta do rosto desajeitadamente, mas com certa graça, em cachos grandes.
Sem quase nem perceber o que estava fazendo, ele buscou uma porta, qualquer uma, que desse para o jardim. Fazendo o mínimo de barulho possível, ele saiu ao sol, escutando a voz de adolescente do sobrinho falando em francês com alguém, rindo a cada poucas palavras.
Remus não estava em um estado muito melhor, pasmo e admirando o jovenzinho a poucos passos, que finalmente – com o que Remus jurara se um 'je t'aime' – desligara o telefone e agora encarava os dois recém-chegados ao jardim com uma curiosidade polida.
"Olá, posso ajudá-los?", indagou, uma sobrancelha erguida e um toque de sotaque francês na voz.
"Eu sou seu padrinho.", disse Sirius muito rápido.
Durante alguns segundos houve silêncio e então Harry fez a única coisa digna de qualquer pessoa que descobre que tem um padrinho que está se apresentando a ele de maneira tão abrupta e vê, pela janela próxima, sua tia chorando, o que não poderia significar nada bom: ele desmaiou.
¹Quê? Isso não é canon? Não fez sentido? Mas, hon, o canon cometeu suicídio lá no primeiro capítulo quando a Petunia decidiu ser legal com o Harry. Sorry. XD
Mas eu sou uma cretina e esse Harry é uma MOÇA. Que sem vergonha eu. Hahahahahahahahaha
Espero que tenham gostado do capítulo! Vocês sabem o que fazer, não? Vamos lá, cliquem no botãozinho ali embaixo... esse... bem esse, uhum, o cinzinha, de letrinhas verdes, tão fashion, ele mesmo. XD
Beijos e
R E V I E W !
