Título: En Rouge

Ship: Harry X OC | Harry X Cedric

Rating: M

Capa: link no profile

Nada me pertence. Só a cor dos cabelos do Harry. Hehe.

Os avisos do capítulo 1 continuam valendo.

Quem não tem interesse em jogar conversa fora pode pular essa parte aqui. He.

Estava eu muito alegremente dissertando sobre o quão trash minha fic era e o quão orgulhosinha eu estava dela (recebi até uma review chamando ela de trash *-*), quando a seguinte conversa se seguiu com a minha twin no msn, estourando minha bolha de alegria. Eu achei divertida e decidi compartilhá-la:

TWIN: twin, ou eu não tenho bom senso nenhum

ou sua fic ainda não atingiu o trash no meu conceito roll:

e vc sabe disso

EU:HUAHUAHUAHUAHUAHUAHUHAUHAUHUAHUAHUAHUAHUAHUAHUAHUAHUA

twin

o harry DESMAIA

pelo menos UMA VEZ

em TODOS os capítulos

...

não é trash?

TWIN: ainda não

lucius com sininhos no cabelo é trash

draco enfiando abacaxi no c* é trash (nota da Dark: EXISTE E EU VI! Um terror, um terror, acho até que minha necessidade de JAMAIS ver o Draco uke nasceu daquele pequenino trecho que eu li tanto tempo atrás)

EU: AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAI, QUE HORROR

TWIN: harry dando pro voldie de frente todo apaixonado é trash

o harry ruivo tem fundamento xd

EU: cara, isto vai para a NA do capítulo.

te juro.

E aqui estamos nós. Só para avisar: quem mede o nível de trash da fic é a Agy. Quando ela disser 'chega', eu paro. Enquanto ela não disser, a fic segue seu rumo. Hehe. *evil grin*


En Rouge

Para Longe

Desmaiar é uma arte.

Harry descobriu isso quando tinha seis ou sete anos de idade e caiu de um balanço na escola e ficou de olhos fechados. Bom, sua tia fizera um escândalo e ele tinha ficado dias sem ter de ir à escola.

Porque ele tinha desmaiado.

A arte do desmaio foi dominada por Harry desde aquele fatídico dia, e transformara-se em um mecanismo de defesa. Cada ser vivo se defende como pode e se o camaleão some nas folhas das árvores e cobras atacam o que quer que esteja à sua frente e pequenos bichinhos se fingem de morto para não serem comidos, bem, Harry desmaiava.

Ou pelo menos fechava os olhos e não se movia sozinho por alguns momentos.

Porque naqueles preciosos minutos ele sempre conseguia pensar em alguma maneira de salvar a situação – ou pelo menos de não se colocar em perigo em tal situação. Assim que fechasse os olhos e – para todos os propósitos – desfalecesse, o caos se instauraria, e ninguém pensa muito bem em meio ao caos, exceto Harry. Que aproveitaria os minutos iniciais de choque para pensar 'muito bem, e agora o que eu faço?'.

Suas táticas variavam. Ele poderia 'acordar' e começar a chorar. Ou então 'voltar a si' e proclamar que não se lembrava de nada. Podia também pedir desculpas com lágrimas nos olhos e, honestamente, quem não perdoaria um garotinho adorável com olhos marejados e que havia desmaiado de aflição?

Ninguém. Ou pelo menos ninguém que Harry conhecesse.

Por isso quando aquele homem bem vestido aparecera na sua frente se proclamando 'seu padrinho' e ele vira o diretor sem nenhuma noção de moda pela janela, e sua tia chorando na outra, bem... vocês certamente sabem o que aconteceu. Se Harry fosse um camaleão ele teria sumido; fosse ele uma cobra, teria dado o bote; fosse ele um pequeno roedor, teria se fingido de morto.

Como ele era Harry, ele desmaiou.

E durante os gritos de 'Duddley, água para seu primo' e 'SAIAM DE PERTO DO MEU SOBRINHO!', seguido pelo bufar de tio Vernon levando-o para dentro, Harry pensou.

E ele era esperto o suficiente para saber que aquele homem estava ali para buscá-lo.

E que dessa vez não era Harry e sua família contra um bruxo que era meramente o diretor da uma escola que ele nem mesmo freqüentava.

Era Harry, um bruxo, e sua família trouxa contra um bruxo da sua família.

Muito bem, pensou ele. A única saída era negociar e rezar para que tudo desse certo.

Ele não ia abrir mão da sua família tão facilmente.

~*~

Os pensamentos mais estranhos nos atacam quando os momentos de tensão chegam.

Albus Dumbledore era conhecido por sua força, seu poder mágico, seu carisma (ao que muitos chamavam de capacidade de manipulação, mas isso não vem ao caso) e sua competência para liderança.

Mas Albus Dumbledore, mesmo sendo tudo que foi mencionado acima e muito mais, sentiu um leve toque de pânico quando viu Harry Potter, O Menino que Sobreviveu, O Eleito, A Criança da Profecia... desmaiar.

Como uma fruta caída da árvore por estar madura demais, uma pedra atirada por uma janela, um saco de batatas jogado ao chão. "Ploft", lá estava a esperança do mundo bruxo estirado na grama.

Porque havia visto seu padrinho.

Uma risada levemente histérica começava a ameaçar acometer o diretor, que se segurou valentemente e não se rendeu.

E quando Voldemort se reerguesse?

Ele não queria nem pensar nisso.

Harry Potter, o Menino Que Desmaiou.¹

Merlin.

~*~

Com um leve suspiro, Harry abriu os olhos e piscou molemente algumas vezes, ouvindo sua tia murmurar palavras calmantes em seu ouvido.

Sentando, ele olhou em volta.

O tal diretor e seu terno abóbora (que, sim, merecia ser referido como uma entidade à parte, um terno daquela cor merecia ter seu próprio RG, quiçá seu próprio CEP) estavam na poltrona exatamente em frente ao sofá em que ele estava com sua tia. Duddley no chão, tio Vernon encostado nas costas do sofá de Harry, McGonagall sentada calmamente em uma cadeira, e os dois desconhecidos olhando nervosamente para Harry, ambos em pé, cada um de um lado do diretor.

Enquanto Harry encarava as pessoas da sala uma a uma, o silêncio imperou no recinto, até que o seu suposto padrinho não conseguiu mais se conter.

"Eu sinto muito, muito mesmo por ter te assustado, Harry. É só que foi um choque tão grande ver você tão crescido e tão... grande."

Harry encarou o homem e arqueou uma sobrancelha.

"As pessoas tendem a crescer conforme o tempo passa, a menos que estejam sendo acometidas de alguma doença que impeça seu crescimento ou sejam anões. Fatos da vida. Passar treze anos sem nunca aparecer certamente causaria um padrinho a ver seu afilhado crescido quando fosse vê-lo."

O tom do menino era muito mais frio e tinha muito mais veneno do que Sirius teria preferido, mas o homem entendia.

E por isso ele sorriu.

"Eu posso explicar porque não apareci por tanto tempo."

O garoto simplesmente continuou olhando para o homem com uma expressão de educada curiosidade no rosto, uma manobra que ele havia aprendido com Fleur. Demonstrar hostilidade nunca era bom. Disfarçar hostilidade com polidez poderia vencer praticamente qualquer discussão. E Harry pretendia vencer.

E assim ele ouviu o trágico conto de Sirius Black e, bem, era realmente trágico. E Harry sentiu pena do homem.

Sirius tinha lágrimas nos olhos quando terminou sua história, e dirigiu um sorriso agradecido para Remus quando contou que fora ele quem reconhecera Peter e, portanto, ele devia sua liberdade a ele.

Harry escutou tudo em silêncio, mas todos podiam ver seus olhos suavizarem e ele olhar para Sirius sob uma outra luz. Ele estava buscando o resto da sua família também. Harry tinha uma, mas Sirius não tinha nada.

Bem, Sirius tinha Remus. O que o levava a uma questão muito curiosa.

"Mas se vocês todos eram tão amigos, quando... tudo aconteceu, por que Remus não ficou comigo? Se eram tão próximos, ele não seria a pessoa mais coerente?"

"Eu não podia pedir a sua guarda, Harry.", respondeu o homem, com uma voz um tanto cansada e triste, e Harry sentiu pena dele também, mesmo sem saber porquê, "Eu sou... Eu sou um lobisomem. E o resto é... auto-explicativo."

Quando terminou de falar, Remus parecia estar aguardando sua sentença de morte. Em parte, Harry entendia. Depois de três anos em uma escola de magia, entende-se o preconceito por trás das ações e os medos por trás desses preconceitos, mas Beauxbatons tinha uma política muito aberta sobre humanos, semi-humanos e outras raças. Remus, estava mais do que claro, não tinha orgulho de ser um lobisomem e estava esperando ser rejeitado por isso.

Bem, ele realmente não conhecia Harry se pensou que aquilo pudesse acontecer.

O menino levantou e caminhou até o homem mais velho, sorrindo de leve e erguendo-se na ponta dos pés para abraçá-lo.

"Eu entendo agora.", ele disse, alto e claro o suficiente para que todos o ouvissem, afastando-se de Remus que parecia encantado com o garoto à sua frente, "Mas mesmo que eu não tenha sido criado por vocês por razões que vocês não tinham controle sobre, não muda o fato que eu tenho uma família que me ama e que eu amo também. E eu simplesmente não me importo que eles sejam não-mágicos. Eles são minha família."

"Nós também somos.", disse Sirius, pela primeira vez em um tom realmente sério, "E nós merecemos uma chance. Eu não quero tirar você daqui, Harry, se você não quiser ir. Mas com o tempo, pode ser mais seguro para você conosco. Mais coisas para você ver e fazer."

O garoto mordeu o lábio inferior pensando, enquanto sua mão inconscientemente segurava a mão de sua tia. Ele queria muito ir, conhecer os dois homens que conheceram seus pais, mas ao mesmo tempo... era sua família.

Vendo sua indecisão, Minerva teve uma idéia, que ela propôs sem mencionar a Albus antes.

"E que tal um acordo? Algo como uma guarda partilhada? Parte das férias de verão e feriados Harry passaria aqui e parte delas com Sirius e Remus? Exceto por essas férias, que Harry passaria com seu padrinho, para que eles possam se conhecer melhor."

A proposta levou a uma enorme discussão, resolvida, surpreendentemente por Petunia.

Ela sabia o quanto doía perder alguém que se considera família. Ela perdera Lily e podia ver que aqueles dois homens haviam perdido quase um irmão também. E, bem, por mais que ela quisesse negar, Harry pertencia ao mundo deles.

E por isso foi decidido que dali a uma semana Harry iria para a sua nova casa, mas que voltaria todos os verões para passar metade das férias lá.

Fora a primeira vez desde que saíra de Beauxbatons que Harry não pensara em Jacques a cada dois minutos.

~*~

Antes que se diga qualquer outra coisa a mais, há que se dizer que Harry Potter, primeiro aluno de seu ano dois anos consecutivos em Beauxbatons, jovem fluente em francês, rapaz a caminho de dominar a arte do violino, excelente cavaleiro era, antes de tudo isso, um adolescente.

E todos os que já passaram por esta praga, digo, fase complicada, sabem que todo adolescente tem direito a mudar de idéia sobre qualquer assunto ou decisão com a mesma velocidade com que se muda de roupa.

Na verdade, muito mais rápido, porque trocar de roupa envolve botões, zíperes, armários, combinações de tecidos, climas, cores e efeitos, e mudar de idéia envolve simplesmente... mudar de idéia.

Simples.

Isto claro, podemos voltar à história. Harry havia ficado satisfeito com a idéia de passar as férias com 'seus padrinhos', como eles se referiam a si mesmos, Sirius e Remus, e depois que Petunia havia dado seu consentimento, ele havia aceitado a proposta alegre e rapidamente.

Foi apenas algumas horas mais tarde que ele começou a perceber as implicações de seu ato.

Ele não poderia ir visitar Fleur nas férias. Ele também teria que desmarcar a visita a Jacques, e a vinda de Jacques para a casa dos tios. Uma casa inteiramente mágica significava nenhum celular, nenhum computador e nenhuma televisão, bens que ele nunca prestara muita atenção, mas que sentia falta durante o ano e aproveitava para desfrutar durante as férias.

E foi pensando nisso tudo que Harry foi procurar seus tios às quatro e trinta e sete da manhã se sábado, porque não haveria jeito no universo de ele conseguir dormir tão preocupado como estava.

Como sempre, Vernon resolveu a parte 'comercial' do problema no dia seguinte, saindo com Harry e Duddley para comprar presentes de aniversário adiantados para ambos os meninos, o que no caso de Harry constituía em um laptop absolutamente último modelo que funcionaria perfeitamente em qualquer lugar (exceto um lugar cheio de magia. Mas Harry não sabia disso ainda, porque nunca havia tentando usar um aparelho eletrônico em Beauxbatons).

O resto... Bem, só o que Petunia poderia fazer era dizer para Harry telefonar para Jacques e explicar a situação, e então enviar uma carta para Fleur (mas só depois que estivesse com seus padrinhos, porque corujas eram bichos nojentos e sujos, e Harry definitivamente não deveria chegar perto deles) e explicar o que havia ocorrido também.

Harry seguiu as instruções da tia, pedindo, na verdade, que Jacques falasse com Fleur, o que ele prometeu fazer no mesmo dia que Harry pediu. Os garotos também combinaram que Harry tentaria convencer seus padrinhos a permitirem que Jacques fosse visitá-los antes que a escola começasse.

Quando o dia de sua partida finalmente chegou, Harry estava, em uma palavra, deprimido. Deixar sua casa para passar o ano na escola era normal, era o que todos faziam em certo ponto da vida, mas deixar sua casa... por outra casa? Ter outro lar? Como, exatamente, ele ia fazer isso? Não havia outra Petunia lá. Nem outro Vernon, ou outro Duddley, e ele sentiria tanta falta de todos eles.

Sirius e Remus chegaram cedinho da tarde e depois de uma despedida longa e chorosa (Remus podia jurar que viu Vernon secar uma lágrima), Sirius encolheu os pertences de Harry que eram encolhíveis e os demais foram colocados em contato com os bruxos, que então tomaram uma Chave do Portal.

E quando seus pés tocaram o gramado em frente à casa que supostamente também era sua, Harry ainda se sentia triste.

Era um belo lugar. Mas não era seu lar.


¹O título ali foi sugerido pela Mah Jeevas. Obrigadenha, moça xp~~


Capítulo menor e praticamente um enchedor de lingüiça, mas vocês abem que esses capitulinhos de transição são necessários. Então me mantenham feliz para eu postar o próximo rapidinho, que tal??

Sejam amorzinhos e

R E V I E W !