NA/ Eu realmente fico triste e feliz ao mesmo tempo. Enquanto me lisonjeei com o número de pessoas que leram a fic, me decepcionei extremamente com o fato de NENHUMA review. Peço encarecidamente por elas, já que agora a história começa a definitivamente ficar interessante. Aqui vai mais um capítulo da AUD, espero que gostem !

Capítulo 2 Novos Negócios

(BPOV)

-Ei, Bela Adormecida, hora de acordar! – eu conhecia aquela voz de algum lugar, mas não conseguia me recordar muito bem de onde – Johnny está procurando por você e eu tenho que matar saudades da minha melhor amiga.

Eu abri os olhos lentamente, esfregando-os com as costas das mãos. A vista desembaralhando deu lugar a lágrimas de emoção. Como eu sentia falta daquela garota.

-ALICE! – gritei e corri em direção ao seu abraço. Minha melhor amiga tinha um sorriso cansado nos lábios. – Não acredito que você está aqui, parece surreal. Foi o melhor presente que eu poderia ter ganhado.

-Também senti sua falta, Bella. – Ela admitiu, e começou a me apressar, com um falso entusiasmo que me preocupou. – Ande, querida, Johnny quer falar com você urgente.

Eu levantei da cama e me arrumei o mais rápido possível, vestindo a roupa mais simples que tinha, e tentando imaginar o que Johnny poderia querer comigo as sete horas da manhã. Minha mente divagou por tantos lugares que eu mal piscava, afinal, quem poderia saber o que ele queria? Este homem era conhecido exatamente por sua imprevisibilidade.

Terminei de me aprontar e corri até a sala de Johnny, não rápido o bastante para me impedir de tropeçar pelo menos cinco vezes nos meus pés antes de chegar até a porta. E não tão rápido para impedir minha mente de divagar pelo mais proibido dos desejos: minha liberdade.

Ah, como seria bom poder ser livre uma vez. Não tendo que me preocupar em ser perfeita, para não passar dias trancada no porão. Sem ter que me preocupar com o dia seguinte. Mera ilusão.

Johnny era o tipo de cara que conseguia tudo o que queria não pelo charme ou pela beleza, que por sinal ele não tinha, mas sim pelo dinheiro envolvido. Eu não gostava dele, ele era o tipo de cara arrogante com quem eu nunca sairia, mas cuidou de mim, de certa forma, então eu convivia de bom grado com ele.

Ele tinha lá pros seus quarenta e poucos anos, era moreno, alto e um pouco acima do peso, seus cabelos começavam a ficar grisalhos e isso era, como ele dizia, seu CHARME.

Parei em frente à porta e bati três vezes, sendo atendida novamente pela rude Penny.

-Bonjour, entre querida. – ouvi a voz de Johnny abafada pelo charuto. Passei por Penny e ouvi algo como "Como ele consegue gostar DISSO?", e entrei na sala, apreensiva.

Johnny apontou a cadeira mais próxima, à sua frente. Cruzou as mãos e começou a falar, com o mesmo olhar sereno de sempre, por trás dos óculos de sol que ele insistia em usar dentro de qualquer recinto:

-Aceita alguma coisa, petit? – ele ofereceu quase me fazendo rir. – Chá, café, champagne?

Ele me olhava com paciência, mas eu não estava no mesmo torpor que ele. Só o que eu queria era me livrar daquilo de uma vez. Passei as mãos no cabelo e cortei mais uma de suas ridículas tentativas de ser cortês.

-Olha, nós dois sabemos que não vim aqui tomar o chazinho da manhã e que você não quer perder seu tempo tanto quanto eu Johnny – aquelas palavras saíram da minha boca subitamente, e eu esperava seu acesso de raiva. Como não veio, continuei: - Chega de enrolação, o que está acontecendo?

-Penny, nos deixe sozinhos um minuto, sim? – Agora eu estava com medo. Penny era seu braço direito. O que seria tão demasiadamente importante para que ela tivesse que ficar de

fora da tramóia, seja lá o que fosse que ele estivesse aprontando.

-Primeiramente, feliz aniversário Isabella. Nunca estive tão contente em dizer isso para alguém. Você se tornou uma mulher, está cada vez mais bonita, inteligente e sagaz. Já se passaram os tempos em que você só dançar bastava. Os clientes estão querendo mais, serviços melhores...

-NÃO. – eu sabia que estava sendo insolente e que aquilo me renderia alguma punição com certeza, mas não prestaria àquilo. – Veja bem Andrew, não vou me submeter à sexo por dinheiro, você bem sabe.

-Escute bem, Isabella. – Agora ele estava irritado, não deveria ter usado aquele nome. – Você sabe tão bem quanto eu o quanto lutei para preservá-la durante todos esses anos. Tenho opções para você, ma'am, mas são apenas duas. Você escolhe o que vai ser.

-O que posso fazer para agradá-lo, Andrew? – Eu estava mais uma vez brincando com a sorte ao usar seu nome verdadeiro, mas ele estava me tirando do sério.

Um minuto se passou sem que ele dissesse nada, e me surpreendi quando, após dar mais uma baforada em seu charuto - o que quase me fez vomitar, odiava cheiro de fumo – ele deu um sorriso satisfeito e continuou a falar, ainda calmo:

- A situação é a seguinte: lembra-se do Conde Cullen? – Eu assenti, com uma pontada de medo. Quem não conhecia Carlisle Cullen, o conde inglês, que possuía um reinado tão extenso quanto qualquer um desse mundo? – Ele precisa apresentar o filho, Edward Cullen aos amigos em um jantar de gala.

-E onde eu me encaixo nisso? – arqueei uma sobrancelha, imaginando o que provavelmente teria de ser.

--Edward tem uma excelente aparência, claro, mas sua atitude hostil e o fato de nunca ser visto com mulher alguma fixamente o impede de ter aprovação – Típico. O filho do ricaço e suas mil amantes. – Sabe que os Cullen são a nata da burguesia inglesa, não? Precisamos mostrar Edward ao lado de uma mulher elegante, sagaz, inteligente, para que os Cavalheiros Vermelhos confiem a ele a sucessão do cargo de Carlisle, e ao menos o aceitem como membro honorário.

-E quer que eu seja sua vagabunda particular? – eu estava morrendo de raiva, mas tentei manter minha voz controlada, enquanto rosnava por entre os dentes cerrados. – Nem pensar.

-Eu não veria desse modo. Preferiria chama-la de acompanhante de luxo. Veja Bella, é uma opção melhor que vender o corpo, como você mesma diz. É sua melhor oportunidade, AGARRE-A.

-Agradeço a tudo que fez por mim JOHNNY – frisei o nome falso que ele adotara na França – mas estou fora. Não preciso de mais dinheiro, o que ganhei é suficiente.

-Ouça Swan, isso não se trata mais de você. Os Cavalheiros Vermelhos escondem algo que pode acabar conosco, e você e Alice devem descobrir o que é, antes que seja tarde. E você não pode sair depois de ter entrado, regras do ramo. Não estou lhe dando uma alternativa nula, a propósito. É isso ou programas. Pense, Isabella, é o melhor que vai conseguir.

Suspirei fundo, a batalha já perdida, disso eu tinha certeza. Senti os olhos lacrimejarem e queimarem, mas engoli o choro. Não deveria mostrar fraqueza para ele, NUNCA.

-Quando começo com o Cullen?

-O dossiê com as informações necessárias está em seu quarto. Você parte com Alice amanhã, ela te explicará tudo.

Levantei, assenti e já estava indo embora, quando Johnny falou uma ultima vez:

-Bella? – Eu apenas virei o rosto. – Sinto muito.