Capítulo 4 Os Cullen

(BPOV)

Chegamos em Londres na manhã seguinte, a viagem havia sido cansativa, e seguimos numa charrete até o castelo Cullen, aonde nos hospedaríamos. Alice se passaria por minha irmã mais velha, mesmo aos olhos dos Cullen, eles realmente achavam isso.

Ao olhar a paisagem a minha frente, meu queixo caiu. Estávamos diante de um dos castelos mais cobiçados do mundo, e ele parecia mais surreal ainda para mim assim, ao vivo. Apenas alguns criados nos aguardavam do lado de fora, como o imaginado. Os Cullen quase nunca saiam de dentro do castelo durante o dia, gostavam de ter uma vida mais noturna.

Descarregamos nossas bagagens e as levamos até o quarto que o mordomo havia indicado. Havia alguma coisa de errado naquele castelo. Ele era totalmente perfeito, propício para um conto de fadas e ainda assim dava um ar medonho, transmitia medo por cada aposento.

Ficou decidido por Alice que para que o plano pudesse ser posto em prática mais rapidamente, deveríamos ficar em quartos separados, para ocasionar certas "visitas noturnas" após um tempo. E quando houvesse visitas, eu deveria dormir no quarto do Cullen. Aquilo me dava medo.

Após o check in, fomos encaminhadas ao salão de jantar, para uma reunião com Carlisle, que, além de Edward, era o único que sabia da história da "acompanhante de luxo". Ao chegarmos lá nos deparamos com ele apenas, sorrindo serenamente. O gesto dele de indicar para nós as cadeiras à sua frente me foi familiar, e balancei a cabeça, espantando as imagens da discussão de dias atrás.

Ele levantou e puxou duas cadeiras para nós, ato cavalheiresco com certeza, mas não me deixei abalar, lembrando sempre das palavras de Alice.

-Bom, - ele falou, com uma voz linda – Acho que temos alguns detalhes para acertar. Meu filho preferiu não as conhecer agora para acertar os detalhes para essa noite, mais tarde vocês o conhecerão. Alice, sei que já falamos sobre os detalhes, mas preciso repetir as perguntas para a própria Isabella.

-Bella. – eu interrompi – Chame de Bella, eu prefiro.

-Faz jus ao apelido, Bella – disse ele galanteador, e eu me concentrava em não ceder aos encantos, ele não era uma boa companhia, Alice falara. – Bom deve saber que não é nada contra você, mas sim pré-requisitos da Alta Sociedade que uma moça seja totalmente decente para ser adequada a um Lorde. Não se ofenda com as perguntas, sim? – eu assenti e ele perguntou – Você fazia programas?

-Não, sempre neguei veementemente. Apenas dançava, não me submeteria a dinheiro por sexo.

Olhei Alice apreensiva, mas ela sorria discretamente, como que me dizendo que era assim que eu deveria agir.

-É virgem então, devo supor?

-Sim, sou pura ainda, se é o que me pergunta. Não me envolvi com homem algum.

-Claro, claro. Desculpe, mas eram coisas que precisava perguntar. – ele se dirigiu a Alice, falando menos calorosamente: - Bom Alice, sabe que temos um jantar de gala hoje a noite, aonde Bella será apresentada à família e à sociedade, para vermos como ela se porta certo? – Alice assentiu surpresa e ele continuou a falar. – Os vestidos de vocês estão em seus respectivos quartos e devem estar prontas às 19 horas.

-Certo conde, estaremos prontas. – Alice assentiu.

Ele fez uma longa reverência, como querendo mostrar hospitalidade. Alice olhou para mim desconfiada e indicou a saída. Saímos do salão seguidas pelo olhar sereno do conde, que se despediu com um breve "até logo".

Alice subiu as escadas correndo, me apressando a cada degrau. Eu me ocupava apenas em não cair. Abrimos a porta do quarto dela, que por hora seria o mais seguro para conversar e entramos, trancando a porta logo em seguida.

-Bella, devemos deixar algumas coisas claras entre a gente enquanto estivermos aqui – disse ela séria – não podemos cair em contradição.

-Certo, Alice. – eu concordei confusa – Mas me responda algo primeiro: porque deu nossos nomes verdadeiros?

-Porque Carlisle já me conhece, lembra? – eu assenti – Ele era o único da família presente no dia do noivado.

Ela fez uma longa pausa, provavelmente se recuperando das palavras família, Carlisle e noivado usadas numa mesma frase. Fechou os olhos por dois breves segundos e continuou a falar:

-Somos irmãs, morávamos na Bélgica, em uma cidade campestre. Nossos pais morreram em um acidente que destruiu nossa casa. Johnny nos encontrou e nos levou até o Lê Blanc, aonde vivemos desde então. Eu era a mais velha e dançava pra ganhar o dinheiro da família – eu ia interromper, mas ela me cortou – Não, Bella, eu vou me passar por isso sim, você foi a sempre pura, reservada para esse tipo de coisa.

-Já vi que não poderei contrariar.

-Exatamente, maninha. – ela ironizou. – Agora, detalhes sobre o que você deve fazer hoje à noite...

-Alice, me deixa tentar do jeito que eu sei, certo? – eu estava farta, eu sabia o que tinha que fazer. – Eu não devo me envolver logo de cara, tenho que mostrar indiferença. Homens como Cullen não estão acostumados a não ter o que querem. Estipular limites para a farsa, o de sempre.

-Exatamente, Bella – Alice sorria saltitante. – Como já arrumamos os detalhes, devemos começar a nos arrumar para o baile desta noite.

-MAS ALICE, AINDA SÃO 4 HORAS – eu arregalei os olhos, ela não queria ficar pronta uma hora antes certo?

-Bella, querida irmãzinha – Já conhecia aquele tom, me preparei pro que viria a seguir – PRECISAMOS DE TEMPO SE VOCÊ QUISER FAZER O QUE PRECISA FAZER!

-Alice, você venceu – ela riu da minha cara de cansaço. – Eu vou tomar banho então e quando estiver pronta venho para cá.

Eu ia saindo pela porta, mas Alice me puxou de volta. É, aquela baixinha me dava nos nervos. Arqueei uma sobrancelha quando ela disse:

-Tome o banho, vista um roupão e traga apenas o vestido e os sapatos que estiverem em sua cama. EU vou te produzir.

Ela fez um olhar de malvada e me mandou sair. Certo, agora eu realmente estava com medo. Alice podia ser bem imprevisível quando queria.

Segui até o quarto mais próximo ao fim do corredor e entrei, me espantando com a visão seguinte. Em cima da minha cama estavam: um par de sandálias de salto vermelhas e um vestido mais ou menos comprido, a saia aberta na perna, também vermelho, que eu não tinha a menor idéia de como ficaria em mim, mas certamente não era o que eu estava acostumada.

Entrei no banheiro e liguei a água da banheira, enquanto separava sais de banho de lírios e rosas vermelhas, minhas flores preferidas. Separei o roupão que Alice havia dito e todos os objetos necessários para minha higiene pessoal.

Ao esquentar a água, me despi e entrei devagar na banheira, deixando que a água quente percorresse meu corpo, desemaranhando os nós das minhas costas. Aquilo era realmente refrescante, quase me fazia esquecer o que eu havia ido fazer naquele castelo. QUASE.

Terminei meu banho e vesti o roupão, secando só as pontas dos meus cabelos com a toalha e saindo do banheiro. Peguei com cuidado os sapatos e o vestido, me dirigindo ao corredor.

Andei rápida e cautelosamente até o quarto de Alice, olhando para todos os lados. Eu estava sempre sob a impressão de estar sendo seguida naquele castelo.

(EPOV)

Eu andava calmo pelo castelo, indagando o porquê meu pai pensara em contratar alguém para ser minha acompanhante no baile das próximas noites. Aquilo não tinha cabimento, era como se eu próprio não conseguisse a mulher que eu quisesse.

Ouvi passos pelo corredor do meu quarto, mas ainda era cedo para qualquer um da família estar em casa. Rose e Esme estavam no salão, Emmet estava caçando, Carlisle arrumando o baile e eu havia acabado de chegar. Quem poderia ser? Concentrei-me em ouvir os pensamentos, e foi aí que a curiosidade me despertou. Nada vinha da mente da criatura que andava pelo corredor. Resolvi então seguir a pessoa, tomando cuidado para não ser visto. Foi quando um emaranhado de cabelos castanhos passou por mim rapidamente, fazendo com que o vento soprasse em minha direção. Enrijeci no mesmo instante e soltei um rosnado baixo.

Não era possível existir um cheiro tão forte como aquele, não agora. Saí correndo dali e fui imediatamente procurar Carlisle, ele TINHA que ter uma explicação plausível.

(BPOV)

Entrei no quarto de Alice, sem deixar de sentir um frio na espinha antes, aquilo estava me assustando. Ela já estava pronta quando eu entrei, e soltei um suspiro de inveja ao ver sua roupa. Porque ela podia se vestir confortavelmente e eu não?

Alice estava com um vestido verde baloné, e sapatos boneca verde musgo. Seus cabelos estavam no mesmo penteado despontado de sempre, mas elegantes, ela devia ter feito alguma coisa. A maquiagem nos mesmos tons de preto de sempre, realçando os olhos.

Ao me ver, ela soltou um sorriso, e me sentou na cama dela, pensativa. Fiquei com medo ao vê-la chegar cheia de utensílios capilares, mas não ia contrariar. Já me bastava o escândalo de mais cedo. Ela demorou certo tempo no cabelo e na maquiagem, eu não tinha a menor idéia de como estava, só sabia que a maquiagem era preta nos olhos e vermelha na boca. Ao terminar, ela pediu que eu colocasse o vestido e os sapatos, não deixando que eu me olhasse no espelho.

-Quero ver sua surpresa ao chegar no salão, Bella – ela justificou. – Lá você se olha.

Concordei a contra gosto e olhei no relógio antes de sair. Realmente Alice estava certa. Eram 19 horas em ponto. Fomos interrompidas quando um dos criados entrou pela porta e disse:

-Senhorita Alice, o conde lhe chama para ir no carro deles.

-E quanto a Bella, Pierre? – Alice perguntou.

-O Cullen já mandou sua limusine, ma'am.

Ok, eu estava amedrontada de ter que chegar sozinha

num jantar de gala que havia evoluído para baile sem que soubéssemos, e ainda teria que ir de limusine. Aquilo me apavorou, mas Alice me acalmou com um sorriso e eu tive que ceder.

Ela foi na frente, dirigindo-se ao carro dos Cullen, e cinco minutos depois eu fui dirigida à limusine, aonde o motorista me aguardava.

-Boa noite, senhorita – disse o motorista, cavalheiresco. – Qualquer coisa que precisar meu nome é Joseph, é só apertar o botão rente ao vidro.

Eu já ia perguntar que vidro quando Joseph apertou um botão ao seu lado, e uma janela subiu entre nós. Ótimo. Pelo menos até lá teria certa privacidade.

O caminho transcorreu tranqüilo, e por alguns minutos eu parecia uma criança sendo levada a um parque de diversões pela primeira vez, olhando tudo fora da janela com curiosidade.

Chegamos até o local do baile, que estava cheio de fotógrafos e imagens da Alta Burguesia inglesa. Respirei fundo, dei uma última checada no meu rosto pelo espelho e me dirigi até a porta. Não me deram chance de abri-la, é claro. Maldito costume inglês.

Um homem alto, pálido, com cabelos cor de bronze, olhos dourados e um sorriso encantador estendeu a mão para mim, e eu aceitei, saindo do carro preocupada em não levantar o vestido. Aquele sim era digno de um posto na burguesia, mas quem será que era?