Disclaimer: Saint Seiya e seus personagens não pertencem a mim. Esta é uma obra de fã para fãs, yaoi (relacionamento entre homens), feita para o Desafio de Drabble. Tema: Intensidade


Entrega

Sabiam que aquela seria sua única oportunidade. Portanto, uma noite especial. Não queriam pensar em nada. Nem em suas responsabilidades, nem em seus ferimentos. Estavam ali, vivos. Era o que bastava, por mais egoísta que pudesse parecer.

Dois corpos nus, dois homens marcados pelo destino, dois sobreviventes. Os últimos de sua geração. Logo a responsabilidade exigir-lhes-ia um grande sacrifício. Deixariam de viver, anular-se-iam como homens. Seriam apenas guerreiros.

Sob a luz da lua cheia, encontraram-se num ponto longíquo de tudo, de todos: os Cinco Picos Antigos de Rozan. Havia, somente, a cachoeira como testemunha. Sorriram, abraçaram-se, tocaram-se. Dois jovens inexperientes no amor.

Dohko riu. Não sabia ao certo por onde começar. Shion suspirou e nada falou. Deslizou a mão pelo corpo do libriano. Este, por sua vez, acariciou os longos cabelos loiros de seu parceiro.

Gemeram quase ao mesmo tempo. O chinês ficou na ponta dos pés e o ariano curvou-se levemente com o intuito de equiparar as alturas. Beijaram-se. Um beijo confuso. Um beijo que logo transformou-se em beijo de amor.

Dohko apartou a carícia, agachou-se e estendeu as vestes de ambos, outrora amassadas, ali. Ergueu-se novamente e estendeu a mão ao outro. Induziu-o a sentar-se sobre as peças e assim Shion o fez. Ficariam à mesma altura. Teriam maior liberdade.

Libra posicionou-se no colo de seu amado. Beijou-o novamente e tateou os músculos das costas de Shion. Este sentiu um arrepio percorrer sua coluna. Jamais sentira nada igual. Revidou com carícias um tanto quanto ousadas.

Amaram-se. Entregaram-se um ao outro. Pela primeira vez entendiam a magia do ato consumado. Uma sensação indescritível. Seus corpos pareciam renovados pela estranha corrente que ainda circulava através de suas veias, de seus músculos e provocava arritmia cardíaca neles. Olharam-se. Beijaram-se. Descansaram.

Deitados lado a lado, admiraram as estrelas. Lembraram dos amigos falecidos, da missão que os aguardava. Mais um longo silêncio. Mais uma entrega mútua.

Cada vez mais íntimos. Cada vez mais homens. O calor que os consumia por dentro implicava numa eterna união. A responsabilidade assumida, a separação. Jamais seriam os mesmos.

Estavam impregnados pelas sensações daquela descoberta. Haviam contagiado-se com o prazer, com o amor. Olhavam-se de forma diferente. Exibiam toda a cumplicidade adquirida ali. Um momento que prolongar-se-ia por toda a vida. Talvez além...

Pelo céu, Shion percebeu que a hora chegara. Apenas uma noite fora suficiente para mudar sua concepção a cerca da justiça, na nobreza por detrás dos gestos de Atena. Deveria, agora, partir para o Santuário para cumprir com seus deveres de Grande Mestre.

Ajudou Dohko a levantar-se. Vestiu-se. Ajudou-o a colocar o tradicional traje chinês. Despediu-se sem promessas, sem cobranças, sem palavras. Não olhou para trás.

Tudo tinha uma razão de ser. Provavelmente, Atena queria que ele conhecesse o amor e os sacrifícios de que somos capaz por causa dele. Só o tempo responderia. Só os anos o ensinariam. Enquanto isso, iria deleitar-se com as lembranças daquela noite de lua cheia.

Fim