Disclaimer: Saint Seiya e seus personagens não pertencem a mim. Esta é uma obra de fã para fãs, yaoi (relacionamento entre homens), feita para o Desafio de Drabble. Tema: Silêncio.
Encanto
Dia de sol intenso. Ausência de nuvens no céu. O imenso azul sobre si. De repente, os pássaros calaram-se, o característico ruído de uma sociedade moderna cessou. Arrepiou-se. Sentiu, pela primeira vez, como se novamente estivesse no fundo do mar.
Julian Solo lembrou-se do dia em que uma sereia o conduziu ao Templo de Poseidon. Desta vez sorriu perante o mar. O cheiro da água salgada inebriou-o. Nada o importunava. Não era mais um mero humano. Não era apenas o herdeiro de uma imensa fortuna. Era o deus dos mares.
Tinha, finalmente, a paz e a liberdade que tanto almejara. Como num sonho, uma bela melodia rompeu a quietude. Deixou-se envolver. Pelos seus conhecimentos, parecia ser uma flauta. Possivelmente uma flauta doce. Cerrou os olhos por instantes e, quando os abriu, a imagem de um estranho anjo aproximava-se de si.
A alguns metros de distância, um indivíduo de aparência humana tocava uma flauta de ouro. Estava trajado com uma espécie de armadura dourada. De suas costas, um par de asas de mesmo tom. Os curtos cabelos lilases e os olhos rosados eram contrários a tudo o que sempre imaginou.
– Quem és? – Julian perguntou num sussurro.
O estranho nada respondeu. Continuou a tocar a hipnotizante música enquanto aproximava-se. Parou muito próximo à reencarnação de Poseidon e deixou que este visse seu rosto. Sorriu diante da expressão surpresa ao ser reconhecido.
– Sorento? Mas... – por instantes, não sabia o que pensar. Aquele era o rosto do seu companheiro de viagem. – Como? Isto... é um sonho?
Novamente não obteve resposta. Entendeu que o outro preferia tocar. Parecia tentar seduzi-lo. Se fosse isso, estava conseguindo. Na verdade, já o havia conseguido há muito tempo. Só faltava agora que o herdeiro da família Solo demonstrasse seu afeto.
– Não importa. Você está lindo! A música é perfeita! – elogiou com sinceridade e aproximou-se do flautista.
Olhos nos olhos. Não foi preciso mais nenhuma palavra. Estavam felizes. Sorento percebera o quanto aquele homem o desejava, o amava, correspondia a seus sentimentos. Da mesma forma, Julian finalmente encontrava alguém desinteressado em seu dinheiro, alguém que queria, apenas, a sua companhia. Estavam juntos, estavam a sós.
Seguiram seus instintos. Seguiriam seus respectivos corações. Beijaram-se. Amaram-se. De fundo, apenas a musicalidade das ondas.
Fim
