Nota: Por favor, me perdoem!


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VIP's também tem suas aulas de medo

Lílian que rabiscava o rodapé do seu pesado livro de História da Magia surpreendeu-se com o cisne de papel que pousara em sua mesa. Ela olhou para os lados e viu Clarisse um pouco adiante, parecia quase dormir, enquanto, mais próxima à ela estava Hugo, lendo jornal sob a carteira. Ela abriu o papel e leu:

Por favor, me mate.

C. Scrimgeour

Suas sobrancelhas se arquearam e ela deu um riso de leve quando viu o professor de cabelos brancos, espetados, e olhos grandes e incrivelmente azuis avançar até a outra Sonserina.

-Então, Louvada Morgause! Diga, diga pra nós plebeus o quão efêmera foi à situação ordinária que Barbaronis passou ao enfrentar o chefe dos duendes de Goblin! Diga! –Ele brandia os braços freneticamente, como se estivesse levando uma descarga elétrica.

-Evidente. –Clarisse respondeu num resmungo enquanto cruzava os braços e se afastava com receio de levar uma pancada do professor. –Barbaronis ignorou o saber dos Duendes, achando que com uma varinha que mal funcionava conseguiria derrotar o chefe deles e tomar o ouro de Goblin para si.

-EXATAMENTE! –O professor berrou, fazendo todos que estavam dormindo ou distraídos saltarem de suas cadeiras. – 5 pontos para a Sonserina graças a Srta. Morgause de Avalon!

-Clarisse. –Ela corrigiu com irritação.

-Sim, sim, Morgause-Clarisse, como quiser. –Ele brincou e se afastou, continuando a falar sobre Barbaronis enquanto fazia uma espécie de dança pela sala.

Acho que entendo agora. Mas ainda não posso matar você. Quem sabe a Kim?

L. Potter

Ela mandou o cisne de volta e olhou para os lados, recebendo um olhar de desaprovação de Dominique.

-Quê isso Lily? –Ela perguntou baixo, se inclinando para a carteira da ruiva.

-Isso o quê? –Lílian perguntou fingindo-se confusa. –Não entendi, Nicky.

-Oras, você mandando esses bilhetinhos, é falta de respeito! –Ela revirou os olhos e cerrou os olhos ao mirar Clarisse. –Ainda mais com ela.

-Qual o problema com isso? Não é como se todo mundo estivesse prestando atenção na aula dele. –Lílian justificou e deu uma olhada no professor, que agora subira na cadeira e fingia fazer um discurso.

Kim? Ela não mata nem uma fada mordente. Agora diz se ele não é idiota?

C.

-O problema é esse. Olha como ela fala dos outros! –Dominique havia lido o bilhete por sobre o ombro de Lílian.

-Isso não é da sua conta. –Lílian afastou-se irritada. –Se reclama tanto, preste você atenção na aula!

Dominique olhou-a com choque e virou-se, empinando o queixo e fitando o professor. Seus lábios estavam comprimidos em desaprovação e irritação.

Bom, ele assusta. Sério. Ah, droga. Minha prima ta torrando a paciência, parece que ela NUNCA conversou por bilhete em alguma aula.

L.

Clarisse virou-se para ver de quem Lílian falava e em seguida virou-se, para escrever o bilhete.

Ah, Dominique Weasley. Esqueci-me que ela era sua prima. Bom, na verdade acho que ela nunca fez isso, não é como se ela tenha algum amigo além dos parentes, Lily. Sinceramente, sua prima é muito estranha. Ninguém a entende.

C.

Lílian deu uma olhada em Dominique, ela parecia escrever algo com pressa no caderno. Por mais bonita que fosse, e ela certamente era, Nicky não era rodeada de amigos ou fãs. Na maioria das vezes, as pessoas só davam por sua presença quando ela se pronunciava, tamanha era sua timidez e quietude. Mas isso não acontecia com Lílian, ou com os primos.

Nem é tanto assim, Clarisse. Ela só é a mais quieta e calma. Bom, vamos colocar introspectiva, mas quando você conhece melhor percebe que ela fala e age como qualquer uma da nossa idade. Eu acho.

L.

O professor novamente voltara-se para Clarisse na tentativa de abrir um debate sobre o conceito de magia dos porta-varinha e dos sem-varinha. Lílian mordeu o lábio inferior e mergulhou-se fundo em sua mente, tentando reorganizar seus pensamentos que estavam uma bagunça. Havia feito menos de 24 horas que ela estava na Sonserina, e por mais amedrontador, estranho e frustrante que fosse, ela sentia como se já fizesse parte dali desde sempre.

As recordações de sua época como Grifinória pareciam distantes, como num sonho maluco e ela sorriu, fitando os cabelos de Clarisse e Kimberly à frente, até agora ela não havia sido rejeitada, muito pelo contrário, as garotas faziam questão que ela estivesse por dentro, algo totalmente imprevisível de alguém que tinha o sobrenome dela e ainda viera de uma família originalmente Grifinória.

-maluco. –falou para si mesma.

-quem? –Hugo escutou-a, e ela percebeu que olhava para ela fazia certo tempo.

-quê? –Lílian voltou à realidade e fitou o primo. Ele mantinha os cadernos todos fechados e numa das mãos segurava um cubo com quadradinhos coloridos.

-você falou 'maluco'. Quem é maluco? –Ele esclareceu de maneira lenta, como se ela tivesse problemas para acompanhar o raciocínio.

-eu sei. Mas não é ninguém. Eu só pensei. –Lílian resmungou e enrolou o fio da madeixa nos dedos.

-ah sim. –Ele arqueou as sobrancelhas para o cisne que voltara a pousar na mesa da ruiva, após um tempo. –pelo visto ta ocupada.

E sorriu, virando-se para olhar a vista da janela.

Por isso Lílian adorava Hugo. Ele era calmo, esperto e parecia sempre saber agir em todos os momentos. Era de longe seu primo mais chegado.

Ok. Vou te dar um crédito, afinal, ela é sua prima e você não quer admitir a estranheza dela. Entendo. Ás vezes eu sou assim com relação à Cecília, ela tem certas atitudes de criança que me fazem querer cavar um buraco e me enterrar. E, POR SALAZAR, ESSE PROFESSOR ME TIRA DO SÉRIO!! Mas, continuando, veja o lado bom, não É toda a sua família assim. Na verdade, mesmo sendo metidinhos à corajosos e sabichões, tem alguns que se destacam. Acredite, é com relutância que admito isso.

C.

Lílian soltou uma risadinha e pensou em Tiago. Será que Clarisse se referia a ele? Por que certamente, o seu irmão era um dos mais populares de Hogwarts desde que começara a estudar. Isso se não fosse O mais popular.

-Srta. Potter! –O professor se materializara ao lado da cadeira da ruiva, e ela derrubou o bilhete no chão, levando um susto que fez muitos rirem. Inclusive Dominique.

-O... Oi! –Ela ajeitou-se, ainda nervosa, sem ter idéia do que o professor estivera falando durante quase toda a aula.

-Então, você que já esteve bastante na França, creio eu, conhece a história das veelas encantadas? É veelas, não velas, viram pessoas! –Ele brincou, rindo sozinho, e nem se importando.

-S... Sim. Acho. –Lílian enrolou, sabia algo sobre, mas nunca lhe chamara muita atenção, apesar da lenda ser famosa em Beauxbatons.

-Interessante. Você poderia dizer aos seus colegas quem foi Aristides Glecourestuse? –ele sorriu, os olhos brilhantes de entusiasmo enquanto Lílian queria afundar em sua carteira.

-Aristides? –Ela gaguejou, passando a mão pelos cabelos nervosamente. –A veela?

-EXATAMENTE! 5 pontos para a Sonserina! –ele gritou afastando-se aos pulos. –Aristides Glecourestuse nasceu em Genebra no ano de 1689, quando a França ainda se recuperava da epidemia da Peste Negra...

Com um suspiro de alívio, Lílian pegou o bilhete que havia caído no chão. Felizmente o Professor Ferguson era tão apaixonado por História da Magia que atropelava os próprios alunos em suas perguntas. À exceção de Clarisse. Parecia ser seu brinquedo de tortura preferido. Ou simplesmente uma adoração pela Sonserina mais amada e temida?

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VIP's adoram presentes

Lílian enfiou os livros de qualquer jeito na bolsa e levantou-se cansada. Finalmente a última aula do dia havia terminado, e aparentemente era a sua detestada até então. Herbologia. Ela nunca gostara de mexer com plantas, e pior ainda mexer naquelas que lançavam espinhos venenosos quando cortadas de maneira errada.

-poderia esperar um instante, Lílian? –o professor chamou-a antes que alcançasse a saída da estufa onde Clarisse e Kimberly à esperavam. Ela mordeu o lábio inferior e acenou para as duas que deram ombros e seguiram com o resto dos alunos que se retiravam.

-hei, quando sair passe na torre do relógio, Tiago quer falar com você. –Hugo gritou antes de ser arrastado por Dominique, que não trocara sequer uma palavra com a ruiva, mesmo elas trabalhando na mesma equipe.

-Oi tio Neville. –Lílian sorriu de leve para o professor que estava ajeitando os materiais que alguns alunos tinham desorganizado. Ele ergueu o olhar e deu um sorriso cativo, que fez a ruiva relaxar e se aproximar. –qual o problema?

-nenhum. Só queria conversar com a minha afilhada, não posso mais? –ele perguntou limpando as mãos e conjurando uma cadeira para Lílian se sentar.

-claro que pode, tio Neville! –Ela exclamou jogando a bolsa no chão. –só achei estranho.

É estranho assistir sua aula.

-entendo. Me sentia assim logo quando Tiago entrou, mas agora já me acostumei. –ele sorriu. –queria saber como você está. Mudar de casa, e para uma completamente diferente deve ter sido difícil.

-É mesmo. Mas está tudo ocorrendo bem, acho. Até agora não tive maiores problemas. –Ela sorriu feliz. –A Sonserina não é como dizem...

-Isso por que você faz parte dela. –ele comentou conjurando uma caixinha de madeira, com um laço vermelho de cetim. –para você. Um presente de boas-vindas.

-Ah, não precisava tio! –Lílian exclamou animada, pegando a caixa.

-precisava sim. Até por que não te dei presente de aniversário, lembra? Por causa daquela expedição e tudo o mais... –Ele suspirou. –De qualquer forma, melhor você ir que eu ainda tenho mais uma turma para ensinar.

-Sim. Claro. –A ruiva levantou-se e pegou a bolsa. –Até mais tio. Ou melhor, professor.

Ele deu uma leve risada.

-não pense que só por que sou seu padrinho vou facilitar pra você, hein, Lily. –Avisou ainda brincando. –Até por que sei que você ainda odeia Herbologia.

-eu sempre vou odiar tio Neville. –Lílian acenou e saiu da estufa.

Estava quase chegando à entrada da torre do relógio quando decidiu abrir a caixinha que o padrinho lhe dera. Qual não foi sua surpresa, ao ver que se tratava de um medalhão de prata com um pingente de vidro que continha uma espécie de pó brilhante.

-alguma coisa de alguma planta, provavelmente. –Lílian pensou, analisando melhor o objeto e lendo as palavras gravadas atrás do pingente. –"Amor Omnia Vincit". Que lindo!

Ela colocou o cordão no pescoço e seguiu para a torre.

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VIP's não temem nada

Estava andando calmamente em direção à torre do relógio quando seu braço foi puxado e ela deixou arrastar-se para uma alcova no pátio central. Olhou meio assustada para o dono das mãos fortes e quentes.

-Chad? –Reconheceu-o surpresa, olhando do rosto do garoto para as mãos dele em seu braço.

Ele sorriu e soltou-a.

-Potter. Desculpe pelo susto. –E colocou a mão nos bolsos. –Achei que você deveria saber que tem uma iniciação te esperando na Sala Comunal.

-Iniciação? –Lily arregalou os olhos com a voz trêmula. –Como assim?

-Ora, a conversa de Dean hoje de manhã. Você não pode ter esquecido. –Ele comentou meio exasperado, olhando em volta para certificar-se que ninguém o notava.

-Eu lembro! –Lily exclamou na defensiva e então suspirou. –Por que você está me avisando? É assim tão ruim?

Ele sorriu de canto com malícia. E Lílian sentiu vontade agarrá-lo bem ali.

-Nada tão ruim. –Ele falou rindo de alguma piada secreta. –Mas você talvez se estresse, por que a idéia partiu do Dean...

-Ai Merlin... O que aquele garoto aprontou? –Lílian dessa vez mostrou certo desespero, Dean parecia ser brilhante não só para as matérias, mas para inventar idéias também.

-Bom, isso eu não posso dizer. Mas se prepare. –Chad riu de leve começando a se afastar.

-Hei, como eu vou me preparar se eu nem sei o que me espera? –Lílian segurou o braço dele meio desesperada.

-Você é esperta, Potter. –Ele sorriu, soltando-se dela gentilmente e seguiu andando.

Lílian suspirou e seguiu para a torre, subindo os intermináveis lances de escada enquanto tentava pensar no que Dean poderia ter aprontado para ela. Se você estivesse na Grifinória nada disso teria acontecido, sinceramente Lily, você realmente achou que as coisas dariam certo? Aposto que eles vão fazer alguma coisa pra me humilhar e rir: "HAHAHA, A POTTER REALMENTE ACHOU QUE ELA ENTRARIA PRO CLUBINHO!"

-Hei, Lils, onde você está indo? –A voz de Tiago tirou-a de seus pensamentos e só então ela notou que andava de um lado para o outro na parede, como se tentasse achar uma saída entre os blocos de pedra.

-Ah, mano. –Sorriu parando com aquilo e indo abraçá-lo. –Hugo me disse que...

-Como você está? –Tiago cortou-a, andando em volta dela para se certificar de que não havia nada de errado.

-Qual o problema? –Lílian perguntou confusa, também se olhando para ver se havia alguma coisa errada.

-Você me diz. –Ele parou, coçando o queixo. –Você que dormiu no ninho de cobras e ficou o dia todo com eles.

-Oras, Tiago. Achei que tivesse alguma coisa importante! –Lílian resmungou meio irritada pelo comentário do irmão. A Sonserina não era tão ruim, pelo menos ainda.

Merda de iniciação, se eu sobreviver, mato aquele desgraçado do Dean!

-É importante, trata-se da sua saúde física e mental. –Ele revirou os olhos, como se aquilo fosse óbvio, e Lily notou que seu irmão tinha tendências paranóicas. –De fato, mamãe e papai mandaram uma carta, estão vindo a Hogwarts amanhã, aparentemente papai teve um ataque quando descobriu sua mudança...

-O QUÊ? –Lílian gritou assustada. Seus pais vindo para Hogwarts, não era bom. Definitivamente não era bom. Podia sentir o olhar desaprovador da mãe e decepcionado do pai nas suas costas, como sentira por um breve momento no dia anterior.

-É. Eles tem que conversar com você, aparentemente não disseram tudo o que tinham pra dizer sobre Beauxbatons... –Tiago falava pensativo, e então fixou o olhar na irmã. –Escute, não sei o que aconteceu lá, mas você não viria para Hogwarts tão em cima da hora, Lils. Sua mentira não colou, não comigo, ou Rose, ou Alvo.

Lílian encolheu-se ante ao olhar do irmão. Antes mesmo que pudesse tentar seu segredo seria revelado... E eles a odiariam. Tiago a odiaria, Rose, Dominique, Alvo, Hugo... Todos. Talvez por ter sido tão baixa o chapéu a mandara para a Sonserina. E agora seu futuro em Hogwarts estava arruinado, e mais uma vez ela sujaria o nome da família. Talvez seu pai a expulsasse de casa e a deserdasse, ela merecia isso.

-Preciso ir... Era só isso, Tiago? –Perguntou mantendo a voz firme, mesmo que estivesse a um fio de cair em lágrimas.

-Hum, basicamente sim. –O irmão deu ombros. –Está tudo bem, Lils?

-Tudo perfeito. Vou indo, Tiago. Já estou cheia de deveres pra fazer. –Lílian fingiu um suspiro de indignação e deu um beijo no rosto do irmão, descendo as escadas da torre correndo antes que ele pudesse impedi-la.

Merda. Eu estou muito ferrada.


Nota: Não vou responder reviews por que eu estou meio apressada hoje. Sim, depois de meses eu voltei com novo capítulo. Sinto muito mesmo, eu estava com bloqueio, fora as quinhentas coisas que aconteceram na minha vida nesse período. Mas graças, a inspiração voltou com força e eu voltei. Saibam que meu coração doía ao ver os comentários e eu sem criatividade nenhuma pra escrever. Então me perdoem mesmo. Vou tentar responder as reviews por emails. Esse capítulo é meio louco, por que o número 10 e 11 eu tinha escrito ano passado, em Setembro, e o 12 eu comecei em dezembro e terminei agora. Então, sei lá, se ficar confusa. Desculpem novamente!

Heather.