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Vip's socializam com todas as pessoas
- Lily?
A ruiva levantou o rosto dos braços e esperou que sua visão entrasse em foco. Meio desnorteada, olhou em volta vendo um bando de prateleiras e seus materiais dispersados pela mesa de madeira da biblioteca.
- Ah, droga. – Suspirou, esfregando os olhos. – Eu adormeci.
- Notei. Você está bem? – Dominique perguntou, e a ruiva lembrou-se da prima. Passou a mão pelos cabelos, provavelmente bagunçados e começou a arrumar suas coisas.
- Sim, sim. Eu... Acho que acabei dormindo no meio dos textos de História da Magia... – Sorriu irônica, lembrando-se de ter sonhado com uma guerra de duendes. – Que horas são?
- Tarde. – Dominique sentou-se em frente a ela. – Quase perto do jantar. Desde que horas você esteve estudando?
- Logo depois do almoço. – Lily bocejou. – Como você e Rose conseguem achar estudar divertido?
- Bem... Não que eu ache divertido. – Dominique deu um raro sorriso travesso. – Mas é uma obrigação, então o melhor é que eu pense que é divertido.
- Ah, claro. Isso é meio maluco. – Lily opinou, amarrando os cabelos de qualquer jeito. – O que você está fazendo aqui?
- Vim entregar alguns livros. – A loira colocou a mochila sobre a mesa e puxou um papel. – Toma isto pra você.
- O que é isso? – Lily pegou o pergaminho, resvalando os olhos pela letra perfeitamente arredondada de Dominique. – Cronograma de estudo?
- Sim. Tia Ginevra veio conversar comigo hoje cedo. – Dominique começou sutilmente. – Ela disse que você está tendo dificuldades com os assuntos e pediu pra eu ajudá-la.
Lily sentiu suas bochechas esquentarem. Ótimo. Tudo o que precisava era que sua mãe fosse pedir para sua prima ajudá-la com os estudos, como se ela fosse uma garotinha burra que não conseguisse estudar e tirar notas boas por conta própria, e tivesse que depender da prima inteligente e perfeita da família, Dominique.
- Olha, não precisa. – Começou, tentando devolver o pergaminho para a outra, mas Dominique afastou-se, cruzando os braços.
- De jeito nenhum, Lily. Fique com isso. – Dominique falou incisiva. – Eu quero te ajudar, então nem comece com essa sua teimosia!
- Não é teimosia!
- Ah, claro que não. – Dominique revirou os olhos. – Escute, vamos fazer assim, use esse cronograma para estudar sozinha e caso você tenha dificuldade em alguma coisa, me procure. Está bem?
- Dominique, eu já disse que...
- Não vou discutir com você, Lily. – A loira se levantou, colocando a mochila nas costas. – Tia Ginny me contou sua situação com as notas. Pelo menos uma vez admita que você precisa de ajuda.
- Dominique...
- Tchau, Lily. – A loira acenou, saindo dali antes que ela pudesse dizer qualquer outra coisa.
Lily jogou a folha na mesa, olhando com irritação para a estante a sua frente. Ora, bolas! O que Dominique pensava que estava fazendo? Ou pior, o que sua mãe pensava que estava fazendo? Ela não era uma incompetente, havia dito que se esforçaria para estudar, então por que eles já chamavam a prima correndo, como se ele não estivesse conseguindo? Mal havia começado.
Levantou-se, mal-humorada e marchou para fora da biblioteca.
- Hei Potter! Potter! – Escutou alguém chamar quando estava no corredor.
Virou-se para avistar um garotinho correndo em direção a ela, agitando um pergaminho nas mãos.
- Você... Deixou cair isso. – O garoto falou timidamente, estendendo o papel para ela, ansioso.
- Ah... Eu... – Ela reconheceu ser o cronograma de Dominique. Soltou um praguejo. – Obrigada. Nem tinha visto.
- Eu sei. Você estava distraída mesmo! – Ele abriu um sorriso largo e infantil.
- É, pois é. Hum... Obrigada. – Ela sorriu, pegando o pergaminho e enfiando-o no bolso de qualquer jeito. – Qual o seu nome?
- Peter. Peter Flaubert. – O garoto estufou o peito, estendendo a mão para ela.
A ruiva achou aquilo engraçado, e apertou a mão do rapazinho.
- Prazer em conhecê-lo, Peter. – Sorriu simpática. – Somos da mesma casa, não?
- Sim, somos. – Ele prontificou-se em responder. – Mas eu sou do primeiro ano ainda. Você é do quinto, não é? E você é VIP.
Ela deu uma risadinha.
- Algo assim. – Disse, achando cômico o modo como ele a olhava com uma mistura de espanto e adoração. Em Beauxbatons, as meninas novatas costumavam olhá-la assim, e ela tinha que admitir que a sensação era boa, principalmente quando seu ego estava maltradado. – Eu estava indo jantar, e você?
- Eu também! – Ele respondeu de supetão.
- Quer me acompanhar até o salão, Peter? – Sugeriu.
- Mas é claro, Srta. Potter. – Ele ajeitou a postura, colocando-se lado a lado com ela. – Seria uma honra.
- Não precisa tanto Peter. – Ela falou gentilmente. – Sabia que você é muito bonito?
E não estava mentindo. Lily tinha certeza que quando crescesse, Peter seria tão bonito quanto Dean era. Ela achou os dois parecidos na fisionomia. Porém, o garoto talvez não fosse ser tão alto quanto o amigo.
- Eu... Eu... – Ele gaguejou ficando muito vermelho, o que só a fez rir.
- Não precisa responder. – Ela deu tapinhas nos ombros dele. – Você tem muitos amigos?
Os dois começavam a descer as intermináveis escadas até o Rés do Chão. Olhando para os lados, Lily via alguns conhecidos usando outras escadas para se locomoverem pelo castelo.
- Acho que sim. – Peter deu ombros, e Lily o puxou antes que o garoto pisasse num degrau falso. Felizmente, durante aquela semana, não havia cometido nenhum desses erros, embora devesse agradecer Clarisse por isso. – Com certeza não mais do que você.
- Pois eu não acho. – Lily discordou. – Devemos ter o mesmo número de amigos, ambos somos novatos, não é mesmo?
- Ah... Mas você estudou aqui antes. – Ele contrapôs de forma esperta.
- É verdade. Talvez eu tenha um pouco mais. – Ela decidiu, rindo.
- Sabe, Lily, eu acho que você ter ido para a Sonserina é um máximo. – Ele disse animado. – Você é um máximo! Você e Scorpius, e Clarisse, e Dean, e Heather e...
- Os Vips? – Sugeriu Lily.
- Sim! Os Vips! – Ele exclamou, satisfeito. – Quando eu for mais velho, eu quero fazer parte.
- Pois eu tenho certeza que você fará. – Lily sorriu e os dois finalmente chegaram ao salão principal. – Obrigada pela companhia, Peter. Até mais.
- Até mais, Srta. Potter! – Ele exclamou animado e correu para encontrar o grupo de amigos primeiranistas na outra ponta da mesa.
Lily balançou a cabeça, sorrindo e encaminhou-se para onde estavam seus amigos. Era estranho quando outra pessoa a elogiava tanto, quer dizer, ela nem sabia o certo o porquê fora popularmente instantânea. Talvez pelos amigos. Sorriu para Clarisse, definitivamente pelos amigos.
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VIP's recebem propostas
- Clarisse andou caçoando de que você virou a rainha dos baixinhos, Lily. – Chad foi ao encontro dela, com um sorriso travesso nos lábios.
- Ah. Ela passou o jantar todo falando isso. – Lily bufou, deixando que o garoto enlaçasse sua cintura e a puxasse para perto.
Eles estavam no sexto andar, numa das inúmeras salas vazias que haviam por ali. Perto da janela que dava vista para o brilhante e calmo Lago. Chad havia dito para ela ir ao local, afinal, precisavam de um momento juntos, o que se tornava impossível durante o dia.
- O que aconteceu? – Ele perguntou.
Lily então se lembrou que o rapaz não estivera no jantar. Recriminou-se por nem ter sentido a falta de Chad, afinal, eles estavam juntos.
- Eu estava conversando com um garotinho do primeiro ano. – Lily sorriu divertida, lembrando-se de toda a atenção que Peter lhe reservara. – E por que você não foi ao jantar?
- Eu tive que ir pagar uma detenção. – Chad fechou a cara. – Eu desrespeitei o zelador. Na verdade, eu só falei o que eu pensava e ele se afetou. Mas a gente sabe que é pura inveja por que nós somos Vip's e essas coisas.
- Zelador? Nossa nunca vi esse cara. – Lily comentou, sentindo cócegas com a respiração de Chad em sua nuca. – Ele ainda é aquele velho e caquético?
- Não. Agora é um irritante e que aparece nas horas mais inusitadas. – Chad resmungou. – Mas não vamos ficar falando sobre ele agora.
Ele sorriu e beijou-a.
Lily correspondeu, automaticamente levando as mãos aos ombros dele e puxando-o para mais perto. O beijo logo se tornou mais profundo e Chad encostou-a no parapeito da janela, pressionando sua nuca em direção a ele.
A ruiva soltou um suspiro, Chad realmente sabia como beijar uma garota. Na verdade, de tudo o que acontecera desde sua chegada em Hogwarts, ter se agarrado com ele naquela festa havia sido sua melhor decisão.
- Lily? – Ele chamou-a assim que recuperou fôlego o suficiente.
- Sim? – Ela sorriu, acariciando os ombros dele.
- Você quer namorar comigo? – Ele perguntou, apertando-a de leve na cintura.
- Você... Tem certeza? – Lily perguntou visivelmente surpresa.
- Sim. – Ele sorriu, dando um selinho nela. – Eu quero ter um relacionamento sério com você.
Ela parou para pensar, consciente do nervosismo que ele demonstrava enquanto aguardava a resposta. Olhou firmemente para Chad, ele era bonito, inteligente e carinhoso com ela. E com certeza ela se sentia atraída por ele. Não era nada tão forte, mas ainda sim nada que pudesse ser ignorado. Além disso, Lily Potter poderia ter muitos namorados e flertes, mas nunca realmente se apaixonara em sua vida. Talvez Chad fosse o garoto especial.
- Mas é claro que sim! – Exclamou, puxando-o para um beijo.
Ele estreitou-a nos braços, inclinando-se sobre ela de forma a ter mais acesso a sua boca. Ela deixou que ele fizesse o que bem entendesse mais ocupada em passear as mãos pelos músculos do agora namorado. Sorriu contra sua boca.
- O que foi? – Ele perguntou, recuperando o fôlego, com um sorriso bobo no rosto.
- Não sei. Somos namorados, isso me deixa alegre. – Lily deu ombros, lhe tocando no queixo.
Ele alargou o sorriso.
- Ainda bem, não é? – Chad brincou, lhe dando um selinho.
Podia estar em supervisão da Diretoria, mas certamente que sua vida tava seguindo um rumo tranqüilo e alegre. Tudo estava se encaixando.
É possível recomeçar, pensou abraçando-o com força.
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Vip's tem doenças crônicas psicológicas
- FINALMENTE! – Heather exclamara alguns dias depois, saltando da poltrona e correndo até Lily assim que ela botara os pés na Sala Comunal. – Saía Chad, preciso roubar sua garota.
Com um beijo rápido e risonho o garoto afastou-se, em direção à Dean e Scorpius que até então faziam companhia à morena.
- O que aconteceu? – Lily perguntou curiosa, deixando ser arrastada até o dormitório.
- Espere, espere. – Ela praticamente corria, até por fim encontrarem-se em território seguro. – Você não sabe o que aconteceu!
- Não, não sei. – Lily sentou-se em sua cama, achando que provavelmente Heather estava exagerando sobre algo sem importância.
- Clarisse beijou seu irmão, James. – Comentou animada. – Eu sempre suspeitei que eles discutiam demais para pessoas que não se suportavam!
Lily arregalou os olhos, um sorriso animado ostentado nos lábios enquanto se levantava.
- Sério? Aonde foi isso?
- Ainda há pouco, no terceiro andar, eu vi sem querer na verdade. Estava com Scorpius e então, bam! – Ela disse. – O que você acha sobre isso?
- Eu acho ótimo, tive a mesma suspeita que você assim que vi os dois juntos pela primeira vez! Mas eles são tão cabeças-duras! – Lily soltou um suspiro e então aprumou-se. – E Scorpius, como reagiu?
- Ele riu. E fez uma piadinha que separou os dois, algo sobre o mundo podia acabar agora. – Heather meneou as mãos. – Você também acredita que ele sente algo por Clarisse? Kimberly insiste nisso até hoje, mas eu acho que não.
- É, não sei. Não é como se ele fosse um livro aberto.
- Verdade. Suspeito que ele esteja gostando de alguém agora. Acho que alguma menina da Finlândia, pois ele tem recebido uma quantidade anormal de cartas de lá.
A ruiva deu de ombros. Pouco lhe importava com quem aquele antipático se metia.
- Mas então... O que aconteceu quando eles se tocaram que haviam sido pegos?
- Se afastaram né. E começaram a discutir até cada um para seu canto. – Heather rolou os olhos. – Mas e você e Chad? Todos felizes e corados que me dá até inveja.
A ruiva corou, mas um sorriso bobo formou-se em seus lábios.
- Bem, estamos indo bem. – Declarara, abraçando um travesseiro. – E você Heath? Está gostando de alguém?
A morena rolou os olhos e soltou uma risadinha de descaso. E pela primeira vez de que a conhecera, Lily recriminou-se, no fim das contas parecia não saber nada de substancial de Heather. Era como se elas fossem chegadas, mas ao mesmo tempo não o fossem. Suspeitava se isto era apenas consigo ou uma característica inerente da outra em não comentar sua vida pessoal.
- Não, não. Até parece... Esses garotos de Hogwarts não me atraem eis a verdade. – Ela respondera alguns minutos depois, mais para si mesma, do que para Lily. – Bem, você vai voltar para a Sala? Eu tenho que ir, aula de feitiços.
- Hum, acho que vou sim. Só preciso pegar uns rolos de pergaminhos novos.
- Ok, então. Vou correndo, tenho que falar com Brailles da Corvinal, estamos fazendo um trabalho juntas. Lembra-se dela? Esteve na sua festa, alta, anoréxica, com voz de cigarra... Enfim, beijos.
E como um furacão a morena saíra do dormitório. Lily sorriu e foi abastecer seu estoque de pergaminhos e tintas para mais uma tarde cheia de aulas e seguidamente saíra do local.
A sala comunal estava vazia, os alunos encaminhando-se para suas aulas, quando ela tropeçara em alguém que saía do portal que levava ao dormitório masculino.
- Arre, desculpe! – Exclamara, levantando o olhar para mirar as orbes acinzentadas de Scorpius Malfoy. Como sempre, tão expressivas quanto uma pedra, a despeito da feição particularmente relaxava que o rapaz ostentava.
- Você vive trombando com os outros, Potter. Isso é uma espécie de déficit de atenção? – Ele retrucara. – Bem, explicaria você estudar feito uma condenada para manter as médias, acho que compreendo que não seja culpa sua, é uma deficiência.
E mesmo que sutilmente ele tivesse zombando-a, Lily não deixou de ficar impressionada o quanto de palavras que o loiro ousara trocar com ela. Então quer dizer que no fim das contas, ele estava dando o braço a torcer? Quer dizer, ela suspeitava que fosse apenas por causa de Chad, mas ainda assim, um inimigo a menos seria ótimo.
- Claro, Malfoy. Como você adivinhou? – Perguntara docemente, piscando ao rapaz enquanto caminhava mais a frente. – Não conte a ninguém, por favor.
Ela caminhava pelas masmorras e quando a voz dele soara alguns metros atrás dela, sobressaltou-a, pois achara que ele tivesse ficado na Sala Comunal. Em seguida, lembrara-se que ele e Heather eram do mesmo ano, então o loiro também tinha aula.
- Sim, já me disseram que eu tenho uma clarividência espetacular, obrigada.
- Ótimo. Monte uma barraquinha e ganhe dinheiro lendo as mãos e trazendo a pessoa amada de volta! – Ela revirara os olhos, esperando pelo momento que ele a deixaria falando sozinha.
- Pode ser. Interessada? – Desta vez ele já caminhava ao lado dela.
E Lily parou, pondo as mãos nos quadris e olhando-o diretamente.
- Ok. Se eu tenho déficit de atenção, você tem bipolaridade, Malfoy. Até onde eu saiba você me odeia e quer que eu seja extinta da face da terra.
Ele franziu o cenho, um sorrisinho preso nos lábios enquanto inclinava-se em direção à Lily.
- Não me lembro de ter dito isso, Potter. E, uou, você é muito tampinha. Agora eu sei por que Chad anda reclamando de dores nas costas. Vemos-nos, tampa de tinteiro.
E ele simplesmente saíra andando na frente.
- VAI SE LASCAR, MALFOY! – Ela gritara quando ele já estava longe o suficiente, ainda chocada em ter sido apelidada tão descaradamente. Bufando, ela voltou ao seu percurso.
Nota: Heeei! Eu totalmente travei nesse último mini-capítulo. Comecei ele início de Janeiro e só consegui terminar agora, então pode ser que, sei lá, tenha ficado meio estranho, certo? O que importa é que eis aí mais um capítulo. E eu fico tão feliz em saber que vocês ainda não desistiram de mim, sério mesmo. Eu merecia um nada, nenhuma favoritação, nenhum comentário mesmo, de tão péssima ficwriter que eu sou, sim. Mas continuam firme e forte, tudo pelo meu Scorpius gato, eu sei, rs. Então é isso gente, muito obrigada mesmo pelas reviews, elas que me dão impulso para continuar escrevendo essa fanfic e pensar em outras, claro. Espero que continuem enviando cada vez mais e me deixando super feliz. Um beijão, e ah, não sei se desejei na nota do capítulo anterior, mas espero que todos tenham um ano maravilhoso, ok? Se cuidem ;*
