3. Abra seu coração para mim.
"Just give in, don't give up baby
Se entrege, não desista, querido
Open up your heart and your mind to me"
Abra seu coração e sua mente para mim
Aquilo era um namoro, e Ron só percebeu isso na primeira briga. Ele achava (na sua falta de experiência) que poderia dar uns beijos em Lavender quando quisesse e pronto, sem cobranças, sem responsabilidades. Mas não era bem assim.
"O que você achou?", Lavender perguntou a ele, girando para mostrar alguma coisa que ele não identificou.
"Do que?", disse inocente. Foi o suficiente para a garota se chatear.
"Como 'do que?' Das minhas vestes novas, oras!" "Ah..." Claro que ele não ia perceber.
"É que são pretas iguais..."
"Não essas, Ronald", Lavender disse sem paciência. "Essas", e apontou para o novo suéter e a nova saia plissada.
Idênticos aos anteriores.
"Muito bonito, Lavender", disse Ron displicente, querendo deixar morrer o assunto. Mas Lavender resolveu perdoá-lo pela distração e enchê-lo de beijos. "Ok, Lav, deixa eu respirar"
"AAAAAWWW", ele se assustou com a exclamação dela.
"Que foi?"
"Você me chamou de Lav!"
"É... é um apelido carinhoso..."
"AAAWWWW".
Eles estavam agora sentados no sofá do salão comunal, o lugar, aliás, onde mais ficavam. Lavender tinha se recostado em seu peito, e Ron se permitia viajar no perfume dos cabelos loiros da namorada.
"Sabe de uma coisa, Ron?"
"O que?"
"Você precisa se abrir mais pra mim". Ele refletiu sobre o pedido, não muito convicto. Amassos eram uma coisa, agora vida privada era outra muuuuuito diferente.
Lavender levantou o rosto, ficando de frente para ele, sorrindo.
"Abra seu coração e sua mente pra mim".
Ron pôs o rosto redondo dela entre suas mãos e a beijou, como se isso fosse a resposta. Ela resolveu deixar, talvez esse fosse o jeito dele demonstrar alguma coisa, talvez ele não gostasse de falar muito, e preferia agir.
Só Ron sabia que, com os olhos fechados no beijo, ele poderia beijar quem quisesse.
Ele estava enlouquecendo. Tirando o banheiro, não havia um lugar sequer que ele fosse sem Lavender. Era uma sombra. A coisa começou a perder a graça. "Gostou do meu pingente novo, Ron?", ela apontou para o poodle em seu pescoço.
"Hum".
Hum era a palavra (ou som) que ele mais usava ultimamente. O tempo está bom, hum, meu cabelo está bonito, hum, o que acha do meu esmalte, hum.
"Tá vendo, Ron, você nem fala direito comigo. É só 'hum' pra tudo. Por que você não fala, alto e claro o que você acha?".
Porque você ia querer me matar, pensou ele.
"Achei bem legal, Lav. Bem sua cara", Ron disse em tom de fim de conversa.
