5. No silêncio da noite.


"And in the silence of the night

E no silêncio da noite

Through all the tears and all the lies"

Por entre todas as lágrimas e todas as mentiras


Ron gostava da noite porque podia sonhar sem ser interrompido pela sineta ou por um "Acorde, Sr. Weasley" de McGonagall. Porque tudo era silêncio, sem Won-Wons e olhares furtivos à uma Hermione que o ignorava. Porque deitado naquela cama, era só ele e o veludo. E ele podia conversar em silêncio com o tecido sobre os percalços do dia.

Aliás, que dia.

Em nenhum momento, dos raros momentos de conversa com Lavender, ele sequer citou a probabilidade de ele, quem sabe, gostar de uma coisa desengonçada daquelas. Já não bastavam aqueles malditos suéteres cor-de-tijolo que sua mãe mandava? Qual era a intenção? Andar com ele ao lado como um cachorrinho de desfile, e uma bonita coleira escrita "My Sweetheart"?

Qual era o problema daquela Lavender?


Os grifinórios atrasados acordaram assustados naquele primeiro de fevereiro. Aos gritos, o casal mais ilustre de namorados discutia a relação. Era um dia frio, e Lavender pegava fogo. Seu castelinho de cartas estava desmoronando. Mas não era a outra a culpada. Era ela mesma.

"Você não tem do que se culpar, Lavie. Eu avisei que o Ron era um insensível, um legume, um idiota, não era de se esperar que fosse ser o namorado mais..."

"Tá! Já entendi!". Ouvir de Parvati a verdade nua e crua fazia ela se sentir ainda pior. Mas agora ela estava lá, discutindo com o legume, indo pra aula de aparatação.


Quando precisavam ficar a sós, e isso acontecia com uma certa frequência, Ron já avisava Seamus e Harry, que se incumbiam de avisar Neville e Dean, que o quarto dos meninos estaria temporariamente fora de uso. E lá estavam eles.

Ron, sentado em sua cama, Lavender em seu colo, forçando o contato. Os beijos agressivos de sempre já não davam vazão, e a garota embrenhou uma mão sua por dentro da calça do rapaz, desespero, carência latente.

E as mãos de Ron, grandes, abarcavam os seios dela, Lavender ofegava, os olhos úmidos, na certeza de estar fazendo a coisa certa. Já estava nua, com Ron entrando nela, a dor que se tornou boa em segundos, mais rápido, mais forte. E quando tudo acabou, ela pode jurar que o ouviu dizer alguma coisa, embora não quisesse ter certeza.

Deitada com a cabeça em seu peito, uma lágrima escorreu de seu olho sem que ela pudesse contê-la. Todos os segundos ao lado dele, todas as palavras de incentivo, todos os carinhos que ela fez, cada nuque gasto naquele colar, nada disso era verdade pra Ron.

E no silêncio da noite, Lavender constatou: aquilo – eles – era uma mentira.

E por todos os afagos que ele queria da outra, e por todo o incentivo que ele queria que fosse da outra, e por todos os segundos de distância da outra, e por aquele colar não ser menor e dado pela outra, ele suspirou, cansado.

E no silêncio da noite, Ron constatou: aquilo – eles – era uma mentira.