Ei, pessoal? Tem alguém ai? Eu (ainda) estou viva, viu? Mil perdões pela (imensa) demora, esse capítulo quase que não sai. Mas pelo menos agora eu sei aonde essa história vai... Isso mesmo, já fiz uma resumo (gigante) até quase o fim da fic e muitas emoções estão por vir, assim a fic irá caminhar por caminhos mais maduros, para ficarem prevenidos ela vai para "M" nesse capítulo.
Mesmo pessoal, me desculpem, vai andar mais rápido agora que as férias tão chegando, eu pretendia até tentar postar o outro aind no fim de junho, mas a quantidade de trabalhos, provas e simulados não vão permitir u.u'''
Esse capítulo não é dos meus favoritos, mas é necessário para o desenrolar da história. Leiam com calma, há mais explicações no fim e temos um figurante especial nesse cap, não pude resistir em não coloca-lo, quem sabe se gostarem os outros não aparecem? o/
Avisos: Contém yaoi, dois garotos fofos apaixonados, não gosta, não leia (e principalmente, não reclame)! Ksks E também pode ter algumas palavras de baixo calão, estejam avisados.
Disclaimer: esses personagens não me pertencem, se pertecessem, eu estaria ganhando dinheiro fazendo seriado deles pra tv! ¬¬
Obs: Linguagem coloquial se faz presente em partes do texto com a finalidade de tornar a leitura mais leve e dinâmica.
n.a: Ta aqui o aviso que meu + novo leitor recomendou, vale pra todos os anteriores também. Ah e o nome do cap é baseado na musica "It's a man's, man's, man's world" que cantaram em Glee, ainda vou descobrir o cantor ou banda, espero que gostem.
Vamos lá! Antes que vocês morram de curiosidade! (ou me matem pela demora ¬¬)
Chapter 4:
It's an Adult's, Angry's and Adorable's world.
- No capítulo anterior-
- Shura! – uma voz feminina gritara.
Eles somente puderam ver Shura desgrudar a boca de Aiolos antes de ele dizer com uma expressão assustada:
- Mamãe...
-Alguns segundos depois –
Sua mãe estava ali, parada a alguns passos de si, com uma expressão chocada. Contudo, não era isso que o assustara tanto. Alguém estava pouco atrás dela, a face paralisada com a boca aberta – ele não sabia se de surpresa ou se de um grito que sufocara, provavelmente a muito custo-, era seu pai.
E nesse momento, somente uma palavra vinha à mente de Shura: "Merda". Antes de poder impedir-se, saiu de sua boca a frase mais clichê já pronunciada:
- Eu posso explicar, não é o que você está pensando. – então percebeu a besteira que disse, mas aí já era tarde, faltava só isso para ele explodir.
- Shura Alejandro Salazar! - gritou o homem, o rosto vermelho de raiva.
Oh, não. Ele estava mesmo irritado. Muito irritado, por que seu nome completo só saía nesse tom quando ele estava assim.
- Querido... – começou sua mãe, porém ele a impediu com um gesto.
- O que significa tudo isso? – o tom quase controlado apesar de ainda alto.
- Senhor, se acalme, vamos conversar... – tentou Aiolos pacificamente.
- Quieto! "Nós" não vamos conversar! –enfatizou o "nós", com a voz aguda em sua tentativa de não gritar - Eu estava falando com meu filho! Não com você, seu... seu... seu pedófilo! – esganiçou-se, fazendo Aiolos arregalar os olhos e as pessoas cochicharem - Saia já da minha casa! Todos vocês! Todos os Amintas! Fora daqui!
- Pai... – começou Shura chocado, sem acreditar no que ouvia - ...você não pode...
- Posso sim! Essa é minha casa e eu não vou deixar esse... esse monstro ficar aqui!
- Ei, não fale assim com o meu irmão! – Milo disse em tom irritado, ele acabara de subir junto com Camus.
- Quem você pensa que é para falar comigo desse jeito, moleque? – o senhor puxou Milo pelo braço com força.
- Me solta, ta machucando! – Aiolos ia parar com aquilo, mas Camus chegou primeiro.
- Solta ele.
- Mas o que... – e percebeu surpreso quem falara, diminuindo o tom de voz naturalmente - ...jovem Dubois?
- Eu. Disse. Solta. Ele. – falou mordaz, pausada e lentamente, os olhos tão frios que pareciam soltar chispas de gelo e deixar o local mais frio.
O homem obedeceu na mesma hora, por puro instinto, perdendo a compostura por um momento antes de buscar recuperá-la.
- O que vocês estão esperando? Saiam daqui!
Aiolos estava rangendo os dentes com raiva contida nos olhos chocolate, ia avançar, entretanto Shura apertou-lhe o braço e pediu que fosse, era melhor ele conversar com o pai e acalmá-lo. O loiro bufou e respirou fundo antes de, por puro costume, beijar o moreno na testa e sair, sendo seguido por Saga e Kanon que já há algum tempo estavam postados cada um do seu lado.
Aiolia e Mu também rumaram para a porta assim que o irmão começou a andar. Quando Aiolos e os outros passaram por Milo ele também foi dizendo adeus para Camus e completando a família.
Camus tentou ir com eles, contudo o senhor Salazar o parou pondo uma mão em seu ombro.
- Aonde vai?
- Acompanhá-los até a porta. – respondeu simplesmente como se fosse óbvio, porém teve de explicar ante a expressão confusa do homem – Meu pai disse para tratar os convidados como se fossem os meus, assim, a cortesia manda acompanhá-los até a porta. – e prosseguiu com um meio sorriso nos lábios finos, pois a expressão pasma do adulto o divertira.
Com passos rápidos, alcançou Milo, cuja expressão se suavizou ao ver o ruivo perto de si.
Logo chegaram à porta, saindo por ela com pressa, exceto Milo que parou para abraçar e se despedir de Camus, o qual arregalou os olhos, paralizado. Relaxou ao lembrar da conversa com sua mãe sobre os costumes do lugar e de como as pessoas daqui eram mais calorosas. Quando foi solto, desviou o olhar, percebendo que talvez tivesse corado.
- Quem é esse, Milo? – perguntou Mu curioso.
- É meu amigo Camus. – respondeu com um esboço de sorriso na face. – Oh, já ia me esquecendo! Camus, estes são meus irmãos: Saga e Kanon, - e ele apontou para ambos que sorriram, cada um ao ter seu nome pronunciado – Aiolos, - o mais velho acenou com a mão – miniatura do Aiolos, digo, Aiolia – e Milo se afastou rápido, rindo da cara brava do leonino – e o Mu. – este parou de rir ao ser nomeado e ter o olhar traído de Aiolia sobre si.
- Muito prazer em conhecê-los. – falou Camus, tentando conter o divertimento.
- Você vai ficar, Camus? – perguntou o escorpiano, contrariado.
- Vou ligar para os meus pais virem me buscar, só espero que já não estejam preparados para dormir... aí vai ser a volta toda ouvindo eles reclamarem... – e ele bufou, afastando a franja ruiva.
- Onde você mora? – perguntou Mu.
- Se não me engano são duas ruas depois do orfanato. Por quê? – falou o aquariano, fora assim que a mãe de Shura dissera mais cedo, era como falavam na Vila.
- Mas isso é quase do lado lá de casa! Será que não podemos leva-lo? – perguntou Mu para os mais velhos.
- Acho que não tem problema, mas seria melhor avisar seus pais... – comentou Saga.
- Eu vou ligar para eles, espera só um segundo. – e saiu correndo muito rápido.
Em poucos minutos o ruivo estava de volta com as faces vermelhas da corrida e apoiando as mãos no joelho para recuperar o fôlego, falou:
- Eles... deixaram... e agradeceram... a gentileza.
Eles saíram, sentindo o vento frio da noite gelar as faces e balançar os fios loiros e ruivos. O silencio os envolveu, cada um imerso nos próprios pensamentos, até Aiolia falar o que incomodava sua mente:
- Aiolos, que confusão foi aquela, afinal?
- É que... – e ele respirou fundo para tentar relaxar. - ...os pais do Shura não ficaram muito felizes em me ver beijando o filho deles – o tom era sarcástico e levemente amargo.
Mu piscou os violetas gravando como chamavam aquilo que fizera mais cedo, contudo, franziu o cenho para o resto da frase.
- Por que eles não ficaram felizes? Você e o Shura pareciam muito felizes.
- Entenda, Mu. – docemente começou Saga que já tinha se afeiçoado ao ariano. – As pessoas não aceitam, elas consideram errado, dois homens e mesmo duas mulheres se gostarem desse jeito, se beijarem e essas coisas...
- E também parece que incomoda a diferença de idade... – ponderou Kanon - ...pelo menos, foi o que deram a entender com aquele escândalo.
Todos piscaram pensativos, concordando.
- Então você e o Shura tão juntos, não é, Aiolos? – perguntou Milo espertamente.
- É, nós estamos namorando. Só espero que os pais dele lidem bem com isso. – Aiolos suspirou ao passar pela casa do Amintas e logo pelo orfanato.
**A-.-S**
-Enquanto isso, depois dos convidados terem saído, na Casa de Shura-
- Por que o senhor os expulsou, pai? Por que falou daquele jeito? – começou Shura em tom magoado, o cenho franzido enquanto se sentava tenso numa das confortáveis cadeiras do aposento.
- O que você esperava, meu filho? – levantou-se tempestivo, indignado demais para ficar sentado – Acha pouco o que aquele... aquela... aquilo estava fazendo com você? Está transformando você?
- Não fale assim dele!
- Eu falo sim, é a verdade! – respondeu elevando a voz.
- Querido, se acalme. – quis intervir a mãe.
- Eu não quero me acalmar! – gritou.
Shura ia protestar, mas sua mãe o impediu com um gesto, respirando fundo para não se abalar, ela quebrou o silêncio constrangedor que preenchia o local:
- Shura querido, por favor, diga que entendemos errado. Diga que ele estava te beijando a força e você estava tentando fugir...
Havia tanta esperança nos olhos e na voz dela que Shura engoliu em seco, uma sensação ruim espalhando-se por todo o seu corpo. Desviou o olhar, cerrando os punhos, criando coragem para responder, porque ele sabia que se não fosse sincero a sensação seria mil vezes pior.
Quando ele se voltou para a mãe, a expressão estava fechada e os verde-opala tão secos e duros que escondiam muitos dos sentimentos feridos dele.
- Por mais que eu saiba qual a resposta que a senhora quer ouvir, eu não posso da-la, porque a senhora me ensinou a não mentir, não para vocês, pelo menos. Eu amo ele. - e nesse ponto a voz e expressão se suavizaram levemente – E eu queria que ele me beijasse. – nisso, sua mãe abaixou o rosto e os olhos de seu pai saltaram das órbitas enquanto os lábios se apertavam - Eu queria! – seu pai fez um gesto de indignação, aproximando-se raivoso – Eu mal podia esperar para que ele me beijasse de novo!
Todos paralizaram focados em Shura que mordeu a língua, mesmo sabendo que de nada adiantaria para apagar o que dissera.
- De novo, Shura?Isso já aconteceu antes? – perguntou perigosamente calmo o pai.
- Sim – respondeu desviando os verde-opala, desejando não ter corado.
- Quando, Shura? – continuou naquele tom, ocasionando um nó na garganta do filho.
- Qual a diferença, afinal? Ele é o Aiolos, pai. O Aiolos! Aquele que você elogiava tanto, aquela pessoa tão responsável, aquilo que o senhor sempre dizia sobre ele, como era? Lembrei: "Esse garoto tem futuro nos negócios, nunca vi ninguém vender como ele, os Amintas devem estar tão orgulhosos". Isso mudou, por acaso?
- Não mude de assunto! – esquivou-se – Quando foi, Shura? Por que, que eu saiba, faz dois anos que Aiolos não vem a Vila!
- Exatamente. – bufou a contragosto – Faz dois anos que ele me beijou.
- Eu sabia! Eu disse! – e ele olhou para a esposa que levantara o rosto exibindo algumas lagrimas negras, pois lavavam a maquiagem. – Eu disse que ele era um pedófilo!
- Pare de dizer isso! Você não sabe do que esta falando!
- Não sei? O que mais eu não sei, Shura? Vamos, diga! Você gosta de se verstir de mulher? Ou já houve outros? Vamos, eu aguento! Diz que já saiu com metade da Vila ou... não me diga que você já... você já... com ele? Você não fez aquilo com ele, fez?
- Aquilo? – perguntou confuso, todas as outras loucuras ditas pelo pai haviam apenas o divertido, essa foi a única que o intrigou, contudo a expressão do homem esclareceu tudo. – Se nós transamos? Você enlouqueceu? Eu tinha 14 anos!
- Ainda bem! Eu mataria aquele garoto se ele tivesse feito alguma coisa!
- Querido, se ele fez algo, você pode nos contar, não precisa ter medo, nós vamos te proteger – sussurrou a mãe.
- Em que mundo vocês estão? Não aconteceu nada! E parem com essa historia de pedófilo! Ele só é quatro anos mais velho do que eu. Quatro anos! Qual a diferença de idade entre vocês? Ahn? Dez anos! Quando você tinha vinte, pai, a mãe tinha dez, o que você me diz disso? – nesse ponto até a imensa paciência de Shura esvaía-se como um copo cheio furado.
- Não fale assim comigo, Shura! Eu sou seu pai e você me deve respeito e obediência! Você não vai mais vê-lo e conversa encerrada!
- Conversa? Que conversa? Só ouvi o senhor gritando! Me deixa explicar, se você soubesse o quanto...
- Já chega, eu já ouvi demais, já soube coisas demais! Você está proibido de vê-lo, falar com ele, pensar nele!
Atônito, o moreno abriu os lábios para protestar, todavia sua indignação era tão grande, sua magoa tão profunda que nada pode dizer, somente fechou-os, apertando-os com força e engolindo em seco. O nó na garganta aumentara e sua face se contorceu numa expressão de dor, dando alguns passos para trás, disse:
- Já chega. Não dá para conversar com você assim, não existe conversa se um dos lados não escuta. Vou esperar você terminar seu monólogo e se acalmar. Com licença. – ele virou-se e saiu, correndo pela escada pulando alguns degraus, chegou ao quarto e entrou, sem esquecer de bater a porta com força.
**S-A**
- Olha, é aquela ali. – apontou o ruivo para uma casa – se é que podiam chamar assim – que ocupava toda a esquina, era impossível dizer se era a maior da Vila ou se a de Shura o era.
- Nossa! É imensa – espantou-se Mu.
- E bonita. – continuou Milo com a boca entreaberta – É tão branca – flou maravilhado pelo mármore bem trabalhado que compunha a pequena escada, que levava a porta e os detalhes nas janelas e nos muros.
- Eu também gostei dela quando vi, esperem para ver por dentro. – sorriu de leve Camus, contente por sua nova casa ter agradado.
- Não sei se é sensato. – replicou Saga.
- É, já é tarde. – completou Kanon.
- Se é assim... mas você pode vir outro dia, certo, Milo? – perguntou o ruivo.
- Claro, qualquer dia... Que tal amanha? – piscou o escorpiano, rindo.
- Perfeito! – um sorriso curvou-lhe os lábios finos, vendo todos a sua volta, uma idéia nasceu na sua cabeça – Ei, vamos entrar um pouco? A mãe vai querer agradecer quem trouxe o filho dela para casa a salvo e agora são meus amigos.
Protestando um pouco, todos entraram seguindo Camus em silêncio, ao chegar perto da porta que levava a sala, ele parou abruptamente. Isso fez todos terem de parar, colidindo com o da frente, até mesmo Aiolia que estava atrás de Mu, apoiando-o pela cintura para mantê-lo em pé quando ele quis ir para trás e dar espaço a todos.
Virou-se querendo ver quem estava atrás de si, roçando o nariz com o de Aiolia, as respirações se misturando, tão colados que era possível sentir a batida rápida do coração do leonino contra as próprias costas querendo com desespero acompanhar a sua.
Eles se separaram, constrangidos, sem conseguirem olhar um para o outro. Antes de reunirem coragem para se encararem, a atenção, não só deles, mas de todos, foi tomada pelas vozes na sala de estar.
O que parara Camus no começo fora perceber seus pais, na sala, conversando num francês rápido. Por estarem num país diferente precisavam falar a língua local, entretanto, no conforto da própria casa era desnecessário.
- O que eles estão falando? – perguntou Milo curioso.
- Deixa de ser intrometido, Milo! – disse Aiolia implicante.
- Parece que eles estão falando de uma reunião... Deve ser aquela que foram na cidade quando chegamos. Acho a mãe quer que o pai contrate alguém da reunião, disse que é um jovem muito talentoso, mas isso é difícil, pois o pai só contrata os melhores ou os que já foram recomendados ou que fizeram algo impressionante. – respondeu Camus a meia-voz, sem ouvir Aiolia.
- Camus! – uma voz aguda e infantil gritou e uma criatura de cabelos loiros e pele de alabastro correu vindo da escada para abraçar o ruivo forte pela cintura.
- Hyoga! Você devia estar dormindo!
- Mas que confusão é esta? – perguntou Natasha saindo da sala junto com o marido.
Ela olhou para Camus com aquele olhar de "o que você está fazendo aí, escondido na entrada da sala?".
- Oi, mère, père (1)... Acabamos de chegar, esses são meus amigos que vinheram me deixar, eu os chamei para entrar porque achei que a senhora ia gostar de conhecê-los. Aí esse pestinha aqui do meu irmãozinho (2) – e ele assanhou os fios loiros de Hyoga – apareceu gritando.
Natasha ergueu uma sobrancelha bem desenhada, quando Camus falava assim, tudo tão rápido e explicadinho, era ou por estar nervoso ou por esconder algo ou ambos. Revirou os olhos com um sorriso teimoso nos lábios de mãe, soltando o ruivo do aperto de Hyoga para pô-lo nos braços.
- Você vai para a cama, mocinho, amanha conversaremos sobre ficar acordado até tarde – falou para o loiro, passando-o para o pai leva-lo para cima.
- Eu não estava acordado! Eu fui no banheiro e ouvi vozes aqui embaixo! – disse o infantil aquariano, defendendo-se o melhor que podia com seus sete anos.
- Então falaremos dessa sua curiosidade a essa hora da noite. – replicou a jovem mãe ao que o filho fez um bico adorável e o ruivo riu – Falarei com você também. – cochichou para o filho mais velho cujo sorriso morreu.
Os Amintas se apresentaram e conversaram ainda um pouco antes de irem e Milo confirmou que viria pela manha. Conversando com a brisa fria os envolvendo voltaram o caminho indo para casa.
*C++M*
Shura descia degrau por degrau com cautela para fazer o mínimo de barulho possível. Até tentara dormir, porém os acontecimentos daquela noite foram demais para sua pobre mente que se preocupava com tanta felicidade.
Quando o pé descalço tocou o mármore gelado assustou-se, voltando um degrau, praguejou, vasculhando o local até ver uma de suas chinelas, correndo até ela e calçando-a para depois se esgueirar até a sala onde guardavam os presentes.
Depois de muito procurar pela caligrafia longa e inclinada de Aiolos, encontrou um embrulho verde-água cheio de figuras de cabritinhos e bodes, engoliu um palavrão preferindo soltar uma risada forçada ao se lembrar de quando Aiolos fazia brincadeiras por Shura ser do signo de capricórnio. Abriu logo, pondo o cartão verde de lado enquanto desdobrava o casaco de frio verde-musgo; sorriu levemente e ainda mais quando leu o cartão:
"Já que você não gosta de frio. Ao vesti-lo, será então como se meus braços te rodeassem e aquecessem. Aiolos. "
Vestiu o casaco, percebendo-se corado e aquecido. O loiro era muito bom com palavras, provavelmente uma herança de família, pensou divertido fazendo o caminho inverso; queria dormir com o casaco e pôr o cartão debaixo do travesseiro como o bobo apaixonado que se tornara, apesar de que nunca admitiria nem ter pensado em fazer isso.
Ainda imerso em pensamentos, chegou à escada, contudo, um baque junto com o barulho de vidro quebrando e a voz alterada de seu pai o despertaram:
- É a única solução que há se não conseguirmos por juízo na cabeça desse menino, vamos mandá-lo para longe daqui e desse...
- Querido! – interrompeu, afastando o tapete com os cacos do copo que ele derrubara – Não vamos nos precipitar.
Reconstou-se na porta entreaberta, espiando a conversa.
- Não estou me precipitando! Se ele continuar com isso vai direto para o colégio militar na cidade, ou melhor, lá não, porque aquilo deve estar por lá. Vamos mandar para uma escola no exterior, o senhor Dubois deve conhecer algumas de alto nível na França...
- O que! Vocês não estão falando sério! - intrometeu-se Shura, abrindo toda a porta.
- Não fale comigo nesse tom! – gritou – Você vai para um internato, receber educação que merece e esquecer essa loucura!
- Se por loucura você quer dizer o meu amor por Aiolos, então eu sou um louco porque eu não vou esquecê-lo! – fez um gesto impaciente para impedir o pai de protestar, os verde-opala mais determinados do que jamais viram – É sempre assim com vocês, sempre vamos esquecer, ignorar, afastar o que não gostamos! O que incomoda! Vocês me querem longe? Pois o mais longe que eu vou é para junto do Aiolos! – e em passos largos e furiosos chegou a porta.
- Shura! – tentou impedi-lo a mãe, porém já era tarde, a porta da casa bateu com estrondo e o silencio tomou conta do local.
Ele não se importou com o vento frio cortando-lhe as faces , tampouco com seus pés já doloridos, correu para o único lugar que poderia ficar em paz e ser acolhido: a casa de Aiolos.
Sentiu um aperto no peito ao ver a casa toda escura. Ele tinha esquecido completamente da hora, as luzes já estavam apagadas e todos deveriam estar dormindo. Pensando rápido, rumou para a casa da arvore que construíram háá alguns anos, pouco antes de Aiolos partir.
*S/A*
O que Shura não sabia era que lá na cozinha, no térreo, havia, sim, luz e duas pessoas acordadas. Depois de terem chegado, Aiolos encontrou sua mãe ainda de pé, na camisola dourada preferida dela, e juntos colocaram os garotos para dormir antes dela chama-lo para conversarem na cozinha.
- Vamos direto ao assunto, Aiolos – começou em seu tom altivo e, no momento, um pouco preocupado, entregando um copo de leite para o filho. – A mãe do Shura me ligou há algumas horas e ela me contou... o que aconteceu na festa... – ela hesitou um pouco, sentando-se na frente e segurando as mãos do filho - ... é verdade? – continuou sem precisar realmente dizer a que se referia.
Ele suspirou mais levemente mais calmo ao responder:
- É sim, mãe. Eu gosto do Shura. Não, não só gosto, eu o amo e nós estamos, sim, namorando.
- Oh! – exclamou a mulher, apertando mais as mãos entre as suas. – É mais sério do que eu pensava. – comentou, refletindo sobre a situação.
- É muito sério, mãe. Entenda, eu nunca me senti assim antes. Nunca precisei tanto de alguém. Esses dois anos que eu fiquei longe foram torturantes! Eu só sobrevivi na esperança de hoje ele aceitar meus sentimentos e ele sente o mesmo!
- Se acalme, meu amor, e explique isso direito, sim? – pediu em tom compreensivo.
Eles passaram mais algumas horas conversando até Aiolos contar tudo o que acontecera; conversaram muito e no fim, a mulher sorriu, feliz por seu filho estar apaixonado, apesar de que ainda precisaria de um tempo para se acostumar com a idéia e para conversar com o marido e quem sabe com os pais de Shura também.
Deixou o filho ir. Lavando o copo e falando para a cozinha aparentemente vazia.
- Você sempre gostou de ficar ouvindo e analisando tudo a sua volta sem que percebessem, não é, Saga?
- Só a senhora mesmo pra notar, mãe. – a voz deliciosamente rouca (3) comentou, adentrando a cozinha.
- E o que você deduziu dessa conversa? – ela virou o rosto para mostrar o meio sorriso e a sobrancelha erguida em espera.
- Que a senhora é uma mãe compreensiva, mas ainda tenho algumas duvidas do quanto. – sussurrou o final, mas o silencio da casa permitiu que reverberasse pelo local fracamente.
- Então é por isso que nunca me contou quem é a pessoa que você gosta?
- Como você... – começou, mesmo já imaginando a resposta.
- Eu sou sua mãe, esqueceu? – ele virou o rosto, talvez para esconder o rubor, ao que ela se aproximou – O que você achou que aconteceria? Que eu pararia de te amar? Que sentiria nojo ou repulsa? Que o expulsasse de casa?
Os olhos azuis diziam que sim, mesmo Saga sabendo que era irracional, uma parte sua, não conseguia conter a apreensão.
- Meu amor, foi você que foi nos afastando...
- Eu sei, me desculpe, isso é natural, quando se esconde algo... Mãe, isso quer dizer que a senhora está bem com tudo isso? Que aceita?
- Deixe-me lhe fazer só uma pergunta antes de responder: Você é feliz com ele?
- Sim... – sussurrou, ainda temendo erguer os azuis da cor do mar. – eu nunca tinha entendido esse conceito de felicidade antes disso...
- Então, o que mais uma mãe pode querer? Venha cá, meu filho. – e abriu os braços num convite que ele aceitou. – Meus dois filhos mais velhos felizes? Eu não poderia pedir mais. Amanhã eu quero felicitar o Kanon, sim?
- Claro, obrigado, mãe.
Ele se deixou envolver pelo abraço, uma lagrima solitária de felicidade escorrendo por seu rosto. Fazia tanto tempo que queria compartilhar da sua união com Kanon com a família, que queria ser aceito por eles, mas nunca conseguiu nem dizer para eles antes de sair de casa com ele. Respirou em paz, se livrando finalmente daquele aperto no peito que o seguia há tanto tempo, enfim livre.
*SK*
- No outro dia – quase na hora do almoço
A mãe de Aiolos estava na cozinha, há algumas horas se livrara do loiro saltitante – conhecido também como Milo – que implorava para ela deixa-lo ir para casa de Camus. Agora fazia o almoço enquanto conversava com o marido sobre Aiolos, Saga e Kanon.
Ela revirou os olhos e suspirou diante dos protestos dele, sabia que não seria fácil para ambos, todavia, seu maior desejo era ver os filhos felizes e se para tanto precisasse desistir de certos sonhos – como casamento, uma boa nora, netos com seu sangue – assim seria. Afinal, ela ainda tinha outros filhos.
Cortou os argumentos do marido, indo atender a porta dando de cara com um dos motivos de sua discussão: Shura, na verdade, os pais dele.
Muito irritados e meio desesperados, eles explicaram que o filho saíra de casa desde ontem a noite e não voltara mais.
- O que? O Shura sumiu? – perguntou Aiolos não acreditando no que ouvia.
- Isso tudo é culpa sua, seu...! – começou o pai de Shura ao que foi impedido pelo de Aiolos.
- Você não vai completar essa frase se for pra insultar o meu filho, na minha frente e na nossa casa. Shura não está aqui, é melhor formarmos grupos de busca para procurá-lo.
- Não queremos mais escândalo! – contrapôs o pai, e ao ver Aiolos bufar, pegar o casaco e rumar para a porta – Aonde você pensa que vai?
- Para os lugares onde o Shura gosta de se esconder. Eu conheço todos. Se vocês preferem ficar discutindo, eu vou procurar o Shura. – e saiu, o baque da porta ecoando no aposento.
*A-+-S*
- Mesmo dia – no fim da tarde –
- Você era mias criativo quando se tratava de se esconder... – comentou Aiolos com um sorriso de lado e as mãos nos quadris na porta da casa da arvore.
- E, mesmo assim, você sempre consegue me achar... – sorriu sereno, contente por ter Aiolos ali com ele.
- Vamos, Shura, vamos voltar para casa. – a expressão tornara-se séria – Seus pais estão preocupados.
- Não, eles não estão! Eles querem me mandar para a França! Para um internato ou algo assim! – gritou indignado, erguendo-se nos joelhos, a voz querendo quebrar.
- Calma, Shura, me explica isso direito... – pediu, abraçando-o por trás e sentando-o com as costas apoiadas em seu peito e entre suas pernas.
Ficou deslizando os dedos pelos fios negros enquanto ouvia o moreno contar todas as discussões desde que os Amintas deixaram à festa.
- Shura, eles só estavam irritados e não é algo que se aceite muito fácil, entende? Dê um tempo para eles. E se, na pior das hipóteses, você for para a França, pense bem, você já tem 16 anos, daqui a dois anos, eles não poderão te impedir de voltar. Só prometa não me trocar por um francesinho... – brincou, fazendo cócegas na cintura dele para tentar anima-lo.
- Oh, isso vai ser difícil! – riu, esquivando-se das mãos do loiro que insistiram ainda mais nas cócegas depois do comentário – Para, Aiolos! Já chega! – ele parou – É sério, eu não quero ficar mais dois anos longe de você... – falou languidamente, aproximando seu rosto ao do loiro que inclinou a cabeça ainda tentadoramente distante - ...esperar dois anos para dizerem que eu sou adulto, vou provar antes disso que sou responsável o suficiente para te namorar... – Os narizes se encostaram e as respirações se misturando já que o moreno se esticara todo para se aproximar, expondo o pescoço e o pomo-de-adão proeminente.
- Mesmo? Será que você consegue? – provocou o loiro se afastando de leve.
- Por que não conseguiria? – bufou confuso com uma sobrancelha erguida.
- Não era você quem sempre reclamava por agir feito adulto? Meus parabéns, você agiu feito um perfeito adolescente, fugindo desse jeito. – sorriu divertido usando dois dedos para imitar uma pessoa fugindo.
- Pfff! – o moreno revirou os verde-opala, fazendo bico, voltando-se para frente e cruzando os braços, tratando o loiro como uma parede.
- Unmmm, não fica assim, vem, vamos para casa! – disse manhoso, levantando-se e ao moreno.
Depois de pôr Shura de pé, passou na frente, levando-o pela mão alguns passos.
- Mas antes... – parou como se lembrasse de algo.
Aiolos puxou a mão direita que segurava e entrelaçou os dedos, com a outra mão envolveu a cintura, colando os corpos. Uniu os lábios para roubar um beijo lento e sensual da boca carnuda do moreno, o qual se assustou na hora, mas depois relaxou, rendendo-se ao beijo e suspirando com os dedos que acariciavam suas costas.
Continua...
(1) mère/père = mãe e pai em francês.
(2) Taí o figurante e um dos motivos da mãe de Camus ser a Natasha, isso será melhor explicado futuramente, não se preocupem.
(3) Já disse que me derreto pela voz do dublador do Saga? Não consigo imaginar ele sem aquela voz...
O nome do Shura não tem nada haver com Harry Potter (mesmo eu amando Harry Potter), aqui vai por que eu escolhi:
Alejandro Espanhol:Variante Espanhola De Alexander.
Salazar:Espanhol: Nome De Tradicional Família Espanhola. (Ta, tem um pouco haver com hp sim, fazer o q? u.u')
\o/ Terminei, era pra ter postado no fim de semana passado, pra term uma idéia de como eu to lotada de coisas pra fazer... mas eu consegui! O aiolos com a mão na cintura só me lembrou do Wilson de House ksksks. Qualquer erro me perdoem, tenho um trabalho pra fazer e um simulado pra estudar, por isso me apressei para não esperarem mais. Breve em julho + capítulos!
E quanto as reviews:
Eu tenho novos leitores! *pula de alegria*
Obrigada por acompanharem essa viagem louca e divertida que é essa fic: Mila Angelica, Juno L., G'uillermo M'ond e Juliabelas. E desculpem pela demora! Agradeço também a todos os outros, o apoio de vocês é muito importante!
E dêem uma olhada no meu profile lá pro fim do mês também, pode aparecer uma surpresa.^.^ e vejam minhas (e dos meus outros eus) fics no fictionpress, link no meu profile.
Até o próximo capítulo! (ou review, se você tiver gostado do que leu ^.^.)
