Disclaimer: Saint Seiya não me pertence. Escrevi a fic por diversão, não ganho nada com isso, além dos comentários de vocês.

Aviso: Esse capítulo contém yaoi (relacionamento entre homens).

Boa leitua!


Falling in Love Again

Capítulo 3: Longo Dia

Depois de ingerir alimento, o corpo passa por um processo de intensa atividade, quando o metabolismo está em sua máxima funcionalidade fazendo o que chamamos de digestão e absorção de nutrientes. O sistema parassimpático prepara os músculos para um estágio de descanso, assim grande parte do sangue poderá ser concentrada nas áreas onde se realiza a digestão.

Em outras palavras, depois do almoço, não há um animal que não sinta aquela vontade louca de tirar um cochilo básico em uma caminha macia.

Isso só prova que nossa "preguiça" pós-almoço tem explicações e fundamentações fisiológicas. É bom ficar deitado ou sentado, lendo um livro ou dormindo após a refeição mais completa do dia. Não existe crime algum em querer satisfazer as necessidades naturais do organismo.

– Pela última vez, Kamus, eu estou cansado!

Contudo, ainda tem gente no mundo que prefere ser "do contra" e fazer tudo errado. Ao invés de dormir depois do almoço para fazer a digestão, prefere fazer algo como um passeio pelas margens frias de um lago ou ir comprar soverte e chocolates no centro, que ficava a mais de quatro quilômetros de distância.

E como discutir com louco não é nada saudável – não que fazer exercícios depois do almoço seja – seria melhor arrumar um pouco de energia para realizar essas tarefas que aparentavam ser impossíveis àquela hora do dia.

– Só se for cansado de comer, Milo! Você não fez pxxxx nenhuma desde que acordou! Nem ajudar no almoço você ajudou... E agora fica aí jogado no sofá reclamando que ta cansado.

– Você também não ajudou no almoço – Milo reclamou dando um longo bocejo, que fez Kamus repetir o gesto com igual lentidão. – Ta vendo! Não sou só eu que estou cansado – ele disse vitorioso apontando o bocejo que ainda não tinha acabado.

– Não vem ao caso. Vamos comprar sorvete.

O francês se levantou do sofá, onde estivera sentado, e foi buscar um casaco para ele e para Milo no quarto. O escorpiano nem se moveu, estava com a barriga cheia e tudo que desejava era poder engordar em paz, sentado naquele maldito sofá.

– Ta frio pra comer sorvete, Kamus – ele comentou de olhos fechados.

– Não importa! Eu gosto de sorvete no frio.

E lá estava o ruivo de volta, vestido com um casaco negro de couro envelhecido e um outro na mão, para o namorado. Ele tinha uma energia jovial no rosto e uma ansiedade fora do comum.

– Não vai adiantar discutir, né? Eu vou ter que ir de qualquer forma.

O francês concordou com a cabeça alegremente e jogou o casaco na cabeça do loiro, que reclamou alguma coisa que foi ignorada.

Lá fora estava um frio gostoso, sem exagero. Kamus respirou fundo encarando as montanhas a sua volta. Altas elevações com picos cobertos de neve... Pareciam bolos de Natal, confeitados com um glacê do mais puro branco. A saudade da França aumentou em seu peito, gostaria de estar esquiando, ou talvez passeando por Paris em uma tarde ensolarada.

Seu coração se apertou ainda mais ao lembrar de sua mãe, uma mulher com curtos cabelos ruivos, um sorriso apimentado e um espírito livre. Ela quase lhe lembrava Milo na forma de ser, sempre determinada a subjugar o mundo com um simples e único olhar. Sentia falta da voz, do toque e do cheiro bom que ela tinha. Sentia saudades até mesmo das broncas que levava, brigas de amor.

O pai estava feliz com a volta ao país de origem, mas não ele. Kamus sentia falta do calor da Grécia – apesar de amar o frio – o tempo seco, as pessoas alegres nas ruas, faladeiras, festeiras. Sentira muita saudade das praias gregas e, sobretudo, de Milo.

Agora, o francês olhava para as montanhas de chocolate cobertas de glacê e sentia seu estômago se fechar de tanta saudade de casa e dos pais. Porém, ao mesmo tempo, ele sentia que tinha feito a escolha certa, pois não conseguiria viver nem mais um dia longe de Milo. Mesmo que tivesse que morar em outro país, não se arrependia, a França nunca sairia do lugar, mas ele não tinha certeza se encontraria o amor de Milo no mesmo lugar se demorasse mais algum tempo.

Vendo sob essa perspectiva, fazia sentido tomar sorvete no frio. Sair do ambiente fechado do chalé e olhar um pouco para toda aquela natureza em volta. Sentir-se mais próximo das montanhas de chocolate, do frio e de soverte de macadâmia ou framboesa. Quem sabe assim ele se sentiria mais próximo da França? O vinho estragado não tinha ajudado muito.

O francês deu um sorriso melancólico, estava saudoso de casa, mas estava feliz.

Un jour... Um dia eu volto pra casa, maman.

– Do que está rindo, ruivo?

Kamus de repente se deu conta de que estava com cara de idiota olhando pra cima e rindo sozinho. Sacudiu a cabeça e encarou o grego, que usava um pesado casaco e luvas para proteger as mãos.

– Nada não, loiro. Vamos? – Milo concordou com a cabeça e o puxou para o carro logo, antes que Kamus resolvesse ir andando.

Ele não está bem. Preciso saber o que incomoda Kamus.

OoOoO

Milo não era o único preguiçoso por ali. Máscara da Morte dormia um sono ferrado, enquanto Afrodite e Aioria passavam o tempo jogando buraco na varanda da frente da casa. Notaram quando Milo e Kamus saíram com o Renault prata para um passeio, mas não se interessaram realmente pelo motivo da saída dos amigos.

Já era a quarta vez que Afrodite ganhava o jogo e deixava Aioria com cara de bobo. A brincadeira estava interessante para o pisciano, mas o outro já estava cheio de tanto perder e finalmente resolveu confessar que buraco não era mesmo seu jogo.

– Chega! Não agüento mais perder!

– Ah... Só mais um, Oria, to esquentando...

O leonino fez uma cara feia para o amigo e se levantou olhando em volta. Estava começando a esfriar.

– Vamos fazer uma pipoca e ver um filme?

O sueco concordou rapidamente. Estava entediado naquele lugar quieto e Máscara da Morte só fazia dormir, ia apodrecer na cama daquele jeito.

– Vou chamar Mu e ver se ele quer também.

– Ótimo! Deixa que eu arrumo a bagunça... – o outro reclamou organizando as cartas do baralho, enquanto Aioria entrava em casa sem nem lhe dar atenção.

Mu estava deitado de bruços na cama lendo uma revista, com fones enfiados nos ouvidos, alheio a tudo a sua volta. Parecia tão confortável ali que Aioria ficou imaginando se deveria perturbá-lo.

A resposta para isso parecia óbvia – é claro que ele iria perturbar. Porém, antes de acabar com a alegria do ariano, Aioria encostou-se na porta o observando. Mu tinha um corpo tão bem feito, era bonito, inteligente, bom gosto, sabia tocar guitarra muito bem... Era meio maluco, isso é verdade, mas era amável quando queria e sincero além da conta.

O leonino não sabia quanto tempo fazia que estava ali parado apenas olhando, pareceram alguns segundos, mas na verdade tinha ficado ali por um bom tempo, tanto que o tibetano o encarou por cima do ombro depois de um tempo e logo desviou a atenção de volta para a revista.

Aioria se aproximou, sentando-se na cama ao lado de Mu. O tibetano o encarou com o canto dos olhos, mas não se mexeu, então o baterista puxou seus fones de ouvido. Ouviu a música por dois segundos e meio e os largou na cama com uma expressão que mesclava o horror e uma que os pais fazem quando o filho querido faz alguma coisa que consideram estranho.

– Eca! – Exclamou prontamente exteriorizando sua decepção.

O ariano, irritado por ter sido interrompido, pegou de volta seus fones e lançou ao grego um olhar fulminante, como se pudesse matá-lo com a mente.

– Não me olhe assim! Eu é que devia tentar te matar agora...

Aioria parecia zangado, para não dizer com raiva de alguma coisa que ouvira vindo daqueles fones. O que quer que tenha sido deveria ser alguma coisa realmente ruim, porque ele se mostrava indignado.

– E posso saber por quê? – Perguntou o outro sem esperar nenhuma resposta criativa em troca.

– Porque você nem teve a decência de tentar esconder que ouve esse tipo de porcaria!!!

– Não é porcaria! – Mu se sentia ultrajado, quem era Aioria para julgá-lo agora? – É uma música muito boa, fique sabendo você!

Aioria o encarou descrente, cruzando os braços no peito como uma criança mimada que não quer dar o braço a torcer. Estava irritado, fazendo cara feia, sem querer ouvir realmente uma explicação vinda do tibetano, por melhor que ela pudesse ser.

– É coisa de emo! – Completou, como se pudesse insultá-lo com isso.

Mas Mu apenas ignorou a raiva dele, não queria brigar por tão pouco, estava apenas defendendo seu ponto de vista.

– Não é nada – respondeu sem dar importância.

– É SIM! – E Aioria aparentava estar se irritando ainda mais com o esforço que Mu fazia para não brigarem.

– E se for!?

O leonino prendeu a respiração. Até o tempo havia parado, como se dessa forma pudesse apagar o que tinha acabado de acontecer naquele quarto.

– Você nos traiu! – Ele completou finalmente, voltando a respirar, como se estivesse muito ferido.

– Eu não traí ninguém! Qual o problema de eu ouvir uma música inocente do Good Charlotte? Isso nem é considerado Emocore, mas sim punk-rock. (1)

O que diabos Aioria tinha com isso? Se ele queria escutar músicas folclóricas, rock, punk, ninguém tinha naca com isso além dele mesmo.

– Você é um guitarrista de uma banda de metal e ouve música de emo? E ainda tem a coragem de dizer isso com essa cara lavada como se nada tivesse acontecido?

– Não vejo problema nenhum em gostar de ambos os estilos.

Aioria cai da cama de repente e se levanta mais espantado do que irritado ou dolorido. Achou que não tinha ouvido direito, mas a julgar pela expressão inabalada do ariano, ele tinha ouvido bem demais.

– Só pode estar brincando! Isso é um ultraje! Uma traição! Uma heresia! – ele disse com as mãos na cintura, encarando Mu como se fosse um bispo a condenar um pecador.

Se estivéssemos na Idade Média, a Santa Inquisição deveria condenar Mu à morte imediatamente – isso na cabeça perturbada de Aioria. Ele não entendia como alguém poderia gostar de estilos diferentes de música. Mas afinal, qual é o problema?

A briga e os gritos acabaram por chamar a atenção de Afrodite, que vinha com um montinho de pipocas em uma das mãos, mastigando as mesmas. Ele parou olhando de um para o outro – foi um daqueles momentos em que um tenta matar o outro com a imaginação.

– Ei! Que barulheira é essa aqui? Vocês tão gritando mais alto que a Shakira... – ele tinha uma nota de irritação profunda na voz. (2)

– Esse... Esse... Ele nos traiu, Afrodite! Você acredita nisso?

Afrodite arregalou os olhos colocando a mão livre no peito em um gesto de indignação, como se pudesse estar realmente magoado com algo que nem sabia que Mu poderia ter feito.

– Ah fala sério Aioria... Você é um exagerado!

Afrodite não entendeu nada. Sentou-se na cama e virou-se para o mais sensato ali – bem, nem tanto – e perguntou a Mu o que estava acontecendo.

– Você traiu quem? – Ele assumiu um tom sério. Esperava uma bomba, algo que pudesse estragar seus planos de juntar aqueles dois pombinhos e isso definitivamente não seria nada bom para eles.

– Ninguém! Esse palhaço ta assim afetado só porque eu to ouvindo o CD do Good Charlotte.

Afrodite arregalou os olhos e se levantou no mesmo instante – e pobre das pipocas que foram ao chão –, parando ao lado de Aioria com as mãos na cintura, assim como o grego. Exibia a mesma expressão de indignação no rosto.

– Você é um traidor, Mu... Como um guitarrista de uma banda de metal pode ouvir Emocore? Bem que eu sempre achei estranho esse seu cabeço tingido de lilás... – ele completou balançando a cabeça como se estivesse muito desapontado.

Aioria ficou confuso, tentou se lembrar se aquilo faria algum sentido. Não. Na verdade os punks e outras tribos também pintavam o cabelo, logo não via problema nisso.

– O que tem o cabelo com o fato de ele ser emo?

– Não tem? – O sueco pareceu confuso com a pergunta.

– Não...

– Ah ta... foi mal, achei que tinha.

Aioria encolheu os ombros rindo amarelo. Tudo bem, todo mundo erra. Mas sabe quem não pode errar? O Mu! Porque ele não sabe brincar.

– Da pra vocês pararem? EU NÃO SOU EMO!!!

– Esse é o primeiro sintoma! A negação – sorriu um triunfante Aioria.

O ariano estava a ponto de se levantar daquela cama e descer a poxxxxx naqueles dois que teimavam em insultá-lo daquela maneira. Felizmente o socorro chegava a passos ligeiros, irrompendo a porta com um olhar assustado e um pote de sorvete de macadâmia em mãos – bem, não era exatamente isso que Mu esperava, mas servia por enquanto.

– Que gritaria é essa aqui? Será que vocês podem fazer mais barulho? – Kamus entrava pelo quarto seguido de perto por Milo.

O francês e o grego tinham acabado de voltar de seu passeio vespertino pelo centro da cidade, trazendo o sorvete de Kamus. Mal haviam pisado no chalé e escutaram uma gritaria vinda do quarto, eram Afrodite, Aioria e Mu, pareciam discutir sobre alguma coisa realmente idiota.

E Kamus não estava errado.

– Não me digam que é uma barata! – Milo tremeu da cabeça aos pés só de imaginar a cena que acontecera não fazia muito tempo em seu quarto.

– Não... – os outros três responderam juntos revirando os olhos.

– Então o que é isso?

Kamus começava a imaginar as coisas loucas que poderiam ter ocorrido. Em sua cabeça o pior começou a se fazer notar. Afrodite deu com a língua nos dentes e agora Aioria e Mu estão zangados com ele! Só podia mesmo... Ele não agüenta guardar segredo.

Mas não era bem isso. Afrodite se propôs a explicar a situação, já que Aioria estava tão furioso que se abrisse a boca seria para xingar até a décima geração de Mu – se é que ele chegaria a ter a segunda.

– Nosso amigo aqui, o Mu... – enquanto isso o ariano voltou a colocar os fones nos ouvidos, ignorando a afetação que Afrodite adicionava às suas palavras – que está nos IGNORANDO... – o sueco enfatizou a palavra aumentando o tom de voz e se inclinando sobre a cama para que Mu o ouvisse.

O guitarrista finalmente desistiu, se eles queriam briga iriam ter briga – como se isso já não estivesse acontecendo antes. Ele jogou os fones na cama e desligou o mp3player, sentando-se com a cara mais enfezada que possuía.

– Eles estão fazendo um escarcéu porque eu baixei o CD do Good Charlotte e estou tentando ouvir. – parecia uma criança fazendo queixa dos irmãos mais velhos ao pai.

– Ahn... – Kamus fez cara de quem compreendia, mas na verdade achava que tinha, e Milo sentou-se na cama, porque este tinha entendido de verdade e preferia ver o espetáculo de um local confortável. – E qual o problema? Eu também baixo música da internet.

Os três encararam Kamus como se tentassem ler a mente estranha dele. Em que mundo poderia ele estar vivendo naquele instante para não perceber o óbvio? Já Milo soltou um risinho baixo e ficou encarando o namorado com uma expressão cômica no rosto.

Um longo silêncio se instalou, o som de grilos cantando no fim de tarde ao lado de fora se elevou subitamente e até o CD da Shakira parou de tocar. Prenúncio de uma tempestade?

– Gente... Vocês vão precisar explicar melhor. O Kyu não sabe do problema que vocês têm com GC. – Milo comentou, visto que aqueles três não sairiam tão cedo do estado letárgico que se encontravam.

Mu tapou o rosto com as mãos e apoiou os cotovelos nos joelhos, esperando a explicação que vinha de Afrodite, é claro. Esperava, somente, que o pisciano não resolvesse contar a longa historia por trás daquele preconceito todo.

– Kamus, querido, raciocina comigo. – Afrodite trouxe o aquariano para mais perto, sorrindo, como se faz com uma criança que não entendeu alguma coisa lógica. – Mu toca guitarra em uma banda, certo?

– Certo – Kamus respondeu.

– E de que é a banda?

Rock?

– Sim, mas na essência é Metal, certo?

– Hum... Certo... E daí?

Afrodite fez cara feia para a lentidão de raciocínio lógico que Kamus estava apresentando naquele momento. Contudo, ao invés de dar um tapa na cabeça do ruivo, controlou-se o máximo que pode e ficou esperando pacientemente como os outros faziam.

– Que foi? – Mas o francês não estava captando a linha de pensamento deles.

Metal! GC é Emocore! – Aioria disse por fim, irritando-se.

– E daí?

Metaleiro não gosta de Emo!!! – Afrodite se exaltou, mais claro do que isso não poderia ser.

– Ahn. Isso é palhaçada. – Os quatro arregalaram os olhos para Kamus, alguém sem juízo entre eles, ou deveria dizer o único com juízo? – Eu ouço de Black Metal a Pop. Não vejo problema nenhum em Mu gostar de Emocore e tocar em uma banda de Metal, desde que ele não resolva sair por aí chorando com uma maquiagem preta na cara...

Kamus lançou um olhar significativo a Mu, como se quisesse se certificar de que o ariano não ia realmente sair por aí chorando nem nada assim estranho. Afinal, se ele estava defendendo o amigo era porque tinha certeza de que ele não iria fazê-lo se arrepender de tal atitude.

– Kamus! Não diz isso se não ele vai achar que pode se safar assim fácil! – Aioria cruzou os braços com irritação.

– Aioria... Desde quando você se preocupa com o que os outros escutam ou deixam de escutar? Ele ta ouvindo com fones, não colocou pra casa inteira escutar. Qual o problema?

Aioria fechou a boca, pensativo e irritado com essa percepção. Ele realmente não tinha nada a ver com o mau gosto alheio, afinal, não era ele quem ouvia porcaria. Seus ouvidos sensíveis só escutavam o que ele achava que era boa música.

– É... Ele tem razão. Quem escuta porcaria é o Mu, não eu. Tudo bem, Muzito, desde que você não resolva pintar seu cabelo de preto e a cara também... – Afrodite sorriu de forma irônica e saiu do quarto, toda aquela confusão o deixou morto de fome.

– Um você convenceu, mas o outro vai ser mais difícil. – Milo riu divertido apontando Aioria.

– Esse aí eu não preciso. – Kamus riu e puxou o namorado para fora do quarto. – A gente passa por cima de alguns detalhes por algo mais importante...

Milo entendeu que ele estava falando de aqueles dois se amarem, mas Mu não entendeu nada e Aioria disfarçando muito mal ficou todo vermelho e saiu do quarto com a desculpa de ir ajudar Afrodite com o jantar – aquele que não estava pronto nem em pensamento. Antes de sair do quarto lançou um último olhar ao ariano.

– Eu prometo não contar nada pro Máscara da Morte e os gêmeos, mas você me deve uma! – e saiu deixando o tibetano se divertindo com o dramalhão que fizera por causa de uma bobagem sem importância.

– Tonto – ele sussurrou voltando a escutar a prova da traição.

OoOoO

Mesmo depois do incidente do rolinho, quer dizer, da noite anterior, Aioria e Mu ainda tentaram dormir na mesma cama. Mesmo com o barraco sobre o gosto musical do ariano, Kamus tinha tentado amansar o gênio da fera, enquanto Milo trabalhava Aioria. Sim, porque a fera no caso era Mu.

Pode-se dizer que Milo não estava progredindo, mas Kamus conseguira que Mu perdoasse o grego sob a conclusão 'lógica' de que Aioria era desequilibrado.

E naquela noite ele resolveu perdoá-lo, movido pela pena que sentia do amigo. Então ambos deitaram-se, cada um com sua coberta. Mu arrancou a calça e a cueca, já dentro do cobertor, e as jogou no chão mesmo. Ele enrolou-se completamente nas cobertas e ficou encarando Aioria, de dentro do rolinho.

O leonino havia se deitado apenas de bermuda e se embrulhara também em sua coberta, não ousava olhar para Mu. Mas estava difícil, podia sentir o olhar do outro queimar seu rosto.

– Por que está me olhando?

– Ahn... Acho que estamos agindo como crianças... Somos amigos, certo?

– Certo – o grego voltou seu olhar para Mu e sorriu sem graça.

– Então... Vamos esquecer a primeira noite.

– Claro.

Aioria deitou-se mais perto do amigo, vendo-o sumir no rolinho. Ficou um bom tempo apenas observando a massa cilíndrica de cobertores, com cabelo lilás, respirar mansamente, até que caiu no sono, vencido pelo cansaço.

Era impossível não sonhar com o ariano, mas o problema é que seus sonhos não eram muito silenciosos e Mu acabou acordando, espiando o que se passava por fora de seu casulo.

– Aioria? – ele chamou preocupado, vendo que o outro suava e gemia algumas coisas incompreensíveis.

O leonino se remexia na cama, sua expressão não era muito amena. Mu pensou logo que era um pesadelo. Desfez o rolo de cobertores e tentou sacudir o amigo, nisso Aioria apertou os braços de Mu, se remexeu mais e não acordou.

– Por Zeus, que sono de pedra! Acorda Aioria!

Nada. O grego continuava gemendo coisas sem sentido e suando.

Mu já ia desistir de tentar acordá-lo. Parou de sacudir o leonino e iria voltar ao seu rolinho, não fosse por dois braços fortes que o puxaram e o estreitaram contra o peito musculoso de Aioria. Por um momento ele ficou quieto e vermelho, mas logo recobrou seu mau humor e começou a se remexer também, tentando se soltar.

– Me larga, Aioria!

– Hum... Mu...

– Acorda seu leão estúpido!

O grego gemeu alguma coisa e puxou Mu ainda mais forte, fazendo com que este se livrasse completamente de seu cobertor e deitasse por cima de si.

– AIORIAAA!!!

O grego abriu os olhos com terror, escutando o berro do outro. Viu que Mu estava nu, deitado por cima de si, gritando e tentando lutar contra seus braços. Não era uma cena comum, nem tampouco difícil de se esquecer.

– Mu? – Ele perguntou achando logo que ainda sonhava... E aquele sonho estava tomando um rumo muito do estranho.

– Não, seu idiota, o coelhinho da páscoa!

– Até que você é um coelhinho gostosinho... – brincou.

Não... Ele não se atreveu.

Tarde demais! Aioria estreitou-o em seus braços, sentindo uma ereção se apertar contra a sua. Sorriu sacana ao perceber que o amigo estava bastante animado para uma noite fria daquelas.

Mu não disse nada por um tempo. Mas ele se deu conta do ocorrido logo, logo e deu um forte murro na cara do amigo.

– SEU TARADO! ME LARGA!!! Olha isso, que desgraça! Você não tem decência? Não sonhe mais comigo, é uma ordem! E se sonhar não fique duro desse jeito seu pervertido, ninfomaníaco, maluco, tarado, psicopata...

Aioria arregalou os olhos surpreso e aterrorizado com aquele escândalo. Afinal, não tinha sido Mu a pular em cima dele? Que culpa tinha de ser irresistível?

– Mu?

– O que é!??!?!

– Você ainda está em cima de mim, por quê?

O tibetano novamente se viu confuso, saiu de cima de Aioria, se recolhendo ao seu humilde casulo, morto de vergonha e com uma excitação difícil de esquecer e perdoar.

Quanto ao grego... Esse apenas sorriu malicioso, esfregando a bochecha que fora socada anteriormente. Tinha certeza que Mu também ficara excitado com aquele abraço malicioso e isso o divertira muito por um dia.

Continua...


Nota da autora:

(1) 'Emocore' é um estilo de música, derivado do punk. Há muito preconceito contra as pessoas do estilo 'emo', na realidade chega ao limite do cômico essa briga toda. Não tenho absolutamente nada contra, até porque eu ouço de tudo, inclusive 'emocore', e minha banda preferida é Good Charlotte.

(2) Alguém mais aí acha que o Afrodite tem cara de quem gosta da Shakira? Eu acho. xD

OoOoO

Well, fora o pedido de perdão pelo abandono, dessa vez eu vou explicar os motivos da minha ausência.

Primeiro: eu estou trabalhando em outros projetos, um deles envolve uma fic original de terror, bem legal. Os outros são yaoi de cavaleiros, como de costume.

Segundo: esse semestre eu tive que estudar um pouco a mais na faculdade e daqui pra frente isso tende a piorar.

Terceiro: eu passei por uma depressão muito forte no início do ano e até começar a tomar medicação eu não conseguia escrever nem fazer nada, portanto, eu fiquei mesmo afastada de tudo referente a animes e yaoi. Peço desculpas a vocês por não ter relatado antes essa explicação, embora ainda não seja tarde. É isso, passei por uma fase muito difícil, agora estou melhor e com projetos novos que vocês verão em breve.

Obrigada pela compreensão e pelo carinho que vocês têm comigo.

Bejus.