Disclaimer: Saint Seiya não me pertence. Escrevi a fic por diversão, não ganho nada com isso, além dos comentários de vocês.

Aviso: Esse capítulo contém yaoi (relacionamento entre homens) e lemon (cenas sexuais), se você não gosta, não leia.

Boa leitura!


Capítulo 4: Falling in your Bed

Milo estava sentado na cama de pernas cruzadas lendo um livro particularmente chato sobre a revolução francesa. Não que leitura culta não fizesse sua cabeça, mas simplesmente não dava para prestar atenção em um romance decadente da França antiga. Principalmente porque a sua frente se encontrava um francês particularmente interessante.

Kamus estava encostado na parede atrás da cama com as pernas estendidas uma sobre a outra. Ele também lia, mas ao contrário do romance chato do grego, era um artigo sobre psicanálise – não perguntem o porquê ele gostava daquelas coisas. E ele parecia estar achando tudo muito interessante, pois não tirava os olhos da revista.

Contudo, Milo não estava a fim de ler mais. O livro era chato, a mocinha era burra e o mocinho um idiota. As pernas alvas como a neve a sua frente eram deveras mais excitantes.

Kamus tinha o péssimo hábito de ser calorento e andava em casa somente com aquele short curto de elástico, apesar das pessoas normais se encontrarem com calças e camisas de manga. Milo obviamente estava muito agasalhado, a despeito de o chalé possuir calefação.

Aquele ruivo de poucos modos tinha coxas bem definidas pelas horas de musculação e natação, o que deixava os olhos azuis de Milo bem longe das páginas do livro. Ele não conseguia mais parar de olhar o contorno daqueles músculos, era muito melhor do que ler.

Então o grego desistiu. Fechou seu volume francês chato e pôs-se a observar outro francês. Um de short azul escuro, sem camisa, trança desfeita, muitos piercings e óculos.

A mente fértil do loiro começou a devanear sobre aquele pedaço de homem a sua frente e em pouco tempo Milo se imaginava tocando-o sem nem um pingo de delicadeza. Queria colocar as mãos por debaixo da peça mínima de roupa e tatear todo o volume ali escondido – aliás, agora ele já nem pensava mais nas pernas...

Seria interessante beijar o abdome definido, enquanto procurava enlouquecer o namorado com suas mãos habilidosas. Ouvir os doces lábios do francês proferirem algumas injúrias, enquanto estivesse brincando com o piercing naquele mamilo rosado.

A mente de Milo começava a levá-lo para um caminho sem volta, e não tardaria a deixar todo seu corpo desesperado por sentir a pele quente de Kamus esfregar-se na sua. Toda essa excitação percorrendo seu corpo, agora começava a incomodar, principalmente dentro de sua calça.

Começou a desejar que aquela revista desaparecesse das mãos do ruivo e que em seu lugar estivesse ele próprio, totalmente entregue aos prazeres do sexo. Queria agora mesmo que o artigo fosse para o inferno e queria tanto que de repente, algo o despertou de sua viagem. Sentia alguma coisa pressionar com força sua recém-desperta ereção doloridamente. Isso ta bom, mas ta doendo um pouco.

Milo se remexeu na cama, tentando se livrar daquela pressão chata, mas não conseguiu, continuou a senti-la. Então achou que teria mesmo que esquecer sua fantasia para entender o que estava acontecendo. O grego balançou a cabeça e a primeira coisa que notou foi um par de olhos um tanto quanto felinos sobre si. Aquele olhar pertencia a Kamus e vinha acompanhado de um sorriso sarcástico no canto dos lábios do francês.

– Está animado, Milo – ele comentou trazendo toda a atenção do escorpiano para a realidade.

O grego, só assim, conseguiu entender que pressão estranha era aquela. Um dos pés de Kamus apertava sem cerimônia o volume enrijecido de seu pênis por cima da calça. O artigo sobre psicanálise e os óculos do ruivo já estavam jogados num canto da cama fazia algum tempo e ele nem tinha se dado conta disso.

– O romance estava interessante, amor? – Kamus perguntou irônico, gostando da confusão de Milo. – Devia estar, porque você está bem duro.

As faces do loiro se coloriram rapidamente de um tom rubro e ele tentou empurrar o pé de Kamus para longe, mas não conseguiu. Ergueu seus olhos para os do namorado, sorrindo sem graça. Entendeu que não precisava explicar, o francês sabia que ele não estava lendo livro algum e sim o observando.

– Hum... Por que não me disse antes que a Revolução Francesa te deixava excitado, amor? Eu entenderia.

O olhar felino do ruivo se transformou em um de puro sarcasmo, assim como cada palavra que ele dizia. Milo revirou os olhos e sorriu de canto. Kamus adorava brincar, seu sarcasmo não tinha hora certa, ele era presente em qualquer situação.

– Ou será que você ao invés de ler estava olhando para outro lugar? – Finalmente ele retirara o pé de cima da ereção de Milo e agora estava de quatro, engatinhando, até ficar cara a cara com o grego. – Vamos ver se eu adivinho.

O escorpiano acompanhou com o olhar Kamus se erguer de joelhos e colocar uma perna de cada lado de seu quadril, sentiu seu corpo arrepiar todo ao ver-se tão perto do membro do ruivo. Pensou em colocar suas mãos sobre a pele que o atraía tanto, mas não queria quebrar aquela distância perturbadora que o excitava.

Viu que o namorado passava a mão direita pelo próprio peito, descendo em direção ao umbigo.

– Era para isso que estava olhando? – O francês perguntou, sorrindo.

Milo negou com a cabeça, em resposta, sorrindo safado. Então, Kamus continuou o caminho até seu membro semi-ereto. Os hormônios do loiro entraram em ebulição quando o francês fez aquilo, quis rasgar aquela maldita peça de roupa ridícula.

– Então era isso – o ruivo concluiu, ainda segurando seu sexo, que crescia por baixo do tecido fino e Milo concordou gemendo baixo. – Você é tão safado Milo...

– Eu!? – O escorpiano indignou-se, desviando seus olhos para os de Kamus.

– Sim, você. Não conseguiu ficar nem dez minutos lendo um livro.

– Não com você assim quase sem roupa na minha frente.

Os lábios do ruivo se alongaram em um sorriso irônico no mesmo instante. Ele largou seu membro já bastante desperto e pousou as duas mãos no rosto do grego, depois se curvou para beijar-lhe delicadamente os lábios.

– Adoro o modo como você não se controla quando está comigo.

O escorpiano fez uma cara ruim em resposta e levou finalmente suas mãos ao corpo do namorado, apertando suas duas nádegas firmes. Sorriu travessamente e esticou o pescoço para alcançar a boca de Kamus, aprofundando um beijo lento e demorado.

O francês foi o primeiro a tentar se afastar, mas o loiro prendeu seu piercing entre os dentes com uma expressão de divertimento nos olhos. Kamus colou novamente seus lábios aos do amante, livrando sua língua da prisão repentina e aproveitou para morder os lábios do grego, sugando-os em seguida.

– E eu adoro o modo como você me faz perder o controle.

Kamus sorriu divertido e orgulhoso pelo elogio. Beijou a testa do grego e levantou novamente o corpo, mostrando sua excitação para o outro. Não precisou de mais nada, as mãos do escorpiano migraram prontamente de suas nádegas até o cós de seu short.

Est-ce que je peux? –(Eu posso?)

Oui.

O grego sorriu safado com a resposta e tirou o short de Kamus, não encontrando nenhuma roupa de baixo. Seu membro latejou só de ver a ereção do ruivo. Aproximou a boca da glande e a percorreu com a língua, antes de colocá-la na boca.

Kamus apertou os dois ombros de Milo com as mãos, jogando a cabeça para trás. Ele tentou não gemer, afinal não estavam sozinhos no chalé, mas isso ia se tornando cada vez mais difícil à medida que o escorpiano ia envolvendo seu membro cada vez mais, até alcançar a base. O francês sentia uma das mãos de Milo tocando seus testículos, enquanto a outra tateava sua entrada insistente.

Não queria incomodar os outros, mas não dava para agüentar todo aquele prazer incendiando sua pele. Quando sentiu um dedo adentrar sua entrada, se rendeu a um gemido baixo. Maldito, ele vai me fazer gemer mais alto. O dedo do loiro tocou sua próstata, realizando movimentos ritmados, na mesma intensidade com que ele continuava a sugar o membro do francês.

As mãos de Kamus estavam brancas de tanto que ele apertava os ombros do namorado, tentando em vão não gemer. Seu corpo todo vibrava com aquele calor que ia se espalhando e sufocando cada um de seus poros. Precisava do alívio agora ou enlouqueceria.

Milo não parava nem para respirar. Envolvia completamente seu sexo e o estimulava por dentro também. Aos poucos se tornou insuportável e o francês nem fez questão de prender o orgasmo forte que o abalou. Derreteu-se todo na boca do amante e caiu sentado em seu colo em seguida.

C'est si bon... – Kamus suspirou, escondendo o rosto na curva do pescoço de Milo. (Isso é tão bom...)

– Eu sei... Mas agora é a minha vez, parakalo? (por favor, em grego)

Kamus riu divertido e ergueu a cabeça dando beijinhos nos lábios do namorado, enquanto entrelaçava os dedos em seus cachos loiros. Rebolou sobre o colo do grego sentindo uma ereção bastante dolorida pulsar contra suas nádegas.

– O que você quer, mon ange?

– Posso escolher?

– Desde que não demore muito, pois já está na hora do jantar.

Milo riu da observação e tirou a calça até o meio das coxas, deixando seu sexo respirar aliviado. Puxou Kamus para cima e encaixou a ponta de seu pênis na entrada do namorado, fazendo uma pressão dolorida.

– Sem lubrificante? – O ruivo perguntou com os olhos arregalados.

– Você disse para não demorar muito, mon ange.

– Você não está falando sérieux! (sério!)

O escorpiano sorriu mais uma vez e empurrou o ruivo na cama, buscando rápido na mala um lubrificante. Espalhou o líquido gelado pela entrada de Kamus e sentou-se novamente na cama, puxando-o para seu colo.

Efharisto – o francês sorriu. (Obrigado, em grego)

Milo sorriu também e voltou a encaixar seu pênis na entrada do ruivo. Pressionou um pouco até senti-la ceder e foi penetrando lentamente, para não machucá-lo. Assim que sentiu seu membro totalmente envolvido pelo interior quente do francês, começou a estocar em ritmo acelerado.

Seus corpos colados subiam e desciam na mesma cadência e o atrito entre eles provocava novamente uma ereção em Kamus. Por sorte, ou azar, Milo estava tão excitado que gozou logo.

Os dois deitaram abraçados, trocando beijos e carinhos. Milo apoiado em um cotovelo masturbava o francês o mais rápido que seu corpo cansado permitia e Kamus o ajudava com a mão por cima da sua. Novamente o ruivo se perdeu em um orgasmo, dessa vez molhando sua mão e a do grego.

– Hum... Você é meio maluquinho, Milo, mas eu gosto disso em você. – O escorpiano o encarou indignado, enquanto lambia sua mão suja, mas não disse nada.

Se tinha aprendido uma coisa nesse tempo de convivência com Kamus, era que nunca deveria iniciar uma discussão sem sentido como aquela, porque, para aquele aquariano, fazia sentido e se transformaria em uma coisa muito maior.

Milo terminou seu trabalho e beijou o amante, passando uma das pernas entre as do ruivo. Agora sim estava com fome e depois do jantar poderia até pensar em ler de novo aquele livro chato. Agora ele não estava muito a fim de fazer qualquer coisa que não fosse olhar para aquele francês perfeito.

– Kamus, Máscara da Morte vai fazer uma pizza e... – Kamus e Milo olharam na direção da porta, onde um assustado Mu se encontrava.

Aquele tibetano não era nada discreto, pois olhava diretamente para o corpo nu do francês e para uma parte muito específica. Milo já estava vestido e totalmente sem reação, encarando o guitarrista que agora inclinava a cabeça para o lado como se quisesse entender alguma coisa melhor.

– O que você ta olhando, Mu? – O loiro perguntou puxando as cobertas para cima do francês, que agora tinha uma expressão de riso contido no rosto.

– Kamus... Você tem um piercing no...?

O rosto de Milo se tingiu de vermelho imediatamente. Ele deu um pulo da cama e empurrou Mu para fora do quarto resmungando coisas que envolviam as palavras "meu" e "inconveniente", entre palavrões. Kamus, por outro lado, parecia estar se divertindo muito, porque agora já tinha desistido de prender qualquer coisa e ria a plenos pulmões, sentado na cama.

– Ta rindo de quê, francês? – O escorpiano tinha uma expressão feia no rosto.

– De você! HAHAHAHAHAHA...

OoOoO

Do lado de fora do quarto Mu ainda se encontrava sem reação, olhando para a porta que acabara de fechar bem na sua cara. O Kamus tem um piercing no...? Essa pergunta não parava de ecoar em sua cabeça.

– Mu, você não parece bem – Afrodite agitava uma das mãos na frente dos olhos do tibetano, mas não obtinha nenhuma resposta.

– Acho que ele pegou aqueles dois fazendo alguma coisa lá dentro – comentou Aioria com um sorriso divertido.

– É... Pode ser, Oria. Ei! Mu!?

O tibetano desviou os olhos da porta para Afrodite com ar de curiosidade e cruzou os braços, como se esperando uma explicação. O sueco encarou Aioria com preocupação, depois voltou a fitar Mu, pronto para perguntar o que tinha acontecido lá dentro.

– Vocês sabiam que o Kamus tem um piercing no...

– Pênis? – Afrodite e Mu olharam de boca aberta para Aioria, que parecia bem acostumado com o assunto. – Gente, o Milo é meu melhor amigo... Ele me contou.

– Ah... – o sueco fechou a boca e virou-se para ir até a cozinha ajudar o italiano.

– E você não falou nada, seu imprestável? – Mu é que não tinha levado na boa.

– Você queria que eu saísse fofocando pra todo lado os segredos dos outros, Mu?

O tibetano fez uma cara irônica que queria dizer um "sim". Era difícil de acreditar como aquele guitarrista podia ser fofoqueiro quando queria. Aioria nem se dignou a responder, virou as costas e seguiu para a cozinha, Máscara da Morte cozinhando sozinho com uma garrafa de vinho e um Afrodite ao lado podia dar em outra coisa.

Mu saiu atrás do baterista, com os braços cruzados ainda, querendo explicações. Só ele não sabia do piercing? Bem, na verdade ninguém sabia, né? Mas na cabeça do ariano ele era o último a saber e isso não o agradava.

– Por que ninguém me contou? – Ele pegou a taça de vinho que Afrodite estava bebendo e virou tudo na boca.

– Ei! Isso era meu, cacete!

O tibetano não ouviu, ou fingiu não ouvir os protestos do pisciano. Entregou a taça nas mãos dele e continuou a fitar Aioria em busca de uma resposta.

– Ninguém sabia, Mu! Só eu, Milo e Kamus, ta? Você é muito fofoqueiro.

– Eu!? Que absurdo! Você que é tarado!

O que o fato de Aioria ser tarado – o que em sua opinião era mentira – tinha a ver com o fato daquele maluco ser fofoqueiro? Só na cabeça perturbada de Mu isso faria algum sentido.

– Mu... Você não ta bem. Olha, por que você não bebe uma taça de vinho e rala a mussarela pra pizza? – Afrodite puxou o guitarrista para a mesa com o queijo e o ralador na mão.

Aioria não disse mais nada, encheu para si uma taça de vinho e lavou as mãos para ajudar o italiano com a massa. Achava mais produtivo se sujar de farinha do que discutir com Mu.

Ainda mais agora que o tibetano estava com aquele ralador de queijo na mão, resmungando coisas que só ele mesmo entendia. Depois de um tempo ele até acabou se calando e permaneceu pensativo, enquanto ralava a mussarela. Afrodite se perguntou mentalmente se deveria puxar conversa, mas achou melhor ficar na sua ou poderia despertar algum demônio.

E mesmo que os outros dissessem que ele era maluco, na cabeça do tibetano não era bem assim que a banda tocava. Ele estava era perturbado fazia algum tempo com um certo problema pessoal e um tanto... íntimo.

O fato de ter pego Kamus e Milo bem no meio – ou final, se preferirem – de uma cena mais íntima do casal, havia despertado em Mu a lembrança daquele infortúnio em sua vida. Não era realmente uma desgraça ficar sem transar por, digamos, um mês. Porém, se tratando daquele ariano, isto era motivo de um péssimo humor e daquele tipo de estranheza, como falar sozinho, xingar os outros, ficar meio lerdo para entender as coisas.

Mu estava passando por uma crise existencial no momento, para não dizer de abstinência. Ele não sabia exatamente o que queria dali para frente, mas sabia que não queria mais ficar com qualquer um. Até andava considerando a idéia de poder ter outro namorado, alguém para dividir as coisas, para estar seguro.

O grande problema disso, era que Mu já tinha namorado antes e a experiência não havia sido em nada vantajosa. Ele mudou quase sua vida toda para satisfazer o namorado e no fim das contas foi traído. Isso o machucou muito e ele prometera para si mesmo que nunca mais iria se apaixonar de novo.

Pode parecer fácil não se apaixonar, mas não para ele. O tibetano acabou se desiludindo mais algumas vezes, com casos sem importância que cismava em terminar antes mesmo que houvesse começado. Preferia não continuar nada, assim não sofreria tanto.

Ou assim ele imaginava.

Agora tinha Aioria em seu pé e ele já não sabia se o queria ou não. O que o guitarrista sabia era que precisava de sexo e urgentemente, pois um mês era coisa de celibatário!

– Um mês – ele murmurou para o queijo. Os três rapazes se entreolharam assustados e continuaram com seus afazeres.

Tinha que tomar uma providencia ou com toda certeza começaria a sonhar com a figura despida de Kamus, que alias não era de se jogar fora. Todavia, este já estava comprometido, assim como boa parte de seus amigos – a outra parte era heterossexual, o que dava na mesma.

E ele precisava de outro corpo junto ao seu. Já podia imaginar como seria bom ter alguém para beijar, tocar, ser tocado, ir até o limite da insanidade e nunca mais retornar. Sua calça já estava ficando apertava, dava graças a Zeus por estar sentado à mesa, assim ninguém perceberia.

Precisava de alguém para aliviar toda aquela tensão, não queria ficar pensando no namorado de seu amigo, afinal isso não é direito. Mas não havia mais ninguém com quem ficar ou em quem pensar... Ou havia?

– Ei, Mu... Cuidado, você ta quase ralando os dedos! – Aioria retirou o ralador das mãos do guitarrista, antes que este temperasse a mussarela com um pouco de sangue.

Mu levou um susto e afastou correndo as mãos. O grego riu divertido com o pulo que o tibetano tinha dado, ele ficava mais bonito quando não estava tentando brigar com alguém.

– Está distraído. Aconteceu alguma coisa?

– Hum? Não... Estou bem, obrigado – ele sussurrou mecanicamente, arrumando o queijo ralado no prato e esticando para que Afrodite o pegasse.

Aioria se deu por satisfeito, também não se sentia confortável em conversar com Mu, principalmente sobre certos assuntos inevitáveis. Sentia que o rapaz de cabelos lavanda a sua frente estava passando por alguma coisa, mas não queria se intrometer e trazer de volta velhos fantasmas.

– Então, galera, como é que ta essa pizza? – Mu sentiu seu rosto corar quando ouviu a voz de Kamus atrás de si.

– Está saindo, Kamus, mas precisamos decidir os recheios. – Afrodite abriu a geladeira e desandou a falar nas muitas opções que eles tinham para recheio.

– E eu o que faço? – Perguntou Milo sentando-se à mesa ao lado de Mu.

– Você pode beber – Aioria serviu uma taça de vinho ao amigo, sorrindo satisfeito por não estar mais sozinho com Mu.

O guitarrista tentou evitar os olhos de Milo, afinal estivera bem pensando no namorado dele. Por sorte o escorpiano não lia pensamentos, mesmo assim era melhor pedir desculpas.

– Milo... Desculpa por não ter batido na porta naquela hora.

– Sem problemas, Mu. Mas da próxima vez não fique olhando pro meu namorado.

O grego tinha um tom divertido na voz, mas algo dizia a Mu que ele estava falando bem sério. O guitarrista apenas riu sem jeito e concordou com a cabeça.

– Pode deixar, Milo. Da próxima vez eu fico olhando pra você... Hahahahaha...

Aioria prendeu o riso e bebeu um bom gole de vinho para tentar disfarçar. Brincar com o ciúme de um escorpiano não era saudável, mas era menos ainda brincar com a imaginação sexual de um ariano.

OoOoO

Kamus estava deitado no sofá com a cabeça no colo de Milo. A garrafa de vinho que vinham bebendo já tinha acabado há muito tempo, mas o francês ainda tentava virar alguma coisa em sua boca. Estavam calados, num daqueles momentos em que se aprecia a presença do outro, mas não se tem assunto algum para comentar.

O grego olhava para algum ponto ao longe, um pouco perdido em seus próprios pensamentos e nem notava que o namorado batia no fundo da garrafa vazia.

Eles já estavam assim havia um tempo. Mu e Aioria tinham brigado outra vez e cada um foi para um canto do quarto dormir, enquanto que Afrodite e Máscara da Morte também tinham se recolhido cedo. Resumindo só restaram Milo, Kamus e a garrafa vazia de vinho, que agora estava correndo sérios riscos de se quebrar no chão.

– Milo... Vamos pular de pára-quedas? – O ruivo interrompeu o silencio solitário da sala, desviando os olhos para o rosto de Milo com um belo sorriso infantil.

O escorpiano quase engasgou com a pergunta. Aquele francês enlouquecera? Milo nem sequer subia em uma escada para trocar uma lâmpada, imagina se iria pular de pára-quedas por livre e espontânea vontade! Só um louco pensaria que essa idéia era possível.

– Bebeu, Kamus? – Ele perguntou de olhos arregalados.

– Bebi... – não era difícil de ver isso, as faces do ruivo estavam ligeiramente coradas por causa do álcool. – Mas então, vamos pular de pára-quedas?

O loiro sacudiu a cabeça, desacreditado. Não saltaria nunca num abismo qualquer, nem com Kamus, nem sem Kamus. Ele ainda tinha amor à própria vida.

– Nem pra salvar minha vida! Ta louco? – Ele se ajeitou no sofá, fazendo com que Kamus se sentasse. – Eu tenho medo de altura... – completou, se encolhendo com um sorriso sem graça.

O aquariano podia esperar qualquer coisa, menos medo de altura. Medo de altura! Isso é coisa para fracos. Ele queria sentir a adrenalina correr em suas veias e Milo iria junto ou tudo perderia a graça.

– Ah! Fala sério, Milo – ele riu, cruzando os braços no peito.

– Sério.

Kamus revirou os olhos e fez uma cara feia, encostando no sofá de forma relaxada, sem encarar o namorado. Ele achava a vida curta demais para se ter medo de certas coisas e Milo estava sempre com medo de alguma coisa boba.

O grego percebeu a súbita mudança de humor no ruivo. Estava tão feliz com a idéia de se matar e agora tão triste de repente. Queria sempre ver um sorriso no rosto de Kamus e se pra isso fosse preciso morrer ele faria alegremente. Talvez não alegremente, mas com orgulho!

– Que foi? – Sussurrou no ouvido do namorado, passando um dos braços pelos ombros deste.

O francês se acomodou no abraço quente de Milo e suspirou. Estava bêbado, era fato e quando ficava assim desse jeito tinha idéias loucas de fazer tudo, menos coisas normais. Era uma característica adorável do aquariano, apesar de muito perigosa para ele mesmo e pros outros.

E o ruivo ficou pensando em quanta coisa legal poderia ainda fazer e como seria bom dividir tudo com o namorado. Porém, a maior aventura seria convencer Milo das mil coisas que precisavam realizar em vida.

– Deixa de ser frouxo! Você precisa de aventuras! – Ele disse subitamente se levantando do sofá.

O escorpiano levaria um susto se não estivesse muito cansado pra isso. Ele apenas observou como seu amante parecia feliz agora. Bebida demais deixava Kamus meio fora de si e da realidade também, mas não restava alternativa a não ser concordar com ele.

– Já é uma aventura e tanto passar um fim de semana com você... Pular de pára-quedas é insanidade!

Uma pena que discordar do francês dava uma idéia errada a ele. Kamus levava logo para o lado pessoal, o mundo está contra mim! Coitadinho. Muito egocêntrico, um defeito grave.

– Ta dizendo que não gosta de ficar comigo?

E era preciso muita paciência para fazê-lo esquecer da idéia louca de que o mundo conspirava contra ele.

– Não! Eu adoro ficar com você... – Milo tentou consertar – só to dizendo que pra mim já é suficiente ficar com você em casa, não preciso me jogar de lugar nenhum...

– Não vamos nos jogar de nenhum lugar... – o grego respirou aliviado, finalmente ele tinha mudado de idéia. Se jogar assim do nada era loucura mesmo. – Vamos pular de pára-quedas! – Ou não... – Você vai gostar, Mi... É divertido ver as pessoas parecerem formigas...

Kamus, Kamus. Qual é o seu problema com o chão, criatura? Devia ser algum trauma de infância então, ou ele pode ter sofrido algum acidente na França e ficou assim meio alienado.

E o que ele sabia sobre formigas? Já tinha pulado de pára-quedas antes? Bem, não seria de se admirar... Mas isso causava certo ciúme em Milo. Com quem esse francês tentou se matar?E se gosta tanto assim de insetos, tem vários no chão mesmo, não precisa ir tão longe.

– Não, obrigado, não gosto de insetos... – o loiro expôs sua teimosia e um certo ciúme de um fruto de sua imaginação.

Mon Dieu! – Sobressaltou-se Kamus, erguendo as mãos para cima. – Então vamos pular de asa-delta! – Tentar não custa nada.

Contudo, o grego não estava disposto a ceder. Não queria lidar com esse seu medo de altura e francamente acha que estava muito feliz preso à Terra. Não queria se arriscar e não queria perder seu francês para um pára-quedas ou asa-delta.

– Nem se o presidente pedir!

– Ah, Milo! Você é frouxo demais! Nem barata você mata... Só falta chamar os bombeiros se ver um mosquito... Assim não da!

Bombeiros? Bem, se for um pernilongo...

– Puxa, Kamus... Não briga comigo, vai? Eu não tenho culpa... Insetos são nojentos... – Milo se encolheu no sofá abraçando os joelhos com cara de choro.

– Você que é muito medroso!

– Também...

– Desisto... – o aquariano se largou no sofá e o loiro veio se aconchegando e beijando seus lábios.

– Eu adoro quando você fica assim emburradinho.

Kamus não respondeu, também não precisava. Milo sabia exatamente o que se passava por sua mente agora: algumas promessas de fazê-lo sofrer por aquela discussão tola que não dera em nada. E, sinceramente, parecia ótima idéia sofrer um pouquinho... Contanto que seu castigo envolvesse uma cama.

OoOoO

Como eu já havia antes confessado meus pensamentos a respeito de Kamus, creio não precisar continuar a relatar minhas suspeitas. Acho que começo a entender por qual caminho se foi a mente dele.

Meu francês começou faz tempo a sentir falta de casa e naturalmente tem se fechado cada vez mais em seu mundo particular. Só que eu não estava disposto a perdê-lo para um lugar que nem sequer conheço.

Por amor vale a pena qualquer negócio, até mesmo saltar de pára-quedas.

Continua...


Nota da autora: Esse capítulo é dedicado a Kamus e Milo, afinal, foi o casal vinte que tornou essa fic possível. E eu achei que precisava mesmo dar uma explicação para os devaneios desse francês.

Espero que tenha satisfeito a curiosidade de vocês e também as expectativas sobre o andar dessa nossa carruagem. Por favor, não desistam ainda de mim. xD

Obrigada a todas as pessoas lindas que enviaram um review! Bejus e até o próximo capítulo.