Capítulo 2 – Ladeira abaixo.
Teve sonhos tão bons, mas ela nem havia sonhado. Acordara com uma sensação de que nada poderia estragar seu dia. Então olhara em volta, viu que se encontrava em seu delicado quarto, tudo que estava ali fora escolhido por sua mãe. Ela sempre fora muito delicada. Emily se encontrava deitada em uma confortável cama de casal toda pra si. Do lado direito se encontrava um pequeno, mas muito detalhado criado mudo, onde estava depositado o seu caderno de pensamentos, seus brincos, pulseiras, colares, tudo que estava usando ontem. Em seu lado esquerdo da cama tinha uma mesinha muito pequena e de aparência frágil, onde havia uma linda bailarina, que na verdade era um abajur. Seu guarda-roupa era enorme, tomava toda a parede do fundo do quarto, ele era branco com pequeninas flores nas extremidades. Um pouco mais a frente do guarda-roupa estava sua penteadeira, que por sinal estava abarrotada de caixinhas de jóias, bijuterias e algumas eram maquiagens. E na parede em cima da penteadeira estava um grande espelho, com varias fotos em volta. Como se fossem moldura do espelho. Muitas dessas fotos eram suas, com suas amigas e com sua mãe, e sempre lhe traziam ótimas recordações. Na parede oposta, se encontrava uma mesa muito bagunçada, onde havia um computador, um rádio e muitos livros, um fichário aberto com todas as páginas espalhadas. Era ali que Emily fazia suas lições de casa, mas nunca fora muito organizada com suas coisas.
Estava ali em um ambiente tão familiar e acolhedor, que não queria mais sair dali, de sua cama. Sorriu pensando nisso, em passar o dia ali. Mas logo viu que seu desejo não se realizaria, pois acabara de entrar pela porta uma D. Nina muito contente, cantando uma de suas musicas que Emily não entendia.
—Bom dia! Bom dia! Bom dia!- é realmente D. Nina estava muito feliz. – Como se sente hoje?
— Bom dia D. Nina, me sinto muito bem, mas não me lembro de ter vindo parar aqui. – isso era realmente verdade, a última coisa que se lembrava era que estava no táxi olhando pra um taxista um pouco assustado.
— Assim, você chegou de táxi, e já era muito tarde eu e Nondas já estávamos muito preocupados com você mocinha!! – ela estava séria enquanto dizia – Onde estava até as três da madrugada?
— Eu estava no cemitério, não conseguia sair dela, não pensar na mamãe. – Isso era verdade.
— A sim, eu entendo. Mas bambina, a vida continua. Vamos se arrume, pois as suas amigas ligaram e falaram que já estão vindo pra cá. – disse ela agora sorrindo. D. Nina gostava muito quando as meninas vinham pra casa, pois sempre íamos tentar fazer alguma coisa pra comer, aprender alguma coisa, o que não acontecia, pois sempre acabava numa grande confusão. O que divertia a todos, até D. Nina não resistia e entrava na brincadeira.
— Vou tomar um banho e já desso pra tomar café.
D. Nina afez um sim com a cabeça e desceu pra cozinha. Emily enrolou mais um pouco na cama, mas foi pro banheiro. O banheiro era todo de pisos brancos, continha um grande espelho em cima da pia, e uma grande banheira no canto da parede. A cortina da banheira era toda cheia de sapinhos. Emily sempre gostara de sapinhos, quando pequena andou beijando uns sapos, como nos contos de fada pra poder encontrar seu príncipe encantado, mas o que encontrou foi uma bela bronca de sua mãe e de Nondas.
Emily se lembrando desses momentos quase adormeceu na banheira, estava tão distraída que deu um pulo quando começaram a bater na porta do banheiro, como se quisessem póla a baixo.
— Mily você ta bem? Mily responda, faz dez minutos que estamos te chamando – dizia uma preocupada Lily.
— Xiii Lily acho que ela se afogou no chuveiro – disse uma brincalhona Antonia - Vamos por essa porta abaixo se você não abri!
— Vamos é?- perguntou Lily, mas vendo o olhar de Antonia – É isso ai, é um... é dois... dois e três quartos...
— TRÊS!!!! – disse Emily saindo do banheiro em um roupão.
As duas pularão no seu pescoço, lhe abraçando fazendo cócegas, lhe dando broncas por não ter respondido quando elas chamaram.
— Mily você quer nos matar do coração – dizia Lily – quando chegamos Nina falou que você tinha acabado de entrar no banho, subimos e ficamos esperando.
— Mas não ouvimos barulho algum vindo do banheiro, te chamamos mas ninguém respondeu né – disse Antonia emaranhando todo o cabelo de Emily.
— Me desculpe meninas, mas não ouvi, estava quase cochilando pra ser franca.
A três caíram no riso. Emily se trocou, Lily ajudou a pentear seu cabelo, que tinha ficado muito embaraçado por causa de Antonia. E assim que terminaram desceram pra tomar café.
Quando chegaram à cozinha e viram a mesa com tantas coisa deliciosas foi que Emily percebeu o quanto estava faminta. A três se sentaram e comeram tanto, que Emily achou que iria explodir. Todos ali pareciam que era contagiado pela alegria de Antonia, que sempre estava a brincar, fazer os outros rirem e realmente isso às vezes era contagiante.
Quando todas já estavam satisfeitas foram dar uma volta em um parque que ficava ali perto e que sempre iam la andar de patins. Mas dessa vez resolveram mudar, Antonia teve uma idéia brilhante, diga-se de passagem, não agradou muito a Emily.
Chegaram então ao parque com uma bicicleta e dois patins. Antonia e Lily calçaram os patins e Emily iria guiando a bicicleta e puxando as duas.
— Meninas vocês tem certeza que querem fazer isso?- Emily não estava gostando da idéia.
— Para com isso Mily, já falamos sobre isso. – Era realmente verdade, elas haviam ficado uns vinte minutos discutindo se isso seria seguro ou não. Mas como era duas contra uma, a maioria venceu, fazendo assim Emily ficar com o pilote da bicicleta e depois revezariam.
— Todas nos seus lugares, preparar...fogo- anunciara Lily.
Emily começou a pedalar e assim a bicicleta começou a puxar as amigas, que não estavam muito levinhas. Emily ia sempre pelos caminha mais fácil, pra não acontecer nada com as meninas e ela não pede o controle da bicicleta em uma decida. O parque estava realmente muito bonito aquela manhã, estava com algumas árvores começando a florescer, e havia aquele cheirinho de chuva que Emily tanto gostava.
Já tinham andado o parque inteiro e já estava na hora de trocarem de lugar. Lily foi pra bicicleta e Emily pro patins.
— Não precisa ficar com medo – disse Antonia – Você é melhor no patins do que e Lily juntas e olha não nos aconteceu nada. E alem do mais é muito divertido.
— Mas se eu cair, a culpa é toda sua. – e assim elas começaram a rir.
Lily começou a pedalar e puxar as meninas. E Emily viu que Antonia tinha razão era muito divertido. Então ela começou a se soltar mais e assim como Antonia começou a fazer algumas coreografias, andar de costas, dar uns pulos, andar em uma perna só. Estavão se divertindo tanto que mal perceberam que Lily havia parado a bicicleta, pois elas estavam numa pequena decida, os patins continuaram descendo e passando por uma Lily morrendo de rir por causa disso.
— Ei, por que não avisou que ia para?- disse Antonia, ele teve dificuldade em brecar o que resultou ela agarrando uma árvore pra poder parar. O que arrancou muitos risos das outras duas.
— Suuhuahssuahsuhausduhs, me desculpe udauhusuahud, eu não resisti – Lily mal agüentava falar de tanto que ria.
— Nossa o que aconteceu com você, parece que saiu rolando a ladeira – disse Joe. Joe era namorado de Antonia, e assim como ela ele adorava fazer piadinhas.
— É quase isso- respondeu Antonia rindo.
— E vocês o que estão fazendo por aqui? – Lily perguntara para todos, mais foi uma pergunta mais direcionada a Rick, um dos amigos de Joe. Lily tinha uma queda por ele, que não ficava atrás quanto a ela. Mas tanto um como o outro eram muito vergonhosos.
— Estávamos só dando uma volta – respondeu Tiago que acabava de chegar e cumprimentar a todos.
— Ai pessoal eu vou dar mais uma volta no parque, depois eu encontro vocês – e assim Emily saiu patinando.
— Mily espera, precisamos conversa – e veio Tiago correndo atrás de Emily.
— Hum, não vejo nenhum assunto que tenhamos que conversar – dissera Emily pensando em tudo que havia acontecido entre eles.
— Mily me deixe explicar. – então ela virara de repente e o encarava – Ta bom, não tem como explicar. Mas me de uma terceira chance.
— Não, você sabe que dou no máximo duas chances pra qualquer pessoa e você já esgotou sua cota de chances.
— Mas Mily, e o nosso lance, estava sendo tão...
— Vazio – cortara ela – Sabe eu realmente achei que, como você diz "nosso lance" era algo muito especial, mas vejo que não.
— Mas eu gosto de você. – disse Tiago começando a ficar nervoso.
— Mas eu percebi que não gosto de você tanto como imaginei. E cansei der ser seu brinquedo.
— Mas Mily.
— Nada de mas, já chega.
E assim ela começou a patinar e deixando prá trás um nervoso Tiago.
Conforme ia andando pelo parque, ia refletindo. " Será que Antonia é realmente feliz com Joe? Eu sei que ele é bonito, aqueles olhos verdes, cabelos meio compridos e um bom porte atlético sei é um pacote completo, mas será que eles realmente se amam? E Lily quando será que vai se declarar pro Rick, eu sei que ele não é tão bonito, mas em compensação é muito charmoso, apesar de sua timidez. Hum.. será que Rick também gosta de Lily? Perguntas e mais perguntas, da onde saíra tanta pergunta de repente?"
Emily havia parado pra comprar sorvete em uma barraquinha que havia encontrado. Pegou duas bolas sabor morango pagou o sorvete e continuou o passeio. " Eu sei que depois que mamãe morreu. Muitas coisas perderam o sentido, a importância. Sempre fui louca por Tiago, desde a primeira vez que o vi. Alto, forte, loiro, sorriso cativante e um olhar tão safado. Tivemos tantas brigas e hoje não acho mais a mínima graça nele. Meus problemas que eu achava que eram tão grandes e complicados, sumiram, até parece que foram enterrados com mamãe."
Ela continuava perdida em seus pensamentos e sem perceber estava começando a descer a rua mais comprida do parque, sendo que ela sempre tivera medo, pois era muito comprida e tinha algumas lombadas no meio. Já estava numa boa velocidade quando se deu conta na enrrascada que havia se metido.
— HAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!!! SOCORROOO...eu vo morrer...eu não quero morrer - e o patins dela começava a ganhar mais velocidade deixando-a com mais medo ainda. Tentava brecar de todos os modos que sabia, mas não estava adiantando, pois o patins estava numa velocidade muito grande.
— SOCORRO!!!!! – estava gritando feito louca – eu não quero morrer.
De repente um par de braços muito forte lhe agarrava a cintura, e tentava brecar os seus patins e assim diminuindo a velocidade de Emily. Mas isso não deu muito certo.
— O que ta fazendo? – ela se assustara com a chegada do garoto, mas isso fora logo esquecido pois a poucos centímetros estava uma lombada – há nós vamos morrer – e assim começava a choramingar.
— Nós não vamos morrer – disse o garoto confiante, como se descer aquela ladeira fosse a coisa mais fácil do mundo – Quando eu disser pula, você pula.
— Mas estamos muito rápido, o impaqui..
— PULA!!! – ele dissera, e sem pensar duas vezes pulou junto com ele a lombada. Então ele continuava a tentar brecar os patins dele, e a puchava pra trás, diminuindo assim um pouco a velocidade dos patins de Emily.
E novamente um lombada, e mais outra, e parecia que a rua não ia acabar nunca. Até que começou a ficar mais inclinada e Emily começou a respirar mais aliviada. Então se virou pra ver quem a salvara. E ficaram tão admirada com o par de olhos azuis acinzentados que viu, como se entrasse em transe, ele disse algo acordando ela.
— O que você disse?
Tarde de mais, a ladeira ainda não tinha terminado, nem as lombadas, Emily como estava de costas e não havia prestado atenção quando ele lhe dissera pra pular, ela tropeçou e saiu rolando e levando contigo o garoto. Finalmente conseguiram parar, quando Emily olhou ao seu lado viu o garoto tentando se levantar e com o seu sorvete no meio do peito. Mas mesmo assim todo sujo e com o cabelo cheio de folhas, ela teve que admitir que ela era muito bonito.
— Você está bem? – ele perguntara dando-lhe a mão para ajudá-la a levantar.
— Estou sim, só um pouco ralada – ela disse sorrindo – muito obrigado por ter salvo minha vida.
— Não há de quer, eu já to acostumado a salvar garotinhas que costumam desser essa ladeira pensando na morte da bezerra. – dissera ele sorrindo – Estou brincando, mas você ta mesmo bem, não quebrou nada?
— Estou bem sim, obrigado – foi então que reparou no sorvete – ho me desculpe – disse ela tentando tira o sorvete da blusa dele.
— Não se preocupe, eu adoro sorvete, ainda mais de morango- então os dois caíram na risada. Depois de terem ficado rindo por vários minutos ela finalmente consegue se controlar.
— Você sempre desse essa ladeira- perguntou um pouco sem ar – Me pareceu tão confiante, como se fosse a coisa mais natural do mundo.
Ele deu uma boa gargalhada antes de responde.
— Pra falar a verdade, nunca a tinha descido. Mas quando vi você gritando feito uma doida e morrendo de medo, quando dei por mim já tava do teu lado. Se você fosse morrer, morreríamos os dois, pois nem eu sabia o que tava fazendo realmente.- e assim deu uma gostosa gargalhada. E por mais perigosa que fora a situação Emily também estava dando risada. Os dois ali estourando de dar risada, nem parecia que a poucos instantes trás, estavam em um grande perigo.
— Mily,MILY – vinham gritando Lily e Antonia muito preocupadas, e atrás delas vinham também Joe, Rick e Tiago. As meninas mal deixavam Emily respirar de tantas perguntas. Tiago fazia a maior cena de namorado preocupado, pegando Emily no colo e assim a levando embora.
Emily não conseguiu se livrar de Tiago, e foi embora carregada, mas antes de ir, olhou pra trás procurando o garoto que a salvara. Mas não o encontrou, pois ele já tinha ido embora, aproveitando o alvoroço que estava em volta de Emily.
Sem que ninguém percebesse ele saiu do meio daquela agitação toda. E voltava pra sua turma de amigos que estavam ali perto assistindo tudo de camarote.
— Cara, isso realmente foi incrível- dizia um de seus amigos – são poucos os otários que dessem essa ladeira- terminara ele em deboche.
— Há, há. Muito engraçado.
— Você conhecia garota? Parente sua?
— Não, nunca vi mais louca – e pensando no que disse viu como foi otário em arriscar a própria pele por uma desconhecida.
— Ulalá, eu nunca pensei que veria essa sena – o outro debochava ainda mais – James Scotty Lamburguine arriscando a pele pra salvar uma mera desconhecida, uma simples plebéia.
— Isso, aproveita e zoa mais – disse fazendo caria de sério – seu dia ainda vai chegar.
— Ta, enquanto não chega. Eu me contento em zua tua cara feia .- disse o outro fazendo cara de quem estava se lamentando do fato.
— Mas eu to muito mole mesmo. – e assim James pulou em cima de Dan e começou a lhe dar uns crokes – Então alem de eu ter que agüentar você zua com a minha cara, tenho que agüentar você se passar por tirste né... Seu Zé Ruela...
E assim eles passaram o resto da tarde no parque, James tendo que escutar Dan lhe fazendo piadas a todo o momento, quando ele pensava que o garoto havia cansado, ai que ele começava de novo. James realmente gostava muito de Dan, afinal eles cresceram juntos. Os pais de Dan era amigos de infância dos de James. Mas apesar de Dan morar do outro lado da cidade, isso não o impedia de passar horas e horas com James. James tinha um tio chamado Marcos, um homem muito culto, inteligente, cavaleiro, ele era gêmeo do pai de James. Os dois eram muito parecidos em muitas coisas, mas ao contrario do irmão Marcos, Marcio era um homem frio, arrogante e que só vivia pros negócios. Apesar de Marcos ser tio de James, ele muitas vezes parecia mais um professor, em todo lugar ou situação Marcos aproveitava pra ensinar algo a James, o que resultou em um belo rapaz, charmoso, educado, culto, elegante, com um belo porte. Mas apesar de tudo que sempre fez por James, não conseguiu prevenir James de ficar com o mal gênio de seu pai, os dois tinham o mesmo gênio impetuoso e alguma vezes mesquinhos. A diferença entre eles é que o Marcio conforme foi passando os anos foi ficando seco, frio ao contrario de James, que em algumas poucas vezes parecia a alegria e a beleza de se viver em pessoa, mas eram raros os momentos.
— James, onde esteve? – perguntou o tio vendo o sobrinho entrando na sala todo sujo. Era uma situação engraçada, pois James sempre se entrava em um impecável estado – foi atacado por uma lata de lixo? – perguntou ele zombando.
— Fui, você nem imagina como foi emocionante – disse o outro fazendo vários sinais com a mão, como se estivesse atacando algo – foi uma luta realmente emocionante.
— Eu imagino – disse o tio segurando o riso – e pelo visto o vencedor foi a lata.
— Nossa, sua bola de cristal está realmente boa – James já estava começando a ficar nervoso, não gostava muito das brincadeiras do tio – ela tinha uma casca de banana, eu dei bandeira e BUM...
— Você beijou o chão – o tio já ria abertamente, ria ainda mais vendo a cara de James que passava de "há engraçadinho" pra "a vai catar coquinho".
— Pêra ai você vai ter um replay da cena. - E assim começou a andar pela sala a procura de alguma coisa – Achei – e assim começou a andar em direção ao tio, que estava sentado em uma poltrona perto da mesa rindo gostosamente. O garoto ia sem sua direção com passos apressados, quando tropeçou no tapete e a lata de lixo foi para na "acidentalmente na cabeça de seu tio".
Agora quem ria abertamente era James, seu tio parecia que ia soltar fogo pelas ventas de tanto que chiava.
— Seu moleque insolente – a veia em sua têmpora pulsava tanto, que aprecia que iria estourar a qualquer momentos - como se atreve a fazer uma coisa dessas? Seu L'idiot, ajustent formé, mule d'embecil...
James subia correndo as escadas e deixando pra traz um tio muito nervoso, que já estava roxo de raiva o que causava muito riso em James, afinal fazer o "Grande Marcos" perde a pose não era qualquer um que conseguia. Entrou no seu quarto e foi logo pro banheiro tomar um banho. Entrou em baixo do chuveiro e ficou ali, lembrando dos acontecimentos do dia, e assim ficou por um bom tempo, a água lhe caia nas costas e isso era como se lhe massageassem a costas, era relaxante. Ele se encontrava em um espaçoso banheiro, todo azul claro, atrás da porta estava cheio de cintos e algumas camisetas penduradas, o espelho que ficava em cima da pia estava com uma rachadura, que foi provocada por James após levar um escorregam e bater a cabeça no espelho.
Terminou de tomar banho, pegou uma toalha e enrolou na cintura e parou em frente ao espelho rachado. Seus cabelos estava mais indisciplinados do que nunca, seu queixo começava a adquirir um ar de arrogância que combina muito com seu olhar penetrante, herdado de sua mãe, lindos olhos azuis acinzentados. Passou a mão no cabelo, desalinhando ainda mais o cabelo então foi pro quarto. Quando estava na porta a empregada acabava de entrar e ficou ali parada olhando pra ele, sem reação. Quando percebeu o que estava fazendo, ficou muito vermelha e saiu toda atrapalha trombando em Eliza que entrava no quarto.
— Nossa, o que você fez com a pobre coitada – disse ela entrando quarto do filho – é o primeiro dia dela e você a recebe assim.
Eliza é mãe de James, uma mulher muito charmosa, alta magra e com cabelos tão loiros que quase eram brancos e ainda tinha aqueles olhos que o filho herdara, azuis acinzentados. So que ao contrario de sua mãe, James tinha os cabelos castanhos mas uma pele clara, o que dava um certo destaque em seus olhos.
— Eu não fiz nada – defendeu-se fazendo cara de anjo.
— Sei..- riu a mãe – e quanto a seu tio, encontrei ele muito alterado lá em baixo, e o único que consegue esse efeito é você.
— Há, ele começou a zoar comigo e eu respondi a altura. – disse fazendo cara de quem foi injustiçado.
— Você e seu tio um dia ainda vão se matar – disse ela penteado o cabelo de James - pronto. Não quero mais o senhor andando de toalha pela casa - disse ela dando um tapa na bunda dele que estava passando pra pegar algo pra vestir.
— Há, isso não foi culpa minha, como ia saber que a garota ia estar aqui – vestiu uma samba-canção, virou pra sua mãe pegou-lhe pela cintura, pegou sua mão e começaram a dançar uma musica que só eles escutavam. – E sabe de uma coisa, não tenho culpa de ser irresistível.
— Ho sim. Você ta com o ego muito grande – disse ela sorrindo, e assim continuavam a dançar – espero que você não de em cima das serviçais, pois se não, não teremos serviçais mas sim um fã clube seu.
Os dois caíram na risada, e assim terminaram a dança com uma volta de Eliza.
— Bom, eu vou ver como está seu pai – disse ela lhe beijando a testa – não se esqueça de descer pra jantar, hoje é as 9:00, vamos ter que espera alguns convidados.
Assim que ela saiu, James se jogou na cama e logo adormeceu. Não viu, nem escutou mais nada.
Muito longe dali, se encontrava uma garota deitada em uma rede sonhando acordada. Estava se lembrando dos acontecimentos do dia. E agora pensando e analisando melhor, o dia até que foi bem engraçado.
Depois que o pessoal chegou pra ver como Emily estava fazendo aquele barulho todo. Todos pareciam muito preocupados. Lily estava mais branca do que o normal.
— Lily você ta transparente – Emily queria descontrair um pouco o pessoal, estavam todos muito tensos. Mas não tinha motivo, não lhe acontecera nada, apenas uns arranhões.
— Pare de brincadeira Emily – dLily realmente estava muito preocupada com a amiga, tinha conhecimento do medo que a amiga tinha daquela ladeira – você não quebrou nada né?
— Quebrou – dessa vez quem ficou pálido foi Tiago , que caiu sentado ao lado de Emily – minha bonequinha você ta inteirinha né? – e assim ele começou a cutuca – lá pra ver se estava tudo no lugar.
— Pare já com isso Tiago – isso surpreendeu a todos, pois ela sempre o chamava de Ti – pessoal, se acalmem, por favor. Eu estou bem... E não quebrei nada – acrescentou vendo a cara de Lily.
— Haa... eu sabia – disse Antonia, que já recuperara do susto – você não é uma bonequinha de porcelana, mas sim de plástico, e daqueles bem duro.
Isso arrancou risos de todos e ajudou o pessoal a se descontrair. Passaram o resto da tarde ali, sentados em baixo de uma árvore, conversando abobrinhas. Na hora de ir embora, foi cada um pra um lado, apenas Tiago ficou pra trás e insistiu em acompanhar Emily até em casa.
— Não é necessário – dizia ela – moro só a dois quarteirões daqui.
— Mas eu faço questão, e quero ter a certeza que chegará bem – ele terminara.
Emily por educação aceitou. Foram o caminha todo hora em silêncio, hora conversando coisas inúteis. Ela nunca gostou tanto de morar perto do parque como naquele momento. Quando finalmente chegaram, foi se despedir de Tiago, mas esse fora mais rápido lhe pegando pela cintura e lhe dando um beijo, Emily nada fez, mas percebeu que não sentia nada enquanto ele lhe beijava. Já não sentia mais aquela alegria, vontade de responder ao beijo ou aqueles arrepios na nuca. Não sentia mais nada.
— Então minha bonequinha de porcelana – ele finalmente a largou – nos vemos amanhã.
— Não - respondeu ela, o que o deixou confuso. - Tiago, nada mudou tudo o que te falei no parque ainda continua.
— Mas, mas, mas e o beijo – ele estava atordoado – você correspondeu.
— Sim, mas foi o suficiente pra mim confirma o que já tinha lhe dito.
— Mas eu não posso ficar sem você – ele parecia chocado, como se a ficha dele só estivesse caído agora – Você é minha bonequinha, minha garotinha..
— Correção – disse ela, que já estava perdendo a paciência – eu fui. E entenda, por favor. Eu não sinto mais nada por você e mesmo que sentisse não voltaria com você, você me tratou como um brinquedo que quando dá vontade vai lá e paga pra se diverti, depois deixa em um canto jogado.
— Eu sei que cometi alguns erros – admitiu ele, meio envergonhado.
— Alguns?!?! – repetiu ela atônita, não acreditava que estava escutando aquilo. – Você quer saber de uma coisa?! Eu to cansada, não vejo hora de entrar em um bom banho quente e depois ir pra cama. Então entenda de uma vez por todas, eu não vou voltar com você, daqui em diante só seremos amigos, pelo menos da minha parte. E que na próxima vez , você dê mais valor na sua " namo – ficante".
Ele nada fez ou disse a não ser um até mais. E saiu de cabeça baixa.
Emily reanalizando a situação, percebeu o quanto foi grosa com Tiago, apesar de tudo que ele lhe fizera, tinha ficado com dó do garoto. Emily ganhara o apelido de bonequinha de porcelana pois sempre fora muito delicada, meiga, gentil, e como alguma vezes Antonia reclamava: inocente demais.
O que estava acontecendo? Não era de seu feitio agir daquela maneira e..
— BAMBINAAA!!BAMBINA – os gritos de D. Nina lhe acordou de seus devaneios – onde se meteu essa menina?
— Estou aqui – ela respondeu, causando um susto em D. Nina que estava de costas pra rede em que a garota se encontrava.
— Tu queres me matar do coração – apesar o tom ela estava dando um meio sorriso – Seu pai falou que vocês vão a um jantar em uma cidade vizinha, e que tua prima Joana vai junto para lhe fazer companhia, pois é jantar de negócios.
— Mas eu não quero ir – ela fazia biquinho – esse jantares sempre são muito chatos.
— Seu pai quer que vá, pois parece que quer te mostrar uma coisa... não sei o que é – acrescentou vendo a cara surpresa de Emily – e vai leva tua prima para lhe fazer companhia.
— Mas ..
— Chega de perguntas e mas. – disse ela já de saída – é pra estar pronta as 7:30, pois vão sair nesse horário. – e assim se retirou, deixando pra trás uma Emily muito curiosa.
Mal a governanta sairá da varanda, Emily pulou da rede e quase caiu, pois enroscou o pé na rede. Subiu as escadas pro seu quarto de dois em dois degraus, tamanha era a pressa. Já era 6:30 da tarde, só teria uma hora pra se arrumar, não daria tempo. Ela começou a se desesperar pensando nisso.
Chegando ao quarto, ia pro banheiro, mas já tinha tomado banho. Então se dirigiu pro fundo do quarto, onde se encontrava o guarda- roupa. Abriu todas as postas e ficou ali encarando o guarda – roupa, olhando o de cima a baixo.
