4° capítulo: Apenas um jantar? (parte 2)
Todos saíram da sala em silêncio, seguiram o mordomo pelo mesmo corredor que tinha passado antes. Em uma das salas ele virou e abriu uma porta dando passagem aos três que o seguiam.
Encontravam-se em uma grande sala de estar, decorada com tons leves, tinha algumas plantas nos cantos e no centro uma enorme mesa de madeira. A mesa tinha estava toda arrumada, com um lindo arranjo de flores ao meio, não muito grande. E ao lado de cada copo na mesa, havia um pequenino arranjo de frutas. Nas paredes havia quadros, a maioria de arranjos de frutas.
A mesa não estava toda cheia, tinha uma dez pessoas, todas já sentadas e conversando animadamente, só esperavam eles para começar o jantar. Quando entraram na sala de jantar alguns viraram a cabeça para olhá-los e outros nem sequer notaram que haviam entrado. Emily sentou-se ao lado de seu pai, que estava vago e tinha mais dois lugares vagos a sua frente. Mily fez sinal para a prima se sentar a sua frente sem que ninguém percebesse, mas não foi muito eficiente. James viu que Emily fazia sinal pra Anmica e resolveu irritar as garotas sentando-se no lugar de Anmica, quando chegou na cadeira e puxou para trás Anmica sentou e olhou para ele com um sorriso no rosto.
— Obrigado James – disse ela sorrindo da cara de raiva que ele fazia.
— Por nada querida – disse ele com um sorriso forçado. E sentou-se na cadeira ao lado, olhou para Emily e viu que ela ria da situação, o que o deixou com mais raiva ainda.
Logo os garçons começaram a servi os pratos e as bebidas. Todos a principio recebeu uma salada e de bebida tinha duas taças a sua frente uma com água e a outra com vinho, para os mais novos que eram: Emily, Anmica e James eram sucos de Frutas Vermelhas.
Assim que os garçons terminaram de servi a todos, Marcio se levantou e deu uma pequena batida em sua taça e todos se viraram para ele.
— Bom, quero agradecer a todos aqui presentes- começou ele – e dizer que estou muito feliz em lhes comunicar que estou honrado em ter como mais novo sócio Henrique Castanhani.
Henrique se levantou e todos ali presentes o aplaudiram, ele cumprimentou Marcio, que por sua vez se sentou.
— Muito obrigado Marcio – disse olhando para Marcio na ponta da mesa, depois se dirigiu a todos os presentes na mesa – Fico muito feliz e satisfeito em poder entrar em um grupo tão bem desenvolvido com este. E que nossa associação dure por muito tempo. Um brinde. – e ergueu sua taça, todos fizeram o mesmo.
E se ouviu muitos tilintares pela mesa, logo depois voltou os garçons e serviram o jantar. O jantar decorreu muito bem, uns conversavam sobre coisas banais, outros sobre os negócios, as únicas duas mulheres que tinha conversavam sobre o colégio dos filhos. O senhor que estava do lado de Mily se virou e começou a conversa com a garota.
— Você é filha de Laura com Henrique. – disse ele olhando Emily atentamente – Sim, sim, você tem os traços de sua mãe, pode até ser parecida com seu pai, mas os traços de Laura estão vivos em você.
— O senhor conheceu minha mãe? – Mily estava espantada com as palavras do homem. Sempre lhe falaram que era a cara de seu pai, a única coisa que tinha da mãe era os olhos e o sorriso.
— Ho sim – disse ele com uma cara muito fraternal – eu estudei com sua mãe e com esse cabeça dura que você chama de pai – terminou ele dando risada.
— Alfrede o que minha filha vai pensar de mim depois disso – Henrique entrava na conversa – Mily, Alfrede estudou com sua mãe desde o primário, era ele que cuidava dela pra mim – disse rindo- como sabe sou dois anos mais velhos que sua mãe, então terminei os estudos primeiro.
— Verdade, quando seu pai saiu do colégio, fiquei como segurança de sua mãe. – disse lembrando-se dos velhos tempos – ela era muito bonita e fazia muito sucesso. Assim como você fará, tenho certeza.
— Obrigado Sr. Alfrede – disso sorrindo meio envergonhada – Mamãe me falou algumas vezes do senhor, mas nunca apareceu para uma visita.
— Frede, me chame de Frede – disse ele – Quem disse que não os visitei?!
— Ele nos visitou quando você era muito pequena – falou Henrique – estava aprendendo a andar, e vocês faziam uma bagunça que só por Deus.
Eles riam, Frede parecia perdido em pensamentos.
— Então era o Sr. nas fotos que eu tenho em casa – disse Mily pensando alto – o garotinho na foto, é seu filho?
— Vocês ainda tem aquelas fotos? – perguntou ele mais para Enrique, que confirmou com a cabeça – Minha nossa, devem estar meio velhas..sduahudhuahuhd... e quanto a Dan, sim ele está muito bem.
— Por que Dan não veio tio Frede?- perguntou James que até o momento estava conversando com a mãe.
— Ele não estava muito bem quando sai de casa – respondeu Alfrede – Estava com uma terrível dor de cabeça por causa da mudança dos novos vizinhos.
— Não me diga que Sélia se mudou – perguntou fingindo-se endiguinado.
— Hora James não me faça essa cara – disse ele em tom de reprova – Acho que foi muito bom ela ter se mudado, você só judiava da garota.
— Que isso titio – disse com fingida endiguinação – eu amava ela, até pensava em me casar com ela.
Todos caíram na risada pelo tom que James falou aquilo. E assim continuou o jantar. Todos muito bem animados. Quando finalmente o jantar havia terminado, todos foram para um sala que havia um pequeno bar em um canto, um grande sofá preto e mais duas poltronas da mesma cor. Havia apenas dois quadros na parede e o resto era muito simples, mas dava um ar de poder aquela sala.
Todos conversando, estavam distraídos, até Mika não percebeu quando Mily saiu. A porta de vidro não lhe saia do pensamento. Então resolveu ir ver o que tinha além da porta.
Voltou pelo mesmo caminho que tinha passado para chegar à sala onde estavam. Chegou a sala de jantar onde estava o mordomo e alguns garçons arrumando a mesa. O mordomo se virou quando a viu entrar e lhe dirigiu a palavra.
— Deseja alguma coisa senhorita?
A garota olhou pra sala de jantar e viu que havia três saídas, e já não se lembrava por qual tinha passado quando entrou.
— Eu preciso ir até a sala onde estava antes do jantar – disse meio nervosa, o mordomo a olhou curioso – é que esqueci minha pulseira lá, estava me machucando então a tirei.
— Entendo – disse olhando pro pulso da garota – vou levá-la até lá, mas não poderei ajudá-la a procurar, pois tenho que arrumar isso aqui.
— Sim claro. Não se preocupe.
E assim o mordomo a conduziu até a pequena sala, mas desta vez passou por outros lugares e foi bem mais rápido. Mily nem prestava atenção por onde passava, o mordomo andava muito rápido e a garota quase tropeçou em um tapete o que resultou em um esbarramento numa cantoneira. O mordomo mal olhou para traz com o barulho continuou o seu percurso. Quando finalmente parou e abriu a porta pra Emily passar disse apenas.
— Espero que ache sua pulseira senhorita – e deu um leve sorriso – e não se preocupe, todo mundo tropeça no tapete.
E logo após fechou a porta e saiu. Mily olhou novamente para sala, havia gostado do lugar, era tão aconchegante, ficou ali olhando a sala por alguns segundos e logo se dirigiu ao fundo. Parou em frente da estante ficou olhando os porta-retratos. A maioria era de Eliza com um garotinho no colo ou brincando, Mily supôs que fosse James, pois o garoto tinha o mesmos olhos que a mulher. Tinha também vários retratos de uma menina com cabelos muito loiros, ela era muito parecida com Marcio. Emily achou logo em cima da televisão um grade retrato que continha James, Eliza, Marcio e a garota em um piquenique, todos estavam muito sorridentes menos James que fazia careta pra câmera.
Tinha mais alguns porta-retratos, e alguns deles estavam baixados. Mas a morena não olhou todos só alguns. Foi pra porta de vidro, quando entrou estava em largo corredor com algumas plantas nas paredes e no chão tinha vasos de plantas. As luzes eram azuis e bem fracas, o teto ali era de vidro e dava para ver lindo céu estrelado.
Mily adorou o lugar, eram poucas as casas que conhecia que tinha um jardim de inverno. Continuou andando e acabou saindo em uma pequena sacada. Ficou maravilhada com o que via. Estava diante de um enorme e maravilhoso jardim. Em baixo da onde estava tinha vários tipos de flor que davam um aroma muito gostoso ao ar. Tinha uma pequena escada lateral que continha um caminho de pedras no chão. Mily foi seguindo o caminho de pedras no chão admirando tudo em sua volta. A garota passou por um canteiro de rosas, e o caminha se abriu em dois. Ela seguiu um deles sem nem ao menos ter notado que havia se dividido. Acabou parando em frente de um banco de madeira branco que havia ali, Sentou e ficou obesrvando o lugar. Tinha muitas flores ali e até mesmo um pequeno lago. Mily estava hipnotizada pelo perfume das flores e com a lua cheia que estava no céu que não percebeu que tinha mais alguém ali, estava encostado em uma árvore não muito longe do banco onde ela se encontrava.
Ele ficou ali a observando por vários minutos, apesar de não gostar da garota, vê-la ali tão admirada pelo cenário, lhe proporcionava um novo sentimento, lhe trazia lembranças que há muito tempo tinham sido esquecidas. E assim tinham que ficar no esquecimento. Deu alguns passos e acabou pisando em um galho seco que havia ali e acabou tirando Emily de seu transe.
Mily deu um polu na banco ao ouvir o galho se partindo e se assustou um pouco mais quando viu uma sombra se aproximando, quando chegou mais perto ela pode constatar que se tratava de Marcos, o tio de James. Ele não tinha expressão alguma e a pouca luz que havia ali lhe dava uma aura assustadora.
— O que faz aqui?- perguntou com a voz seca – Por que não está com os outros convidados?
— E..e..eu me perdi dos outros convidados – ela não sabia por que estava gaguejando, mas aquele homem na sua frente não estava ali pra uma conversa animada – e resolvi tomar um pouco de ar puro.
— Entendo – continuo a olhando, seu olhar era muito frio e profundo, o que estava dando ainda mais medo em Mily.
— Me desculpe se interrompi o que estava fazendo – então olhou pra onde ele havia saído – eu já estou voltando para dentro, me desculpe senhor.- E assim se virou e começou a seguir o caminho de pedras no chão.
— Boa noite senhorita – Mily ouviu ele dizer e se virou, apesar da escuridão e a única luz que tinha era da lua, ela pode ver que ele dava um meio sorriso, então acenou para ele e voltou a seguir as pedras.
Não achou que estava tão longe da casa, só via as plantas, as flores, algumas árvores, então resolveu aperta o passo. Será que seu pai estava preocupado, e a prima, seus pensamentos começaram a voar. Mas logo voltaram a terra, Mily se encontrava na divisão do caminho de pedras.
" Que maravilha, vou pra onde agora", olhou pra esquerda e não viu nada a não ser as flores que se seguiam, olhou pra frente e só via flores também mas escutou bem longínquo um barulho de água." A fonte, só pode ser".
Seguiu em frente e logo conseguiu avistar a casa, ficou mais aliviada, quando chegou mais perto viu que havia alguém na varando por onde tinha saído e estava com a voz alterada falando ao telefone.
— Não quero saber, vocês tratem de prender essas feras sanguiranárias - ela estava de costas para o jardim, parecia muito nervosa pois passava a mão nos cabelos toda hora – eu não sei onde ela pode estar, mas vocês tratem de prender essas feras.
Emily havia para, estava bem próxima agora, mas do que será que ela estava falando, olhou a volta não tinha nada ali de assustador, mas derrepente sentiu um calafrio. Entçao resolveu subir a escada. Assim que pisou na madeira no primeiro degrau, Eliza se virou automaticamente e abriu um longo sorriso a vendo subir as escadas.
— Ho minha querida. – assim que Mily chegou a varanda Eliza a abraçou – você está bem?, não encontrou os cachorros né?.
— Não senhora – Mily não sabia o que fazer, estava sem reação diante da recepção de Eliza – encontrei apenas o senhor Marcos perto do banco.
— Então era lá que você estava – disse a conduzindo para dentro – sua prima veio me pedir ajuda para procurá-la sem alerta os outros, procurei pela casa, então o mordomo me disse que tinha a deixado na saleta, fiquei muito preocupada quando cheguei e vi que você não estava e a porta do jardim estava aberta. Os cachorros de Marcio estão soltos e sabe eles não se dão bem com ninguém quase. Mas você está bem vou deixá-la aqui e vou conversar com Marcos. Boa noite querida.
Emily ficou olhando a porta por onde ela tinha passado e agora Eliza passava. A mulher já tinha ido e ela continuava a olhar a porta. "Eu quase fui ataca então por cachorros, ai meu Deus, obrigado por estar viva". Olhou mais uma vez para a porta e se virou procurando a saída daquela sala. Estava seguindo pelo corredor quando encontrou Mica e James.
— Até quem fim garota – James foi o primeiro a se pronunciar – se tomou doril, onde se meteu?
— Emi onde você estava? – perguntou a prima a olhando – você está bem?
— Eu estava no jardim, lá no fundo – disse sorrindo – ele é muito lindo, de os parabéns a sua mãe James.
— Ta eu dou, mas me responde uma coisa – ele a olhava muito espantado – como saio viva dos jardins?
— Por que ela não sairia viva de lá? – Mica estava curiosa, o que tinha o tal jardim.
— Por que a essa hora os cachorros ficam soltos, são cinco rottweilers, e como hoje tem visitas eles foram colocados nos fundos. – então ele olhou para Mily – onde você estava, não se encontrou com nenhum deles?
— Não, encontrei com seu tio e com sua mãe que estava meio nervosa mandando prendê-los.
— Você deu sorte em garota – disse ele rindo.
— Ho prima, que bom que não lhe aconteceu nada. – e assim deu um abraço bem apertado em Mily – Vamos voltar pra sala então.
Os três voltaram pra sala e ficaram conversando bobagens até a hora de ir embora.
Quando finalmente o jantar terminou e todos se despediram, Eliza apareceu e se despediu e todos e pediu desculpas por Marcos não estar presente no jantar, disse que ele estava se sentindo mal. Emily foi se despedir de Eliza estava meio constrangida pelo o que havia acontecido.
— Me desculpe pelo susto senhora – disse meio baixo, mas Eliza e Alfrede escutaram.
— Não foi nada querida – disse com simpatia - os jardins – disse para Frede que olhou curioso para Eliza.
— Assim, entendo – disse Frede, então olhou para Emily – Não fique assim querida, uma vez quando Dan era pequeno, tinha uns dez ou onze anos, ele saio para brincar também – e começou a rir se lembrando daquele dia- ele foi brincar e não avisou ninguém, foi bem no dia que os cachorros haviam chegado, e o instrutor tinha nos dito que iria demorar um pouco para os cachorros se adaptar aos novos donos. Quando nos demos conta que Dan havia sumido, todos entraram em pânico, mas o engraçado foi que quando o achamos ele estava dormindo junto com os cachorros no jardim, fomos tentar tirar ele lá do meio e os cachorros acordaram e começaram a latir e rosnar.
— Realmente aquele dia – disse Eliza se lembrando também – Foi bem complicado tirar ele de lá, os cachorros não deixavam, então Dan se levantou fez todos se acalmarem e saio de lá. Quando o instrutor chegou e lhe contamos o porquê o chamamos tão depressa ele quase teve um ataque, nos chamou de louco por deixar uma criança ir brincar com os cachorros.
Todos caíram na risada.
— Vamos Mily, está na hora – disse Henrique que acabava de chegar a roda – Eliza, o jantar estava maravilhoso, parabéns.
— Obrigado – respondeu ela – Sua filha é encantadora, traga-a aqui mais vezes.
— Claro, a trarei – disse olhando para Mily – Frede, foi muito bom revê-lo.
Os dois amigos se abraçaram e logo após Henrique foi embora junto com Elimy e Mica, no caminho foram conversando sobre o jantar, as pessoas que elas não conheciam.
Logo pararam em frente ao prédio onde Mica morava, era um prédio comum de quinze andares, localizava-se perto do centro e era bem discreto. Passaram pelo porteiro que os deixou entrar só depois de ver Mica. Logo que estava em frente ao prédio Mily olhou para cima.
— Poxa – disse olhando para o último andar onde a prima morava – já pensou se não existisse elevador?
Todos riram e entraram no prédio. Quando finalmente estavam na cobertura onde Mica morava, as meninas já tinham tomado banho e estavam de pijama, sentadas na frente do PC disputavam que iria ser a primeira a entrar na internet, então Ellen a mãe de Mica entra no quarto e interrompe a disputa.
— Mas o que é isso? – disso olhando a cena, as duas descabeladas Milly com o cabo da internet e Mica com o mouse na mão - Meninas se acalmem e entrem em um acordo, por favor em.
— Mas nós tínhamos um – respondeu Mily – uma hora de cada, só que Mica já ta ai faz uma hora e quinze, já é minha vez- dizia Mily balançando o cabo na mão.
A mãe da garota olhou pra ela sentada no PC e balançou a cabeça negativamente.
— Mica acabou seu tempo, deixe sua prima usar também – falou ela, a garota abriu a boca pra protestar mas a mãe não deixou- Não adianta se defender, você faz a mesma coisa com sua irmã.E anda as duas pra sala, seus pais querem fala com vocês.
— O quê? – disse Mica – eu não fiz nada com aquela pirralha dessa vez, é tudo mentira.
— Calma minha filha – disse ela puchando a garota da cadeira – não é nada a ver com sua irmã, vamos quando chegar na sala vocês vão saber, anda as duas pra sala- e dissse ela empurrando as meninas pra sala.
Quando chegaram no corredor Ellem foi ver como Nanda estava, se estava dormindo bem e as meninas continuaram seguindo pra sala, quando chegaram lá Henrique estava falando com Álvaro.
— Não sei – dizia ele olhando para a janela – mas acho que Marcos não ficou para o jantar por causa do que aconteceu, você viu o que Eliza disse, a reação dele ao ver Mily e além..
— Tocs. Tocs – tossia Álvoro, indicando que as meninas estavam na sala – minhas queridas, sentem-se.
— Papai o que aconteceu com o senhor Marcos? – Emily foi direto ao pai que estava perto da janela, ele estava sem o paletó e a gravata, estava apenas com uma camisa branca com as mangas dobradas.
Ele a olhou carinhosamente e respondeu:
— Uma outra hora eu te conto – respondeu ele e acrescentou vendo que ela abria a boca pra protestar – É uma história comprida, agora se sente lá com Anmi que temos que contar uma surpresas pra vocês.
— Acho melhor não contar, espera até amanhã – disse Ellen que acabava de chegar na sala – Se não elas não iram dormir.
— A não conta – disse Mica, já estava muito curiosa pra saber do que se tratava- O que é tão importante pra te que esperar até amanhã?
— Bom, agora que atiçaram a curiosidade de Mica- falou Ellen com uma cara de que perdeu a batalha- podem fala, se não ela não vai para de pergunta.
Mica olhava ansiosa para todos na sala, esperando a boa alma que começasse a falar, mas para sua decepção a voz veio do seu lado.
— Mica, se acalme – disse a prima tentando arranca a almofada da garota – Você ta quase rasgando a almofada – E assim começou a disputa pela almofada, o que acabou com as duas levando um tombo do sofá e todos rindo da cena.
— Mica se acalme – disse Álvoro ajudando ela a se levantar e sentar-se no sofá – Você tem que guarda energias para fazer as malas, pois estamos nós mudando – disse ele sorrindo da cara que a filha fazia – Estamos indo para Munçãniqui e Mily e Henrique também vão – Terminou olhando para a sobrinha.
As garotas no sofá se olharam e derrepente caíram numa gostosa gargalhada, Mily recuperou um pouco o fôlego e disse ao tio:
— Ótima pegadinha tio – disse limpando as lágrimas que caiam – muito boa mesmo tio.
— Mas não é brincadeira – disse ele passando a mão no cabelo – Por que elas não acreditam?
— Talvez porquê você vive fazendo pegadinhas – respondeu Henrique – Meninas, não é brincadeira, Enmi você sempre quis se mudar, e você vai, as casas já estão até compradas e o apartamento está vendido, é isso que seu pai mandou você me falar e Mily, nós também vamos.
Mica mal podia acreditar no que estava ouvindo e então olhou para a mãe que confirmou com a cabeça, ela estava tão feliz que correu a abraçar o pai e logo depois foi acorda a irmã que estava dormindo, Ellem foi atrás da garota. Ao contrário da reação de Mica, Mily abriu um pequeno sorriso e disse:
— Que legal.
— O que foi querida – disse Henrique se sentando perto dela – não gostou da notícia, você vai estudar junto com Anmi, vão morar perto, pois ela vai morar a dois quarteirões de casa e vamos morar em um lugar sossegado, como você sempre quis.
— Eu gostei da notícia – disse tentando sorrir para o pai –Mas a casa onde vivemos, a casa da mamãe, não queria sair dali, foi lá que passamos tantos momentos juntas, e com você também.
— Ho meu bem – disse ele a pegando no colo – Não podemos nos prender a essas coisas, aquela sempre vai ser uma casa que lhe trará boas recordações apenas isto, mas se você quiser encontrar sua mãe, você vai a encontrar dentro de você e tenho certeza que ela sempre vai estar com você, onde você for.
Mily se abraçou ao pai e ficou ali no seu colo como nos velhos tempos, apesar que agora ela já não cabia mais ali, era bom fiar ali com ele. Mas logo apareceu Nanda e pulou em cima de Mily e ficou ali toda sorridente e ignorando a careta de dor de Henrique.
— Mi, é veldade? – disse ela com uma carinha sonolenta – A tatá disse que nos vamos no mudar para Mulanbiqui, é veldade?
— É sim Nanda, mas nós vamos para Munçãniqui e não Mulanbiqui – disse ela rinda – Não é papai – então olhou para o pai que fazia careta – Ho me desculpe, estamos pesadas né – pegou Nanda no colo e saio de cima do pai.
Nanda era uma menininha de quatro anos e meio fofinha também, Ellem falou que era normal, pois Mica também era gordinha só emagreceu depois que cresceu. Mily não estava agüentando ela no colo então a soltou e disse:
— Vamos ajudar Mica a fazer as malas? – a garotinha abriu um longo sorriso e saio correndo deixando Mily para trás – Papai, quando voltamos para casa para arrumar as coisas?
— Não precisamos – disse ele se levantando e conduzindo Mily para o quarto de Mica- Nossas coisa já foram levadas para a casa nova, só a suas que não, provavelmente vão ser levadas amanhã, você deve ter percebido que a casa estava meio vazia hoje – Mily confirmou com a cabeça – Eu já havia levado D. Nina a nova casa, e ela me ajudou a escolher o que levar para lá, pois a casa é bem diferente da outra então muitos quadros e estatuas e outras coisas não ficariam bem lá, então iram ser vendidos, daqui pra frente começaremos uma vida nova.
— Estou curiosa pra ver a casa então – disse ela com um brilho no olhar – Eu gostava da nossa velha casa, o que vocês deixaram para traz?
— Hum – ficou pensando por um momento – A maioria daqueles quadros que sua avó nos deus, aquelas estátuas estranhas que tinha na sala, as cortinhas verdes que tinha na biblioteca...
— Já entendi – disse Mily rindo – Tudo de sombrio que tinha em casa.
— É mais ou menos isso – disse ele – E não fique brava com D. Nina, mas ela jogou quase seu material todo que estava na mesa fora, falei com ela quando chegamos aqui, liguei pra lá pra saber como iam as coisas – Mily ficou espantada – não se preocupe, ele falou que jogou fora apenas seu fichário desse ano, as canetas que não pegavam mais, algumas roupas que estavam velhas, sapato resumindo, fez um limpa no seu quarto, o que tava precisando né filha – disse rindo, mas logo parou vendo a cara de Mily – Se acalme eram só coisas velhas, e quanto ao teu fichário que você montou, ela guardou e o resto você compra depois.
— Ufa - respondeu ela sorrindo – Achei que ela tinha jogado o meu outro fichário também, deu um trabalho pra montar tudo – Já tinham chegado ao quarto de Mica e estava uma verdadeira bagunça – Vou ajudar Mica.
— Boa sorte então – disse o pai vendo a bagunça que o quarto estava – só não vão dormir muito tarde em- deu um beijo na filha e saio.
Mily entrou no quarto e tinha roupa pra tudo quanto é lado, foi conversando com Mica e ajudando ela a arrumar algumas coisa e separando outras, estava tão distraída tirando as roupas do armário que tropeçou em um monte de roupa andante. Olhou assustada pra o monte que se movia então entendeu o que estava acontecendo fez sinal para Mica e as duas caíram em cima do monte e logo apareceu Nanda dando risada.
— O que tava fazendo ai em baixo baixinha ?- Perguntou Mica fazendo cosquinha da irmã.
— Vocês foram jolgando ropas em chima de mim – disse ela recuperando o fôlego – delepente tudo ficou esculo e pum, vocês em chima de mim.
Todas caíram na risada e assim foi a noite inteira entre risos e gargalhadas elas foram terminar de arrumar tudo só quando o dia amanheceu. Mas Emily foi para a sacada do quarto da prima para ver o nascer do sol. Olhou para traz e viu as primas deitadas juntinhas dormindo tranqüilamente. Então olhou novamente para frente e lá estava ele, subindo forte e dando seu espetáculo como sempre. O sol estava radiante como sempre, Mily sentia um leve vento lhe tocar os cabelos e fechou os olhos e ficou assim alguns segundos, quando abrio os olhos e olhou novamente para o sol se sentiu revigorada.
— Um nova vida não– disse encarando o invisível –Uma nova aventura, estou pronta para o que der e vier.
Então entrou e foi se deitar com as primas, e ficou pensando novo desafio que vinha pela frente até que adormeceu.
