Título: Wonderland
Autora: Condessa Oluha
Classificação: Slash, Romance, Comédia, Aventura, Angust.
Casais principais: HP/DM, SB/RL
Censura: NC-17 obra slash, se você ignora o termo, bem, deixe-me explicar-lhe como boa samaritana que sou: Slash significa que em algum momento desta fanfic, garotos se abraçarão, se beijarão, se amassarão, e farão coisinhas que se fossem feitas com outras garotas gerariam mais coisinhas... Só de tentar visualizar já tem deixou ofendido? Então meu amigo, aconselho que leia algo mais propício aos seus imaculados olhinhos... Acho que deve ter alguma fanfic dos Ursinhos Carinhosos por aí... Agora se você aprecia as coisas boas da vida e curte slash, Welcome to the jungle, baby! E não se esqueça do review no final!
Resumo: Harry Potter é um garoto normal de dezessete anos que após uma desilusão amorosa acaba conhecendo uma misteriosa casa de chá que realiza os mais sublimes pedidos. Bem vindos à Wonderland, qual o seu maior desejo?
Disclamer: Harry Potter não me pertence, mas Wonderland sim! Por isso, se quiser usar alguma coisa daqui pelo menos tenha a decência de me mandar o link da fic, afinal eu quero ler também! Criatura sem noção! ;P
HPDM
Harry Potter não era um garoto que se irritava facilmente, na realidade poderia ser considerada uma pessoa bastante pacata, afinal de contas, quantas pessoas descobrem que possuem um gênio pronto para realizar todos os seus desejos e não saem por aí tentando dominar o mundo?
Contudo, Harry Potter estava irritado, profundamente irritado, e fazia questão de demonstrar sua frustração chutando cada pedrinha, galho, ou ser vivo que aparecia em sua frente. Seus lábios crispados resmungando coisas inteligíveis e a pequena ruga entre suas sobrancelhas poderiam ser considerados adoráveis não fosse o caminhar da situação: Convivera durante todo esse tempo com um travesti debaixo do seu teto!
E esse mero pensamento o fazia bufar de indignação, e não, não pelo fato de que ficara íntimo demais de um rapaz durante esse curto período de convivência, e sim pelo simples fato de que mesmo após passar as mais inesperadas situações ao lado de Malfoy, esse tivera a petulância em não confiar essa 'simples' informação a sua pessoa! Inadmissível!
Entretanto, um segundo pensamento fez Harry parar de súbito: Ele adquirira intimidade com um homem. Ele abraçara, andara de mãos dadas, carregara no colo e até se agarrara com alguém que possuía os mesmos atributos físicos que ele entre as pernas e o pior de tudo: Estava mais incomodado por Malfoy não ter confiado nele, do que pelo fato que toda a escola saberia segunda-feira que andara se esfregando com uma Drag Queen!
E seus pais? Pobrezinhos! Ficariam chocados! E se eles decidissem expulsar Malfoy de sua casa? E se ele fosse expulso da escola? Não queria nem imaginar as caras de nojo e repulsão dos outros alunos! Pobre Malfoy, ele podia ser uma peste, mas era uma peste com sentimentos!
Se bem que, do jeito que Malfoy era genioso como o próprio diabo era capaz de golpear até a morte o primeiro engraçadinho que se atravessasse em seu caminho, e só Harry sabia o quanto aquele baixinho tinha uma mão pesada...
Suspirou, ficara tão chocado com Draco, sim esse era o seu nome, que nem sequer escutou o que ele tinha a dizer... E isso fazia dele um péssimo amigo... Quer dizer, eram amigos, certo?
E Ginny, porque infernos sangrentos, ela não havia dito-lhe em particular que Malfoy era homem? Tinha que exibir a informação no telão, em alto e bom som pra toda a escola ver?
Andrômeda havia lhe dito que Draco tinha os seus motivos, e foi pensando nisso que deu meia volta e adentrou novamente na mansão do Sr. D. , se havia motivos para Draco agir assim, ele queria ouvi-los nesse exato momento!
Ginny Weasley estava frustrada, e uma Ginny frustrada não era exatamente uma Ginny ponderada ou muito paciente. Havia perdido Harry de vista, tomado um sermão de Tony Potter e agora estava perdida no meio daquela mansão gigante sem começo e nem fim.
Estava caminhando por um extenso corredor, muito mal iluminado na sua sincera opinião, quando viu andando em sua direção o próprio Harry, com um olhar determinado e a largas zancadas.
Sorriu dando ligeiros passinhos para alcançá-lo enquanto, o rapaz meio aturdido por sua presença, parou de supetão erguendo uma sobrancelha.
- Harry! Até que enfim eu te encontrei, estava te procuran...
No entanto, a pobre Virgínia não conseguiu completar sua sentença, pelo simples motivo que um tufão amarelo atravessara a parede do seu lado e fora arremessado sem qualquer piedade contra a parede oposta.
Não era necessário dizer, que o tufão amarelo tratava-se de Draco Malfoy empunhando uma espada e com um enorme galo adornando-lhe a testa.
- M-Malfoy? Que é que...
Harry também não pode completar sua oração, uma vez que o próprio Draco se levantou, sacudiu a poeira de seu macacão e bradou em alto e bom som:
- Eu mato aquela vadia!
Para então abrir outro buraco na parede a sua frente, deixando duas pessoas bastante perplexas.
Harry não se fez de rogado e entrou pelo buraco recém aberto, Ginny o acompanhou ainda um tanto quanto surpresa. A visão que ambos tiveram fez com que seus queixos despencassem alguns centímetros.
Um grande arsenal de armas se desvendava perante seus olhos, todas eram armas brancas, afiadas, e com um brilho assassino nada apaziguador. No meio do recinto uma garota com uniforme colegial um tanto desalinhado e feições orientais balançava uma massa de ferro tentando acertar de maneira quase eficaz a Malfoy que se desviava com destreza.
- Malfoy que é que está acontecendo aqui? – gritou Harry num tom de voz quase histérico, quando a massa de ferro destroçou uma vitrine de armas a sua frente.
Draco olhou para o lado rapidamente, reparando em Harry e em Ginny Weasley, que nesse momento agarrava o braço do rapaz como se sua vida dependesse disso. Franziu o cenho levemente irritado, antes de responder cheio de ironia:
- Não é óbvio? Estou exterminando os insetos! – Num movimento veloz desviou de um golpe acertando sua oponente nas costas.
A oriental deu uma gargalhada um tanto quanto perturbada:
- Ora, ora o que temos aqui?! Draco, não vai apresentar o namoradinho?
- Ele não é meu namorado! – gritou Draco tentando golpear a garota mais uma vez, sendo atingido no estômago e arremessado contra uma estante.
- Malfoy! – Harry gritou e arrastando Ginny inconscientemente, fez menção de se aproximar do gênio abatido, contudo a garota oriental saltou na sua frente:
- Permita-me apresentar-me, eu ser Cho Chang, sou um gênio! – e então girando sua massa de ferro continuou – Estou aqui para acabar com esse maldito Malfoy, mas posso abrir uma exceção e quebrar um ou dois ossos seus durante o percurso. – e sorrindo triunfante direcionou sua arma na direção de Harry, que apenas teve tempo de se abaixar carregando a uma Ginny ainda estática junto.
O golpe nunca o alcançou.
Levantou os olhos temerosamente, Draco havia lançado um nunchaku que acertara em cheio o crânio de Cho.
A garota virou-se vagarosamente, a expressão furibunda em seu rosto fez Draco retroceder alguns passos. Cho jogou sua arma no chão e então seus olhos depararam-se com um machado gigante e cabo longo, como os utilizados por algozes, elegantemente exposto num suporte em forma de garras.
Malfoy acompanhou seu olhar e antes que seu corpo pudesse reagir aos fatos, seus lábios soltaram um impropério:
- Merda!
O machado cortou o ar numa velocidade entorpecente, o corpo de gênio de traços felinos contorceu-se num salto malabarístico que dificilmente poderia ser executado uma segunda vez, e o lugar no qual seus pés estavam repousados segundos atrás, agora estava uma considerável e profunda fenda.
Sua visão percorreu rapidamente o arsenal enquanto o machado o perseguia impiedosamente, colunas, estátuas, vitrines, quadros e paredes eram destroçados ao impactarem com a lâmina potente.
Harry encarava atônito, aqueles pés se moverem sem quase tocarem o chão, Ginny tentava dar crédito a sua visão enquanto tentava procurar alguma câmera escondida ou ouvir algum risinho zombeteiro para lhe afirmar que aquilo tudo não passava de uma brincadeira de mau gosto.
- Fique parado, para eu poder esmagar você! – gritava Cho encolerizada, enquanto destroçava um vazo Ming.
- Claro querida, você também não prefere que eu poupe-lhe o trabalho e decapite minha própria cabeça? – rebateu sarcástico.
Faltava pouco, faltava miseravelmente pouco para alcançar seu objetivo, e quando seus dedos alcançaram o cabo frio da lança exposta a sua frente, sorriu com triunfo.
O próximo passo passou tão rápido quanto uma brisa refrescante em pleno verão, Draco saltou com a ajuda da lança ao mesmo tempo em que Cho desferia-lhe um golpe, ficando em pé sobre o cabo do machado da garota.
Os olhos negros tentaram acompanhar a agitação frenética daqueles braços, porém foi impossível, o cabo da lança avançara sobre a cabeça repleta de lisos fios negros nocauteando sua oponente com precisão.
O corpo de Cho caiu inconsciente sobre o piso destroçado, enquanto Draco saltava para o chão apoiando-se na lança de forma cansada.
- Eu falei que ia te eliminar, não falei inseto? – indagou sem fôlego.
- Malfoy, que diabo acaba de acontecer aqui? – berrou um definitivamente descontrolado Harry Potter.
- Oh, Potter! – saudou referindo-se a Harry – Monstrenga! – dirigiu-se a atônita Ginny – vocês estão bem?
Harry ergueu as sobrancelhas, ato que se repetia consideravelmente naquela noite:
- Eu é que pergunto se você está bem, oras!
- Ah, isso? – disse referindo-se a Cho – Não foi nada! – e em seguida começou a conjurar um encantamento, logo à garota inconsciente estava atada até os tornozelos por uma forte corrente devidamente presa com um cadeado mágico.
- Que espécie de monstros são vocês?! – pronunciou Ginny num fio de voz, trocando os olhares de Draco para Cho.
Antes que a garota piscasse Draco estava diante dela com uma expressão nada amistosa no rosto:
- Monstro? Acaso não se olhou no espelho não? O único monstro que tem aqui é você, que é bem feia por sinal.
- Malfoy, não exagere, ela está assustada... – tentou ponderar Harry.
- Assustada? Não foi ela que teve que encarar a psicopata do machado! – rebateu estreitando os olhos perigosamente, Ginny soltou um gritinho agarrando-se ainda mais a Harry.
- Malfoy! – repreendeu o rapaz.
Draco bufou inconformado enquanto marchava para fora da sala:
- Aonde você vai? – perguntou Harry.
- Pra nenhum lugar que te interesse, fica aí consolando o projeto de orangotango e se a pequena gueixa ali despertar, apenas ignore ela e em hipótese alguma se aproxime.
- E o que eu digo pra Ginny a respeito de você? – questionou desesperado.
- Sei lá, o que você quiser que eu sou o coelhinho da páscoa, Papai Noel, a Madre Thereza de Calcutá, a mãe dela de pernas abertas... Seja criativo!
E sem mais nem menos, abandonou o arsenal deixando uma Ginny chorosa e um Harry atônito para trás.
Andrômeda estava impaciente, caminhava a um bom tempo por aqueles corredores labirínticos, até divisar uma criaturinha de amarelo com cara emburrada.
- Draco! – gritou alegre – Até que enfim te achei! Estava morta de preocupação!
Draco encarou a mulher de cima a baixo antes de responder ácido:
- E desde quando você se preocupa comigo?
- Não falei de você bobinho e sim dos pobres seres vivos que cruzassem seu caminho! Afinal você de mau humor é mais perigoso que um basilisco...
Definitivamente Andrômeda era uma mulher inconveniente.
- E por que você está todo estropiado dessa maneira? – perguntou ao reparar a roupa rasgada, o grande hematoma na testa e diversos cortes no corpo a sua frente.
- Ossos do ofício, acabei de encontrar Cho Chang no arsenal de armas que há por aqui, felizmente ela já está devidamente inconsciente e imobilizada, por isso, se quiser fazer o favor de prendê-la eu agradeceria imensamente, afinal de contas, pelo o que eu saiba ela não tem permissão para entrar nesse mundo.
- Onde fica o arsenal? – indagou adquirindo uma postura séria.
- Segundo corredor à direita, agora se me permite, eu quero tomar um bom banho e dormir durante cem anos.
Andrômeda resolveu não falar nada ao ver o gênio se afastar, sabia também que não conseguiria nada dele no momento. Foi até o arsenal deparando-se com Harry e Ginny no caminho.
- Vocês estão bem? – averiguou quando viu o rosto vermelho e molhado de lágrimas da garota ruiva.
- Sim, apenas um pouco abalados. – respondeu Harry referindo-se a garota ao seu lado – Você viu o Malfoy?
- Estava indo embora quando o vi. Se você caminhar rápido creio que pode alcançá-lo.
Harry não pestanejou duas vezes antes de correr para a direção que Andrômeda indicava.
- Harry! – gritou Ginny indignada por ter sido abandonada em pleno corredor.
- Ora querida, não se exalte. – aconselhou a guardiã acariciando-lhe os cabelos – Ele nunca gostou do tipo frágil e chorona, entenda não é pessoal... – e sem dar tempo para respostas atravessadas, a mulher sumiu pelos corredores.
Sirius amaldiçoava sua má sorte, a disposição dos astros e até sua casa zodiacal enquanto carregava Remus escadarias abaixo.
Batera naquele maldito impostor até ele dizer o que tinha dado para a raposa, sonífero de flor da lua, fora o que ele lhe respondera depois do quinto soco. Andrômeda o havia prendido depois disso, e Sirius ficara encarregado de encontrar Severus, pois de acordo com a guardiã o motivo da febre nada mais era do que a ainda baixa imunidade de Remus por causa do veneno de Rosa Negras.
Por isso, Sirius se perguntava por que aquela maldita raposa não podia aquietar o bendito rabo no canto e descansar?
Severus tinha ficado de vasculhar a mansão em busca de suspeitos junto de Seamus e Neville, e nesse exato momento vinha adentrando no salão principal, agora vazio, logo sendo seguido dos outros dois gênios.
- Sev meu amor, paixão da minha vida, que bom que te encontrei! A raposa adoeceu de novo! Conserta! – exclamou erguendo o corpo desacordado de Remus na direção de Snape.
- Em primeiro lugar é Snape pra você projeto de energúmeno, em segundo lugar Lupin não é um brinquedo para ser consertado e em terceiro, na próxima vez que me chamar de meu amor ou paixão da minha vida, vou dar-lhe um chute no traseiro que vai levá-lo a estratosfera, estamos entendidos?
- Oh, Sev adoro quando você fala sujo comigo! – atazanou-lhe Sirius, esfregando-se no seu corpo.
Seria repetitivo dizer que mais uma vez Sirius ganhara seu cascudo diário.
Draco apareceu poucos minutos depois, sua aparência causando estranheza em muitos:
- Que foi que aconteceu contigo Malfoy, foi pego por um furacão no caminho? – perguntou Seamus.
- Não que seja de sua conta, mas, sim, fui pego por um furacão chamado Cho Chang.
- Uau, ela sabe como detonar com uma aparência... – resmungou Seamus num tom baixo.
- Encontrou Potter no caminho? – questionou Severus analisando-o detalhadamente.
- Ele estava ocupado demais com a mocoronga ruiva, agora se me permitem, eu gostaria de tomar um bom banho e dormir.
- Não vai embora com a gente?- questionou Sirius.
- Não, vou caminhando.
E sem mais delongas partiu.
Encontrou Tony, Hermione e um ainda catatônico Ron, aguardando do lado de fora, após breves e incompletas explicações, continuou a caminhar recusando a carona do rapaz mais velho.
Andou umas quadras quando começou a sentir algumas gotas baterem em seu rosto, para logo em seguida mais gotas se juntarem as primeiras e logo uma boa chuva desabava dos céus.
- Era só o que faltava... – chiou para si mesmo, caminhou por um tempo até ver um parque, as árvores altas e de copas frondosas projetavam sombras engraçadas no solo.
Alguns minutos depois, sentou-se no balanço que havia no playground, não havia uma só alma viva naquele local. Talvez devido às altas horas ou talvez fosse à chuva.
If a train crashed into our garden
Would we notice the noise?
Would it make us sit up and turn off the TV?
Se um trem se chocasse dentro de nosso jardim
Nós poderíamos notar o barulho?
Poderíamos nos levantar e desligar a TV?
Harry havia sido avisado do mau humor de Draco Malfoy.
Havia sido avisado que o mesmo decidira ir a pé para casa.
Havia sido avisado que uma bela chuva torrencial estava prestes a cair.
Então, por que diabo estava perambulando em meio à temporal, sem qualquer rumo aparente, procurando por uma pessoa que sequer sabia ao certo se queria vê-lo nesse momento?
Estava próximo ao parque quando um chamativo vulto amarelo por entre as grades chamou-lhe a atenção. Sem pensar duas vezes correu até as grades que circundavam aquela imensa área verde e gritou:
- Malfoy!
Out of focus
And out of moments
Remember, this is us
Fora de foco
E fora de momento
Lembre-se, estes somos nós
Draco estava magoado, não queria admitir, entretanto, aquela vozinha irritante em seu interior, inconvenientemente parecida com a de Hermione Granger, fazia questão de ressaltar esse detalhe a cada cinco segundos.
Por que se importava tanto com a opinião do Testa Rachada? E daí se ele não quis escutá-lo? E se ficou lá defendendo aquele salsichão trajado em paetê? Problema dele! Ele que sairia perdendo!
Perdendo o quê, Draco não sabia exatamente. E nesse momento, seus pensamentos foram interrompidos pelo grito de Harry do outro lado das grades.
All I want is someone to pull me out
I'm stuck in a traffic jam
With nowhere to run for miles
Tudo o que eu quero é alguém que me puxe para fora
Eu estou preso num engarrafamento
Com lugar nenhum para correr durante milhas
A primeira reação de Draco foi ignorar ao chamado, levantar-se elegantemente e sair andando como se um mosquito houvesse zunido em seu ouvido.
Todavia, o maldito Potter era a determinação em pessoa, e só foi quando escutou um barulho surdo batendo no chão, virou-se para trás apenas para confirmar que Harry andava em sua direção, com uma expressão de pura resolução.
O que levou a segunda reação de Draco, que foi andar mais rápido e continuar a ignorar seu interlocutor.
- Malfoy, Malfoy, Malfoy! – chamava Harry em alto e bom som, a criatura que acelerava o passo cada vez mais a sua frente.
Isso era ridículo, parecia uma criança emburrada com aquela atitude.
- Malfoy pare de agir feito um pentelho mimado! – gritou num intuito de fazê-lo parar.
Draco apenas caminhou mais rápido.
Suspirou e correu até o gênio, sem muita paciência tomou-lhe pelo braço e virou-lhe para sua direção.
- Me larga! – disse entredentes, encarando-lhe com chispas em seus olhos cinzentos.
- Não!
- Me larga, Potter!
- Já disse que não!
- Porco espinho!
- Loira do banheiro!
- Espanador humano!
- Espantalho!
- Cérebro de excremento de troll!
- Anão de jardim!
Draco abriu a boca algumas vezes:
- Bobo!
Harry encarou-lhe com uma expressão divertida, antes de responder:
- Minha nossa, quanta capacidade dissertativa, estamos inspirados hoje!
- Vai se danar Potter, o que foi? Cansou de consolar o estropício ruivo? Ela já ensopou seu uniforme de super-herói com suas lágrimas de crocodilo sem fim? Já sei, decidiu ir chorar nos braços do namoradinho e te deixou com cara de tacho, não foi Potty-Potty? – zombou com cara cínica.
Harry apenas deu um meio sorriso antes de responder:
- O que foi Malfoy, está com ciúmes? Eu também posso deixar você chorar no meu ombro se quiser.
All I want is someone to pull me out
I'm stuck in a traffic jam
With nowhere to run for miles
Tudo o que eu quero é alguém que me puxe para fora
Eu estou preso num engarrafamento
Com lugar nenhum para correr durante milhas
Ficar sem palavras diante de Potter estava se tornando um hábito cansativamente embaraçador, na opinião de Draco, assim como ficar corado.
- Quer saber, vai à merda Potter! – rebateu dando meia volta, quando Harry puxou-lhe uma segunda vez pelo braço.
I'm scared of what you might tell me
I see your mouth move but I don't hear
A word that you say
Eu estou assustado pelo o quê você possa me dizer
Eu vejo sua boca se mover, mas, eu não escuto
Uma palavra do que você diz
Draco respirou fundo antes de disparar:
- O que você quer Potter? Me diz? Em um momento você simplesmente virou as costas pra mim e me deixou plantado no meio daquele salão, em outro sai atrás de mim como se sua vida dependesse disso, depois fica atracado com a Weasley fêmea e esquece totalmente da minha existência, agora está aqui, na chuva, agarrado no meu braço jogando na minha cara que eu estou com ciúmes do seu relacionamento doentio com aquela sonsa! Você acha que só porque sou seu maldito gênio pode me subjugar como se eu fosse uma porcaria de marionete? Ou que toda vez que você estalar os dedos eu vou correr atrás de você? Se você está desconfortável porque eu não sou uma donzela indefesa eu não vou obrigá-lo a tolerar minha presença, pode ficar tranqüilo! Agora se quiser fazer o favor de me soltar eu...
- Draco! – interrompeu-lhe com voz firme, atraindo a atenção do rapaz a sua frente – Eu nunca tive a intenção de 'subjugá-lo como uma marionete', muito menos de jogar na sua cara seu ciúme ou 'meu relacionamento doentio' com Ginny, que por sinal só existe na sua mente. Não te desmereço por você ser um gênio, muito menos estou 'desconfortável' por você não ser uma donzela indefesa. Eu sinto muito se dei essa impressão pra você e ficaria extremamente honrado de tolerar sua presença por muito tempo mais.
Draco piscou, abriu a boca e a fechou novamente então, num sussurro apenas audível para Harry perguntou:
- Então você não está desconfortável comigo por eu ser homem?
- Não.
- Nem por ter me carregado no colo, me agarrado pelos corredores da escola ou dançado no baile comigo sem saber que eu era homem?
- Não.
- Nem por eu ter omitido o tempo todo essa pequena informação?
- Bom, eu confesso que fiquei meio irritado sim, mas foi mais por você não ter confiado em mim. Draco nesse tempo todo em que permanecemos juntos, passamos por muita coisa, eu vi muita coisa, e passei a acreditar em possibilidades que só achava possível em sonhos. E em parte, eu devo isso a você, quando eu estava com o coração partido, você estava do meu lado, tudo bem que destilando veneno por cada poro e me deixando mais pra baixo do que pra cima, mas ainda sim estava lá. Quando eu precisei de um rumo você me guiou, você foi meu amigo, meu companheiro e meu confidente todo esse tempo e eu passei a confiar em você tão cegamente quanto uma pessoa pode confiar na outra, por isso estou te pedindo agora: confie em mim.
I'm so sorry, I'm not better at Love
Just remember, that this is us
Eu sinto tanto, eu não sou o melhor no amor
Apenas se lembre de que estes somos nós
Draco era competitivo, no entanto, ele sabia admitir uma derrota, e sabia que toda a vez que encarasse a profundeza daqueles olhos verdes perderia vergonhosamente.
Alguns anos mais tarde, se alguém lhe perguntasse o que o fizera dizer aquelas palavras, ele simplesmente sorriria enigmaticamente, todavia, seu coração responderia: aqueles olhos.
- Eu confio em você, Harry.
All I want is someone to pull me out
I'm stuck in a traffic jam
With nowhere to run for miles
Tudo o que eu quero é alguém que me puxe para fora
Eu estou preso num engarrafamento
Com lugar nenhum para correr durante milhas
All I want is someone to pull me out
I'm stuck in a traffic jam
With nowhere to run for miles
Tudo o que eu quero é alguém que me puxe para fora
Eu estou preso num engarrafamento
Com lugar nenhum para correr durante milhas
E Draco não saberia dizer quando foi que aqueles braços rodearam a sua cintura, muito menos como aquele rosto chegara tão próximo do seu.
Quanto a Harry, jamais teria conhecimento de como fora atraído por aqueles olhos tão prateados quanto à lua, ou quando passara a notar que o cabelo a sua frente cheirava a erva-doce e seu hálito a menta.
Come here and find me
I'll be waiting
Come here and find me
I'll be waiting
Come here and find me
I'll be waiting
I'm stuck in a traffic jam
With nowhere to run for miles
Venha aqui e encontre-me
Eu estarei esperando
Venha aqui e encontre-me
Eu estarei esperando
Venha aqui e encontre-me
Eu estarei esperando
Eu estou preso num engarrafamento
Com lugar nenhum para correr durante milhas
Nem quando os braços menores rodearam seu pescoço.
Nem quando a respiração quente e descompassada parecia roçar a sua boca numa leve carícia.
E então ambos sentiriam aquela descarga elétrica percorrer suas colunas, e fechariam os olhos inebriados de sensações nunca antes sentidas.
Suas testas se tocariam.
Seus corpos molhados se uniriam.
E todo o ruído aos seus redores cessaria.
Tudo tão perfeitamente imperfeito que durante um tempo pensariam tratar-se de um sonho.
Com a plena certeza de saber que isso era impossível, pois bastava à presença um do outro, de suas expressões encabuladas e da própria realidade lhes chamando em forma de uma buzina, para saber que aquilo era real.
- Harry! – a voz de Hermione despertou-lhe daquele breve momento, e ambos notaram-se tão corados quanto poderiam estar.
Não falaram nada durante toda a viagem sobre aquele episódio, nem responderam as perguntas ávidas por respostas de Ron Weasley ou aos comentários desaforados de Ginny. Sequer notaram o sorriso iluminado de Hermione Granger, que naquele momento guardava em seu coração uma linda cena e um segredo.
Segredo que esperava ansiosamente tornar-se realidade.
I'm stuck in a traffic jam
With nowhere to run for miles
And all I want is someone to pull me out
I'm stuck in a traffic jam
With nowhere to run for miles
Eu estou preso num engarrafamento
Com lugar nenhum para correr durante milhas
E tudo o que eu quero é alguém que me puxe para fora
Eu estou preso num engarrafamento
Com lugar nenhum para correr durante milhas
HP&DM
Minha gente vocês não sabem o perrengue que foi postar esse capítulo! Nem o fanfiction net pra colaborar... Enfim, peço realmente desculpas pelo atraso, parece até que quando você está trabalhando fica mais fácil para escrever do que quando você não está...
Peço desculpas mesmo, e bem... Enganei todo mundo não é? Hohoho todo mundo pensando que ia ter beijo... Oh, mas nada disso! Draquinho é um menino de respeito...
Esse capítulo foi dedicado às minhas queridas Wolf 03 e seu saco quase divino em agüentar minhas longas horas falando sobre idéias estapafúrdias, a minha gêmula do coração Lis Martin, a Death A e seus comentários psicóticos e as queridas Ci-chan e Bibis que sempre me animam com seus reviewsister!
Beijos para todas e até o próximo capítulo: VERDADE E CONSEQUÊNCIA.
Agora que certos comportamentos serão devidamente explicados, basta encarar os resultados de cada ato.
P.S.: A música desse capítulo é uma canção da banda Veja 4 titulada de Traffic Jam, como não tinha a tradução em lugar algum eu mesmo traduzi e espero não ter ficado muito ruim... Em todo o caso, baixem a música que é linda e muito boa!
P.S.2: Capítulo não betado, sobrepassem os erros, por gentileza...
P.S.3: Algum candidato a beta? O.õ
