Capítulo VII

A ajuda

"Uma das mais lindas compensações desta vida é que ninguém poderá tentar ajudar outra pessoa, sem ajudar a si mesma."

Ralph Waldo Emerson

O trio inseparável de amigos adentrou o Ministério acompanhado pelo patriarca dos Weasley que logo sumiu de perto deles, após indicar-lhes o corredor que deveriam seguir.

Em meia hora começaria o julgamento de Draco Malfoy e Harry não poderia (ou queria) perder aquilo por nada.

-Tem certeza do que vai fazer? – perguntou à amiga quando ficaram sozinhos, ele fez apenas uma afirmação com a cabeça.

Ron permanecera calado desde que soubera do plano. Não gostava dele. Não gostava do que iam fazer, não gostava de quem iriam ajudar e, principalmente, detestava imaginar em como aquilo poderia se reverter contra seu melhor amigo.

Mas já estava na hora de dizer algo.

-E depois? – acabou por perguntar.

-Ele some.

-E se ele não sumir, Harry?

-A gente some com ele...

Ele ainda pode ouvir o amigo resmungando um "como se fosse simples assim..." quando chegaram à sala onde se realizaria a audiência. Mas somente Harry entrou no recinto. Ron e Hermione caminharam em outra direção, a fim de ajeitarem os últimos pontos do plano.

Seguiam pelos corredores do Ministério como se os conhecessem há séculos. As explicações e mapas que tiveram que decorar na noite anterior pareciam ter sido o suficiente, pelo menos no que dizia respeito aos caminhos que tinham que percorrer.

Embora não concordassem com o plano do amigo, haviam se prontificado a ajudar e, no que dependesse dos dois, tudo sairia como planejado. Sempre.

A missão, por hora, era alertar a cada integrante da Ordem de que Harry já estava dentro do prédio subterrâneo, enquanto acontecia o julgamento de Draco Malfoy.

Não havia necessidade de diálogos, apenas a presença deles no local seria a senha. Por isso era necessário o "passeio" em alguns locais mais movimentados do prédio. Certo tempo depois voltaram para a entrada do tribunal, a tempo de perceberem a movimentação.

Respiraram, fundo. Chegara à hora.

Perceberam dois integrantes da Ordem seguindo em determinada direção e, para surpresa de ambos, alguns minutos depois o tabelião do julgamento de Malfoy pareceu se dirigir para o mesmo caminho.

Se entreolharam e, com um leve aceno de Hermione, Ron se aproximou para deter o avanço do outro.

-Percy... – disse ele, fazendo com que o irmão parasse de andar e, girando sobre os calcanhares, se virasse para encará-lo.

-Ron? O que faz aqui?

Ele cruzou os braços sobre o peito, numa postura bem mais segura do que a do garotinho que deixara para trás, na Toca, juntamente com o resto da sua família.

Ron havia crescido também, já devia ser o mais alto de seus irmãos, pelos cálculos de Percy.

-Não sabe? Pensei que estivesse no julgamento do Malfoy até agora...

-Sim, era para já termos mandado aquele verme para Azkaban mas o... – uma nuvem de compreensão invadiu o semblante do mais velho – Veio com ele, com seu amiguinho...

Ron confirmou com a cabeça.

-Costumo estar do lado das pessoas que merecem... Diferente de você. – disse o rapaz calmamente – Pelo visto continua escolhendo muito mal suas companhias. Achei que aprenderia alguma coisa com a queda do antigo Ministro.

-Ron, meu irmão, você tem que sair de perto desse garoto, ele é problema.

-Nós todos somos problema, não é Percy? Digo, todos nós, sua família... Porque, sabe, se o Harry não existisse, sua família estaria fazendo exatamente as mesmas opções, e não as opções idiotas que você escolhe.

Hermione pode perceber que a expressão do mais velho passou de preocupação para raiva.

-Que você pensa que é para falar comigo nesse tom, Ronald?

-Alguém melhor que você, com certeza. – disse o mais alto virando as costas para o irmão – Vamos embora Hermione.

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Ele aguardou mais tempo do que queria, em uma das celas a qual o deixaram após sair do hospital, quando foi finalmente chamado para seu julgamento.

Foi trazida a tona, em meio a um circulo de magos, enjaulado, como um animal perigoso. Mas não perdeu a posse arrogante por conta disso. Manteve-se com seu melhor olhar de desdém, por sobre o nariz empinado.

-Sr. Draco Malfoy... – começou a dizer o tabelião, um ruivo de óculos o qual tinha a leve impressão de já ter visto alguma vez na vida – O senhor foi trazido a esse tribunal por estar sendo acusado de ser um seguidor de Você-sabe-quem. O senhor nega essa acusação?

-Não. – disse simplesmente "até parece que vocês já não viram a marca negra no meu braço..." pensou irritado.

-Também é acusado por ter sido o responsável pelo ataque ao evento trouxa, no último sábado. Nega essa acusação?

-Sim.

O ministro se mexeu na cadeira mais alta que ocupava.

-O que pode falar em sua defesa, sr. Malfoy? – perguntou Rufus com a sua voz grossa.

-Não ataquei ninguém, estava apenas tentando preservar minha vida.

Pode ouvir um cochichar vindo da platéia, não estavam acreditando muito nele. Tanto fazia afinal.

O interrogatório durou mais tempo do que gostaria. Perguntas insistentes e repetitivas que testavam a sua paciência sendo levantadas a cada novo minuto

Seus inquisidores pareciam incomodados com a pouca informação que ele liberava sobre o ataque a Hogwarts e o motivo da perseguição de seus comparsas.

-Já respondi isso... – falou a certa altura – Minha ajuda não fazia diferença. – sentenciou, dando de ombros – Então, para eles, minha vida também não faz.

-Mas o senhor conseguiu fugir... – resmungou um dos bruxos que acompanhavam o julgamento.

-Com um pouco de sorte. Aparatei no estádio por que sabia do evento trouxa e tinha certeza que os Aurores não tardariam a aparecer.

-Então, o senhor não sabia que Harry Potter estava lá? – Rufus tinha um tom cínico na voz, mas Draco não se intimidou.

-Não, não fazia a menor idéia... Como disse, tive sorte.

-Muito esperto, sr. Malfoy. – mais um comentário cínico, não um elogio – Bom, a pena por ser um Comensal da Morte é a prisão perpétua, em Askaban, creio que está ciente disso. – o loiro apenas concordou com a cabeça – Ainda há algo que queira acrescentar, antes que eu lhe de a sentença, sr. Malfoy?

-Há algo que eu gostaria de acrescentar, senhor ministro.

Do meio do ciclo de bruxos que acompanhavam o julgamento, um jovem se levantou, pedindo a palavra.

-Sr. Potter?

-Peço permissão para falar em defesa do acusado, senhor ministro. – disse o moreno se aproximando e parando entre a jaula onde Draco estava e a cadeira suspensa que Scrimgeou ocupava.

-Eu devo estar ouvindo mal, Sr. Potter... – Scrimgeou deu uma leve risada – Pensei ter escutado o senhor dizer que quer depor em defesa do sr. Malfoy...

-Não escutou mal, senhor ministro. Foi exatamente isso que falei. – ele deu um olhar de lado para o loiro, Draco estava intrigado, mas não deixou transpareceu a inquietude – O sr. Malfoy teve motivos para se tornar Comensal da Morte, que não condizem com a pena que vão lhe impor.

-Ah, não?

-Não. – disse firmemente voltando a encarar Scrimgeou.

O ministro se remexeu na cadeira mais uma vez, demonstrando curiosidade.

-E qual seria esse motivo?

-Draco Malfoy se tornou comensal a pedido de Alvo Dumbledore, para ajudar na luta contra Voldemort. E eu sou testemunha disso.

-Não é o que consta nos altos da morte do próprio Dumbledore, meu jovem. E, pelo que sei, o que consta nos altos foi narrado exatamente pelo senhor.

-Não podia desmascará-lo na época. – Draco se surpreendeu com a desenvoltura de Harry ao proferir tamanha absurda história, nunca imaginou que grifinórios sabiam mentir tão bem – Sabia que o sr. Malfoy não cumpriria a missão de matar Dumbledore, mas era necessário que Voldemort acreditasse que sim.

Rufus olhou com desconfiança para o loiro enjaulado.

-Confirma isso, sr. Malfoy?

Ele encarou Harry por alguns segundo. Era melhor entrar no jogo.

-Sim. O plano era encenar o ataque até sermos surpreendidos pela... – qual era o diabo do nome daquela associação de apoio a trouxas, a qual sua tia lhe falara? Harry soletrou o mimicamente quando percebeu-lhe a dificuldade – ...Ordem de Fênix. – concluiu – Mas... Mas Severo Snape chegou antes e acabou com o plano sem que eu pudesse fazer nada.

-E por que não contaram isso no inquérito?

-Eu pedi para o Potter mentir, senhor.

Agora era Harry quem se surpreendia. Malfoy pegara a idéia geral e improvisava. Definitivamente ele era bom nisso.

-Por que?

-Acreditava que poderia continuar meu serviço de informante... – disse – Mas me enganei. Voldemort desconfiou da necessidade que Snape teve em cumprir a tarefa no meu lugar. Os últimos meses foram bastante complicados para mim...

Rufus se mexeu na cadeira, outra vez, incomodado. Olhou para o conselho e para os demais bruxos presentes. Todos pareciam tão confusos e perplexos quanto ele.

-Desculpe sr. Malfoy, sr. Potter, vocês devem concordar que essa é uma história bastante absurda.

-É a mais pura verdade, senhor. – respondeu Harry, firmemente.

-Teremos que confirmar o que dizem... Através da poção da verdade.

Draco engoliu seco. Harry permaneceu imóvel.

-Se vier mesmo lutando contra o Senhor das Trevas a tempos, sr. Malfoy, estarei disposto em lhe conceder a liberdade, assim como proteção, mas preciso ter certeza de tudo isso.

-Sem problemas, - disse Potter – Tomaremos a poção quando o senhor quiser.

-Certo. A sessão estará suspensa momentaneamente. – disse o ministro se levantando – Dentro em breve retornaremos para realizar o teste... Nos dois.

Draco ainda teve chance de dar um ultimo olhar para Harry, enquanto sua jaula sumia pelo buraco no chão.

Minutos depois, como esperava, o garoto-que-sobreviveu apareceu na carceragem.

-Está louco, Potter? – resmungou assim que o viu, mas se calou ao perceber que o outro não viera sozinho.

Harry parou em frente a sua cela e fez sinal para que o Auror negro ao seu lado abrisse as grades, o que, para surpresa de Draco, Shacklebolt o fez.

-Sua vez de cumprir sua parte no trato, Malfoy. – ele lhe esticou um sobretudo, vinho. Uma veste feminina, mas que lhe permitiria cobrir os fios platinados.

-Está limpo, Harry. – disse uma mulher com cabelos cor de chiclete, que estava posicionada na porta da carceragem, olhando para o lado de fora – Vamos logo. - então, ela o encarou e suas feições se alteraram, fazendo com que Draco sentisse-se olhando para um espelho. - Fico no lugar dele... – disse a "ex" garota entrando na jaula.

-Andem rápido. – disse Kingsley Shacklebolt - Vocês só têm meia hora.

Sem mais delongas os dois rapazes saíram.

-Cubra o rosto, Malfoy. – disse Harry – Se cruzarmos com alguém não vão reconhecê-lo de relance.

Ele obedeceu sem questionar, apesar de caretear desgostoso.

-Como espera passar pelo teste da verdade, Potter? – resmungou.

-Não espero passar por ele. Quando cumprir o que prometeu daremos um fora daqui.

-Posso saber como?

-Já está tudo arranjado para parecer um ataque comensal. Uma cilada para pegarem o traidor. – e sorriu-lhe abertamente – E amanhã, todos os jornais do mundo mágico comentarão como você morreu defendendo nobres idéias. Vai virar um herói, Malfoy.

-Ah, tudo que eu sempre quis na vida... – desdenhou revirando os olhos.

Em poucos minutos eles entraram na sala restrita do terceiro andar.

No centro dela, imponente, erguia-se o véu que engolira Sirius Black. Harry pode ouvir novamente os sussurros vindos de trás dele.

Foi então que Draco levou as mãos aos ouvidos.

-Pode ouvir os murmúrios?

Malfoy fez que sim, irritado.

-A última herança de Dumbledore... – resmungou se encaminhando na direção do véu.

Parou de repente ao perceber um vulto a mais na sala. Harry por sua vez não fez o mesmo, saldou o vulto com um olá e logo Draco reconheceu o mesmo como o antigo professor de Defesa Contra a Arte das Trevas de seu terceiro ano.

-Tudo pronto, Remo?

-Sim Harry. Estão todos a postos. – Malfoy pode ver um sorriso de lado se formar nos lábios do ex-professor conforme desciam as escadas – Moondy estava meio receoso em cooperar para ajudar o rapaz, mas você o convenceu muito bem. Parabéns.

-Só espero que as palavras gastas para convencê-lo tenham realmente valido a pena. – disse Harry, olhando Malfoy de lado. – Chegou o seu momento Malfoy... – disse apontando o véu. – O palco é todo seu.

Com um leve respirar Draco acenou, quase imperceptivelmente, e voltou a olhar o imponente arco. Fechou os olhos.

"Tia." Chamou mentalmente. "Chegou à hora."

A resposta veio límpida, em auto e bom som dentro de sua mente. Surpreendeu-se. Nunca uma contato mental tinha sido tão forte, era como se ela estivesse dentro dele.

"Está em frente ao véu?"

"Sim."

"Com uma varinha?"

Ele abriu os olhos, voltou às íris acinzentadas para o antigo arqui-rival e esticou a mão.

-Preciso de uma varinha.

Harry e Remo se entre olharam e, muito a contra gosto, o mais velho esticou-lhe a sua própria varinha, preferindo permanecer desarmado no lugar de Harry.

Draco aceitou o pedaço de madeira sem mais palavras e voltou a fechar os olhos.

"Pronto, o que faço agora?"

"Estique-a na direção do véu e deixe que eu faço o resto."

"O que?"

Sentiu o corpo tremer pelo que viria, e sabia que ela também o sentira.

"Você entendeu muito bem o que eu disse, Draco. Agora me obedeça. Não adianta ter medo, não há mais volta... Para nós dois."

A madeira subiu trêmula até a altura desejada e então ele não tinha mais o domínio do próprio corpo, a conexão entre os dois era tanta que Bellatrix havia assumido o comando.

Não soube direito o que ela fez, nem o feitiço que proferiu, sabia apenas que começara a sentir a pele arder como se estivesse em meio a chamas.

O medo voltou a invadi-lo, tentou retomar o domínio do corpo e fugir dali, mas a tia não permitiu, o manteve firme na posição.

O feitiço sendo lançado insistentemente contra o véu dos mortos, vultos pareciam tentar sair e ela parecia os empurrar de volta, até que finalmente, uma silhueta se formou mais nítida em meio ao borrão branco.

Com passos curtos a imagem foi se definindo a medida que se aproximava, até que Bellatrix findou o feitiço e quebrou o elo que tinha com Draco de forma repentina.

Ele caiu no chão cansado, tentou abrir os olhos com dificuldade Sua tia havia conseguido. Ali, caído no solo, diante dele estava Sirius Black.

Logo percebeu Potter a ajudar o padrinho. O velho professor fez o mesmo com ele, enquanto tirava a própria varinha de sua mão. Draco não se importou. A sensação de vitória lhe era tão prazerosa, nada o incomodaria naquele momento.

-Vamos garoto, precisamos sair daqui, agora. – reclamou Remo, diante da sua falta de atitude em se movimentar.

Foi quando Draco se deu conta da urgência. A volta dele, chamas pareciam querer engolir a sala, o ataque já havia começado e algo parecia ter dado errado.

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Continua...


Bom, agradecimentos mais que especiais a Stefani Vitaczik, acredita que terminei a cena naquele mesmo dia em que você a leu? Eu disse que só precisava de um incentivo (ou seja, gente me pentelhando para terminar hahahaha)

Então, por essa força extra, esse cap eu dedico a você.

Agora vamos responder os comentários do último cap, que foram muitos já que eu levei seeeculos para atualizar. Espero que vcs ainda tenham vontade de ler a fic mesmo assim.

Ara Potter– Nosssaaaaaa faz dois anos que vc fez o comentário, mas espero que goste do novo cap, prometo tentar atualizar mais rápido.

Mariana – demorei, mas continuei!

Gagau– nossa quantas perguntas! Mas felizmente tenho resposta para todas! A narcisa queria dizer exatamente o que o Draco entendeu, que a Bellinha não era de todo fiel ao Voldemort, mas não é algo que ela assumiria com palavras. O shipper do Harry será a Luna, e PASMEMMMM o Draco vai ajudar! Como vc pode notar nesse cap, o Draco (e a Bella) salvaram o Sirius sim, eu não vivo sem o Sirius sabe, a JK pode não gostar da ideia, mas ele voltando a vida pra mim é essencial! Qt a fic Cachorrão, a Doom sumiu! Bom até o próximo comentário, bjs

Miss Lali Diggory – Obrigada pelo elogio, e desculpe a hiper power mega grande demora. Prometo me empenhar mais agora.

Musa-Sama – Sirius is Back! Agora, quanto a acion DG vai demorar mais um pouquinho… a Gina é difiiiicil hahahaahhahah

Fenf– oi! Eu queria que o Sirius estivesse vivo nos livros originais tb, mas a JK acabou com o meu oração no livro 7! Gosto da ideia do Harry se f também, mas ele deve superar logo hahahahahh E sim, vai ter R/Hr. Quantoa a NC, provavelmente terá DG. As atualizações vão ficar mais freqüentes, prometo.

Julianna ou NannaBlack – O Sirius vai se tornar uma figura mais presente agora, não se preocupe.

stefani vitaczik – vc me pentelhou tanto que aqui está a continuação amiguinha, obrigada mais uma vez. Bjs

Bom gente, por enquanto é isso.

Até a próxima!

AMB