Capítulo VIII – A Inauguração
Desceram de um dos luxuosos carros do Uchiha para colocarem os pés em um extenso tapete vermelho. Flashes de câmeras e zumbido de vozes encheram o ambiente. O primeiro a se mover foi o mais novo dos garotos e sua acompanhante de cabelos rosados, passaram pelo tapete ignorando as perguntas e flashes em direção a eles, logo atrás o loiro de olhos azuis apressou o passo, sendo seguido pela garota de cabelos azulados e dois orbes perolados na face.
- Divirta-se! – Itachi ainda tentou dizer, mas Sasuke já ia longe.
- Você não tinha dito que seria algo bem "simples"? – perguntou Pein, levando uma das mãos à nuca enquanto voltava-se ao carro.
- Tá vendo o tamanho desse lugar? É claro que não seria algo simples. – disse Kakuzu, enquanto acenava de volta para algumas pessoas mais ao longe – Quem são aqueles? – murmurou a Hidan.
- E eu que vou saber? – resmungou.
- Nossa... Jiraya-sensei gostaria de estar aqui. – sussurrou Konan, em um suspiro – Deveríamos tê-lo trazido, afinal, é nosso tutor.
- Não enche, Konan, iria ser no mínimo constrangedor se ele estivesse aqui. – respondeu Pein.
- Senhor, à que horas venho buscá-los? – perguntou o motorista.
- Quando terminar aqui ligo pra você. – disse o Uchiha – Espero que não muito... Odeio esses malditos da imprensa.
- Chega agora um dos últimos Uchihas, Itachi, seu irmão Sasuke já entrou fugindo dos flashes, acompanhado de uma garota de cabelos róseos e olhos verdes, e também de Uzumaki Naruto, filho do ex-presidente Minato e Hyuuga Hinata, filha do empresário Hyuuga Hiashi. – uma repórter dizia a uma câmera, enquanto aproximava-se em passos lentos do grupo de amigos ainda parados – Acompanhados do Uchiha também chegaram Kakuzu, herdeiro de bancos de nome mundial. Akasuna no Sasori, filho dos donos da maior fábrica de brinquedos do Japão. Deidara, o loiro vindo de família nobre que atualmente passa por algumas dificuldades financeiras. Hidan, da família dona das igrejas de Jashinismo e também donos de alguns hospitais. Zetsu, aquele garoto que esteve na mídia há algum tempo por ter uma estranha dupla personalidade, e ao seu lado está Tobi, com sua inconfundível máscara, ele fez algumas aparições em programas polêmicos sobre psicologia. Os outros dois, o ruivo de piercings e a garota de cabelos azulados, não são pessoas da mídia, mas aparecem sempre junto a eles em eventos, eles estão no mesmo colégio interno. Com licença, podemos fazer algumas perguntas?
- Tudo... Bem... – respondeu Kakuzu, franzindo levemente a testa.
- É verdade que você e Hidan estão namorando?
- Sim. – respondeu o de cabelos platinados, ainda com uma expressão nada amigável na face.
- E também é verdade que seu pai tirou seu nome do testamento e resolveu passar os bancos à outra pessoa por causa desse relacionamento?
- Não sei do que está falando, eu e meu pai nos damos muito bem, ele e Hidan são ótim...
- É verdade sim, aquele velho careta me odeia. – interrompeu-o o menor, parecia estar disposto a manchar a imagem do parceiro perante as câmeras – Se quer saber mais alguma coisa, ficarei feliz em lhe conceder uma entrevista, fale com meu assessor. Agora vamos, Kaku.
Com isso puxou a gravata do outro e saiu arrastando-o pelo tapete, parecia uma bomba prestes a explodir.
- Desculpem o Hidan, ele está apenas um pouco irritado hoje, coisas desagradáveis aconteceram recentemente. – disse Sasori, assumindo a liderança – Não estamos aqui para dar entrevista, viemos nos divertir, se nos derem licença...
- O que têm a dizer sobre o acidente de algumas semanas atrás? – insistiu a repórter.
- Quando minha família morreu me perguntaram a mesma coisa, então agradeceria se não tocasse nesse assunto, Kisame está se recuperando. – disse o Uchiha, passando a caminhar em direção à entrada.
Os outros o seguiram, ignorando as perguntas de mais repórteres que pareciam surgir do nada. Finalmente alcançaram a entrada, entregaram seus convites e adentraram no clube. Por dentro parecia bem maior, tinha um amplo espaço, com mesas espalhadas, dois elevadores lado a lado, um pequeno bar, portas que davam passagem a um belo jardim, o lustre no teto era de encher os olhos, e a música que vinha a seus ouvidos era da mais alta classe. Um "uau" ecoava nas mentes de quem adentrava ali.
- Os senhores vão querer uma mesa ou subirão aos andares mais altos? – o recepcionista perguntou com uma expressão fechada no rosto.
- O que tem nos andares mais altos, un? – Deidara quis saber.
- Temos o salão de jogos no segundo andar, salão de festas no terceiro, dança de salão no quarto, para os jovens a balada está acontecendo no quinto, e o cinema está no sexto... Ah, e no sétimo temos as suítes, podem se informar melhor sobre seu funcionamento por lá.
- Então suponho que o restaurante é...? – perguntou Zetsu.
- Aqui mesmo.
- Mas com tão poucas pessoas? – estranhou Tobi.
- Prezamos pela discrição e privacidade para nossos sócios. – respondeu o recepcionista, entregando alguns folhetos – Aí estão os mapas e mais detalhes sobre os andares, tenham uma boa noite, senhores e senhorita. Não esqueçam de se registrar ao sair, irão receber suas carteirinhas.
- Obrigada. – agradeceu Konan, com um sorriso – Vamos ao quarto andar? – sugeriu, enquanto passava a caminhar em direção aos elevadores – Podemos jantar depois, ainda é cedo.
- Tobi quer ir à balada! – exclamou o mascarado, animado.
- Eu também. – concordou Zetsu – Nos encontramos depois. – entrou no elevador, e tal gesto foi repetido pelo menor, que ainda teve tempo de acenar antes das portas fecharem.
- Ahhh... Vamos ao quarto, deve ser o mais tranqüilo. – suspirou Itachi, entrando em no outro elevador.
oOoOoOoOo
- Qual o seu problema? – perguntou Kakuzu, sem esconder o tom irritado, enquanto via o parceiro de braços cruzados, encarando o teto.
- Não queria estar aqui, só isso... Lugares públicos me deixam agoniado, devia saber disso.
- Humm... – resmungou, desviando o olhar para a direção contrária – Aí vem merda...
- Que foi? – quis saber, voltando os olhos ao moreno.
- Aquela garota. – indicou com a cabeça uma loira de olhos azuis, que olhava em volta, com uma taça de vinho nas mãos – É uma pedra no meu sapato.
- Quem é ela?
- Otori Risa. – respondeu, encolhendo os ombros, como se quisesse se esconder – Ela está vindo pra cá.
- Oláááá. – a garota cumprimentou alegremente, com um sorriso no rosto – Sabia que estaria aqui, Kaku-kun.
- Como é? – o platinado se exaltou, franzindo a testa.
- É. – foi apenas o que ele disse, pesaroso, enquanto lançava ao parceiro um olhar reprovativo.
- Quem é o seu amigo? – quis saber.
- Hidan, essa é Risa, e Risa esse é Hidan, meu...
- "Meu"? – Hidan repetiu, cruzando os braços mais uma vez.
- Ah, esqueça isso, não é importante. – disse Risa, agarrando uma das mãos do moreno – Vamos dançar?
- Mas eu...
- Deixa ele aí, que tire alguém pra dançar. Agora vamos.
Foi arrastado pelas mãos da loira, observando à fúria nos olhos violeta do platinado, ainda fez uma estranha expressão, como se dissesse que não era culpa dele, e então desistiu de lutar contra a garota. Hidan mordeu o nó do dedo, tentando conter a raiva, o que não foi muito útil, o albino socou a mesa, sem muita força, para depois ver que os demais chegaram até ele.
- Quem é ela, un? – perguntou Deidara, sentando-se.
- Uma vadia. – rosnou em resposta – Eu vou lá, o Kakuzu me paga.
- Opa opa opa. – reprovou Pein, empurrando os braços do rapaz – Sem barraco, Hidan. Olha, aquela garota ali tá olhando você, tira ela pra dançar e paga na mesma moeda.
O albino o olhou, furioso, enquanto processava a idéia. Por fim sorriu, levantando-se, e assentiu com a cabeça. Caminhou até a garota, uma morena alta, de cabelos longos e olhos intensamente verdes, era realmente difícil decidir qual das duas era mais bonita, entre Risa e ela. Estendeu uma das mãos, fez o convite, e como esperado ele foi aceito. Fez questão de ficar um pouco mais afastado de onde o moreno estava, mas não o suficiente para que ele não o visse sussurrando ao ouvido da morena, que acariciava seus cabelos e ria-se.
- Você não deveria ter se metido, agora lá vem barraco. – disse Konan, revirando os olhos em um suspiro.
Ela tinha razão quando dizia isso, pois o moreno soltou sua acompanhante, uma das sobrancelhas arqueadas, e ele não parecia nada feliz. Deu duas batidas no ombro de Hidan, e ao virar-se o albino recebeu um soco no meio na face que o levou ao chão, as garotas soltaram uma exclamação, afastando-se.
- Eu avisei! – exclamou a garota de cabelos azuis, olhando a cena.
As pessoas se afastaram, a música continuava, mas todos os olhavam. Kakuzu abaixou-se, não esperou que o albino terminasse de limpar o sangue que escorria para agarrar-lhe os cabelos bem penteados, erguendo-o. Hidan também não deixou barato, levou a testa de encontro à boca do moreno, que o largou, com a mão no local atingido, e antes da reação foi empurrado de encontro ao chão, com o parceiro sobre ele, segurando seu colarinho.
- Desgraçado! – Hidan gritou a plenos pulmões, socando com toda a força que tinha o rosto do moreno, para depois ser arremessado mais ao longe. Kakuzu, o jogou na parede, aproximando-se em seguida para prender suas mãos, o encarando furioso – ME LARGA!
- Mete uma coisa nessa sua cabeça de merda, Hidan! – gritou mais alto que ele – Você é meu.
- Não sou de ninguém. – rugiu.
- Não... Você é meu, Hidan... Meu e de mais ninguém.
Com isso esperava que ele silenciasse-se, e o fez, ainda ofegante pelos socos. Tomou os lábios entreabertos do platinado, fazendo com que uma chuva de murmúrios enchesse o ambiente. Na porta os seguranças surgiram, vindo de encontro à eles, mas Itachi correu para detê-los.
- Não vai ser preciso. – apressou-se a dizer o Uchiha, com as mãos estendidas – Foi só um pequeno... Uma "pequena" cena de ciúmes.
Enquanto o moreno continuava tentando fazer com que não fossem expulsos, os dois pareciam ter esquecido do local onde estavam, as mãos passeavam por ambos os corpos, o beijo ficava mais intenso, e as pessoas murmuravam idéias negativas. Konan indicou Pein para ir até lá, com um empurrão, e assim ele o fez. Caminhou até eles, dando alguns tapas no ombro de Kakuzu.
- Hey. – chamou, puxando o ombro do rapaz – Vão lá pra fora, aqui é um lugar de família... Ou melhor, vão melhorar essas caras no banheiro, rápido. – bateu palmas, apressando-os. Quando já tinham ido o ruivo olhou as pessoas – Sinto muito por meus amigos... Eles são... Impulsivos. E moças, sinto muito, mas eles são namorados.
- O quê? – ambas exclamaram em coro.
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Lá fora estava tranqüilo, a lua era nova, o céu não tinha estrelas, e as luzes do pequeno parque onde se encontravam eram quase inexistentes. Não havia ninguém lá, apenas ele e seus pensamentos, que vagavam solitários por mundos distantes. Estava sentando em um banco, olhando a lua por detrás das árvores que haviam sido plantadas ali. Depois de tanta agitação, era o melhor lugar para estar.
- Oi.
Não precisou virar o rosto para identificar o dono da voz, respondeu em um resmungo ao cumprimento, e isso foi seguido por silêncio, onde era observado, analisado, por olhos inexpressivos.
- Posso me sentar?
Assentiu com a cabeça, ainda fixo naquela bela noite. Ouviu-o contornar o bando e sentar ao seu lado, ficando em silêncio logo depois. Ambos passaram a observar o céu, o segundo com um pequeno sorriso no canto dos lábios, o primeiro sem expressão alguma.
- Linda noite... – comentou – A arte é eterna, como a noite.
- Momentânea, finita. – discordou, como sempre fazia – Como a lua.
- E ela é finita?
- Mas é momentânea, un.
- Arte é algo momentâneo, não? – perguntou, mesmo já sabendo que ele assentiria com um aceno de cabeça – Então... Você acha que se eu fosse momentâneo, isso seria arte?
O loiro o olhou, agora em um dilema pela questão imposta.
- Se eu acabasse ainda hoje, e essa fosse a última vez que me visse... Seria arte? Quando você gosta de alguém não quer que dure pela eternidade, Deidara?
- Sim... – confirmou em murmúrio – Quando se gosta de alguém... A perda pode ser dolorosa demais. Mas... Quadros em um museu não são visitados, perdem o brilho, a beleza... Se fossem momentâneos, como os fogos de artifício da virada de ano, todos se recordariam deles como algo belo, un?
- De certa forma você está certo. – concordou – Acho que chegamos a um acordo. Quadros, monumentos, construções... Só serão devidamente valorizadas se forem momentâneas, finitas... Só serão valorizadas se fizerem "bang". – ironizou, aquela era uma das palavras que o loiro mais gostava.
- E pessoas queridas, amadas... Devem ser eternas, os sentimentos não devem acabar, devem persistir pela eternidade. Belos e eternos, un...
O ruivo sorriu, adorava questionar arte com seu parceiro, era seu passatempo favorito, ele falava sobre o que acreditava com profunda convicção. Finalmente conseguira mudar um pouco o seu estranho conceito de arte. Há tempos não conversavam como naquele instante, aquilo deveria ser eterno, mas o que se eternizava entre eles era o silêncio. Até que o ruivo resolveu pronunciar-se:
- Deidara... Sobre aquela noite... – começou meio sem jeito, o loiro continuava sem encará-lo – Me desculpe, não era a intenção.
- Tudo bem, danna... Não tem porque se desculpar, não fez nada. Nenhum de nós fez, un.
- Foi estranho, não acha? – perguntou, o parceiro, mais uma vez, assentiu com a cabeça – Você está estranho desde aquela noite.
- Estranho como?
- Quieto, me evitando, distante... Não te vejo mais com Sai, também.
- Ele me disse que seu trabalho estava acabado por enquanto, e que nos veríamos em breve.
- Hummm... Gosta dele?
- Não, gosto do Neji-kun, e você sabe disso. – respondeu, e um sorriso veio à sua face – Nós estamos nos acertando, sabia?
- Você não me conta mais nada, como saberia?
- Desculpe. Coisas estranhas estão acontecendo conosco, acho que já notou. Eu e Neji-kun saímos às vezes... Acho que ele está gostando de mim.
- Mas e... Mas naquela noite...
- Danna... Poderia fazer o favor de não tocar mais nesse assunto? – perguntou, voltando os olhos ao ruivo, que assentiu com a cabeça, desgostoso – Obrigado.
- Hey vocês! Estamos indo pra balada, vêm ou não? – ouviram uma voz gritar, viraram-se para ver que era Pein.
- Vamos? – perguntou Sasori.
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O som, as luzes, a bebida, o calor humano... Não tinha nada melhor do que estar pulando e dançando em uma balada, e aquela estava sensacional. Não conheciam ninguém, e aquilo era bom, ninguém para perturbar suas cabeças com idéias desinteressantes ou brigas estúpidas. Foram a um canto mais afastado após pegar suas bebidas, ficaram por lá, observando o movimento, a pegação.
Virou o rosto para o que o acompanhava, vendo quê ele virava o copo de uma vez, com a máscara ao lado do rosto, exibindo a sua bela face infantil. Aquela imagem era... Tentadora. Aproximou-se ainda mais, ficando a sua frente, tirou o copo de seus lábios e observou um sorriso pairando por eles. Olhou em volta, pôs uma das mãos no lado exposto de seu rosto, cuidando para que nenhum conhecido o visse, então tomou aqueles finos lábios para si.
- Fiquem perto, não quero mais confusão. – advertiu Pein, assim que entraram no lugar.
- É, eu garanti que ia ficar de olho em vocês. – disse Itachi.
- Que seja. – resmungou Hidan, dando de ombros.
- Agora... Onde estão aqueles dois? – perguntou o ruivo de piercings.
- Ali o Zetsu. – respondeu Sasori, apontando – E está pegando alguém enquanto discutíamos na sala da segurança.
- É um garoto. – estranhou Konan.
- É o Tobi! – exclamou o loiro, surpreso – O Tobi estava usando essas roupas, é desse tamanho e... Que estranho.
- Zetsu! – Pein gritou o mais alto que conseguiu.
O garoto de cabelos verdes e o menor se separaram, encarando os olhares dos outros. Rapidamente Tobi voltou a cobrir o rosto, fora tão rápido que sequer puderam ver. Os dois caminharam até eles calmamente, ignorando as faces surpresas.
- Pensei que estariam no andar da dança de salão. – comentou Zetsu.
- E eu pensei que você fosse hétero. – rebateu Sasori, com a testa franzida – E o Tobi.
Ambos silenciaram-se, o que foi repetido pelos outros.
- Vamos dançar? – perguntou Tobi, jogando as mãos para o alto.
- Acho bom mesmo. – resmungou Pein, agarrou a mão de Konan e saiu no meio da multidão arrastando a garota.
- Vamos também. – disse Zetsu, puxando o ombro do mascarado.
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- Que estranho, não? – comentou a garota de cabelos azuis, gritando ao ouvido do ruivo, para que ele pudesse ouvir sob a música alta – Hidan e Kakuzu saem no tapa e acabam se beijando, Zetsu e Tobi ficando, Itachi pra baixo por causa do Kisame, Deidara e Sasori se afastando... Esse ano está uma loucura.
- Você acha? – perguntou ao ouvido dela.
- Você não?
- Tem uma coisa que ainda não aconteceu nesse ano, sabia? – disse aproximando-se um pouco mais.
- É? E o que seria?
- Isso. – respondeu, selando-lhe os lábios em um beijo rápido, acompanhando a batida da música e o ritmo das pessoas a sua volta.
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Linda noite. Estranho silêncio. Assustadora escuridão.
Lá fora a lua brilhava alta no céu, via-a por detrás das altas árvores que cercavam o terreno. A melodia que o vento tocava ao contato com as folhas tornava-se assustadora na ocasião, estava só ali, no escuro do ambiente, iluminado apenas pela luz franca que vinha da lua, passando pelo vidro da janela e as cortinas brancas que, como sempre, tremeluziam. Tinha a cabeça escorada no vidro e em uma das mãos uma muleta. O olhar se perdia por passado, presente, futuro, e mundos alternativos, a mente vagava junto, mas o corpo não parecia querer sair daquela realidade onde estava. Inexpressivo, mas estranhamente... triste.
- O que faz aqui, Itachi-san? Não deveria estar na inauguração?... Senti sua falta, não era divertido sem você, precisava te ver... Por quê?... Por quê? Eu não sei... Como não?... Eu não sei. Sinto-me estranho ao seu lado, não posso explicar, não tenho palavras... Então não explique, não fale, apenas... Sinta... – os olhos negros se fecharam, como se pudesse sentir o que vinha após disso em sua fantasia, mas logo se abriram novamente – A quem engana, Kisame? Isso é inútil, idiotice... Ele nunca faria isso.
Ouviu a porta da enfermaria abrir. Suspirou pesaroso, fechando os olhos mais uma vez, então voltou-se a entrada, enquanto dizia:
- Estava sem sono, Shizune-san, já vou voltar pra cama.
Abriu os olhos para ver que não era Shizune, também não era Kabuto, Sakura, e muito menos Tsunade, pessoas que costumavam aparecer durante a noite para ver se estava tudo bem. Quem entrara tinha os sapatos sujos de lama, a camisa amassada e por fora da calça, com os primeiros botões abertos e o nó da gravata desfeito, em uma das mãos trazia um capacete, e os cabelos negros desgrenhados.
- Não sou Shizune. – disse com seu habitual frio tom de voz, enquanto repousava o capacete em uma das camas, quase que gentilmente.
- Pensei que estava na inauguração daquele clube. – questionou em tom sussurrante, observando-o se aproximar em passos lentos.
- Estava. – respondeu, chegando ao lado dele para também ser iluminado pela fraca luz da lua – A festa estava caída sem sua animação, e quer saber? Não consegui pegar ninguém também. – brincou, incentivando um sorriso, mas ao ver que era inútil, parou de sorrir.
- Aqui está bem mais desanimado.
- Não importa, você está aqui. – disse o Uchiha, aproximando-se receoso – Kisa...
- Não me chama assim desde os dez anos, Ita-chan. – relembrou, ainda escorado no vidro e sem expressão alguma.
- Você também não me chama mais assim... Kisa... Como você conseguiu me fazer sair de uma festa? Como você consegue me fazer culpar por um acidente, sendo que não me culpo nem mesmo pela morte de minha família? Como você consegue... Me fazer humano?
- Do que você está falando? Sou apenas seu melhor amigo, e melhores amigos escutam melhores amigos, ajudam, animam...
- Não... Não nota? – perguntou, erguendo uma das mãos para levá-la à face azul do maior – Não é mais meu melhor amigo, Kisa.
O Hoshigaki não teve chance de fazer outro questionamento, pois no segundo seguinte o moreno se esticava para alcançar seus lábios, e o beijava, um beijo gélido, como o coração e mente do Uchiha, mas intenso e receoso, como tudo que ele fazia. Aquela fantasia não estava assim tão distante quanto imaginava, e seu corpo estava certo em querer ficar naquele mundo, pois agora sua mente pedia pelo mesmo.
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- Larga esse laptop. – pediu mais uma vez, já perdera até mesmo a conta de quantas vezes o fizera.
- Não posso, estou vendo uma coisa... Interessante.
- Mas estamos em uma festa, Shino-kun. – irritou-se – Não é o que queria? Ficar ao menos um dia sem Kiba?
- E sem você também. – retorquiu.
O outro aproximou-se, tomou o objeto do colo do moreno e fechou a tampa, uma expressão furiosa na face. Shino arqueou as sobrancelhas, aproximando-se curioso.
- O que está sentindo? – quis saber.
- Raiva. – respondeu simplesmente.
- E você conhece "raiva"?
O outro abriu a boca, mas tornou a fechá-la quando notou que não havia resposta. Ao contrário do que imaginava, o Aburame sorriu vitorioso.
- Finalmente.
- Como assim? – estranhou.
- Um humano sem sentimentos, você dizia ser... – começou, erguendo uma das mãos ao seu rosto – Não acreditava nisso, apenas achei que os tinha perdido na longa caminhada da vida, e só precisava aprender a usá-los. Nunca se perguntou o porquê de sempre deixá-lo para o final e dizia que tinha de me ajudar a unir casais participando ativamente? – perguntou, recebendo um aceno negativo como resposta – Há ensinamento melhor do que a prática? Eu sempre estive cuidando de seu caso, apenas aguardei os resultados, que começam a surgir... Você não é mais um "sem sentimentos", agora você também pode sentir. O que sente, Sai-kun?
- Sinto... Sinto-me feliz.
YO! n.n
Mais um capítulo, e saibam que foi o maior capítulo dessa fic :O Conseqüência de por muitos personagens... .-.
Espero que tenham gostado \o\ Deixem review u.ú A campanha que mobiliza até agentes do FBI e CIA está fazendo sucesso pelo mundo todo \o/ A causa está quase ganha, mas vamos continuar mandando reviews até que todos os autores bakas do mundo estejam hiper felizes, tenham um passamento de tão felizes e morram misteriosamente de parada cardíaca, aí então o L vai atrás de vocês para prenderem-nos por terem matado os pobres FicWriters º-º Mas a cada review que você NÃO deixa um autor morre, então, se você não mandar, vai matá-los mesmo assim, então o L vai atrás de vocês º-º Se virem o Ryuk digam que ele tem uma fã x3 viciou em Death Note
Bom bom... se recuperando É só isso mesmo x)) Acho que entenderam o recado... Até o próxomo capítulo o/
Cliquem no Go No Jutsu aí embaixo \o/
